DISSIDENTE-X

Archive for Junho 2009

O DECLÍNIO PROGRAMADO DE PORTUGAL E A ESQUERDA POLÍTICA

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Uma das razões para o sistemático declínio de Portugal está na continuada importação de modelos académicos, políticos, sociais, económicos que nos são vendidos por interesses estrangeiros.

Isto acima não significa, obviamente, que o modelo Salazarista de sociedade seja aqui defendido.

Mas significa que, como povo e como país deveríamos ter um pouco mais de brio e de auto estima, e não embarcarmos  sistematicamente em promessas agradáveis e muito bonitas de “saltos tecnológicos” propostos pelos vendedores.

Basicamente porque estes saltos tecnológicos são feitos e propostos para “agarrar” o país chamado Portugal aos modos de fazer as coisas preconizados (neste caso) pelos EUA.

E como efeito disso mesmo, impedir um qualquer desenvolvimento económico, industrial ou tecnológico autónomo e com ideias e princípios próprios.

Ø

E cita-se a partir desta caixa de comentários o Pedro Fontela que diz o seguinte:

“…O facto de andarmos nesta dança de imitações do exterior há mais de 2 séculos (com resultados que vão de mal a pior) parece não fazer ninguém parar para pensar sobre a validade de um simples processo de imitação.

Estão a dar-nos para a mão as correntes que nos irão prender e nós, como bons cosmopolitas cultos que somos, aceitamos pô-las de bom grado.

Estamos dentro de um esquema de poder que não podemos controlar…”

Ø

E chegamos a uma notícia do Jornal Público- 16- 06 – 2009 – apresentada como sendo uma grande façanha.

CARNEGIE MELLON - VANTAGENS COMPARATIVAS

O actual governo de “esquerda” lançou mais  uma “iniciativa tecnológica”. O sitio oficial do evento pode ser encontrado aqui.

Registe-se a ironia de uma economia que nem sequer 2.0 é, esteja a fazer este simpático favor à economia norte americana e a uns certos interesses financeiros norte americanos.

Objectivo: obter mais rapidamente técnicos e “research”/investigação potencialmente grátis, feita por um país pobre – que paga estas contas através da sua fundação para a ciência e tecnologia.

Com o bónus adicional deste “reboot 3.0 ser implementado de acordo com os padrões da Carnegie Mellon, isto é, de acordo com os padrões norte americanos.

Outra ironia consiste no facto de se dizer que isto é feito, porque ” a corrente crise económica” criou problemas no modelo económico.

O problema é que a corrente crise económica assenta precisamente no mesmo tipo de modelo que aqui é exemplificado pela conferencia da Carnegie/ governo Português.

Ø

E como se pode ver lá em cima, é dito que “pode ajudar a definir as vantagens comparativas para Portugal” – garante o responsável coordenador do programa.

O responsável coordenador do programa aparenta ser uma daquelas pessoas que acha que o mundo só começou desde que o responsável coordenador começou a trabalhar. *

O responsável diz que é um êxito. O responsável não tem interesse próprio nenhum, claro…

Também nos fala de “vantagens comparativas”.

O que são? Mistério.

Deve ser para isso que o responsável coordenador coordena um programa destes. Supõe-se. Entre isto e astrologia…

CARNEGIE MELLON  - VANTAGENS COMPARATIVAS 2

Repare-se que o responsável do programa diz que – de forma cientifica e matemática – que o retorno só no futuro (essa entidade sempre imprevisível ) poderá ser medido.

E que a verba está a ser usada para pagar doutoramentos. No fundo aquilo que interessa mais à Carnegie Mellon/empresas – doutoramentos pagos por verbas de países estrangeiros, mas cujos resultados (os doutorandos) serão aproveitados por empresas ou interesses ligados à Carnegie Mellon.

E no fundo temos os contribuintes portugueses – que são pobres – a subsidiar as diletâncias e os interesses estratégicos de uma potência estrangeira e dos interesses por detrás dela.

A Carnegie Mellon e outras entidades do mesmo estilo concerteza farão isto em outros países.

O resultado?

