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OCDE CONSIDERA AVALIAÇÃO DE PROFESSORES INDISPENSÁVEL

Fonte: I-online, dia 15 Julho de 2009

O relatório é claro: o modelo de avaliação de professores em Portugal é indispensável por ser urgente criar um sistema de progressão na carreira mais próximo da realidade escolar, mas de difícil aplicação, dados os curtos prazos concedidos pelo governo. É desta maneira que a OCDE avalia o modelo de avaliação docente, conclusões que a ministra Maria de Lurdes Rodrigues considerou, em declarações à TSF, serem um contributo técnico para a melhoria do modelo de avaliação.

A OCDE considera que o modelo de avaliação dos professores aplicado em Portugal, apesar de muito contestado, era “necessário” ao país. “Antigamente a progressão na carreira era feita tendo em conta o tempo de serviço e sem ligação directa à prática efectiva de ensino”, refere o relatório. No entanto, e apesar das dificuldades, “os esforços do governo para introduzir significado na avaliação docente são muito importantes e devem ser postos em prática”.

A organização internacional aponta como factores de dificuldade a natural resistência à mudança e a uma nova cultura de avaliação, e ainda os problemas em operacionalizar o modelo num curto espaço de tempo sem comprometerem os resultados.

O relatório conclui que a prioridade deve ser consolidar a reforma, ainda que aplicando os necessários ajustes, que têm dificultado a sua implementação.

Ø

  • O ensino português definido de fora para dentro.
  • O interesse nacional português definido por critérios exteriores aos interesses do país.

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15/07/2009 at 16:50

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SEGURANÇA NAS ESCOLAS: PASTAS REVISTADAS EM FRANÇA OU PROTO TOTALITARISMO?

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Uma das formas de criar uma sociedade totalitária onde as pessoas aceitam ser controladas está perfeitamente explicita nesta noticia do Jornal Expresso (não é por acaso que é dado este destaque, e neste jornal a este tipo de notícia…) em que o Presidente Francês, pretende aumentar controlos nas escolas francesas.

Para fazer tal recorre a um discurso completamente totalitário, demagógico, perverso, que “entala” a esquerda política.

Esta que nunca conseguiu resolver os seus próprios problemas e concepções acerca do que deve ser uma escola e o ensino, e consequentemente “abre” espaço” político e social para que “demagogos” destes produzam um discurso totalmente vazio demagógico e consigam ter êxito na propagação da sua mensagem.

E é o que Sarkozy faz e habilmente.

JORNAL EXPRESSO - SEGURANÇA NAS ESCOLAS 1

Factos: existe uma agressão á facada feita por um aluno de 13 anos  a um professor.

Factos: isso é um caso de polícia simples.

Motivados pelo facto de existir uma opinião pública que”exige” resultados imediatos (essa mesma opinião pública vive numa sociedade cuja economia lhes exige ao trabalharem, que “obtenham resultados imediatos”) e isso leva o Presidente Sarkozy “a fazer o anúncio das novas medidas.

O que deveria preocupar as pessoas aqui é o facto de este senhor ser um mau governante.

Porquê?

Porque só “reage” e não age. Parte-se do principio que este problema ou outros semelhantes já existiam antes do acontecimento. Sarkozy, não agiu. Agora aproveitou a oportunidade e reagiu.

É melhor agir do que reagir.

E aproveitou a oportunidade para quê?

Para lançar uma série de medidas demagógicas e completamente a puxar para o totalitarismo, sob o pretexto da “segurança”. (sempre este pretexto…)

(A) os pórticos para detecção de metais. (Estilo semelhante  ao que se passa nos EUA)

(B) Multas para os pais que deixem os filhos levar armas para a escola.

Os pórticos são uma maneira simbólica de equiparar os alunos a terroristas – o mesmo que se passa em aeroportos…(há uma associação de ideias imediata…)

As multas são uma “forma fiscal ” e de intimidação para com os cidadãos. Um “panóptico” fiscal que aqui está.

