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Archive for the ‘PANÓPTICO’ Category

SERVIÇOS POUCO SECRETOS ABANDALHADOS PORTUGUESES – A IMCOMPETÊNCIA E A FALTA DE PATRIOTISMO MISTURADAS COM ACTOS CRIMINOSOS

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O relatório sobre Francisco Pinto Balsemão não foi a única encomenda de Jorge Silva Carvalho enquanto já estava ao serviço da Ongoing. Em Setembro de 2011, o ex-director do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), mandou fazer um relatório sobre a Finertec, a empresa de capitais luso-angolanos que opera no sector da energia e ao qual estão ligados dois dos homens com quem se se relacionava: Miguel Relvas, que foi administrador da Finertec até ser eleito dirigente do PSD, e José Braz da Silva, que hoje dirige a empresa.

Num email que consta do processo em que Silva Carvalho é acusado, entre outros crimes, de violação de segredo de Estado e corrupção passiva, o ex-espião diz aos “amigos” que tem uma nova encomenda para eles além do que já tinha pedido: um relatório conjunto sobre a Finertec. É nesse email, enviado a 4 de Setembro de 2011, domingo, que Silva Carvalho acrescenta a ordem para procurarem tudo o que existia em fontes abertas sobre o balsinhas, o nome de código para Francisco Pinto Balsemão, que já prometeu avançar com um processo contra os autores do relatório.

A razão pela qual Silva Carvalho queria informações sobre a Finertec é um mistério que os autos não desvendam. Os documentos não permitem perceber que tipo de informações pediu sobre a empresa, a quem pediu, a quem reencaminhou ou sequer se foram obtidas recorrendo a meios legais ou com intervenção de algum elemento das secretas. Isto porque o único email interceptado é o da resposta de Paulo Félix, ex-inspector da PJ e ex-agente do SIS que entrou na Ongoing quando Silva Carvalho já lá trabalhava. Félix prometeu encarregar-se do assunto.

Silva Carvalho, por outro lado, terá mantido, até pelo menos uns dias antes, contactos com José Braz da Silva, presidente do grupo Finertec e recente candidato à presidência do Sporting (de que viria a desistir). A 29 de Agosto de 2011, o ex-super-espião registava na sua agenda detalhada uma lembrança para comprar prenda para aquele empresário. Antes, também de acordo com a agenda, terá tido pelo menos dois encontros com o mesmo gestor: um almoço a 22 de Julho e outro a 30 de Março com outros convivas: Nuno Vasconcellos, presidente da Ongoing, e Miguel Relvas, o ex-administrador executivo da Finertec a quem Silva Carvalho terá enviado sugestões de nomes para as secretas.

Há ainda um terceiro nome de ligação entre o ex-espião e a Finertec: Ângelo Correia. Em Novembro de 2011, a Finertec comprou 20% da Fomentinvest, a holding liderada pelo político do PSD que colaborou no programa eleitoral laranja no que respeita a serviços de informações. Se os planos não falharam, Correia e Carvalho almoçaram juntos a 20 de Julho de 2011.

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Não há balbúrdia nos serviços secretos

3 de Fevereiro de 2012

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Acordo prévio? Os autos do processo indiciam ainda que Silva Carvalho pode ter saído das secretas com uma moeda de troca: um acordo prévio com o PSD para chegar a secretário-geral do SIRP ou mesmo a ministro. Se o ex-espião não celebrou o acordo tê-lo-á pelo menos dado a entender junto dos companheiros das secretas. Dias antes de se demitir do SIED, a 11 de Novembro de 2010, Silva Carvalho recebeu uma mensagem de João Bicho, o agente que sugeriu para o SIED, entretanto já demitido. Neste, Bicho dizia que Silva Carvalho poderia sempre invocar o interesse nacional, revogando o acordo com o PSD e propor um novo Orçamento do Estado igualzinho mas com 400 milhões destinados ao SIED que resultariam da extinção da RTP.

Três dias antes era a vez de João Luís, o ex-agente do SIED e terceiro arguido no processo por acesso indevido a dados pessoais, aconselhar Silva Carvalho a esperar seis meses até se demitir, alegando que o governo (Sócrates) não aguenta mais e o lugar ficaria à sua espera.

O ex-espião acabaria por bater com a porta num momento embaraçoso para Sócrates: nas vésperas da Cimeira da Nato. Saiu para a Ongoing com um plano – chegar a um cargo político – mas apesar dos muitos jogos de charme junto de dirigentes político-partidários não conseguiu cumprir as ambições que eram conhecidas até dos amigos das secretas.

