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EDUCAÇÃO EM PORTUGAL. Formação em publicidade aos alunos dos 1º e 2º ciclos. (1)

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Sobre este mesmo tema parte 2 – Educação em Portugal.Formação em publicidade aos alunos do 1º e 2º ciclo (2) .

Durante o período (1995- 2001) em que António Guterres, membro do partido socialista, pseudo esquerdista, padre cura frustrado, mau político, foi primeiro ministro, saiu para as bancas uma lei chamada “Lei de defesa do consumidor”.

Lixo legislativo saído da cabeça das alimárias do Guterrismo; uma coisa vagamente vaga e indefinidamente indefinida que apenas existe para “inglês ver”.

Legislação feita para se mostrar para fora do país e para dentro do país que até parece que somos um país democrático e “normal regido por leis que protegem os cidadãos consumidores.”

Naturalmente, é absolutamente falso que sejamos um país democrático e normal, antes somos corruptos e totalitários, mas disfarçados de país normal.

A referida lei visa “proteger o consumidor”.

Cite-se o artigo 6.

Artigo 6.º – Direito à formação e à educação.

1- Incumbe ao Estado a promoção de uma política educativa para os consumidores, através da inserção nos programas e nas actividades escolares, bem como nas acções de educação permanente, de matérias relacionadas com o consumo e os direitos dos consumidores, usando, designadamente, os meios tecnológicos próprios numa sociedade de informação.

“…medidas tendentes à formação e à educação do consumidor, designadamente através de:
a) Concretização, no sistema educativo, em particular no ensino básico e secundário, de programas e actividades de educação para o consumo;
b) Apoio às iniciativas que neste domínio sejam promovidas pelas associações de consumidores;
c) Promoção de acções de educação permanente de formação e sensibilização para os consumidores em geral;
d) Promoção de uma política nacional de formação de formadores e de técnicos especializados na área do consumo

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INCUMBE AO ESTADO.

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INCUMBE AO ESTADO.

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Qual é que será a parte de ” Estado ” que não se percebe aqui?

Traição. Da wikipedia

Traição, como uma forma de decepção ou repúdio da prévia suposição, é o rompimento ou violação da presunção do contrato social (verdade ou da confiança) que produz conflitos morais e psicológicos entre os relacionamentos individuais, entre organizações ou entre indivíduos e organizações. Geralmente a traição é o ato de suportar o grupo rival, ou, é uma ruptura completa da decisão anteriormente tomada ou das normas presumidas pelas outros.

Peguemos numa parte do que está ali em cima:

…é uma ruptura completa da decisão tomada anteriormente ou das normas presumidas pelos outros e observemos a imagem do lado esquerdo em baixo com as letrinhas nela escritas e comparemos com o artigo 6º da Lei de defesa do consumidor.

FORMAÇÃO EM PUBLICIDADE AOS ALUNOS NAS ESCOLAS- 15-02-2008

Paralelamente uma nota de lembrança. Este é precisamente o tipo de coisas que qualquer sindicato da educação, plataforma de sindicatos, o que seja, deveria TAMBÉM incluir nas suas lutas e negociações sobre sistemas de educação, por exemplo quando faz acordos vitoriosos e derrota por 15 a 0, o Governo.

(1) Também existe interesse em nos olharmos como cidadãos, e dentro dessa dimensão, em nos vislumbrarmos como pais.

Dizemos por hipótese ao nosso filho(a), no âmbito do nosso poder paternal e do nosso “mando paternal,” que, por exemplo, não gostamos, porque sabemos mais que o nosso filho(a), não gostamos, escrevia, que ele compre chocolates da Nestlé ou de outra empresa qualquer; outro produto qualquer.

O nosso filho vai para a escola e vai socializar-se. Estamos muito contentes com isso

Vai e terá aulas de introdução ao consumo (só ao consumo de certas empresas, note-se…)através da aprendizagem de técnicas de publicidade que contrariam as nossas decisões como pais.

É, estranhamente, a escola pública,que deveria ser, por definição, uma espaço democrático, abrigado de interesses particulares, a defender e apoiar esses mesmos interesses particulares.

É uma nova forma de democracia: a defesa dos interesses particulares.

(2) Também existe aqui a dimensão totalitária e anti democrática disto. Os pais são colocados numa situação onde poderão a vir a ser chantageados a longo prazo, pelos filhos, emocionalmente e psicologicamente, isto quando os filhos são ensinados a aderir – via publicidade, a determinados produtos.

Porque na escola lhes dizem (eles estão a aprender isso) que, através da aprendizagem da publicidade; não só devem aceitar bovinamente as técnicas de publicidade, como isso é bom. E os pais são – para não perderem o amor dos filhos – obrigados a aceitar a longo prazo, a comprar produtos derivados da aplicação e da aceitação dessas mesmas técnicas de publicidade na escola, mas a transportarem essa dimensão para sua própria vida pessoal.

É, interessante que as empresas privadas já tenham conseguido chegar ao ponto em que conseguem chantagear os pais, isto é, os consumidores… usando os filhos para isso.

A diferença entre isto e o crime organizado é ténue.

Continua…

CAMPANHAS DE PUBLICIDADE DESPREZÍVEIS. PORNOGRAFIA PUBLICITÁRIA.

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No artigo intitulado ” sistema queixa electrónica. Os antecedentes”, era escrito no fim do mesmo o abaixo transcrito:

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Nota final 3.

Fico a aguardar que a FCCN patrocine um sítio Internet que insista na necessidade de se proibir publicidade especificamente destinada à crianças e que proíba o uso de crianças na publicidade.

Já que o problema primordial parece ser a “preocupação com as crianças”, então convém preocupar mo-nos com todas as dimensões do problema e não só com algumas.

Convenientemente escolhidas a dedo.

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O Banco espírito Santo lançou ( faz isto todos os anos) por alturas de Outubro/ Novembro de 2007 uma campanha publicitária, visando incentivar as crianças a pouparem.

Este é o tipo de publicidade, ofensiva, de mau gosto, anti social, anti mercado, desprezível, manipuladora, destrutiva das relações de confiança entre os clientes e as empresas.

É uma campanha assente na mais completa mistificação e tentativa de manipular e enganar os pais, e a sociedade no seu conjunto. É algo abjecto e que está para além da mera publicidade enganosa.

O Banco Espírito Santo é um banco comercial. O comércio, pressupõe ( senão não seria comércio) a compra e venda de produtos ou serviços.

Sendo um banco, a sua actividade principal é, mesmo historicamente, a venda de dinheiro, cobrando juros por isso.

Um banco comercial empresta dinheiro a particulares ou empresas para que estas o invistam nas mais variadas coisas e cobra uma percentagem em juros por isso.

Um banco comercial também aceita depósitos em dinheiro de particulares ou empresas e remunera esses depósitos.

O que está em baixo, embora pareça isso, vai completamente para além disso.

BES E A HIPOCRISIA DA POUPANÇA

Leia-se em cima uma parte das declarações absolutamente inacreditáveis da responsável de Marketing do banco.

Tradução concreta: banco com o braço esquerdo faz campanhas incentivando ao consumo, e com o braço direito faz campanhas incentivando à poupança.

Mesmo considerando isto legítimo, o que não é legitimo é “atacar” o tipo de consumidor que não se pode defender. A criança.

E usando os pais da criança como arma de ataque para isso.

O mais hipócrita e desonesto ali é a parte em que a responsável de marketing, afirma: ” o BES acredita na importância da poupança para a construção de uma sociedade equilibrada”.

Cinismo, falta de valores ( comerciais), hipocrisia. Ninguém outorgou ao BES a missão de educar crianças; isso pertence aos pais.

Isto dito, com a maior desfaçatez, no lançamento de uma campanha de poupança juvenil.

Mais espantoso ainda é que se diga que o acto de poupar está cada vez mais arredado dos hábitos dos adultos e da agenda dos adultos.

( Bom… para isso tem contribuído o BES e todas as outras entidades com as massivas campanhas de incentivo ao consumo, os constantes créditos ao consumo, a oferta de variados produtos de crédito para se consumir).

Para “incentivar à poupança” e para fazer chantagem emocional com a psicologia dos pais que são depois pressionados emocionalmente pelos filhos que lhes dirão que não gostam deles porque eles não lhes compram “X”, o BES oferece às crianças um livro de histórias escrito por Rosa Lobato Faria, e ilustrado através da marca Agatha Ruiz de la Prada.

(Visando estabelecer o conflito entre dar e não dar ao “filho”por parte do pai pressionado pelo filho a fazer isto para receber o livro de histórias ilustrado… )

Que, como todas as pessoas sabem é uma marca “barata”, que tem produtos baratos, e que é sinónimo de austeridade e de sobriedade ( isto é, de poupança…) na compra de roupa ou outros produtos do mesmo estilo.

Subverte-se tudo o que são conceitos de publicidade, de economia de mercado, de psicologia afectiva e familiar, mais a mais, até vindo de um banco que tem a pretensão ( é só mesmo isso:pretensão) a ser um banco conservador e austero.

O conservadorismo é arrumado de lado dando lugar à chantagem de progenitores apelando à criação artificial de disputas entre filhos e pais para através desta disputa lucrar.

