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CHINA, OS MERCADOS E OS DIREITOS HUMANOS

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Existem por aí umas vozes confortáveis de cidadãos bem instalados na vida que se manifestam de forma extremamente indignada acerca das violações dos direitos humanos na China.

Existem por aí umas vozes confortáveis de cidadãos bem instalados na vida que se queixam da visita do Presidente Chinês a Portugal.

Existem por aí umas vozes confortáveis de cidadãos bem instalados na vida que se queixam da proibição feita sobre uma organização que se pretendia manifestar contra a vinda do Presidente chinês.

Ø

Independentemente de se considerar justas ou não estas posições baseadas na moral e na indignação normalmente apenas selectivas;

independentemente de não ser um bom sintoma que uma manifestação seja afastada do local da visita porque  alguém com espírito totalitário decidiu  que pode prejudicar a visita;

torna-se necessário afirmar que os mesmos cidadãos , quando existem violações de direitos humanos em Portugal olham para o lado.

Apesar das violações de direitos humanos em Portugal serem pequenas, quando comparadas com as chinesas,  o que ressalva é que para os cidadãos portugueses com as suas vozes confortáveis de cidadãos bem instalados na vida, o grau de violações dos direitos humanos é considerado como sendo de tipo gradativo.

É por essas razões que são tão lestos a manifestarem a sua repulsa em quilos de indignação com a China e a ignorarem olímpicamente as pequenas violações de direitos humanos em Portugal.

A China é longe e não se arrisca nada por proferir palavras de desagravo contra os chineses.

Já as pequenas violações de direitos humanos em Portugal podem suscitar problemas de relacionamento entre os pequenos membros da societé de salon portuguesa e a sua corte de capelinhas de amigos medíocres e corruptos… mas que se acham acima de qualquer falta moral…

Ø

 

Estas conversas de salões de chá bem pensante sobre direitos humanos são também (1) convenientes e (2) morais.

Há sempre conveniência em arrotar convenientes indignações a propósito destes assuntos, esquecendo convenientemente de largar o arroto indignado quando cidadãos portugueses são alvo de violações de direitos humanos.

Para estes “Cruzados” da indignação anti chinesa, os cidadãos não são todos iguais, embora estes mesmos “Cruzados  jurem pelas suas famílias que o são e que não tem nunca , nem nunca tiveram, qualquer ideia de discriminação sobre ninguém…

Ø

Estes arrotos dos “Cruzados” metem nojo.

Ø

Actos de valentia verbais sobre assuntos que estão a 20.000 Km de distância.

Quando os assuntos estão a 10 Km de distância (podendo ser resolvidos…) ou a 300 Km, por onde andam estes Cruzados do arroto?

Ø

São, além disso, também considerados como sendo questões morais.

E as questões morais são questões que todos discutem.

Todos ficam felizes por as discutir.

Todos ficam felizes a discutir questões de moralidade , que se passam num país que está à distancia de 20.000 Km.

Ø

Amoralidade apresenta aspectos eminentemente democráticos:  toda a gente a pode discutir.

A moralidade é bela.

Os sentimentos que dela emanam são belos.

Uma lufada de auto satisfação egocêntrica emana mais forte deste exército de “Cruzados” lutadores retóricos que discutem acaloradamente moral e direitos humanos na China.

Que orgasmo.

Ø

Acaso se perguntasse a estas pessoas se tinham estômago para o resto que se pretende após as discussões sobre moral e direitos humanos, a resposta será não tenho tempo…

Ø

Já quanto a China e aos mercados o que se vai passar é o seguinte:

Ø

Ou como diz o próprio na entrevista:

(P) Onde é que entra a China?

(R ) A Alemanha sabe que pode contar com China porque Pequim não quer ficar sozinha com o dólar para o resto da vida. A china é a única entidade do mundo convictamente empenhada – pelo menos enquanto esta direcção lá estiver – em que o euro não se afunde. Quer ter outro parceiro que não apenas o dólar e no que puder ajudar, fa-lo-á.

