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Archive for the ‘25 DE ABRIL DE 1974’ Category

DÍVIDA EXTERNA PORTUGUESA

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In the decade since the introduction of the euro, the economies on the continent have become increasingly interwoven. With cross-border banking and borrowing, many countries on the periphery of Europe owe vast sums to one another, as well as to richer neighbors like Germany and France.

E é assim que dois pequenos países europeus que foram convidados a jogar um jogo, estão agora a ser declarados como fazendo parte do Oriente e de África e estão a ser convidados brutalmente a sair do jogo.

Dívidas pequenas, quando comparadas com os outros gigantes, mas estes países pequenos serão atacados para que se prove um ponto de vista.

Ø

As populações desses países pequenos não serão tidas nem achadas.

A democracia também não.

Ø

E hoje quando se anuncia um pacote de austeridade em Portugal, que inclui aumentos de 23%de IVA, em alguns sítios em Portugal, pessoas abrem garrafas de champanhe, comemorando o que se passou e várias pessoas  brindaram dizendo ” Portugal é de novo nosso”….

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29/09/2010 at 18:49

25 DE ABRIL DE 1974 – 35 ANOS DO GLORIOSO ALARIDO.

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Há 35 anos atrás, num dia 25 de Abril, existiu um glorioso alarido que durou uns dias.

Quando o alarido acabou, foi anunciado ao povo de Portugal que doravante o regime passaria a ser outro, com outro nome, mas tudo funcionaria quase na mesma como o regime anterior – embora o processo de funcionamento idêntico ao do regime anterior, fosse “lento” e demorasse tempo a fazer-se e não tivesse sido imediatamente perceptível.

Ø

Uma breve ilusão durante um breve tempo finalmente passou.

Quando a poeira cósmica da ilusão durante um breve tempo, que permitiria Portugal transformar-se num país a sério foi varrida, surgiram as figuras que habitam as sombras do passado. Ajudadas por algumas figuras que habitam as sombras do presente.

A mesma elite, e os seus descendentes, que dominavam com mão de ferro o país antes do dia 25 de Abril de 1974, esperaram nas sombras para reclamarem aquilo que julgam ser deles.

Não tiveram que esperar muito. Sensivelmente 10/15 anos depois de terem sido convidados a sair, foram de novo chamados para “desempenharem” um papel no país.

O papel a “desempenhar” manifesta-se através do “extremo ressentimento” com o facto de terem sido chamados delicadamente à atenção no dia 25 de Abril de 1974, e agora tem um novo plano, dividido em duas partes.

(1) Recuperar as posições que tinham antes de 1974 ou se possível aumentá-las, mas, também, (2) exercerem uma * represália ainda mais completa sobre aquilo que identificaram como sendo uma rebelião dos súbditos.

Na sombra, planeiam sempre mais caos social e económico, mas não sujam as mãos. Promovem – pelo facto de as empresas desta elite os contratarem após saírem da política – medíocres políticos.

Ø

Um sistema que se alimenta a si mesmo, que destrói o país (a elite não se importa verdadeiramente com o país e nunca se importou), mas que sai barato em termos de análise custo – benefício.

É “rentável” oferecer rendimentos chorudos a políticos medíocres premiando-os quando saem de governos, se isso garantir que o regime democrático fica cada vez mais empobrecido, enfraquecido, não dinâmico, espartilhado entre interesses privados, desprovido de conceitos como o “interesse nacional”.

Este sistema é ainda mais perverso porque está a dar ideias a jovens portugueses ambiciosos.

Porque não “enganar” todos ao mesmo tempo?

Produzir um discurso que “chame a atenção da elite” e permita fazer com que esta – após cuidadosa examinação dos predicados do candidato – o submeta ao mesmo regime que já submeteu os políticos portugueses: a recompensa com bons cargos.

É uma forma sofisticada de corrupção moral e ética que se pratica em Portugal.

