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CHIPRE, OS DEPÓSITOS BANCÁRIOS E OS PSICOPATAS EUROPEUS E PORTUGUESES QUE INFELIZMENTE NÃO SÃO RECONHECIDOS COMO TAL PELA POPULAÇÃO

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ZERO EDGE - CYPRUS

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CHIPRE - O PROXIMO ERRO

Trata-se de uma mudança radical que potencialmente destrói uma garantia de depósito perfeitamente razoável e a própria moeda única. Um dia, os historiadores explorarão os motivos políticos obscuros por trás desta medida. […] – No caso improvável de tudo correr bem, o governo receberá bastante dinheiro, mas não o suficiente para cobrir o empréstimo generosamente oferecido pelos seus parceiros europeus, e o sistema bancário cipriota passará à história. – A alternativa é uma massiva crise bancária em muitos países da Zona Euro – um enorme golpe, talvez fatal, para o euro. […] – A dívida pública bruta do Chipre aumentará do seu nível atual, de cerca de 90% do PIB, para cerca de 140%, um nível insustentável e que acabará por exigir uma reestruturação profunda. […] Isto faz lembrar o “corralito” argentino de 2001, que levou a uma discrepância entre os comportamentos previstos e os reais, causando imenso sofrimento e uma raiva tal que dois governos caíram. Esperemos que o “corralito” cipriota não dure demasiado tempo. […] – Teremos um pânico bancário de grandes dimensões assim que o “corralito” for levantado. Visto que os ativos bancários ascendem a cerca de 900% do PIB, não há qualquer esperança de resgate pelo governo cipriota. – Qualquer novo empréstimo europeu traduzir-se-á imediatamente numa crise de dívida pública […] – Será individualmente racional levantar os depósitos dos bancos locais, para evitar a possibilidade remota de uma taxa que os confisque. – Quando os depositantes perceberem o que os outros fazem e começarem a levantar fundos, ocorrerá um pânico bancário. – O sistema bancário entrará em colapso, exigindo um programa ao estilo do Chipre, que taxará o que quer que reste dos depósitos, justificando assim os levantamentos.)

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Notícia da comunicação social, sobre psicopatas europeus que autorizam roubos de dinheiro,dia  18 de Março de 2013

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CHIPRE E PORTUGAL

Em Portugal “não há risco” de serem aplicadas taxas aos depósitos bancários, porque o país “não sofre dos mesmos problemas do sector financeiro cipriota”, assegurou fonte do Banco Central Europeu, pedindo anonimato.

O membro da Comissão Executiva do BCE, Jörg Asmussen já tinha deixado claro que os depositantes portugueses, tal como “os depositantes de qualquer país sobre programa não correm risco. Porque, num país sob programa as necessidades de financiamento estão completamente cobertas sobre o programa”.

Fonte Banco Central Europeu garantiu ao Dinheiro Vivo que em Portugal não podem ser aplicadas taxas aos depósitos bancários porque o país “não sofre dos mesmos problemas do sector financeiro cipriota”, não sendo possível fazer “comparações diretas”.

Durante o último mês, a União Europeia intensificou as suas “preocupações” com a possibilidade do sistema financeiro cipriota estar a ser utilizado para a lavagem de dinheiro. Em fevereiro, os ministros das Finanças da zona euro encomendaram às autoridades de Chipre a realização de uma “avaliação conduzida por uma empresa privada” para afastar tais dúvidas, de modo a poderem adotar uma decisão, em março.

A agenda da União Europeia já previa, desde aquela altura, a possibilidade da aplicação de cortes aos depósitos bancários e este era um tema discutido por responsáveis do Eurogrupo. Mas, no Chipre pensava-se que seria uma forma de “pressionar as autoridades” a avançarem com um programa de privatizações e com mexidas no imposto que é aplicado às empresas, apurou o Dinheiro Vivo.

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Notícia da comunicação social, dia 18 de março de 2013

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Fonte da primeira imagem:  Zero Hedge

#Cyprus Depositors Vent Fury Through Social Media

Nome da notícia neste link do zero hedge

Este é o grande problema: ventilar-se ” fúria” através dos media sociais…

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Written by dissidentex

18/03/2013 at 18:58

” A CLASSE DOMINANTE NUNCA SERÁ CAPAZ DE RESOLVER A CRISE.ELA É A CRISE!” – ROB RIEMEN

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O filósofo holandês esteve em Lisboa à conversa com o i sobre o espírito de resistência e o “eterno retorno do fascismo”
Thomas Mann e Franklin Roosevelt são dois dos homens que mais inspiram Rob Riemen, que esteve em Lisboa na semana passada a convite de Mário Soares para falar sobre o direito à resistência e para apresentar o seu último livro, “Eterno Retorno do Fascismo”. A chegada da fotojornalista ao lobby do Ritz acabou por dar o mote à conversa com o i.

A Patrícia foi uma das fotojornalistas em trabalho agredida pela polícia na greve geral de há um mês em Portugal.
Pela polícia?!

Sim. O episódio parece remeter para o “Eterno Retorno do Fascismo”…
Sim, falo disso neste livro. Estamos a lidar com o pânico da classe dominante, que se habitua ao poder para controlar a sociedade. Isso que me contas é um acto de pânico. E o interessante é que a classe dominante só entra em pânico quando perde a autoridade moral. Sem a autoridade moral, só lhe resta o poder que se transforma em violência.

