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AFRICOM – O NOVO COMANDO MILITAR NORTE AMERICANO

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África é o segundo maior continente da Terra, ocupando 20% da sua área.

África é também o maior depósito de minerais do mundo.

Africa’s share of the world’s major mineral reserves is estimated as follows: 8% petroleum, 27% bauxite, 29% uranium, 20% copper, 67% phosphorites, and substantial reserves of iron ore, manganese, chromium, cobalt, platinum, and titanium. Algeria, Egypt, Libya, and Nigeria are the major petroleum and natural gas producing countries in Africa. Botswana, Congo (D. R.), and South Africa together produce 50% of the world’s diamonds. Ghana, South Africa, and Zimbabwe together produce nearly 50% of the world’s gold.

Temos um território imenso, com uma população e respectivos estados; frágeis e temos as maiores reservas de minerais – de quaisquer tipos de minerais – lá localizados.

Um sitio “grande”, pouco defendido, com imensas riquezas naturais.

Ø

No dia 6 de Fevereiro de 2007, o malvado George Bush, anunciou que os EUA iriam criar um comando militar destinado a resolver os assuntos de África, (quais assuntos?) chamado Africom. Este novo comando militar teria as responsabilidades que antes eram partilhadas pelos comandos militares Central Command, Pacific Command e European Command.

Este novo comando africano teria que estar operacional o mais tardar a 1 de Outubro de 2008.

O novo comando militar ficou destacado na Alemanha, na base de Rammstein, devido à impossibilidade de se conseguir encontrar um país africano que quisesse lá ter bases militares, representando o “Africom”.

Um grupo de intelectuais africanos criou um movimento destinado a alertar as populações e as opiniões publicas sobre a militarização do continente que este gesto norte americano implicava.

AFRICOM—which becomes operational on October 1, 2008—will oversee the growing array of U.S. military programs already being implemented in Africa. These range from military training, to the delivery of millions of dollars worth of weaponry and other military equipment, to the establishment of a new U.S. military base on the continent, to the deployment of aircraft carrier battle groups to patrol the waters of the oil-rich Gulf of Guinea, to the deployment of U.S. troops on battlefields in Somalia, Chad, and Mali. In fact, it would surprise most people to know that American soldiers are already fighting in Africa.

In January and June 2007, U.S. troops based in Djibouti mounted air and naval strikes aimed at alleged al-Qaeda members—killing dozens of Somali civilians instead—and in September 2007, a U.S. cargo plane flying supplies to Malian counter-insurgency troops was hit by ground fire from Tuareg insurgents, although no Americans were injured and the plane returned safely to its base.

Razões principais (oficiais) para a criação do AFRICOM:

(1) Proteger o acesso dos EUA aos fornecimentos de petróleo oriundos de África.

(2) Expandir a “guerra ao terrorismo” em África.

(3) Contrariar a crescente influência chinesa e envolvimento económico da China em África.

Ø

Ver à propósito uma acção de propaganda num jornal de um dos países  aliados, destinada a dizer o contrário, para salvar a face, através destas notícia do jornal Publico, de 27 de Março de 2009:

A verdadeira razão deve-se ao facto de todos os países africanos terem recusado  -a té à data –  a instalação de uma base militar semelhante à de Rammstein, na Alemanha que é só a maior base militar americana, fora dos EUA.

E não como a notícia nos diz que é.

Ø

Após estas movimentações e a criação do “Africom” seria de esperar que a situação em África ainda se acalmasse mais.

Uma ideia destas – dissuasora – teria tendência a inibir o aparecimento de problemas.

Surpreendentemente …… não.

Imediatamente surgiram as “crises de pirataria” no golfo de Aden,ao largo da Somália.

Na província de Kivu, no norte do Congo problemas também surgiram com crises e rebeldes.

No Djibuti, em 2007 (Janeiro e Junho), tropas americanas montaram operações de combate à membros da Al kaida, quer aqueles que existiam,quer aqueles que não existiam, atingindo civis somalianos,em vez disso.

Na Somália,no Chade e no Mali, existiram “deployments” – tropas americanas ocuparam posições nestes países.

No Mali, os norte americanas estão a apoiar as forças que lutam contra os rebeldes insurgentes, entre os quais estão tuaregs. Um avião americano foi em Setembro de 2007, atacado por Tuaregs.

Fonte: New york Times.

