DISSIDENTE-X

QUEM SÃO OS DONOS DE PORTUGAL

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«(…) só apoiaram o regime aquelas forças que nunca apareceram na cena politica… mas estiveram sempre por trás dela?

Essas mesmas forças que beneficiaram com o chamado corporativismo, traduzido do italiano: aquelas forças que, no campo económico e financeiro, engordam enquanto o povo emagrece: o alto capital, a Finança internacional.

A Igreja e o exército foram os seus instrumentos. Mas só essas forças podiam ser o verdadeiro aliado de Salazar. Por isso, enquanto só o temor às retaliações tolhe ainda o exército e a Igreja parece ter-lhe tirado inteiramente o seu apoio, o regime continua “inexplicavelmente” de pé.

“Inexplicavelmente” para quem ainda não se deu ao trabalho de verificar quem são na realidade os donos de Portugal…»

Adolfo Casais Monteiro

Retirado de “O Peso e a leveza” – “Porque o Estado Novo durou quatro décadas


Ø

O excerto foi escrito há mais de 50 anos.

Alguém nota alguma diferença “real e verdadeira” em termos de poder e distribuição do mesmo com a realidade actual?

Ø

Porque se acha que o PS (e o PSD)  é tão fortemente a favor da Europa? (Para contrapor à atracção exercida pelos EUA…)

(1) Explicação oficial: pertencer ao ideal de união dos povos, solidariedade, e é o sitio de onde vem o dinheiro.
Com a qual se mistificou a população e se criou um mentalidade colectiva de apoio e adesão à Europa.

(2) Razões verdadeiras:as luminárias que tomaram conta disto após o 25-o4-1974, passado uma meia dúzia de anos, se tanto, perceberam que eram COMPLETAMENTE incompetentes para conseguir gerir Portugal.

Perceberam que não tinham CAPACIDADE para gerir um país do qual nada entendiam.

Perceberam que não entendiam NADA de economia e gestão.

Perceberam que NÃO ERAM CAPAZES de criar e manter de forma sustentável um país democrático.

Ø


Era necessário vender “isto” à Europa, para – a partir de lá – “eles” gerirem isto.*

Essa foi a solução encontrada há 35 anos.

Outsourcing político antes do outsourcing económico ser utilizado generalizadamente.

Sobre o preço a pagar, ninguém disse nada.

Ø

Antes, do surgimento dessa “solução”existiu uma luta entre duas (emergentes) elites rivais.

(1) A antiga elite conservadora e aristocrata – simbolizada quase a 100% pelo Salazarismo – foi “afastada”. Por inanição da própria e por exaustão da própria.

(2) Após esse afastamento, surgiu uma “nova elite democrática”. Que entrou em concorrência  com os membros de uma elite concorrente que estava “dentro” do regime – disfarçadamente. (uma “elite rival da actual” que tinha um modelo económico e social “diferente” baseado no comunismo soviético).

Após esta luta entre membros de duas elites concorrentes que queriam herdar o que o antigo regime conservador Salazarista deixava para trás e após a “elite actual” – democrática – ter ganho a batalha, esta ficou no “terreno”; para, dessa forma, nos demonstrarem  como era E NOS”GERIREM” EM DEMOCRACIA.

E a magnifica demonstração que fizeram foi……enviar isto por correio para a Europa.*

Ø

E passamos lentamente do estado em que éramos um país gerido por uma ditadura retrograda que apostava em nos manter a todos pobres, para uma entidade mítica distante e próxima que nos gere: a Europa.

Que nos mantém pobres de uma outra maneira.

E o “truque” genial disto é fazer-nos pensar que somos nós – enquanto cidadãos – que  ainda que nos gerimos através dos governos eleitos, etc…

De um ponto de vista “europeu” são as normas comunitárias transpostas para a legislação nacional. (Que nos governam…)

De um ponto de vista “mundial-supranacional” são as políticas definidas em organizações internacionais.

Onde Portugal nem sequer ocupa os cargos a que tem direito, internacionalmente. E mesmo que ocupe…

Isso, inviabiliza, por si só, qualquer real capacidade de negociar em termos de igualdade com os restantes países.

Isso inviabiliza qualquer forma de autonomia.

Ø

Um país pequeno só pode contrariar isto, optando por uma de duas opções.

Ou (1) sai da embalagem onde está metido, ou (2) fica dentro mas não pode estar tão dentro do núcleo das potencias poderosas.

Ø

– Portugal está a fazer dois erros colossais: está demasiado próximo dos interesses associados aos EUA e está demasiado próximo dos interesses associados à União Europeia.

– Portugal está a ser sugado e atraído para seguir as lógicas de funcionamento destes grandes blocos.

Como as dinâmicas de poder de ambos os blocos são conflituantes quem é pequeno e fica no meio de ambas procurando agradar aos dois lados; é invariavelmente dilacerado, quando existe uma crise de qualquer tipo.

Ø

Como se sai?

(1) Primeiro que tudo é necessário definir um conceito de interesse nacional: quais são as coisas que são do nosso interesse nacional, enquanto país, defendermos?

(2) Depois é necessário, dentro do aparelho estatal, criar mecanismos que consigam criar sustentabilidade de políticas, independentemente de quem é eleito para um governo.

(3) Depois é necessário que esses mecanismos e as pessoas que os executam o pensem e o façam a “longo prazo”.

Objectivo: criar uma sustentabilidade das políticas (de defesa do interesse nacional) a executar.

Ø

Mas, no concreto, como se pode contrariar a “lógica” e a situação decorrente das duas dinâmicas conflituantes em que nos deixamos embrenhar?

(1) Desde logo não podemos ser tão “abertos” economicamente. Tem mesmo que existir  “alguma dose de proteccionismo” disfarçado ou directamente aplicado na nossa economia. Só dessa forma se podem “afastar” alguns concorrentes estrangeiros.

E promover pequenas e médias empresas de origem nacional.

Ø

(2) Mas isso significa proteger situações em que não produzimos. Para quê proteger áreas onde não existe sequer produção nossa?

E devolve-se a pergunta de outra forma: porque se acha que chegamos ao ponto de “não produzirmos” ?

Precisamente porque “nos abrimos demais” em relação ao que deveríamos ter feito.

Ø

Nos meandros do “regime”  SABIA-SE e já desde há muito tempo, que se se adoptasse certas políticas, as coisas chegariam onde estão!

Ver Dissidente-x – Neo liberalismo económico e decadência programada.

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