DISSIDENTE-X

Archive for the ‘PERSPECTIVAS’ Category

PEDRO PASSOS COELHO

leave a comment »

Written by dissidentex

01/08/2010 at 10:17

EDGAR MORIN: SOLIDARIEDADE E RESPONSABILIDADE

leave a comment »

Edgar Morin, o filósofo francês esteve em Lisboa para fazer uma conferência – no dia 22 de Maio de 2009.

Fonte da notícia Jornal Público de 17 – 05 – 2009.

EDGAR MORIN 1 - RTP - 22 MAIO 2009

As razões de Morin para acabar com a hiperespecialização são práticas e políticas.

(1) São práticas porque visam lançar ideias que tem como objectivo, acabar com situações em que pessoas, devido ao facto de se terem hiperespecializado numa dada área profissional; quando perdem um emprego ou uma posição que tenham, passem imediatamente a ter enormes dificuldades em mudar de área profissional ou em arranjar novo emprego.

Não são só questões de excesso de oferta de empregados para uma dada área, mas sim os problemas relacionados com esta hiper especialização.

Isto no mundo actual – um mundo complexo –  é particularmente gritante especialmente em novas profissões ou profissões de colarinho branco.

Por exemplo, um programador de computadores especializado numa dada linguagem de programação. Devido a alinhamentos estratégicos ou comerciais, muitas vezes fúteis, uma grande empresa decide “criar” uma nova linguagem de programação própria e incentiva o uso da mesma e dos correspondentes programadores a serem criados por um sistema de ensino “hiperespecializado” que agora muda radicalmente de “nova especialização”.

Antigas pessoas especializadas na antiga linguagem são assim convidados, de acordo com esta lógica, a saírem da posição que ocupam.

E a terem dificuldades em reentrar no novo “jogo” que são convidados a jogar. Não existiram eleições onde lhes foi perguntado se concordam com este tipo de organização económica/social.

Argumentar que isto é “evolução” e que deve ser aceite é fazer batota argumentativa. É o dinheiro de todos os contribuintes que serve para pagar estas “formações” sistemáticas de novos hiperespecializados.

(2) São políticas porque visam atacar um conceito de sociedade democrática – a sua não existência que deriva do acima descrito.

Um “técnico” especializado numa dada área é muito menos “aberto” a contestar a inovação, é muito menos flexível em dizer ao seu empregador que algo está errado (a dizer que não), é muito menos aberto a mudar de emprego, caso não esteja satisfeito, é muito menos “democrático” como cidadão. Uma pessoa nestas condições – acaso viva e esteja bem – apenas se preocupa só com a sua vidinha e com o seu estado profissional.

As “coisas” da Res pública”deixam de o interessar; como cidadão é alguém artificialmente “amputado” da participação política na sociedade precisamente porque a sua formação técnica o impele a só se “interessar” por coisas ligadas aos seus próprios interesses profissionais e a não prestar atenção ao que se passa noutras áreas da sociedade. (os seus interesses democráticos de participação foram “segmentados” para serem só exercidos na sua própria área…e mesmo assim “pouco”)

Esta “forma” que foi encontrada por quem tem “poder”  de condicionar o resto da sociedade é muito engenhosa. (e péssima para todos) Na pratica chama-se “dividir para reinar”.

E em termos de exemplos práticos pode-se ver isso em Portugal quando várias classes profissionais desdenham umas das outras e não prestam qualquer atenção aos problemas umas das outras. Antes pelo contrário existe “animosidade” entre profissões.

Estão demasiado “especializadas” e metidas para dentro, para conseguirem ver que as alterações que lhes tentam ser feitas, também irão afectar outras classes profissionais de forma negativa. (Também irão afectar a sociedade.)

É um “jogo” em que, no fim, todos perdem, devido à divisão derivada da especialização (feita durante décadas) em que as pessoas apenas vêem a Árvore e nunca a Floresta.

E como tal é um jogo que ataca o próprio conceito de democracia e de justiça.

EDGAR MORIN 2 - RTP - 22 MAIO 2009

(1) Uma das lógicas correctas de Morin, visa precisamente alertar para a questão do saber e do conhecimento.