Os autos comprovam que à data do sms que sugere uma ruptura com o pacto do PSD, o ex-director do SIED já tinha proximidade suficiente com Relvas, então secretário-geral do partido, para trocar sms e usá-lo como intermediário das relações entre si e Nuno Simas, então jornalista do Público. A troca de sms começou em Outubro de 2010. Ao todo, foram nove (cinco de Carvalho, quatro de Relvas). Três encontros são já conhecidos. Mas há ainda a possibilidade de ter havido um quarto. A 23 de Maio de 2011, o ex-espião enviava um sms a Vasconcellos a perguntar se este se lembrava da conversa do Miguel R. para o António R. sobre uma determinada pessoa no dia de um jantar. Falta saber se Silva Carvalho esteve ou não nesse jantar.

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Notícia (Conspiração contra Relvas) da comunicação social, sobre escutas ilegais feitas a empresas, relatórios sobre empresas pedidos a propósito não se sabe de quê OU PARA QUÊ, sms´s, encontros que foram negados terem existido mas existem, sms´s dos mesmos, rapazes ambiciosos querendo ser ministros, acordos secretos com o PSD a troco de INFORMAÇÕES sobre interesses nacionais e guerra económica entre empresas, globais e gerais, etc, dia 28 de Maio de 2012.

Jonh Le Carré onde estás tu?

Escreve qualquer coisa que não seja tão deprimente como isto…

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MIGUEL RELVAS,PINTO BALSEMÃO,ONGOING, OS ASPIRADORES, AS INVESTIGAÇÕES MAIS GRAVES QUE A PIDE E DEMAIS FAUNA DO MESMO ESTILO

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Num email enviado de Silva Carvalho para Paulo Félix (à data funcionário da Ongoing e ex-PJ), a 4 de Setembro de 2011, Francisco Pinto Balsemão, presidente da Impresa, aparece com um nome de código: Balsinhas. Nele, Silva Carvalho pede que vejam “em fontes abertas” tudo o que há “sobre o Balsinhas”, em particular sobre os empréstimos que tinha, em que bancos, quando venciam. Silva Carvalho argumenta que essa informação interessava à estrutura financeira e económica da Ongoing. Tempos depois, recebe um relatório detalhado de 31 páginas sobre Balsemão, que incluía uma cronologia com dados importantes da sua biografia, uma colectânea de recortes de jornais, listas de amigos, inimigos e aliados e até considerações sobre a sua performance sexual.

Confrontado com estas informações que constam do processo-crime, Francisco Balsemão disse nunca ter suspeitado que tinha sido espiado e comparou a situação a quando foi espiado pela PIDE.

Em declarações ao i, Balsemão disse estar indignado: “Ainda recentemente consultei os relatórios que a PIDE fez quando me espiava. Agora, quando vivemos em democracia, é muito mais grave. Nunca pensei que chegássemos a este ponto numa sociedade de direito democrático.”

O processo confirma ainda que um grupo dentro da Ongoing terá dado início a uma campanha no twitter para difamar Balsemão: foram 1500 tweets, com 900 re-tweets.

Pelo menos uma vez terão sido usados meios ilegais para conhecer a vida privada de empresários concorrentes como “o estado de inquéritos criminais”, a “identificação de titulares de endereços de IP” e de “proprietários de veículos através da matrícula”. Mas os investigadores não conseguiram descobrir a quem se referia as iniciais N.C., a tal pessoa que a Ongoing mandou investigar.

Noutra situação, um ex-agente ao serviço da Ongoing serviu-se do estatuto de inspector da PJ “para obter o pagamento de uma dívida” em benefício de Isabel Rocha dos Santos. A mulher acabaria por pagar a dívida de quatro mil euros que teria servido para comprar um aspirador.

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Notícia Conspiração da comunicação social,  contra Miguel Relvas, (apenas por ser só para ele…) dia 26 de Maio de 2012 (a jornalista que escreveu isto arrisca-se a ter a sua vida privada revelada…e na Internet, dentro de 32 minutos)

(Uma conjura internacional, cósmica, galáctica e universal de jornalistas juntou-se na redacção do Jornal Público e já alastrou a outros locais para prejudicar Miguel Relvas, esse génio incompreendido da política esterqueira portuguesa…)

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MIGUEL RELVAS, O CENSOR DO REGIME (quando não está nas televisões a vender propaganda…)

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Miguel Relvas, esse génio incompreendido, pressionou uma jornalista, e um jornal para que estes não fizessem o trabalho.