Também é outra forma de enganar deliberadamente consumidores ( o mercado) com esta conversa acerca do incentivo à poupança juvenil por parte de crianças/adolescentes, porque os adultos não o fazem.

Há razões para não o fazerem e o BES lucrou com essas razões.

Também se deve salientar que o BES , tão amoroso que é quis “conhecer a perspectiva das crianças”…

O facto de essa perspectiva permitir definir perfis de consumo e comportamentos e poder agilizar e tornar mais fáceis as estratégias para melhor vender não teve nada a ver com este desejo intenso de “conhecer a perspectiva das crianças…”

A FCCN perante este caso de notória pornografia vai fazer alguma coisa?

Concerteza que não vai. Aí a “bola” é mandada para o código da publicidade e pseudo autoridades competentes que, concluirão, que tudo está de acordo com a lei.

E assim, se continua a usar a lei para subverter o sentido da lei…

Ninguém parece muito incomodado com isso.

Em termos de dados pessoais e privacidade o facto de crianças pequenas e a sua família terem perfis de consumo definidos por uma entidade privada, perfis esses obtidos através da permissão do uso destes métodos totalitários não incomoda ninguém?

Nem o óbvio totalitarismo destes métodos?

Aqui o “Estado” como recolector de informação é substituído por uma entidade privada.

Isso é tão perigoso como se fosse o Estado a fazê-lo.

PORTUGAL WEST COAST, dinheiro mal gasto.

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O ministério das Finanças ?! e o ministério do turismo fizeram uma campanha publicitária para vender melhor o nome de Portugal. A campanha é profundamente tosca. O conceito da campanha é poderosamente cretino. Pega-se num conjunto de portugueses, supostamente muito famosos ( só um é que é de facto, muito famoso à escala planetária, mas isso agora não interessa nada … ); mete-se a cara “sedutora”, “sonhadora”, “lânguida”, “máscula”, dos mesmos nuns cartazes modernaços, cheios de azul marinho, em fundo branco (olha, é parecido com o template deste blog … que surpresa original … ) imagens de praias desertas e sol, ( o lixo das praias já está na incineradora do Outão …) para vender turismo e serviços, e tentar passar a imagem de que Portugal é a Califórnia da Europa. Penso que era isso que as entidades (M. Turismo) que pensaram nesta campanha – se é que pensaram – tinham em mente. Vai-se buscar um fotografo inglês ( que apropriado, não existiam fotógrafos portugueses capazes de fazer isso …) para fazer uma campanha de promoção de Portugal.

A clarividência e o alcance estratégico desta ideia é notável. Tendo em conta que o mercado inglês de turismo está mais que garantido escolhe-se um profissional inglês. Que visionários…

O resultado é este.

PORTUGALWESTCOAST1

O que está em cima é o “Portugal West Coast”.

Proponho uma visão alternativa: o “Portugal Wild West”. Aqui também concordam, mas são mais meigos e ternos ( pertencem a facção West Coast … da delicadeza …). Já no site da empresa de publicidade BBDO está publicada uma dissertação de mestrado, que foi transcrita pelo jornal público, em que o responsável da empresa explica o ?! conceito a que obedeceu esta bacalhaozada. Hilariante, a demonstrar que a publicidade está pelas ruas da amargura em Portugal. Passo a citar:

” … O West é também um lugar mítico, um lugar de sonhos onde a terra “desagua” no mar, para onde se vai mudar de vida. Por fim, de um ponto de vista político, o West tem sido sinónimo de desenvolvimento e democracia. Ao sermos West beneficiamos destas associações e saímos do Sul. “

BOINK!

“…(Não é a primeira vez que tal é feito. A campanha anterior, “Warm by Nature”, baseada na proverbial simpatia do nativo, reflecte também a ideia do português como serviçal de hotelaria).”

PORTUGALWESTCOAST2

Registe-se que existem portugueses que vêm outros portugueses apenas como serviçais de hotelaria para servirem estrangeiros.

Written by dissidentex

18/01/2008 at 8:16

PUBLICIDADE. LISTA ROBINSON.

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  1. Em Portugal existe publicidade.
  2. O objectivo da publicidade é fazer o pior parecer o melhor e vice versa.
  3. A técnica tem sido usada e aperfeiçoada ao longo dos últimos 100 anos.
  4. É usada para fazer uma descrição de um produto exaltando as qualidades e as vantagens que um qualquer consumidor terá em pagar para obter esse produto ou serviço.
  5. É também usada para dar a conhecer produtos ou serviços.
  6. Por isso, existem campanhas de publicidade.
  7. Quanto mais concorrência no mercado – tendencialmente – mais publicidade existe; mais companhias/empresas fazem publicidade.
  8. Aumentam assim os tipos e meios de fazer publicidade.

    O avolumar desta situação está a levar a que exista uma intrusão permanente na vida das pessoas. Uma “quase chantagem, pressão intensa, intimidação” permanente existe, de facto, para que se compre um produto ou um serviço.

    AMD1

    Consequentemente, surgiu a praga da publicidade feita pelo telefone. Um dos métodos mais utilizados consiste no seguinte. Alguém – normalmente um mau/agressivo operador de tele marketing – telefona para casa das pessoas insistindo que a pessoa recebeu um qualquer prémio. E terá que ir levantá-lo a algum sitio.

    A ideia é atrair a pessoa a um ambiente estranho para ela, e por via desse condicionamento, criar as condições necessárias para que a pessoa se sinta predisposta/ pressionada a aceitar comprar. Esta é feita, primariamente, por telefone. Como tal, todas as pessoas são bombardeadas com contactos telefónicos dos mais variados estilos, feitios, modelos e tácticas, para atrair, chateando e perturbando quem os recebe.

    Um destes dias entro em casa dos meus pais e escuto o meu pai aos berros ao telefone. Mas não era uma gritaria qualquer. O senhor estava exaltado. Gritava ao telefone como um vocalista de Heavy Metal “exigindo que o seu interlocutor chamasse a polícia “. Mais ainda, exigia que a “polícia aparecesse” e o “viesse prender”.
    O tipo passou-se, finalmente, pensei eu, mas não. Estava a falar com um marketeiro telefónico que insistia com o meu pai para que ele aceitasse ir até um magnifico e aprazível local algures nos arredores de Lisboa para receber um prémio.

    Isto evidentemente, depois do meu pai já ter dito que recusava ir receber um prémio. Daí a berraria exigindo ao marketeiro que este chamasse a policia para o ir prender por ele não querer ir receber o prémio. Como este tipo de contactos já acontecia há imenso tempo e com enorme frequência, lembrei-me de uma solução. Ela existe.

    Gostaria de explicar através deste blog campeão de audiências, como se pode bloquear legalmente as campanhas de publicidade (quase todas) não solicitadas e não autorizadas.

    Agradecia aos milhares que leiam isto, façam o favor de o divulgar por conhecidos e conhecidos e amigos e que estes usem isto e tomem a atitude que vou explicar a seguir.

    Existe um conceito/solução chamado ” Lista Robinson” ( lista de oposição).
    Definição: Ficheiro de pessoas que pediram para ser excluídas de bases de dados para fins comerciais. (Para não receberem publicidade não autorizada )

    Nota lateral 1: consultar esta pagina da empresa ACXIOM, que começa na letra A. Tem um glossário de definições de termos. Assustem-se.

    Nota lateral 2: é possível pedir para ser inserido – um número de telefone e uma morada – na lista Robinson/lista de oposição.

    Nota lateral 3: quem vigia os dados pessoais é uma entidade pública chamada – A comissão nacional de protecção de dados – CNPD – a entidade que vigia o cumprimento da lei.

    Nota lateral 4: A entidade em questão (CNPD) é um pouco mole e lenta e acima de tudo não é pró-activa a defender ou a publicitar os meios ao dispor dos consumidores. Funciona MAL. Mas também funciona mal, porque não é “solicitada” sistematicamente a funcionar,porque a maior parte das pessoas não usa a CNPD.

    Quando se quer não ser incomodado por publicidade não autorizada por telefone deve-se solicitar isso mesmo, pedindo para ser inserido na lista Robinson, a uma determinada entidade que se chama AMD (FEDMA) – chamada “Associação portuguesa de marketing directo”

    .AMD2

      A AMD apresenta algumas características interessantes. Até 15 de Julho de 2007, não tinha página na Internet. Existia discrição absoluta e nenhuma visibilidade. Dai para a frente, ou por questões de actualização ou por mudança de política passou a existir pagina.

      Registo, no entanto, com profunda estranheza, que uma associação de Marketing, que, supostamente, regula relacionamentos de empresas, consumidores e o marketing que é feito sobre estes não tenha estado sempre presente num meio tão “marketizável” como a Internet.

      Em buscas no Goggle, a 15 de Julho 2007, encontrava-se a AMD na página da empresa de impressoras OKI na secção de marketing, e na página do Omnicom media group onde existe toda uma outra serie de contactos de marketing.

      Actualmente a AMD já tem uma página própria AQUI.

      No canto superior direito existe um “balão” que indica ao clicar nele como uma pessoa, empresa, se pode registar para pedir para que um número de telefone/ endereço não seja alvo de publicidade indesejada, bem como outras explicações.