Porque é que em escolas e Universidades  – sítios supostamente onde se ensina “saber e conhecimento” às pessoas não existem áreas de estudos dedicadas ao “saber”?

Mais uma vez a questão é política.

(2) Se existissem áreas de estudos dedicadas ao “saber” e à sua promoção ou perguntas escolares querendo dizer “o que significa ser humano?” isso levaria a que inúmeras pessoas – gerações de alunos – começassem progressivamente a questionar o modelo social e económico em que vivemos.

Convenientemente estas áreas foram afastadas das escolas. (um exemplo recente em Portugal, foi a eliminação da obrigação de se fazerem exames de acesso ao ensino superior, tendo como base a disciplina de filosofia)

Os políticos e os interesses por detrás dos políticos – por todo o mundo – viram o perigo que isto significa. Um formação massiva de cidadãos com noções claras da vida em conjunto, em sociedade, e que saberiam pensar nos seus melhores interesses.

Isso excluiria, logo à partida, a necessidade da existência de tantos cargos públicos e de tantos cargos políticos: em suma, de tantos políticos e de tanto ruído.

E impõe, um maior nivelamento social/intelectual entre cidadãos e políticos (e quem os controla).

Precisamente para “evitar” esse aumento da liberdade e da democracia e aumentar o controlo da situação por políticos (e pelos interesses por detrás deles) que todos os cursos são “desprovidos de questões relacionados com o saber e o conhecimento”. São cada vez mais “apenas técnicos”.

E orientados para “a formação de recursos humanos” para usar o jargão.

É por isso que a palavra ” ensino” tem vindo a ser progressivamente substituída pela palavra formação.

Ambas não significam a mesma coisa.

Ø

Cita-se em defesa do que acima foi escrito o seguinte:

“Se pudesse existir um progresso de base no século XXI, seria que os homens e mulheres não fossem mais os brinquedos inconscientes não só das suas ideias mas das suas próprias mentiras. É um dever capital da educação armar cada um para o combate vital pela lucidez.”

Edgar Morin, Os Sete Saberes para a Educação do Futuro, (1999), 2002, p. 43

E acrescento a partir deste mesmo blog:

“…Isso explica que pessoas exímias numa determinada área do saber, tenham enormes dificuldades em produzir conteúdos originais, deduções fora do padrão académico-tipo a que foram habituados e tenham grandes dificuldades no conhecimento das relações humanas, revelando sérias dificuldades de relacionamento interpessoal…”

E ainda:

…a educação superior mais não é que um conjunto importante de ferramentas que permitiam atingir outro patamar de conhecimento, e que a maioria das pessoas achava que era um fim em si, quando é apenas um ponto para subir a um outro patamar que envolve mais que o conhecimento cientifico.”

Ø

Cita-se uma micro entrevista, transcrita por mim, que foi passada na RTP2 , na sexta feira dia 22, em que Márcia Rodrigues entrevista Edgar Morin.

Ø

Márcia Rodrigues : qual é que é o caminho?

Edgar Morin: O caminho seria uma multiplicidade de reformas que possam chegar a todos o0s campos, económicos, evidentemente, reformas sociais, reformas do conhecimento.

E porque do conhecimento?

…do conhecimento escolar, escolástico, compartimentado, em pedaços, sem comunicação que impede de perceber e nos não podemos…

Márcia Rodrigues: sem uma visão global a humanidade não entende que a humanidade está ameaçada por grandes ameaças, que segundo ele fazem muita falta nos dia de hoje…

Edgar Morin: solidariedade e responsabilidade. o mundo actual, a nossa civilização; o desenvolvimento do individualismo, (1) que teve traços muito positivos na autonomia (2) mas gerou o desenvolvimento do egocentrismo e a desintegração das antigas solidariedades.

Vídeo AQUI

Written by dissidentex

30/05/2009 at 11:05

Publicado em EDGAR MORIN, PERSPECTIVAS

PORTUGAL PERIFÉRICO

leave a comment »

Um das coisas mais comuns que se aponta à construção europeia é a necessidade que esta ideia  gerou, de definir que a (1) “harmonia territorial” e a (2) “coesão do território” seriam alguns dos valores essenciais para o desenvolvimento europeu, a par de conceitos mais conhecidos como a  democracia, os direitos humanos,etc.

