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Archive for Outubro 2009

GLOBALIZAÇÃO E NEOLIBERALISMO: PRIVATIZAÇÃO DE PRISÕES NO ARIZONA

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Apesar de todas as garantias que tem sido despejadas sobre a cabeça dos cidadãos do mundo e de Portugal também, de que o neoliberalismo económico fracassou, a realidade choca sempre com os factos.

Nos EUA, onde, garantem-nos, o neoliberalismo fracassou e agora com o novo Presidente Obama as coisas vão funcionar como deve ser, o Estado do Arizona vai tomar uma medida que é totalmente neoliberal. (Os outros Estados estão à espreita…)

Privatizar as suas prisões. Estas passarão a ser geridas como empresas privadas.

Passarão a obedecer a critérios de “mercado livre” no seu funcionamento.

Aos presos passará a ser exigida “produtividade”…seja lá o que isso significar…

E, suponho, acaso a oferta seja inferior à procura (isto é, acaso o numero de presos seja inferior, ao das instalações prisionais) terá que ser criado um novo mercado que possua capacidade de gerir e absorver mais produto; isto é, (mais) presos para satisfazerem as necessidades económicas  de alocação de recursos maximizada a 100% dos gestores de prisões privadas.

NEY YORK TIMES - 23 OUTUBRO 2009 - ARIZONA PRIVATIZA PRISÕES

Ou, como diz na notícia:

“…It is the first effort by a state to put its entire prison system under private control.”

Ø

Politicamente, isto significará, à longo prazo, a necessidade de criar leis cada vez mais restritivas (e anti democráticas) que consigam sustentar e manter estas estruturas privadas… a gerir prisões. (isto é, gerar novos mercados e janelas de oportunidade e negócio…)

Como diz na notícia:

“…As tough sentencing laws and the ensuing increase in prisoners began to press on state resources in the 1980s, private prison companies attracted some states with promises of lower costs.”

Isto é, providenciar-se para que o “mercado” seja aumentado no tamanho (economias de escala) e na qualidade (aumento da oferta e do valor a oferecer ao cliente…).

Para maximizar o lucro de gerir pessoas presas…

Sendo assim, um assassino será um produto “mais apetecível” para um gestor de prisões, do que um ladrão de carteiras, devido ao tempo de duração da pena do assassino, e consequente “lucro a retirar” por maior tempo de duração da pena…

O marketing e a publicidade terão também que ser adequados a este novo mercado que se abre perante os nossos olhos…

Pode-se também fazer Franchises de prisões e de presos. Enfim… as possibilidades são infinitas neste magnifico mercado segmentado… (vários presos poderão explicar a outros presos de outras prisões, como podem optimizar o seu desempenho noutros canais de vendas; isto é, noutras prisões…)

No entanto, os resultados tem sido “estranhos”.

Como diz a notícia:

“…In pure financial terms, it is not clear how well the state would make out with the privatization.”

Ø

O Estado fica também desprovido do que é o seu principal poder: o de definir e mandar sobre as outras ordens sociais/económicas.

O Estado “aliena” soberania em favor de empresas privadas, se esta vaga for generalizada.

E qual é o argumento principal para o Estado do Arizona privatizar?

Simples. Custa muito caro manter prisões.

Custa muito caro combater o crime e aplicar penas, vamos antes vender essa tarefa como se fosse uma concessão…

Com os maus resultados que lá se conhecem:

Como diz a notícia:

“…The private prison boom lasted into the 1990s. Throughout the years, there have been high-profile riots, escapes and other violent incidents. The companies also do not generally provide the same wages and benefits as states, which has resulted in resistance from unions and concerns that the private prisons attract less-qualified workers.”

E os cuidados médicos a presos poderão ser também privatizados.

Como diz a notícia:

“…The state also wants to privatize prisoners’ medical care.”

Ø

Como é óbvio, se os custos de uma empresa privada subirem demasiado, ela apenas terá que reagir da mesma maneira que as empresas privadas que fabricam sumo de morango ou batatas fritas fazem: reduzir custos/despedir pessoal.

Isto é, libertar presos ou aceitar presos mais baratos.

Mas o Estado do Arizona não permite isso.

“…Under the legislation, any bidder would have to take an entire complex — many of them mazes of multiple levels of security risks and complexity — and would not be permitted to pick off the cheapest or easiest buildings and inmates…”

Então como é que estas entidades privadas terão lucro?