      A CNPD – entidade que regula a AMD, pode ser encontrada, também, fazendo a busca por http://www.cnpd.pt/. No dia 15 de Julho de 2007, a página principal da empresa, por razões de alteração do site ou azelhice apenas dava a entrada e os contactos telefónicos/email, não possibilitando ao carregar em nenhuma das entradas nada mais do que “Error 404” ou seja, serviço não encontrado.

      Actualmente pode ser encontrada AQUI.

      Método a seguir, para evitar perder tempo, e colocar um número de telefone na lista Robinson.

      1. Ou registar-se através da página da AMD.
      2. Ou contactar por telefone a AMD e solicitar quais as formalidades a cumprir.
      3. O email é: listadeoposicao@amd.pt
      • Já agora, o email da CNPD, para esclarecimentos adicionais é: geral@cnpd.pt

      Depois vou dizer o que sucede.

      ««« É dado um prazo de 4 meses – 120 dias, a partir de uma determinada data, em que o nome foi colocado na Lista Robinson/ oposição.

      ««« 4 meses durante os quais, segundo me foi explicado, já existem campanhas e publicidade “em linha e a correr” e durante esses 4 meses seremos – AINDA – contactados.

      ««« O prazo começa a correr após o contacto feito para a AMD ( ou por telefone ou por email) fazendo o pedido e obtendo – via carta de correio – uma confirmação de que o número de telefone “X” pertencente à morada “Y” em nome da pessoa “Z” está de facto colocado na “Lista Robinson” e que a pessoa não será mais contactada por marketing não solicitado via telefone.

      Duas outras notas.

      ««« Também sucede o seguinte; caso quem adopte isto o pergunte à AMD. Também sucede, escrevia, que, após pedir para ser colocado na lista Robinson/lista de oposição, durante pelo menos, os dois meses a seguir a contar da data em que se fez o pedido, o numero de contactos telefónicos publicitários dispare.

      São as empresas de publicidade AVISADAS que ” aquele ” contacto estará em breve excluido – estará em breve na lista negativa. Logo, as empresas aproveitam para usar o contacto daquela pessoa/número de telefone enquanto existe oportunidade (uma janela de oportunidade) para tal.
      AMD3


      ««« Também sucede que, pelo menos a Portugal Telecom, a Sonae( variante Optimus), a Edp e as viagens Novo Mundo contactem de forma não autorizada. Porquê?

      Porque se “excluiram” ( confirmo por expêriencia própria) de estarem presentes na AMD, para assim terem “mãos livres” para contactarem à vontade e chatearem quem não quer ser chateado.

      Isto dá nota da arrogância comercial de pelo menos estas 4 empresas. Que eu conheça.

      Notas finais:
      1. A AMD, em termos gerais, até faz os possíveis para passar despercebida. Podemos ser levados a pensar que tal acontece precisamente para que as pessoas não saibam que existe a lista Robinson; ou pelo menos que tenham pouca informação acerca do assunto.
      2. É uma forma indirecta de a AMD defender os seus associados; empresas de publicidade e empresas que vendem produtos, fazendo publicidade aos mesmos.
      3. A CNPD não divulga explicitamente que existe uma Lista Robinson/de oposição. Coloca-se confortavelmente na posição de regulador.
      4. Como cidadão, não concordo com esta posição, uma vez que o cidadão individual está bastante mais desprotegido contra uma campanha publicitária, do que a empresa ou grupo de empresas que a lança.
      5. Como tal a entidade CNPD deveria ser bastante mais pró-activa do que é relativamente a este assunto. Todos nós pagamos ao Estado impostos que pagam a existência da CNPD.
      6. As associações de consumidores (Deco à cabeça) não informam, como regra geral, as pessoas da existência da lista de oposição.
      7. A 1ª imagem que está lá em cima é tirada da ligação da Oki – a 15 de Julho de 2007. O email que lá está traçado a vermelho é um endereço de email que está ( estava na altura) errado. Como não existia página de Internet, e no site da CNPD, não existia contacto à data em que o fiz para por o número de telefone do meu pai na lista Robinson, acabei por ter que enviar email, primeiro para a CNPD, e telefonar depois para a AMD, para conseguir obter as informações que possibilitaram incluir um nome de telefone na lista Robinson e, consequentemente, ter a possibilidade de escrever este post em 15 de Julho de 2007, num outro blog que eu fazia.
      8. Para nos rirmos existe também um instituto da “auto disciplina da publicidade” (que nunca contactei). Mas a expressão “auto disciplina” da publicidade é bastante cómica.
      Alguém nota alguma auto disciplina na Publicidade?

        Written by dissidentex

        15/01/2008 at 20:58

        FRIZE. PUBLICIDADE. PÉSSIMA CAMPANHA DE MARKETING.

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        Tipo: post sobre uma campanha publicitária.

        Sobre: uma marca de águas que tem um produto inexistente para vender.

        Republicação :de um texto feito há 6 meses para não esquecer e verificar o que ficou dessa “magnifica” campanha publicitária. “Magnifica”é ironia.

        Algumas correcções entretanto. O senhor Pires de Lima* mencionado no post já não é o gestor da Compal. Nem era à altura em que ele foi feito. Em 29 de Junho de 2006, passou a ser de facto, CEO da Unicer, ou seja, agora é vendedor de cerveja.

        Espécie de post: micro ensaio entorpecente, dissidente, longo, com o objectivo de assassinar imediatamente quem o ler pelo cansaço.

        Palavras: 2967. Quatro imagens

        ———————FRIZE1


        A marca de águas Frize é uma sub marca comercial da empresa de bebidas Compal. A gestão da marca decidiu fazer uma nova campanha de publicidade imbecil. Adiciona ao facto de ser imbecil, o facto de gozar descaradamente com a inteligência do púbico consumidor. Vai utilizar a lógica do “free ride” nesta campanha. O conceito “free ride” baseia-se no seguinte:

        Existe um bem público, que todos podem usar. Se a pessoa A puder usar esse bem público e a pessoa B não o puder fazer, tal facto não implica que a disponibilidade do bem seja negada à pessoa B ou que o bem deixe de estar disponível para a pessoa A, B C. D….

        Como exemplos podemos apontar as leis que façam controlo sobre a poluição e que são aplicáveis à pessoa A assim como à pessoa B. Podemos apontar um banco de jardim num parque publico. Todos podem usar, queiram ou possam fazê-lo ou não queiram ou não possam fazê-lo. O bem está sempre disponível seja ou não usado.

        1. Nos bens privados, em economia de mercado, esta fornece-os e ajusta-se à procura e à oferta. Tendencialmente com a máxima eficiência.
        2. Nos bens públicos nunca existe um nível suficiente de eficiência por causa do problema acima descrito do free ride.

        O “free ride” é pois, alguém que não paga por um bem, mas possui a capacidade de o consumir. Mesmo que eu não contribua para a defesa nacional, os militares que protegem a casa do meu vizinho protegerão a minha casa. Os criativos da Frize e a gestão da marca decidiram utilizar esta técnica. Mas emulando, isto é, utilizando, não um bem público mas sim um bem privado, embora – bem esse – produzido por uma entidade/empresa privada.

        Como metodologia vão (foram) emular / copiar / decalcar a campanha que está a decorrer (decorreu) há vários meses, das “ 7 Maravilhas do mundo – 7 maravilhas de Portugal”. Chamarão à próxima campanha “a Frize procura os 7 Horrores de Portugal”

        Para tal adoptaram desde o inicio da criação da marca e continuarão nesta nova campanha a fazê-lo, o “ um conceito de “surfar na onda jovem” – de “falar” para a juventude – que varre a publicidade.

        Para implementar o conceito precisam (agora) e precisaram (no passado) de uma lista de ferramentas.

        • a) Mostrarem nos anúncios irreverência; a irreverência ensaiada supostamente associada à marca;
        • b) Mostrarem frescura e dinamismo fabricados artificialmente nos anúncios comerciais da marca;
        • c) Fazerem um jogo de jogo de espelhos e de contrastes, nesta nova campanha. Que é colocada em confronto /contraste com a campanha “ 7 maravilhas do mundo – 7 maravilhas de Portugal, desde logo, no titulo da mesma ( 7horrores de Portugal…).

        Quais os objectivos?

        Objectivo essencial. Aumentar a penetração no “eleitorado consumidor” da marca Frize e jogar fantasias no imaginário mental deste “eleitorado consumidor”.
        Objectivo acessório. Colarem-se àquilo que a sociedade percepciona (ou julga percepcionar) ser uma imagem nova, jovem, fresca dinâmica – os jovens.

        Objectivo desejado. Aumentar as vendas e a influência da marca.

        Algumas notas:

        Nota factual. Os “jovens “ em Portugal não chegam a ser 20 % da população total. Contudo, a publicidade apenas se direcciona a eles. Ninguém acha isto uma contradição.

        Nota de inspiração oriental. No yin procuram-se as sete maravilhas de Portugal. No yang procuram-se os sete horrores de Portugal.

        Nota conclusão. A campanha “os 7 horrores” é a procura cósmica do equilíbrio universal; não uma campanha publicitária.

        Nota medalhística. No próximo 10 de Junho de 2008 esta empresa – Compal/ Frize – estará a ser condecorada pela sua contribuição para a manutenção do equilíbrio e bem estar dos portugueses através da implementação do Yin e do Yang comercial da marca Frize aplicado à sociedade.