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O ministro adjunto dos Assuntos Parlamentares terá ameaçado promover um boicote de todos os ministros ao jornal Público e divulgar na internet detalhes da vida privada da jornalista Maria José Oliveira, revela um comunicado assinado hoje pelos membros eleitos do Conselho de Redação do jornal. As ameaças, confirmadas pela direção do jornal, terão sido feitas para o caso de ser publicada uma notícia que desenvolvia o tema das contradições no testemunho do ministro na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, na passada terça-feira.

Segundo o mesmo comunicado, o ministro proferiu as ameaças num telefonema à editora de Política do jornal. Nesse telefonema, Miguel Relvas terá igualmente ameaçado apresentar uma queixa à Entidade Reguladora da Comunicação (ERC). Mas Relvas terá ido muito além desse recurso, e terá afirmado que, em caso de publicação da notícia, “promoveria um ‘black out’ de todos os ministros em relação ao Público e divulgaria, na Internet, dados da vida privada da jornalista”. O comunicado sustenta que “estas ameaças foram reiteradas num segundo contacto telefónico”.

Os membros eleitos do Conselho de Redação comentam, seguidamente, que “as ameaças, cujo único fim era condicionar a publicação de trabalhos incómodos para o ministro, são intoleráveis e revelam um desrespeito inadmissível do governante em relação à actividade jornalística, ao jornal Público e à jornalista Maria José Oliveira”. E acrescenta: “Mostram, ainda, uma grosseira distorção do comportamento de um governante que, ao invés de zelar pela liberdade de imprensa, vale-se de ameaças – um acto essencialmente cobarde – para tentar travar um órgão de comunicação social que cumpre o seu inalienável papel de contra-poder.”

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Notícia da comunicação social, dia 18 de Maio de 2012, sobre as actividades do senhor em questão.

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Num telefonema à editora de política do jornal, na quarta-feira, Miguel Relvas ameaçou fazer um blackout noticioso do Governo contra o jornal e divulgar detalhes da vida privada da jornalista Maria José Oliveira, de quem tinha recebido nesses dias um conjunto de perguntas relativas a contradições nas declarações que prestara, no dia anterior, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

O PÚBLICO perguntou ao ministro Miguel Relvas se apagara as mensagens electrónicas que recebera do antigo director do SIED, Silva Carvalho. Perguntou também porque é que tinha dito ter recebido um clipping de uma notícia sobre uma viagem de George W. Bush ao México, uma vez que Bush já não era presidente dos Estados Unidos à data em que o ministro dos Assuntos Parlamentares disse ter conhecido Silva Carvalho (depois de 2010). E ainda por que razão Silva Carvalho lhe enviara um SMS com propostas de nomeações para os serviços secretos e qual a data destas mensagens.

Estes factos tinham sido já noticiados na edição impressa do jornal. A informação nova em relação aos factos já conhecidos era apenas uma: o ministro não aceitou responder.

Por isso, a direcção entendeu que não havia matéria publicável e que o trabalho seria continuado no sentido de procurar novos factos. Essa foi também a avaliação de três editores, do online e do papel, sem terem comunicado entre si, antes de o ministro Miguel Relvas ter telefonado à editora de política.

Até hoje nenhuma notícia sobre o caso das secretas deixou de ser publicada e nenhum facto relevante sobre esta matéria deixou de ser do conhecimento dos leitores. O PÚBLICO tem dado ao tema um destaque particular, com inúmeras manchetes.

Foi no seguimento da investigação jornalística do PÚBLICO que o envio de um e-mail e de SMS de Jorge Silva Carvalho, ex-chefe do SIED, foi conhecido, o que resultou na convocação de Miguel Relvas para prestar esclarecimentos no Parlamento.

A posição do PÚBLICO, ao longo dos anos, tem sido a de não reagir ou denunciar publicamente a ameaças ou pressões feitas a jornalistas. Não se trata de desvalorizar essas pressões. Esta prática foi seguida sempre que estivemos sob fortes pressões, como aconteceu recentemente no caso do Sporting. É devido ao debate público entretanto gerado que a Direcção do jornal faz hoje esta nota.