É um mistério que só os adeptos da gestão privada neoliberal conseguem explicar. (com o habitual jargão/cassete neo comunista/ neoliberal…)

E quanto a questões de soberania política de um Estado postas em causa, isso são amendoins…para serem eventualmente explicados… também…

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GLOBALIZAÇÃO E NEOLIBERALISMO: SUN MICRO SYSTEMS DESPEDE 3000 MIL…

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Neste post feito à propósito da análise de um livro sobre globalização, eram citadas declarações de um responsável da Sun micro systems feitas em 1997, explicando como eram vistos os empregados da Sun pelo seu principal gestor.

Transcreve-se uma parte.

Ø

armadilha-da-globalizacao-capa-portuguesaPágina 10:

”na nossa empresa, cada um pode trabalhar tanto quanto queira…” … os governos e as regras por estes impostas ao mundo do trabalho perderam todo o significado…”contratamos os nossos empregados por computador, eles trabalham por computador e são despedidos por computador“.

Algures no diálogo do texto, David Packard, o co-fundador da Hewlett Packard (produção de impressoras e computadores) faz uma pergunta a Jonh Cage da Sun Mcrosystems:

” …– de quantos empregados necessitas verdadeiramente, John?“ Seis, talvez oito, responde secamente Cage. Sem eles estávamos tramados…” – E quantas pessoas trabalham actualmente para a Sun systems? Gage responde:- …” Dezasseis mil. Tirando uma pequena minoria são reservas de racionalização.”

Não se ouve o mais pequeno murmúrio na sala: para os presentes, a ideia de existirem legiões de desempregados potenciais ainda insuspeitos é algo de obvio. Nenhum destes gestores de carreiras, que auferem chorudos salários, provenientes dos sectores e dos países de futuro, acredita ainda que se possa vir a encontrar, nos antigos países e em todos os sectores, um numero suficiente de empregos novos e correctamente remunerados nos mercados em crescimento, com o seu grande consumo de tecnologia.-no próximo século, para manter a actividade da economia mundial, dois décimos da população activa serão suficientes.- Mas e os restantes? Será possível imaginar que 80% das pessoas que desejam trabalhar não vão encontrar emprego?

– Não há duvida que os 80% restantes vão ter problemas consideráveis, afirma o autor norte-americano Jeremy Rifkin que escreveu o livro “The end of work…”

Ø

Imagem e texto “Jornal Destak”.

Ligação “Revista visão/aieou”

JORNAL DESTAK - SUN MICRO SYSTEMS DESPEDE 3000

Duas notas:

1 – a Sun Micro systems não despede pessoas, dispensa pessoas (A semântica do neoliberalismo é diferente…)

2 – A Sun Micro systems anuncia um ano antes que vai despedir/dispensar pessoas (defensores disto até virão argumentar que a empresa é “organizada” programando “eficientemente” o tempo dos seus despedimentos.

Como afirma o senhor Jonh Cage acima,

contratamos os nossos empregados por computador, eles trabalham por computador e são despedidos por computador“.

Ø

Em Novembro de 2008, a mesma empresa Sun Micro systems anunciava que iria despedir 15% da sua força de trabalho – 6000 pessoas, para “reduzir custos”.

Parte-se evidentemente do principio que a 6000 acrescem – um ano depois – mais 3000.

Mas, sejamos honestos: a preparação para isto já estava a ser feita desde meados dos anos 90.

Cita-se John Cage de novo:

os governos e as regras por estes impostas ao mundo do trabalho perderam todo o significado…”

CAMPANHA PUBLICITÁRIA PINGO DOCE – DUDA PROPAGANDA

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A empresa de publicidade banha da cobra brasileira chamada Duda Propaganda decidiu expandir-se para o mercado europeu. Conseguiu um bom contrato – uma conta – junto da Jerónimo Martins/Pingo Doce supermercados para ser o organizador da campanha de publicidade deles.

Desde o dia 7 de Outubro de 2009 que uma campanha publicitária arrancou nas televisões, com um “filme institucional” de 90 segundos.

Tudo no filme é péssimo.

O Pingo Doce/Jerónimo Martins (a gestão) está desesperada por aumentar as vendas e aceitou uma solução proposta pela Duda propaganda em que esta se torna “sócia” do Pingo Doce e receberá as suas comissões em função do sucesso da campanha.

Só isso explica que aceitem que a sua marca dê a cara por uma campanha muito, mas muito má.

Ou isso, ou um desejo de suicídio comercial.

Ø

O filme está cheio de clichés e estereótipos de como um brasileiro “vê” Portugal. Retratando um país imaginado que nada tem a ver com a realidade.

E mesmo que tivesse a ver, não se percebe em que é que isso diz respeito ou chamará a atenção das pessoas para o Pingo doce e para comprar lá.