Para tal há que pensar em termos estratégico a nível da Europa, ou até de Portugal.

Como tal é necessário que os decisores políticos pensem nas forças de mudança futuras, que irão influir no espaço e na organização do espaço.

Isto porque as características de um dado território apenas mudam, de forma lenta e continuada, quando bastante tempo passou.

É pois fundamental acelerar ou planear em antecipação. Caso se consiga fazê-lo.

Uma das formas de o fazer é pensar na área de comunicação, encarando como tal nessa área, os transportes – a capacidade de mobilidade de uma dada população num dado sitio ou zona.

Ø

A luta que existe entre decisores divide-se em duas partes:

(A) os que apoiam uma mais forte competitividade global da economia (orientação para a competitividade)

(B) os que apoiam a promoção de equidade e justiça, especialmente num nível local e regional  e  dentro da união europeia isto é ainda mais urgente para países como Portugal que são “periferia”. (orientação para a coesão)

Ø

Para Portugal, é fundamental que seja a ideia da coesão a vingar.(Embora não resolva tudo)

O nosso interesse nacional depende disso. O nosso interesse nacional depende da aplicação de uma lógica orientada para a coesão, sem a qual não conseguiremos sobreviver.

Não temos tamanho, nem escala, para enfrentar uma lógica modelar orientada para uma extrema competitividade europeia.

Não podemos fazer isto que se mostra abaixo:

SARKOZY - GRANDE PARIS

Não temos tamanho nem poder económico para fazer isto. É uma realidade concreta, que discursos bonitos e voluntaristas não conseguem apagar.

Estamos na periferia, afastados do centro europeu.

Num mundo em que se sabe que o numero de empregos a criar – no futuro – será menor, é da natureza das coisas que uma área que faz parte do centro da Europa, os consiga atrair mais facilmente do que uma área que não faz.

É da natureza das coisas que uma área do centro da Europa – melhorada – ainda atrairá mais facilmente mais empregos do que uma periferia.

A “escala” das divergência entre regiões europeias ( o centro e as periferias) terá assim tendência em alargar-se enormemente – mais ainda do que já está.

Um país como Portugal fica “exaurido” de recursos só para pagar um TGV, um aeroporto, uma ponte, que são pequenos empreendimentos, quando comparados com este em França, mas também com outros como os jogos olímpicos de Londres de 2012 ou as constantes requalificações feitas pela Alemanha no seu território.

PRODUTO INTERNO BRUTO EUROPEU ACTUAL

Este é um mapa (não vou indicar a fonte) do produto interno bruto europeu no ano 2000. Quanto mais carregada for a cor, mais alto é o produto interno bruto da área.

Observe-se a “força” (o poder bruto) do centro da Europa (e a correspondente capacidade de atracção de empregos e recursos…)

Repare-se na periferia que dá pelo nome de Portugal.

Embora o produto interno bruto seja apenas um dos critérios de análise em relação a uma sociedade, isto prova, no entanto, como estamos a jogar um jogo, o qual nunca iremos ter hipótese de vencer.

Partimos em larga desvantagem. Nunca a recuperaremos se jogarmos o jogo pelas regras de outros.

É por isso que a França de Sarkozy pode lançar obras gigantes. Tem o seu próprio orçamento de Estado e a sua “enorme escala” e tem países mais pequenos (como Portugal) a ajudarem com contratos para construção de infraestruturas que – após terem sido feitas – continuarão a colocar Portugal numa periferia, onde já está e da qual nunca sairá.

E cito uma parte do post inaugural deste blog:

Como povo, somos vitimas de uma mistificação nacional.

Foi “decidido” internacionalmente; com a ajuda do sentimento de inferioridade, desejo de agradar, recompensas em bens materiais e prestígio, e temor reverencial dos políticos portugueses – da actual classe política – que deveria Portugal aceitar ser pobre, ser um país de “serviços”, um país de turismo, um país de mão de obra apenas qualificada para esses sectores.