É tão sofisticada que produz um discurso legitimador da mesma: que não pode ser possível fazer-se discursos semelhantes a este produzido neste post, porque “é um discurso negativo” que não exalta as vantagens e virtudes que decorreram do 25 de Abril de 1974.

Que devemos “exaltar”…

É um * discurso que vem directamente das medidas que se querem aplicar como castigo: um discurso visando obrigar as pessoas a produzirem “sistemáticos elogios” e “frases positivas” sobre os resultados de um (a) revolução alarido que a cada dia que passa começa a criar piores resultados do que o que se passava antes de 1974.

As limitações à liberdade e à justiça, actualmente, começam a ser piores, do que pré 1974, mas as formas mais sofisticadas como se atingem os cidadãos escondem essa realidade – esse aumento do pior.

Written by dissidentex

25/04/2009 at 20:22

Publicado em 25 DE ABRIL DE 1974

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SEGUNDO A SIC SALAZAR ERA UM GARANHÃO…

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Segundo a SIC, empresa de comunicação social, que tem um alvará de funcionamento outorgado pelas entidades competentes do Estado “Democrático” português, alvará esse destinado à produção de “televisão”, tal situação, intitula a empresa a fazer a apologia do “Totalitarismo de rosto humano” – na opinião da empresa.

Sem que ninguém, nenhuma “entidade competente” a contrarie.

Magnífico Estado Democrático este, que convive num ambiente de pseudo tolerância em que todas as alarvidades e falsificações passam, (Tolerância não é isto!) com os branqueamentos constantes desta televisão em relação a factos históricos ou outros.

Agora trata-se de “humanizar” Salazar.

Num mundo e num país onde o ensino de história é aquilo que é; isto é, onde as pessoas; a maior parte delas, nada sabem do que foi Salazar e do que  foi o  Salazarismo, porque nada é (propositadamente) ensinado.

Num país onde a memória colectiva histórica foi varrida (está a ser varrida)  para debaixo do tapete; 34 anos depois de um alarido que mudou tudo para deixar tudo na mesma, Salazar é humanizado via ficção televisiva fazendo dele uma criatura sexualmente activa.

Um putanheiro garanhão cristão beato à solta entre jornalistas e criadas…

A fonte da imagem pode encontrar-se no blog do senhor António Boronha, a quem eu cumprimento por ter escrito o que escreveu, mesmo sendo eu mais novo e só ter apanhado poucos anos do Salazarismo.

salazar-antonio-boronha

A CULPA.

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Chegamos à situação em que nos fazem sentir culpados para que nos vejamos obrigados a sentir-mo-nos na obrigação de pagarmos as dívidas deles e da gerações anteriores, e das posteriores e dos erros deles actuais e futuros e pensados e sonhados”
– Gostava de perceber porque é que os portugueses são especialmente vulneráveis a esta culpabilização, a este assumir de um fardo que não é seu e não se viram para uma verdadeira criação de si, confiante e alegre.
“especialmente vulneráveis a esta culpabilização…”

À propósito desta caixa de comentários

Historicamente, porque é um país com “tradição” nessa área de especialização. Festivais de angústia e sonatas de desespero sempre fizeram parte do caldo de cultura português.

Influência da Igreja católica. Uma religião onde a culpa é sempre omnipresente.

Evolução histórica do país e uma tendência 8/80.

Mas com o peso da história pode-se bem.

——

Após 25 de Abril de 1974, tal aconteceu porque (tem acontecido) a auto nomeada “esquerda” vendeu este discurso desde imediatamente a seguir ao 25 de Abril de 1974. *

Embora com algumas nuances que penso que sucederam. A lógica foi sempre muito simples.
Antes (Salazar) existia o mal absoluto ( o que era verdade…).

Mas depois, os”democratas” trouxeram a luz, o Sol, a liberdade, a democracia, etc e tal e restante parafernália argumentativa.

