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CENSURA EM PORTUGAL: O MINISTÉRIO PÚBLICO PROÍBE SÁTIRA DE CARNAVAL

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No dia 19 de Fevereiro de 2009, o Ministério público enviou um fax à Câmara Municipal de Torres Vedras ordenando a retirada do conteúdo visível num carro alegórico, onde estava uma imagem do computador Magalhães + senhoras nuas

O computador Magalhães é um programa de incentivo às “novas tecnologias” através da oferta de um computador de brinquedo  aos alunos do ensino primário para que estes brinquem à informática.

jornal-publico-magalhaes

A notícia é do jornal Público.

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Após ter adquirido uma catapulta nova, afirmo que deveremos lançar um pouco de especulação analítica para cima da mesa para tentar perceber-se o que se está a passar.

No espaço de poucos dias acontecem duas situações claras e objectivas de  censura – de comportamento objectivo de censura que apenas são tolerados e aceites em sociedades estritamente totalitárias.

Nessas é que estes actos são apoiados pelo poder político via legislação e via actos e acontecem. O outro acontecimento que foi um acto objectivo de censura foi pornocracia- ou como a censura em Portugal está de volta.

E porquê é que sucederam?

Ø

Ambos os actos reflectem o “clima” no qual Portugal se está a tornar e a transformar.

Ø

Também reflectem a seguinte situação: o insidioso manto de totalitarismo que cobre a sociedade portuguesa aperta e expande-se em pequenos pormenores.

Já não é um manto exclusivo de partidos políticos que estejam momentaneamente no poder – quaisquer que sejam os partidos, visando desestabilizar o sistema.

É uma lógica, um “modo de pensar”, que se baseia num “ideal” de confronto e discriminação.

De intimidação praticada por instituições que deveriam – supostamente – defender os cidadãos, mas que os estão a atacar – para já, de forma “colectiva” e difusa.

Ø

Num qualquer cenário especulativo ou real em que se pense na criação de  micro nacionalismos totalitários como ideologia, e que depois evoluam para se virem a tornar “movimentos de rua” o que costuma suceder – em termos médios –  é o seguinte.

(1) Primeiro é necessário buscar inspiração. Ouais serão os “valores” nos quais nós (movimento pretendente a ser nacionalista totalitário)  nos deveremos apoiar?

(2) Após definir isso, surgem as formas de nacionalismo inspiradas em tipologia nazi, cristâ, muçulmana, ou outra que esteja à mão de semear e que sirva para o objectivo.

(3) Normalmente estas “forças” após surgirem, tem que  definir um inimigo.

(4) O inimigo é tudo o que não partilha as suas ideias e não seja nacionalista.

Se são nacionalistas, isso indica um critério de exclusividade. São exclusivas de si próprias as suas ideias; logo, ideias exteriores a esta “exclusividade” são rejeitadas.

É também por isso que rejeitam uma qualquer ideia de “Globalização” que surja e que seja vendida à população de um país ou do mundo.

(NOTA: Estas “forças” ganham bastante com isto e com esta teorização, porque existem imensas pessoas, que não sendo marxistas, ou de extrema direita, e acreditando na democracia como sistema também detestam a Globalização”… o que significa que estes movimentos estão- na prática, a apanharem boleia dos legítimos oponentes à globalização, só para dar um exemplo…)

(5) Para imporem as suas ideias tem que recorrer à força e à violência, pela persuasão não o conseguem, não há hipótese de convencer a maioria da população.

Logo, estas forças defendem uma sociedade (A) baseada na violência da força e (B) na glorificação do confronto e na suposta “tesão épica” do mesmo.

Ø

general-von-talon

As pessoas percebem o que é a “tesão épica” – de um ponto de vista humorístico e de profundo gozo – ao observarem esta personagem do filme animado Valiant.

