DISSIDENTE-X

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BIBLIOTECAS,EMPRÉSTIMO PAGO.NÃO! 4 º

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Sobre este assunto falou-se respectivamente

AQUI 1

AQUI 2

AQUI 3

Agora fala-se e continua-se por causa deste post deste blog. Alguns excertos:

“””… É um facto consumado que o comodato (vulgo empréstimo) público vai ser taxado. A vizinha Espanha já mudou a lei (Ley 10/2007, de 22 de Junio). A Itália, se não mudou, vai mudar. A Irlanda, idem. E nós vamos também. Vamos todos, quais carneirinhos obedientes, baixar a cabecinha e enfiar-nos no redil europeu. Claro, os utilizadores das bibliotecas não vão pagar pelo empréstimo, era o que mais faltava. O empréstimo vai ser pago pelo orçamento das bibliotecas ou pela administração central do estado.
Não há volta a dar. O lobby das editoras, dos livreiros e das discográficas, que já conseguiu pôr-nos a pagar taxas pelas cassetes virgens, pelos CD graváveis, pelos equipamentos de reprodução (mesmo quando todos estes sejam usados para gravarmos e filmarmos a nós mesmos e aos nossos amigos), vai conseguir, agora, pôr-nos – através do orçamento das câmaras ou do Ministério da Cultura – a pagar taxas também pelo empréstimo nas bibliotecas.
Tudo para não lesar os bolsos dos autores! Dizem eles… “””
COMODATO E EMPRÉSTIMO DE LIVROS

No blog a Biblioteca de Jacinto está uma explicação detalhada deste post e do esquema no mesmo.

Quanto a isto é engraçado. Os contribuintes vão pagar mais um imposto, mas um imposto destinado a alimentar empresas e associações privadas.

Mais: a injustiça e a discriminação são ainda maiores. O contribuinte agora pagará quer use quer não use mas duas vezes.

Pagará aquilo que já pagava – A EXISTÊNCIA DE BIBLIOTECAS PÚBLICAS – via orçamento de Estado e pagará

PASSA A PAGAR

uma avença compulsória regular e sistemática para satisfazer o proxenetismo da sociedade portuguesa de autores.

De facto a iniciativa privada com mama garantida é outra coisa… viva a economia de mercado que recebe subsídios dos contribuintes… viva o neo liberalismo empreendedor … e o espírito de iniciativa… espírito de iniciativa para sacar subsídios, entenda-se…

BIBLIOTECAS.EMPRÉSTIMO PAGO. NÃO! 3 º

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Conforme eu já tinha afirmado no primeiro post (AQUI) e no segundo post (AQUI) a suave ninja ninfa que habita neste incunábulo blogosférico que dá pelo nome de “A Biblioteca de Jacinto”, fez 5 posts entre Agosto e Setembro de 2007. Onde analisava o problema respectivamente:

  1. Sob o ponto de vista dos autores, dos consumidores;
  2. da máfia dos direitos de autor; da União Europeia;
  3. e do jurista Lúcio laborinho, por Delenga Carthago, assim falava o Grande Catão.

Para a nossa vasta audiência que já não se recorda deste ilustre personagem recordemos o ilustre orador em acção:

cataoalterado3

Após visão bucólica do trabalho Jurídico eu escrevia que a ninja ninfa do Blog a Biblioteca de Jacinto decidia fazer a seguinte acção bélica:

E ao quinto post ela parte a loiça toda. Com a suave subtileza do nenúfar…

“” Diz-nos esta que «defende, como sempre defendeu, que a promoção da cultura e do acesso à mesma não poderão nunca ser prosseguidas desprotegendo o autor e o Direito de Autor, sob pena de não serem alcançados os objectivos pretendidos mas o seu inverso. “Aliás” – destaca [João Laborinho Lúcio] – “velha é já a discussão entre a alegada bifurcação entre o direito de acesso à cultura e o direito à criação intelectual e respectiva protecção dos autores e dos seus direitos, dois direitos estribados na lei fundamental. Parece-nos, contudo, que esta bifurcação é aparente, pois que ambos os direitos só podem conduzir a um mesmo fim“.»

Ora não podia o Dr. João Laborinho Lúcio ter mais razão! Mas, como jurista que é, o Dr. João Laborinho Lúcio deveria dominar melhor a retórica: usar argumento alheio em favor próprio exige habilidade. Pois que outra coisa coisa têm os bibliotecários dito e gritado aos quatro ventos: o acesso livre e gratuito à informação não prejudica – antes protege – os direitos dos autores?”””

Nesta altura importa discutir bifurcações e as suas ramificações.
Num mundo normal, as pessoas pedem isto:
BIFURCAÇÕES1BIFURCAÇÕES1

No mundo dos Juristas Lúcio Laborinhos e da máfia dos direitos de autor as pessoas pedem isto:

BIFURCAÇÕES2BIFURCAÇÕES2


  • Quanto ao jurista em questão começo já por dizer que é um tretas e não tem caso.
  • Mas como percebeu o filão que vem dali – da SPA e também, pela pseudo profissão que exerce, sabe bem como é importante a conversa dos direitos de autor.
  • Ninguém mais tem ganho dinheiro neste país com os direitos de autor que certos “juristas” da nossa praça que adoram a verborreia legal que está sempre a sair por lei e a ser constantemente alterada.
  • Depois de ser constantemente alterada isso, por sua vez, proporciona-lhes que escrevam novos livros, novos manuais, novos artigos, novas frases com as palavras “bifurcação” e “lei fundamental”.
  • E até, num dia bom, com as palavras “vitualhas” e Ius Imperium.
  • Ou até mesmo num sublime orgasmo jurídico a palavra “anticonstitucionalmente”, que creio ser a maior palavra existente em língua portuguesa.