        Nota dissidente. As pessoas que não gostam de Frize nem da campanha 7 maravilhas do mundo – Portugal são pessoas que gostam de água do luso? Ou outra?

        Não, esses são vistos publicitariamente como os cidadãos excedentários.

        Nota de alerta. Quem não gosta do padrão definido pela publicidade (neste caso a publicidade Frize) é considerado como estando a resvalar subliminarmente para a zona dos esquisitos.

        Isto revela a tendência crescente nesta sociedade em relação a muitas coisas mas também em relação à publicidade. Que consiste na valorização da criação de mecanismos psicológicos nas pessoas que as leva a sentirem-se envergonhadas por não consumirem algo, mesmo que não gostem desse algo; está entranhada. A diferença que separa a pressão psicológica ilegítima da chantagem pura é cada vez mais ténue.

        FRIZE2


        Num dos canais de distribuição lançador da campanha, o director de divisão de produto das águas Frize irrompe de forma dinâmica como aquilo que julga ser: uma catapulta poderosa de marketing. E fala explicitando o “corpo publicitário” desta acção benemérita da Frize. Erradamente estava eu convencido que a Frize queria vender mais garrafas de água Frize. Não. Quer antes libertar os portugueses da opressão. É um “political statement friziano”. Quando fala o director de divisão águas Frize diz 2 coisas principais:

        a) Exorta os portugueses a que mostrem – através desta campanha – o que mudariam já amanhã se pudessem mesmo mandar;

        b) Exorta a que os portugueses mostrem – através desta campanha – o que mudariam se fossem riquíssimos.

        O “objecto da mudança” a fazer pelos portugueses é dividido em 4 partes.

        a) Quais os mamarrachos que mandariam abaixo;

        b) Quais as atitudes que puniriam com prisão perpetua;

        c) Quais os atentados ao bom gosto;

        d) No fundo aquilo que não podem destruir porque são sempre os “outros” que mandam.

        Outras notas.

        Nota inocente. Para os responsáveis da Frize os portugueses são ignorantes, logo precisam de beber agua Frize para perceberem estas coisas.

        Nota de agradecimento pessoal da minha parte. Muito obrigado por me informarem que só graças à Frize eu fico a saber que posso agir de forma virtual.

        Nota critica. A maior empresa de venda de águas e produtos similares em Portugal vai fazer uma campanha de publicidade através de uma empresa de publicidade sem talento, utilizando um discurso demagógico, não publicitário mas político, auto justificativo visando disfarçar a mais absoluta falta de ideias criativas para projectar e / ou defender uma marca comercial. Faz um discurso ao nível do jornal correio da manhã.

        É esta a imagem corporativa e de produto que querem fazer passar para o mercado?

        Para um consumidor atento isto indica que os criativos da Frize / Compal e a gestão olham para os seus clientes aplicando-lhes o quociente de inteligência que é aplicado ao leitor de jornais como o Correio da manhã.

        Nota conclusão. Esta empresa vê os clientes que lhe compram agua como estúpidos. Conclusão da parte do cliente. Não comprar águas Frize.

        Uma grande empresa com milhares de empregados, cujo conselho de administração é na sua quase generalidade composto por figuras ligadas ao CDS – PP (Exemplo Pires de Lima… *) preocupa-se pela voz do seu director de divisão do produto águas com aquilo que os portugueses mudariam já amanhã se pudessem mesmo mandar e produz restantes teorizações acerca do bom gosto e das atitudes que os portugueses puniriam etc.

        Também foi feita nesta campanha publicitária a lançar ( a 7 horrores…) uma divisão estrutural do perfil de clientes da Frize/ Compal.
        É uma divisão dual. O yin e o Yang dos clientes.
        Definição; a saber.
        a) Os clientes são os que não mandam nada mas se mandassem fariam não se sabe bem o quê;
        b) E “os outros, os ricos”.
        É uma divisão “preto e branco que vê o mundo das vendas e comercial a preto e branco.
        Tal acontece porque todo o gestor de divisão de produto ou de produto de uma empresa alimenta -se ferozmente da droga moderna do marketing e da gestão.

        • Chama-se essa droga a “ segmentação de mercado”.

        É uma teoria muito ensinada (e genericamente muito estúpida…pelo facto de tentar sempre ser aplicada a tudo sem o mínimo de critério e bom senso…) em faculdades de gestão e economia e nas cadeiras de economia das faculdades de direito. Parte do pressuposto que, em teoria, um produto pode ser segmentado (dividido para mais vender) até ao infinito.

        Consequentemente, o “mercado disponível” (o que recebe o produto… o “consumidor”) é dividido até à exaustão originando imensos produtos derivados do produto inicial ou da mesma marca inicial. A publicidade ao fazer campanhas – dobra-se e contorce-se, como um equilibrista de circo – para tentar acompanhar coerentemente; esta ideia de segmentação.

        • A publicidade falha quase sempre.

        Logicamente, isto origina a médio – longo prazo, segmentações de produtos que deixam de fazer qualquer sentido na mente do consumidor. Que, naturalmente, fica confuso.
        Este reage de duas maneiras.
        a) Pela não compra do produto;
        b) Ou pela indiferença relativa ao mesmo.
        (Isto explica em parte o sucesso de cadeias como o Lidl que usam primariamente produtos de marca branca…e segmentando menos, em média, os produtos)

        Existe ainda outra forma alternativa de “dualidade segmentadora “que se pode extrair do discurso “catapulta de marketing”; do director de divisão de aguas da Frize / Compal.
        A versão “Combate de boxe”.
        Os ricos a quem saiu o euro milhões + os milionários;
        VS
        A ralé ou como gosta Sarkosy de dizer “a racaille”.

        Logo conclui-se ser assim que este gestor de produto (e todos eles?) vê o seu mercado alvo. Não são vistos como cidadãos com diferentes poderes de compra e gostos diferentes que democraticamente (e porque tem sede) escolhem beber agua que escolhem livremente e que tem gostos autónomos para a escolher mas sim:Ou são ricos ou são ralé.

        • Estranho conceito de “atenção ao cliente”. Pelo aspecto minimalista do mesmo.

        Sob o ponto de vista estratégico de campanha; de mercado, de interacção com o mercado e de projecção CONSISTENTE da marca este ziguezague é ainda mais bizarro.
        O “target “ previamente – como já foi escrito na primeira parte deste post – definido é os jovens e aquilo que se associa a eles (irreverência, dinamismo, energia, etc.).
        Mas, depois e ao mesmo tempo (confuso, não …?) veicula-se uma mensagem que é destinada aos “ricos e à ralé”.

        1. a) Isto equivale a dizer: “todo o mercado disponível”. (Dentro do conceito de segmentação acima descrito percebe-se a lógica….mas também a contradição…)
        2. b) Contudo, a campanha e o produto “aguas Frize” é feita – originalmente e especificamente – a pensar num “mercado” de consumidores jovem”. A tal mesma juventude que gostará – presume-se – de água com gostos diferentes ou seja da água Frize. E não gostará das mesmas marcas de agua que os ricos e a “racaille” (alguns ou muitos dos ricos e alguns ou muitos da racaille, pelo menos) gostarão, precisamente porque não fazem parte da “juventude”.( Dado que a juventude serão , talvez 20% da população…)

        Confesso a minha estranheza.

          Não entendo uma campanha de publicidade que define um publico alvo especifico a alcançar desde o inicio do seu lançamento como marca – a juventude.É ao mesmo tempo que define, desde o inicio do seu lançamento a juventude, e se tem comportado em termos de marketing assim( vide campanhas com o actor Pedro Tochas…), lança agora campanhas onde ao mesmo tempo que tenta chegar à juventude também tenta chegar aos ricos e á “racaille”.. Mesmo que estes não sejam jovens – ou seja, o resto do mercado; 80% da população.

        Como os responsáveis da campanha Frize mais a gestão Compal certamente suspeitam isto é andar em gelo fino.

        Para disfarçar esta caminhada em gelo que se pode partir a qualquer altura; é necessário “arranjar” motivos que pareçam lógicos para incentivar as pessoas a aderirem a esta campanha e a ficarem convencidas que o fizeram espontaneamente. ( no meio da enorme confusão estratégica e táctica da mesma…).
        O problema é contudo o seguinte. O produto “Aguas Frize” é incapaz de apelar aos melhores instintos das pessoas.

        • A razão principal é simples. O produto é fraco. Difuso. Misturado num mundo competitivo de outras marcas com élan e antiguidade no mercado Estou com sede; quero agua. Porque tenho que beber agua com mais “x” se só estou com sede? E porquê Frize e não Castelo ou Luso? Essas conheço-as, e são boas aguas. Agora esta, a Frize, com sabores?
        • A razão económica é que a Compal quer aumentar os lucros e o número de produtos que vende. E quer entrar num segmento de mercado onde não é o maior jogador, nem o será: o sector das aguas. Problema deles. Mas quando passam o problema para os consumidores aí o problema já é dos consumidores.
        • A razão de produto também é interessante. É que o produto águas Frize oferece mais que aquilo que o mercado quer e necessita. Portanto o mercado de consumidores reage confuso a algo que lhe é oferecido “a mais” e do qual não vê, verdadeiramente necessidade.
        • A razão de produção é que foi investido muito em know-how e maquinaria, presume-se, para produzir um produto; ou seja, foi criada “uma estrutura” e essa estrutura tem que ser financeiramente e comercialmente justificada que exista – meios de produção estão montados e a fazerem sair produto. Isso origina uma necessidade de escoamento regular de produto.