Comprar dívida emitia por entidades europeias…
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Ø

Existem por aí umas vozes confortáveis de cidadãos bem instalados na vida que se manifestam de forma extremamente indignada acerca das violações dos direitos humanos na China.

Quando a China comprar dívida soberana portuguesa estas vozes confortáveis irão protestar?

Os “Cruzados” da indignação anti chinesa, irão soltar o proverbial arroto da indignação e irão ficar indignados por a dívida externa portuguesa continuar a ser financiada pelos violadores de direitos humanos, ou irão convenientemente e moralmente assobiar para o lado em relação a este assunto?

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FUNDOS FINANCEIROS SAEM DO OCIDENTE EM DIRECÇÃO À CHINA

The Telegraph , 15 de Julho de 2009

It noted a “very sharp increase” in cash as funds opt for caution, as well as a retreat from growth stocks into the safe havens of pharmaceuticals, health care, and utilities. Hedge funds have cut their net “long positions”, with many switching to the “short” side as the rally falters.

  • Saída do risco para as compras seguras

Despite the skittish mood, investors still seem drawn like “moths to a flame” towards Asia and emerging markets, convinced that the catch-up economies will vastly outperform the Old World over the next twelve months. A net 54pc are overweight emerging markets, the second highest ever, led by Indonesia, China, Russia, and Brazil. They seem to be disregarding warnings that China may soon have to clamp down on rampant credit growth.

  • Três Bric´s atraem dinheiro, embora  a análise seja de curto prazo.

By contrast, the survey had never before seen such revulsion towards Europe. A net 30pc expect to hold underweight portfolios on Europe over the next year — punishing the region for its “over-valued currency”, and half-hearted stimulus by governments.

Mr Baker said the investor gloom over Europe could not be squared with the optimism elsewhere since Europe is leveraged to global trade and likely to recover in sympathy, even if slightly later. The divergence has become “dangerously extreme”, and that creates an excellent opportunity to start buying European stocks on the cheap.

  • Indução à compra através da venda da “janela de oportunidade” do preço baixo.

The Merrill monthly survey covers 221 funds managing $635bn. It is closely watched by experts because it reveals when consensus has swung too far in one direction or another. One way to use the data is to trim positions in hot sectors and rotate into those that are most spurned, which today means cyclical and industrial stocks in the eurozone.

  • E se não for branco, será preto, se não for de risco será de risco.

Ø

E ao dia 15 de julho de 2009, os gestores de fundos financeiros, bem pagos e bem preparados,  supõe-se, continuam sem fazer a minima ideia do que se vai passar a seguir.

Written by dissidentex

16/07/2009 at 19:19

CHINA DESFAZ-SE DE DÓLARES COMPRANDO BENS.

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(Dissidentex – China deixa de subsidiar os norte americanos como o fez até aqui)

china-deixa-de-subsidiar-a-moeda-americana

A companhia chinesa Sinopec (uma subsidiaria da CPC chinesa ) comprou a companhia canadiana Addax quase sensivelmente pelo dobro do preço em bolsa que a Addax valia,  no dia 23 de Junho de 2009. (Um prémio de 47%) (Notícia Público de 25 de Junho 2009)

Written by dissidentex

01/07/2009 at 16:26

Publicado em CHINA, DÓLAR EM DECLÍNIO

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AFRICOM – O NOVO COMANDO MILITAR NORTE AMERICANO

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África é o segundo maior continente da Terra, ocupando 20% da sua área.

África é também o maior depósito de minerais do mundo.

Africa’s share of the world’s major mineral reserves is estimated as follows: 8% petroleum, 27% bauxite, 29% uranium, 20% copper, 67% phosphorites, and substantial reserves of iron ore, manganese, chromium, cobalt, platinum, and titanium. Algeria, Egypt, Libya, and Nigeria are the major petroleum and natural gas producing countries in Africa. Botswana, Congo (D. R.), and South Africa together produce 50% of the world’s diamonds. Ghana, South Africa, and Zimbabwe together produce nearly 50% of the world’s gold.

Temos um território imenso, com uma população e respectivos estados; frágeis e temos as maiores reservas de minerais – de quaisquer tipos de minerais – lá localizados.

