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GLOBALIZAÇÃO E NEOLIBERALISMO: SUN MICRO SYSTEMS DESPEDE 3000 MIL…

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Neste post feito à propósito da análise de um livro sobre globalização, eram citadas declarações de um responsável da Sun micro systems feitas em 1997, explicando como eram vistos os empregados da Sun pelo seu principal gestor.

Transcreve-se uma parte.

Ø

armadilha-da-globalizacao-capa-portuguesaPágina 10:

”na nossa empresa, cada um pode trabalhar tanto quanto queira…” … os governos e as regras por estes impostas ao mundo do trabalho perderam todo o significado…”contratamos os nossos empregados por computador, eles trabalham por computador e são despedidos por computador“.

Algures no diálogo do texto, David Packard, o co-fundador da Hewlett Packard (produção de impressoras e computadores) faz uma pergunta a Jonh Cage da Sun Mcrosystems:

” …– de quantos empregados necessitas verdadeiramente, John?“ Seis, talvez oito, responde secamente Cage. Sem eles estávamos tramados…” – E quantas pessoas trabalham actualmente para a Sun systems? Gage responde:- …” Dezasseis mil. Tirando uma pequena minoria são reservas de racionalização.”

Não se ouve o mais pequeno murmúrio na sala: para os presentes, a ideia de existirem legiões de desempregados potenciais ainda insuspeitos é algo de obvio. Nenhum destes gestores de carreiras, que auferem chorudos salários, provenientes dos sectores e dos países de futuro, acredita ainda que se possa vir a encontrar, nos antigos países e em todos os sectores, um numero suficiente de empregos novos e correctamente remunerados nos mercados em crescimento, com o seu grande consumo de tecnologia.-no próximo século, para manter a actividade da economia mundial, dois décimos da população activa serão suficientes.- Mas e os restantes? Será possível imaginar que 80% das pessoas que desejam trabalhar não vão encontrar emprego?

– Não há duvida que os 80% restantes vão ter problemas consideráveis, afirma o autor norte-americano Jeremy Rifkin que escreveu o livro “The end of work…”

Ø

Imagem e texto “Jornal Destak”.

Ligação “Revista visão/aieou”

JORNAL DESTAK - SUN MICRO SYSTEMS DESPEDE 3000

Duas notas:

1 – a Sun Micro systems não despede pessoas, dispensa pessoas (A semântica do neoliberalismo é diferente…)

2 – A Sun Micro systems anuncia um ano antes que vai despedir/dispensar pessoas (defensores disto até virão argumentar que a empresa é “organizada” programando “eficientemente” o tempo dos seus despedimentos.

Como afirma o senhor Jonh Cage acima,

contratamos os nossos empregados por computador, eles trabalham por computador e são despedidos por computador“.

Ø

Em Novembro de 2008, a mesma empresa Sun Micro systems anunciava que iria despedir 15% da sua força de trabalho – 6000 pessoas, para “reduzir custos”.

Parte-se evidentemente do principio que a 6000 acrescem – um ano depois – mais 3000.

Mas, sejamos honestos: a preparação para isto já estava a ser feita desde meados dos anos 90.

Cita-se John Cage de novo:

os governos e as regras por estes impostas ao mundo do trabalho perderam todo o significado…”

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LIVRO – GLOBALIZAÇÃO:AS CONSEQUÊNCIAS HUMANAS – ZYGMUNT BAUMAN

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Artigo Extenso

Livro de Zygmunt Bauman, sobre a globalização, fornecendo-nos um “mapa”sobre a mesma. O livro é, em alguns aspectos ligeiramente datado, mas, apesar disso, resiste ao tempo e ajuda a explicar muita coisa.

Edição Brasileira. JORGE ZAHAR Editores, uma editora Brasileira, 1999, 146 páginas.

É um livro que apresenta uma perspectiva da globalização, mas orientado para mostrar várias dimensões da mesma. Olhando para a época em que foi escrito e olhando para a realidade actual torna-se um exercício curioso de análise comparativa do que era uma certa visão, e do que é o mundo actual.

TEMPO E CLASSE

No primeiro capitulo Bauman analisa a ideia de mutabilidade, mudança, alteração na percepção de como nós actualmente vemos o tempo e o espaço em plena era de Globalização.

  1. Como isso influi na organização social;
  2. Como é visto o tempo e o espaço por diferentes classes sociais e profissionais.

Tal “visão” leva ao conceito de “proprietário- ausente”;uma entidade “patronal” ou um “profissional” que já não necessita ou é obrigada (os privilegiados dentro deste novo sistema) a ficar parada geograficamente/fisicamente no mesmo espaço, antes move-se ao redor do mundo.

Este conjunto de privilegiados obteve (1) liberdade de movimentos – que origina – a (2) “não responsabilização” pelos (3) actos do que faz, precisamente pela capacidade de mobilidade dos movimentos.

Cita Albert J.Dunlap”

“…a companhia pertence às pessoas que nela investem- não aos seus empregados, fornecedores ou à localidade em que se situa” – Página 13.

Tradução: que os empregados, fornecedores, e os porta vozes da comunidade (o poder político?) não tem voto na matéria relativamente às actividades da empresa.

A mensagem não é uma declaração de intenções, mas uma afirmação de facto.

Efeitos 1: os centros de decisão foram alvo de uma guerra e essa guerra originou o deslocamento deles, para uma dimensão livre de restrições territoriais ou restrições de localidade.

Efeitos 2: os empregados são recrutados na população. Tem responsabilidades pessoais e familiares; não podem mover-se, seguindo a companhia quando ela muda de lugar. Os fornecedores tem que entregar a matéria prima e os custos locais de transporte dão uma vantagem ao fornecedor local que desaparecem assim que a companhia muda. A localidade fica onde está.

Só quem investe na companhia – tem “voz” – é que não está preso no “espaço físico”. Pode fugir às consequências dos seus actos (fechar uma fábrica num local e abrir noutro.) (Segundo esta interpretação doentia dunlapiana das coisas)

O espaço e o tempo são novas dimensões. A distância já não importa – mas apenas para os privilegiados.

A nova velocidade/nova polarização emancipa alguns seres humanos.

Alguns podem mover-se para fora da localidade – qualquer localidade – quando quiserem. Outros observam, impotentes, a única localidade em que habitam movendo-se sob os seus pés” Página 25

Pontos:

– segregação espacial entre quem está confinado e quem nada mais faz do que mover-se;

– Novas concepções de espaço e de tempo, e concepções diferentes quer seja uma pessoa que se move, ou não.

Bauman considera que essa nova dimensão/percepção do espaço e da geografia confere novas características aos processos de exclusão social:

– uma ruptura completa da comunicação entre as elites – que são extra territoriais – são “globais” e a população “normal”. Esta população é cada vez mais “localizada” e impossibilitada de se mexer.

Consequências:

A elite extraterritorial não sente os espaços geográficos onde nasceu; por exemplo, como sendo algo que lhe diga respeito. O sentido de comunidade (e de interesse pela comunidade) desaparece na elite.

Os centros de decisão (a capital, o governo, etc) estão longe, mas as consequências das tomadas de decisão desses centros de decisão caem directamente em cima das populações “localizadas” que estão impossibilitadas de se mexerem.

Consequências 2

O “poder” passa a ser livre para explorar, sem temer quaisquer tipos de consequências por fazer isso.

Bauman conclui que essa mobilidade não pressupõe que as comunidades “localizadas” tenham tolerância ou aceitação perante isto ou as desenvolvam como conceitos a utilizar…

GUERRAS ESPACIAIS

No capítulo 2 Bauman explica a batalha dos mapas. Estabelece a diferença entre poderes pré modernos e pós modernos. O estado pré baseava-se numa ideia de auto protecção das populações que se agrupavam em sítios e se protegiam de forças estrangeiras ou estranhos,da possibilidade de um ataque.

Para recrutar soldados ou colectar impostos, o Estado pré moderno quase que os pilhava aos seus habitantes. Tal também era feito para tentar uniformizar a cobrança. O Estado pré moderno privilegiava colectividades em vez de indivíduos, devido à multiplicidade de formas de individuais e comportamentos (tentando assim padronizá-las).

O mapa tinha que ser ganho e tinha que ser uniformizado, de acordo com os desejos /necessidades do Estado pré moderno.