PORTUGAL: UMA LETARGIA MUITO BEM INCENTIVADA

leave a comment »

À propósito de uma expressão usada pelo leitor Pedro fontela, nesta caixa de comentários; “uma letargia muito bem incentivada”; uma das formas comummente usadas para incentivar a letargia é por exemplo dizer uma frase como a seguinte:

” os contornos do debate político estão a mudar”.

Quantas vezes não ouvimos ou lemos este tipo de frase?

É-nos dito que existe um debate político que está em mudança. Quem afirma isto (O fazedor de opinião)  aumenta a sua credibilidade e anuncia algo de novo a um público sempre ansioso por novidades.

Existe um público sempre ansioso de novidades porque foi “educado” para ser sempre “ansioso” por novidades, logo, mentalmente mais “desperto” a ser “adaptável”, a mais uma pseudo novidade…

Depois, normalmente o passo seguinte será dizer que

“como os contornos do debate político estão a mudar”

também as forças dentro dos contornos do debate político estão a mudar.

E avança-se para a caracterização da mudança.

E poderá dizer-se que:

a (nova) grande divisão é entre quem a favor da distribuição de poder e quem é a favor da centralização de poder.

Em vez da velha divisão “Esquerda Vs Direita” do antigamente….

E assim somos gentilmente levados para onde se quer que sejamos gentilmente levados…

Esta é uma forma em Portugal especialmente bem cultivada de incentivo da letargia nas pessoas no que ao debate político e ao pensar política diz respeito.

É uma técnica de “despolitização da sociedade”, tentando evitar a existência de “lados”(opostos).

Como a nova divisão (oficialmente declarada) é entre

– quem é a favor da distribuição de poder;

VS

– quem é a favor da centralização de poder,

o resultado será o seguinte:

Assim nos enganam dizem, ser necessário afirmar que existem, na esquerda política centralizadores de poder que estão lá conjuntamente com “dispersadores de poder” que também lá estão.

E na direita política existem lá dispersadores de poder, assim como centralizadores de poder.

Isto é a tradução de – no caso português – da expressão “Bloco central”, mas agora recauchutada, revista e aumentada e com nova cara.

Quando se aplica isto ao estado económico, a lógica argumentativa é a mesma.

É dito que (1) uns que querem que o Estado use mais músculo a debelar a crise económica; e

que existem (2) outros que querem que ao individuo seja dado mais poder.

Esta é uma das formas subtis de letargia muito bem incentivada que é aplicada no país que dá pelo nome de Portugal.

Convencer-nos que isto é meramente um problema de centralização de poder vs distribuição de poder.

Estas são as “novas teorias” e conceitos completamente importados do mundo político anglo saxónico visando dizer que  a dispersão de poder é boa e a centralização de poder é má, e que esta lógica que daqui decorre é que é aquilo que se deve discutir em política.

Discutir “isto” é discutir nada.

E a “tradução” da discussão de nada, é conhecida, em termos práticos, na retórica comum, como sendo a situação em que é usada a palavra “regionalização”.

Written by dissidentex

17/04/2009 at 14:28

ESPANHA, PORTUGAL E O TGV

leave a comment »

No dia 24 de Setembro de 2008 inseri um artigo chamado “satélite espanhol vigia a costa portuguesa” onde era mostrada e comentada uma notícia do Diário de notícias segundo a qual Madrid estaria a montar um serviço de vigilância da costa portuguesa, com um comando central nas ilhas canárias e um comando secundário em Lisboa.

O governo português, poltrão e alheado de quaisquer valores pelo quais se deva reger, neste tipo de assuntos, assim como noutros, não comentou a questão na altura.

No artigo anteriormente mencionado mencionei vários exemplos de como o governo português (o Estado português) recusa ceder soberania (tropas portuguesas em missões internacionais, juntas com tropas italianas, por exemplo, mas não espanholas) e se comporta geralmente.