O fascismo continua latente?
A minha geração cresceu convencida de que o que os nossos pais viveram nunca voltaria a acontecer na Europa. Quando vocês se livraram do fascismo nos anos 70, nos anos 90 devem ter pensado que não mais o viveriam. Mas uma geração depois, já estamos a assistir a uma espécie de regime fascista na Hungria, na Holanda o meu governo foi sequestrado pelos fascistas, pelo sr. [Geert] Wilders [do Partido da Liberdade]… Com uma nota comum a todos que é o ódio à Europa. Para Wilders, o grande inimigo era o Islão e agora são os países de alho.

Países de alho?
É o que ele chama a países como o vosso, Espanha, Polónia… A Europa tornou–se uma ameaça. Com a II Guerra Mundial aprendemos a lição de que a única saída, depois de séculos de sangue derramado, era ter uma Europa unida e agora as forças contra [essa união] estão a ganhar controlo. É o primeiro ponto.

E o segundo?
A actual classe dominante nunca será capaz de resolver a crise, porque ela é a crise! E não falo apenas da classe política, mas da educacional, da que controla os media, da financeira, etc. Não vão resolver a crise porque a sua mentalidade é extremamente limitada e controlada por uma única coisa: os seus interesses. Os políticos existem para servir os seus interesses, não o país. Na educação, a mesma coisa: quem controla as universidades está ali para favorecer empresas e o Estado. Se algo não é bom para a economia, porquê investir dinheiro?

Nos media o mesmo.
Sim. No geral, os media já não são o espelho da sociedade nem informam de facto as pessoas do que se está a passar, existem sim para vender e vender e vender.

E as consequências estão à vista.
Pois, estamos a assistir à desintegração da sociedade. Tudo é baseado na premissa de que as pessoas devem ficar mais ricas e é daqui que vem a crise financeira, daqui e deste comportamento totalmente imoral e irresponsável de um pequeno grupo de pessoas que não podia importar-se menos [com a sociedade] e sem interesse em ser responsável. Quando uma sociedade está focada na economia, na economia, na economia e na economia, perde-se a noção do que nos dá qualidade de vida. E quando somos privados dessa noção, surge um vazio.

A sociedade kitsch que refere no livro?
Sim, em que a identidade das pessoas não depende do que elas são, mas do que têm. Quando se torna tão importante ter coisas, serves um mundo comercial, porque pensas que a tua identidade está relacionada com isso. Estamos a criar seres humanos vazios que querem consumir e ter coisas e que acabam por se vestir e falar todos da mesma forma e pensar as mesmas coisas. E a classe dominante está muito mais interessada em que as pessoas liguem a isso do que ao que importa.

A classe dominante teme que as pessoas comecem a questionar tudo?
Claro que sim! Frederico Fellini, o realizador italiano, disse um dia: “Eu sei o que é o fascismo, eu vivi-o, e posso dizer- -vos que a raiz do fascismo é a estupidez. Todos temos um lado estúpido, frustrado, provinciano. Para alterar o rumo político, temos de encontrar a estupidez em nós”. Mas se as pessoas fossem um bocadinho mais espertas, não iriam para universidades estúpidas, nem veriam programas estúpidos na TV. Existe uma elite comercial e política interessada em manter as pessoas estúpidas. E isso é vendido como democracia, porque as pessoas são livres de escolher e blá blá.

Quando não é assim.
Não, não, não, não! [Bento de] Espinoza – muito obrigado a Portugal por o terem mandado para a Holanda – explicou que a essência da democracia é a liberdade, mas que a essência da liberdade não é teres o que queres; é usares o cérebro para te tornares num ser humano bem pensante. Se não for assim, se não fores crítico perante a sociedade mas também perante ti próprio, nunca serás livre, serás sempre escravo. Daí que o que estamos a viver não tenha nada a ver com democracia.

Tem a ver com quê?
Vivemos numa democracia de massa, uma mentira que abre os portões a mentirosos, demagogos, charlatães e pessoas más, como vimos no séc.XX e como vemos agora.

O retorno do fascismo é inevitável?
Vamos fazer uma pausa (risos). Acho que não podemos entregar-nos ao pessimismo. Se acharmos que estamos condenados, que não há saída, que é inevitável, mais vale bebermos champanhe (risos). A razão pela qual publiquei esta dissertação e o meu outro livro, “Nobreza de Espírito”, e pela qual dou estas palestras e entrevistas é porque a primeira coisa de que precisamos é de pôr a verdade em cima da mesa.

E como podemos fazer isso?
Primeiro, admitindo que as coisas estão a correr mal e não apenas no nível económico. Relembremos uma grande verdade do poeta Octávio Paz: “Uma crise política é sempre uma crise moral.” Quando reconhecemos a verdade nisto, percebemos que a crise financeira é também ela uma crise moral. E aí devemos questionar de que tipo de valores universais estamos a precisar e o que é que devemos ter na sociedade para confrontar isto. Aí percebemos que há coisas erradas no sistema de educação.