A música é horrível.

O tempo de duração é demasiado longo.

Ø

PINGO DOCE - SABE BEM PAGAR TAO POUCO

A empresa não sai nada bem tratada deste filme. Os sorrisos de plástico das pessoas retratadas como sendo empregados da empresa contrastam com a  realidade quando se vai a qualquer loja Pingo Doce: pessoas que rangem os dentes (1) esmagadas pelos baixos salários que auferem e (2) pelo ritmo de trabalho intenso muitas vezes trabalhando em duas secções ao mesmo tempo; uma só pessoa; ou (3) trabalhando mais horas do que o horário normal.

Os sorrisos de plástico das pessoas que fazem de clientes são também uma raridade quando se vai a uma loja do Pingo Doce.

Quem fez este anúncio nunca fez compras em lojas do Pingo Doce.

O tom estupidamente feliz de todo o conjunto é absurdo, especialmente quando se mostram muitos empregados a atender clientes; coisa que quem vai ao Pingo Doce sabe não ser verdade, durante a maior parte do tempo em que lá está.

Não adequar a mensagem publicitária (mostrando) à realidade danifica a imagem da empresa.

Ø

O tom nacionalista, mostrando a bandeira portuguesa num anuncio de uma empresa que pretende apenas aumentar as vendas e que tem accionistas estrangeiros é de mau tom e um gozo; uma forma de aproveitamento do patriotismo e de “encostar” a empresa a um nacionalismo, que não consta a empresa ter, nem consta ter tido.

Visa dizer-nos, enquanto consumidores, que deveremos comprar no Pingo Doce porque eles são portugueses; enquanto que parte da gestão e 80% dos produtos, provavelmente, são de origem estrangeira.

Ninguém autorizou o Pingo Doce a ser mais patriota que os outros. Ou a julgar ser.

Ø

É ainda mais incompreensível que a gestão do Pingo doce tenha aceite esta coisa, quando a empresa, antes disto, fazia (1) bons anúncios e que tinham uma (2) lógica coerente por detrás.

Obviamente decidiram que a técnica “quanto pior, melhor” é o futuro e a solução.

Ø

Quanto ao “lema” do Pingo Doce:

“Sabe bem pagar tão pouco”

apenas reflecte aquilo que se pagará aos funcionários do Pingo Doce: pouco, muito pouco.

A gestão do Pingo Doce, provavelmente, tem “orgulho” em pagar pouco aos seus funcionários  – chamarão a isso “racionalização dos custos de gestão corrente”.

Mas concerteza virá a pagar muito à Duda Propaganda por esta “coisa” estrambólica que os “Dudas” fizeram.

Disclaimer: não trabalho na área, não elogio campanhas dos adversários.

O BLOCO DE ESQUERDA JÁ ENCONTROU O SEU NEVILLE CHAMBERLAIN…

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(1) Entre apresentar um programa eleitoral de esquerda, sem lunaticismos, sem derivações metafisicas, sem estar colado ao PS e sem abdicar de certos princípios ou (2) capitular perante o oportunismo da situação, algumas pessoas do BE, dirigentes com responsabilidade,embora apenas oportunistas e arrivistas já decidiram: o appeseament( com recompensas futuras) é a solução.

O exemplo disso mesmo é o post do Arrastão

sobre a análise aos resultados eleitorais de Lisboa e do Bloco.

Tudo no post é uma mentalização feita aos eleitores/militantes do Bloco que pairam pelo blog arrastão para que aceitem (mentalmente)” ir” para uma coligação com o PS.

A lógica que está por detrás disto é semelhante à lógica do futebol chamada “benefício ao infractor”.

Um jogador faz uma falta que interrompe a progressão de um adversário em direcção à baliza. Mesmo sofrendo uma falta, quem dela é alvo consegue manter-se a correr e a ir para o golo. Então o arbitro, interrompe a partida marcando a falta e parando a jogada que daria o eventual golo.

O infractor (quem fez a falta) é beneficiado porque não sofre um golo na sua baliza.

O Bloco é o adversário que vai em direcção à baliza. Quem faz a falta é o PS, e o arbitro são os oportunistas e arrivistas que defendem a coligação do BE com o PS, o infractor desta história,.

Que, após 4 anos e meio de péssima governação, e sem ter qualquer ideia concreta de como há-e sair do buraco para onde nos enfiou, vem agora pedir “ajuda” e isenção através de coligações com quem apareça para os safar.