Um sitio “grande”, pouco defendido, com imensas riquezas naturais.

Ø

No dia 6 de Fevereiro de 2007, o malvado George Bush, anunciou que os EUA iriam criar um comando militar destinado a resolver os assuntos de África, (quais assuntos?) chamado Africom. Este novo comando militar teria as responsabilidades que antes eram partilhadas pelos comandos militares Central Command, Pacific Command e European Command.

Este novo comando africano teria que estar operacional o mais tardar a 1 de Outubro de 2008.

O novo comando militar ficou destacado na Alemanha, na base de Rammstein, devido à impossibilidade de se conseguir encontrar um país africano que quisesse lá ter bases militares, representando o “Africom”.

Um grupo de intelectuais africanos criou um movimento destinado a alertar as populações e as opiniões publicas sobre a militarização do continente que este gesto norte americano implicava.

AFRICOM—which becomes operational on October 1, 2008—will oversee the growing array of U.S. military programs already being implemented in Africa. These range from military training, to the delivery of millions of dollars worth of weaponry and other military equipment, to the establishment of a new U.S. military base on the continent, to the deployment of aircraft carrier battle groups to patrol the waters of the oil-rich Gulf of Guinea, to the deployment of U.S. troops on battlefields in Somalia, Chad, and Mali. In fact, it would surprise most people to know that American soldiers are already fighting in Africa.

In January and June 2007, U.S. troops based in Djibouti mounted air and naval strikes aimed at alleged al-Qaeda members—killing dozens of Somali civilians instead—and in September 2007, a U.S. cargo plane flying supplies to Malian counter-insurgency troops was hit by ground fire from Tuareg insurgents, although no Americans were injured and the plane returned safely to its base.

Razões principais (oficiais) para a criação do AFRICOM:

(1) Proteger o acesso dos EUA aos fornecimentos de petróleo oriundos de África.

(2) Expandir a “guerra ao terrorismo” em África.

(3) Contrariar a crescente influência chinesa e envolvimento económico da China em África.

Ø

Ver à propósito uma acção de propaganda num jornal de um dos países  aliados, destinada a dizer o contrário, para salvar a face, através destas notícia do jornal Publico, de 27 de Março de 2009:

A verdadeira razão deve-se ao facto de todos os países africanos terem recusado  -a té à data –  a instalação de uma base militar semelhante à de Rammstein, na Alemanha que é só a maior base militar americana, fora dos EUA.

E não como a notícia nos diz que é.

Ø

Após estas movimentações e a criação do “Africom” seria de esperar que a situação em África ainda se acalmasse mais.

Uma ideia destas – dissuasora – teria tendência a inibir o aparecimento de problemas.

Surpreendentemente …… não.

Imediatamente surgiram as “crises de pirataria” no golfo de Aden,ao largo da Somália.

Na província de Kivu, no norte do Congo problemas também surgiram com crises e rebeldes.

No Djibuti, em 2007 (Janeiro e Junho), tropas americanas montaram operações de combate à membros da Al kaida, quer aqueles que existiam,quer aqueles que não existiam, atingindo civis somalianos,em vez disso.

Na Somália,no Chade e no Mali, existiram “deployments” – tropas americanas ocuparam posições nestes países.

No Mali, os norte americanas estão a apoiar as forças que lutam contra os rebeldes insurgentes, entre os quais estão tuaregs. Um avião americano foi em Setembro de 2007, atacado por Tuaregs.

Fonte: New york Times.

REUTERS - SETEMBRO 2007 MALI - TUAREGUES

É favor reparar no pormenor delicioso da notícia do New York Times segundo a qual, o avião apenas levava “comida”.

Ø

No dia 27 de Outubro em washington, o general  William E. Ward, comandante do Africom, fez um discurso onde designava quais eram os objectivos do comando Africom.

‘in concert with other US government agencies and international partners, (to conduct-levar a cabo) sustained security engagements through military-to-military programs, military-sponsored activities, and other military operations as directed to promote a stable and secure African environment in support of US foreign policy.’

As ‘military operations as directed to promote a stable and secure African environment in support of US foreign policy,’ são claramente operações militares desenhadas para bloquearem a presença económica chinesa na região.