O malvado General Von Talon, um Falcão peneirento, gongórico, vaidoso e tonitruante que toma banho a cantar opera e diz que é vegetariano, embora só equipe  com capas de cabedal preto… uma alusão a uma homossexualidade latente…

Na imagem vemos o General (Malvado) Von Talon, mas os seus dois ajudantes maus (os seus lacaios do mal) …e imbecis como tudo, que o detestam porque ele após tomar banho muda de ideias várias vezes sobre as toalhas e as cores da capas… que os ajudantes lhe deverão trazer, para secar as penas…

Ao olharmos para esta imagem de uma personagem animada ultra ridícula e extremamente cómica do Von Talon, mais as suas medalhas prussianas percebemos melhor o que é a “tesão épica”... pelo menos assim espero.

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Reorientando este texto após uma incursão pelos domínios do Von Talon, para se conseguir alcançar o atrás exposto e conseguir fazê-lo; ir fazendo-o com “tesão épica” é necessário definir uma lógica.

E neste, isto é “dentro”, deste “ovo da serpente”, a lógica é a de  identificação de minorias, quais quer que elas sejam, como o “inimigo”.

Na definição das minorias, não existem critérios de exclusividade. Isto é ,todas as formas de vida, quer sejam vistas como alternativas ou não o sendo,  género ou raça, podem ser inclusas (definidas como algo a atacar e abater…no ideário …).

A definição do inimigo, é assim “Globalizante” (todos os que não concordem com o ideário), por oposição à ideia de Globalização que por aí se vende, que é detestada e atacada”por estes grupusculos.

Ø

Quaisquer minorias ( adeptos de géneros sexuais alternativos servem, mas coleccionadores de selos também…) são “identificados como potenciais alvos”.

Estes potenciais alvos são vistos pela restante parte da sociedade como sendo “diferentes”ou estranhos” ou “não como nós somos”, ou “metem medo  por serem diferentes”.

O caminho está preparado para a “ignição do medo”.

E quando se faz ignição algo se acende. Um sentimento de “discriminação” subtil, como “nevoeiro negro”, começa a inserir-se  e a manifestar-se na cabeça das pessoas – na cabeça dos cidadãos comuns – aqueles que não são especialmente “diferentes” ou diversos ( Ou acham que não são…).

E a partir daí estes cidadãos perante as acções de um qualquer grupo extremista sentem – facilmente – sentimentos difusos de medo.

Também o sentem perante as acções dos grupos ou pessoas “diferentes”.

Dois tipos de sentimentos difusos de medo acotovelam-se no cidadão comum…

Ø

A seguir ao medo vem –  na maior parte da vezes – a passividade e a descrença/ indiferença da generalidade dos cidadãos.(No caso português especialmente patrocinada pelos políticos…)

e da indiferença, nasce a apatia da generalidade da população que se deve a três coisas diferentes.

A) a indiferença pelo sofrimento dos outros.

B) o facto de não se sentir segura na maneira como vive, e perceber que é o actual sistema que origina essa insegurança; daí o anseio por “alguém” que faça existir ordem (estes grupelhos de extrema qualquer coisa, caem como sopa no mel aqui…)

C) (Paralelamente a B) ) O medo que se sente dos actos destes grupos inspirados na especulação que estou aqui a criar.

Ø

É o que é que tem esta lógica de explicação a ver com o Ministério Público de Torres Vedras e os actos de censura?

Tem porque, na minha opinião (vale o que vale; atiçem-me o Von Talon…)  algumas semelhanças de comportamento com o que grupelhos neonazis ou de outro tipo de inspiração fazem, existe claramente aqui.

Violência estatal organizada que patrocina actos de censura perfeitamente ilícitos , visando intimidar cidadãos e os seus gostos.

Visando intimidar.

Mais: a coisa é mais grave ainda quando o “Carnaval” é desde sempre uma época e umas festividades que existiram para fazer aquilo que o apito na panela de pressão faz, quando se está a cozer a sopa: despressionar a panela, retirar pressão.

Aqui metafóricamente, temos o Carnaval como o apito que vai despressionar a sociedade, permitindo-lhe que esta faça certas actos que  em circunstâncias normais não poderia fazer.

E temos um Estado –  através dos seus agentes a utilizar métodos comparativamente paralelos – a mesma linha de raciocínio a agir – que um qualquer grupusculo neo qualquer coisa usa: a intimidação.