Aqui importa fazer um pequeno desvio deste tema e da culpa:

A “técnica” usada consistiu em afirmar-se que, com o advento da liberdade e da democracia, etc e tal, por obra e graça divina de uma santo qualquer, o país se iria desenvolver automaticamente, toda a gente recitaria Kant e Hegel ao pequeno almoço sabendo o que significavam ambos, e tudo estaria bem, e o país recuperaria a sua grandeza no concerto das nações.

Os portugueses seriam os mais erectos da Europa e arredores.

No entanto é óbvio e salta imediatamente à vista desarmada, que qualquer planificação estratégica para fomentar o desenvolvimento ( atenção que estou a dizer desenvolvimento, não crescimento, que são duas coisas diferentes) nunca foi feita.

Quando e se alguém, independentemente da sua filiação política, ideológica ou outra questionava isto – este pseudo modelo de desenvolvimento – a partir daí avançava-se para a técnica da culpabilização das pessoas.

Estas novas pessoas culpabilizadas seriam então colocadas numa nova categoria, seriam lançadas no mais vil óprobio possível, em que toda a carga negativa lhes seria associada vinda do antigamente: a de fascistas ou saudosistas do antes, ou pessoas de extrema direita, ou de extrema esquerda, ou radicais ou o que seja que fosse conveniente no momento para alcunhar as pessoas.

E as pessoas, os cidadãos, crentes na sua maior parte em quem julgavam e achavam que os tinha salvo e a cima de tudo a confiarem na “protecção”, naquilo que julgam ser a protecção que retirariam dessas pessoas deixaram-se levar pelo discurso da culpa.

Discurso esse que vinha, como memória próxima, do Salazarismo, e que os democratas de esquerda e de direita, nunca combateram em tempo algum e situação alguma. **

Ou seja, os democratas de esquerda e os de direita, sabedores de que poderiam vir a precisar de explorar essa “fragilidade” que tinha sido sempre produzida quer historicamente, no passado distante, quer no passado recente, isto é, no Salazarismo, em vez de fazerem um corte radical com esses métodos, usaram-nos.

É por isso que esta “ilusão” se mantém. E a “culpa”, como factor de formação profissional e pessoal continua alegremente a ser explorada com todos os requintes e de todas as formas pela suposta classe e elite dirigente.

Precisam dessa predisposição latente nas pessoas, nos portugueses para existirem e parecerem alternativas.

Este “jogo” de culpas e de jogar com as culpas, foi feito quer pela esquerda, quer pela direita políticas.

Na direita percebe-se que o tenham feito, porque, até 1985, nunca aceitaram o jogo democrático de eleições ( excepção aSá Carneiro, mas esse era outra louça…), porque não as ganhavam.

Fim do desvio

Técnicas de culpa – alguns exemplos.

1.

– Vamos alterar as condições laborais para nos aproximarmos do modelo laboral chinês?
– Não, não queremos!

Se os senhores não querem é porque não são de esquerda, são fascistas.

2.

– Vamos impor gravações de dados pessoais e câmaras de vigilância por todo o país, para combater o terrorismo?
– Não, não queremos!

Se os senhores não querem é porque fazem parte da esquerda sectária e anti democrática, anti americana que põe em causa o 25 de Abril de 1974 e gostaria de viver em Cuba.

3.

– Vamos meter o país na Europa à força, não perguntando a ninguém a opinião?

– Não, não queremos!

Se os senhores não querem a Europa, é porque são perigosos nacionalistas de extrema direita e tem a culpa de quererem atrasar o desenvolvimento português que nos foi trazido pela Europa, querendo instituir a ditadura.

É assim e milhares de outros exemplos como este se poderiam dar e que ilustram como as coisas se passam.
Chantagem permanente apoiada em poderosos meios de comunicação social, por sua vez apoiada numa mensagem totalitária de demonização do outro, de constante comparação com o antigamente para
dessa forma,
não resolver os problemas do presente, e para nos condicionar a (quase) todos em nome de uma pseudo esquerda que nos defende; aceitarmos viver numa situação de semi escravos. (Isto é válido também para a maior parte da direita portuguesa…)

É precisamente por este tipo de razões e pela culpa adjacente a elas que nunca se governou bem neste país.