A argumentação do arrastão é a de que pelo facto de o Bloco ter recusado “participar e viabilizar soluções de governo”, isso (ajudou) os prejudicou em Lisboa (autárquicas) e constituiu uma perda de oportunidade para futuros acordos governativos.

Existem pessoas no BE que tem pressa de chegar a secretários de estado ou ministro para depois telefonarem ao pai a dizerem que já são secretários de estado ou ministros.

Cita-se:

Ao contrário do que pensam alguns camaradas meus, o eleitorado do Bloco não é sectário nem exige que o BE se mantenha puro e virgem. Quer ver o partido a assumir responsabilidades e a mostrar o que vale. Não acha impensável que o Bloco se oponha ao PS no parlamento nacional e consiga fazer entendimentos a nível local (como o PCP já fez em Lisboa). Distingue as duas dimensões. E não lhe basta que o Bloco se apresente a votos para lhe entregar o seu.

Ø

Camaradas do Daniel Oliveira.

Tenham cuidado com aquilo que desejam.

Quando e se chegarem ao Governo, terão problemas concretos e reais para resolverem que extravasam as cercanias do Príncipe Real em Lisboa.

Se mostrarem o que actualmente valem toda a gente verá que valem pouco.

E depois é que a ilusão fica perdida para sempre…

Ø

Cita-se:

Agora, passado este ciclo eleitoral, o Bloco tem de reflectir. Reflectir sobre o que querem os homens e mulheres que têm feito crescer o BE. O que espera o eleitorado do partido onde habitualmente vota. Se quer um partido apenas de contra-poder ou espera que se assumam responsabilidades. Se aceita estratégias que apenas têm a afirmação do partido como meta ou se deseja que a energia que o Bloco acrescentou à política portuguesa e à esquerda tenha efeitos práticos na vida concreta das pessoas. A começar pelo poder local, onde o BE pode provar que sabe fazer as coisas de forma diferente.

Aqui temos a parte mais assumidamente Neville Chamberlain. (Sair do armário?…)

Implicitamente este senhor está a dizer que o BE chegou aos seus limites naturais de crescimento, e que deve optar por “vender-se” enquanto ainda tem algo para vender.

A terceira opção: crescer organicamente “comendo espaço político” ao PS não passa pela cabeça deste senhor, uma vez que isso não é a opção de inúmeras pessoas dentro do bloco (nem nunca lá estiveram para isso…).

É  desta forma que pessoas que se reclamam de “pertencer a um partido diferente” no fundo fazem a mesma política pequenina idêntica à dos outros partidos “normais” e apenas apresentam argumentos baseados nas contas de mercearia…

Ø

Para o PS (E também para o PSD…) ter uma oposição de esquerda como esta é “sopa com mel…”

Verifica-se que não fazem “hold the lines” e à primeira oportunidade concreta e real de venda eles  apresentam a proposta de venda…

Pior: ficam altamente confusos com o que lhes acontece…

E assim o PS nunca será verdadeiramente incomodado…

Mas dentro do BE existiu sempre muita gente que nunca quis incomodar verdadeiramente o PS. Foi por isso que foram alcunhados de “Esquerda Caviar”…

Written by dissidentex

14/10/2009 at 7:51

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS 2009 – VENCEDORES E VENCIDOS

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VENCEDORES

VENCEDOR 1

Partido socialista.

Obteve uma vitória tanto mais estranha quanto gloriosa. Teve mais votos e conquistou mais câmaras municipais do que as que tinha, manteve a Câmara de Lisboa.

Um partido desgastado por 4 anos e meio de péssima governação, com dois prévios maus resultados nas anteriores eleições europeias e legislativas consegue sobreviver a isso e ter um excelente resultado nas eleições autárquicas, com mais de 2 milhões de votos.

Manteve as principais autarquias que já tinha e conquistou algumas que não esperava (Leiria, Beja) perdendo apenas Faro.

Conquista terreno autárquico ao PCP e ao PSD.

Evita desgaste autárquico derivado da péssima actuação governativa anterior.

Saiu-lhes do céu esta vitória sem perceberem muito bem exactamente porquê isto aconteceu.

E assim chegamos a algo estranho.

Um partido que perde legislativas, mas ganha eleições autárquicas com 15 dias de diferença…

Nota lateral: uma excelente opção do PS foi dada nestas eleições e que ajuda a explicar algumas coisas. Concorrer sozinho sem coligações em todos os lados foi uma boa opção.

Ø

VENCEDOR 2

A inércia e a falta de memória, bem como a falta completa de civismo…

A generalidade dos portugueses na generalidade dos locais esqueceu-se de penalizar – também – o facto de um governo influir nas autarquias – todas – através da orçamentação que exige a estas mesmas câmaras municipais.