E muitas vezes estes senhores fazem novas versões com alterações de 20 páginas em 500 do novo livro jurídico a sair e tudo isto é principescamente pago. É também uma maneira de tornar a lei ( e a interpretação dela) totalmente confusa e ilegível. O resultado é o Estado a que isto chegou.

O meu comentário a isto é:

É INSUPORTÁVELÉ INSUPORTÁVEL

Portanto estes defensores da SPA tem interesse directo que passa por algo mais do que defender o seu cliente . Também é um tretas argumentativo. Como todos ou quase todos. Quando começam com a conversa de “estribar direitos” e “bifurcação”e que estes são “estribados na lei fundamental” ( lei fundamental é outro código retórico para dizer a palavra constituição…) está tudo dito acerca da argumentação que aqui está.

Nota lateral de índice sexual/ficção científica neo gótica de quase mau gosto: bifurcação lembra-me sempre o corno que chega â casa e descobre a respectiva com outra mulher ou com um anão, o que for melhor. Ou o filme “Matrix” em que o personagem “NEO” tem que tomar o comprimido azul ou o vermelho. Estão a ver a “bifurcação” entre o azul e o vermelho? É fixe e giro dizer “bifurcação”, não é?

Bifurcação também rima com aldrabão.

  • Por vezes penso que a existir uma nova revolução, deveria começar-se por matar todos os advogados. Com requintes de crueldade.

Quanto aos “”autores”” estão à vontade. Continuem com estas ideias idiotas e a darem cobertura a coisas abjectas como a actuação do SPA e verão o que lhes acontece. É que pura e simplesmente ninguém os lerá. Apenas matarão o mercado. Ou melhor chacinarão o que ainda parece que resta.

Do ponto de vista pessoal; recuso-me, a esta lei ser aprovada, a apoiar a existência de bibliotecas públicas.

Não é aceitável que se pague impostos, e uma das funções deles é precisamente alocar dinheiro para constituir e manter uma rede de bibliotecas públicas, precisamente para dar acesso gratuito ao PÚBLICO; e depois ao mesmo tempo, pagar-se para ler livros que lá estão. Nesse caso privatizemos todo o sistema.

  • Depois vamos a ver quantas é que ficam de pé.

É absolutamente espantoso que uma associacãozeca de pseudo defensores dos direitos de autor consiga condicionar o poder político deste país com a cobertura da União Europeia.

É a frase do Huxley NO PRIMEIRO POST “desenvolvendo- se sob a pressão da eficiência e da estabilidade”. Estamos na Europa, para que esta emita ordens absurdas em nome de uma qualquer harmonização cretina decidida por pessoas absurdamente bem pagas em Bruxelas, que depois ( indirectamente) concede poderes extraordinários a coisas como a SPA. Em nome da eficiência e da estabilidade.

Nota lateral: num dos textos a MCA, a deusa autora dos mesmos ( mais uma tentativa cretina e patética de assédio sexual por post de blog), exige que, caso os autores queiram que se pague direitos por serem lidos em bibliotecas então também deverão pagar para que os livros deles estejam lá e não outros no lugar dos livros deles – porque é isso que se passa, por exemplo, num supermercado, via política comercial das editora – as mais fortes.

Lógica correcta. Mas como isto não é decidido cá, mas em Bruxelas e pela política neoliberal económica, a médio prazo isto significa, na prática, um totalitarismo de teor semelhante ao comunista.

  • Antes só os autores “aprovados” pelo partido” é que podiam ser expostos.
  • Aqui só os autores que o mercado aprova; isto é;
  • os que tem dinheiro para pagar serem expostos;
  • ou os que as editoras deles pagam para serem expostos em bibliotecas públicas é que serão aprovados.
  • Fácil será concluir que as bibliotecas terão tendência a transformarem-se naquilo que os hipermercados já são actualmente.
Ou seja todo o autor que edite pensamento critico ou que fuja à norma será, desta forma disfarçada e encapotada, VETADO pelo “mercado”. O mercado “concorre” a eleições democráticas?
  1. Ou seja, «como não vende», não é publicitado.
  2. Não sendo publicitado não existe.
  3. Logo através desta pescadinha de rabo na boca, assegura-se que só os “autores” do regime – isto é os que tem dinheiro e editores grandes por detrás tenham hipóteses de vender e de ser lidos.
  4. Logo o autor obscuro, não é inserido dentro de uma biblioteca.
Tal qual todo o autor dum qualquer país de leste antes de 1989.
  1. Agora o que muda são as maneiras de fazer as coisas.
  2. É assim que se condicionam pessoas a aceder a cultura.
  3. O mais estranho é que como vem da Europa ninguém ache isto anormal.
  4. Que ninguém perceba que isto mata editoras locais; isto é portuguesas;
  5. que ninguém perceba que isto ataca qualquer especificidade literária de um país como este;
  6. e com o tempo, isto dilui até fazer desaparecer qualquer forma de escrita feita em português.
  • Isto é uma jogada criada e concebida para atacar culturas de menor expressão, ou países mais fracos.
  • Países esses que nunca terão qualquer hipótese no actual esquema económico mundial, de concorrer em termos de igualdade com outros.