Multiplicação do numero de doutoramentos e  um “abaixamento” do valor dos doutorados (porque são muitos) e um lançamento para o mercado de doutorandos a pataco.

Para Portugal, directamente, ganho nenhum. Apenas saída de dinheiro. E ilusões. Muitas ilusões.

Ø

E façamos uma pequena caminhada pela avenida da memória.

No post Dissidente-x intitulado ” “Marcas nacionais e o seu desaparecimento” era explicado como tinham desaparecido uma série de marcas nacionais.

E também era dito o seguinte, na sequência da lógica do post, citado em baixo.


Os pressupostos são sempre derivados de Adam Smith. As “vantagens comparativas”.

A versão recauchutada actual de Adam Smith chama-se Michael Porter e sua teoria do diamante competitivo.

Nos anos 90, o governo do senhor Cavaco Silva, encomendou um estudo (um milhão de contos/ 5 milhões de euros) para definir quais os casulos / nichos / “clusters” económicos nos quais a economia portuguesa se deveria “especializar”.

NOTA: sem ter a certeza, e após pesquisa, penso que o estudo em questão é este: PORTER, Michael, “Construir as Vantagens Competitivas de Portugal”, Monitor Company, Edição Forum para a Competitividade, Lisboa, 1993

A equipa de técnicos da Monitor Company (a companhia do senhor Porter) pairou aqui durante uns 4 meses recolhendo informação. Passados seis meses / um ano, apresentaram as suas conclusões.

Algum tempo mais tarde, recordo-me de ter lido uma entrevista de um industrial do norte em que a pessoa dizia que concordava na quase totalidade com o estudo dos técnicos da Monitor, especialmente porque as conclusões do estudo eram idênticas ás de um estudo interno que esse senhor tinha feito para a sua própria empresa. Ele não poderia precisamente por isso, contrariar-se a si mesmo.

O industrial em questão, bastante cavalheiro até, estava na prática a dizer que o que tinha sido feito era anunciar como boa nova aos pacóvios cá do sitio algo que já era conhecido pelos pacóvios cá do sítio.

Acrescento duas notas.

(1) * já nos anos 90 tinha sido feito um estudo e uma “coisa” para definir as “vantagens comparativas de Portugal”, na época, pelo vendedor de banha da cobra do tempo histórico em questão. (que lhes chamou “vantagens competitivas”)

(2) O “estudo Porter” custou sensivelmente um milhão de contos/5 milhões de euros.

Cito o Pedro Fontela lá em cima: “com resultados que vão de mal a pior”.

E insiro uma imagem de uma parte do documento Porter.

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Na altura foi a direita Cavaquista que nos levou para mais uma aplicação de teorias destas. Os resultados?

São conhecidos…

A DEMOLIÇÃO CONTROLADA DAS ECONOMIAS NACIONAIS NA EUROPA

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(1) Primeiro, dizem-nos,  aconteceu o excessivo endividamento na concessão de crédito por parte de bancos e entidades que concedem crédito.

(2) Depois, existiu um gigantesco aumento do numero de Hedge Funds.

(3) E para alimentar fenómenos, institui-se uma moda cultural, que afirmava que os gestores dos dois itens anteriores deveriam ser generosamente remunerados com bónus financeiros pelo facto de  conseguirem obter elevados retornos financeiros em curtos períodos de tempo.

Ø

No Jardim do Éden financeiro, milhares de gestores financeiros do mundo inteiro viviam felizes. E inocentes. Não conheciam Friedman nem Keynes . Não conheciam os Credit Default Swaps, nem os derivatives.

Satanás, um anjo ignaro e Neo Con que tinha ciumes de Deus, tomou a forma de uma bolha especulativa do imobiliário, e perverteu os milhares de gestores do mundo financeiro, obrigando-os a aceitar bónus financeiros que não queriam; obrigou-os a criar Hedge funds que nunca quiseram criar, obrigou-os a conceder crédito a particulares e empresas, que não o queriam aceitar.