Apesar de as eleições autárquicas terem características diferentes de umas eleições legislativas existem responsabilidades do PS enquanto partido de governo na definição de todo o sistema autárquico no que a dinheiros diz respeito.

Teoricamente as Câmaras municipais do PS deveriam ter sido mais penalizadas por isso. Não o foram.

Também os candidatos com problemas criminais ou de outro tipo deveriam ter sido penalizados – TODOS – pelos eleitores. Não o foram.

Como alguém que eu conheço afirma “ a constante tomada de más decisões é constante” parece ser o mote da generalidade dos eleitores portugueses e parece ser o mote de alguns eleitores de alguns conselhos, com especial ênfase em Oeiras e Gondomar, por exemplo.

Dá a nota da falta de “educação cívica” dos eleitores (que, curiosamente, nunca foi algo que a esquerda política pós 25 de Abril 1974 se dignasse a cultivar como aspectos essenciais a promover na cultura cívica e política dos cidadãos…) que votam alegremente em pessoas condenadas a pena de prisão por uma multiplicidade de crimes.

Tendo em conta os estratos sócio económicos da área de Oeiras, por exemplo, percebemos claramente onde se esconde e onde começa a corrupção e a desonestidade…em que classes sociais…

Mas isto até é o normal, no país manicómio em que vivemos.

Por exemplo:

Eleitores que escolhem não votar são atacados por esse acto.

Eleitores que vão votar em pessoas que são acusadas e feita prova em tribunal de que são corruptos e condenados por tal, são glorificados porque fizeram o deu dever democrático.

Quem recusa votar por não querer pactuar com várias coisas é estigmatizado e demonizado.

Quem vota em pessoas notoriamente corruptas é elogiado. (por ter ido votar…)

Esta é a nova medida do politicamente correcto em que a (esta) democracia portuguesa se deixou deixar ficar.

Fiquem felizes assim.

Ø

VENCIDOS

VENCIDO 1

A”DEMOCRACIA PORTUGUESA”.

É “poderosa”, justa e “dá confiança”, uma democracia e um regime democrático que permite que Isaltinos, Fátimas Felgueiras, e Valentins Loureiros concorram a eleições, depois de se ter provado que estas pessoas cometeram crimes.

Dá uma nota de despojamento e serenidade interior por parte de um regime político como este que assim permite que a corrosão democrática continue eficazmente a funcionar.

Com efeito é …… “credível”…… fazer chantagens emocionais sobre os cidadãos fazendo apelos ao voto e contra a abstenção e depois de obter o acto de votar dos cidadãos oferecer-lhes como “prato político a deglutir” uma “sopa de marisco Isaltino” em Oeiras ou pratos do mesmo estilo ou semelhantes, noutros locais.

Políticos julgados e condenados por corrupção são autorizados a concorrer a eleições autárquicas como se nada se passasse.

República que não se dá ao respeito é uma república morta…

Ø

VENCIDO 2

PSD

Um partido bastante estranho onde se perdeu a noção de qualquer realidade concreta. Como herdeiros de algum Salazarismo embora nunca o admitam, herdaram também alguma noção de grandeza imperial que, não corresponde à realidade.

É apenas isso que explica os discursos de dirigentes do Psd na noite eleitoral afirmando com o peito cheio de ar que ” somos um grande partido com uma enorme implantação autárquica”.

E depois?

Ganhar 30 ou 40 câmaras municipais que tem por exemplo 4 ou 5 mil eleitores ou até menos, é uma “enorme implantação autárquica?”

E quanto à qualidade do que se ganha?

Estalinismo económico, colectivismo e subsidiocracia, que é aquilo que na generalidade das Câmaras municipais do PSD se passa são traços de “uma grande partido com grande implementação autárquica?”

É que não coincide este discurso e esta pratica com o discurso feito pelo PSD para ganhar legislativas em que os apelos ao neo liberalismo e às privatizações de áreas publicas são constantes.

Perderam, além disso, votos e câmaras para o PS. E no entanto “ganharam” as eleições nos discursos dos seus lideres…

Outro erro estratégico tremendo do PSD, foi permitir que o partido de demagogos  betinhos chamado CDS entrasse em coligações com o PSD. Foi um magnifico balão de oxigénio dado (oferecido) ao CDS, precisamente o partido que quer “comer” eleitorado ao PSD.

Enfim, é um partido que vive lá em cima, na nuvem numero 9, tentando ocupar esse espaço de  lunaticismo com pundunor…

Ø

VENCIDOS 3

o BE

Um partido de criaturas tenrinhas e ternas, mas também, cheio de oportunistas e arrivistas tinha que levar um soco nos cornos em eleições autárquicas.