… Um aspecto decisivo do processo modernizador foi portanto a prolongada guerra travada em nome da reorganização do espaço. O que estava em jogo na principal batalha dessa guerra era o direito de controlar o ofício de cartógrafo”. – Página 37

Isto num Estado pré moderno a fazer o salto para se tornar moderno. O espaço social tinha que estar subordinado a apenas um “mapa” (não só entendido de forma geográfica) oficialmente aprovado pelo governo desse mesmo espaço.

O que Bauman considera que existe actualmente é?

“… O ponto de gravidade na organização espacial mudou então da pergunta “quem ?” para esta outra “de que ponto no espaço?”

Introduz duas teorias:

– Michel Crozier: “os conceitos de posição dominante pela burocracia que consegue impor a sua acção a terceiros e a tornam opaca” (Ver artigo Dissidente-x: Asae e a Burocracia — Ver Asae e Rock in Rio mais o jornalismo que temos

– Michel Foucault – conceito de panoptico – “Uma torre central” onde um supervisor observa a sociedade, sem esta o ver ou sentir sem esta nunca saber se o supervisor está activo ou não. Ver artigo Dissidente-x – “Panóptico – a atracção pelo Totalitarismo”.

Escreve muitas páginas posteriores fundamentando isto e explicando por exemplo escolas de arquitectura e as suas concepções de planeamento de cidades (especialmente o arquitecto Le Corbusier).:

Explica a agorafobia: Onde antes as cidades eram construídas visando impedir estranhos de entrar, são agora construídas visando impedir estranhos de ficar, os concidadãos indesejados.

Exemplos das comunidades americanas – página 54

a suspeita em relação aos outros, a intolerância face à diferença, o ressentimento com estranhos e a exigência de isolá-los e bani-los, assim como a preocupação histérica, paranóica com a “lei e a ordem”, tudo isso tende a atingir o mais alto grau nas comunidades locais mais uniformes, mais segregadas dos pontos de vista racial, étnico e de classe.”

APÊNDICE sobre EUA – Artigo Dissidente-x chamado “Planeta americano”

No capitulo 4 – A soberania do capital – Verdu explica que os “Pais Fundadores” acreditaram na existência, isto é na possibilidade da criação de novo de uma sociedade que “rebentaria” com as hierarquias europeias – as sociedades hierárquicas de tipo europeu existentes nos séculos 17 e 18. Mas, acrescenta Verdu, tal ideia fracassou miseravelmente uma vez que, quer a passada e actual dinâmica de acumulação de capital desmente isso. O igualitarismo – ideia utópica dos pais fundadores – é desmentido pela acumulação de capital e os pobres são vistos como excrementos do sistema. Como dejectos. É uma lógica de Darwinismo misturada com sorte que existe e é considerada como sendo, realmente, a filosofia dos pais fundadores.

No capitulo 5 – O medo do crime – Verdu explica que o crime é elevado devido a desinvestimento no seu combate e prevenção, e como o sistema social é organizado de forma darwinista – isso obviamente conduz ao crime. Que serve por sua vez de oportunidade para vender sistemas de segurança (a mentalidade de empresário, de vender em comprar surge aqui) – sendo o Lar uma fortaleza. Equipada como tal……

Bauman chama ao panóptico actual, as bases de dados.

Artigos Dissidente -x

(A) Chip electrónico automóvel

(B) Relatório minoritário fiscal

(C) Médicos de clínica geral defendem cruzamento de dados

(D) Cartão electrónico escolar

Defende ainda que ao Panóptico se juntou o “Sinóptico”.

Muitos vigiam poucos. O sinóptico é global. (Os quatro posts acima indicados são um exemplo de uma mistura “sinóptico/panóptico” – de uma tendência)

No panóptico inicial, alguns habitantes seleccionados vigiavam os outros; no Sinóptico os habitantes locais vigiam os globais.

Estas concepções acima expostas levam à intolerância.Bauman tenta explicar as causas da intolerância:

…a uniformidade alimenta a conformidade e a outra face da conformidade é a intolerância. Numa localidade homogénea é extremamente difícil adquirir as qualidades de carácter e habilidades necessárias para lidar com a diferença humana e situações de incerteza; e na ausência dessas habilidades e qualidades é facílimo temer o outro, simplesmente por ser outro – talvez bizarro e diferente, mas primeiro e sobretudo não familiar, não imediatamente compreensível, não inteiramente sondado, imprevisível” Página 55

DEPOIS DA NAÇÃO ESTADO, O QUÊ?

No capítulo 3 é descrita a nova divisão entre Estado e economia. Tudo isso é relacionado, com exemplos, com as deslocalizações de empresas da Europa, para a Ásia. E é relacionado com um sentimento difuso, mas real de que “tudo está a fugir ao controlo”.

(1) Fugindo ao controlo é a tradução da palavra (2) Globalização. E Bauman questiona se deveremos ser Globalizados ou Universalizados.

Define o que era Ordem (antes) e um Estado dotado dela:

...”ordenar um sector do mundo passou a significar:estabelecer um estado dotado de soberania para fazer exactamente isso. (Define a concepção de Max Weber como o Estado sendo o agente que tem o monopólio dos meios de coerção…)

Mas explica que, com a actual morte ou tendencial morte do Estado soberano, despido de muitas das suas “capacidades” de impor ordem dentro do seu espaço, isso – paradoxalmente – gerou Estados que tentam desistir dos seus direitos soberanos, mas de forma não forçada.

  • Pretendem que a sua soberania seja dissolvida em entidades supra estatais( Exemplo, UE).
  • Existem estados ou etnias que já estavam esquecidas e que pretendem passar a ser um Estado.
  • Novas e velhas nações que escaparam a dependência da URSS, e após escaparem resolveram dissolver a sua independência na Nato e na UE.

Paradoxalmente, foi a morte da soberania do Estado, não o seu triunfo, que tornou tão popular a ideia de condição estatal.

Tal leva a situação em que o “Estado é o novo expropriado”.

Página 73 “…A globalização nada mais é que a extensão totalitária de sua lógica a todos os aspectos da vida”. Os estados não tem recursos suficientes nem liberdade de manobra para suportar a pressão – pela simples razão de que “alguns minutos” bastam para que empresas e até estados entrem em colapso”.

Bauman defende que no futuro, (Este livro foi escrito em 1998/99) irão existir cada vez mais Estados e cada vez mais fracos; (Exemplo:Kosovo) isto é, irá existir uma tendência para a existência de territórios ou populações que quererão a independência e o capital extra territorial não está contra essa tendência.

Todos tem interesses adquiridos nos Estados que são fracos, precisamente pelo facto de estes ao serem fracos poderem proporcionar irrestrita liberdade de movimento.

Pagina 75/76 – “Abrir de par em par os portões e abandonar qualquer ideia política económica autónoma é a condição preliminar, dócilmente obedecida, para receber assistência económica dos bancos mundiais e fundos monetários internacionais.

Na parte do capítulo, chamada “a hierarquia global da mobilidade” Bauman avança para a teorização segundo a qual uma ideia de substituição de Estados Fracos por entidades legislativas globais (Exemplo: ONU, UE) será algo de mau, para o poder económico.

A fragmentação política e a globalização económica são nesta acepção “aliados”.

O que gera uma “nova hierarquia sociocultural à escala planetária” – página 78 – conceito de “Glocalização”

Bauman fala dos meios de comunicação mundiais e de como a maior parte dos pobres não tem a eles acesso e de como – também – estes meios divulgam a existência de pobres num local (a Ásia, por exemplo) mas também divulgam a existência de crescimentos económicos brutais nesses locais.

É criada uma ideia de que

(SÓ A) Pobreza = a fome ( página 81)

Mas os outros aspectos complexos da pobreza são “abafados” . (péssimas condições de vida, analfabetismo, agressão, famílias destruídas, coesão social destruída ou enfraquecida)

TURISTAS E VAGABUNDOS

É um capítulo dedicado ao movimento e à noção de que hoje em dia todos estamos em movimento. Quer quando estamos fisicamente parados, quer não.

E Bauman define o que é ser consumidor numa sociedade de consumo, mas estando em movimento como esta o é.

Em como o que actualmente se pede, (1) não são exércitos de cidadãos que são produtores de bens, como numa sociedade industrial do século 19, (2) mas sim cidadãos consumidores, mas consumidores de um tipo muito especial.

O que realmente conta é apenas a volatilidade, a temporalidade interna de todos os compromissos,; isso conta mais que o próprio compromisso…”

A lógica que está por detrás é:

  1. Sente-se mal?
  2. Então, consuma qualquer coisa.
  3. Será aliviado do seu mal estar, se consumir.

É um consumidor sempre avido de novas sensações, mas enfastiado com elas mal as obtém – uma pessoa/consumidor em movimento.

