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Archive for the ‘PSEUDO CULTURA’ Category

QUAL É A CULTURA POLÍTICA DO ESTADO PORTUGUÊS?

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O actual regime democrático não apresenta uma cultura política marcadamente própria.

E tal acontece porquê?

Porque a cultura política do Estado português e do actual regime foram desenhadas para não terem traços marcadamente próprios.

O que o post que eu cito acima deveria perguntar é o porquê de a cultura política do Estado português e do regime democrático português não apresentar uma cultura política marcadamente própria.

Acaso fosse feita essa pergunta e estivéssemos dispostos a ir até ao fundo da resposta provavelmente descobrir-se-ia que a “geração de democratas feitos a martelo” que emergiu após o 25 de Abril nunca quis que o Estado Português e o regime apresentasse uma cultura marcadamente própria.

As razões eram duas:

(1) Porque não sabiam como fazer.
(2) Porque não queriam fazer e sentiam-se confortáveis com a cultura que ainda deriva do Salazarismo.

É por essa razão que nunca existiram, por exemplo, nos currículos do ensino secundário disciplinas que ensinassem aos alunos o que era civismo e cidadania, mas praticados dentro de um regime democrático.

Porque formar cidadãos com ideias cívicas e de cidadania; foi algo que nunca interessou a este regime actual, nem aos políticos que dele emergiram especialmente os que se apelidam de ser em de esquerda.

E o resultado está à vista: sondagens que dão 34% de cidadãos a pensar votar em eleições (um fracasso da cidadania e do regime)  e canonizações de guerreiros medievais, como sendo os tópicos da pátria e as grandes discussões a ter.

Deve-se perguntar “porque é que é esta a cultura política” que  temos.

Perguntar qual ela é, já nós sabemos.

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Written by dissidentex

18/04/2009 at 21:58

O COMPUTADOR MAGALHÃES, OS INTELECTUAIS E A REVISTA LER

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revista-ler-capa-antonio-barreto(1) Para se conseguirem audiências convida-se uma pessoa conhecida, das artes e das letras, da academia.

(2) Põe-se a imagem dessa pessoa na capa da revista para a qual se convidou uma pessoa conhecida das artes e das letras, da academia.

(3) Faz-se uma entrevista a essa pessoa conhecida, oriunda das artes e das letras da academia, e retira-se uma frase que a pessoa conhecida disse. Uma frase bombástica ou aparentemente bombástica que chamará a atenção de quem a veja na capa e depois queira adquirir a revista.

A frase é ” O Magalhães é o maior assassino da leitura em Portugal”.

(4) E assim se alcança o efeito pretendido: notoriedade.

Importa notar que o conteúdo da mensagem de António Barreto é “contra” uma lógica de mercantilização e de alienação que o uso do (computador) Magalhães criará numa sala de aula. Também é contra a lógica “de mercado” e de marketing chico esperto da direcção editorial da revista Ler.

Isto num puro domínio da “ética” e dos princípios…bem entendido.

E a revista não nos desmente, antes confirma.

Ao lado do titulo com a imagem de António Barreto e a frase

” O Magalhães é o maior assassino da leitura em Portugal”.

está a frase

“…os intelectuais:podemos acreditar neles”?

Ø

Barreto é a doença e o antídoto de si mesmo. É simultaneamente apresentado na capa desta revista como uma “voz de autoridade” e ao mesmo tempo é rotulado de ” intelectual, ao qual se planta a duvida de não ser (em) credíveis para podermos neles acreditar.

Ora… se António Barreto é visualmente apresentado com o suposto ar mitológico imaginado do que será um “ar intelectual” (um tipo velho, de barbas, de ar sábio, com um livro na mão) para corroborar a imagem e a frase relacionada com o Magalhães;

ao lado de António Barreto surge uma frase a atacar os intelectuais. A comparação e o paralelismo é óbvio…

Eis como se faz um exercício desonesto pseudo cultural e se desvaloriza uma opinião “bombástica” para a qual se trabalhou para se obter, apenas para ao lado dessa opinião bombástica, estar uma frase a destruir.

Numa simples capa esta revista atacou mais a leitura, ao destruir desta forma assassina e “silenciosa”, a critica de António Barreto ao computador e ao ideal de sociedade que está por detrás da ideia, do que mil Magalhães a trabalharem em várias salas de aula.

Artigo relacionado com “Computador Magalhães e como este ajuda a destruir a escola”

Written by dissidentex

09/03/2009 at 18:26

EXPOSIÇÃO DARWIN – GULBENKIAN – 13 FEVEREIRO DE 2009

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O que está em baixo são as imagens em exclusivo para este blog, dos convites da exposição Gulbenkian sobre Darwin. Frente e costas.