E levou.

É necessário que as vedetas intelectuais que andam de cachimbo e só lhes falta trazerem um livro de J.P Sartre debaixo do braço, para parafrasear uma pessoa que conheço, deixem de aparecer nos locais e alturas “culturais” em que dá jeito aparecerem e metam a cara nos locais – no poder local.

Mas isso não é parte da cultura esquerda caviar do Bloco de esquerda. E como é óbvio levaram na cabeça. Os resultados do Bloco são ridículos, mas isso deve-se à vários factos, especialmente ao facto de o Bloco não ter nenhuma ideia de como apresentar uma mensagem que penetre em eleitorado local. (Promover o consumo responsável de charros junto desse target demográfico constituído por camponeses de 70 anos no interior de Portugal é atirar ligeiramente ao lado…)

Também se deve ao facto de o Bloco não ter percebido a natureza volátil do seu próprio eleitorado e já ter começado a adquirir os tiques arrogantes e autocráticos dos outros partidos “normais” , tendo já começado a achar que os votos que teve são seus e cativos.

Este resultado é uma verdadeira amostragem d o que vale o bloco:150 mil votos. Não os 500 mil das ultimas legislativas.

Deveria talvez ser dessa “base” que ali se deveria começar a pensar.

Isso, e mandar fora os arrivistas (quer os que tem cachimbo, quer os outros…)

O BE também deveria sair fora do negócio das tautologias. Vir dizer que “temos muito que trabalhar no poder local é uma evidencia”. Porquê? Pensavam que não?

Cresçam e apareçam e não fumem muitas substancias psicotrópicas…senão ficam na nuvem 10 ao lado da nuvem 9 do PSD…

Ø

Vencido 4

O CDS.

Para disfarçar o facto de saber que iria perder, o CDS engendrou (com a gentil colaboração do PSD uma táctica engenhosa: coligar-se em inúmeros locais com o PSD, exigindo pela coligação um quinhão de lugares bastante generoso.

ASSIM SE GARANTIA PREVIAMENTE, que no discurso eleitoral uma vitória seria dita. Subiriam sempre à boleia. Promoveriam isso após.

Isto foi feito para não mostrar que o agrupamento de interesses dos ricos (conhecido por CDS- pp) NO FUNDO não tem implantação autárquica nenhuma. Para lá de umas coisas residuais…aqui e acolá.

Agora, e com este subterfúgio, as clientelas eleitorais do CDS estão salvaguardadas – os seus “homens” estão colocados no “terreno”.

Perdem, mas colocam as toupeiras no terreno a trabalhar para o futuro…

Ø

VENCIDO 5

O PCP.

O PCP voltou a aguentar-se e teria sido um dos vencedores da noite acaso não tivesse perdido a Câmara de Beja. Isso desequilibrou um pouco a relação de perdas/ganhos e desequilibrou a favor da atribuição de uma derrota.

Ver-se-á se no futuro esta tendência se mantém – a perda progressiva, ou se conseguem aguentar-se ou até subir eleitoralmente.

Mais uma vez é um partido que defende uma ideologia que está obsoleta e morreu, mas que o sistema político português sempre cultivou com carinho.

Assim pode o PCP ser apresentado como “a ameaça” , o papão que se deve combater. Enquanto os cidadãos combatem o papão, não olham para as isaltinadas, nem as felgueiradas, nem as Valentim loureiradas e quejandos do mesmo estilo.

É precisamente por isso que este partido foi sempre artificialmente mantido: nunca ninguém governou em Portugal de forma a criar condições para que os portugueses considerassem desnecessário votar neste partido.

E serve para distrair de outras coisas, mais importantes.

Written by dissidentex

12/10/2009 at 9:10

A MITOLOGIA IDIOTA DO EMPRENDEDORISMO

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Nas sociedades anglo saxónicas a ganancia levada aos extremos e o individualismo exacerbado são cultivadas de forma intensa.

Ao serem cultivadas de forma intensa, dai surge a necessidade de serem “marketizadas” e vendidas, para se chegar ao estádio seguinte: a exportação da mesmas como filosofia política a ser usada noutros países e povos.

E um dos produtos derivados que daí emerge é o mito do empreendedorismo. A ideia de que todos podem ser empresários em nome individual, todos podem ser patrões.

Como a lógica (perversa) pressupõe que todos podem ser patrões, isso leva a que a proposição varie nos termos.

Deixa de ser só “todos podem” e passa a ser também “todos devem” ser patrões.