(Nota. o que ajuda a explicar o sucesso da pornografia, entre muitos outros exemplos…)

Movemo-nos divididos significa que:estamos a viver num mar aberto, sem sinalização que nos indique o caminho.

Ou (1) nos alegramos com isso, ou (2) morremos de medo. A terceira opção; escolher um (3) porto seguro, não existe. Caso escolhamos um porto seguro, alguém aparece e o vai modernizar…

As duas primeiras opções não são escolhas livres.. podem ser escolhas livres ou podem ser impostas.

Página 94 – …Todo o mundo pode ser lançado na moda do consumo;todo o mundo pode desejar ser um consumidor e aproveitar as oportunidades que esse modo de vida oferece. Mas nem todo o mundo pode ser um consumidor…”

Bauman dá dois exemplos extremos disto:

  • o turista
  • o vagabundo

– O turista é um privilegiado especial que conquistou o prémio da mobilidade. O turista apenas tem a frustração de pensar que pelo facto de estar agora, aqui, neste lugar, não pode estar ou noutro lugar outro lado. O turista vive “ansioso” pela nova experiência.

  • Mas movimenta-se porque quer, como quer e quando quer.

– O vagabundo é o alter ego negativo do turista. É um consumidor frustrado. Apenas se movimenta porque é empurrado pela necessidade de experiência. E mesmo assim tem severas restrições. Os seus sonhos são apenas um emprego qualquer, uma tarefa humilhante para os turistas.

Pareceu-me que Bauman cria uma metáfora aqui, designando por turistas as pessoas com extrema mobilidade, e por vagabundos e não em sentido depreciativo, 80% dos cidadãos.

Como parece que isto é a pós modernidade – no actual contexto histórico – Bauman explica que isto apenas vai criar cada vez mais exclusão social.

Para combater a exclusão social surge a “mensagem mitológica”:

– Novas exigências e qualificações no mundo do trabalho.

Que por sua vez geram outra “mensagem mitológica” que dá como resultado:

– a estrutura educativa não consegue acompanhar a constante mudança no que se quer, relativamente ao emprego o que por sua vez gera – mais desemprego.

Existe a condição de pós modernidade, mas a exclusão total dessa condição – carimbo aplicado a inúmeras partes da população – gera uma sub classe. Indivíduos que estão fora e dentro, não conseguindo vincular-se as estruturas de comunicação, e informação, nem como produtores, consumidores ou utilizadores.

E as estruturas e “mensagens mitológicas” não resolvem o problema…

LEI GLOBAL, ORDENS LOCAIS

No último capitulo, Bauman pega em Pierre Bordieu, e na reacção visceral que este teve em 1996, quando viajava de avião ao ler as palavras do governador do banco central alemão…que disse qualquer coisa como:

“o que está em jogo hoje em dia é criar condições de confiança para os investidores”.

(o resto que se lixe,acrescento eu…e como se pode ver o resto em 2008 é “A crise financeira americana- as razões”)

Onde foram criadas “condições “de confiança para os investidores e estes rebentaram com a economia mundial”

E chega à ideia do que se quer que o Estado seja – uma unidade a duas dimensões – um Estado social Bifurcado.

Uma bifurcação:

– Estado social que prevê garantias mínimas de segurança para a classe média;

Outra bifurcação:

– Um Estado cada vez mais repressivo que ataca os efeitos cada vez mais violentos sobre e da população que esteja em condições mais precárias.

O que origina a ideia de Estado social Bifurcado é o seguinte “discurso neo liberal” – O mercado de trabalho é rígido, tem que ser flexível, dócil, maleável, fácil de moldar – transformado em variável económica:

Mas esta ideia de agilização do mercado esconde uma natureza de poder e de relação social.

O que leva à condição de assimetria, entre o lado que é alvo da condição de flexível, que não tem nenhumas opções de movimentação – está “parado” na sociedade” e o outro que decide mover-se quando e como quer.

Na parte do capítulo chamado “Fábricas de imobilidade; Bauman desconstrói o estudo citado por Bourdieu sobre as prisões da Califórnia.

Ideias base:

– A soma do dinheiro dedicado às construções e manutenção de prisões é maior nesse estado do que a soma do dinheiro destinado a todas as instituições do ensino superior.

– A prisão é usada como forma de confinamento espacial- panóptico.

O método é: o isolamento dos presos. Físico e psicológico.

A ideia é criar uma lógica social, segundo a qual, os actos que não são crimes, mas são (1) indesejados ou (2) vivem na ambiguidade dos comportamentos são equiparados a crimes. (por exemplo, o que ocupa casas vazias ser preso, ou o homossexual estar ano limite de banimento, como sentimentos “divulgados”, segundo esta lógica aqui descrita).

Daí ser “necessário” uma lógica de isolamento – isto e – de afastamento psicológico da parte do cidadão que detesta (ou julga que detesta) os actos ambíguos que não são crimes, mas que, incomodando-o, este deseja que o Estado os puna e prenda pessoas mandando fora a chave. Afastando as pessoas fisicamente e psicologicamente.

O poder económico vê nisto uma oportunidade, para capitalizar e atemorizar ainda mais a generalidade da população; quer os que são presos quer os que não estão.

Bauman avança para o terreno do concreto e oferece o exemplo da prisão americana de Pelican Bay, totalmente automatizada, e onde cada preso não tem contacto com os outros, e pouco com os guardas. Existe a dimensão de (1) panóptico, misturada com a dimensão de (2) eficiência empresarial. Que depois é utilizada como “argumento de venda” através da palavra “Produtividade”.

Notas: o panóptico inicial visava disciplinar pelo trabalho. Eram “fábricas de trabalho disciplinado”. – Página 117.

Notas: já o “Sinóptico” actual é o seguinte:

Página 119 – Outrora ansioso em absorver quantidades de trabalho cada vez maiores, o capital hoje reage com nervosismo às notícias de que o desemprego está diminuindo;através dos plenipotenciários do mercado de acções, ele premeia as empresas que demitem e reduzem os postos de trabalho.

Nessas condições, o confinamento não é nem escola para o emprego nem um método alternativo compulsório de aumentar as fileiras de mão de obra produtiva quando falham os métodos “voluntários” comuns e preferidos para levar à órbita industrial aquelas categorias particularmente rebeldes…

Nas actuais circunstâncias, o confinamento é antes uma alternativa ao emprego, uma maneira de utilizar ou neutralizar uma parcela considerável da população que não é necessária à produção e para a qual não há trabalho”ao qual se reintegrar…”

Na parte do capítulo chamada “Prisões na idade da pós correcção” são analisados os problemas em que na maior parte dos países os orçamentos prisionais aumentam e o número de novas prisões é construído.

Bauman conclui que isto é uma política estatal/ideológica definida, mas também porque o que é agora considerado como sendo “males” foi reclassificado – gerou o aumento do número de coisas consideradas como sendo “males” – e logo gerando mais pessoas passíveis de “serem presas”

(Em Portugal isto manifesta-se de forma diferente; aqui o que aumenta são as coimas e o tipo de coisas antes não abrangido pelas coimas e agora já abrangido…)

Isso gera aumentos de tensão social e a ideia de “retirada para um porto seguro (que não existe) o que, por sua vez gera mais tensão…

Na parte do capítulo chamado “Segurança:meio palpável, fim ilusório”, Bauamn afirma que reduzir a questão da segurança apenas à questão da segurança pessoal tem vantagens políticas.

Página 127 – “…O efeito geral é a autopropulsão do medo.

Página 130 “…Que por sua vez aguça ainda mais a figura ambígua e imprevisível do estranho…”

E o culminar disto é a parte do capítulo chamada “o fora da ordem”

Página 131 –” …Hoje sabemos, escreve Thomas Mathiesen”, que o sistema penal ataca a base e não o topo da sociedade…

Quem conseguiu chegar aqui e ainda está vivo, parabéns…

CENARIOS E TENDÊNCIAS PARA OS PRÓXIMOS 20 ANOS -7

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A LISTAGEM COMPLETA DOS ARTIGOS ENCONTRA-SE NA PÁGINA DA BARRA LATERAL CHAMADA Z-CENÁRIOS

SUPER TENDÊNCIAS PARA OS PRÓXIMOS 20 ANOS

MICRO ANÁLISE SOCIAL E ECONÓMICA.

Processo de longo termo analisando os processos em espectro largo e de grandes tendências, ao nível social, e económico a nível mundial.