Mas alguém acredita que um pai que tem um filho que leva facas para a escola e dá facadas em professores consegue controlar esse mesmo filho de forma eficaz? Já perdeu o controlo há muito tempo…

Consequentemente a multa não VAI resolver nada, excepto para os cofres do estado francês…

Ø

Sarkozy é também esperto e usa o discurso da vitimização e das “lágrimas de crocodilo”, nesta frase:

Claro que é lamentável ter-se chegado aqui, mas como agir de outro modo num tal contexto?

E porque é que é lamentável ter-se chegado aqui? Quais as causas? E só existem estas soluções ou apenas existem estas soluções porque são estas a soluções que Sarzozy e a direita conservadora proto totalitária que se esconde por detrás dele quer aplicar?

Em seguida Sarkozy quer “dar uma facada ideológica na esquerda”,um “beijo de morte” e diz o seguinte:

“A tranquilidade dos estabelecimentos escolares é uma condição absolutamente fundamental para a igualdade de oportunidades”,…”

Fala em “tranquilidade”, uma palavra cuidadosamente usada para ser a palavra substituta da palavra “ordem” uma palavra que sempre foi “associada” à direita política e depois usa a expressão “igualdade de oportunidades”, que é uma expressão sempre usada pela esquerda política em todos os lados quando critica a direita.

O “negócio” político e social que Sarkozy está a propor aos franceses, e por interposta condição, a direita política propõe a todos os cidadãos é muito simples.

Trocar “liberdade” (tranquilidade) por ordem coerciva muito dura para “depois” ser oferecida como recompensa pela “troca” a…… “igualdade de oportunidades”.

Mas… na realidade, ambas as condições não estão em causa aqui. Ainda existe liberdade e ainda existe o principio da igualdade de oportunidades.

Caso se aceite a lógica de Sarkozy/da direita conservadora, deixa-se de ter “duas  coisas” (liberdade e igualdade de oportunidades) e passa-se só a ter a “promessa “de ter uma coisa (a igualdade de oportunidades)

No fundo o que este homem propõe é uma troca cujo resultado é zero para os cidadãos.

Como é possível aceitar um negócio em que temos “duas coisas” e passamos apenas a ter a promessa de uma coisa? Qual é o ganho aqui?

Quando o caso que despoleta esta habilidade, é apenas um caso de polícia. O aluno comete um crime, deve ser processado por isso, e posteriormente preso.

Sarkozy usa a oportunidade para “alterar” todo um sistema e torná-lo menos democrático.

JORNAL EXPRESSO - SEGURANÇA NAS ESCOLAS 2

Para reforçar mais ainda esta tentativa de instaurar uma lógica de resolução de um problema adoptando medidas totalitárias, Sarkozy usa uma técnica “norte americana”que nos tem sido enfiada pelas goelas abaixo desde sempre.

A invocação de um”perigo externo”.

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Cita-se Planeta americano, um post do Dissidente-x, á propósito do capítulo 6 desse livro, analisado nesse post.

” No capitulo 6 – A paixão pelo medo – Verdu descreve a total tesão pelo medo que os americanos têm e que é potenciada até às extremas pela imprensa. A ideia psicológica subjacente a tudo isto é a de que os EUA estão colocados numa posição de perigo; em que forças humanas ou sobrenaturais ameaçam, atacam e espiam a população. Existe um conceito muito presente ” o disaster never sleeps/ o desastre nunca dorme. Medo, supra medo, injecções de medo umas atrás das outras. Ou seja, o medo e a sua exploração são as imagens de marca daquela sociedade.”

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A técnica de Sarkozy é muito parecida com o acima descrito. Especialmente quando “invoca” um desastre escolar na Alemanha – um recente tiroteio numa escola.

O mais famoso tiroteio das escolas conhecido mundialmente foi o do liceu de Columbine, nos EUA. Sarkozy prefere falar do tiroteio alemão, uma situação em que  “forças humanas ou sobrenaturais ameaçam, atacam e espiam a população.” (para citar a partir do excerto acima)

Isto é, “alemães” os tradicionais inimigos franceses… (Pode não ser nada, mas em Columbine morreram muito mais pessoas que na Alemanha…)

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E o representante dos sindicatos diz qual é realmente o problema:

” o que se vê diariamente não são as armas, mas a má criação, os insultos e a violência ligeira. O verdadeiro trabalho é educativo, com pessoal adequado.”