Tal foi a luta de Satanás e dos seus anjos negros contra as forças do senhor Deus…

Satanás, após ter perdido a guerra contra os Keinesianos de Deus, os anjos  brancos financeiros do Senhor, reuniu-se no G666 com os seus anjos negros financeiros perdidos. A vingança foi preparada – a recuperação do Éden financeiro de Deus – e a criação  da demolição controlada das economias nacionais através da criação de entidades reguladoras novinhas em folha.

Ø

E foi assim que a inocência perdida dos especialistas financeiros aconteceu e eles foram expulsos dos jardins do paraíso…

Ø

E como já não existe paraíso na Terra, apenas existe a demolição controlada das economias nacionais.

E tem um nome. Chama-se ditadura financeira da regulação dos mercados.

Vai ser implementada da seguinte maneira:

Irão ser criados 3 sistemas de vigilância.

Ø

(1) O primeiro chamar-se-á “European Banking Autorithy (Autoridade europeia Bancária) ( Londres) e terá como tarefa regular bancos.

(2) O segundo chamar-se-á ” Insurance Autorithy (Autoridade europeia de seguros) (Frankfurt) e terá como tarefa regular o comportamento de seguradoras.

(3) O terceiro chamar-se-á “”Securities Autorithy” (Autoridade europeia em produtos financeiros bolsistas e derivados) (Paris)  e terá como tarefa regular os problemas nos mercados de acções, obrigações e produtos derivados.

Ø

No post Dissidente-x intitulado “Crise Financeira americana – as teorias Mainstream que a explicam” era a dada altura dito o seguinte, e cita-se:

Ø

As teorias que explicam a actual crise são muito definidas e são apresentadas como sendo muito definitivas.

Tem como características principais (1) a ocultação do caminho a seguir e o (2) propósito de desviar as pessoas do caminho a seguir, caso não se caia, previamente, na armadilha da ocultação.

(1) A ocultação deriva do facto de não se questionar – com a aplicação destas teorias explicativas – a análise e a escolha de quais os modelos económicos (mas dentro do capitalismo, como sistema…) que se podem e devem escolher ou ter a possibilidade de o conseguir fazer.

Um exemplo de “ocultação” será sempre aquele em que se coloca a argumentação, como sendo uma escolha que se quererá implementar, (a existirem eventuais  mudanças) entre capitalismo e marxismo.

(2) o desvio do caminho a seguir significa que se defende que não deverão existir nenhumas mudanças em relação ao que está: que será apenas uma questão de “expurgar” de dentro do sistema os maus elementos e criar novas práticas de funcionamento, mais reguladas e assentes na lei.

Um exemplo de “desvio do caminho a seguir” será aquele em que se colocam as coisas como sendo apenas um problema de regulação dos mercados, regulação essa que falhou, sendo portanto, de novo necessário, regular…ainda mais e melhor…

Ø

Parece que a “opção 2” foi a escolhida para vencer pelos especialistas financeiros e políticos.

Resta dizer que as “novas autoridades europeias” terão poderes completamente totalitários.

(A) Ditar e implementar padrões comuns de regulação por toda a Europa;

(B) Criação de um European Dinamic System Board (um sistema quadro dinâmico europeu?!?) que visará avaliar (B1) os “riscos sistémicos”, (B2) gerar recomendações; e (B3) verificar da sua implementação.

O Conselho de administração desta nova “coisa “será originário e derivado do actual Banco Central Europeu.

Ø

Consequências práticas disto?

Qualquer companhia europeia, poderá ser “apreendida” e expropriada por esta nova “entidade” se se considerar que existe “risco para o sistema”.

Sob o ponto de vista de “PODER” – uma quantidade massiva de poder é assim transferida dos governos nacionais para um órgão não eleito em Bruxelas, controlado por 3 grandes países e por uma burocracia de rosto desconhecido.

Um cartel privado de bancos e elites financeiras (que se oculta atrás de Bruxelas) irá  – efectivamente – tomar conta da regulação e “regular” só quem lhe interessa regular.

CONCENTRAÇÃO DE BANCOS EM PORTUGAL

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Um dos problemas de Portugal e dos portugueses é o facto de – dizem-nos os adeptos do liberalismo na economia – existir “pouca concorrência” nos mercados. Notícia Público – Economia, dia 28 – 05 – 2009.