No entanto algo está a mudar e são ténues os sinais mas existem. O embaixador espanhol em Portugal fala como se fosse um regente nomeado. Notícia Diário de notícias de 22 de Janeiro de 2009.

espanha-ameaca-estrategica-tgv

Alguns excertos:

vamos relançar ou acelerar os investimentos públicos em infra-estruturas, investimentos que são estratégicos: a ligação de alta velocidade ou do TGV entre Madrid e Lisboa, Porto e Vigo, para 2013 e 2015, no caso de Lisboa-Porto, e depois a ligação Aveiro-Salamanca e Sevilha-Huelva-Faro”.

Define a política naval de Espanha e de Portugal:

“O porto natural de Espanha devia ser Lisboa e não Valência.”

Define a política de transportes e de energia  portuguesa:

Vamos duplicar a interconexão eléctrica e vamos relançar o MIBEL. Neste momento Portugal está a comprar 20% da electricidade em Espanha.”

E explica que se para Espanha o TGV é sinónimo de coesão e territorialidade, com uma ligação do TGV feita e em funcionamento, essa coesão e territorialidade seria feita entre “Espanha e Portugal…

“Para muitos espanhóis, o TGV é sinónimo de coesão territorial e de prosperidade. Neste momento temos 13 cidades ligadas pelo TGV. Todas as capitais de província espanholas querem o TGV. É uma mudança histórica.”

Já quando se fala de regionalização em Portugal, o embaixador retira-se do assunto dizendo que:

José Sócrates apresentou há dias a sua moção ao congresso do PS onde defende um referendo à regionalização. O que pensa da ideia, dada a experiência da Espanha como estado de autonomias?

Esta é uma decisão que compete aos portugueses.”

Percebe-se porquê.

Se se quer “juntar ” Espanha a Portugal não interessa que Portugal se divida em regiões, aumentando a confusão e a dificuldade do processo político de “anexação” económica-pacifica de Portugal – Espanha.

Nota: se o TGV é tão bom, segundo nos diz o embaixador espanhol, porque é que Madrid não recebe os fundos europeus para o construir, faz isso efectivamente, e depois fica a gerir a linha e o serviço?

Se calhar, mas só se calhar, é porque é bom o TGV, mas para Espanha e desde que exista linha até Portugal, mas que a linha portuguesa seja paga por Portugal, mas servindo estrategicamente Espanha.

Até por este simples pormenor se verifica que o TGV não interessa.

Written by dissidentex

29/03/2009 at 15:41

DE ONDE VEM AS “REFORMAS DA EDUCAÇÃO”.

leave a comment »

Em 1957/1958, os EUA entraram em recessão – uma profunda e inesperada recessão. Foto: Time Magazine.

recessao-de-1958-eua

Devido à decadência do sistema social e económico americano, nessa altura; tal contribuiu para um sentimento de perda de identidade; de o país estar a caminhar para se enredar num “nó” , de falta de alternativas e de esperança para os cidadãos americanos e para a “elite política” e económica.

A elite política norte americana, reagiu ao problema de várias formas. Uma delas foi o lançamento de grandes “programas” de desenvolvimento da nação. Um desses programas foi o Equal/economic Opportunities Act.

Lindon Johnson, na altura o Presidente afirmou: “Hoje, pela primeira vez, na história da raça humana, uma grande nação é capaz e tem a disposição de se empenhar a erradicar a pobreza da sua população”.

Nada pretensioso.

Johnson pertencia ao “Partido Democrata” – aquilo que passa por ser a “esquerda”… nos EUA.

Inseria-se dentro de uma programa chamado “Great Society Program” , e “War on Poverty”.

Eram ideias que retomavam algumas das linhas de orientação do programa político de John Kennedy, chamado Nova fronteira.

O programa de Johnson (1) nunca erradicou a pobreza e (2) apenas constituiu uma desculpa adicional para criar um deficit nas contas públicas americanas.

Ø

Uma das características desse programa visava “conceder educação” aos norte americanos – valorizá-los.

E dessa forma, precisamente pelo que – também – tinha acontecido na recessão de 1957-58, ou seja, milhões de desempregados, no país que em 1958 era a indisputada potência económica, rebanhos de norte americanos forma incitados a serem agregados em colégios e escolas.

Prologando-se a “coisa” até aos anos 60. O “truque” visava mascarar a taxa de desemprego. Torná-la “oculta”.