Isto na pratica significa que, a criação deste comando Africano que dá pelo nome de Africom, foi feito precisamente para isto.

Se até aqui não existia comando, porque não existia forte presença comercial e económica da China, então uma coisa ajusta-se à outra.

E assim se avança para a militarização de um continente.

E assim se cria na mente dos chineses uma ideia de que serão hostilizados – justamente ou injustamente, e que importa – pelos EUA, onde quer que seja e usando quaisquer métodos.

E assim isso criará uma reacção.

Ø


Quando se avança para uma situação destas – abertamente militarizada ou forçando a militarização de uma área é porque se julga querer proteger algo.

Algo não é a população destes países ou o poder político neles instalado, independentemente da sua raiz democrática ou não democrática.

Algo pode ser o “acesso livre” a esses bens – os minerais e as reservas de hidrocarbonetos, do primeiro texto em inglês que transcrevi em cima.

Mas teremos que traduzir o que significa “acesso livre” do ponto de vista dos americanos. E acesso livre significa duas coisas:

(1) que, por exemplo, grupos de cidadãos armados de um determinado país, que não contentes com a distribuição do rendimento nacional dentro do seu próprio país, se revoltem, invocando uma qualquer ideologia ou religião por detrás da revolta, sejam “contidos”, isto é, impedidos de alterar a ordem vigente.

(2) Que grupos de “interesses estrangeiros” – sejam eles a Rússia,a China, o Japão, a Índia, ou alguma das potências europeias que nisso esteja interessada (ex: França) possam realizar negócios em termos de (A) monopólio que lhes seja atribuído, ou em termos de (B) “tratamento preferencial”.

Ø

É por estas razões, como se viu acima,que no post “Darfur e o petróleo” se escreve a dada altura o seguinte:

” Os mapas são divididos em dois, por razões de espaço. O original é um simples mapa feito pela Usaid em 2006 – uma NGO norte americana que serve, também de guarda avançada exploratória dos interesses dos EUA (do governo dos EUA), no que toca a influenciar países; “através da ajuda humanitária” que mostra quem são os donos dos campos de exploração petrolífera no Sudão. Em 8 dos campos marcados, não existem companhias norte americanas a trabalhar e 3 deles são explorados pela CNPC – China National Petroleum Corporation.”

usaid-darfur-exploracaode-petroleo-mapa-12

Quando não se consegue por meios legítimos recorre-se à força militar.

E o benigno Obama apenas continua a seguir a mesma política externa que o seu antecessor George Bush.

O que prova que o que os EUA designam como sendo “o seu interesse nacional” nada tem a ver com “Direitos humanos”, com “democracia e a sua implementação” ou com quaisquer outras considerações do mesmo teor, mas sim com a imposição de força bruta no terreno e controlo,  através da intimidação derivada do estabelecimento de um comando militar.

E que irá – mais tarde ou mais cedo – começar a ter uma contra reacção dos chineses ou de outros – os próprios povos de África – que começarão a perceber que estão de novo a ser colonizados, mas agora de outra forma – o estado de serem protectorados de facto, submetidos ao interesse de várias potências em disputa.

Ø

É por todo este acumulado de razões que iremos ver assistir nas próximas duas décadas a cada vez mais conflitos em África, mas só na região do Congo, Sudão, Somália, Nigéria, Mali,etc, todas as zonas que não estejam ao alcance dos EUA.

Assim como veremos imensas notícias na imprensa mundial falando de rebeldes, insurgentes, terroristas da al-kaida etc, que tentam derrubar governos, sendo que uma parte deles tentará derrubar governos pró ocidentais e outra parte será patrocinada pelos EUA para derrubar governos anti EUA.

Written by dissidentex

10/05/2009 at 20:24

HIPERMERCADOS CARREFOUR NA CHINA. E O APPESEAMENT…

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SUPERMERCADOS CARREFOUR -BBC- CONQUISTA DE MERCADO-CHINA(1) No ano de 2007, notícia BBC, os hipermercados Carrefour, tiveram problemas na China. Sendo o segundo maior retalhista mundial, apenas atrás da norte americana Wall Mart, a administração do Carrefour está desejosa de encurtar a distancia para a líder. Para tal, lançaram-se, no mais absoluto neo liberalismo económico e com a maior agressividade comercial possível, sem regras de qualquer tipo.