Isto é, existirem poucos concorrentes nos mercados. E o responsável do Deustche Bank, o banco que despoletou juridicamente a crise financeira norte americana, vem dizer-nos que é bom existir pouca concorrência no mercado. E importa perceber porquê…

DEUTSCHE BANK - CONCENTRAÇÃO DE BANCOS

(1) É inevitável. Porquê? O responsável do Deustche Bank não diz. E aponta o caminho: absorção ou fusão das instituições mais pequenas.

São aquelas instituições que ocupam os mesmos pedaços “pequenos” de mercado que o Deustche Bank também ocupa.

Fazer publicidade em causa própria é a nova medida de ética.

(2) Fusão das instituições mais pequenas. Entre si, ou com o Deutsche Bank? E por que preço? E por qual quota de mercado a atingir? E quem assume as dividas das instituições mais pequenas? São as instituições que faliram, ou são as outras instituições mais pequenas que não faliram?

(3) Um modelo de negócio mais tradicional é que é necessário ter “mais escala” ou seja, mais tamanho”. Porquê, mais tamanho? Para ocupar que mercados?

Se os bancos portugueses – mais pequenos – estão “entalados”  entre os bancos portugueses maiores (estes tem uma quota de mercado à volta dos 85%) então para quê ganhar “escala”?

Para expandir para o estrangeiro? Bom, mas se o bancos portugueses normais não conseguem sair de Portugal, porque seriam os pequenos a fazer isso? E como se ganha quota de mercado, mesmo fundindo-se bancos pequenos com bancos pequenos?

Para expandir em Portugal? Há a questão das sinergias, mas isso não explica ( nem de perto nem de longe) tudo…

Então quem pode beneficiar com isto? O Deutsche Bank, que poderá eventualmente, num determinado futuro comprar um banco eventualmente fusionado (e com um tamanho ajustado aquilo que o Deutsche Bank pretende (adquirir) do mercado português) resultante destas propostas que o seu responsável apresenta….

(4) No ponto 4 que escolhi, o responsável do banco alemão em Portugal tem um leve acesso de marxismo económico. Manifesta-se perguntando qual é o numero de bancos necessário para que as “coisas funcionem”. Julgava eu, que era o “mercado” que determinava isso.

É o mercado que determina isso, excepto quando o Deutsche Bank, não tem quota de mercado que lhe permita crescer (A) organicamente, ou (B) por aquisições e fusões de concorrentes.

Aí o mercado afasta-se para a barra lateral. E entra o intervencionismo retórico, em conferencias do Finantial Times – interesses estrangeiros a fazerem pressão sobre o mercado português…

(5) É claro que são os bancos mais pequenos que sofrem com as condições do mercado, porquê? TBTF (To big to fail – demasiado grandes para falharem) era o mantra que rebentou recentemente com alguns bancos grandes – todos eles maiores que o Deutsche Bank.

Portanto é “claro” porquê? Porque um director regional do Deutsche Bank o diz?

E acreditamos nele porquê?

(6) E diz-nos o ex-director do impostos que voltou para o BCP, que será visível a redução do crédito destinado a particulares e sobretudo, no sector imobiliário.

Os bancos cortam a torneira, não porque seja “visível” a crise do crédito, mas pura e simplesmente porque já estão cheios de perdas nos balanços e não querem mais.

Mas estão a indicar-nos que “acabaram de abortar” contra a vontade de qualquer governo eleito futuramente, qualquer ” ideia leve” de recuperação económica.

Indicam que estão completamente contra a corrente propagandística do actual governo que fala de recuperações económicas que estão a vir.

E indicam que os mais de 2 biliões de euros injectados nos bancos portugueses por causa da crise (de um pacote total disponível à volta dos 20 biliões de euros) afinal não serviram para aliviar a torneira da concessão de crédito.

Os bancos querem as coisas como estão. O seu poder aumenta com as coisas assim, e mais condiciona qualquer governo eleito.

(7) Crescimentos de crédito na área dos dois dígitos ao ano não são desejáveis. Resta dizer, que quem quis ter crescimentos de crédito na área dos dois dígitos foram …… todos os bancos?!?!? ……que se lançaram na concessão louca de crédito por todos os lados.