As excepções à regra de não divulgação das pressões apenas devem ser consideradas quando existam violações da lei. A direcção consultou o advogado do jornal, Francisco Teixeira da Mota, que considerou não ser esse o caso.

A Direcção

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Notícia da comunicação social, dia 18 de Maio de 2012

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O Relvas já tinha estado por detrás de outro caso.

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O PSD COMO NOVO KGB DA SEGURANÇA INTERNA

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Em 2010, Miguel Macedo era deputado e líder parlamentar do PSD.

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«Não queremos que os cidadãos andem com o Estado no banco de trás»
PSD vota com a oposição e chumba chips nas matrículas

Miguel Macedo anunciou esta quinta-feira que o PSD vai votar a favor dos projectos de revogação dos chips nas matrículas, votando assim ao lado da oposição e chumbando o projecto do Governo. O líder da bancada parlamentar justificou a posição do partido afirmando que vota «em conformidade» com o que sempre defendeu.

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Notícia “libertária” e “anti estatal” da comunicação social, dia 24 de Junho de 2010

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O ministro da Administração Interna garantiu nesta quarta-feira que o Governo “não vai desistir” da proposta sobre a instalação de câmaras de videovigilância em espaços públicos, apesar de a Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) a ter considerado inconstitucional.

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Notícia estatizante da comunicação social, dia 8 de dezembro de 2011

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Em 2011, Miguel Macedo é ministro da administração interna.

GLOBALIZAÇÃO E NEOLIBERALISMO: PRIVATIZAÇÃO DE PRISÕES NO ARIZONA

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Apesar de todas as garantias que tem sido despejadas sobre a cabeça dos cidadãos do mundo e de Portugal também, de que o neoliberalismo económico fracassou, a realidade choca sempre com os factos.

Nos EUA, onde, garantem-nos, o neoliberalismo fracassou e agora com o novo Presidente Obama as coisas vão funcionar como deve ser, o Estado do Arizona vai tomar uma medida que é totalmente neoliberal. (Os outros Estados estão à espreita…)

Privatizar as suas prisões. Estas passarão a ser geridas como empresas privadas.

Passarão a obedecer a critérios de “mercado livre” no seu funcionamento.

Aos presos passará a ser exigida “produtividade”…seja lá o que isso significar…

E, suponho, acaso a oferta seja inferior à procura (isto é, acaso o numero de presos seja inferior, ao das instalações prisionais) terá que ser criado um novo mercado que possua capacidade de gerir e absorver mais produto; isto é, (mais) presos para satisfazerem as necessidades económicas  de alocação de recursos maximizada a 100% dos gestores de prisões privadas.

NEY YORK TIMES - 23 OUTUBRO 2009 - ARIZONA PRIVATIZA PRISÕES

Ou, como diz na notícia:

“…It is the first effort by a state to put its entire prison system under private control.”

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Politicamente, isto significará, à longo prazo, a necessidade de criar leis cada vez mais restritivas (e anti democráticas) que consigam sustentar e manter estas estruturas privadas… a gerir prisões. (isto é, gerar novos mercados e janelas de oportunidade e negócio…)

Como diz na notícia:

“…As tough sentencing laws and the ensuing increase in prisoners began to press on state resources in the 1980s, private prison companies attracted some states with promises of lower costs.”

Isto é, providenciar-se para que o “mercado” seja aumentado no tamanho (economias de escala) e na qualidade (aumento da oferta e do valor a oferecer ao cliente…).

Para maximizar o lucro de gerir pessoas presas…

Sendo assim, um assassino será um produto “mais apetecível” para um gestor de prisões, do que um ladrão de carteiras, devido ao tempo de duração da pena do assassino, e consequente “lucro a retirar” por maior tempo de duração da pena…

O marketing e a publicidade terão também que ser adequados a este novo mercado que se abre perante os nossos olhos…

Pode-se também fazer Franchises de prisões e de presos. Enfim… as possibilidades são infinitas neste magnifico mercado segmentado… (vários presos poderão explicar a outros presos de outras prisões, como podem optimizar o seu desempenho noutros canais de vendas; isto é, noutras prisões…)

No entanto, os resultados tem sido “estranhos”.

Como diz a notícia:

“…In pure financial terms, it is not clear how well the state would make out with the privatization.”

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O Estado fica também desprovido do que é o seu principal poder: o de definir e mandar sobre as outras ordens sociais/económicas.

O Estado “aliena” soberania em favor de empresas privadas, se esta vaga for generalizada.

E qual é o argumento principal para o Estado do Arizona privatizar?