Pelo meio ainda temos traidores e patrocinadores disto. As SPA´s cá do sítio. As pessoas como o Huxley diz, têm que ser felizes amando a sua servidão. Viva a Europa que nos traz a servidão. Trouxe-nos a paz , dizem os seus defensores e agora traz-nos a servidão. Que bom. Estou tão feliz.

 

POSTER EMPRÉSTIMO PAGO NAS BIBLIOTECAS-NÃO

A PETIÇÃO ONLINE PODE E DEVE SER ASSINADA AQUI

To: Governo Português e Comissão Europeia Em defesa do empréstimo público nas bibliotecas portuguesas!

A Comissão Europeia, a 16 de Janeiro de 2004, decidiu pedir a formalmente informações a Espanha, França, Itália, Irlanda, Luxemburgo e Portugal no que se refere à aplicação a nível nacional do direito de comodato público harmonizado nos termos da Directiva 92/100/CEE relativa ao direito de aluguer, ao direito de comodato e a certos direitos conexos aos direitos de autor em matéria de propriedade intelectual.
Isto significa que há o risco de ser instituída uma taxa sobre o empréstimo de livros e outros documentos nas bibliotecas portuguesas, sejam elas públicas, escolares, universitárias ou outras.
Num país como Portugal, em que as dificuldades económicas e os incipientes hábitos de leitura dificultam o acesso de vastos sectores da sociedade ao conhecimento e à cultura, uma medida dessa natureza seria catastrófica, asfixiando os trabalhos em curso de promoção da leitura e constituindo um passo na direcção errada, no caminho da requalificação dos portugueses, para enfrentarem com sucesso os desafios da designada sociedade do conhecimento.
Estas medidas acabariam por «matar a galinha dos ovos de ouro» com efeitos nefastos para os próprios autores. As bibliotecas, caso tenham de desviar parte do seu orçamento para o pagamento de taxas por empréstimo, começariam a adquirir menos livros. Os autores deixariam de contar com as bibliotecas para divulgar as suas obras. Deixariam de contar com as bibliotecas para adquirir as suas obras. No mercado livreiro português, com tiragens que raramente ultrapassam os 3000 exemplares, as bibliotecas representarão, em muitos casos, pelo menos 10% das vendas.
Acompanhando o movimento europeu de contestação a esta tomada de posição da Comissão Europeia, a Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas – BAD, solicita a divulgação / e apoio ao presente manifesto, exigindo ao Governo de Portugal que mantenha as isenções relativas a Bibliotecas, Arquivos e Museus, contempladas no Decreto-lei nº 223/97, de 27 de Novembro.

PETIÇÃOBIBLIOTECASPETIÇÃOBIBLIOTECAS

E ISTO AINDA CONTINUA…

BIBLIOTECAS,EMPRÉSTIMO PAGO.NÃO!. 2º

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Ontem, dia 13 de Fevereiro de 2008 foi republicado uma parte de um post sobre a abstrusa ideia neoliberal de fazer pagar os empréstimos de livros em Bibliotecas Públicas como forma de compensação por “Direitos de autor”.

Uma magnifico post com citações de Aldous Huxley, como por exemplo: “o problema que consiste em fazer amar aos indivíduos a sua servidão.”

Mas também, citações a partir de um artigo sobre as recentes “reformas” do ensino da filosofia que visam rebentar com ela para fora dos currículos das escolas para ser substituida por pessegeiradas do eduquês, visando formar cretinos plastificados ainda mais do que já são.

CATAOALTERADO

E depois, tínhamos – num coup de foudre sublime e gongórico, a apresentação ao mundo neste blog (quer dizer, esta coisa que dá pelo nome de Dissidente-x) de uma deusa das bibliotecas que com 5 posts letais em Agosto/Setembro do ano passado-2007 assassinava como um ninja invisível, uma série de argumentos dos avençados do neoliberalismo e dos cães de fila jurídicos que defendem hoje uma coisa e amanhã defendem outra inteiramente oposta com a maior cara de pau.

E ontem após a digressão Huxley e a digressão “Centro para o ensino da filosofia” entrávamos nos dois primeiros posts da Temível deusa criatura bibliotecária que habita a Biblioteca de Jacinto.

No primeiro dos posts da super ninfa ninja ela escrevia que ( isto é só um resumo):

” «A Comunidade Europeia aprovou, em 1992, uma directiva relativa ao direito de comodato e a certos direitos conexos de autor em matéria de propriedade intelectual, passando as bibliotecas, museus, arquivos e outras instituições privadas sem fins lucrativos a ter que pagar pelo empréstimo público dos seus documentos abrangidos por estes direitos de autor. “
No segundo dos posts a boa alma MCA ( Nome de código ” a Deusa ninja das Bibliotecas”- mais patético e desesperado assédio por post de blog que isto, não se pode ser…), após ter enunciado a situação no primeiro post induzia-nos numa falsa sensação de segurança no segundo post.

Pensávamos nós que íamos para uma calma passeata pelo rio fluído das palavras, mas não.