Também o que se vê diariamente é isto abaixo mostrado, retirado daqui:

30 ANOS DE EVOLUÇÃO DO ENSINO

Ou seja, uma completa inversão de valores que transforma necessariamente adolescentes em pessoas insuportáveis de aturar.

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Já em Portugal, não temos Sarkozy. Temos a “esquerda” “oficial”, ” normativa”, conservadora e reverente a fazer os mesmos papeis que Sarkozy faz em França. Exemplo retirado daqui:

E de repente … gente que apregoa a sua filiação na esquerda, que enche a boca com o PS – aqui entendido como Partido Socialista – gente que apregoa a superioridade do dito Partido na luta contra a ditadura, acha que sim, que deve passar a haver câmaras e gravadores nas salas de aula, que os bons professores não se importarão por certo de ser gravados e os que se importarem serão, por definição, maus professores, incompetentes, quiçá criminosos…

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01/06/2009 at 11:15

COMPUTADOR MAGALHÂES E COMO ESTE AJUDA A DESTRUIR A ESCOLA.

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revista-ler-capa-antonio-barretoApesar de não ter grande simpatia por  António Barreto, aquela frase na capa da revista é inteiramente verdadeira.

(1) Oferecer um computador quase com ar de brinquedo, equipado com placas gráficas topo de gama  (placas que melhoram a performance visual e de velocidade de software que necessite de muito grafismo e melhor imagem, como o são os jogos de computador…) a alunos do ensino primário e secundário é o equivalente a atacar a tiro esses mesmos alunos no que a leitura – ao incentivo de hábitos de leitura – diz respeito.

(2) Outra forma de – a médio prazo – transformar os alunos em algo pior do que já são, é através deste brinquedo, proceder à desautorização completa da figura do professor, mais ainda do que ela já está.

Um professor afirma algo, e numa página acessível pelo computador está lá dito o contrário. Ou algo que não tenha nada a ver com o assunto.

Como se defende o professor desta situação?

Para o actual Ministério da educação/ governo em funções não se defendem os professores desta situação…

(3) E já não mencionando o problema da fidedignidade das fontes… que aparecem por toda a Internet.

Vamos antes pensar ao contrário: o objectivo é – também – retirar importância ao professor enquanto pessoa e profissional.

Assim se consegue a médio e longo prazo… melhor chegar a uma posição de “melhor controlo” da sociedade no seu conjunto.

A máquina de produção de alienados sem consciência de si mesmos, que mal sabem ler  e compreender começou a ser posta em funcionamento…

É a nova natureza do novo totalitarismo.

Esconde-se atrás da tecnologia.

Artigo relacionado com “Computador Magalhães, os intelectuais e a Revista Ler

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08/03/2009 at 22:10

DE ONDE VEM AS “REFORMAS DA EDUCAÇÃO”.

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Em 1957/1958, os EUA entraram em recessão – uma profunda e inesperada recessão. Foto: Time Magazine.

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Devido à decadência do sistema social e económico americano, nessa altura; tal contribuiu para um sentimento de perda de identidade; de o país estar a caminhar para se enredar num “nó” , de falta de alternativas e de esperança para os cidadãos americanos e para a “elite política” e económica.

A elite política norte americana, reagiu ao problema de várias formas. Uma delas foi o lançamento de grandes “programas” de desenvolvimento da nação. Um desses programas foi o Equal/economic Opportunities Act.

Lindon Johnson, na altura o Presidente afirmou: “Hoje, pela primeira vez, na história da raça humana, uma grande nação é capaz e tem a disposição de se empenhar a erradicar a pobreza da sua população”.

Nada pretensioso.

Johnson pertencia ao “Partido Democrata” – aquilo que passa por ser a “esquerda”… nos EUA.

Inseria-se dentro de uma programa chamado “Great Society Program” , e “War on Poverty”.

Eram ideias que retomavam algumas das linhas de orientação do programa político de John Kennedy, chamado Nova fronteira.

O programa de Johnson (1) nunca erradicou a pobreza e (2) apenas constituiu uma desculpa adicional para criar um deficit nas contas públicas americanas.

