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CRISE FINANCEIRA AMERICANA: A “NOVA” SOLUÇÃO É FAZER OUTSOURCING DA CRISE

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A lista completa de artigos relacionados com este assunto pode ser encontrada na página da barra lateral ” Z – Crise financeira norte americana”

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Imaginemos que, recentemente, a tranquilidade do nosso quotidiano repetido, foi abalada por uma crise financeira.

Imaginemos que, recentemente, para “combater” os efeitos nefastos dessa crise financeira se emprestaram biliões de dólares a bancos americanos, os mais afectados, para que estes não fossem à falência.

Imaginemos que, recentemente, grande parte do dinheiro não foi realmente recolhido para “combater a crise financeira” mas antes que foi feita uma “colheita” por  várias facções financeiras  mundiais em (1) busca de poder; em busca de (2) vários triliões de dólares, em (3) busca de controlo.

Imaginemos que esse dinheiro todo – somas colossais – não entrou na economia.

Imaginemos onde poderá vir a entrar esse dinheiro todo na economia.

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Imaginemos que o paradigma de “império” financeiro está a mudar.

Imaginemos que vastas somas de dinheiro tem que entrar de novo na economia, mas já não em bancos – esses sítios (agora horrendos) voláteis e que estão falidos.

Então… é necessário ver qual é o “novo prémio” a adquirir.

E o novo prémio a adquirir são… terras e negócios imobiliários. Mas já não os (tipos de)  negócios imobiliários que deram problemas de há 10 anos a esta parte.

Agora o nome do jogo é diferente: como conseguir obter as maiores posições na “terra” e no “negócio imobiliário” mas que possibilitem um tremendo e imediato retorno, passando os custos deste negócio para os “cidadãos”.

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E chegámos a um novo conceito: o capitalismo – desastre que se implementa, para “depois”… existir o “após”…

E após o desastre económico, os preços de todas as coisas – especialmente da “terra” e dos “negócios imobiliários” baixaram muito.

O que antes era branco, agora é preto. O que antes era caro, agora é barato.

Compra-se a terra barata, mas as infraestruturas da mesma são pagas por … alguém…

E nos offshores (há muitos offshores…) há muito dinheiro à espera de entrar a jogar, no novo jogo que  se desenha…

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Mas, sombras negras ocultam-se neste caminho cor de rosa em direcção a uma nova forma de “império” financeiro.

Com se consegue comprar “terras”, meter neles dinheiro dos offshores, para este ser convenientemente lavado e gerar uma massiva onda de construção civil num dado país ou área geográfica?

E ao mesmo tempo dar a ideia de que se está a fazer investimentos sociais produtivos, mas os custos são metidos nos cidadãos? (através de impostos e taxas para pagarem equipamentos adjacentes como equipamentos sociais?)

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AS TROMBETASNesta altura chegam os académicos.

(1) Grupos de académicos descem das montanhas de livros onde andam e dos mundos absolutamente inúteis e esotéricos onde estão e fingem produzir algo de útil para o mundo e explicam através de conversas “notáveis” porque é que é bom investir  neste modelo.

(2) Atrás dos académicos surgem os centros de produção do conhecimento: os “think tanks”.

E este duo dinâmico de produção de coisas irrelevantes começa a produzir toneladas de estudos à prova de bala, para nos convencer que assim é que é.

Os alvos destas toneladas de estudos são as pessoas que estão avidas de mudança.

Conversas “criativas” são tidas visando persuadir essas mesmas pessoas “avidas” de mudança a mudar-se algo.

Estes “novos desbravadores de ideias encontram-se por todo o lado. Até mesmo em Portugal.

Mas este que me veio parar as mãos está nos EUA. Chama-se Paul Roemer.

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Roemer especializou-se no tema do “crescimento económico” a partir do ponto em que as pessoas pegam em recursos económicos e os transformam em algo mais valioso – com mais valor usando tecnologia para o fazer.

Roemer foi formado na Universidade de Chicago – o ovo que gerou o neoliberalismo na economia e na sociedade.

E num blog norte americano, um senhor chamado Henry Poole, ficou pasmado com o senhor Roemer e com as propostas de “criação de valor” para a economia mundial e para o debelamento rápido da crise financeira.

E como seria isso feito?

Através de Outsourcing (ir buscar fora alguém para gerir) do governo de países pobres, feito por países ricos, mas “usando” cidades para o fazer.

E quem?

Aqui tenho que citar Henry Poole, falando de Roemer, e traduzir a martelo.

In short, he proposed that with advances in technology, the planet should be able to support another 5 billion plus people. He proposed that developing countries could invite experienced governments such as Finland (I instantly thought of a planet circling Alpha Centauri) to have administrative (and perhaps democratic control from afar) to create new instant cities for 10 million people.