De repente transmutava-se e começava a descascar pessegueiro na sociedade portuguesa da máfia de autores e no seu representante legal jurídico etc e tal o senhor João Laborinho Lúcio que, se não estou em erro, foi um cromo que foi ministro da Justiça do Padre Cura António Guterres durante 4 anos conseguindo notabilizar-se por nada fazer na área.
Um pequeno excerto retirado do post da ninja bibliotecária, do Lúcio Jurista, em acção retórica:

“…A criação não procede do nada, o criador, em especial o criador de obras literárias e artísticas, tem pelo mesmo acto da criação uma incoercível necessidade de que a sua obra seja difundida e conhecida.”

Estão a ver, calhaus? Suas Bestas, então não apreciam o sublime?

Quo Dixit esta verborreica mistelum de sabores fragrantes é o ilustre jurista que, dotado duma incoercível necessidade de ir até à casa de banho difundir os seus fluidos corporais em excesso, teve um súbito momento de inspiração que não procedeu do nada e difundiu a sua obra. Oscultando a sua lembrança mnemónica interiorizada de que a expressão incoercível necessidade dava estilo, pose, garbo e alho francês para justificar uma argumentação vazia de significado mas plena de som harmonioso como decibéis sexys.

Observemos agora, em acção, num outro caso celebre, o Jurista Lúcio, em foto prisional – masmorra:

catao2

E eu diria mesmo mais, por Delenga Carthago, mas não sendo o Grande Catão, que a MCA disse que:

Ao post número 3 esta alma caridosa decide procurar autores, os verdadeiros e genuínos e dar-lhes a palavra. Quando os encontra após uns 5 segundos de um esforço extenuante de leitura do Jornal Público isso possibilita-me citá-la, mais uma vez. Alvissaras, senhor alvissaras…:

“””Como parece que os lesados pela não cobrança de taxas de empréstimo nas bibliotecas são os autores – pelo menos é essa ideia que faz passar a Sociedade Portuguesa de Autores – eu perguntei-me qual seria a opinião dos ditos autores em relação a isso. E eis o que que encontrei aqui (os destaques são meus):

«Escritores questionam taxa às bibliotecas
Daniel Rocha/PÚBLICO

«A não aplicação da taxa sobre os empréstimos nas bibliotecas públicas motivou, em Janeiro passado, um puxão de orelhas da Comissão Europeia a Portugal.
«Em vésperas do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, que se celebra sexta-feira, a possibilidade de as obras requisitadas pelos leitores passarem a ser taxadas às bibliotecas não recolhe a simpatia dos escritores.
«O poeta José Manuel Mendes diz-se “favorável a todos os mecanismos de composição de interesses que tendam a assegurar os direitos dos autores”, mas afirma ser inadequada “a cobrança de qualquer montante tal como se acha preconizado”””

  • NOTA: neste post fala-se também de bookcrossing e da tentativa (encapotada) de começar também a cobrar por aí – um dos incentivadores do bookcrossing dá logo o toque a dizer que não acredita que o bookcrossing prejudique autores.
  • O poeta José Manuel Mendes, que, para quem não sabe, é comunista, pertence a SPA salvo erro e foi também, ao que julgo saber, um membro da famosa ala renovadora do PCP lá pelos idos de 90. Foi também deputado muitos anos….

Avançando para a 4ª incursão a sublime alma que fez este post começa a partir pedra.

Suavemente, com a suave delicadeza de uma espada japonesa a cortar seda fina, mas parte pedra. Obrigado; ò suave mineira da palavra pelo prazer que me proporcionaste ( esta última frase; é claro que se enquadra na mais torpe e abjecta tentativa de assédio sexual “por post de blog” – uma nova forma de crime nas nossas sociedades contemporâneas afectadas pela globalização…)

“””O que o n.º 3 do artigo 6º do DL 332/97 diz é que «O disposto neste artigo não se aplica às bibliotecas públicas, escolares, universitárias, museus, arquivos públicos, fundações públicas e instituições privadas sem fins lucrativos».

Isto significa que todas as empresas que desenvolvem investigação científica e tecnológica – como a indústria farmacêutica e dermocosmética, a indústria automóvel, a indústria da construção, etc. – e que têm, naturalmente, centros de documentação – não estão abrangidas por esta isenção.
Os escritórios de advogados que emprestam livros aos seus colaboradores não estão abrangidos pela isenção.
Também as grandes empresas que dispõem de infraestruturas de apoio ao lazer dos seus funcionários – ginásio, creche, piscina, biblioteca – não estão abrangidas pela isenção.
Se um café organizar uma tertúlia cultural e emprestar livros ou filmes aos seus clientes, não está abrangido pela isenção.
Os hotéis que têm biblioteca e emprestam livros ou filmes aos seus hóspedes, não estão abrangidos pela isenção.
Uma livraria que tenha uma secção de livros usados ou em mau estado e que faça empréstimo aos seus clientes, não está abrangida pela isenção.
Os hospitais que têm biblioteca e fazem empréstimo aos seus pacientes internados, não estão abrangidos pela isenção.
Os lares e residências para a 3ª idade que têm biblioteca e fazem empréstimo aos seus residentes não estão abrangidos pela isenção.
Os SPA’s, centros de férias, parques de campismo e outros espaços de lazer que têm biblioteca para os seus clientes, não estão abrangidos pela isenção.
Os visitantes da BdJ lembrar-se-ão, certamente, de outros casos.”””

