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O VAMPIRO

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No blog 5 dias existe uma “explicação” para a existência dessas figuras tão singulares, pitorescas e inadequadas que são as pessoas – vampiro; enquadrada a “explicação” no capitalismo global e na cultura e arte. E cita-se:

Ø

“… E porque é problemático este terreno pós-colonial das identidades ? Porque facilmente caímos numa espécie de neocolonialismo: Jimmie Durham, por exemplo, em conversa que mantivemos há uns anos, falava-me do «multiculturalismo» como um novo conceito hegemónico que colonizava qualquer discussão sobre identidade e alteridade; Slavoj Zizek caracteriza o «multiculturalismo» como a nova ideologia do capitalismo global; Gayatri Spivak critica a redução do «outro» a uma «identidade» (eventualmente exótica) e, por seu lado, Alain Badiou vê na desterritorialização global uma forma perversa de reterritorialização. Para Badiou, o combate dever ser, hoje, não pelo «direito à diferença», mas sim pelo «direito à igualdade».

São estes os riscos do pós-colonialismo, e é com eles que Fisher se confronta de forma inovadora. Como? Lançando para este debate uma figura de retórica e uma metáfora fortíssima, a figura do «Vampiro».

O vampiro é uma fortíssima imagem universal e singular, é um todo de que nunca se consegue localizar a origem, ou a identidade e raiz, dos múltiplos fragmentos que o compõem: o vampiro não tem idade (é um contemporâneo constituído por sangue ou sangues muito, muito antigos); não tem identidade (o seu sangue, e ele também é sexualmente híbrido, é um puzzle de muitos sangues, é um puzzle de tudo o que conseguiu sorver). Enquanto universal-singular aproxima-se do «il n’y a ni un ni multiple» de Deleuze.

O vampiro pode, de facto, ser uma figura deleuziana, é um «ser em devir» permanente, ele é aquilo que vai sendo, mas é um ser terreno e «planetário».

O vampiro é uma metáfora de resistência e um espectro que ameaça o que está instituído. É um «representante maligno do ancient regime», um aristocrata que perturba o mundo burguês, mas é também um símbolo do capitalismo global predador que nos vampiriza. Por fim, como não ver aqui que o vampiro pode surgir como um «resistente infiltrado», um truque e um prestidigitador contra a mentira do Império global, pagando ao Império com a mesma moeda (vampirizado que vampiriza, colonizado que se alimenta do sangue do colonizador)?

Ø

Tradução simples: o vampiro é corrupto.

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Written by dissidentex

04/06/2009 às 12:48

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