E a partir desta evolução criativa do “poder para o dever” surge uma imposição e uma obrigação psicológica.

Que diz que todos devem ser patrões e “empreender” esse nobre acto de serem patrões, empresários, empreendedores.

Esta “exportação filosófica” desta ideologia tem tanto de estúpido como de perverso e de potencialmente destruidor das  sociedades; especialmente das mais pequenas ou das menos preparadas como é o caso de Portugal.

Ø

E assim têm sido todos os portugueses recentemente convencidos com o uso de tecnologias de propaganda perigosas e recorrendo às maiores e variadas formas de pressão directa ou indirecta que “todos devem ser patrões” e que é isso é que dará dinamismo à uma sociedade – a esta sociedade decadente e corrupta.

Estas teorias esquecem-se que existem pessoas que (1) não querem ser patrões e gostam de trabalhar por conta de outrém (2) não tem feitio ou inclinação para tal (3) não tem preparação técnica de base nenhuma para tal (4) tem condicionamentos familiares que impedem de facto que tal aconteça ( filhos, esposos, idosos familiares a cargo, doenças que impossibilitam tal,etc) (5) não gostam de trabalhar para si próprios.

E que é impossível, numa sociedade de 10 milhões de habitantes – para dar o exemplo da sociedade portuguesa – que existam 10 milhões de patrões, todos a produzirem uns para os outros.(Até pelos problemas de falta de economias de escala que em dados sectores isso originaria…)

Tal sociedade atomizada nunca existiu nem virá a existir, é apenas uma derivação de sinal contrario, um espelho para onde se olha e a imagem sai do avesso; do marxismo, onde se pressuponha que “num glorioso futuro” (A) viria a existir uma sociedade sem classes.

Estas “ideias de empreendedorismo pressupõem que (B) “apenas existe uma classe social: a dos patrões.

Nota: talvez porque quem “defende geralmente estas tretas é ele/ela próprio (a) patrão (accionista).

E assim chegamos a algo de maravilhoso e de tão potencialmente mais destruidor como ideologia do que o marxismo o foi: o neoliberalismo “patronal”, a teoria que pressupõe que “todos devem ser os seus próprios patrões” e que assim a sociedade será economicamente racional.

É evidente que depois, quem quiser argumentar desejar trabalhar por conta de outrém, sejam quais forem os motivos que tenha, será olhado de soslaio e apelidado de “comuna” ou algo de semelhante ou de conformista.

Isto é tanto mais “engraçado” e perigoso como ideologia quando se percebe que “em face dos sistemáticos encerramentos de unidades industriais de grande produção ou empresas do mesmo estilo que empreguem números elevados de trabalhadores, será economicamente impossível voltar a gerar através da difusão do mito do empreendedorismo o mesmo numero de empregos que antes se perderam porque uma qualquer Fábrica se deslocalizou para um qualquer sitio onde os accionistas obtenham mais rendimento.

E assim temos um enorme problema. Mesmo que todos os desempregados que foram alvo de deslocalizações nos sítios onde trabalhavam por conta de outrem, passem, de repente, por passes de mágica, a tornarem-se empreendedores em nome próprio, o “mercado” não chega para todos estes novos “empreendedores” poderem sobreviver nele.

(Nota: uma das soluções perversas que tem sido adoptada para combater este problema tem sido o de atacar os desempregados, tornando-os párias (aos olhos do empregados), através das recusas de atribuição de subsídios de desemprego após “x” meses, exigências de apresentação de 15 em 15 dias nos centros de emprego para “controlo e verificação, etc).

Ø

Estranho paradoxo este, onde os defensores do empreendedorismo do mercado e do “crie você próprio o seu emprego” se esquecem de explicar às vitimas da engenharia social/económica que propõem, que em nome da defesa de mais mercado, este afinal não existe em quantidade suficiente” para nele albergar estes novos “empreendedores”.

E na última campanha eleitoral para as eleições legislativas portuguesas de 2009 viu-se isso mesmo. Nenhum partido político nos conseguiu explicar de forma séria, como irá criar mais empregos, e até existiram alguns que continuaram a dizer-nos que “através do empreendedorismo” se criariam empregos…

Ø

As origens da doença.

O “tipo de esquecimento” que os defensores da engenharia do empreendedorismo social/económico é o mesmo tipo de esquecimento (a doença é a mesma; tem apenas cores diferentes) que os defensores da engenharia social/económica da economia colectivista tinham e defenderam: ambas geram a aplicação de ideologias extremamente destrutivas na sociedade e baseadas em utopias perversas.