Nesta altura interrompemos o post e as citações do anterior post para mostrar uma violenta acção de luta feita por dois terroristas paquistaneses que entraram em Espanha visando Portugal, mas foram lá presos, contra os direitos de autor na nossa bem amada pátria.

POSTER EMPRÉSTIMO PAGO NAS BIBLIOTECAS-NÃO

Após a acção de luta que a Nato e a Onu já desenvolveram contra os terroristas, que atacam os pobres autores, passemos ao resto do post.

Em que, escrevia eu em Agosto/Setembro passado, a Ninja de espada afiada que corta seda e foi alvo de assédio por post de blog – uma manobra torpe e vil da minha parte ( mas o que é que querem, o blog chama-se “Dissidente-x”, e não “Querido-x” ou “Fofinho-z”), era merecedora das minhas afirmações que eram que:

« Ou seja, separa o trigo do joio relacionado com mais esta treta europeizada, com mais esta vigarice apenas inventada para sacar dinheiro de forma ilegitima e acima de tudo – no caso português isso será notório – matar completamente as bibliotecas e a profissão de bibliotecário;

« Afinal de contas são coisas que custam dinheiro e pior ainda até fornecem cultura ás pessoas e nós estamos a entrar numa sociedade que abomina e ataca o conhecimento e a preparação das pessoas.

E nesta altura é necessário dizer que isto CONTINUA noutro post.
Nesse outro post a MCA, essa ninfa dos incunábulos subliminares trabzonspóricos cognoscíveis ortorómbicos, (Tradução: Assédio por post de blog através do uso de palavras que ninguém percebe…eu incluído) parte a loiça toda e mais ainda, faz um sexto post que também será dissecado.
Lá para sexta feira dia 15.
E por Delenga Carthago, assim falava o grande Catão, e o grande Lúcio Laborinho, senti uma incoercível necessidade de postar uma última imagem do nosso jurista surpreendido facialmente com um esgar melancólico, pelos meliantes que não defendem os direitos de autor.

cataoalterado2

BIBLIOTECAS. EMPRÉSTIMO PAGO. NÃO! 1º

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Num anterior blog que eu fazia, já desactivado há uns meses atrás inseri o post mais abaixo sobre mais uma ideia abstrusa neoliberal – que se pagasse pela requisição de livros em Bibliotecas Públicas. Supostamente para “defender os autores”, esses oprimidos pela cópia e pela fotocópia das suas obras.

Para as pessoas que andam a pairar pelos vestíbulos deste blog recordo algumas coisas, a vários meses de distância e republico, embora alterado, o texto original derivado do blog que lhe deu origem e da autora do mesmo.

No Dissidente-x AQUI falou-se do assunto embora de forma relacionada.

A forma relacionada é o caso dos corajosos encerramentos dos P2P portugueses feitos pelas nossas briosas autoridades. As mesmas que nos deixam sempre tão seguros quando as vimos a actuar. Os encerramentos foram, supostamente efectuados, porque se «estaria a fazer pirataria» e a «violar em massa direitos de autor» e a pátria bem amada não tolera isso. Qualquer outro crime, sim, os direitos de autor é que não.

As máfias do direito de autor estão ao serviço de uma política e tem objectivos.

  1. Garantir chorudos rendimentos para se continuarem a sustentar, falando em “nome” de autores.
  2. Querem também garantir que só acede à cultura – qualquer tipo de cultura – quem essas máfias querem que aceda a cultura.
  3. O poder de decidir quem acede à cultura está a ser disputado pelos auto nomeados representantes do direito do autor”.
  4. Constitui, pois, uma evidência que o autor – ele mesmo – não é tido nem achado para isto; que é lá isso de o autor ter opinião acerca disto?
  5. E o consumidor? Nem pensar…o consumidor…esse então, é que nem pensar mesmo…

É uma lógica também mais vasta e estrutural que aqui está, visando criar um homem novo. Basicamente um «homem novo» que seja estúpido que nem uma porta e aplainado como um pneu.

Para aumentar a confusão deste post passemos a Aldous Huxley– “Livro Admirável Mundo Novo“, Editora Livros do Brasil, Sem Data, comprado, numa clara violação dos direitos de autor num Alfarrabista de Lisboa, chamado Livraria Barateira, por 650 escudos, prefácio, Página 16, numa grosseira violação dos direitos de autor, apesar do tipo já estar a fazer tijolo há 50 anos, o seguinte:

OS mais importantes Manhatan Projects do futuro serão vastos inquéritos instituidos pelos governos sobre aquilo a que os homens políticos e os homens de ciência que neles participarão chamarão “o problema da felicidade” – noutros termos:o problema que consiste em fazer amar aos indivíduos a sua servidão.

Sem segurança económica não tem o amor pela servidão nenhuma possibilidade de se desenvolver; admito, para resumir, que a toda poderosa comissão executiva e os seus directores conseguirão resolver o problema da segurança permanente.

Mas a segurança tem tendência para ser muito rapidamente considerada como caminhando por si própria. A sua realização é simplesmente uma revolução superficial, exterior. O amor à servidão não pode ser estabelecido senão como resultado de uma revolução profunda, pessoal, nos espíritos e nos corpos humanos.

Para efectuar esta revolução necessitaremos, entre outras, das descobertas e invenções seguintes: Primo – uma técnica muito melhorada de sugestão, por meio de condicionamento na infância e, mais tarde, com a ajuda de drogas, tais como a escopolamina.