Por causa de quem o controla?
Porque não está interessado na pessoa que tu és, mas no tipo de profissões de que a economia precisa. Se o preço é falta de qualidade, se o preço é falta de dignidade humana, é haver tanta gente jovem sem instrumentos para lidar com a vida e para descobrir por si própria o sentido da vida ou que significado pode dar à sua vida, então criamos o “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley. Aqui surge a sociedade kitsch. E a dada altura já é segunda-feira, a festa acabou, chegou a crise financeira e as pessoas já não conseguem pagar esta sociedade e surgem políticas de ressentimento, que é o que fazem os fascistas e é o que o sr. Wilders está a fazer de forma brilhante.

Que políticas são essas?
Em vez de tentar fazer algo positivo com as preocupações das pessoas e com os problemas que existem, explora-os.

De que forma?
Usando a velha técnica do bode expiatório. “Isto é por causa do Islão, por causa dos países de alho, por causa dos polacos. Nós somos as vítimas, vocês são o inimigo.” Ou “Isto é por causa da esquerda e das artes e da cultura, os hobbies da esquerda.” Este fulano [Wilders] é contra tudo o que pode alertar as pessoas para o facto de ele ser um dos maiores mentirosos de sempre.

 

Como as artes e a cultura que referiu?
Sim. O que temos de enfrentar é: se toda a gente vai à escola, se toda a gente sabe ler, se tanta gente tem educação superior, como é que continuam a acreditar nestas porcarias sem as questionar? E porque é que tanta gente continua a achar que quando X ou Y está na televisão é importante, ou quando X ou Y é uma estrela de cinema é importante, ou quando X ou Y é banqueiro e tem dinheiro é importante? A insanidade disto… [suspiro] Se tirarmos as posições e o dinheiro a estas pessoas, o que resta? Pessoas tacanhas e mesquinhas, totalmente desinteressantes. Mas mesmo assim vivemos encantados com a ideia de que X ou Y é importante porque tem poder. É a mesma lengalenga de sempre: é pelo que têm e não pelo que são, porque eles são nada. E a educação também é sobre o que podes vir a ter e não sobre quem podes vir a ser.

Reformar o ensino seria uma solução?

Eu não sou pedagogo e quero mesmo acreditar que existe uma variedade de formas de chegar ao que penso que é essencial: que as pessoas possam viver com dignidade, que aceitem responsabilidade pelas suas vidas e que reconheçam que o que têm em comum – quer sejam da China, Índia, África ou esquimós – é que somos todos seres humanos. Sim, há homens e mulheres, homossexuais e heterossexuais, pessoas de várias cores, mas somos todos seres humanos. Não podemos aceitar fundamentalismos e ideologias e sistemas económicos como o capitalismo, mais interessados em dividir as pessoas do que em uni-las.

 

E de onde pode vir a união?
Só pode ser baseada na aceitação de que existem valores universais. A Europa é um exemplo maravilhoso disso: há esta enorme riqueza de tradições e línguas e histórias, mas continuamos a conseguir estar abertos a novas culturas e é onde pessoas vindas de qualquer parte podem tornar-se europeias. Mas isto só acontece se valorizarmos e protegermos o espírito democrático. A democracia é o único modelo aberto e o seu espírito exige que percebamos que Espinoza estava certo, que o difícil é mais interessante que o fácil, que não devemos temer coisas difíceis porque só podemos evoluir se estivermos abertos ao difícil, porque a vida é difícil. Que para lá das habilidades de que precisamos para a profissão em que somos bons, todos precisamos de filosofia, todos precisamos da arte e da literatura para nos tornarmos seres humanos maduros, para perceber o que as nossas experiências internas encerram. É para isto que existem as artes, é por isso que vais ver um bom filme e ouves boa música e lês um poema.

É por isso que a cultura está sob ataque? Aqui em Portugal o actual governo eliminou o Ministério da Cultura.
E é isso que o partido fascista está a fazer na Holanda e é o que outros estão a fazer em todo o lado. Óbvio! Quem quer matar a cultura são as pessoas mais estúpidas e vazias do mundo. Claro que é horrível para eles olharem-se ao espelho e verem “Sou apenas um anão estúpido”.

Por isso querem livrar-se da cultura?
Por isso e porque ela ajuda as pessoas a entender o que realmente importa. O medo da elite comercial é que as pessoas comecem a pensar. Porque é que os regimes fascistas querem controlar o mundo da cultura ou livrar-se dele por completo? Porque o poeta é a pessoa mais perigosa que existe para eles. Provavelmente mais perigoso que o filósofo. Quando usam o argumento de que a cultura não é importante e de que a economia não precisa da cultura, é mentira! Isso são as tais políticas de ressentimento, um grande instrumento precisamente porque eles nos querem estúpidos.

E alimentam essa estupidez.
Claro. A geração mais jovem tem de questionar as elites de poder. Sim, vocês precisam de emprego, mas, acima de tudo, precisam de qualidade de vida. E essa qualidade está relacionada com várias coisas: com a qualidade da pessoa que amas e com a qualidade dos teus amigos, com o que podes fazer que é importante e significativo para ti. Quando vês que te estão a tirar isso, percebes que não estão no poder para te servir, querem é que a sociedade os sirva.

