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Archive for the ‘SOCIETÉ DU SALON’ Category

MEDINA CARREIRA, UM FILÓSOFO DO ESTRONDO VERBAL TREMENDO

O filósofo do estrondo verbal tremendo desce sobre a Figueira da Foz quase semanalmente.

Coitados.

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A melhor definição sobre o acto de fazer “tremendismo”, essa nova filosofia “estrondosa” activamente desenvolvida pelo guru tardio que desabrocha em saraus culturais pós milénio é-nos oferecida gentilmente  pelo autor deste blog.

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“A sua boca é uma torneira a deitar enormidades; que não caem em saco roto: a sua audiência é um imenso balde sem fundo e de boca aberta.

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O autor do blog tem acompanhado com regularidade a carreira do filósofo do estrondo verbal tremendo.

Tem acompanhado a interacçâo da sociedade onde vive com as palestras tremendas e estrondosas do filósofo.

Um pequeno extracto define o húmus social interagindo com o estrondo verbal tremendo ao mesmo tempo que uma comparação com tempos passados é efectivada na escrita, para nosso deleite.

Um pequeno extrato:

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Portugal é um país pobre. Antigamente, no Natal, as famílias juntavam-se ao borralho e como não havia prendas, o pai dava peidos e a gente ria-se.” Contudo já não é bem assim.
O país continua pobre mas as pessoas conhecem mundo. Diz-se até que vivem acima das possibilidades. Na Figueira, por exemplo, de manhã fazem jogging na Avenida; passeiam-se, à tarde, no Centro-Comercial; depois, despem o fato informal e vão, de noite, às tertúlias do Casino: ouvir, entre suspiros, Medina Carreira arrotar.

A notícia é que já ninguém se ri. Aplaudem de pé.
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Uma sociedade harmoniosa e bucólica.
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Written by dissidentex

11/10/2011 at 18:17

CHINA, OS MERCADOS E OS DIREITOS HUMANOS

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Existem por aí umas vozes confortáveis de cidadãos bem instalados na vida que se manifestam de forma extremamente indignada acerca das violações dos direitos humanos na China.

Existem por aí umas vozes confortáveis de cidadãos bem instalados na vida que se queixam da visita do Presidente Chinês a Portugal.

Existem por aí umas vozes confortáveis de cidadãos bem instalados na vida que se queixam da proibição feita sobre uma organização que se pretendia manifestar contra a vinda do Presidente chinês.

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Independentemente de se considerar justas ou não estas posições baseadas na moral e na indignação normalmente apenas selectivas;

independentemente de não ser um bom sintoma que uma manifestação seja afastada do local da visita porque  alguém com espírito totalitário decidiu  que pode prejudicar a visita;

torna-se necessário afirmar que os mesmos cidadãos , quando existem violações de direitos humanos em Portugal olham para o lado.

Apesar das violações de direitos humanos em Portugal serem pequenas, quando comparadas com as chinesas,  o que ressalva é que para os cidadãos portugueses com as suas vozes confortáveis de cidadãos bem instalados na vida, o grau de violações dos direitos humanos é considerado como sendo de tipo gradativo.

É por essas razões que são tão lestos a manifestarem a sua repulsa em quilos de indignação com a China e a ignorarem olímpicamente as pequenas violações de direitos humanos em Portugal.

A China é longe e não se arrisca nada por proferir palavras de desagravo contra os chineses.

Já as pequenas violações de direitos humanos em Portugal podem suscitar problemas de relacionamento entre os pequenos membros da societé de salon portuguesa e a sua corte de capelinhas de amigos medíocres e corruptos… mas que se acham acima de qualquer falta moral…

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Estas conversas de salões de chá bem pensante sobre direitos humanos são também (1) convenientes e (2) morais.

Há sempre conveniência em arrotar convenientes indignações a propósito destes assuntos, esquecendo convenientemente de largar o arroto indignado quando cidadãos portugueses são alvo de violações de direitos humanos.

Para estes “Cruzados” da indignação anti chinesa, os cidadãos não são todos iguais, embora estes mesmos “Cruzados  jurem pelas suas famílias que o são e que não tem nunca , nem nunca tiveram, qualquer ideia de discriminação sobre ninguém…

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Estes arrotos dos “Cruzados” metem nojo.