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Uma das características desse programa visava “conceder educação” aos norte americanos – valorizá-los.

E dessa forma, precisamente pelo que – também – tinha acontecido na recessão de 1957-58, ou seja, milhões de desempregados, no país que em 1958 era a indisputada potência económica, rebanhos de norte americanos forma incitados a serem agregados em colégios e escolas.

Prologando-se a “coisa” até aos anos 60. O “truque” visava mascarar a taxa de desemprego. Torná-la “oculta”.

De 1960 até 1975, a população universitária norte americana mais que duplicou. Segundo os dados que disponho passou de 4 milhões para 10 milhões.

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Tal serviu para que os banqueiros de Wall Street e demais interesses financeiros do país desviassem “investimentos” para a construção de mais Universidades, feitos também, com a ajuda de generosos subsídios estatais.

As pessoas daí derivadas estavam – embora não o soubessem – grande parte delas, a ser atiradas para um mundo de sub empregos.

O investimento em tecnologia feito nas Universidades americanas, para gerar de novo novas formas de criação e parar a obsolescência da industria americana, foi assim travado, em beneficio de uma nova teoria que foi “vendida” – a sociedade pós industrial como conceito.

Os estudantes passaram a ser encorajados a perseguírem carreiras em cursos de papel e caneta- relações sociais, ou sociologias e “carreiras conexas do mesmo estilo”.

A “transformação” visava obter o seguinte:

– uma baixa qualidade produzida em massa, que por sua vez originava mais padrões “baixos” de qualidade.

Os investimentos que aquela sociedade deveria ter feito na melhoria da vida urbana, nos transportes públicos, nos serviços de agua e saneamento e demais estruturas a eles agregadas.

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A”lógica” por detrás disto era: ” se não se está orientado para investir em produtos industriais e a sociedade já não é predominantemente industrial, então para quê investir em infraestruturas físicas que levem os produtos derivados dessa mesma( inexistente) produção industrial para o mercado?

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Para vender isto mais eficazmente era necessário alterar a percepção de como era visto o conhecimento cientifico e o progresso industrial. E foi por isso que a cultura das drogas e do psicadelismo apareceu. Existiram “projectos” para fomentar ou ajudar a fomentar estas teorias.

E até surgiram “correntes filosóficas novas” baseadas em misticismo esotérico e irracionalidade mágica, para consubstanciar os novos tempos. Como é óbvio “esta treta” acabou a ser exportada por todo o mundo Ocidental…

E o empenhamento do governo americano com o progresso cientifico foi restringido, até porque uma nova “elite” que começava a sair das Universidades imbuída deste mesmo “estilo” novo de olhar o mundo, apenas o via numa lógica de preocupação apenas com o seu bem estar pessoal, e uma visão cínica do mundo.

Enquanto que, paralelamente, era incentivado o “psicologismo” – o treino da sensibilidade. Onde as pessoas eram treinadas para estarem mais preparadas para se preocuparem e serem mais compreensivas com os defeitos dos outros do que em verem que a nação e a população – olhadas como um todo – que estavam a perder o seu sentido de colectivo e de objectivo.

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Enquanto isto ocorria – paralelamente – a economia americana estava a ser organizada em função dos interesses dos banqueiros e não em função dos interesses industriais. Como tal, indústrias inteiras começavam apenas a preocupar-se com o retorno (o lucro) e não coma evolução tecnológica. E dentro dos EUA, começaram a deslocalizar-se dos centros industriais do Norte, para o Sul mais pobre.

E ao mesmo tempo, começaram a deslocalizar-se para fora dos EUA.

Operários especializados do Norte dos EUA, tinham agora que competir com operários pouco especializados do Sul, quase como se fossem Pitbulls a serem atiçados uns contra os outros, por um número cada vez mais pequeno de empregos.

Isto originou um crescente desemprego, e todos os problemas a ele associados: drogas, má qualidade de vida, Guetos.

Os sindicatos pobres do Norte dos EUA, foram também atacados. Impedidos de se expandirem para Sul e exigirem “direitos”

Lá também se jogou a carta do racismo. Os operários do Sul eram predominantemente negros, os do norte predominantemente brancos. Se um sindicato protestasse era “racista”.