De 1960 até 1975, a população universitária norte americana mais que duplicou. Segundo os dados que disponho passou de 4 milhões para 10 milhões.

Ø

Tal serviu para que os banqueiros de Wall Street e demais interesses financeiros do país desviassem “investimentos” para a construção de mais Universidades, feitos também, com a ajuda de generosos subsídios estatais.

As pessoas daí derivadas estavam – embora não o soubessem – grande parte delas, a ser atiradas para um mundo de sub empregos.

O investimento em tecnologia feito nas Universidades americanas, para gerar de novo novas formas de criação e parar a obsolescência da industria americana, foi assim travado, em beneficio de uma nova teoria que foi “vendida” – a sociedade pós industrial como conceito.

Os estudantes passaram a ser encorajados a perseguírem carreiras em cursos de papel e caneta- relações sociais, ou sociologias e “carreiras conexas do mesmo estilo”.

A “transformação” visava obter o seguinte:

– uma baixa qualidade produzida em massa, que por sua vez originava mais padrões “baixos” de qualidade.

Os investimentos que aquela sociedade deveria ter feito na melhoria da vida urbana, nos transportes públicos, nos serviços de agua e saneamento e demais estruturas a eles agregadas.

Ø

A”lógica” por detrás disto era: ” se não se está orientado para investir em produtos industriais e a sociedade já não é predominantemente industrial, então para quê investir em infraestruturas físicas que levem os produtos derivados dessa mesma( inexistente) produção industrial para o mercado?

Ø

Para vender isto mais eficazmente era necessário alterar a percepção de como era visto o conhecimento cientifico e o progresso industrial. E foi por isso que a cultura das drogas e do psicadelismo apareceu. Existiram “projectos” para fomentar ou ajudar a fomentar estas teorias.

E até surgiram “correntes filosóficas novas” baseadas em misticismo esotérico e irracionalidade mágica, para consubstanciar os novos tempos. Como é óbvio “esta treta” acabou a ser exportada por todo o mundo Ocidental…

E o empenhamento do governo americano com o progresso cientifico foi restringido, até porque uma nova “elite” que começava a sair das Universidades imbuída deste mesmo “estilo” novo de olhar o mundo, apenas o via numa lógica de preocupação apenas com o seu bem estar pessoal, e uma visão cínica do mundo.

Enquanto que, paralelamente, era incentivado o “psicologismo” – o treino da sensibilidade. Onde as pessoas eram treinadas para estarem mais preparadas para se preocuparem e serem mais compreensivas com os defeitos dos outros do que em verem que a nação e a população – olhadas como um todo – que estavam a perder o seu sentido de colectivo e de objectivo.

Ø

Enquanto isto ocorria – paralelamente – a economia americana estava a ser organizada em função dos interesses dos banqueiros e não em função dos interesses industriais. Como tal, indústrias inteiras começavam apenas a preocupar-se com o retorno (o lucro) e não coma evolução tecnológica. E dentro dos EUA, começaram a deslocalizar-se dos centros industriais do Norte, para o Sul mais pobre.

E ao mesmo tempo, começaram a deslocalizar-se para fora dos EUA.

Operários especializados do Norte dos EUA, tinham agora que competir com operários pouco especializados do Sul, quase como se fossem Pitbulls a serem atiçados uns contra os outros, por um número cada vez mais pequeno de empregos.

Isto originou um crescente desemprego, e todos os problemas a ele associados: drogas, má qualidade de vida, Guetos.

Os sindicatos pobres do Norte dos EUA, foram também atacados. Impedidos de se expandirem para Sul e exigirem “direitos”

Lá também se jogou a carta do racismo. Os operários do Sul eram predominantemente negros, os do norte predominantemente brancos. Se um sindicato protestasse era “racista”.

Esta situação tinha sido despoletada pela forma como a economia foi organizada e surgiram os antecedentes: o “modelo” a partir do qual o Presidente Johnson retirou as ideias para a sua Guerra à pobreza (aparte ter ido também buscar algumas ideia a Kennedy…) e que tinha sido desenvolvido por uma Fundação em nome do Presidente Ford.