Secundo – um conhecimento cientifico e perfeito das diferenças humanas que permita aos dirigentes governamentais destinar a todo o individuo determinado o seu lugar conveniente na hierarquia social e económica – as cunhas redondas nos buracos quadrados (expressão metafórica inglesa que designa um individuo que está num lugar que não lhe é próprio. Nota do Dissidente-x, tradutor/violador dos direitos de autor deste texto….) possuem tendência para ter ideias perigosas acerca do sistema social e para contaminar os outros com o seu descontentamento.

Tertio ( pois a realidade, por mais utópica que seja é uma coisa de que todos temos necessidade de nos evadir frequentemente) – um sucedâneo do álcool e de outros narcóticos, qualquer coisa que seja simultaneamente menos nociva e mais dispensadora de prazeres que a Genebra ou heroína.

Quarto – (isto é um projecto a longo prazo,que exigirá, para chegar a uma conclusão satisfatória,várias gerações de controle totalitário – um sistema eugénico perfeito, concebido de maneira a standardizar o produto humano e a facilitar assim, a tarefa dos dirigentes …

Na verdade a menos que nos decidamos a descentralizar e a utilizar a ciência aplicada não com o fim de reduzir os seres humanos a simples instrumentos , mas como meios de produzir uma raça de indivíduos livres, apenas podemos escolher entre duas soluções: ou um certo numero de totalitarismos nacionais” ……”e como consequência a destruição da civilização ….” ou um único totalitarismo internacional , suscitado pelo caos social resultante do rápido progresso técnico em geral … desenvolvendo-se sob a pressão da eficiência e da estabilidade, no sentido da tirania – providencia da utopia. É pagar e escolher.

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO-ALDOUS HUXLEY-CAPAADMIRÁVEL MUNDO NOVO-ALDOUS HUXLEY-CAPA

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO-ALDOUS HUXLEY-CAPA

Ora descobre-se que o processo de fazer iniciar os indivíduos à sua servidão já começou, e, em larga escala. Especialmente num país como Portugal sempre propenso a cultivar a filosofia do “chefe”.

E como se processará uma dessas suas etapas, de levar os indivíduos até à servidão? Simples.

Atacar as fontes do conhecimento e, mais importante, o acesso às mesmas.

É uma mistura – também – de neoliberalismo na parte económica, ( tudo deve ser pago pelo consumidor independentemente de se saber se pode ou não pagar e se é “lógico” pagar) com totalitarismo na parte política da decisão em questão.

Fazer os indivíduos amar a sua servidão desprovindo-os dos meios para dela sairem e destinar a todos os indivíduos determinados o seu lugar conveniente na hierarquia social e económica.

Pequenos ( grandes passos já foram dados).

Exemplo de um pequeno primeiro passo:

  • “””As ameaças que desde sempre pesam sobre a Filosofia acabam de ser reactualizadas na escola portuguesa (mais propriamente, no ensino secundário) sob a forma da extinção dos exames no 11.º ano e a passagem a disciplina opcional no 12.º. Foi sob a forma de um lapso que o Ministério da Educação mostrou, em 2002, que a Filosofia estava excluída dos seus cálculos.”””

Exemplo de um segundo pequeno passo:

  • O segundo momento da liquidação chegou em Dezembro de 2005, quando o secretário de Estado da Educação anunciou que neste ano lectivo de 2006/2007 chegariam ao fim os exames nacionais de Filosofia no 11.º ano (muito embora se mantenha como obrigatória a disciplina no 10.º e no 11.º). A condição que a Filosofia adquiriu no ensino secundário faz com que as universidades (que, ameaçadas pela falta de alunos em muitos cursos, não se podem dar ao luxo de grandes exigências) prescindam dela como disciplina específica. Para perceber o que isto significa na desqualificação institucional da Filosofia, temos de saber que ela era requerida por mais de trezentos cursos (contando obviamente todos aqueles que, tendo muito embora o mesmo nome — como, por exemplo, Direito —, se multiplicam por diferentes universidades) e que agora já nem sequer é exigida a quem entra no curso de Filosofia.
LER AQUI ARTIGO COMPLETO.
E agora temos mais um pequeno passo – nesta magnífica conjugação de esforços entre a Europa e os avençados da mesma em Portugal. Tudo isto até agora parece algo esotérico, não?
Observe-se.
Post número 1 de uma alma esclarecida. Transcrevo uma parte. agradecia que o lessem todo.

“”””«A Comunidade Europeia aprovou, em 1992, uma directiva relativa ao direito de comodato e a certos direitos conexos de autor em matéria de propriedade intelectual, passando as bibliotecas, museus, arquivos e outras instituições privadas sem fins lucrativos a ter que pagar pelo empréstimo público dos seus documentos abrangidos por estes direitos de autor.
«Depois de algumas intervenções em defesa pelo não pagamento, e lembro a famosa petição portuguesa em favor do empréstimo público gratuito nas bibliotecas, patrocinada pela BAD (Associação de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas), com 20.000 assinaturas em 2004, a situação é de condenação pelo Tribunal de Justiça da União Europeia sobre Portugal que isentou todas as categorias de estabelecimentos que praticam o comodato público da obrigação de pagar aos autores.”””