        (Nota lateral: se por via de uma má aposta empresarial a empresa tiver que despedir pessoas porque existiram cálculos estúpidos e cenários de venda imbecis a gestão virá concerteza afirmar que a culpa é da rigidez da legislação laboral e não da tresloucada aposta em águas de venda corrente com sabores…)

        Entre isto e comparar àquela velha critica tantas vezes repetida; à burocracia do Estado que se cria e se auto alimenta não existe nenhuma diferença de incompetência e de falta de visão estratégica.

        Logo, opta-se pela via mais fácil para justificar resolver todos os problemas acima descritos. Opta-se por apelar – na publicidade – aos piores instintos e frustrações da pessoas. Para vender aguas com sabores.
        Nota de incidência yin/yang. Espíritos adversos a esta forma de fazer as coisas dirão que isto é uma contradição; espíritos publicitários monolíticos dirão que isto é uma ideia genial.

        • Passemos para a definição dos piores instintos e frustrações:
        • A) Definem-se como alvo, os mamarrachos, presume-se que prédios e ruas, numa demonstração de arrojo urbanístico estilístico ousado da parte da Compal, reconhecida empresa de notoriedade na área do design. Qual é a autoridade/ notoriedade desta empresa de venda de bebidas e derivados para incentivar campanhas de publicidade sobre gosto?
        • B) Definem-se como alvo as atitudes que os portugueses puniriam – o apelo ao justicialismo do português ( se fosse eu que mandasse…), mas também, sugiro eu, de forma adversa, venenosa e interrogatória, o apelo aos portugueses que bebem agua Frize para que punam os que não bebem agua Frize?
        • C) Definem-se como alvo, os atentados ao bom gosto. Presume-se evidentemente que as águas Frize são uma extraordinária demonstração de bom gosto.

        Existem até relatos fidedignos por mim publicados e só por mim conhecidos que demonstram já ter sido avistadas garrafas de agua Frize a tocar piano e a falar francês.

        • Pergunto. O que é o bom gosto? As campanhas da Frize?

        Para o director da Frize bom gosto é comprar águas Frize. Após compra de águas Frize o director de águas da Frize terá a satisfação de viver melhor graças ao nosso bom gosto, segundo a perspectiva dele e da empresa dele.

        • d) Definem-se como alvo também aqueles portugueses que gostariam de poder destruir o que acham estar mal mas não podem. Ou seja, aos portugueses frustrados.FRIZE3


        Você é um português frustrado. Beba Frize.
        Excelente. Dá uma ideia positiva da marca?
        Creio que não.
        Suponho eu que se deveria beber Frize por se gostar e por ser um produto bom. E por se ter sede.
        Afinal tem que se ser frustrado para a beber. Mas e os felizes? Não estarão fora do âmbito disto? Como resolverá a publicidade Frize este problema?

        Recuando no texto.
        Como esta campanha publicitária não tem pés nem cabeça; apenas se limita a aproveitar a existência de uma concurso /campanha patriótica de promoção de pedaços de pedra e tijolo, a Frize apropria-se do conceito de free ride, invertendo-o.

        Tenta apanhar boleia à conta da promoção feita ao concurso 7 maravilhas, ( não tendo que gastar rios de dinheiro em publicidade; já foi gasto pelos publicitários que promovem o concurso 7 maravilhas) e inverte os termos do mesmo clamando pela busca dos 7 horrores…
        Simulando, dessa forma, a irreverência supostamente associada a agua Frize e propõe-se fazer com que as pessoas participantes nesta campanha definam na sua opinião quais os 7 maiores horrores.
        Utilidade pratica disto para os portugueses? Nenhuma.

        Quando a campanha da Frize terminar os 7 horrores, sejam eles quais tenham sido definidos continuarão todos a existir ou no mesmo sitio onde estavam.
        É uma campanha de publicidade que nada ajuda a mudar no estado das coisas.
        Nem sequer no estado comercial da marca de águas Frize.

        Mais estranho ainda. Uma marca de agua associa-se a um concurso, adopta a sua própria lógica interna de irreverência visando definir 7 horrores.
        Logo, concluímos que a Frize patrocina os 7 maiores horrores de Portugal.

        FRIZE4


        Obviamente muitas pessoas dirão” bom mas eu acho que a Frize é um horror, pode ser a Frize um dos 7 horrores”?

        Ou seja, é contraproducente. Em termos de marketing, estão a trabalhar contra si mesmos.

        Vamos todos ajudá-los a trabalhar contra eles mesmos, não adquirindo nós próprios águas Frize.

        Vamos ajudá-los a serem ajudados.

        PHONE-IX. Péssima campanha de marketing e publicidade dos CTT.

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        O sol nasceu radioso e alegre. Nasceu o Phone-ix. E o que é o Phone-ix? É uma nova marca de telemóvel/serviço, azeiteirada publicitária e de Marketing da nossa gloriosa pátria. Intendência e correspondências com outros blogs que falam do assunto. Chego a um blog chamado estado de fluxo onde o blogger lá do sitio fala do Phone-ix e fala dos CTT.

        Transcrevo para memória futura.

        ” Certamente inspirados pelas crescentes exclamações verbais dos seus clientes ao depararem-se com mais um atraso no correio ou extravio do mesmo, os CTT criaram uma operadora de telemóveis nova: a Phone-ix!

        Imbuído na mesma “excelência de serviço” , o EdF sugere que se mude o nome à empresa,

        para Filatelia e Derivados de Portugal – FDP, ilustrando a atitude cada vez mais frequente de me obrigarem a ir à estação dos correios buscar correspondência, quando há sempre gente em casa para a recolher.

        O carteiro toca sempre duas vezes? Nah… “

        PHONIX1

        Partilho inteiramente desta opinião mencionada no post. De facto os serviços de correio dos CTT, fruto de estratégias sempre erradas que tem vindo a ser seguídas nos últimos 20 anos são irreais para não dizer mais.

        Mas o que é que este post revela em termos de Marketing e publicidade?

        Revela que a empresa tem “anti- corpos” criados nos seus (potenciais) clientes. Há uma má imagem nos CTT e dos CTT, e como tal convinha tentar combater essa má imagem, não fazendo campanhas publicitárias disparatadas como esta do Phone-ix efectivamente é.

        O serviço de correios mau, ou ineficiente, gera uma imagem negativa em qualquer outro produto diferente que os CTT queiram vender. Na gestão dos CTT não se entendeu isso.

        Outro post de outro blog, o Karlus.net. Transcrevo:

        A nova rede de telemóveis dos CTT vai chamar-se Phone-ix, noticia esta quarta-feira o jornal Público. O anúncio da nova rede deverá ser feito ainda esta semana, ao mesmo tempo que começa a campanha de vendas nas estações dos correios.

        Phone-ix ? Fône ix ? Fo nix ? Estão a brincar certo ? É que foi o que o Luís Nazaré, presidente dos CTT, disse na TV à poucos minutos, “Eu até prefiro a versão portuguesa, Fonix”.

        Com uma fonética que dá azo a trocadilhos, o nome tem segundo o jornal causado alguma polémica no seio da empresa, sobretudo entre os altos quadros dos correios que o consideram de mau gosto.

        No shit ? Queres ver que o alto quadro que decide não sabe inglês e tem vivido debaixo de uma pedra este tempo todo ?

        Por trás da ideia terá estado a intenção de captar a atenção de um target jovem, embora os idosos, grandes destinatários dos produtos dos correios estejam também entre os alvos que a empresa quer atingir com o lançamento do seu operador móvel virtual.

        Ok, vamos dar cabo de uma marca logo à cabeça com um nome feito à medida para trocadilhos vulgares porque… queremos cativar os jovens ?
        Ei, mas eu não sou de marketing, só sei que não metia dinheiro numa coisa com este nome, um operador móvel entenda-se.

        Fo%#-se… perdão, Phone-ix! “””

        E da conjugação de ambos os dois posts acima citados percebe-se imediatamente para aí 80% dos problemas dos CTT em venderem este produto. Ambos os autores tem imensa razão no que dizem. Ou seja:

        • O problema da Brand extension.

        O CTT optaram por uma “técnica”chamada “cross selling”. Que significa o seguinte. Uma empresa vai aproveitar as sinergias entre produtos que vende. Por exemplo um hipermercado que vende esfregonas e detergentes, colocando prateleiras uma de frente para a outra – para, com isso, induzir os consumidores mentalmente a pensarem que “ok, vou levar o detergente, mas preciso também de uma esfregona para usar com o detergente”. É indução a duas vendas em vez de uma venda e consequente maior rotatividade de vendas de vários produtos. Outro exemplo conhecido e mais sofisticado é o dos bancos com as vendas cruzadas de seguros e crédito, por exemplo.