A forma como faz é que varia. Aqui existe uma “lei” emanada de “orgãos” competentes que supostamente legitima o acto.

Ø

Podemos também considerar ainda uma outra hipótese alternativa.

O actual governo querer apresentar-se como “menos radical” e ter patrocinado estas duas jogadas, para depois poder vir dizer (estamos em ano de eleições) que só oactual Governo é que concede recusar e combater os radicalismos que existem na sociedade portuguesa, quer os praticados pelo Estado, quer fora dele.

Estas “demonstrações de força, da polícia de Braga, e do Delegado doMinistério público de Trres Vedras, forneceram um serviço: com estas óbvias demonstrações de estupidez extremista e não cumprimento da lei, misturada com falta de bom senso, conferem a quem os denuncie como estando errados, uma aura de credibilidade.

Especulemos um pouco com esta imagem –Jornal Público:

publico-28-fevereiro-congresso-ps

Repare-se no facto de uma pessoa – aparentemente democrática – afirmar que “não temo o julgamento democrático”, e ao mesmo tempo utiliza métodos que quem pactua com forças totalitários também utiliza.

Isto é, pactuar com elas, mas apresentar-se a si mesmo como ” o que está contra as soluções radicais…”

Nota: nada do que foi escrito em cima significa que eu ache que o actual governo mandou directamente a polícia apreender 5 livros em Braga ou o MP de Torres Vedras mandar um fax a uma Camâra.

Nota 2: como é que se pode defender a democracia, quando o mordomo encarregado de geri-la utiliza metódos que também são utilizados por quem quer subverter a democracia?

Nota 3: tire as conclusões quem quiser, acerca do nevoeiro que nos começa a cercar…

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A SUPREMACIA DO PENSAMENTO UNICO

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Vivemos numa época extraordinária.

É uma época onde existe o “medo”, como sentimento difundido por todo o lado e sobre todas as pessoas. E existe o “cinismo” como sentimento que acompanha o medo. Ambos são algumas das novas religiões que existem por aí, e as pessoas fazem turnos nas suas vidas, para alternadamente, sentirem medo uns dias e cinismo noutros.

Se por acaso algumas pessoas estiverem despertas para esta realidade, e decidirem criticar a pobreza espiritual, material e intelectual que uma vida vivida alternadamente em turnos de medo e cinismo lhes provoca, quer a si mesmos, quer a outros, imediatamente aparecerá alguém que lhes dirá que isso é bom e que isso é ser democrata e viver em democracia.

Também nos é passada a mensagem:

  • Que o medo e o cinismo em democracia são diferentes do medo e do cinismo em ditadura.
  • Que “ver inimigos por todo o lado” (e ter medo deles e ser cínico em relação à situação) é bom.
Ø

Quem isto faz está a promover (conscientemente ou inconscientemente), uma boa maneira de deixar passar em claro os verdadeiros inimigos da democracia.

Nas sociedades de tradição democrática, o fenómeno é ainda mais desenvolvido e “sofisticado”. Manifesta-se através de um “sentimento no ar”, “difuso”, “que se entranha suavemente”,mas entranha-se nas sociedades e na vida dentro delas.

É uma chantagem permanente que se manifesta nas formas do medo e do cinismo que condiciona a livre escolha dos cidadãos.

Que se manifesta em dizer: “ou “isto” ou o caos”. (Pouco importa que isto já esteja a ser o caos, claro…)

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Politicamente tal é o que todos os políticos (e por trás o poder económico…) em Portugal fazem. A mensagem é: nós não somos o caos, os outros é que são o caos.

Em Portugal um exemplo prático foi, por exemplo, o “não” referendo ao tratado europeu.

O principal argumento contra a realização de um referendo seria a de que “não existem alternativas”. A alternativa seria “o caos”. (Teoria que exclui, obviamente, o facto de isto já estar próximo do caos…)

Ø

Aplicada esta lógica à sociedade, dai retira-se que quando uma pessoa critica algo, será (a causa efeito é esta) imediatamente rotulado de extremista e “contra a democracia”.