Tradução a martelo do Roemerismo, via interpretação do senhor Henry Poole:

Em resumo, ele propôs, que com os avanços em tecnologia, o planeta (Terra) seria capaz de suportar mais 5 biliões de pessoas. Ele propôs que os países em desenvolvimento pudessem convidar governos experimentados, como por exemplo, da Finlândia (Eu, (Henry Poole) instantaneamente pensei num planeta a orbitar Alpha Centauri) para terem controlo administrativo (e provavelmente controlo democrático vindo do além) e para criarem novas cidades instantâneas para 10 milhões de pessoas.

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Stewart Brand, um “guru” neo liberal da gestão e do marketing de há várias décadas, comenta, entusiasmado, o Roemerismo.

As Stewart Brand wrote about Romers talk “They would enrich the country where they are built as special economic zones while also rewarding the distant government that makes the investment of building the new city state and installing a set of fair and productive rules. Over time, as with Hong Kong, the new city is turned over to the host country.”

Tradução a martelo:

Como Stewart Brand escreveu acerca das propostas de Roemer: “elas iriam (1) enriquecer o país onde fossem construídas como (2) “zonas económicas especiais” e ao mesmo tempo recompensariam (3) o governo distante que (4) faria o investimento de construir uma (5) nova cidade Estado e instalaria um (6) novo conjunto de regras justas e produtivas. (7) Com o decorrer do tempo, tal como (8) Hong Kong, a (9) nova cidade é (10) entregue ao país hospedeiro.

Tradução da tradução:

(1) Iriam enriquecer o país porquê? Não foi esse país que investiu nelas, mas sim um governo estrangeiro que quereria obter um enorme retorno. É uma “cenoura” retórica que aqui está, destinada a garantir”adesão” a ideia.

(2) Zonas económicas especiais é um eufemismo usado para designar o que é comummente designado por “zonas livres de impostos”, um decalque de Hong Kong e das actuais zonas económicas especiais chineses com destaque  para Shangai.

Na prática é estar a dizer que o capitalismo chinês, sem direitos e baseado na sobre exploração intensiva é que é bom.

(3) Recompensar o “governo distante”. Alguém aceita ser um país independente e ao mesmo tempo receber ordens de um país ou grupo de empresários noutro continente que construíram uma cidade nesse país subdesenvolvido? (Só, Portugal, mas somos a excepção à regra…)

(4) O governo “estrangeiro” “faria o investimento…” de construir. Faria, mas esperaria um enorme retorno. Como é que um país pobre aceitaria pagar ou conseguiria pagar? E as questões de soberania, onde ficam?

(5) …uma nova cidade estado. Isto é, uma nova estrutura inútil, que serviria como “centro de comando” de um novo império – um “colonato”, um posto “avançado” do novo império.E que o pais pobre teria que pagar, ainda por cima.

(6) Para gerir esta nova “cidade-estado, este novo “posto avançado” terão que ser “novas regras justas e produtivas”. Isto é, as regras de quem paga a construção (que são justas e compensatórias para quem constrói e investe, mas nada justas para quem aceita este negócio… e que fica endividado e sem autonomia até à ponta dos cabelos…

Regras de acordo com os “interesses económicos e financeiros de quem quer incentivar este negócio.

(7) Com o decorrer do tempo (uma promessa de que o futuro será melhor) irão acontecer coisas maravilhosas, por isso países pobres aceitem que virá ai a prosperidade. Porquê, não se sabe… apenas porque é dito que sim.

(8) E chegamos a Hong Kong. Esta “cidade estado” é sempre dada como exemplo. É um exemplo retirado de um celebre livro de Milton Friedman- o arqui guru do neliberalismo que deu sempre como exemplo esta “praça”. Os sucessores repetem o mantra.

(9) E a “nova cidade”, feita à semelhança de Hong Kong. O “adjectivo nova é a chave – “novo” significando novas coisas contra o que está –  que é associado a conservadorismo e imobilismo. Um”argumento de venda” usado para convencer pessoas de países pobres que precisam de “coisas novas”. Porque é que precisam? Não se sabe…mas como quem “produz” as coisas novas ganha dinheiro e poder com isso…

(10) e depois deste negócio é entregue ao país hospedeiro. A palavra chave aqui é “hospedeiro”. Alguém gosta de ver o seu próprio país como sendo uma…… “hospedagem”? E não um país?

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Em Portugal existe um protótipo de um pequeno “test drive” relacionado com estas teorias acima descritas. Fonte: Jornal Expresso de 1 de Junho de 2009

JORNAL EXPRESSO - LIVING PLANET CIDADES ESTADO TECNOLÓGICA

E continuemos a observar esta notícia mas de um outro ângulo. Página “ciência hoje”.

CIENCIA HOJE - CIDADE TECNOLÓGICA - PLANIT LIVING

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