        Nota mental: Os CTT optaram pelo cross-selling mas fizeram-no de maneira diferente, “não pura”, em relação à ideia de cross-selling original, ponhamos as coisas assim. Optaram pela associação mental que ( julgam que) se fará, por um lado, à palavra comunicação ( os CTT possibilitam a comunicação entre pessoas através de transporte de encomendas e entrega de cartas) e os telefones ( comunicação verbal e digital entre pessoas).

        E jogaram na memória histórica, uma vez que os CTT quando foram criados chamavam-se “CTT-TLP ” e TLP, significa “Telefones de Lisboa e Porto”. Os CTT tinha agregadas estas duas componentes de negócio: correio e telefones.

        • É uma tentativa de criar uma ideia de defesa argumentativa para quem lhes diga que não tem “experiência”na área de negócio, dizendo: “atenção que nós já estivemos no negócio das comunicações, não somos novatos nisto”.

        É claro que são novatos nisto, porque há mais de15 anos que deixaram de ter um pé nas telecomunicações e esse é um dos sectores que mais transformações teve nos últimos 15 anos. Tentaram por isso fazer uma Brand Extension, associar o nome CTT, tradição dele, etc, e estender esse “nome” e tradição à marca Phone-ix. É isso que explica existirem nos cartazes o nome Phone-ix, e ao lado a palavra CTT ( É ali que estão a fazer a associação / extensão de marca).

        Ela seria completa – uma brand extension completa se o telefone se chamasse CTT PHONE”, por exemplo.

        ——————————————-

        Os CTT aproveitaram outras duas técnicas:

        1. O canal de distribuição.
        2. o data base marketing.

        O canal de distribuição são as estações dos correios – um número enorme de estações dos correios que cobrem todo o território nacional. Isto é, pontos de venda que cobrem todo o mercado.

        • Está resolvido o problema de penetração e vendas no mercado uma vez que existe a respectiva rede comercial – que cobre todo o mercado – para o fazer.

        Aproveitaram o database marketing, no sentido em que possuem um conhecimento e uma experiência acumulados relativamente a saberem quem são e como são os seus clientes. Dado o prévio negócio que já tem.

        • E através do Phone-ix, poderão vir a saber mais caso angariem clientes. A angariação de mais informação melhorará (presume-se) a capacidade comercial da empresa, o que originará( presume-se) mais clientes e a consolidação da marca “Phone-ix ( este é o desejo secreto…)

        • PHONIX2

        ————————————

        E aqui começam os problemas dos CTT e do Phone-ix.

        • O primeiro problema está lá em cima: a má imagem dos CTT, do produto/ marca CTT no mercado de vendas de produtos e serviços.

        Gerará receio em muitas pessoas que vêem o seu correio chegar atrasado ou não chegar; e que o mesmo aconteça caso adquiram telefones Phone-ix.

        • O segundo problema é o nome, o mau nome escolhido para o telemóvel. Phone-ix. Isto é calão para “fo**-**, um palavrão que teoricamente não se diz.

        Uma empresa com lógica comercial e de defesa da sua imagem ao lançar o novo produto, não se associa a palavrões. Como nota e bem o segundo blogger lá em em cima com uma fonética que dá azo a trocadilhos…” /ok, vamos dar cabo de uma marca logo à cabeça…”

        Isto é muito mau para se conseguir vender, como marca/Brand. E revela uma total ausência de pensamento estratégico e de ideia de posicionamento autónomo.

        Portanto começam mal e dão tiros no pé logo no conceito inicial, escolha de nome de marca. (É o mesmo relativo erro deste blog em que o dono dele escolheu Dissidente-x, e já foi alvo de inúmeras e violentas criticas por te-lo feito…).

        • O terceiro problema está no alvo/target que os CTT pretendem captar: os jovens.

        Faz parte da loucura colectiva em que vivemos e da mais absoluta estupidez de todas as gestões de todas as empresas a conversa/discurso de “Vamos captar os jovens”.

        Suponho que os cretinos do marketing e da publicidade que encharcam estas ideias na cabeça da gestão conseguiriam, acaso tentassem vender em lares de terceira idade povoados de idosos com idade acima dos 80 anos, dizer que “nós vamos a este lar de terceira idade captar “os jovens” para o nosso (qualquer) produto. Ou seja as pessoas de 77 anos?

        Adiante que se faz tarde. Como os CTT querem “captar os jovens” lançam um telemóvel com o nome de Phone- ix. Porque precisam de clientes.

        Ironizando e gozando o prato direi que a ideia subliminar aqui é clara.

        • Como parece que os jovens andam muito a Phone -IX -ar terá sido por isso que existe este nome. Para simbolizar um telefone sexualmente activo de acordo com o alvo/target a que se destina: os jovens. Ou seja, você, “jovem”; que é um phone-ix-ador impenitente terá agora um telefone à sua altura e que corresponde às suas capacidades sexuais?

        Mas também o alvo/target serão os idosos.

        • Ironizando direi, que como parece que o Estado e as entidades particulares incentivam a sexualidade na terceira idade como sendo uma actividade que melhora a qualidade de vida, é dessa forma; preciso convencer os idosos a Phone-ix-ar regularmente uns com os outros, mesmo aqueles que são viúvos/viúvas e não tem ninguém para Phone-ix-ar. Como tal, e para melhorar a qualidade de vida incentiva-se os idosos a adquirir um telefone que os mentaliza a phone- ix-ar .

        Na realidade e deixando as ironias de lado isto significa que os CTT estão colocados numa posição extremamente frágil no mercado. Mais: colocam-se numa posição frágil por si mesmo, precisamente por pretenderem chegar a todo o mercado – ao mesmo tempo – sem terem pernas para isso. E por não perceberem que – se calhar, só se calhar, era melhor fazerem uma escolha:chegar a um único mercado ou nicho de mercado.

        Depois existe outro problema: a gestão.

        • Quando saem noticias para a comunicação social, mencionando, explicitamente que “existem divergência da gestão em relação ao nome do novo produto a lançar, isto significa que não estão todos de acordo com isto.

        Qual é a imagem de “unidade” e de consistência que isto passa para fora, para o mercado que se pretende conquistar? Absolutamente nenhuma!

        Isto abre o flanco a que existem pessoas que dizem” então se os vossos próprios gestores não estão de acordo com o produto, como esperam vende-lo?”

        Em seguida é o próprio lançamento do produto, chocho e sem sal.

        Porquê ? Porque se precisa desesperadamente de clientes. Logo, dá-se o salto em frente , sem qualquer controlo da situação para a qual se salta.

        • Uma situação em que se admite, implicitamente que se tem uma base de clientes idosa e se precisa de uma nova.

        • Porque é que se deixou chegar a esta situação?

        • E isto leva ao lançamento do produto, chocho, mal feito, mal preparado.

        Como se lança o produto:

        1. directamente, investindo em produção, canais de distribuição próprios , marketing autónomo, defesa da marca, a todo o custo, estratégia de diferenciação em relação aos concorrentes, preço, produto, qualidade, algumas ou todas estas características combinadas.

        2. Ou pedindo “boleia” a terceiros para fazer isso”. O que significa que não existe estratégia autónoma, antes dependendo de terceiros.

        Os CTT, tentam, (mostrando fragilidade), demonstrar que são autónomos. Que “influem” no mercado. Que podem chegar e lançar um produto novo. Lançam a marca própria de telefones, e a imagem própria do aparelho em questão ( caixas do produto, marca, etc), que – por acaso – até é das poucas coisas boas do produto, e divulgam-no.

        Mas depois como não tem preço, porque estão a entrar de novo num mercado concorrencial fortíssimo, onde já existem 3 concorrentes duros lá nele estabelecidos há muito tempo, tem que entrar pedindo uma bengala a alguém.

        Para dessa forma não terem que investir em linhas de comunicação próprias- uma estrutura cara. E vai daí, usam as linhas da Portugal Telecom – ou seja, de um, teoricamente, seu concorrente.

        A Portugal telecom agradece, porque mete este potencial novo concorrente no bolso, baralha o mercado, isto é, os consumidores, e ocupa implicitamente pedaços do mercado, por intermédio de interposta entidade – os CTT.

        Ao aceitar dar boleia aos CTT, a PT está a dar uma facada aos outros dois concorrentes Optimus e Vodafone. A ideia é criar uma pequena empresa que parece estar a concorrer, não o estando na realidade, e que visará ir buscar clientes aos outros dois. Isto porque?

        Porque a nova empresa Phone-ix, irá distribuir 14 mil telemóveis pelos seus funcionários. Assumamos que os 14000 são todos pessoas que tem telemóvel. Assumamos que 1/3 destes 14 000 , sensivelmente 4.600 pessoas são clientes da PT, e que mudariam todos para o Phone-ix.

        Mesmo que 1/3 dos clientes da PT mudasse para o Phone- Ix, os restantes 8.400 seriam retirados à concorrência, o que quer dizer que a PT ganharia clientes aos concorrentes desta forma indirecta, tendo uma companhia “neutra” e que depende dos seus meios estruturais e técnicos para viver.

        É este “negócio” que aqui está – lutar para evitar que a Vodafone e a Optimus ocupem um espaço.

        Péssima estratégia dos CTT, que estão a ser usados , ou por decisão política, ou por pura estupidez e desespero da sua gestão nesta brincadeira.