  • Temos portanto que pagar devido a estarmos na Europa para lermos livros pedidos emprestados em bibliotecas públicas – segundo a Europa.
  • Espero que as pessoas percebam porque – entre muitas outras – estou contra o actual Tratado Europeu e o modelo de “Europa”.
  • Repare-se na data da Directiva. 1992. Curiosamente o ano da assinatura do acidente Tratado de Maastricht e um ano após o final da implosão dos regimes de leste.
  • Esta directiva é neoliberalismo económico puro, e foi – «legalmente» a partir de Maastricht que os neoliberais se começaram a sentir logo autorizados a fazer com que as coisas começassem a ir para onde estão – e onde estão não é um bom sitio para estarem.

Adiante que se faz tarde.

A boa alma MCA continua aqui em baixo no post número 2, (leiam todo se faz favor) fazendo o amável favor de citar o jurista/defensor/cruzado/paladino da máfia da SPA, a associação de defensores dos direitos dos que se auto nomeam defensores dos direitos do autor:

“””«Contudo, não foi isso o que aconteceu: “A forma como o legislador nacional ampliou a exclusão de não remunerar o direito exclusivo de comodato não a determinadas categorias de estabelecimentos, como impunha a directriz, mas a todos os estabelecimentos que promovem o comodato público é, em nosso entender, claramente violadora dos direitos dos autores porquanto estes, em circunstância alguma, vêem a utilização pelo comodato do seu trabalho criativo remunerada” – acrescentou JLL.”””

  • O paladino jurídico argumenta que o legislador nacional terá ampliado a exclusão de entidades que não pagariam sobre empréstimos.
  • Malandros. Canalhas. Biltres!
  • Mas o defensor da fé pago pela SPA irá repor a ordem e a justiça.

É uma vergonha.
Se fosse eu que mandasse isto não seria assim.
O que precisamos é de um novo Salazar.
As últimas 3 frases sou eu, obviamente, a gozar com os motoristas de táxi, os verdadeiros agentes culturais deste país.

CONTINUA…

    BIBLIOTECAS E BIBLIOTECÁRIAS

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    Post do blog “A biblioteca de Jacinto” sobre as teorias do eduquês, e do economês, mas aplicadas às Bibliotecas públicas em que se pede às pessoas que dominem códigos informáticos mas não saibam, quando perguntadas, explicar o que é o conteúdo de algo dentro de um livro. Um pouco o mesmo que sucede quando vamos a um Hipermercado ou a uma loja e percebemos que quem nos está atender sabe menos que nós sobre o assunto/produto que lá vamos comprar/tratar.

    As imagens não fazem parte do post original e são inseridas oriundas de vários sítios.

    helsinquia1

    Chama-se Old Library em Helsínquia, o que se vê na fotografia acima e situa-se na Rikhardinkatu street – centro de Helsínquia. O edifício foi concluido em 1881, e pouco depois transformou-se em biblioteca nacional Apesar das modernizações, o sítio mantém o aspecto e espírito de uma velha livraria/biblioteca. Fonte: AQUI

    25 Janeiro 2008
    Gerações
    Este texto foi publicado por mim em Dezembro 2003, no blogue Bibliotecários sem Fronteiras.

    Passados mais de quatro anos, depois do vendaval que têm sido as reformas de ensino “à bolonhesa” está mais actual ainda do que na altura em que o escrevi. Por isso, partilho-o de novo, com os visitantes da Biblioteca de Jacinto.

    «Nos últimos tempos têm-se reformado várias bibliotecárias com quem aprendi muito do que sei. Senhoras da antiga geração que fizeram o curso no tempo em que disciplinas como o latim, a paleografia e a numismática eram consideradas essenciais. Pouco percebem de computadores e não têm hábitos de pesquisa na net. Vêm de tempos em que ser bibliotecário era sinónimo de ser culto, até erudito.

    «Hoje não está na moda ser culto. Eu diria que parece mal. Falo contra a minha própria geração, claro, uma geração inculta na qual me incluo e cujos defeitos assumo. Uma geração que ainda foi a tempo de correr para se agarrar à última carruagem do combóio da tecnologia e saltar lá para dentro. Uma geração que acabou a licenciatura no tempo do DOS, que ainda passou os trabalhos da faculdade à máquina mas que teve a sorte de ser ainda suficientemente jovem para se adaptar a uma maquineta com que os miúdos de agora crescem em casa.

    «Da geração a seguir à minha nem falo. O mundo deles é outro. Não sei como seria se tivesse a idade deles, provavelmente seria igual. Não cresci bombardeada com vinte e quatro horas diárias de televisão. No meu tempo havia a tele-escola durante a tarde, a partir das seis os desenhos animados e era uma festa conseguir ficar acordada para ainda ver a bandeira e ouvir o hino nacional quando a televisão pública (a única que havia) encerrava a emissão, por volta da meia-noite.
    «Não havia macdonalds, as pizzas eram comida exótica e só conhecíamos o jogo da glória e a batalha naval.

    «Não sou saudosista, mesmo nada. Gosto da época em que vivo, gosto de ter antibióticos, analgésicos e contraceptivos, gosto de ter telemóvel e carro, gosto de ter a Rússia, o Brasil e a Austrália à distância de um “clic”. Adoro a Internet e sinto-me absolutamente privilegiada por ter todas as facilidades com que os meus pais nunca sonharam sequer. Mas tenho pena que a minha geração, que ainda conheceu algumas das coisas boas que hoje se perderam, esteja completamente deslumbrada com este admirável mundo novo de reality shows, computadores e comida rápida, como se antes disto tivéssemos vivido na “Idade das Trevas”.