Foram para a China.

A agressividade deles é notória, para conquistar quota de mercado na China que antecipam vir a ser o maior mercado mundial de retalho e que tem taxas de crescimento de consumo, entre 20 a 30% ao ano.

Suponho que, estrategicamente, os Chineses estarão, de algum modo, a bloquear americanos e/ou outros, para darem uma pequena vantagem ao Carrefour. Suponho.

Neste momento o Carrefour ja vai nos 100 hipermercados abertos an China. Em portugal até há pouco tempo tinham 12 Hipermercados abertos, que venderam ao Modelo- Continente. Uma das razões também se prende com a necessidade de arranjar dinheiro e financiar a expansão em mercados com estas taxas de crescimento, e potencial, enquanto que, um mercado pequeno, periférico, e saturado como o mercado português, por exemplo, não tem interesse ou é negligenciável.

Para se expandirem a esta velocidade, começaram a subornar,assim o entenderam as autoridades chinesas. Ou começaram a subornar ou foram convidados a subornar pelos altos dirigentes do partido, que, quando lhes conviesse dariam a ordem para “entalar o Carrefour” e deixar sair as notícias de que esta organização estaria sob investigação/suspeita. Apesar disso o Carrefour continua a abrir supermercados…

Em 2007, o Carrefour foi analisado pelas autoridades chinesas por suspeitas de corrupção.

SUPERMERCADOS CARREFOUR- 3 MORREM EM CORRIDA AOS SALDOS(2) Para se dar uma ideia do aumento de consumo na China, e no grau de loucura misturado com o capitalismo desenfreado, misturado ainda com o relativismo pela vida humana que acontece na China – o novo campeão dos direitos humanos designado como tal – volta-se de novo às notícias da BBC.

No dia 10 de Novembro de 2007, saiu a notícia que 3 pessoas morreram, devido a uma “corrida às promoções” num dos hipermercados Carrefour. Parece que havia óleo alimentar para cozinhar em promoção.

Nada disto perturba ninguém… suponho até que existirão defensores por aí a dizer que isto é uma situação perfeitamente normal e que até se deveria evoluir para a mesma em Portugal…alterar o código do trabalho, etc…

No entanto e como as ironias das coisas são o que são, o Carrefour continua a ser o que é e continua a fazer asneiras e a sentir na pele o que é o relativismo e a falta de princípios a fazer-se negócios. Bem como, a demonstrar como o appeseament político e económico em relação à China tem preços a pagar elevados.

Por todos nós, e não só por estas empresas e os seus accionistas gananciosos…

Isto porquê?

Morreram 3 pessoas no Carrefour de Chongking ( China), numa venda de óleo alimentar em saldo.

(3) Porque, recentemente existiram boicotes à passagem da chama olímpica por Paris, capital da França. Isto relacionado com as recentes repressões sangrentas da revolta tibetana. (A) Manifestantes chineses muito chateados pelo facto da chama olímpica e o seu trajecto terem sido recentemente boicotados na viagem até à China, começaram a protestar contra esse facto.

Escolheram o Carrefour para o fazer – um símbolo conveniente. Embora, analisando de outro modo, o Carrefour merece-o porque é uma empresa, como se comporta, absolutamente detestável, ao nível das patifarias que a wall Mart e outras do mesmo estilo faz.

CHINA- ARTISTAS CHINESES PROTESTAM COM A FRANÇAE é assim que temos uma manifestação e protestos corporizados no Carrefour ( a empresa merece-o), mas onde se está a jogar já um outro jogo, que é o jogo da acusação (B) dos meios de comunicação ocidentais serem parciais na cobertura dos acontecimentos; de (C) o Ocidente estar por detrás do separatismo tibetano.

Outras reacções incorporam o facto de artistas Chineses cancelarem uma exposição em França, como forma de protesto, pela maneira como a chama olímpica teria sido não dignificada na sua passagem por Paris.