        Ontem, fui a uma estação dos correios. Estavam lá a promover o telefone deles, o Phone-ix, e até creio que, durante o tempo em que lá estive alguém vendeu um telefone.Mas as falhas deste marketing e desta campanha estavam todas à vista

        Como, mas como se pode tentar afirmar um produto próprio – um telemóvel, algo difícil de vender dado o concorrencial mercado- se no seu próprio canal de distribuição (a estação de correios) os CTT tem produtos da concorrência à venda, isto é, telemóveis da PT, e da Optimus, e até há uns dias tinham telefones à venda da quarta rede; a UZO?

        Por falar em quarta rede, os CTT almejam ser a 4ª rede móvel nacional. Assim o declaram. Não podem declarar mais do que isto. Obviamente.

        • Mas o ponto é outro. Porque se declaram estes objectivos, sabendo-se que a quarta rede nacional é a UZO, os únicos produtos de telemóveis à venda nas estações dos CTT , retirados foram os da UZO?

        • E mantém-se produtos de concorrentes, como a PT e a Optimus?
        • Talvez porque a ideia é atacar a …… UZO?

        Toda a ilogicidade desta campanha de marketing e deste negócio vem ao de cima- feita, com o dinheiro dos contribuintes portugueses para criar uma falsa ideia de concorrência, e resguardar a PT.

        As outras empresas, neste caso a Optimus deveria retirar-se ela própria por si mesmo, de estar presente nas estações dos CTT. Mas a Sonae é uma empresa, que, em telecomunicações só tem garganta.

        E quando falei com a empregada dos CTT e lhe falei que lhe iriam dar telemóveis, explicou-me ainda não lhe tinham dado e que caso o dessem não o usava. Que não fará favor nenhum à empresa usando o telemóvel da própria empresa, uma vez que, os empregados estão proibidos, no livre Portugal democrático do pós 25 de Abril de 1974, de receberem chamadas telefónicas de familiares e que estão proibidos de usar telemóveis- próprios – dentro das instalações.

        Uma empresa com um ambiente de cortar à faca quer vender telemóveis. Assim vai Portugal.

        PUBLICIDADE A UM CARRO. Que não se consegue perceber qual é o carro.

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        • Data: Setembro e Outubro de 2007. (Quando eu vi)
        • Tipo: Publicidade a um carro.
        • Forma:Anúncio de televisão. Com “história”.
        • Anúncio feito para o mercado americano, mas standardizado, para o resto do mundo: a agência publicitária deve ser a mesma a fazer a campanha para diferentes partes.
        • Resultado final: um glorioso falhanço.
        • Post com 2591 palavras. Dois mapas a cores e com setas a voar para todo o lado. Fujam.

        O cenário e o enredo

        Um anúncio publicitário promovendo a venda de um veiculo automóvel extraordinário passou nas televisões portuguesas, nestes dois meses, acima enumerados. O anúncio vinha equipado com uma história. A história era pungente e tinha um tom de drama. Tentava prender o telespectador – o potencial adquirente do carro em questão. Era uma história onde existia um casal jovem, moderno, suburbano – presume-se. Uma história que foi feita desejando a existência de tensão entre o casal jovem; mas, ao mesmo tempo, que existisse um ambiente alegre e desempoeirado, com a visão de campos e espaços verdes. Existia, também, um modelo de avião, daqueles do aeromodelismo, existia uma cena breve em que o jovem casal era apresentado como fazendo uma actividade social feliz e cheia de normalidade. Tudo estava limpo, correcto, estilizado, perfeito, com os tempos de passagem entre as várias cenas do filme publicitário – ai de uns 30 segundos de duração – a estarem totalmente cronometradas e liofilizadas. Um iogurte publicitário com Ómega 3.

        Os protagonistas (4) ; dois principais e dois secundários

        Os dois jovens actores / figurantes do filme foram escolhidos a dedo. Visavam provocar um impacto, embora diferenciado cada qual. O centro da acção – a personagem principal – era a jovem mulher. Bonita, morena, a cair para o lado mulato da beleza feminina. O jovem acompanhante (o namorado) era suficientemente notado para ser percebida a sua existência no filme publicitário, mas era também suficientemente banal para não deixar mais que uma vaga impressão de que passou por lá. Objectivo: ser ligeiramente apagado para nos demonstrar que são as mulheres que decidem as compras – o anúncio era para elas. O que indicia, que o produto a quem se quer vender – o alvo do mesmo – são jovens mulheres. Seria pois, um “carro de senhora” o objectivo promocional desta venda publicitária. Protagonistas secundários: o “carro” e o “avião”. Representam o papel de si próprios na vida civil e de objectos sexuais na vida encoberta.

        A estrutura da narrativa

        A história do filme, o enredo era poderoso. Seguía a lógica de montagem da acção, estilo “Quentin Tarantino ” . Um narrativa “não linear”. Começava pelo fim. Como o filme tinha sensivelmente 30 segundos, não podem – evidentemente – existir muitas alterações e mudanças da linearidade do tempo de um spot publicitário com este reduzido tamanho. No “final” do filme (se a narrativa linear existisse seria o final) observava-se o jovem casal em alegre e exterior felicidade num parque público. O elemento masculino do spot, ensinava, carinhosamente, o elemento feminino a pilotar um avião de aeromodelismo. O elemento masculino gentilmente murmurava à jovem morena como pilotar o avião. Este “avião” era para o personagem masculino do anúncio em questão, um “objecto ” ao qual ele – visivelmente – dava imensa importância e do qual retirava imenso prazer. Quase sexual. Era uma alusão sexual a um brinquedo que antes era usado pelo elemento masculino e que este; agora, estaria a ensinar – a 3 – ao elemento feminino.

        MARCA DE CARRO 1


        É, também, uma caracterização que visa tentar aproximar quem vê o spot publicitário da ideia / estereotipo que existe e que é sempre alimentada pela publicidade. Segundo a qual, os homens apenas se interessam por assuntos semi mecânicos que não interessam às mulheres. Todo o público potencial se revê nisto. Dessa forma também permite que o público alvo desta mensagem – as jovens mulheres – se sintam identificadas com a situação. Identificadas com a situação, predispõem-se a “escutar”. A primeira barreira psicológica foi quebrada.

        Narrativa lateral perversa

        Entre a jovem morena/namorada e o avião do aeromodelismo, insinua-se – também – através daquele pequeno pedaço de filme (uns breves segundos) uma “mênage a trois” entre o namorado, a jovem mulher e o avião de aeromodelismo. O avião do aeromodelismo é um “vibrador” nesta lógica – um substituto do prazer físico – semelhante a qualquer outro objecto do género. Ela não tem prazer(com ele), o avião substitui. É também o substituto de uma terceira pessoa. ( Antes o avião ( vibrador) do que estranhos…) (Indicia também que o namorado é impotente. Se é impotente, não compra, ela é que compra ) .

        Percebe-se também porquê. O anúncio é ( pretende ser) asséptico, limpo, mas tem que ter nuances sexuais subliminares, precisamente porque é destinado a um público jovem urbano. Que está encharcado em sexo e mensagens publicitárias com sexo. Acaso não apareçam (mesmo que não faça qualquer sentido aparecerem) esse mesmo público alienado é incapaz de reagir a estímulos de publicidade “normal”, isto é, sem alusões a sexo. (Ainda há publicidade normal?) Como a criatividade na publicidade não é muita, ” inventou-se “, neste anúncio, o avião de aeromodelismo. Um “motivo” para o que se passa (irá passar) no fim do anúncio, mas também uma metáfora sexual ( o terceiro elemento).

        Em tempos de doenças sexualmente transmissíveis e de perseguição moral institucional a “comportamentos libidinosos”, parece ser melhor definir “moralmente” um objecto como “terceiro elemento”, do que uma pessoa.

        A “normalidade” e a pureza de um anúncio publicitário

        O avião de aeromodelismo e o jovem que pratica aeromodelismo também tem outra função “escondida” no anúncio: indiciar um “jovem bem formado” que se dedica a “passatempos” não perigosos e não perturbadores da ordem social. O equivalente caseiro a esta actividade ao ar livre são os coleccionistas de selos. ( É claro que isto só é assim até alguém de um grupo terrorista se lembrar de carregar um avião de aeromodelismo cheio de explosivos e explodir alguma coisa. Nessa altura, formar-se- ão grupos de terapêutica e apoio aos aeromodelistas. Os “aeromodelistas anónimos”. Estes irão para uma sala e dirão” olá , sou o Jonas, e tinha um avião. Dormia com ele e tudo.Mas desde o atentado que não o posso ver mais.Perdi o prazer; estou impotente…)

        A necessidade da criação de um conflito que faça avançar a acção

        No decorrer da acção deste filme publicitário, a jovem mulher responde sempre gentilmente ao jovem namorado quando este a está a ensinar a manobrar o avião, ( a ternura feminina como paradigma antes de espetar uma faca nas costas…) dizendo -lhe que o está a controlar sem problemas, mas enquanto o faz, está, de facto, a impelir o avião na suave direcção do chão. O que efectivamente acontece. O avião despenha-se, a pique, proporcionando assim um primeiro clímax na acção – um pequeno acto de violência e destruição.