A utopia infantil de que o Estado trataria de tudo;

A utopia infantil que as pessoas sozinhas tratarão de tudo nas suas próprias vidas e na sociedade.

Bottom line: é impossível sermos todos empresários e não é sequer desejável.

Provavelmente 90% da população não saberia como ser empresário/patrão e caso fosse forçada a ser, teríamos “maus empresários” dentro do mercado a destruírem o que já dificilmente funciona.

E no entanto temos inúmeros casos de políticos e “fazedores de opinião” a defenderem encarniçadamente “mais empreendedorismo.

A defenderem que se atire “mais caos” e impreparação dentro de um local”  – o mercado” –  que já é caótico.

Isto porque se apostou (como um jogo de roleta russa) numa política de desindustrialização e derrube do emprego por conta de outrém, seguindo as lógicas dos dois blocos económicos – políticos que nos emparedaram como país no sitio onde estamos: a UE e os EUA.

E aquilo que os políticos portugueses (a suposta elite) tem para nos oferecer (à população)  como solução é uma ideologia perversa e inadequada para vivermos em condições dignas: o facto de “sermos empreendedores” num local (a economia de mercado) que não tem condições para sermos tal.

Somos um peixe num charco que os defensores do empreendedorismo de mercado estão lentamente a secar enquanto nos dizem para nele nadarmos mais e de outras formas mais empreendedoras.

O ESCUDO ANTI MISSIL E OS DESTROYERS DE CLASSE AEGIS

A administração Obama tomou uma decisão positiva, provavelmente a única  desde que iniciou o seu mandato.

Numa decisão arrojada, (resta saber se motivada por ter sido forçada a isso, por questões éticas, ou apenas geopolítica…) decidiu suspender a colocação do escudo de defesa anti míssil a ser colocado na Polónia (o sistema de intercepção) e na Republica checa (os radares).

(1) A “teoria oficial” com a qual se procurou “vender a ideia” da aceitação deste sistema de defesa na Europa afirmava que o sistema seria colocado para proteger os EUA e acessoriamente a Europa, de ataques com misseis balísticos intercontinentais, vindos do irão.

(2) A “teoria real” faz perceber que a colocação do sistema visava condicionar e eventualmente atacar um primeiro adversário: a Rússia. (e só acessoriamente o Irão, como segundo adversário…)

ESCUDO ANTI MÍSSIL - ESQUEMA

(3) Também visava condicionar a Europa, e continuar a fazê-la depender dos sistemas de defesa norte americanos. Acaso a Europa decidisse gastar dinheiro a implementar um sistema próprio de defesa e a tornar-se “musculada” com o Irão ( Por Europa entenda-se a França e a Alemanha), esta manobra de suposta altruísta generosidade, desmobilizaria dentro da União Europeia quaisquer veleidades de impor um sistema de defesa próprio europeu. (Os polacos, à cabeça a apoiarem as posições americanas…)

Quanto ao Irão, apesar de representar um perigo, é apenas o primeiro bode expiatório oferecido à opinião publica Ocidental (e do resto do mundo), para tentar ocultar aquele que é considerado o verdadeiro adversário estratégico dos EUA ( o que volta novamente a ser designado por tal).

Se o Irão cair será um agradável beneficio e se se tornar um estado na órbita dos EUA, será mais um bónus dadas as riquezas petrolíferas do país e a posição estratégica do mesmo.

ESQUEMA DE DESTROYER DA CLASSE AEGIS - NROL21_04A não ser assim, e se o perigo fosse mesmo o iraniano, teriam sido colocados misseis defensivos em Destroyers da classe Aegis, a serem colocados respectivamente, no médio oriente (mediterrâneo) e no mar báltico.

Acaso fosse o Irão o “alvo inicial” da política externa norte americana, teria sido desde logo uma solução baseada em Destroyers da classe Aegis a adoptada pela administração Bush.

Até porque sai mais barata, uma vez que o sistema já existe e os EUA tem mais de 50 destroyers desta classe em funcionamento.

Após pressões russas, para não ser implementado um sistema destes e após anuncio pelo russos que iriam colocar um “contra” sistema de misseis no enclave russo de Kaliningrado, localizado entre a Polónia e a Lituânia, estes decidiram imediatamente fazer marcha atrás na implementação do sistema de misseis entre a Polónia e a Lituânia.

Apesar dos russos não serem flor que se cheire, ninguém gosta de sair de casa e ter armas (imediatamente) apontadas…especialmente por alguém que é “aliado” como os EUA afirmam ser…

Written by dissidentex

05/10/2009 at 9:24