A democracia parece estar limitada a ir às urnas de x em x anos. O que é afinal uma verdadeira democracia?
Quando Sócrates foi levado a julgamento disse “Vocês já não estão interessados na verdade” e isso continua a ser assim. É por isso que chamei ao meu primeiro livro “Nobreza de Espírito”, porque para a teres não precisas de dinheiro, nem de graus académicos. Nobreza de espírito é a dignidade de vida a que todos podem ter acesso e é a essência da democracia. O espírito democrático é mais do que ir às urnas e se eles [políticos eleitos] não se baseiam nessa nobreza, os sistemas colapsam, como estão a colapsar. Foi Platão que disse que “a democracia pode cometer suicídio” e é assim que começo o “Eterno Retorno do Fascismo”. A grande surpresa para Ortega y Gasset foi que, livres do poder da Igreja e da tirania e aristocracia, finalmente havia democracia e o que fazemos? Estamos a matá-la! Isso aconteceu em Espanha, em Portugal, em Itália, na Alemanha, esteve perto de acontecer em França… Há um livro lindíssimo que Sinclair Lewis escreveu, “Não pode acontecer aqui”, mas a verdade é que pode facilmente acontecer nos EUA. O livro de Philip Roth, “A Conspiração contra a América”, prova-o.

Em 2009 escreveu uma carta a Obama, então presidente eleito. Quatro anos depois, que avaliação faz do mandato?
Na altura era a favor de Hillary Clinton.

Porquê?
Porque acho que ela tem instintos políticos muito melhores e mais experiência política que Obama. Estava na América no dia em que ele foi eleito, a 4 de Novembro de 2008, e foi um momento histórico, mas teria sido igualmente histórico se a América tivesse escolhido uma mulher. O problema com Obama é que não é um grande presidente. [risos]

Em que sentido?
Tornou-se demasiado vulnerável aos interesses infestados. Teve uma equipa económica com pessoas que vieram todas de Wall Street, como Larry Summers e Timothy Geithner. O poder do dinheiro no sistema político americano é assustador! E ele não conseguiu escapar a isso. E depois a política é uma arte e demasiados intelectuais pensam que, por terem lido sobre política, sabem de política. Não é verdade. A política tem a ver com pequenos passos, grandes passos são impossíveis numa democracia. Mas vamos esperar e rezar para que Obama seja reeleito. Senão vamos ter um problema, todos nós. E já agora, que no segundo mandato ele consiga fazer mais, tem esse dever.

Obama legalizou em Janeiro a detenção por tempo indefinido e sem julgamento de qualquer suspeito de ligação a redes terroristas. O que pensa disso?
Se lhe perguntasse sobre isso, ele dir-lhe–ia: “Aqui que ninguém nos ouve, não tive alternativa”. O problema sério com que estamos a lidar tem a ver com o poder dos media. Eles querem vender e só podem vender se tiverem notícias de última hora constantes. Têm de alimentar este monstro chamado público. Tudo tem de ser a curto prazo. Na política é o mesmo, é sobre o dia seguinte. Onde está a elite política que quer pensar à frente, a um ou dois anos? Onde estão os media que expliquem às pessoas a importância do longo prazo? Na economia é o mesmo. Tudo tem de ser agora. Perdemos a noção de tempo. No mundo político, as pessoas deviam poder dizer: “Não sei a resposta a essa questão. Dê-me uma semana e falarei consigo.” Mas se um político disser “Não sei”, é morto. Vivemos a política do instante, onde as questões estruturais são esquecidas. Veja, estou cá [em Lisboa] a convite de Mário Soares. O que quer que se pense sobre ele ou sobre Mitterrand, etc, essa geração viveu a guerra, experienciou a vida, leu livros. Cometeram erros? Claro que sim, mas é uma classe completamente diferente de tantos actuais políticos, jovens, sem experiência, que não sabem nada. Nada! Se lhes perguntarmos que livros leram, eles quase têm orgulho de não ler!

O que pensa dos movimentos como os Occupy ou o 15M de Espanha?
É extremamente esperançoso que estejamos a livrar-nos da passividade. Finalmente temos uma nesga de ar, mas precisamos de um próximo passo, protestar não basta. A História mostra-nos que as mudanças vêm sempre de um de três grupos: mulheres, jovens ou minorias. Acho que agora vai ter de vir dos jovens. Se isto continuar por mais três ou cinco anos, o seu futuro estará arruinado, não haverá emprego, casas, segurança social, nada. É tempo de reconhecer isto, de o dizer publicamente, de parar e depois avançar. Se os jovens pararem os jornais, os jornais acabam. Se os jovens decidirem que não vão à universidade, ela fecha.

Mas parece não haver união para isso.
É preciso solidariedade! Será que é preciso ir ver o Batman outra vez? Qual é o papel do Joker? É dividir as pessoas!