Simples. Custa muito caro manter prisões.

Custa muito caro combater o crime e aplicar penas, vamos antes vender essa tarefa como se fosse uma concessão…

Com os maus resultados que lá se conhecem:

Como diz a notícia:

“…The private prison boom lasted into the 1990s. Throughout the years, there have been high-profile riots, escapes and other violent incidents. The companies also do not generally provide the same wages and benefits as states, which has resulted in resistance from unions and concerns that the private prisons attract less-qualified workers.”

E os cuidados médicos a presos poderão ser também privatizados.

Como diz a notícia:

“…The state also wants to privatize prisoners’ medical care.”

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Como é óbvio, se os custos de uma empresa privada subirem demasiado, ela apenas terá que reagir da mesma maneira que as empresas privadas que fabricam sumo de morango ou batatas fritas fazem: reduzir custos/despedir pessoal.

Isto é, libertar presos ou aceitar presos mais baratos.

Mas o Estado do Arizona não permite isso.

“…Under the legislation, any bidder would have to take an entire complex — many of them mazes of multiple levels of security risks and complexity — and would not be permitted to pick off the cheapest or easiest buildings and inmates…”

Então como é que estas entidades privadas terão lucro?

É um mistério que só os adeptos da gestão privada neoliberal conseguem explicar. (com o habitual jargão/cassete neo comunista/ neoliberal…)

E quanto a questões de soberania política de um Estado postas em causa, isso são amendoins…para serem eventualmente explicados… também…

PANÓPTICO – A ATRACÇÃO PELO TOTALITARISMO.

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Blog Obvious – panóptico 1 – 19 Junho de 2007- Sublinhados a negro carregado, meus.

O panóptico de Jeremy Bentham é uma composição arquitetônica de cunho coercitivo e disciplinatório: possui o formato de um anel onde fica a construção à periferia, dividida em celas tendo ao centro uma torre com duas vastas janelas que se abrem ao seu interior e outra única para o exterior permitindo que a luz atravesse a cela de lado a lado.

Na torre central deve-se colocar então um vigia e em cada cela trancafiar um condenado, louco, operário ou estudante: através do jogo de luzes, torna-se impossível ao detento, escolar ou psicótico saber se naquele ponto central está ou não alguém à espreita. Isolados, os condenados ou doentes ou os alunos são hora após hora, dia após dia expostos à observação dos mestres do panóptico, mas sem saber se a vigilância é ininterrupta ou não, quem os vê ou o que vêem. A incerteza da vigilância intermitente adestra.

Diz Michel Foucault em seu Vigiar e Punir de 1975:
Em suma, o princípio da masmorra é invertido; ou antes, de suas três funções – trancar, privar de luz e esconder – só se conserva a primeira e suprimem-se todas as outras duas. A plena luz e o olhar de um vigia captam melhor que a sombra, que finalmente protegia. A visibilidade é uma armadilha.

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O panóptico é uma construção intelectual visando obter o controlo. O (a coisa que controla) que controla “vê” os que são controlados e estes sabem disso – daí o medo dos que sabem disso.

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Blog Obvious – panóptico 2

“…sistema social disciplinar, ao identificar um indivíduo não-coeso, que não infringe nenhum expediente legal, mas que ainda sim precisa ser redisciplinado para voltar ao esquema externo vigente, já tem a quem recorrer (!). “

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O panóptico original de Bentham visava criar controlo “sobre” e apontar alvos; não apenas quem infringia a lei, mas também quem, não a infringindo, não estava conforme os cânones do sistema social disciplinar/repressivo. Na época da criação do panóptico eram os loucos, ou os doentes, que eram considerados como os primeiros candidatos a fugir aos cânones e consequentemente a serem metidos em “sítios de controlo”( em sistemas panópticos).

Nos dias de hoje, quem é o primeiro candidato a fugir aos cânones é quem não é um cidadão padronizado, independentemente, do padrão que se queira pensar ou escolher como ponto de análise e de definição.

Um desempregado estará fora do padrão. Deve ser “contido” e “afastado”*, mas um empregado que use roupa considerada não adequada também estará fora do padrão, sendo que o padrão de roupa não adequada está em constante mutação. Como mero exemplo…

O antigo panóptico manifestava-se na criação de restrições físicas e ideias sociais.