A intensidade do impacto e o que causa transformações multi dimensionais nas sociedades.

1. Mudanças no trabalho e como este é feito.

  • avanço geral na automação de tarefas.
  • Da tendência para a automação de tarefas apenas nos processos intensivos repetitivos, para a automação nos serviços.
  • Tendência para práticas de trabalho altamente flexíveis (em qualquer altura, em qualquer lugar),
  • Estruturas de trabalho flexíveis e tendencialmente interactivas entre si.

De uma realidade que existe – a automação de tarefas, como por exemplo nas fábricas de montagem de automóveis em que grande parte do trabalho é desempenhado por estruturas computorizadas, apenas vocacionadas para o trabalho intensivo, a automação irá estender-se para outras áreas.

Problemas:

– Aumento do desemprego, alienação social do consumidor, desconectação entre o consumidor e a empresa que lhe presta o serviço – tornando impossível ao consumidor perceber com quem é que está contactar ; se uma máquina, ou uma empresa de carne e osso.

– Problemas ao longo da linha de contactos do consumidor/cidadão com as empresas que lhe prestam serviços. Necessidade a dada altura de “atendimento humano”, derivado das falhas dos “serviços” automatizados.

As práticas de trabalho altamente flexíveis poderão causar problemas e uma total falta de coesão numa sociedade, em que milhões de indivíduos estão “fora” de contacto uns com os outros e com as estruturas cívicas democráticas de um dado país.

As estruturas de trabalho terão tendência a serem interactivas, criando uma aparente flexibilidade e permanente ajustamento ás demandas do mercado, gerando trabalhadores que apenas vivem para o presente, sem estruturas de controlo aparente, nem rígidas hierarquias.

Problemas:

– Chamar-se ao desaparecimento da hierarquia, “liberdade”

– As pessoas começarem as comportar-se dessa maneira nas suas relações físicas e sociais, sempre em permanente fluidez de relacionamentos, sem “algo” de durável nas suas vidas, levando em última análise para a ideia social de um homem autómato,

– O deslize económico -social para a ditadura não oficial, plasmada num “cidadão padrão” – o que é aceitável, sendo visto como o ” cidadão padrão ” que obtém o emprego porque aceita o controlo não rígido que estas estruturas não hierárquicas originam

– A tendência para a criação ou aumento da vídeo vigilância, dos sensores de nano tecnologias, dos chips cutâneos, como forma de monitorização laboral das tarefas dos trabalhadores descentralizados.

– A segmentação social como prática anti democrática “aceitável”

– O ataque a estruturas como os sindicatos, ou grupos informais de trabalhadores; não possuindo estruturas organizadas entre si, a psicologia destas práticas de trabalho elimina teoricamente a necessidade de estruturas do tipo sindicato.

– o desemprego camuflado de “flexibilidade momentânea parada da produção do trabalho”

– Estruturas de trabalho que interagem entre si, em países e áreas diferentes dentro da mesma empresa ou grupos de empresas. Países ou zonas que não consigam criar “núcleos de empresas” terão problemas massivos de criação de emprego, o que originará a tendência para a imigração, dessas populações – ou migrações internas e instabilidade social/económica daí derivada.

  • Exemplo de desestruturação hierárquica ao nível da grande empresa:

Nenhuma sede social, mas 20 sedes (ou 10 ou 30 espalhadas pelo planeta).

A “força estratégica” das 20 sedes ( ou 10 ou 30) variará consoante os produtos serviços que criarem/fabricarem e o seu sucesso.

Problemas para pequenos países:

Não tem força para determinar quais os 20 (ou 10 ou 30) centros de produção/criação interessam atrair, incapacidade negocial ao nível da atracção de projectos de investimento.

Problemas jurídicos de responsabilização a “nível central”

Os países são vistos com países “porta-giratória”.

Questão: quem não conseguir ser porta giratória, será o quê?

Questão: como conseguir fixar quadros técnicos de qualidade superior, num cenário como este num país que não é porta giratória?

Questão: o remanescente populacional fica em que situação?

2. Novos padrões de consumo emergem

O terceiro mundo entra no jogo. Foi-lhe destinado ser a base da Piramide.

10 países porta giratória perfilam-se no horizonte: China, índia, Brasil, Rússia, México, Coreia do Sul, Indonésia, África do sul, Tailândia. 3.1 Biliões de pessoas.

Este terceiro mundo participa no crescimento económico. Tendência , para que,devido á sua enorme população, lhe seja atribuido o papel de base da piramide.

Problemas:

Porque é que a base da pirâmide aceitará ser a base da pirâmide?

A base da pirâmide produz o que o tendencial topo consome, criação de um dilema estratégico assente na necessidade de criar incentivos à manutenção do status quo da base da pirâmide. Através de guerras?

Os países topo da pirâmide são: EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Espanha, Canada, Austrália, Holanda.

A colocação destes países como portas giratórias permitirá fazer “girar” a colocação de bens e serviços para os outros países industrializados.

Problemas:

– os países mais pequenos ou com menor força económica, industrializados, pagarão uma taxa oculta de acesso, a estes bens ou serviços, aos países porta giratória.

– Pagarão uma outra taxa de porta giratória, se contactarem com os países porta giratória da base da pirâmide.

– Acentuação da periferia dos mais periféricos em relação aos menos periféricos, ataques à democracia como conceito nessas zonas

-Tendência para o “acordo por detrás” entre os responsáveis dos países periféricos e os países porta giratória da zona industrializada para a aceitação nessas áreas de modelos não democráticos de sociedade – embora paralelamente, os países porta giratória industrializados continuem a fornecer bens e serviços.

– Respostas da políticas nulas como reacção a situações destas, democracia como fachada.

O luxo em países da base da pirâmide – China, índia, Turquia, Brasil,Rússia cria o seu próprio mercado. Tendência para o aumento das desigualdades sociais nessas áreas combatidas com restrição aos direitos civis e políticos.

Tendência no Oeste (segmentado e diferenciado entre quem é país porta giratória e quem não é) para três tendências:

  1. Estilos de vida sustentáveis (LOHAs)
  2. Eco chic
  3. Comércio justo e moral

Problemas:

– Conseguir convencer as pessoas dos países “não porta giratória” a aceitarem estilos de vida que serão quase insustentáveis?

Continua

Written by dissidentex

30/07/2008 at 22:20

PORTUGAL E O FUTURO. DIVISÃO EM ZONAS.

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MAPA DE PORTUGAL "GLOBALIZADO". CLICAR IMAGEM PARA VISÃO "GLOBAL"

MAPA DE PORTUGAL "GLOBALIZADO". CLICAR IMAGEM PARA VISÃO "GLOBAL"

Quando um ministro… ou melhor, alguém que chegou ao cargo por troca de favores e conhecimentos, disse, há uns meses atrás, que a margem Sul era um deserto onde não existia nada, lembrei-me de fazer uma coisinha destas.

Agora encontrei-a. Paralelamente inseri mais algumas “opiniões” acerca do que era a “ideia” de Portugal que se estava e está a trabalhar para “vir a acontecer”.

Um país inclinado para o mar, totalmente desequilibrado economicamente. E desequilibrado, também.

Depois lembrei-me de legendar certas partes, e dividir o país em bantustões ou zonas – numa hipotética ideia do que seria cada zona e do que a cada uma delas seria atribuído, como “especialização económica/social”, num futuro próximo.

Infelizmente a realidade não me está desmentir. A nada ser feito caminharemos para uma situação relativamente “parecida” a esta. O Estado português, isto é, o governo português, isto é, o grosso dos interesses económicos que se concentram por detrás doe Estado Português, isto é, os oportunistas que andaram a dizer ás pessoas que elas deveriam estudar uma série de coisas em “profissões duras” com conhecimentos duros, porque daí viriam empregos bem qualificados, concentra afinal os seus esforços na criação de empregos bem remunerados no estrangeiro.

JORNAL PÚBLICO DE 28-07-2008- NOTÍCIA ACERCA DA PEDINCHICE TURÍSTICA.OU COMOS E TRANSFORMA UM PAÍS NUM CASINO TURÍSTICO

Para que portugueses pertencentes a esta “elite”, presume-se, possam “vender” Portugal como um paraíso turístico especial.

Do qual, supostamente, todos nós vamos viver e comer…para quê ensinar Filosofia ou História, nas escolas?

Para quê, exigência de qualidade em estudos que se façam no secundário se vamos todos fazer serviços ligados ao turismo e actividades adjacentes?

