DISSIDENTE-X

UM DOS DONOS DE PORTUGAL MANIFESTA-SE.

RICARDO ESPIRITO SANTO - DIA 18 DE JUNHO DE 2009A imagem lateral pertence ao Jornal de negócios – dia 18 de Junho de 2009 – e diz respeito a uma entrevista estratégica dada numa altura apropriada.

É uma entrevista dada por uma das pessoas que controla o país e ajuda a determinar como deve estar o sítio.

Na minha opinião, o tom da frase, que encabeça a capa do Jornal, é um tom de ameaça.

Não é um tom de preocupação, na minha opinião.

E o que é grave, na minha opinião, é o facto de um empresário, nesta altura, decidir dar a sua opinião  com este tom e com esta ameaça implícita.

O que dá origem a que se pergunte: será muito mau porque, acaso não exista maioria absoluta, este empresário tomará algumas acções a favor dessa maioria absoluta?

Se sim, quais?

E cito um excerto do post anterior chamado  “Quem são os donos de Portugal”:

«(…) só apoiaram o regime aquelas forças que nunca apareceram na cena politica… mas estiveram sempre por trás dela?…

“…o regime continua “inexplicavelmente” de pé.

“Inexplicavelmente” para quem ainda não se deu ao trabalho de verificar quem são na realidade os donos de Portugal…»


Na minha opinião, a segunda parte do que vem citado na capa do Jornal é uma palmada simbólica na mão dos políticos portugueses.

Está-se lhes a dizer que “não devem mexer no Banco de Portugal e no tipo de supervisão que lá está a ser desenvolvido”.

Está-se lhes a dizer que “devem apoiar o tipo de supervisão que tem sido feito” e que deu origem aos resultados que tem sido conhecidos, relacionados com os casos BPN e BPP.

Está-se lhes a dizer que o banco no qual o empresário trabalha e é dono, deve ser deixado em paz.

Está-se lhes a dizer que quem manda, de facto e na realidade, são os sectores económicos e não os sectores políticos.

Outra forma de ver as coisas é perceber que todos os sectores que querem que o país continue a estar como está, estão, politicamente e psicologicamente, a meter medo aos cidadãos dizendo-lhes que terá que existir uma maioria absoluta de um partido político – presumivelmente o que está no poder – porque acaso não exista essa maioria absoluta, virá aí o caos.

Porque é que virá aí o caos? Não se sabe.

Pobre regime que tem sectores que querem que as coisas sejam o que são.

E deve-se perceber outra coisa: está-se a apelar ao pior das pessoas em vez de se apelar ao melhor das pessoas.

Está-se a apelar ao medo, como forma de condicionamento da população.

Contudo… importa perguntar.

Dado o desastre que estamos a ver todos os dias temos razões para ter medo de quê?

As coisas já estão tão mal que as razões para ter medo já desapareceram…

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