As motivações.

Nunca se tendo governado bem neste país foi necessário deixar viver o partido comunista português.

Acaso se tivesse governado bem ou existisse esse objectivo, as pessoas, os cidadãos, deixariam automaticamente de considerar ser necessário votar no PCP.

Mas não. Como é necessário fomentar – sempre – esta “culpa” latente as coisas são o que são e é necessário que as pessoas se sintam devedoras destes magníficos heróis.

Toda a busca de um herói deve começar com algo que um herói requere: um vilão.

Para existir vilão, deve existir medo nos que serão as potenciais vitimas do vilão auto designado para o efeito.

Se existe um vilão, e as correspondentes vitimas nomeadas para tal, não sentem medo, é necessário instilar-lhes culpa, para que sintam medo.

Estes são os métodos das ditaduras normais e comuns. **

E são os métodos da democracia portuguesa que sempre precisou dos vilões e da culpa a eles associada e da culpa feita sentir a quem não se junta aos “democratas” para lutar contra os vilões.

Essa culpa foi sempre “trabalhada”.

Cito Adolfo Casais Monteiro, nos anos 50:

Pré 25 de Abril de 1974

Página 46.

” Infelizmente, eu não consigo esquecer- eu que tão pobre memória tenho! – as palavras há muitos anos proferidas por um outro alto dignitário da Igreja, o cónego Correia Pinto. Pois disse ele (e não há notícia de que a igreja tivesse condenado as suas declarações) que a humanidade futura seria constituida por «ricos generosos e pobres agradecidos»…”

“…E isto mostra que a responsabilidade da Igreja na instauração do Estado Novo não foi um acidente, mas correspondeu a uma «política» por ela seguida ao longo de muito anos.

——-

“Tinha eu 18 anos incompletos quando a ditadura se instalou no poder…”

“… Eu tinha grandes discussões com o dono de uma banca, um dos mais activos propagandistas do partido.

Nem ele deixou de o ser, nem eu me «converti». Éramos todos sobretudo adversários dos broncos militares reaccionários, que se tinham apoderado do poder com a conivência tácita de uma grande parte dos políticos, sem terem que disparar um tiro.

Não se falava ainda no »perigo comunista», mas só no perigo que seria a permanência da ditadura.

Conto isto para lembrar que a arma psicológica chamada «anti comunismo » só viria a surgir por obra e graça da própria ditadura, e que não exprimia qualquer problema real da vida política portuguesa.

Embora ilegal, o comunismo não era visto por nós, jovens liberais” … “como um inimigo.”

Página 84

“… Discussão política propriamente não havia. Pelo seu lado, a confusão intencionalmente criada pelos porta vozes intelectuais ( ? ) do governo sobre as tendências de esquerda, todas englobadas sob a cómoda designação de bolchevistas, incluindo as liberais, não podia deixar de criar uma tácita solidariedade entre as vitimas, por mais violentamente se degladiassem – nas prisões por exemplo, numa das quais estive dois meses sem falar ao único companheiro de cela, que era um Estalinista ferrenho e tacanho…

Pagina 85

…Mas acresce também que só falsos oposicionistas poderiam ir na onda do »anti comunismo» artificialmente insuflado pela política e pela imprensa oficial.

E nem vou citar mais:

Disclamer: isto não significa qualquer apoio ao partido comunista da minha parte.

O ponto é outro: é necessária esta culpa de tamanho gigante e estes “inimigos úteis” ( o partido comunista serve como serve o bloco de esquerda…como serve a associação recreativa da Pontinha e Alfornelos caso exista.

O ponto é que se demonstra que os “democratas” utilizam a culpa como arma de arremesso, tal e qual a ditadura o fazia.

O que leva a seguinte questão: acreditam mesmo estas pessoas na democracia?

NOTA: Já agora esclareça-se: o texto de Adolfo Casais Monteiro é escrito, nos anos 50, mas reporta a acontecimentos passados em 1926.