Empregados de mesa de bares e restaurantes e Caddies de golfe, não precisam de estudos elevados, nem de uma coisa tão simples como a noção de “fazer carreira na profissão que escolheram”…

JORNAL PÚBLICO DE 28-07-2008- NOTÍCIA ACERCA DA PEDINCHICE TURÍSTICA. Clicar imagem…

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29/07/2008 at 7:08

CENÁRIOS E TENDÊNCIAS PARA OS PRÓXIMOS 20 ANOS – 6

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SUPER TENDÊNCIAS PARA OS PRÓXIMOS 20 ANOS

MICRO ANÁLISE SOCIAL E ECONÓMICA.

Processo de longo termo analisando os processos em espectro largo e de grandes tendências, ao nível social, e económico a nível mundial.

A LISTAGEM COMPLETA DOS ARTIGOS ENCONTRA-SE NA PÁGINA DA BARRA LATERAL CHAMADA “Z- CENÁRIOS”

1. Os negócios vistos como um ecossistema de empresas.

  • conjuntos de empresas todas juntas, quer geograficamente, quer na atitude de negócio – cooperando e competindo ao mesmo tempo.
  • Sistemas abertos e redes de sistemas abertos.
  • Os limites das industrias, mercados e negócios deixam de ser rígidos, tendência de dissolução de uns nos outros.
  • Tendência para a criação de novas cadeias de acrescento de valor ao produto.
  • Integração do consumidor e “coopetição” entre empresas, interagindo com o consumidor.
  • Agregação de negócios( Mashups): novos interfaces negociais originam novas formas de negócios.

A) Tendência para a agregação de empresas, mesmo que sejam competidoras na mesma área de negócios, ou área geográfica; cooperam ao mesmo tempo em areas de interesse especifico para obterem sinergias ao nível de custos.

Problemas:

– Uma região ou país é colocada perante uma pressão incrível. Não mais existe uma fábrica ou duas de áreas de produção/serviços dispersas;a tendência será para que grupos de empresas se movam como bandos de gafanhotos para uma dada área. A pressão é colocada sobre a área/país no sentido de proporcionar “melhores condições” (isto é, subsídios brutais+trabalhadores especializados) visando manter estas empresas naquela area.

– Uma região ou país é pressionada a ter todo um conjunto de “técnicos, operários, trabalhadores de todas as espécies” necessárias para acomodar todo um grupo de empresas que por razões de matérias primas (acesso às mesmas) ou outras ali ficaram. É desta lógica que parcialmente deriva o nome de clusters.

– Problemas para regiões ou países que não não sabem como formar a sua mão de obra, porque não sabem quem vem ou como atrair o que interessa.

– Problemas de formação de monopólios naturais, mas apenas para os habitantes dessa área/país.

B) sistemas abertos e padrões abertos, quer nos materiais (software) usados por todas estas empresas, quer no desenvolvimento de padrões futuros a usar.

B1) Redes abertas para – através de um padrão comum a todos – as empresas poderem coopetizar ( cooperar + competir).

Razão: com padrões diferentes utilizados por cada um é impossível existir cooperação e competição ao mesmo tempo. A ” batalha estratégica” ” das empresas está em ver quem impõe o seu padrão como “standard” que todos virão a usar.

Sub Razão adicional: futuros padrões a usar deverão ser copiados tecnologicamente dos antigos. O dono(s)/inventor(es) do padrão tem mais facilidade (detentor do sistema) em conseguir fazer com que futuros padrões de outras invenções sejam os seus.

A “rede aberta”possibilita, também , o aumento do número de utilizadores/consumidores. O padrão é o mesmo para todos.

Problemas:

ameaças sérias à privacidade dos indivíduos. Ex: um sistema que proponha que um utilizador de software informático na Internet tenha – (1) para sua comodidade e (2) comodidade dos serviços/ empresas que usa , uma unica senha de acesso a várias contas em que se tenha registado. A interoperabilidade da senha por vários sistemas diferentes, centraliza a informação.

Esta é depois disponibilizada por várias companhias que oferecem os serviços que o utilizador usa. Nada impede que as companhias forneçam a senha única a governos ou entidades privadas, ou por (a) ameaça legal, (b) ou por favor, (c) ou por venda a dinheiro.

Adicional: Nada impede que estas – analisando os padrões de uso do consumidor/utilizador – não façam estudos demográficos de mercado para “orientar” os gostos do consumidor – de forma subliminar – forçar, parecendo ser o consumidor a querer fazê-lo, a adquirir algo ou comportar-se de alguma maneira comercialmente mais atraente para estas empreas.

Adicional 2: Nada impede que estas empresas não forneçam os dados de consumo/gostos (informação agregada em bases de dados interoperáveis com sistemas dos serviços de segurança de um país ou países) a um Estado ou conjunto de estados para “verificação”.

Adicional 3: os dados podem ser usados como uma forma subtil de controlo do cidadão, condicionando-o na sua vida cívica, impedindo -o de intervir ( porque os seus dados/informação ) estão como uma espada sobre a sua cabeça ( contra si podem ser usados, quando “necessário”).

C) as industrias/serviços deixarão de ter “uma característica ” definida. Serão misturados” uns nos outros. A mesma fábrica ou unidade de produção terá capacidade para fazer coisas dispares entre si. Atrás desta dissolução, o próprio mercado será algo de difuso, com produtos incorporando muitas características de outros produtos.

Problemas:

– Preços de produtos cada vez mais difíceis de definir na cabeça do consumidor em termos de análise custo benefício. Limitação disfarçada da liberdade de escolha.

D) o produto será acrescentado de cadeias de valor. O produto terá que – sucessivamente – acrescentar valor para quem o compra. A tendência será para a não importância do simples acrescento valor. Ex: telemóveis, que tem uma função primária: falar-se e receber chamadas mas que tem tem neste momento incorporadas 300 novas funcionalidades – quase todas inúteis.

É a cadeia de valor do produto, a capacidade que a empresa que o produz tem de acrescentar tudo isso ao produto, marketizar e convencer o mercado que pelo facto de vender um produto ao qual foi capaz de incorporar mais 300 novas funcionalidades; isso representa inovação e futuro.

  • A nova ideia será acrescentar a uma cadeia de valor que já tem 300 funcionalidades;
  • novas cadeias de valor paralelas a cadeia de valor original;
  • já não se tratará de um produto com objectivos de aumento da cadeia de valor existente;
  • mas da criação dos conceitos de várias cadeias distinta de valor dentro do mesmo produto.

E) o consumidor visto com parte integrante da produção /conceito do produto.

O consumidor – será chamado a “opinar” sobre o produto. A ideia é ajustar o mais possível o produto ao consumidor e chegar a uma situação em que cada consumidor terá um produto totalmente adequado a si.

Problemas:

– Para o consumidor isto significa que ele está trabalhar gratuitamente para fazer um produto/serviço pelo qual, depois ainda o vai pagar. Paga duas vezes o mesmo produto.

– Apesar das ideias de costumização à medida como um alfaiate o faz, as técnicas de produção são as mesmas em todo o lado. O produto saíra assim mais pobre mesmo que costumizado à medida porque a técnica de produção á mesma. Ex: os actuais carros que tem todos as mesmas linha aerodinâmicas, porque foram todos testados em túneis de vento que todos os construtores possuem.

Mesmo que exista custumização, existirão características idênticas para todos os veículos.

– A tendência poderá ser para a existência de produtos diferentes, mas iguais, mesmo que customizados, levando a enviesamentos da criatividade ao nível do consumo de massas.

F) Os negócios terão tendência a serem agregados sob a forma de mashups, seguindo no entanto as adaptações próprias aos ramos de negócios em que se situam. Sendo o mashup um sitio Internet que usa/coloca conteúdo proveniente de mais do que uma fonte( de códigos diferentes que se interligam/interoperam entre si), a junçãoid e tudo permite criar uma serviço parecendo novo e tendo as características de “serviço completo”.

É assim possível combinar dados numa só página, provenientes de diferentes e mais dispares fontes.

Nos negócios, tal será provavelmente feito com a agregação de diferentes formatos de produtos a serem vendidos de forma interoperável.Ex teórico: Consolas de jogos fabricadas por diferentes fabricantes mas em que a interoperabilidade entre todos é total. Ex:teórico: motores de automóvel que passam a ser fabricados em séries interoperáveis entre si, mesmo que feitos por duas dúzias de fabricantes – o mini mashup actual que existe nesta área é o mesmo fabricante construir um motor que é idêntico para três ou quatro dos seus carros.