        Metaforicamente podemos especular que esta acção é apresentada como um sinónimo de adultério. Que as mulheres mentem e enganam. Que está na natureza delas. Que, a jovem mulher já não gosta do avião de aeromodelismo (objecto de prazer sexual inserido dentro do casal ) e como tal sabendo que esse objecto, apenas dá prazer ao namorado, mas não a ela, decide, destrui-lo. Desta forma terrível, porque premeditada. Percebemos, com a velocidade do filme, embora não exactamente porquê, que a jovem mulher tem um sorriso ( tipo Gioconda) sarcástico de satisfação pelo despenhar do aeromodelo.

        Metaforicamente podemos especular que a queda do avião simula um orgasmo pela violência da mesma, indiciando agressividade naquele casal e problemas não resolvidos. Existe “normalidade” e existe “Twin Peaks” ( Para as crianças imberbes que aqui chegam por engano, informo que Twin Peaks é uma muito boa série de televisão dos anos 80 que retratava uma simpática comunidade norte americana cheia de pessoas felizes. Depois, uma das pessoas dessa comunidade a teenager/cheerleader Laura Palmer era assassinada. E o detective que investigava o caso, à medida que aprofundava a situação descobria que todos os habitantes eram do pior que poderia existir – longe de serem normais).

        A narrativa tem que ser explicada recorrendo ao passado

        Chegados a este ponto a acção muda – tem de mudar para que os bovinos (parvos como eu) que ainda vêem anúncios de televisão entendam alguma coisa. O soar do apito para a mudança é o aparecimento de uma rotulagem com as palavras ” na semana anterior”. A acção volta ao passado ( o passado é tornado equivalente a ser só uma semana de memória histórica) e somos convidados a visualizar o que terá acontecido na semana anterior que originou o que nos é mostrado no inicio do anúncio publicitário. Embora com uma narrativa deslinearizada.

        A narrativa surge completa após a explicação que é dada para os actos da jovem mulher.

        Na “semana passada”; num ambiente de felicidade e comunhão espiritual, o jovem casal vem das compras. Sempre muito ternos e bem dispostos. Tão bem dispostos que o elemento masculino leva os sacos das compras, à jovem namorada. Um acto de cavalheirismo muito raro nos dias que correm, diria mesmo, fora de moda. Não só é isso tudo do ponto de vista publicitário que é mostrado, como visa atestar que o jovem em questão é “bem equilibrado”, se calhar até é cristão (caso isso signifique ser-se equilibrado, coisa que duvido…), mas do ponto de vista da imagem que perpassa para quem vê, este jovem é uma autentico “Golden Boy”. Candidatas a sogras; posicionem-se na linha de partida e ponham os olhos neste jovem.

        A ignição do conflito começa e tem origem num simples gesto.

        Contudo o jovem bem equilibrado tem uma acção que o condena às fogueiras do inferno e a expiar para toda a eternidade o mal absoluto que fez. Ao pegar nos sacos das compras, na sequência do seu acto de cavalheirismo ( fora de moda), o jovem, com as mãos ocupadas, fecha a porta do carro usando um pé! E diz qualquer coisa como “eu venho já querida, deixa-te estar”.

        Sacré bleu! Sacrilégio! (Sacré Bleu é francês; é necessário dar um “tom” internacional a esta prosa).

        Nessa altura é-nos dado a ver o rosto da jovem morena muito bonita e verificamos que Medusa existe na sua face. O ressentimento levanta a sua feia cabeça e deixa-se ver através de um ar profundamente ressentido, vingativo, de quem foi e se sente profundamente atingido pelo simples acto do namorado – o acto de fechar a porta do carro com o pé.

        A justificação para o acto da senhora uma semana depois.

        É este simples acto que ocorreu uma semana antes, que funciona como ignição para o que vimos no inicio do filme – o acto em que a jovem destrói, parecendo fazê-lo involuntariamente; o avião de aeromodelismo do namorado.

        Um sentimento negativo, de vingança move uma personagem do filme, para outra das personagens, por causa de um carro. O tal carro que é o objecto que se quer vender através deste anúncio publicitário. Estamos por portas e travessas a chegar ao argumento de venda.

        O argumento de venda

        Pretende-se querer dizer que o dono ( a) de um destes carros é de tal forma apegado ao “seu carro” que até se dispõe a praticar actos de vingança mesquinha e violência com outras pessoas às quais – assim nos é apresentado – até gosta e tem amor (presume-se).

        O que os publicitários pretendem mostrar (com esta elaborada trama shakesperiana) é que o carro é tão bom, tão fantástico, tão excepcional, que até suscita preferências e escolhas usando meios agressivos para exercer essas escolhas. Entre o carro e o namorado a jovem escolhe o carro exercendo uma pequena vingança contra o namorado. O carro é o “objecto sexual de prazer” da jovem morena, enquanto que o avião de aeromodelismo é o “terceiro elemento ” introduzido pelo namorado no relacionamento ( a destronar o carro?). Se o “namorado” danifica, por falta de cuidado e desleixo ( falta de amor) o objecto de prazer da jovem morena – o carro – então esta, tem “casus belli” (casus Belli é Latim; assim as pessoas julgam que eu sei Latim…) deverá fazer o mesmo ao objecto de prazer introduzido no relacionamento – o avião de aeromodelismo.

        O mais engraçado disto é a “inversão” de papeis – de estereótipos que aqui é feita. O “homem “ é substituído como o “adepto” dos carros, passando a ser a “mulher”. E o homem é infantilizado porque ainda anda a brincar com pequenos brinquedos ( sexuais?). O homem do filme – é isto que se pretende vender, dado que o alvo – o público alvo são mulheres jovens e supostamente desinibidas e modernas é apenas um figurante, infantilizado, imaturo, enquanto que a mulher jovem faz o papel de “homem” da casa e isso é que é considerado como sendo ” emancipação”.

        Terás um carro fantástico e serás emancipada, podendo tratar abaixo de cão o teu namorado, que, presumivelmente, não terá um carro, mas sim um brinquedo. Esta publicidade faz das mulheres jovens, supostamente, pessoas adultas e emancipadas. (Até já lutam por carros, vejam lá…) Mas, na realidade apenas as transporta para a classificação de parvas idiotas, ao prometer-lhes liberdade apenas e só pela aquisição de um carro. No fundo representa um enorme conservadorismo e conformismo fazendo equivaler liberdade à simples aquisição de um carro e não à manutenção de uma relação normal com um namorado. Entre a pessoa e o objecto, a publicidade diz-nos que a pessoa não presta, mas o objecto é que é bom. A pessoa só presta se comprar o carro. (Só assim será emancipada…)

        MARCA DE CARRO 2

        Nota lateral: Nos anos 70 a publicidade promovia a venda de carros maiores e os homens compravam carros maiores porque existia a ideia simbólica não escrita que um carro maior simbolizaria o membro sexual masculino; logo; ao comprar um carro grande, um homem estaria a sinalizar exteriormente possuir um grande membro sexual, daqueles que se montam usando um tripé e dois engenheiros especializados. Aqui estará-se a dizer (a publicidade) que no caso das senhoras o que interessa é demonstrar que quanto mais pequeno for o órgão sexual feminino, será isso que é bom? Um caso a investigar…

        O produto, onde fica?

        Pretende-se mostrar que o carro é absolutamente fantástico. Que a pulsão sexual da senhora pelo carro é superior à pulsão sexual da senhora pelo namorado. Da mesma maneira que a jovem morena é ” quente ” em termos de aspecto físico , e quente em amor pelo carro, já o é menos – bastante menos – pelo namorado. O estereotipo de mulher fria vem aqui ao de cima – um estereotipo comummente atribuído às mulheres jovens actuais, (em muitos casos justificado) e que as próprias nada fazem para contrariar. O namorado, apenas exercita a sua libido cristã bem comportada com aviões do aeromodelismo. (Eu que nada sei de Bíblia até sei que o onanismo vem na Bíblia…)

        Recordação mental para mim próprio

        Consegui lembrar-me de tudo isto à propósito do anúncio. Fantástico. Espantosa memória. E numa demonstração de onanismo ainda me dei ao trabalho de comunicar isto.

        Vi anúncio umas 8 vezes. Demorei 3 ou 4 a perceber a subtileza da vingança da jovem ao namorado. Concerteza que sou muito estúpido. Toda esta intrincada narrativa ficou.

        Contudo

        Não me lembro de qual é o carro. Não me consigo lembrar de qual é o carro, de qual é a marca, ou outras características do produto que este spot publicitário pretende vender.

        Este anúncio é tão bom que

        Os medíocres publicitários que produziram isto conseguíram submergir o produto = carro dentro de uma história cheia de drama e acção, com reviravoltas na narrativa, (James Bond, és um amador…) que por sua vez, também é uma narrativa não linear, e conseguíram com tudo isso não atingir o que interessa.

        • Promover o produto “carro”.
        • A marca do carro.
        • Conseguir definir, isto é, fazer com que quem vê o spot publicitário.
        • Perceba qual é o produto.
        • E queira comprar.

        Como é que se consegue comprar uma coisa que nem sequer se conseguiu perceber o que é?

        Percebe-se tudo e mais alguma coisa, menos o essencial: o produto.

        Written by dissidentex

        05/11/2007 at 19:07