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Actos de valentia verbais sobre assuntos que estão a 20.000 Km de distância.

Quando os assuntos estão a 10 Km de distância (podendo ser resolvidos…) ou a 300 Km, por onde andam estes Cruzados do arroto?

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São, além disso, também considerados como sendo questões morais.

E as questões morais são questões que todos discutem.

Todos ficam felizes por as discutir.

Todos ficam felizes a discutir questões de moralidade , que se passam num país que está à distancia de 20.000 Km.

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Amoralidade apresenta aspectos eminentemente democráticos:  toda a gente a pode discutir.

A moralidade é bela.

Os sentimentos que dela emanam são belos.

Uma lufada de auto satisfação egocêntrica emana mais forte deste exército de “Cruzados” lutadores retóricos que discutem acaloradamente moral e direitos humanos na China.

Que orgasmo.

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Acaso se perguntasse a estas pessoas se tinham estômago para o resto que se pretende após as discussões sobre moral e direitos humanos, a resposta será não tenho tempo…

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Já quanto a China e aos mercados o que se vai passar é o seguinte:

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Ou como diz o próprio na entrevista:

(P) Onde é que entra a China?

(R ) A Alemanha sabe que pode contar com China porque Pequim não quer ficar sozinha com o dólar para o resto da vida. A china é a única entidade do mundo convictamente empenhada – pelo menos enquanto esta direcção lá estiver – em que o euro não se afunde. Quer ter outro parceiro que não apenas o dólar e no que puder ajudar, fa-lo-á.

Comprar dívida emitia por entidades europeias…
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Existem por aí umas vozes confortáveis de cidadãos bem instalados na vida que se manifestam de forma extremamente indignada acerca das violações dos direitos humanos na China.

Quando a China comprar dívida soberana portuguesa estas vozes confortáveis irão protestar?

Os “Cruzados” da indignação anti chinesa, irão soltar o proverbial arroto da indignação e irão ficar indignados por a dívida externa portuguesa continuar a ser financiada pelos violadores de direitos humanos, ou irão convenientemente e moralmente assobiar para o lado em relação a este assunto?

SOCIETÉ DU SALON

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A “Societé du salon” francesa do séc. XVIII é um processo de estabelecimento de um conceito de civilização.

Esse processo ocorreu no meio ambiente adequado; o “salão”, onde convivas  “elegantes” debatem e discutem.

Para  fazer usam uma nova e refinada moral, uma linguagem de onde se destaca o bom uso da mesma; e uma estética de galanteria e glamour.

No século 17, até se tornaram um paradigma da criação literária.

Contudo, à medida que estes “valores” surgiam sobre o comando de Richelieu (um lógica de contra poder) e mudavam para o de Luís XIV (uma lógica de poder dominante); iniciam um processo de rigidifícação.

A sociedade da discussão como prazer elegante, dá o lugar a sociedade ritualizada em todas a suas actividades.

O modelo do “homem galante” dá lugar ao modelo do “homem honesto”, que cultiva uma “arte da medida para se adequar a todas as situações”.

Um cortesão.

A progressiva “especialização” dos salões, transforma-se em “academias” .

Cujo objectivo é a preparação de um “gosto clássico”.

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A Societé du salon do século XXI em Portugal não é o processo de estabelecimento de um conceito de uma civilização.

Os salões não tem glamour, nem são frequentados por homens honestos ou elegantes.

São ecrãs de plástico ou de plasma os salões do século 21. E neles ocorrem as “discussões”.

São discussões entre auto nomeados aristocratas.

Essas discussões  não visam ter ramificações ou consequências reais fora dos plasmas do século XXI.

Nem é suposto que a plebe – a quem os plasmas debitam constantes diálogos de salão –  faça algo mais do que observar em pose bovina e concorde cheia de entusiasmo – que este é o seu fardo imutável para carregar.

Nem sequer existe a preparação de um conceito de “gosto clássico”.

Written by dissidentex

02/05/2010 at 18:07

Publicado em SOCIETÉ DU SALON

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