NOTA: nada, mas absolutamente nada do que se está a passar neste país é novo ou original.

VAMPIROS

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Chegamos à situação em que temos que dizer que estamos fartos deles.

Chegamos à situação em que estamos fartos de que alguns deles, outros deles, quase todos eles nos tentam fazer sentir culpados.

Chegamos à situação em que nos fazem sentir culpados para que nos vejamos obrigados a sentir-mo-nos na obrigação de pagarmos as dívidas deles e da gerações anteriores, e das posteriores e dos erros deles actuais e futuros e pensados e sonhados.

Chegamos à situação em que já estamos todos absolutamente fartos de sermos usados como material dos sonhos dementes de outros, quer os outros tenham sido combatentes nos seus próprios sonhos, contra uma determinada situação, quer tenham sido efectivamente as vitimas dessa situação.

Esta culpa induzida, que apenas serve para perpetuar o poder destes, de que estamos fartos, não se deve carregar, porque apenas permite que se aproveitem de nós e da nossa confiança para nos trair.

Chegamos à situação em que estamos fartos dos vampiros, dos oportunistas, dos incompetentes, que apenas vivem, existem e vegetam na sua mediocridade, alimentando-se de nos tentarem fazer sentir culpa, sempre culpa, enquanto nos espetam a toda o segundo, a toda a hora, todos os dias, facas nas costas.

Chegamos à situação em que estamos fartos dos vampiros que apenas se sentem felizes por nos fazerem sentir culpados por não os apoiarmos naquilo que julgam ser a sua grande obra.

Imagem e post “we have kaos in the garden

AZEDUME E AMARGURA.

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A PROIBIÇÃO.

Em Portugal é proibido ter azedume.
Em Portugal é proibido ter amargura.

É proibido tudo isto especialmente em duas situações.
Na primeira situação foi prometido a duas gerações de portugueses que eles não mais iriam ter azedume e amargura, se apoiassem uma revolução que mudou o país de um sistema político totalitário, para outro sistema político que se chama de… democrático. Não podem portanto sentir azedume e amargura.

Na segunda situação também é proibido ter azedume ou amargura quando um dos partidos que ajudou a mudar o país para outro sistema político que se chama democrático, ganha as eleições. E forma governo.

Em ambas as situações as pessoas que sentem azedume, ou amargura, ou desagrado profundo pelo estado das coisas e o manifestam, são apelidadas de “inimigos da liberdade”; ou” fascistas”, ou “intolerantes”.

Se o outro partido que também concorre às eleições, mas não ajudou a mudar o país, ganhar eleições, o azedume e a amargura devem ser livremente expressas pela generalidade dos cidadãos.
É, até, um dever patriótico.

O MECANISMO.

Existe um mecanismo rígido de divida e de gratidão presente na sociedade portuguesa.
Chama-se a “divida do eterno agradecimento”
Manifesta-se da seguinte forma.

Devemos estar eternamente agradecidos porque um conjunto de pessoas ajudou a fazer uma revolução; que criou um sistema político e social que está a levar o país para um completo beco sem saída.
Essas pessoas estão isentas de critica. Consideram-se isentas de critica. Existe um elemento místico, quase de cariz religioso nesta crença.
Com religiões não se discute. É a palavra de Deus.

Não admitem sequer a hipótese, tal é aquilo que julgam ser a grandeza da sua obra, que possam existir pessoas que estão insatisfeitas pelo estado das coisas.
Que essas pessoas “ingratas” sintam azedume. Ou amargura.

As pessoas que mudaram um sistema para criarem outro a que chamam democracia fizeram-no, dizem, para implementar a liberdade.
Mas esta nova liberdade tem limites.

O novo “cidadão democrático” é obrigado, em relação aos seus sentimentos pessoais, ou outros, a não ter azedume, nem sentir amargura.
É proibido por lei ter azedume.
É proibido por lei ter amargura.