Sem dúvida porque as autoridades chinesas estariam à espera que em países apesar de tudo democráticos, se mandasse o exército disparar contra manifestantes como se faz na China, ou outra coisa de tipo semelhante…

Isto representa a cedência ao appeseament desta feita, feito à China e ao seu comportamento.

A “atitude” que os dois artistas chineses – na notícia acima – demonstram; é de uma incomparável arrogância perante o facto de existirem franceses que dão o seu apoio ao boicote contra os Jogos Olímpicos. Tal deveria deixar as pessoas a pensar.

Especialmente pelo que deixa mostrar da parte chinesa e da”mentalidade média” da mesma. Que é a ideia de que acham que não existem quaisquer limites ao que quer que façam.

Isto também representa outro problema. O de estarmos todos a deixar que estas empresas de vampiros como o Carrefour, sejam, na prática, quem está a “representar” o Ocidente em termos de política externa.

A imagem que transmitem para fora é aquela que é.

A China está a usar os Jogos Olímpicos e a sua economia em crescimento gigante, bem como algumas empresas europeias, para fazer intimidação; tentando evitar que a Europa os pressione, sobre a repressão no Tibete, e que a Europa tome a decisão de boicotar os Jogos Olímpicos. Ameaçando nas entrelinhas que as principais empresas europeias perderão “negócios” na China.

(4) A China serve-se também do “conteúdo” que foi escrito neste artigo sobre China, Jogos Olímpicos, Tibete de alguns dias atrás:

MULTINACIONAIS CHINESAS E DE PAÍSES EMERGENTES

A China está a usar o crescente peso das suas empresas e do seu comércio/produção de serviços/produtos para intimidar Geoestrategicamente os blocos económicos- políticos que a contrariem naquilo que a China julga ser os seus direitos naturais – perante a complacência e o appeasemet da Europa(e dos EUA…). Dito de outra forma, das empresas europeias e dos seus accionistas gananciosos… e de vistas curtas…

(5) Quanto ao Carrefour e ao facto de serem umas “peças” do pior que há, o assunto já tinha sido aqui tratado no Dissidente-x uma vez.

CARREFOUR- EGIPTO

À propósito o Rally Paris Dakar e dos caso dos cartoons dinamarqueses.

Relativamente ao caso dos cartoons dinamarqueses, na altura o Carrefour, meteu “contra cartazes” nos hipermercados que tem no Egipto pedindo desculpa pela publicação de cartoons feitos por dinamarqueses.

É uma empresa “5 estrelas” esta…

O Carrefour constitui dos piores exemplos do capitalismo predatório mundial e da total falta de valores e princípios da sua administração cedendo de forma cobarde; sem sequer ter que justificar algo que não lhe dizia directamente respeito; ao appeasement.

INTERNAUTAS CHINESES -NACIONALISMO(6) Tendo-se ainda mais razões para desconfiar da China e das suas intenções está a prova nesta notícia de hoje,dia 21 de Abril de 2008- Jornal Destak.

Um ataque concertado, fazendo-se valer do número de utilizadores de Internet, despoletam o pior do pior. Uma campanha de orgulho nacionalista ferido (pseudo ferido) relativamente a este assunto.

A imprensa estrangeira é criticada por estar a veicular notícias falsas, os protestos durante a passagem da chama Olímpica são criticados e já existem à venda T-shirts com os dizeres ” Eu amo o Tibete, mas odeio o Dalai Lama” e “I do not love CNN”/não amo a CNN.

Goste-se ou não se goste de budismo ou do Dalai lama, isto é preocupante a vários níveis. Os cidadãos chineses, e os que aderem à Internet, apesar de tudo, são mais instruidos, sabem – mesmo na China – que existe censura.

Ora, se os cidadãos chineses sabem que existe censura, também deveriam, por maioria de razão, raciocinar e perceber que, se calhar, o seu governo lhes estará a mentir ou pelo menos a deformar de alguma maneira, a apresentação da realidade.