A lógica que disto deriva será a oferta de serviços cheios de software ou conceitos comuns a várias marcas/ empresas e não o produto por si só. Isto origina uma mudança por exemplo ao nível do marketing necessário para vender o produto. Já não um marketing focalizado nas características do produto, mas nos serviços que o produto pode render a quem o adquire.

Problemas:

– O consumidor será cada vez mais iludido e enganado com o que adquire, e verificará, crescentemente, que adquiriu imensas funcionalidades que não queria.

– Encarecimento artificial do produto/serviço que se adquire. Ex: os actuais serviços de Internet em Portugal. Desejando o consumidor um acesso simples à Internet, é-lhe oferecido uma vasta panóplia de serviços, e agregações de serviços. Que servem para justificar o maior preço que paga, e justificam a agregação, do ponto de vista do produtor, de inúmeros serviços, que lhe permitem ganhar economia de escala e maximizar lucros, mas oneram o consumidor e baralham a percepção geral do mercado.

– Confusão geral de conceitos relativamente ao produto/serviço que se adquire, afastamento entre os consumidores que entendem algo do que compram por oposição a uma cada vez maior quantidade de consumidores que nada entendem do que compram – fosso entre gerações possível e amplificado por estas características técnicas

– Ataques à democracia – ideia de contrato social entre gerações – atacados pela “distância” “tecnológica” existente entre quem domina o saber/conhecimento e quem não domina – amplificado pela distorção demográfica entre uma minoria de mais jovens, quase iliterados em tudo excepto em tecnologia e uma grande maioria menos iliterada em interacções sociais, mas colocada fora do jogo tecnológico. Tensões sociais. Afastamento geracional. Tensões entre novos e velhos.

Continua

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22/07/2008 at 10:22

CENÁRIOS E TENDÊNCIAS PARA OS PRÓXIMOS 20 ANOS – 5

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PARTE 5

A LISTAGEM COMPLETA DOS ARTIGOS ENCONTRA-SE NA PÁGINA DA BARRA LATERAL CHAMADA Z-CENÁRIOS

SUPER TENDÊNCIAS PARA OS PRÓXIMOS 20 ANOS

MICRO ANÁLISE SOCIAL E ECONÓMICA.

Processo de longo termo analisando os processos em espectro largo e de grandes tendências, ao nível social, e económico a nível mundial.

1. Teoria da Globalização 2.0 – uma globalização intensificada de novo tipo.

Caracteriza-se por:

  • Mudança do palco da globalização para a Ásia e tudo o que isso implica.
  • Estratégias globais – de países ou empresas – feitas e desenhadas à medida para as regiões ou países onde irão ser aplicadas.
  • Ideia da emergência de uma classe média global.
  • Os capitais tornam-se globalizados.

Critica/Problemas:

– Com esta tendência a verificar-se tal seria assumir-se de facto, uma completa intensificação e ainda maior abertura dos países ocidentais á China/Ásia. Originando a completa assimilação da ideia de que a China/Ásia seriam as zonas/os produtores industriais do resto do planeta – uma perigosa dependência para o resto do mundo.

– Desenvolvimento de estratégias globais (na sua aplicação/execução) quer de países quer de empresas, visando criar dependências comerciais / políticas / militares, (para criarem novos estados clientes para si próprios) no lançamento e prossecução de projectos de cooperação/competição entre si.

Dois exemplos:

A) o projecto militar do caça de combate PAK desenvolvido entre a Índia – Rússia – Brasil.

B) as cooperações entre empresas de topo, mesmo que sejam concorrentes entre si – na feitura de estudos de mercado que analisam as reacções dos consumidores à publicidade e às marcas. As empresas pagam em conjunto os estudos e escolhem a metodologia que os orienta.

Mas depois, usam por sua própria conta e objectivos, os resultados – adicionalmente podem apenas optar por pagar uma parte do estudo, para a obtenção da informação que lhes interessa e sair do pagamento da parte que não lhes interessa.

São competidores que cooperam em áreas especificas de interesse mutuo. E competem em tudo o resto. Uma possível explicação para os aparentemente iguais produtos e técnicas de marketing que surgem que quase não se distinguem umas das outras.

– Ideia da emergência de uma classe média global derivada da padronização dos gostos a nível mundial. A publicidade e a velocidade das comunicações aliada a uma língua franca (o inglês) possibilitarão tal. Contudo, apenas será uma ideia conceptual benéfica para as empresas – o investimento que circula – precisamente por lhes permitir vender e organizar as suas economias de escala, quer na produção, quer no marketing, de uma forma unificada a nível global.

Ex:campanhas de publicidade “iguais”feitas a nível mundial.

Do ponto de vista da massificação da democracia, nada virá desta concepção. Existirá a possibilidade de esta ser ainda mais atacada por via da diluição das pequenas especificidades culturais ou usos locais precisamente por causa destes fenómenos.

Tendência de a classe média global apenas o ser considerada no protótipo de “consumidor” em qualquer parte do mundo, mas já não na parte cívica/democrata.

Ex: Uma adolescente malaia poderá usar Gant ou Ralph Lauren, mas a Malásia não deixará de ser uma ditadura muçulmana high tech; tal qual uma adolescente espanhola ou italiana, que também usarão as mesmas marcas, mas o regime apesar de tudo é mais democrático do que o malaio ou outro semelhante com a mesma religião ou não.

Tendência para o vencedor ser a “Corporação global” ou a marca Global, não o sistema de pensamento autónomo ou a democracia como sistema implantado em todo o mundo.

– A ideia de globalização de capitais mais definida. Já existe e deriva das progressivas eliminações de restrições à sua circulação. Existem aqui duas opções mundiais estratégicas.

  • ou se globalizam mais fazendo mais estragos do que actualmente fazem;
  • ou serão tenuemente restringidos.

Estamos no impasse do meio da balança pender para os dois lados – um dos dois lados. E qual será o lado.

Positivo:

– A ideia de emergência de uma classe média global, se essa emergência servir para desenvolver a criação de um poder planetário nas mãos desta classe.

– ideia de emergência de uma classe média global que consiga comunicar entre si, de forma a, globalmente, conseguir exercer o seu poder.

2. Economia baseada no conhecimento – a formação continua das pessoas ao longo da vida.

  • Ideia de que “apenas” a educação e aprendizagem serão a base da nova economia.
  • A inovação constante de produtos e serviços é que serão a chave da futura competitividade.
  • Surgimento de uma nova classe – uma elite global reduzida baseada no conhecimento que tem- a classe criativa.

Problemas:

A) Geração de uma tremenda pressão social e económica no Ocidente e nos países de nível semelhante ao Ocidente (Ex:Japão). Partes da população, pela adopção plena desta tendência serão excluídas do mercado de trabalho e serão socialmente excluídas da sociedade. Um efeito colateral e perturbador que ataca a democracia como conceito e sistema de organização social, mas não só. Um sistema totalitário terá o mesmo problema, confrontado com idêntica situação.

B) Geração de uma pressão tremenda sobre os recursos educativos/de conhecimento de um país. Qualquer país – um numero cada vez maior de países – estará a competir com outros países igualmente fortes nessas áreas de conhecimento. A tendência será para que pequenos países( Ex: Portugal) “percam”/possam perder duplamente:

B1) ou não acompanham por si só, na área tecnológica respectiva em que se especializaram os países que os ameaçam ultrapassar por falta de escala/tamanho e capacidade de formar recursos humanos de forma sistemática e consecutiva – o país conseguir sempre formar geração após geração novos e melhores recursos humanos;

B2) Ou são afastados “administrativamente” de certas áreas tecnológicas mediante a aceitação de limitações comerciais ao desenvolvimento de certas industrias/serviços.

C) Se a inovação e os produtos são a chave da nova competitividade só quem possui uma população com altos níveis de especialização e constante formação de topo ao alongo das gerações, é que consegue “competir”. Quem não está nestas c0ndições “afasta” do bem estar e da possibilidade de competir partes importantes (90%) da sua população.

Os efeitos sobre a democracia serão devastadores nessas áreas-países.

D) A emergência de uma nova classe- a elite do conhecimento global – pode vir a ser a maior ameaça à liberdade e à democracia que alguma vez condicionou a raça humana.

Apêndice D) Problemas.