O cidadão democrático está proibido de ter pensamentos impuros e de divulga-los, isto é, não pode sentir azedume e amargura, nem em publico nem em privado.

O PAGAMENTO.

O pagamento da divida é feito de duas maneiras.

Através da “não critica”, e através da gratidão eterna.
Mais os efeitos secundários.
Não ser autorizado a sentir azedume ou amargura.

EM NOME DA LIBERDADE.

Em nome da liberdade, as livres pessoas que foram libertadas da opressão de um sistema autocrático, são de forma livre, proibidas de sentir azedume e amargura; agora que se vive num regime a que se dá o nome de democrático.

Caso sintam azedume e amargura, pelo estado das coisas, deverão ser reeducadas e forçadas a admitir que são felizes e bem dispostas.

Mesmo que só sintam azedume e amargura.

Estranha liberdade esta que comanda toda a gente a ser feliz.

E a não sentir azedume e amargura.

25 DE ABRIL DE 1974. 34 anos de nada.

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A primeira virtude de um povo que quer modificar o seu destino deve ser conhecer-se, para ser capaz de se modificar, e poder modificar as condições de vida que lhe impedem a conquista da autonomia política.”

” Como se definiu Salazar desde o primeiro momento? Como um ser superior que se digna a descer ao nível dos míseros humanos para os fazer beneficiar das suas luzes. É assim que ele se vê, e de acordo com isso procede. E, desde que desceu à terra, ele foi o professor caracteristicamente coimbrão: indiscutível. A sua palavra é «revelação». Por isso ele nunca foi capaz de resolver qualquer problema limitando-se a eliminá-los.”

25 DE ABRIL 74 - 34 ANOS DE NADA

“Que lição podemos tirar daqui, senão esta:que só apoiam realmente o regime aquelas forças que nunca apareceriam na cena política…mas estiveram sempre por detrás dela? Essas forças que beneficiaram com o chamado corporativismo, traduzido do italiano: aquelas forças que, no campo económico e financeiro, engordam enquanto o povo emagrece: o alto capital, a finança internacional. A igreja e o exército foram os seus instrumentos.”

Adolfo Casais Monteiro. Anos 60.

34 anos anos passados sobre uma espécie de revolução que tudo mudou para quase tudo ficar na mesma, é arrepiante, frustrante e abismal ler o que uma pessoa lúcida escreveu sobre Portugal.

A experiência, a frio, à maneira do gelo que queima, de fazer um exercício comparativo, com a péssima e nojenta realidade actual; faz perceber que apenas fomos todos enganados.

Temos 34 anos de uma pseudo democracia totalmente falhada.

Uma farsa medíocre interpretada, por chantagistas de almas e vampiros cobradores da eterna divida de gratidão, apenas vocacionados para serem parasitas e proxenetas.

Incapazes de resolver problemas, tal qual Salazar, apenas os eliminam, utilizando a chantagem e a intimidação com os cidadãos, insinuando ou afirmando que quem não gosta do 25 de Abril não é democrata.

Os métodos do Salazarismo ainda são usados.

Todos tem a obrigação de serem felizes à força, de viverem satisfeitos com esta grandiosa porcaria criada; e, quem não o faça apenas será um herege e considerado como estando a defender o antigo regime.

Gostaria de explicar que não defendo o antigo regime, mas estou farto do actual.

Não aceito ser chantageado. Menos ainda por sucedâneos do Conde Andeiro.

Não comemoro este dia.

Não apoio incompetentes encharcados do mais puro sentimento maléfico que se possa conceber; que apenas trabalham para impedir a modificação das condições de vida que impedem a conquista da autonomia política, por parte dos cidadãos deste país, como diria Adolfo Casais Monteiro.

Apenas sinto um virulento e descontrolado sentimento de desprezo por estes canalhas.

Morram. Desapareçam. Extingam-se.

Passaram 34 anos de quê, afinal?

Comemora-se o quê?

Quais é que são as razões para comemorar?

Deverei comemorar os benefícios de alguns por contraponto às dificuldades de todos os outros?