Como tal, deveriam desconfiar do que lhes é dado. Mas não. Antes pelo contrário, estão a reagir exactamente contra os supostos interesses ocidentais que estarão a manipular o que se passa e passou no Tibete, ofendendo a “China”.

Isto demonstra um sentimento nacionalista perigoso, agressivo, xenófobo, e anti estrangeiros, mas pior, representa a ideia de que não sentem qualquer tipo de restrições nem de que “outros” fiquem incomodados com atitudes chinesas.

Este assunto era facilmente enfrentado com um boicote aos Jogos Olímpicos. Não só por causa do Tibete, mas também. Em vez disso, contemporiza-se.

É necessário que accionistas ganhem dinheiro. É necessário que a organização da economia mundial gere desempregados na Europa e na América, por causa da China. Quando for necessário enfrentar a China serão os accionistas a fazê-lo ou os cidadãos desempregados?

PEQUIM 2008. TIBETE. BOICOTE.

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GANE OVER - FREE TIBETAtravés do Daniel Marques.Net chego a este relato na primeira pessoa directamente do Tibete.

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Devem saber o que se passa no Tibete… O que vos posso dizer eh que tudo eh muito mais violento do que mostram na televisao. Foi muito muito violento. Para os tibetanos vai ser um massacre. Nunca vamos saber quantos morreram ou morrerao. Para nos, alem de violento psicologicamente, foi mais perigoso porque acabou por se saber que fomos os dois (eu e o Miguel) as unicas testemunhas do principio de tudo (no mosteiro de Drepung, onde estavamos no dia 10 de Marco, por acaso).

Ficamos imediatamente controlados pela policia ao ponto de, a caminho para o Nepal, nos dizerem que estavamos presos no hotel. Nunca tinha sentido o que era estar “presa” nao porque tivesse feito alguma coisa mas porque nao queriam que falassemos. O nosso mail e telefone ficaram, tambem, imediatamente controlados e as nossas maquinas fotograficas bem inspeccionadas.

Vimos a maior violencia policial que podem maginar, sobre pessoas desarmadas. Nao vimos ninguem morrer, mas sabemos que muitos dos monges com quem estivemos durante todo o dia 10, morreram depois, nesse mesmo dia. Vai ser um massacre em Lassa. Tudo o que disserem nas noticias de contrario podem acreditar que eh mentira. Ha lugares no mundo onde pessoas morrem por terem opiniao. Nao se passa apenas na distancia da televisao, ou em filmes com actores conhecidos, passa-se na realidade e muito perto de nos.

Clara Faria Piçarra no Minisciente

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Um dos falsos argumentos utilizados para se dizer que não se deve boicotar os Jogos Olímpicos de Pequim consiste na afirmação de que “não se devem misturar duas coisas diferentes – a ditadura Chinesa e uma manifestação desportiva. E que isto (a insurreição no Tibete ) é tudo muito complexo.

Em 1979 e 1980 os países Ocidentais, liderados pelos Estados Unidos, abriram um precedente. Misturaram duas coisas diferentes – a invasão do Afeganistão pela então USSR e os jogos Olímpicos de Moscovo.

Era, também, à época, uma situação muito complexa.

E no entanto…abriu-se um precedente…

CARTAZ DOS JOGOS OLÍMPICOS DE MOSCOVO

É espantoso o que 28 anos de diferença podem fazer, alterando a percepção de coisas misturadas.

E alterando a percepção do que é complexo e do que não é complexo.

Talvez este mapa em baixo possa ajudar a perceber estas complexas mudanças de percepção. PERCENTAGEM DE EMPRESAS MULTINACIONAIS DE PAÍSES EMERGENTES

Este é um quadro que mostra a percentagem de empresas multinacionais oriundas de mercados ( países) emergentes e qual é o peso relativo dos países na percentagem considerados. A “unidade de medida a que corresponde o quadro é 100”. ( 46 empresas chinesas, 21 indianas, 12 brasileiras…etc…)

Estas empresas, estão presentes não só nos mercados de origem (Ásia) mas também na Europa, África e Estados Unidos. Uma delas é só a número dois a nível mundial no fabrico e venda de computadores portáteis.

É uma situação muito complexa, esta…