Dada a natureza do actual conhecimento de topo, prático mas também (deste que aqui se define – tenta definir) – altamente tecnológico e “simbólico” baseando-se em abstracções conceptuais e teóricas de nível elevado que saltam fora dos tradicionais campos da Filosofia e da política (embora também a ela venham buscar elementos e teoria ), a capacidade deste tipo de conhecimento “correr livre” e tornar-se demagógico e totalitário é infinita.

Elementos agravantes: de ser muito difícil de contrariar devido à enorme diferença de força intelectual, entre o que está ao dispor desta nova elite e da sua rapidez – facilidade de agir em rede – e o resto da população( local ou mundial), muita da qual nem ideia tem destas concepções, nem destes movimentos.

A palavra “conhecimento” deve ser aplicada em duplo sentido: conhecimento = informação.

Aqui, conceptualmente, não se consegue sequer afirmar qual é o “poder” simbólico da nova emergente classe/elite global.

Se as suas potencialidades para a instauração de um mundo controlado arbitrariamente derivam mais do conhecimento avançado que tem, ou se esse conhecimento é antes informação trabalhada a um nível conceptual superior que lhes permite atingir supremacia.

Questão: Esta nova “emergência” de uma nova classe/elite chamada de “nova elite global classe criativa” é -o (se-lo-à) porque é dotada de conhecimento ou porque é dotada de informação de nível superior e sabe trabalhá-la?

Os “choques” entre o que esta classe observará como sendo “arcaísmos” e “velhas forma de pensar” dos actuais sistemas e o que ela defende e propõe serão elevados. Existirá assimetria entre as ideias de um lado e de outro:resta saber para onde cai a parte mais pequena da assimetria.

Continua

Written by dissidentex

15/07/2008 at 13:55

CENÁRIOS E TENDÊNCIAS PARA OS PRÓXIMOS 20 ANOS – 4

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PARTE 4

A LISTAGEM COMPLETA DOS ARTIGOS ENCONTRA-SE NA PÁGINA DA BARRA LATERAL CHAMADA Z-CENÁRIOS

SUPER TENDÊNCIAS PARA OS PRÓXIMOS 20 ANOS

MICRO ANÁLISE SOCIAL E ECONÓMICA.

Processo de longo termo analisando os processos em espectro largo e de grandes tendências, ao nível social, e económico a nível mundial.

1. Biologia como força da ciência que lidera a evolução – mais o conceito da junção de várias disciplinas (biologia ↔quimica).

A aprendizagem feita a partir da natureza. Objectivo: mimetizar a natureza. Reflectir-se em aplicações práticas.

Exemplos.

A) observação do voo dos pássaros (águias) para determinar o melhor padrão de voo em caças de combate e melhorar a aerodinâmica da construção/movimento das asas (o exemplo mais recente é o F22 americano que é o caça de combate que mais depressa e rápido curva no ar)

B) estudo dos gatos ( dos felinos) para desenvolver uma cura para a SIDA.

A observação de plantas e animais é a chave usando -se a biologia para isso. Possíveis curas para doenças ou problemas físicos serão procuradas através da replicação de formas de comportamento dos organismos que possam ser adaptáveis com êxito para os humanos.

Problemas:

  • A natureza é muito complexa.
  • Tendência a “atalhar” nesta procura para obviar aos enormes custos de investigação e desenvolvimento.
  • Produtos podem provocar malformações genéticas irreversíveis.
  • Serviços derivados que alterem profundamente o modo de organização social.

Biónica. O renascimento da Biónica, uma ideia muito em voga nos anos 70. Origem da ideia nos anos 40.

A biónica vista como uma “extensão” mecânica ou electrónica mais desenvolvida do que actualmente. Ideia futurista de criação de um órgão mecânico/electrónico ou ambos capaz de suprir e subtitituir um orgão humano. As aplicações primárias serão obviamente na medicina. Diferente do conceito actual de próteses que apenas são encaradas como meros auxiliares mecanicos.

Problema:

– Criação de industrias, quer civis quer militares, de produtos biónicos para a área militar. Criação de exércitos inteiramente biónicos. Possibilidade de evolução para um híbrido tecnológico a meio caminho entre o computador dotado da inteligência artificial e o “homem biónico”, capaz de compreender e raciocinar autonomamente, embora de formas ainda limitadas.

– Ditaduras que se poderão perpetuar nos seus espaços internos mesmo perante revoluções que congreguem a maior parte da população contra os ditadores – as tropas biónicas dotadas de suficiente inteligência mas reduzida autonomia intelectual consideram lógico servir o Estado totalitário.

– A complacência das democracias perante a biónica usada como arma acontecerá?.

Inteligência em “enxame (Swarm).

Um utilizador/cidadão funciona, já não hierarquicamente, horizontalmente/verticalmente ou em rede, mas em “enxame, o que é algo diferente de uma rede. Simultaneamente retira de outros o que precisa, e outros retiram dele o que dele precisam, numa lógica de partilha comunitária, mas individual.

Vantagens: o custo, a rapidez, a partilha, a interdependência democrática, liberdade de uso e fruição de informação e serviços, o acesso rápido à mesma em qualquer lugar do mundo, por qualquer pessoa que o possa fazer – interoperabilidade entre todos com todos e todos os serviços.

Desvantagens: ataca as estruturas de poder actuais, (ataca a democracia (e o totalitarismo) como sistema?) fortemente hierarquizadas e baseadas no poder de apenas de alguns (a elite política/económica?) sobre todos os outros, promove a exclusão de quem não domina no mínimo a técnica conceptual, tendência para o anarquismo virtual.

Outras notas: põe em causa profundamente quer os modelos totalitários actuais, quer os democráticos.

Outras notas: tendência a tornar-se esta “forma”, o paradigma da organização social. Os conhecimentos sociais, a interacção entre as pessoas processa-se baseada em graus de confiança que são determinados pelo “enxame” e já não pessoalmente ou por outros meios de comunicação/interacção.

Perigo: o enxame, ser (tornar-se) unificado a nível de pensamento; todos pensam da mesma maneira julgando que pensam todos diferente uns dos outros. Isolamento social da vida real na rua. Choques psicológicos entre camadas da população confrontadas com a “rua” vs mundo virtual do enxame. Mundo observado por meio de aparelhos electrónicos e ideias electrónicas.

Defesa: uma ditadura tem dificuldades em controlar um enxame, mesmo com um pensamento unificado por detrás. O enxame é criativo e tendencialmente anárquico não gostando de controlos.

2. A inteligencia vista com algo “omnipresente ” – existindo ou estando em todo o lado, acessivel. A inteligência como um fantasma sempre presente. (The ghost in the machine)

  • A integração da tecnologia- inteligência será o pós modelo (actual) de computador de secretaria.
  • O pós modelo actual será intensificado até ao infinito e marketizado como o futuro: apresenta-se aos nossos olhos como o computador portátil -uma versão melhorada do computador de secretária.
  • O paradigma será a (quando?) saída do actual sistema pós moderno- versão de entrada mais intensificada pela versão portátil

Métodos:

  • Em vez de se ir ao computador de secretária buscar informação qualquer produto/aparelho doméstico interagirá quer entre si, quer com o utilizador e fornecerá a informação.
  • Aparelhos caseiros interagirão entre si para medirem a biométrica do utilizador – os seus dados vitais.
  • A temperatura da casa e as horas a que deve ou não deve comer, e quais os alimentos a tomar serão geridos de forma omnipresente.
  • A iluminação será ajustada ao utilizador ou a grupos de utilizadores de um dado espaço.
  • Rápido avanço na investigação e desenvolvimento em “sistemas que sentem o seu meio ambiente”.

Ex: telefones que “sentem” a chamada para o utilizador e agem ligando para o telefone geograficamente mais próximo do utilizador.

Problemas:

  • Privacidade impossível estando dentro da “rede”/”enxame”.
  • Usos militares para suportar regimes (democráticos ou não) que exerçam estrito controlo sobre os seus cidadãos, vigiando-os mesmo em casa.
  • Possibilidade da guerra tecnológica de alta intensidade a que só alguns países-áreas terão acesso, colocando os outros em regime de instabilidade e “fora do sistema”.
  • Aumento das guerras de baixa intensidade em países fora do sistema tecnológico (Ex África)

Pode-se afirmar que:

A) a revolução nas tecnologias da informação continua(rá) (puxada por sistemas pós computador de mesa, por exemplo)

B) A inteligência omnipresente gerará “novos interfaces de comunicação (novas formas e símbolos visuais de se encarar algo ou algum gesto como… “comunicação”) e novas superfícies ( canais de distribuição, no léxico do marketing e da grande distribuição) onde se “jogam” interacções sociais, profissionais, sexuais,etc.