O novo panóptico baseia-se primariamente, na criação de restrições ou vigilâncias electrónicas aplicadas aos cidadãos e ideias conceptuais do que deve ser a vida em sociedade. **

Já não somente um lugar(es) físico(s) “vigiados e controlados”, mas também um lugar virtual de onde todos somos olhados por todos – poucos controlam muitos.

Artigo original POBREZA DESEMPREGO FOME

*…Na outra parte do Portugal democrático temos uma notícia do jornal online Kaminhos de Leiria, no dia 27-05-2008, onde democraticamente foram criados novos pobres, pessoas que trabalham e tem supostamente uma vida estruturada, mas são pobres na mesma.

Atrasam-se a pagar as prestações de vários serviços que a sociedade em que vive, psicologicamente e fisicamente, lhes exige que adquiram, sob pena de exclusão social e desintegração.

Democraticamente são mandadas desta forma para o lixo, para o limbo, para uma zona não existente da sociedade.”

E em “Orgulho de Portugal, certamente que não” temos uma ideia/esboço do que se acha que deve ser o novo panóptico **

uma lógica de exclusão. A existência dessa lógica de exclusão não é questionada; antes existem pessoas em dificuldades mas o dilema da situação é transportado para cima dos intervenientes, enquanto que entidades como o Estado planam fora desta dimensão, como se não existissem.

Se os colocados nesta situação ganharem consciência e ousarem rebelar-se contra, imediatamente surgirá uma “narrativa” de propaganda contra quem é excluído.

… Causou muita impressão a quem lá estava o facto de esta senhora de 60 anos, ter almoçado, uma maça e um sumo.

Nada mais.

Isto é fome.

A pessoa que teve que tomar a decisão de não contratar a pessoa ficou bastante perturbado com isso, em face do que viu e pelo facto de ter efectivamente percebido que aquela senhora de 60 anos estava realmente com problemas sérios, a passar mal e com fome.

Foi colocado num dilema moral terrível.”

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Blog Obvious – No panóptico 3

… Assim, a privacy, a privacidade, tornou-se expressão da liberdade, do indivíduo, e incitou o advento da fotografia, dos diários, das confissões ao pé da sacristia, do estar-se só. A inviolabilidade do domicílio e o direito ao segredo de correspondência são reconhecidos – ainda que pouco praticados, há de se dizer -, o homossexualismo deixa de ser visto como um delito e lentamente os corpos passam a se fechar em seu próprio torno.

Mas, num movimento tanto paradoxal, a imprensa (apoiada por seus consumidores) passa a preocupar-se, a avidamente interessar-se pela vida privada alheia, tornando o vigiar um dever, não concernente apenas às autoridades, mas um direito de todos; o direito ao saber e à satisfação das curiosidades: “o inconveniente do reinado da opinião que busca a liberdade é que esta se intromete onde não deve: na vida privada”, diria Stendhal.

… A obsessão pelo saber e pelo conhecer acaba por provocar um novo fenômeno científico-jurídico onde a busca pelo identificar, caracterizar e controlar transformou-se num medonho espetáculo antropológico cuja intenção era o de livrar a sociedade de toda e qualquer “anomalia” ou “endemia” humana, tentando torna-se uma massa uniforme de seres idênticos, moralizada e sã; fosse através das prisões, dos hospitais, dos internatos ou simplesmente pelo banimento do convívio social com a comunidade numa constante do vigiar e do punir. Uma busca d’uma sociedade ideal que nunca existiu…

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No caso específico da privacidade, esta está em perigo com as novas “técnicas electrónicas” e com a aceitação acrítica das mesmas.( Quem não aceitar perder a privacidade está contra a lógica dominante e vai contra o padrão que se quer definir: o novo panóptico…)

A dimensão do controlo está a aumentar como ideia aceite ( induzida a ser aceite) por todos, gerando um novo panóptico tecnológico disfarçado de cartão electrónico nas escolas , de chip electrónico em automóveis, de panópticos comerciais, Entre muita outras.

E como se induz a ideia por todos? Publicita-se que todos podem ser vigilantes e que está já ao virar da esquina a possibilidade de agir para vigiar através de um sistema de queixa electrónica.

O panóptico moderno está de acordo com os tempos. Convida as suas vítimas a participarem na sua própria vitimização.

O panóptico moderno é empresarial contando, por vezes com a ajuda dos Estados. O panóptico moderno empresarial recolhe informação e faz trabalhar os cidadãos contra si próprios no acto de recolha dessa informação.

Written by dissidentex

04/10/2008 at 17:36