Os actuais políticos são Jokers?
No mínimo não estão a fazer o que deviam. Não estão a dizer a verdade. O perfeito disparate de que todas as nações europeias não podem ter um défice superior a 3% é pura estupidez económica. Temos de investir no futuro. Como? Investindo numa educação como deve ser, que garanta seres humanos bem pensantes e não apenas os interesses da economia. Investindo na qualidade dos media… O dinheiro que demos aos bancos é milhões de vezes superior ao que é preciso para as artes, a cultura, a educação…

A WikiLeaks revelou que a CIA espiou o 15M e que divulgou um documento onde diz ser preciso evitar que destes movimentos “surjam novas ideologias e líderes”.
Uau! Isso prova o que defendo! Não sabia disso mas é muito interessante. Veja, porque é que temos democracias? Porque percebemos que o poder é um animal estranho para todos os que o detêm e que ninguém é imune a ele. Se dermos poder às pessoas elas começam a comportar-se como pessoas poderosas. Philip Zimbardo levou a cabo esta experiência, o Efeito Lucifer, na qual uns fingiam ser prisioneiros e outros guardas. A experiência teve de ser parada, porque os “prisioneiros” começaram a perder a sua individualidade e a portar-se como escravos e os “guardas” tornaram-se violentos e sádicos. De repente percebemos: “Uau, é isto a natureza humana, é disto que somos capazes.” Lição aprendida: há que controlar o poder, venha ele de onde vier.

A sociedade é que pode controlá-lo?
Sim, todos têm de aceitar uma certa responsabilidade. Os intelectuais têm de se manter afastados do poder, porque só assim podem dizer a verdade. Os media também, porque sem sabermos os factos a democracia não sobrevive. Se esses mundos de poder não tiverem total controlo, as pessoas têm tentações. Quem tem dinheiro quer mais dinheiro, quem tem poder quer mais poder. E há que garantir a distribuição equilibrada destas coisas na sociedade.

Só quando soube que vinha entrevistá-lo é que li sobre o Instituut Nexus.
Está perdoada, não somos famosos. (risos)

Porque é que decidiu criá-lo?
Quando estava na universidade percebi que já não é o sítio onde podemos adquirir conhecimento e onde há conversas intelectuais, essenciais à evolução. Na altura conheci um judeu que dedicou tudo – tempo, energia, dinheiro – a resgatar o que Hitler queria destruir: a cultura europeia. Abriu uma editora, uma biblioteca, uma livraria. Tornou-se meu professor e começámos um jornal, o Nexus, e depois da primeira edição percebemos que tínhamos de levar a ideia a outro nível e criar uma infraestrutura aberta onde intelectuais de todo o mundo pudessem discordar uns dos outros e falar de tópicos importantes. Qualquer pessoa pode participar pagando 10 euros. Estamos sempre esgotados e temos pessoas a vir de todo o mundo.

Qual será a próxima conferência?
É a 2 de Dezembro, sobre “Como mudar o mundo”. O Slavoj Zizek vai lá estar, um deputado britânico conservador também, [o escritor] Alessandro Baricco. E no próximo ano vamos abrir um café com uma livraria europeia e um salão cultural, num antigo teatro de Amesterdão. Se tivesse dinheiro gastava-o a abrir um assim em cada cidade, arranjava orquestras… Temos de reconstruir as infraestruturas culturais, precisamos disso com urgência. E temos de ser nós porque as elites no poder não o vão fazer.

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Rob Riemen, entrevista da comunicação social, dia 23 de Abril de 2012.

PRODUTO INTERNO BRUTO POR PESSOA E POR REGIÂO: OU COMO PORTUGAL ESTÁ A SER OBRIGADO A FICAR PIOR

O produto interno bruto por pessoa ( per capita) em 2008 era de 16.200 euros em Portugal.

O maior era o do Luxemburgo, de 80.800 e o pior era o da Bulgária, 4.600.

Portugal estava situado na parte mais baixa da tabela.

É sobre este país com uma economia que é das mais fracas da Europa , que se vai aplicar austeridade, isto é, baixar ainda mais o produto por pessoa.

As médias são aquilo que são: um retrato enganador da realidade; mas o que se nota é que a desigualdade é extrema e vai ainda ser mais extrema – se ninguém se incomodar com isto.

Se a nível de países europeus, é assim, a nível de regiões verifica-se uma concentração de prosperidade no centro da Europa e no norte.

Nada disto é por acaso.

Inglaterra, Holanda, Alemanha oeste, suíça e o norte da Itália são as regiões mais ricas – o centro.

É este centro mais rico que está a esvaziar as periferias e que está a recusar-se a assumir os problemas da periferias.

A média nacional por região apenas demonstra que a região de Lisboa é pobre quando comparada com outras zonas da Europa.

Sobre o país que tem como capital Lisboa pretende-se inserir mais austeridade, ou seja, quedas destas médias.

Fonte

O PSD, PEDRO PASSOS COELHO E UM PRIMEIRO MINISTRO QUE ACHA OS POLÍTICOS MAL PAGOS

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Considera-se bem pago?

Não. Não creio que em Portugal os políticos que desempenham funções sejam bem pagos. Mas consideraria absolutamente inoportuno abrir-se essa discussão numa altura em que todo o país está a fazer sacrifícios e vive, de facto, com restrições muito grandes. Quando comparado com outros países europeus, não creio que os políticos portugueses sejam bem pagos, mas serão pagos ao nível daquilo que o país se pode permitir pagar nesta altura.