REUTERS - SETEMBRO 2007 MALI - TUAREGUES

É favor reparar no pormenor delicioso da notícia do New York Times segundo a qual, o avião apenas levava “comida”.

Ø

No dia 27 de Outubro em washington, o general  William E. Ward, comandante do Africom, fez um discurso onde designava quais eram os objectivos do comando Africom.

‘in concert with other US government agencies and international partners, (to conduct-levar a cabo) sustained security engagements through military-to-military programs, military-sponsored activities, and other military operations as directed to promote a stable and secure African environment in support of US foreign policy.’

As ‘military operations as directed to promote a stable and secure African environment in support of US foreign policy,’ são claramente operações militares desenhadas para bloquearem a presença económica chinesa na região.

Isto na pratica significa que, a criação deste comando Africano que dá pelo nome de Africom, foi feito precisamente para isto.

Se até aqui não existia comando, porque não existia forte presença comercial e económica da China, então uma coisa ajusta-se à outra.

E assim se avança para a militarização de um continente.

E assim se cria na mente dos chineses uma ideia de que serão hostilizados – justamente ou injustamente, e que importa – pelos EUA, onde quer que seja e usando quaisquer métodos.

E assim isso criará uma reacção.

Ø


Quando se avança para uma situação destas – abertamente militarizada ou forçando a militarização de uma área é porque se julga querer proteger algo.

Algo não é a população destes países ou o poder político neles instalado, independentemente da sua raiz democrática ou não democrática.

Algo pode ser o “acesso livre” a esses bens – os minerais e as reservas de hidrocarbonetos, do primeiro texto em inglês que transcrevi em cima.

Mas teremos que traduzir o que significa “acesso livre” do ponto de vista dos americanos. E acesso livre significa duas coisas:

(1) que, por exemplo, grupos de cidadãos armados de um determinado país, que não contentes com a distribuição do rendimento nacional dentro do seu próprio país, se revoltem, invocando uma qualquer ideologia ou religião por detrás da revolta, sejam “contidos”, isto é, impedidos de alterar a ordem vigente.

(2) Que grupos de “interesses estrangeiros” – sejam eles a Rússia,a China, o Japão, a Índia, ou alguma das potências europeias que nisso esteja interessada (ex: França) possam realizar negócios em termos de (A) monopólio que lhes seja atribuído, ou em termos de (B) “tratamento preferencial”.

Ø

É por estas razões, como se viu acima,que no post “Darfur e o petróleo” se escreve a dada altura o seguinte:

” Os mapas são divididos em dois, por razões de espaço. O original é um simples mapa feito pela Usaid em 2006 – uma NGO norte americana que serve, também de guarda avançada exploratória dos interesses dos EUA (do governo dos EUA), no que toca a influenciar países; “através da ajuda humanitária” que mostra quem são os donos dos campos de exploração petrolífera no Sudão. Em 8 dos campos marcados, não existem companhias norte americanas a trabalhar e 3 deles são explorados pela CNPC – China National Petroleum Corporation.”

usaid-darfur-exploracaode-petroleo-mapa-12

Quando não se consegue por meios legítimos recorre-se à força militar.

E o benigno Obama apenas continua a seguir a mesma política externa que o seu antecessor George Bush.

O que prova que o que os EUA designam como sendo “o seu interesse nacional” nada tem a ver com “Direitos humanos”, com “democracia e a sua implementação” ou com quaisquer outras considerações do mesmo teor, mas sim com a imposição de força bruta no terreno e controlo,  através da intimidação derivada do estabelecimento de um comando militar.

E que irá – mais tarde ou mais cedo – começar a ter uma contra reacção dos chineses ou de outros – os próprios povos de África – que começarão a perceber que estão de novo a ser colonizados, mas agora de outra forma – o estado de serem protectorados de facto, submetidos ao interesse de várias potências em disputa.

Ø

É por todo este acumulado de razões que iremos ver assistir nas próximas duas décadas a cada vez mais conflitos em África, mas só na região do Congo, Sudão, Somália, Nigéria, Mali,etc, todas as zonas que não estejam ao alcance dos EUA.

Assim como veremos imensas notícias na imprensa mundial falando de rebeldes, insurgentes, terroristas da al-kaida etc, que tentam derrubar governos, sendo que uma parte deles tentará derrubar governos pró ocidentais e outra parte será patrocinada pelos EUA para derrubar governos anti EUA.

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Written by dissidentex

10/05/2009 às 20:24

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