( Extraordinário! Após este marco fenomenal, já posso fechar o blog – nada mais resta a atingir…)

Obtive estes convites quando contactei um soldado de um exercito morto que conheço que mos facultou. Porque era uma exposição que “estava muito gira”.

E como estava muito “gira” fui até lá no dia designado.

darwin-convite

E o estado do que é Portugal estava ali em todo o seu esplendor. Ou deverei escrever esterco?

Algumas das pessoas mais idiotas e superficiais que representam efectivamente o que é a sociedade portuguesa pavoneavam-se.

Das poucas pessoas que ali estavam para efectivamente, ver a exposição, eu era uma delas.

O resto eram os costumeiros mirones que aparecem nestas alturas e pedem convites que lhes são dados para fazerem isso mesmo: aparecerem.

Sendo a Gulbenkian um Estado dentro do Estado tal é normal. Também é normal, nas cerimónias de Estado, aparecer um alto dignitário da igreja (expressão irónica) para “benzer a coisa”.

Excepto em exposições sobre Darwin. Nota a recordar…

E como a Gulbenkian é verdadeiramente um Estado dentro do Estado, os cortesãos apareceram vindos de todos os lados.

Desde o ministro da cultura rodeado de gente, a  “jornalistas da cultura”; “estilo fashion”, a meninas de escolas particulares ainda vestidas com a farda…

Mas deu para observar “clinicamente” a fauna e flora do local. Senhoria de 40 anos a quererem parecer ter 25, com vestidos de noite e colares de pérolas, gente altamente bem vestida que se notava que estava ali para “aparecer”;resplandecente, tipos que pareciam ser do Bloco de esquerda, que tinham o aspecto por contraste dos anteriores referidos (vi um com um cabelo à Marco Paulo, esse nacional cançonetista dos anos 80, e com o bónus de ter um bigode, uma das figuras  mais ridículas e estranhas que já vi na minha vida) e tudo isto, misturado com o pessoal “queque” e cheio  de pergaminhos que vem assistir a concertos de música clássica.

Uma salada russa incongruente…

Uma jovem “na moda” conseguia ter uma saia e um resto de corpo, cuja roupas tinham 6 tonalidades de cor diferentes, mala que levava excluída, e mala essa que ainda tinha mais duas cores diferentes.

Uma abacaxi-manga-maracujá com pernas…

Uma fauna heterogénea e heteroclítica, ortorómbica e triclínica…

Ø

E como sempre em Portugal uma exposição que deveria começar a ser inaugurada às 7 horas da tarde começou perto das nove da noite.

Antes, pelas 4 horas da tarde, começou a existir um “beberete” , um lanche cocktail, um “get together” para que a fauna pseudo cultural pudesse aceder os faustos do império decadente.

Depois veio o rei mor deste espectáculo chacina.

O senhor Aníbal Cavaco silva, uma pessoa que de cultura nada tem, próximo da Opus dei, a organização anti Darwin por excelência, que conseguiu ocupar numa visita privada a exposição, conseguiu ocupar, escrevia, quase uma hora.

E o que era para começar à 7 da noite deu para eu percebesse, o porquê de não ter começado, quando sai do local as 8.15 da noite e vi a “comitiva a sair“. Iria começar quase perto das 9 da noite.

1500 pessoas aglomeravam-se como se fossem saldos, uma qualquer black friday do corte inglês, para entrar numa porta pequenina, à vez, para irem ver a exposição, que era vista em 5, talvez 10 minutos e saiam para  a rua por uma outra porta da Gulbenkian.

E quando eram 9 e 5 minutos da noite perante o vislumbre de 200, talvez 300 pessoas ainda em espera para entrarem para a exposição, uma das pessoas que mais destoava daquele ambiente (isto é, eu) saiu nos seus ténis cinzentos  e de casaco verde camuflado, para a rua, para ir apanhar o autocarro mais mais próximo (que horror, que proletário…) e ir para casa.

É verdade. Não vi exposição nenhuma e estive à espera dela…quase duas horas inteiras.

Ok, não me enganam mais.

Quando os exércitos de burocratas mortos se manifestam em viagens com séquito atrasado, verificamos que existem diferentes gradações na burocracia, e diferentes graus de competência na corrupção do sistema.

Mas deu para ver as peças de porcelana à venda do Amadeo de Sousa Cardoso – 5 chávenas, 60 euros, ou os pin´s sobre o darwinismo, 1.5 euros… e outras maravilhosas coisas mais, excepto o Elefante vindo da Índia, lá pelos idos de 500 e o livro de Darwin que deu origem a isto tudo…

Mas garantem-me que a exposição vale a pena.

De facto vale, mas a inaugurações em Portugal – de “cultura cultural”- não vou mais.

E como classificar as senhoras que se equilibravam em saltos de 20 centímetros e conseguiam andar com cara séria?

Written by dissidentex

17/02/2009 at 20:53