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Entrevista mal paga da comunicação social, dia 10 de Fevereiro de 2012

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Primeiro-ministro fala em atitude de exigência

Passos pede aos portugueses para serem “mais exigentes” e “menos piegas”

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, apelou hoje aos portugueses para serem “mais exigentes”, “menos complacentes” e “menos piegas”, porque só assim será possível ganhar credibilidade e criar condições para superar a crise.

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Declarações  piegas do primeiro ministro à comunicação social, dia 6 de Fevereiro de 2012

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O FMI E OS SEUS MÉTODOS

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O FMI E A ETIÓPIA

JOSEPH STIGLITZ

JOSEPH STIGLITZ – WIKIPÉDIA

…O FMI, geralmente, só tem no local um único “representante residente”, com poderes limitados. Seus planos, de modo geral, são ditados por Washington e redigidos durante as rápidas missões de altos dirigentes. Desde que descem do avião, mergulham nos números do Ministério das Finanças e do Banco Central. Hospedam-se confortavelmente em hotéis de cinco estrelas das capitais.”

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“…Não se deve ver o desemprego como uma simples estatística, como uma “enumeração de cadáveres” – vítimas não intencionais da guerra contra a inflação ou pelo pagamento aos bancos ocidentais. Os desempregados são pessoas de carne e osso, têm famílias, e todas essas vidas são dolorosamente afetadas, às vezes destruídas, pelas medidas econômicas que os especialistas estrangeiros recomendam, ou impõem – no caso do FMI.”

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“…Do alto de um hotel de luxo, impõem-se, sem piedade, políticas sobre as quais se pensaria duas vezes caso se conhecessem os seres humanos cujas vidas vão ser arrasadas.”

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Mas foi ao ir à Etiópia, um dos países mais pobres do mundo, em março de 1997, apenas um mês após haver assumido minhas funções no Banco Mundial, que, de repente, mergulhei no espantoso universo político-aritmético do FMI.

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O social ou o financeiro?

Se a Suécia conceder uma ajuda financeira à Etiópia, para que construa escolas, a lógica do FMI impõe conservar o dinheiro na forma de reservas.

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O presidente declarou-me que não havia lutado durante dezessete anos para ter um burocrata internacional a lhe dizer que não podia construir escolas e hospitais

A lógica do FMI coloca um problema evidente: implica que, se obtiver ajuda para realizar alguma coisa, um país pobre nunca poderá gastar o dinheiro. Se, por exemplo, a Suécia conceder uma ajuda financeira à Etiópia para que construa escolas, a lógica do FMI impõe a esta última conservar esse fundo em suas reservas. (…)

Mas não é para isso que os doadores internacionais concedem ajuda. Na Etiópia, os doadores, que trabalhavam independentemente e não tinham nenhuma obrigação para com o FMI, queriam que novas escolas e novos hospitais fossem construídos, o que era também a intenção do governo. Meles não mediu suas palavras: declarou-me que não havia lutado ferrenhamente, durante dezessete anos, para ter um burocrata internacional a lhe dizer que não podia construir escolas e hospitais para seu povo quando havia conseguido que doadores financiassem sua construção.

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Entregar o sistema bancário, para “maior eficiência”

Queriam que a Etiópia não só abrisse seus mercados financeiros à concorrência ocidental como também que cindisse seus bancos em vários pedaços

O FMI queria mais que a mera abertura do sistema bancário à concorrência estrangeira. Pretendia “fortalecer” o sistema financeiro, criando um mercado de adjudicação para as obrigações do Tesouro do Estado etíope – reforma que, por mais desejável que pudesse ser em inúmeros países, não tinha nada a ver com o nível de desenvolvimento da Etiópia.

Também queria que esta “liberalizasse” seu mercado financeiro, isto é, deixasse as forças do mercado determinarem livremente as taxas de juros – o que os Estados Unidos e a Europa ocidental não fizeram até a década de 70, época em que seus mercados, e o necessário aparelho de regulação, eram infinitamente mais desenvolvidos.

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A Etiópia tinha excelentes motivos para resistir ao FMI, quando este exigia que “abrisse” seu sistema bancário. Tinha visto o que se passara em um de seus vizinhos da África oriental – o Quênia – que havia cedido. O FMI insistira para que esse país “liberalizasse” o mercado financeiro, persuadido de que a concorrência entre os bancos iria provocar a queda das taxas de juro. Os resultados foram catastróficos.

A medida fez-se acompanhada pelo crescimento muito rápido de bancos de negócios indígenas, numa época em que a legislação bancária e a fiscalização dos bancos eram inadequadas, com os resultados previsíveis: quatorze falências somente nos anos 1993 e 1994. Na prática, as taxas não caíram, mas aumentaram. O governo etíope, compreensivelmente, foi cuidadoso.

Written by dissidentex

24/03/2011 at 9:44

PICOS DE PETRÓLEO: OS MELHORES SECTORES APÓS 6 MESES

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Na Europa.

Após os primeiros 6 meses.

De notar os sectores haelthcare  (cuidados de saúde e derivados), a banca e os indicadores bolsistas “con stat” (um indicador do mercado de “equitys”) isto é, do mercado que consiste nas acções de empresas que vendem ou produzem produtos como comida, produtos de cuidado pessoal, ou para a casa.