Ø

De um ponto de vista da “concorrência” o que o responsável do Deutsche Bank esta a postular, dizendo isso ao estado Português; é que o numero de concorrentes no sector bancário ainda deve ser mais reduzido do que aquilo que é.

São as ideias de uma certa “elite financeira e capitalista mundial” que estão aqui plasmadas. Redução dos números dos concorrentes locais, para que os grandes bancos mundiais, possam “ocupar espaço” e salvar as mais recentes perdas que tiveram.

Logo, é necessário “expandir à força” e o Deutsche Bank necssita disso devido às perdas que ainda tem devido à crise financeira norte americana.

“Expandir à força”= persuadir através de órgãos de persuasão (o Finantial Times) veiculando a mensagem que “há crise no sistema, reduzam, os actores…

Ø

Qual é o interesse nacional que é defendido, pela redução do numero de bancos comerciais a operar no mercado?

O INTERESSE NACIONAL NO CANADÁ

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No Canada existe a defesa do interesse nacional. Fonte: Google News via Reuters.

CANÁDA - CLAUSULA DE BUY CANÁDA

Tradução a martelo:

Junho, 6 , 2009

(Cidade de) Whistler, British Columbia. Presidentes de câmara canadianos aprovaram uma lei que pode potencialmente, impedir que empresas norte americanas possam concorrer a contratos locais canadianos.

Esta lei é uma retaliação feita à Lei “Buy american” (compre americano) que está prevista no plano de estímulos á economia do Presidente Obama. O presidentes de Câmara votaram por uma maioria de 189-175 a lei, na conferencia dos municípios canadianos, realizada na cidade de Whistler, Columbia.

A lei diz que a Federação deve apoiar as cidades que adoptem políticas que lhes permitam somente comprar produtos de companhias, cujos países de origem não imponham restrições ao comércio contra produtos canadianos.

Os Presidentes de câmara também votaram favoravelmente para se esperar durante 120 dias enquanto o Canada continua as negociações com o governo norte americano sobre esta matéria, no sentido de se conseguir chegar a um compromisso.

Ø

No post “Quem são os donos de Portugal” era a dada altura escrito o seguinte:

(1) Primeiro que tudo é necessário definir um conceito de interesse nacional: quais são as coisas que são do nosso interesse nacional, enquanto país, defendermos?

(2) Depois é necessário, dentro do aparelho estatal, criar mecanismos que consigam criar sustentabilidade de políticas, independentemente de quem é eleito para um governo.

(3) Depois é necessário que esses mecanismos e as pessoas que os executam o pensem e o façam a “longo prazo”.

Objectivo: criar uma sustentabilidade das políticas (de defesa do interesse nacional) a executar.

Ø

No Canáda percebe-se, claramente, quando é que o interesse nacional canadiano é posto em causa e quando não é posto em causa.

UM DOS DONOS DE PORTUGAL MANIFESTA-SE.

RICARDO ESPIRITO SANTO - DIA 18 DE JUNHO DE 2009A imagem lateral pertence ao Jornal de negócios – dia 18 de Junho de 2009 – e diz respeito a uma entrevista estratégica dada numa altura apropriada.

É uma entrevista dada por uma das pessoas que controla o país e ajuda a determinar como deve estar o sítio.

Na minha opinião, o tom da frase, que encabeça a capa do Jornal, é um tom de ameaça.

Não é um tom de preocupação, na minha opinião.

E o que é grave, na minha opinião, é o facto de um empresário, nesta altura, decidir dar a sua opinião  com este tom e com esta ameaça implícita.

O que dá origem a que se pergunte: será muito mau porque, acaso não exista maioria absoluta, este empresário tomará algumas acções a favor dessa maioria absoluta?

Se sim, quais?

E cito um excerto do post anterior chamado  “Quem são os donos de Portugal”:

«(…) só apoiaram o regime aquelas forças que nunca apareceram na cena politica… mas estiveram sempre por trás dela?…

“…o regime continua “inexplicavelmente” de pé.