Foi também criado um “Gabinete da oportunidade económica” que visava enfraquecer as vozes tradicionais da política americana. Os trabalhadores industriais sindicalizados eram assim constituídos em alvo, e e os meios de comunicação “de esquerda” (liberals) apelidavam-nos de “racistas” e “reaccionários” por estes não aceitarem reduções de ordenado nem deslocalizações – sendo que o argumento para tal era dizer-se que estavam a “empobrecer” os pretos do Sul.

E brancos contra pretos, desempregados contra empregados foram assim atiçados uns contra os outros nesta nova “Grande sociedade”.

Quem beneficiou disto foram os banqueiros:

– Beneficiaram dos enormes cortes nos salários.
– Beneficiaram dos cortes no investimento público.
– Canalizaram investimento para o estrangeiro com mais elevadas taxas de retorno .

Ø

Em Portugal as semelhanças são sistemáticas, mas duplas.

No inicio dos anos 90 fez-se exactamente o mesmo em Portugal, que no final dos anos 50, nos EUA.

Massificação do ensino Universitário, com o consequente rebaixamento da qualidade dos cursos e com o aumento explosivo e exponencial dos cursos em papel e caneta.

Para quê produzir licenciados em “ciências duras” se ao mesmo tempo estavam a ser assinados tratados comerciais visando (1) desindustrializar, (2) acabar com a agricultura e com as (3) pescas?

Actualmente estamos numa segunda fase: um Uppgrade reloaded”.

Os PitBulls “atiçados uns contra os outros” são os professores – dentro da classe – com a criação de duas carreiras – a de professor titular e a de professor não titular, e para fora da classe, atiçando os professores contra o resto da população.

Noutras classes profissionais passa-se o mesmo fenómeno. E todos somos “atiçados” contra todos…

E também temos – para contrariar o desemprego galopante – a “formação”.centro_novas_oportunidades

Já agora: faça-se a “comparação” com os nomes “Nova Fronteira” , o programa político de John Kennedy, – a palavra “Nova” e a palavra “Novas” oportunidades”. (E os congressos sócraticos chamados de “Novas Fronteiras”)

E misture-se isso com o programa americano dos anos 60 – “Equal/Economic Oportunities Act”, e veja-se de onde vem os conceitos e de onde vem a “total falta de originalidade” dos nossos políticos que nem sequer se preocuparam em disfarçar de onde vem e o que querem…

A fonte de inspiração é claramente a mesma. Os objectivos são – transpostos para a escala portuguesa – os mesmos dos objectivos do programa original norte americano dos anos 50/60.

Reduzir-nos a nada.

JOSÉ SÓCRATES, O EMPREGADO DO MÊS DA JP SÁ COUTO

leave a comment »

A crise é algo que toca a todos. Aquele senhor que é primeiro ministro de Portugal também sente os efeitos da crise. Como muitos portugueses que passam dificuldades, o senhor que é primeiro ministro de Portugal, arranjou um segundo emprego. Para ajudar a pagar as contas da agua e da luz.

É vendedor. Sai do emprego como primeiro ministro e vai vender material informático.

A empresa que o contratou decidiu, recentemente, devido à dedicação que o senhor que é primeiro ministro tem, atribuir-lhe o prémio de “EMPREGADO DO MÊS”.

A inspiração para este cartaz originou de Wo Have Kaos in The garden. Que pode ser encontrado AQUI.

Isto vem a propósito do senhor que é primeiro ministro ter participado na Cimeira Ibero Americana. Onde decidiu deixar de ser o primeiro ministro (o seu primeiro emprego) e passar a ser um vendedor comercial (o segundo emprego) de computadores.

Com o tacto que o caracteriza, decidiu oferecer um computador Magalhães aos chefes de Estado e de governo. Ofereceu um computador para crianças a chefes de Estado adultos.

Nas rádios portuguesas, era explicado qual era o objectivo da visita: José Sócrates ia para vender Magalhães. José Luís Zapatero ia para convencer os outros países a adoptarem uma posição de apoio à entrada da Espanha para o grupo G20.

Zapatero faz política.

Sócrates faz propaganda e vendas.