    «A minha geração de bibliotecários e arquivistas vive deslumbrada com a tecnologia. Pesquisou nos catálogos manuais, roeu com os dedos as fichinhas de cartão nas gavetas da Biblioteca Nacional, tirou apontamentos até lhe doer a mão.
    «Hoje prepara sofisticados instrumentos de pesquisa para os investigadores de hoje e do futuro. Que lindo!
    «Acho bem. O que eu não acho mesmo nada bem é que tenham feito tábua rasa de tudo o que estava para trás e esqueçam que o conteúdo dos catálogos não é gerado pelos computadores tal como o leite não é produzido pelos pacotes “Tetra Pak”.

    «Voltando às bibliotecárias reformadas.
    «Estas senhoras levam com elas, para o sossego dos seus lares, para o afago dos seus netos, um conhecimento que já ninguém tem. Levam-no porque não têm a quem o deixar. Ninguém quer saber. A minha geração é superior a isso. Saber identificar um fragmento de um manuscrito? Não interessa para nada! Saber reconhecer um incunábulo escondido numa encadernação? Para quê?!? Conhecer a liturgia própria do tempo de Pentecostes? Isso só interessa aos padres!!!

    «O que queremos é perceber de programação, de digitalização, os códigos todos, os campos e os sub-campos, o hipertexto, os protocolos de troca de dados, o XML ou o que vier depois.

    «São semelhantes a um cozinheiro que se dedicasse a conhecer profundamente a tecnologia dos microondas, dos fornos eléctricos, das placas de indução, das batedeiras e dos frigoríficos no frost mas não soubesse cozinhar. Tem de saber usá-los? Claro. O conhecimento culinário é essencial para o desenvolvimento destas tecnologias? Sem dúvida. Estas tecnologias contribuem para o desenvolvimento da arte e da técnica culinária? Com certeza.
    «Mas o cozinheiro tem de saber cozinhar, seja num microondas, seja num forno a lenha. O seu saber específico é a culinária, não é a tecnologia de microondas.

    annamailiaALEMANHA

    Imagem acima: Alemanha. Weimar. Uma Biblioteca que foi reconstruida sendo que empresas e particulares contribuiram para a restauração da mesma. Abriu em 24 de Outubro de 2007 e as obras de restauração estão previstas estarem completadas em 2015. O preço do restauro foi de 12.8 milhões de euros. Parece que em 2004 um incendio ameaçou destruir o que ainda restava e enquanto se lutava contra ele uma cadeia humana salvou perto de 6.ooo peças entre livros, quadros, etc. Isso motivou a fazer-se as obras de restauro completas Fonte original AQUI

    «Actualmente não conheço qualquer curso de Ciências Documentais em Portugal que ensine a catalogar um impresso do século 17. Há jovens bibliotecários que não sabem o que é um incunábulo, não querem saber e têm raiva de quem sabe. Latim, então, nem vê-lo. O grecus est non legitur dos escolásticos aplica-se perfeitamente aos actuais especialistas da informação, só que agora o que não se lê é o latim. Quanto à paleografia, existe em um ou dois cursos e está reservada aos que seguem arquivo como se os bibliotecários não precisassem desse conhecimento. História do Livro existe nos cursos mais antigos, é uma disciplina semestral, passada a correr, os nomes dos impressores e os locais onde se desenvolveu a tipografia percorridos como numa ladaínha, sem contexto, sem aplicação, como se fosse uma disciplina do passado que é preciso ter porque não se pode reformar o professor à pressa, coitado.

    «Poderia alguém menos prevenido sugerir que, enfim, talvez já estivesse tudo inventariado, já estivesse tudo feito, já estivesse tudo estudado… mas não. Está TUDO por fazer! Há milhares e milhares de impressos antigos, códices e documentos arrumados para um canto em bibliotecas e arquivos e ninguém lhes toca porque ninguém sabe o que fazer com eles. São dois e não um os conhecimentos que se perdem: o conhecimento de como tratar esses documentos e o conhecimento que esses documentos contêm.

    «O conhecimento necessário para tratar esses documentos está na mente, na cultura, na memória dessas senhoras que agora o levam consigo. São conhecimentos que se transmitem bouche-oreille, no paciente trabalho do dia a dia, no contacto com as espécies, no seu manuseamento, na consulta das obras de referência. Quanto conhecimento que não passa!
    «Quem quer aprendê-lo na voragem destes dias tecnológicos?
    «Quem o vai recuperar?
    «À porta de quem vamos bater agora, quando não soubermos identificar o fragmento manuscrito?
    «Quem vai responder, depois de uma breve e atenta observação: «Hum… isto é do Santoral. Esta frase aqui pertence à Antífona da Degolação de São João Baptista só que não tem o início. Veja no Liber Usualis, em Da mihi in disco… para confirmar».
    «Quem vai continuar estes conhecimentos?

    «Boas e queridas “bibliotecárias de cabelo apanhado e óculos na ponta do nariz”: perdoem-nos!»

    (17 Dezembro 2003)

    Written by dissidentex

    12/02/2008 at 7:50