DISSIDENTE-X

GLOBALIZAÇÃO E NEOLIBERALISMO: PRIVATIZAÇÃO DE PRISÕES NO ARIZONA

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Apesar de todas as garantias que tem sido despejadas sobre a cabeça dos cidadãos do mundo e de Portugal também, de que o neoliberalismo económico fracassou, a realidade choca sempre com os factos.

Nos EUA, onde, garantem-nos, o neoliberalismo fracassou e agora com o novo Presidente Obama as coisas vão funcionar como deve ser, o Estado do Arizona vai tomar uma medida que é totalmente neoliberal. (Os outros Estados estão à espreita…)

Privatizar as suas prisões. Estas passarão a ser geridas como empresas privadas.

Passarão a obedecer a critérios de “mercado livre” no seu funcionamento.

Aos presos passará a ser exigida “produtividade”…seja lá o que isso significar…

E, suponho, acaso a oferta seja inferior à procura (isto é, acaso o numero de presos seja inferior, ao das instalações prisionais) terá que ser criado um novo mercado que possua capacidade de gerir e absorver mais produto; isto é, (mais) presos para satisfazerem as necessidades económicas  de alocação de recursos maximizada a 100% dos gestores de prisões privadas.

NEY YORK TIMES - 23 OUTUBRO 2009 - ARIZONA PRIVATIZA PRISÕES

Ou, como diz na notícia:

“…It is the first effort by a state to put its entire prison system under private control.”

Ø

Politicamente, isto significará, à longo prazo, a necessidade de criar leis cada vez mais restritivas (e anti democráticas) que consigam sustentar e manter estas estruturas privadas… a gerir prisões. (isto é, gerar novos mercados e janelas de oportunidade e negócio…)

Como diz na notícia:

“…As tough sentencing laws and the ensuing increase in prisoners began to press on state resources in the 1980s, private prison companies attracted some states with promises of lower costs.”

Isto é, providenciar-se para que o “mercado” seja aumentado no tamanho (economias de escala) e na qualidade (aumento da oferta e do valor a oferecer ao cliente…).

Para maximizar o lucro de gerir pessoas presas…

Sendo assim, um assassino será um produto “mais apetecível” para um gestor de prisões, do que um ladrão de carteiras, devido ao tempo de duração da pena do assassino, e consequente “lucro a retirar” por maior tempo de duração da pena…

O marketing e a publicidade terão também que ser adequados a este novo mercado que se abre perante os nossos olhos…

Pode-se também fazer Franchises de prisões e de presos. Enfim… as possibilidades são infinitas neste magnifico mercado segmentado… (vários presos poderão explicar a outros presos de outras prisões, como podem optimizar o seu desempenho noutros canais de vendas; isto é, noutras prisões…)

No entanto, os resultados tem sido “estranhos”.

Como diz a notícia:

“…In pure financial terms, it is not clear how well the state would make out with the privatization.”

Ø

O Estado fica também desprovido do que é o seu principal poder: o de definir e mandar sobre as outras ordens sociais/económicas.

O Estado “aliena” soberania em favor de empresas privadas, se esta vaga for generalizada.

E qual é o argumento principal para o Estado do Arizona privatizar?

Simples. Custa muito caro manter prisões.

Custa muito caro combater o crime e aplicar penas, vamos antes vender essa tarefa como se fosse uma concessão…

Com os maus resultados que lá se conhecem:

Como diz a notícia:

“…The private prison boom lasted into the 1990s. Throughout the years, there have been high-profile riots, escapes and other violent incidents. The companies also do not generally provide the same wages and benefits as states, which has resulted in resistance from unions and concerns that the private prisons attract less-qualified workers.”

E os cuidados médicos a presos poderão ser também privatizados.

Como diz a notícia:

“…The state also wants to privatize prisoners’ medical care.”

Ø

Como é óbvio, se os custos de uma empresa privada subirem demasiado, ela apenas terá que reagir da mesma maneira que as empresas privadas que fabricam sumo de morango ou batatas fritas fazem: reduzir custos/despedir pessoal.

Isto é, libertar presos ou aceitar presos mais baratos.

Mas o Estado do Arizona não permite isso.

“…Under the legislation, any bidder would have to take an entire complex — many of them mazes of multiple levels of security risks and complexity — and would not be permitted to pick off the cheapest or easiest buildings and inmates…”

Então como é que estas entidades privadas terão lucro?

É um mistério que só os adeptos da gestão privada neoliberal conseguem explicar. (com o habitual jargão/cassete neo comunista/ neoliberal…)

E quanto a questões de soberania política de um Estado postas em causa, isso são amendoins…para serem eventualmente explicados… também…

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