O dinheiro circulou para estes lugares.

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02/03/2011 at 10:03

JOSEPH STIGLITZ TEME NOVA CRISE EM W

Joseph Stiglitz teme cenário de crise em “W” – jORNAL DESTAK

07 | 09 | 2009  -TRANSCRIÇÃO COMPLETA.

O Prémio Nobel da Economia Joseph Stiglitz teme um cenário de crise económica em forma de “W”, em que a melhoria temporária actual depois da crise do fim de 2008 será seguida de uma nova queda.

“É difícil saber se vai haver ou quando vai haver um ‘W'”, afirmou o economista norte-americano, destacando os vários riscos da economia global, sobretudo o esgotamento dos planos de apoio à economia que foram accionados um pouco por todo o mundo.

“Há um certo número de riscos económicos significativos à nossa frente. Um risco para o sector financeiro, para o imobiliário comercial, para o crédito imobiliário. E há também riscos para a economia real, devido à queda das receitas dos Estados e ao fim das medidas de apoio em 2011 será um choque negativo para a economia”, acrescentou.

“Se os efeitos negativos que descrevi se produzirem, e isso é muito provável, quando os ‘stocks’ se esgotarem, a economia vai entrar numa segunda crise”, considerou o antigo economista do Banco Mundial.

Joseph Stiglitz é conhecido pelas suas críticas às medidas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial em relação às economias em crise, considerando que essas políticas vão apenas agravar a conjuntura económica e sobrecarregar as populações.

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08/09/2009 at 7:22

Publicado em JOSEPH STIGLITZ

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LUIS CAMPOS E CUNHA E O CRÉDITO

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No dia 23 de Janeiro de 2009, o Jornal Público publicou um artigo de opinião do senhor Luís Campos e Cunha, ex- ministro do actual governo. O link é pago, infelizmente, ou felizmente, conforme a opinião.

E transcreve-se:

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«Rei posto, rei morto. O novo orçamento foi apresentado de manhã e chumbado à tardinha. A Standard & Poor’s (S&P) já tinha alertado que a situação financeira do Estado português lhe levantava dúvidas.

O Ministro foi a Londres tentar convencer a agência de rating da bondade das suas políticas mas apenas conseguiu que eles esperassem pelo novo orçamento. Este foi apresentado quarta-feira de manhã e, pela tarde, baixaram formalmente o rating da República. O que é muito mais grave do que se pensa. Senão vejamos.

* A Crise foi iniciada pelo crédito fácil, durante dez anos, e implicou perdas inimagináveis para os bancos que conduziram a que os bancos não possam, hoje, conceder o crédito que noutras situações estariam a fazer. No nosso caso, o importante é ter a ideia de que mais um milhão de euros de crédito à economia implica mais um milhão de empréstimos ao exterior.

Por outro lado, neste momento só o Estado tem crédito, no exterior, em montantes relevantes. Mesmo os bancos que recentemente recorreram ao crédito externo – CGD, BES e BCP – só o conseguiram porque tinham comprado ao Estado português uma garantia.

Hoje os investidores internacionais estão, basicamente, indiferentes à situação do banco em causa. ** O que interessa, para esses investidores, é saber que o Estado está por detrás, é ao Estado que estão a emprestar. Daqui decorre que a baixa do rating pela S&P implica duas coisas: o crédito ficará mais caro e, pior ainda, haverá menos crédito para Portugal. Quanto ao custo do crédito, basta pensar que a Grécia, que acabou de fazer um empréstimo a prazo, teve de pagar 3,15 pontos percentuais acima dos títulos de referência (ou seja, bunds alemães a 5 anos). Nós (ainda) estamos longe.

Mas eles também estavam longe: no início do ano pagavam 2,5 pontos de spread. E nós, em três semanas, passámos de 1,2 pontos para perto dos 1,7 pontos percentuais de spread. Significa que mais nenhum banco se vai financiar às taxas de juro do CGD/BES/BCP. Quem for agora ao mercado vai pagar spreads mais altos.

Mas isto são pequenos problemas, o custo do crédito é o menor deles, por mais incrível que pareça. Quando a S&P diz que o risco de crédito passa da notação de AA- para A+, reduz o número de instituições que está disposta a emprestar a Portugal e reduz o volume de exposição das remanescentes.

Como países com notação AAA estão a lançar empréstimos em larga escala, a restrição quantitativa ao crédito para Portugal torna-se muito preocupante. Por outras palavras, o crédito caro é o menor dos problemas, o mais grave é que haverá menos crédito para Portugal. E a política de despesa orçamental apenas agudiza a nossa crise de acesso ao crédito.

Como salientei, o crédito aos bancos é, de facto, crédito ao Estado, embora formalmente seja crédito aos bancos portugueses, e é assim que os investidores internacionais o vêem. Como estamos a viver nos limites da nossa capacidade de endividamento, mais crédito directo ao Estado será menos crédito para os bancos nacionais e, por consequência, para as empresas e as famílias. Por tudo isto é que a política de grandes défices orçamentais será autodestrutiva.