“Inexplicavelmente” para quem ainda não se deu ao trabalho de verificar quem são na realidade os donos de Portugal…»


Na minha opinião, a segunda parte do que vem citado na capa do Jornal é uma palmada simbólica na mão dos políticos portugueses.

Está-se lhes a dizer que “não devem mexer no Banco de Portugal e no tipo de supervisão que lá está a ser desenvolvido”.

Está-se lhes a dizer que “devem apoiar o tipo de supervisão que tem sido feito” e que deu origem aos resultados que tem sido conhecidos, relacionados com os casos BPN e BPP.

Está-se lhes a dizer que o banco no qual o empresário trabalha e é dono, deve ser deixado em paz.

Está-se lhes a dizer que quem manda, de facto e na realidade, são os sectores económicos e não os sectores políticos.

Outra forma de ver as coisas é perceber que todos os sectores que querem que o país continue a estar como está, estão, politicamente e psicologicamente, a meter medo aos cidadãos dizendo-lhes que terá que existir uma maioria absoluta de um partido político – presumivelmente o que está no poder – porque acaso não exista essa maioria absoluta, virá aí o caos.

Porque é que virá aí o caos? Não se sabe.

Pobre regime que tem sectores que querem que as coisas sejam o que são.

E deve-se perceber outra coisa: está-se a apelar ao pior das pessoas em vez de se apelar ao melhor das pessoas.

Está-se a apelar ao medo, como forma de condicionamento da população.

Contudo… importa perguntar.

Dado o desastre que estamos a ver todos os dias temos razões para ter medo de quê?

As coisas já estão tão mal que as razões para ter medo já desapareceram…

QUEM SÃO OS DONOS DE PORTUGAL

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«(…) só apoiaram o regime aquelas forças que nunca apareceram na cena politica… mas estiveram sempre por trás dela?

Essas mesmas forças que beneficiaram com o chamado corporativismo, traduzido do italiano: aquelas forças que, no campo económico e financeiro, engordam enquanto o povo emagrece: o alto capital, a Finança internacional.

A Igreja e o exército foram os seus instrumentos. Mas só essas forças podiam ser o verdadeiro aliado de Salazar. Por isso, enquanto só o temor às retaliações tolhe ainda o exército e a Igreja parece ter-lhe tirado inteiramente o seu apoio, o regime continua “inexplicavelmente” de pé.

“Inexplicavelmente” para quem ainda não se deu ao trabalho de verificar quem são na realidade os donos de Portugal…»

Adolfo Casais Monteiro

Retirado de “O Peso e a leveza” – “Porque o Estado Novo durou quatro décadas


Ø

O excerto foi escrito há mais de 50 anos.

Alguém nota alguma diferença “real e verdadeira” em termos de poder e distribuição do mesmo com a realidade actual?

Ø

Porque se acha que o PS (e o PSD)  é tão fortemente a favor da Europa? (Para contrapor à atracção exercida pelos EUA…)

(1) Explicação oficial: pertencer ao ideal de união dos povos, solidariedade, e é o sitio de onde vem o dinheiro.
Com a qual se mistificou a população e se criou um mentalidade colectiva de apoio e adesão à Europa.

(2) Razões verdadeiras:as luminárias que tomaram conta disto após o 25-o4-1974, passado uma meia dúzia de anos, se tanto, perceberam que eram COMPLETAMENTE incompetentes para conseguir gerir Portugal.

Perceberam que não tinham CAPACIDADE para gerir um país do qual nada entendiam.

Perceberam que não entendiam NADA de economia e gestão.

Perceberam que NÃO ERAM CAPAZES de criar e manter de forma sustentável um país democrático.

Ø


Era necessário vender “isto” à Europa, para – a partir de lá – “eles” gerirem isto.*

Essa foi a solução encontrada há 35 anos.

Outsourcing político antes do outsourcing económico ser utilizado generalizadamente.

Sobre o preço a pagar, ninguém disse nada.

Ø

Antes, do surgimento dessa “solução”existiu uma luta entre duas (emergentes) elites rivais.