Esta situação tinha sido despoletada pela forma como a economia foi organizada e surgiram os antecedentes: o “modelo” a partir do qual o Presidente Johnson retirou as ideias para a sua Guerra à pobreza (aparte ter ido também buscar algumas ideia a Kennedy…) e que tinha sido desenvolvido por uma Fundação em nome do Presidente Ford.

Foi também criado um “Gabinete da oportunidade económica” que visava enfraquecer as vozes tradicionais da política americana. Os trabalhadores industriais sindicalizados eram assim constituídos em alvo, e e os meios de comunicação “de esquerda” (liberals) apelidavam-nos de “racistas” e “reaccionários” por estes não aceitarem reduções de ordenado nem deslocalizações – sendo que o argumento para tal era dizer-se que estavam a “empobrecer” os pretos do Sul.

E brancos contra pretos, desempregados contra empregados foram assim atiçados uns contra os outros nesta nova “Grande sociedade”.

Quem beneficiou disto foram os banqueiros:

– Beneficiaram dos enormes cortes nos salários.
– Beneficiaram dos cortes no investimento público.
– Canalizaram investimento para o estrangeiro com mais elevadas taxas de retorno .

Ø

Em Portugal as semelhanças são sistemáticas, mas duplas.

No inicio dos anos 90 fez-se exactamente o mesmo em Portugal, que no final dos anos 50, nos EUA.

Massificação do ensino Universitário, com o consequente rebaixamento da qualidade dos cursos e com o aumento explosivo e exponencial dos cursos em papel e caneta.

Para quê produzir licenciados em “ciências duras” se ao mesmo tempo estavam a ser assinados tratados comerciais visando (1) desindustrializar, (2) acabar com a agricultura e com as (3) pescas?

Actualmente estamos numa segunda fase: um Uppgrade reloaded”.

Os PitBulls “atiçados uns contra os outros” são os professores – dentro da classe – com a criação de duas carreiras – a de professor titular e a de professor não titular, e para fora da classe, atiçando os professores contra o resto da população.

Noutras classes profissionais passa-se o mesmo fenómeno. E todos somos “atiçados” contra todos…

E também temos – para contrariar o desemprego galopante – a “formação”.centro_novas_oportunidades

Já agora: faça-se a “comparação” com os nomes “Nova Fronteira” , o programa político de John Kennedy, – a palavra “Nova” e a palavra “Novas” oportunidades”. (E os congressos sócraticos chamados de “Novas Fronteiras”)

E misture-se isso com o programa americano dos anos 60 – “Equal/Economic Oportunities Act”, e veja-se de onde vem os conceitos e de onde vem a “total falta de originalidade” dos nossos políticos que nem sequer se preocuparam em disfarçar de onde vem e o que querem…

A fonte de inspiração é claramente a mesma. Os objectivos são – transpostos para a escala portuguesa – os mesmos dos objectivos do programa original norte americano dos anos 50/60.

Reduzir-nos a nada.

100 % APROVADOS

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Sou um imbecil.

Para que é que eu andei a estudar se me bastava esperar alguns anos para isto ser tão fácil?

Fonte: Correio da manha, 22 Setembro de 2008

EDUCAÇÃO NÃO É QUALIFICAÇÃO

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Excelente texto e exemplo no blog legoergosum, chamado “os bárbaros e a tecnologia”.

Representa “exactamente”aquilo que se quer fazer na educação e por acréscimo no país – formar uma massa de acéfalos que não deverão se capazes de pensar, mas deverão todos ser “qualificados”…

O texto é contra isso, mas explica muito bem porque é que se deve ser contra isso. Transcrição.

Quando eu era adolescente li uma história sobre a segunda grande guerra que me deu que pensar. Parece que os americanos tinham necessidade de construir uma grande quantidade de aeroportos em muitas ilhas do Oceano Pacífico e não tinham mão-de-obra para isso. Muitas dessas ilhas eram habitadas por tribos cujo desenvolvimento estava ao nível do Paleolítico. No entanto conseguiram facilmente, ao fim de poucos dias de treino, operar um bulldozer ou qualquer outra peça de maquinaria usada para construir aeroportos.