A política do Governo é simples mas errada: o investimento e as exportações caíram, logo o Estado faz uns programas de investimento e de subsídios públicos. É keynesianismo simplificado daquele que ensinamos numa cadeira de introdução à macroeconomia. Na situação actual, mais investimento público implica que o Estado vai precisar de mais financiamento (i.e., crédito) porque o défice orçamental aumenta. Mais financiamento directo ao Estado vai reduzir, a breve prazo, o financiamento (aquilo que sobra) para os bancos. ***Menos financiamento aos bancos será menos crédito às famílias e empresas; logo, teremos mais falências, mais desemprego e, também, problemas acrescidos para os bancos.

O Governo volta a reagir com mais investimento ou subsídios públicos conduzindo a maiores défices orçamentais, mais endividamento, novamente, mais problemas para financiamento dos bancos e para o crédito à economia,… e assim por diante.

Vivemos uma situação de restrição quantitativa ao crédito e mais crédito ao Estado requer, para a política ser eficaz, mais endividamento internacional e tal não é possível. A política pública anunciada só poderia ter (algum) sucesso se o Governo, simultaneamente, cortasse nos grandes investimentos.

Daria o sinal de que não aumentaria as suas necessidades de financiamento para além de um limite razoável, seria apenas reorientação do investimento e o aumento do défice orçamental corresponderia aos estabilizadores automáticos (ou seja, mais despesa em subsídios de desemprego e apoios sociais e menos receitas de impostos).

Mas nada disto aconteceu até agora. (…) O Estado pode, e deve, ajudar os bancos a captar crédito mas abster-se de o usar consigo próprio. Fazê-lo levará à espiral auto-sustentada que descrevi, que todos pagaremos, durante muitos anos, com menor crescimento e mais pobreza.

O chumbo do novo orçamento pela S&P deveria corresponder a um chumbo na Assembleia da República. Atirar dinheiro aos problemas, na situação actual, não os afoga, fá-los crescer e com juros altos. A política trapalhona de apoio à economia tem em si o gene da sua própria destruição, como a S&P mostrou ao mundo e eu tentei explicar.»

Luís Campos e Cunha, ex-ministro das finanças de Sócrates no Público.

Ø

TRADUÇÃO E COMPARAÇÃO:

* A Crise foi iniciada pelo crédito fácil, durante dez anos,”.

E pergunta-se?

A quem beneficiava o crédito fácil? Quem autorizou e incentivou o crédito fácil?

Resposta: aos mesmos que o iniciaram; os bancos e os governos. Luis Campos e Cunha esquece-se, lamentavelmente, de afirmar que a política de concessão de crédito “fácil” era do interesse dos bancos, (1) porque lhes permitia captar mais clientes e auferir mais lucros, e dos governos que (2) anestesiaram as pessoas com crédito e possibilidade de gastar… criando assim ilusões eleitorais convenientes…

Quando o crédito jorrava em cascata, onde estava Campos e Cunha? Protestou energicamente contra?

** O que interessa, para esses investidores, é saber que o Estado está por detrás, é ao Estado que estão a emprestar.

É uma interessante forma de capitalismo, esta. Conceder crédito, apenas porque os Estados avalizam esse crédito.

E pelo meio deste texto existe a mistificação de misturar crédito concedido aos Estados, com financiamentos às empresas e às famílias.

Apenas o é, na medida em que o sector bancário vive de facto disso. Mas sobre o facto de ser completamente errado e contraproducente que exista mais dinheiro para emprestar a empresas e famílias(em vez de ao Estado como argumenta o autor), dinheiro- muitas das quais já estão endividadas e poderão (no futuro) não vir a pagar – nada se diz….

*** Menos financiamento aos bancos será menos crédito às famílias e empresas; logo, teremos mais falências, mais desemprego e, também, problemas acrescidos para os bancos.

Portanto, antes deste pedaço de texto afirma-se que :

” Como estamos a viver nos limites da nossa capacidade de endividamento,…”

E isso parece que é mau. Mas três ou quatro linhas mais abaixo já se pugna por  mais financiamento aos bancos porque isso gerará mais crédito para as famílias e empresas.

Como se  “estamos a viver nos limites da nossa capacidade de endividamento” não seja um problema TAMBÉM de famílias e empresas.

Ou será um problema de extraterrestres que por acaso vivem em Portugal?

Queres ver que são extraterrestres que pagam impostos e não portugueses?

Ou o endividamento não se aplica ao país todo? E quem o paga não serão os contribuintes (os que contribuem?)

Aviso: tal não significa que eu apoie os investimentos públicos faraónicos que este governo que vir a fazer.

Mas usar esta linha de argumentação: a de que “é totalmente bom” disponibilizar crédito a empresas e famílias em vez de “ao Estado”, quando ambos estão na prática colocados numa situação de endividamento, ou de excesso de gastos, parece-me, numa situação de crise, que foi originada precisamente pelo excesso de gastos e crédito ser algo ainda mais absurdo…

Mas em combate político e defesa de “interesses ” vale tudo…

até jogar o jogo da dissidência usando artigos de opinião e de parecer estar contra o sistema e contra o governo quando na realidade se está mesmo dentro do sistema como Luís Campos e Cunha está.

Written by dissidentex

05/02/2009 at 0:06