(1) A antiga elite conservadora e aristocrata – simbolizada quase a 100% pelo Salazarismo – foi “afastada”. Por inanição da própria e por exaustão da própria.

(2) Após esse afastamento, surgiu uma “nova elite democrática”. Que entrou em concorrência  com os membros de uma elite concorrente que estava “dentro” do regime – disfarçadamente. (uma “elite rival da actual” que tinha um modelo económico e social “diferente” baseado no comunismo soviético).

Após esta luta entre membros de duas elites concorrentes que queriam herdar o que o antigo regime conservador Salazarista deixava para trás e após a “elite actual” – democrática – ter ganho a batalha, esta ficou no “terreno”; para, dessa forma, nos demonstrarem  como era E NOS”GERIREM” EM DEMOCRACIA.

E a magnifica demonstração que fizeram foi……enviar isto por correio para a Europa.*

Ø

E passamos lentamente do estado em que éramos um país gerido por uma ditadura retrograda que apostava em nos manter a todos pobres, para uma entidade mítica distante e próxima que nos gere: a Europa.

Que nos mantém pobres de uma outra maneira.

E o “truque” genial disto é fazer-nos pensar que somos nós – enquanto cidadãos – que  ainda que nos gerimos através dos governos eleitos, etc…

De um ponto de vista “europeu” são as normas comunitárias transpostas para a legislação nacional. (Que nos governam…)

De um ponto de vista “mundial-supranacional” são as políticas definidas em organizações internacionais.

Onde Portugal nem sequer ocupa os cargos a que tem direito, internacionalmente. E mesmo que ocupe…

Isso, inviabiliza, por si só, qualquer real capacidade de negociar em termos de igualdade com os restantes países.

Isso inviabiliza qualquer forma de autonomia.

Ø

Um país pequeno só pode contrariar isto, optando por uma de duas opções.

Ou (1) sai da embalagem onde está metido, ou (2) fica dentro mas não pode estar tão dentro do núcleo das potencias poderosas.

Ø

– Portugal está a fazer dois erros colossais: está demasiado próximo dos interesses associados aos EUA e está demasiado próximo dos interesses associados à União Europeia.

– Portugal está a ser sugado e atraído para seguir as lógicas de funcionamento destes grandes blocos.

Como as dinâmicas de poder de ambos os blocos são conflituantes quem é pequeno e fica no meio de ambas procurando agradar aos dois lados; é invariavelmente dilacerado, quando existe uma crise de qualquer tipo.

Ø

Como se sai?

(1) Primeiro que tudo é necessário definir um conceito de interesse nacional: quais são as coisas que são do nosso interesse nacional, enquanto país, defendermos?

(2) Depois é necessário, dentro do aparelho estatal, criar mecanismos que consigam criar sustentabilidade de políticas, independentemente de quem é eleito para um governo.

(3) Depois é necessário que esses mecanismos e as pessoas que os executam o pensem e o façam a “longo prazo”.

Objectivo: criar uma sustentabilidade das políticas (de defesa do interesse nacional) a executar.

Ø

Mas, no concreto, como se pode contrariar a “lógica” e a situação decorrente das duas dinâmicas conflituantes em que nos deixamos embrenhar?

(1) Desde logo não podemos ser tão “abertos” economicamente. Tem mesmo que existir  “alguma dose de proteccionismo” disfarçado ou directamente aplicado na nossa economia. Só dessa forma se podem “afastar” alguns concorrentes estrangeiros.

E promover pequenas e médias empresas de origem nacional.

Ø

(2) Mas isso significa proteger situações em que não produzimos. Para quê proteger áreas onde não existe sequer produção nossa?

E devolve-se a pergunta de outra forma: porque se acha que chegamos ao ponto de “não produzirmos” ?

Precisamente porque “nos abrimos demais” em relação ao que deveríamos ter feito.

Ø

Nos meandros do “regime”  SABIA-SE e já desde há muito tempo, que se se adoptasse certas políticas, as coisas chegariam onde estão!

Ver Dissidente-x – Neo liberalismo económico e decadência programada.

AVISO À POPULAÇÃO

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DISSIDENTE X - AGONIA

Written by dissidentex

09/06/2009 at 12:40

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