Vários anos e muitas leituras mais tarde, percebi que quando um bárbaro se confronta com a civilização, a primeira coisa que aprende dela, e mais facilmente, é a sua tecnologia. Muitas vezes nunca chega a aprender mais nada. Muitas vezes nem sequer chega a imaginar que haja mais nada.

Há trinta anos que o mundo em geral está a ser governado por bárbaros, que da civilização só vêem a tecnologia. Não compreendem que há mais mundo para lá da tecnologia, e que se esse mundo não existisse a tecnologia acabava.

Esta atitude assume muitas formas. Uma delas é o economicismo: a crença que a economia determina tudo na vida dos homens e que a ciência económica explica cabalmente toda a realidade.

Outra é a adoração bacoca da técnica como se fosse um fim em si mesma e não um meio. Quando o Primeiro-Ministro vai às escolas levar computadores, leva a cereja para pôr em cima do bolo. Mas o bolo, onde está? O Primeiro Ministro não sabe. Nem sabe que ele é preciso. Nem sabe que a cereja em cima do bolo precisa de um bolo por baixo.

E temos o caso de Maria de Lurdes Rodrigues a dizer que as escolas servem para as pessoas se qualificarem. Não servem: servem para as pessoas aprenderem. Pela simples razão, que nenhum bárbaro jamais entenderá, que quando o nosso propósito é ensinar estamos a qualificar; mas se o nosso propósito for apenas qualificar, nem qualificamos, nem ensinamos. Ou então damos uma qualificação que se esgota no momento em que o qualificado deixa de ser útil ao qualificador.

E assim voltamos aos construtores paleolíticos de aeroportos: lembremo-nos deles sempre que algum político ou algum yuppie (ou pior ainda, algum político yuppie) nos vier com a treta da qualificação. É que qualificar é fácil, o que é difícil é ensinar.

Quando a guerra acabou e os americanos se foram embora, deixaram atrás de si milhares de pessoas qualificadas para construir aeroportos. Nenhuma delas ganhou fosse o que fosse com isso.


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09/11/2008 at 10:07

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CARTÃO ELECTRÓNICO NAS ESCOLAS

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No dia 25 de Abril de 2008, (reparar nas datas e na hipocrisia política das mesmas) (que escolha tão apropriada e irónica da parte do senhor) Cavaco Silva não perdeu a oportunidade e cravou uma estaca no coração de alguns dos “opositores”. Utilizou como arma um discurso comemorativo de uma data que a ele pessoalmente nada lhe diz. Nesse dia lançou um alerta acerca dos jovens e da sua suposta falta de interesse na política.

O senhor até mandou fazer um estudo que nos informava dos horrores que a democracia portuguesa enfrentaria, qual Dante em viagem até ao Inferno, relacionados com o desinteresse dos jovens na política.

No mesmo dia 25 de Abril de 2008, (reparar nas datas e na hipocrisia política das mesmas) aquele senhor que é primeiro ministro por sorteio reagiu ao discurso. Abriu a boca e declarou que estava disponível para ajudar os jovens a interessarem-se pela política. (Contrariamente à página da TSF de onde retirei esta imagem ao lado que já está indisponível para nos ajudar com uma ligação…)

No dia 23 de Abril de 2008, (reparar nas datas e na hipocrisia política das mesmas) sem dúvida já demonstrando querer interessar os jovens pela política, o Conselho de Ministros (por sorteio) anunciou um “boa nova”.

O “cartão electrónico escolar”. Uma forma “política” e “técnica” de controlar os jovens (mas não só *), fazendo-os sentirem-se interessados pelo facto de o Pais carimbar legalmente uma política de imenso controlo que lhes será aplicada. Notícia Destak de 23 de Abril de 2008

Concordo com Cavaco apenas nesta parte, e estou absolutamente convencido que os jovens deveriam interessar-se POR ESTA POLÍTICA que lhes ataca as liberdades individuais chamada “o cartão electrónico escolar”.

Para fundamentar este ataque à liberdade de movimentos, e à noção de um espaço público livre, é necessário criar argumentos que o justifiquem.