C) desenvolvimento mais acentuado das ciências “neuro” (neurológicas), da inteligência artificial( criação de robots) e da robótica como disciplina plenamente aceite.

D) conceito de sociedade transparente e assente na mais completa vigilância (mesmo sobre pensamentos?).

Problemas:

  • Confusão entre a maioria dos utilizadores menos preparados para os novos ambientes e interfaces de comunicação
  • Possibilidade de adulteração e experimentação não autorizada nas áreas neurais criando pessoas disfuncionais, com problemas neurológicos ou com problemas psicológicos devido a terem sido submetidas, voluntariamente ou involuntariamente a experiências- chamem-se de “mercado ou não”.
  • Sociedade de vigilância, onde todos os dados da vida de uma pessoa são gravados por maquinas e armazenados em bases de dados, para uso futuro.
  • Etiquetagem electrónica de pessoas.
  • Etiquetagem de pensamentos e sonhos de pessoas e “classificação” dos mesmos.
  • Sentimentos fortes de alienação na maior parte da sociedade e total quebra de contacto com a realidade física possibilitando a aceitação do controlo virtual.
  • Assimetrias sociais e económicas que poderão gerar “zonas físicas de exclusão”.

Continua

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12/07/2008 at 8:19

CENÁRIOS E TENDÊNCIAS PARA OS PRÓXIMOS 20 ANOS – 3

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PARTE 3

A LISTAGEM COMPLETA DOS ARTIGOS ENCONTRA-SE NA PÁGINA DA BARRA LATERAL CHAMADA Z-CENÁRIOS

SUPER TENDÊNCIAS PARA OS PRÓXIMOS 20 ANOS

MICRO ANÁLISE SOCIAL E ECONÓMICA.

Processo de longo termo analisando os processos em espectro largo e de grandes tendências, ao nível social, e económico a nível mundial.

1. WEB 2.0. A Vida tona-se digital. O estilo de vida dos humanos, de uma pequena parte deles torna-se “digitalizado”. O conceito de web 2.0 torna-se abrangente. A lógica de trabalho é a seguinte:

  • Padrões abertos interoperáveis por diferentes sistemas de software e tendencialmente gratuitos.
  • Participação dos utilizadores no desenvolvimento destes padrões.
  • Participação intensa dos utilizadores no uso dos produtos/software derivados destes padrões.
  • Descentralização quer da criação dos padrões, que dos utilizadores – podem estar situados geograficamente em qualquer lugar do planeta
  • Colaboração entre grupos de utilizadores/criadores de padrões no desenvolvimento e aplicação da tecnologia.
  • Tecnologia criada em módulos.
  • Controlo cada vez mais acentuado do utilizador sobre a tecnologia (ex:Blogs)
  • Identidade própria e muito definida capaz de chamar a atenção dos outros utilizadores/criadores.

Toda esta lógica aberta, descentralizada, participativa, leva alguns dos utilizadores a preferirem novos meios de comunicação para que lhes seja fornecida a informação de que necessitam ou desejam.

A tendência será a de resistir/ignorar os órgãos de comunicação “institucionais” e preferir obter informação através de redes mais informais, os novos meios de comunicação.

Utilizadores produzem conteúdo através de:

  • Texto
  • Imagem
  • Vídeo
  • meios de comunicação interactivos
  • tecnologias e arquitecturas virtuais
  • Realidades virtuais? ( WEB 3.0 ?), derivadas do aumento da capacidade de processamento dos computadores e criação de hologramas virtuais?
  • Passagem do Ciber café para a sala virtual (Web 3.0 ? ) assente em hologramas de imagem que criam mundos imaginários ou cenários pré formatados ? (onde o utilizador vive vidas?)

Interacção entre o conteúdo gerados pelo utilizador e as:

  • ligações enviadas para os outros sítios de outros utilizadores.
  • clicks em artigos,vídeos, imagens…
  • Etiquetagem (tags) dos conteúdos para melhor se chegar a eles.
  • classificação/rankings de conteúdos.
  • Redes sociais e a influência/interacção das mesmas quer entre si, quer na capacidade de influenciarem utilizadores – terceiros e o poder político/administrativo.

Problemas:

  • Os Estados ou associações de Estados tenderão a promover a censura disfarçada exercendo coacção sobre o conteúdo gerado pelos utilizadores e sobre o tipo de conteúdo, procurando empurrar os utilizadores para áreas inócuas.
  • Tentativa de regular cada vez mais os conteúdos por parte dos Estados, limitando a criatividade.
  • Tentativa de aplicar taxas financeiras sobre conteúdos. Os impostos usados como arma política.

Resultados:

– Recomendações personalizadas

– O mais interessante é encontrado ( é por isso que este blog não é encontrado)

– Ideia de inteligência colectiva (mas apenas para os que participam neste fenómeno)

– O conceito de Web 2.0 (ou 3.0 ?) torna-se um estilo de vida digital; o virtual torna-se real (até mesmo psicologicamente).

– Criação de negócios e de mundos de negócio virtuais apenas existentes na Internet ou num qualquer mundo digitalizado a inventar.

2. Tecnologia que converge.

Aumento da informação disponível com o aumento da capacidade das bases de dados, do relacionamento entre os dados que se consegue obter e da capacidade de processamento leva a uma maior informação disponível.

Que possibilita o surgimento e o aumento de investigação e desenvolvimento em novas tecnologias como a miniaturização, que deu origem à nanotecnologia.

Elementos chave de convergência:

  • Informação disponível e capacidade de processamento da mesma;
  • Nano tecnologia.

Estas duas forças motivadoras dão um impulso tremendo em áreas como a:

  • medicina
  • produção e custo de energia
  • novos materiais e ligas de materiais (a junção de diferentes materiais para criar um novo)

Alguns problemas:

– Aumento dos custos de acesso, especialmente de entrada nestas novas tecnologias, tornado-as inicialmente muito difíceis de implementar para áreas ou países médios

– Difícil extensão das mesmas a toda uma população, logo origina uma sociedade dual, dividida entre os 20% que terão e os 80% que não terão acesso.

– Politicamente, as novas tecnologias e o marketing (a venda das mesmas como soluções…) irão contribuir para uma maior stress (fim dos sistemas) sobre os sistemas democráticos e contribuirão para a solidificação de projectos anti democráticos( Ex: China)

– Nos países Ocidentais tentativas existirão, visando criar uma flexibilidade adaptativa, sempre adaptativa entre as ideias de democracia/nova tecnologia, apresentadas como sendo ambas não incompatíveis, se se optar pela “solução” de deixar a nova tecnologia florescer sem qualquer tipo de regulamentação.

– Maior ( tendência de) corrupção dos responsáveis políticos que oscilarão entre a privatização total do sistema social ou a criação de um sistema assente numa escravatura democrática que não será assim chamada, mas utilizará os métodos da escravatura reciclados e adaptados a uma sociedade digital.

– Ideia de “Privatopia” (Uma sociedade inteiramente privada apresentada como uma utopia de liberdade realizada, acessível a todos; sendo que todos – neste contexto – serão apenas os que podem pagar – uma minoria).

  • Elementos chave da convergência ( os elementos que convergem nas disciplinas/áreas do futuro):

Nano tecnologia (miniaturização da tecnologia) com áreas da química e da física, conjugadas também ou separadamente com a biologia.

Exemplos Positivos: Pequenos robots introduzidos no corpo Humano para realizarem operações internas com menor probabilidade de invasão do paciente, possibilitando menor estrago e mais rápida recuperação

Exemplos negativos: Pequenos robots introduzidos no corpo humano para realizarem operações de espionagem – o micro robot funciona como um aparelho de escuta/análise das acções do seu hospedeiro humano, e pode servir para o matar por ordem de quem controla o aparelho miniaturizado.

Problemas políticos adicionais:

Qual o uso que, quer democracias, quer Estados totalitários estarão dispostos a fazer destas tecnologias, por exemplo, no caso de existir um excesso de população sério,que imponha stress e dificuldades sobre a produção de alimentos, ou sobre as reservas de agua potável, ou sobre a produção de energia?

Quem se disporá a usar a nano tecnologia como arma contra a sua própria população visando diminui-lá e como isso será ou não será tacticamente e estrategicamente combinado com o adversário, visando ao mesmo tempo não criar disrupções nos mercados económicos? Promovendo assim reduções faseadas e controladas das populações em excesso?

Continua