Os argumentos usados para atacar a liberdade individual e a noção de espaço público livre são “argumentos de segurança”.

O jovem estará electronicamente confinado por meio de vigilância, à escola. (na realidade também é apenas mais uma “técnica” usada para vincar o conformismo e a negação da entidade individual).

Uma maneira “subtil” de pôr os pais contra os filhos criando uma situação em que os põe necessariamente em possibilidade de conflito uns e outros através dos dados de um cartão, que identifica perante os pais, quais são os exactos movimentos dos filhos.

Os paizinhos portugueses, as toupeiras sociais que por aí andam, que, regra geral, não fazem ideia nenhuma do que o jovem pensa ou anda a fazer, julgam (tem estado a ser convencidos disso pela mais completa propaganda…) que, com mais este passo para uma sociedade de vigilância; que será assim que os filhos estarão seguros e eles deixarão de se preocupar.

Os argumentos para implementar esta coisa são:

  1. a segurança escolar, mediante controlo de entradas e saídas
  2. Ganhos de eficiência para as escolas, por gerar o uso pelo pessoal docente e não docente
  3. Supressão da circulação do dinheiro
  4. Consulta do processo administrativo
  5. Consulta do percurso académico
  6. Consumo dos alunos nas instalações escolares

O verdadeiro objectivo divide-se em outras duas partes.

Uma é fazer aceitar às pessoas uma ideia de sociedade controlada electronicamente, como se isso fosse sinónimo de democracia e de liberdade. Este é um sub objectivo mais vasto.

Outro é controlar os funcionários das escolas*, professores e auxiliares, que serão (in)directamente confrontados através desta vigilância, sendo possivelmente acusados de falhas, pelo facto de os alunos saírem ou não saírem indevidamente da escola. Será o cartão dos alunos a “servir de prova”.

(Apêndice:põe-se os alunos/cartão a servir de “meio de prova” para controlar o serviço dos professores e dos auxiliares, sendo isto ainda mais grave porque desautoriza profissionalmente ainda mais, ambas as classes profissionais).

Por algo que – sejamos claros – nem professores nem auxiliares tem alguma vez hipótese de controlar (E NÃO É DA SUA COMPETÊNCIA…) em pleno. (Se algum aluno “sair” porque quer sair ou precisa, o ónus disso será assacado ao professor e ao auxiliar que “não terão feito o seu trabalho…” (e estarão a boicotar os gloriosos objectivos do Governo) ( Entre isto e o que o Partido Comunista declarava dos seus inimigos “burgueses” há pouca diferença…na linha de raciocínio…)

O controlo que é feito aos alunos irá assim repercutir-se nos professores e os auxiliares. A ideia adicional é também por todos uns contra os outros. Esta é a dimensão da perversidade disto. Este é um sub objectivo mais especifico.

É uma criação de modelos simplificados da sociedade, baseados no controlo – um panóptico electrónico…

Os alunos passam a ser profissionais com horário electrónico.

Se as classes profissionais (professores e auxiliares) contestarem esta lógica estarão a ser considerados como “maus profissionais, por pretenderem exercer o seu direito como cidadãos a não estarem vigiados electronicamente.

Pelo meio existem os argumentos de ordem financeira – gastar menos dinheiro + a elencagem de inúmeras “facilidades” administrativas que o uso do cartão gerará.

(É deliciosa a ideia de “supressão da circulação do dinheiro”, como sendo uma vantagem, insinuando-se que com isso acaba o “bullying”. Como se em vez de alguém exercer violência exigindo dinheiro em troca, não o possa fazer exigindo …… o cartão electrónico escolar…)

Isto afirma a ideia da escola vista como uma prisão.

Os alunos deixam de estar colocados na condição de alunos e passam à condição de prisioneiros oficiosos, impedidos de sair, excepto se o sistema electrónico o autorizar.

Qualquer ideia de liberdade individual e livre arbítrio ataca-se desta maneira, utilizando estes métodos.

Todos são presos e vivem dependentes da lógica do sistema electrónico.

Quem comanda o sistema electrónico?

(E para onde vão os dados electrónicos referentes aos movimentos feitos pelos utilizadores do cartão?)