Logicamente, vem aí o seguinte passo.

Esta lógica é levada ao extremo, e ninguém poderá criticar o que quer que seja. E a partir daí estabelece-se uma supremacia indiscutida de um pensamento único.

Que aqueles que o defendem apelidam de “democracia”.

Ø

Os verdadeiros extremistas (defensores do nazismo, por exemplo) riem-se até às lágrimas por esta magnifica oportunidade que lhes está a ser dada…

A marginalidade próxima da delinquência onde estão transforma-se, em vitimização, o que lhes dá imediatamente a possibilidade de adquirir apoiantes…

Ø

E é através desta “técnica” baseada em medo e cinismo + chantagem psicológica exercida sobre as pessoas ameaçando-as de lhes chamar “radicais” que se inviabiliza qualquer mudança no sistema político administrativo português.

E esta não mudança, por sua vez, cria a corrupção, especialmente nos lugares e posições onde estão as pessoas que mais defendem este actual sistema.

Existe medo difuso de se contestar “isto” precisamente porque “isto” é uma porcaria corrupta.

As pessoas tem medo de ser (ainda mais) apanhadas no meio da lama corrupta que as cerca. As pessoas estão condicionadas por esta lógica e “como não se sentem radicais ou extremistas, (especificamente porque não o são!) acham não ser capazes de tomar posições contra – precisamente com medo de poderem vir a ser acusados de serem “extremistas” ou radicais”:

A pessoa “não radical” ou não extremista” fica assim condicionada psicologicamente dentro do sistema social em que vivemos. Logo fica “inferiorizada” quando quer exercer os seus direitos políticos.

Quer mudanças, mas não as pode exigir. Uma panela de pressão com pernas sempre de tampa fechada, à espera de autorização de alguém para ser aberta…

Ø

Estas pessoas são sistematicamente apelidados de extremistas, porque falam de coisas das quais a sociedade não quer ouvir falar, porque a sociedade – algumas pessoas dentro da sociedade – ganham com isto, com esta “não mudança”.

Com este silêncio…

No estado actual das coisas, alguém que diga que é contra a corrupção é – arrisca-se a ser – rotulado de “extremista”. Ou “negativista”.

Ou quem fale de coisas às quais os principais forças políticas »moderadas» (no caso português, todas…) não querem falar, porque é contrário aos seus interesses.
Ø

Os verdadeiros radicais, ou as pessoas desonestas são assim colocadas numa posição em que são toleradas.
Servem um objectivo: fazer com que as forças políticas »moderadas» possam aparecer como moderadas perante a comunidade internacional, e perante a própria população do país.
E para que alguém pareça ser moderado é necessário que existam (pessoas apelidadas de) “radicais” para a comparação minimamente fazer sentido.

Assim se garante que o sistema não (nunca) muda alienando qualquer dissidência dentro do mesmo. Se existir discurso dissidente (não confundir com o nome deste blog) dir-se-á que é “fascismo ou manifestações anti-democracia” a quem não aceita o estado a que isto chegou.

Esses são aqueles que não aceitam viver sob a chantagem baseada na seguinte lógica: ou esta falsificação de democracia ou o caos.

Ø

Já as pessoas e os grupos de interesses que efectivamente trabalham para minar a democracia a partir de dentro são sempre tolerados pacificamente.

É como uma receita de cozinha. Receita essa que necessita da existência dessas pessoas – o ingrediente “mágico” – que permite a quem defende a supremacia do pensamento único dizer que não existe pensamento único, até porque os cidadãos podem pensar de maneira diferente…
É aquela frase celebre (descontando a cristandade da mesma e não fazendo a apologia de religiosidades…) “o maior truque do Diabo foi fazer as pessoas acreditarem que ele não existia”.

Ø

Todo este “jogo” é brutalmente perigoso também pelo seguinte:

O cidadão tem tendência a perder este jogo.

– Perde se as coisas se mantiverem como estão.

– Perde se as forças anti democraticas escaparem ao ainda tenue controlo que sobre elas existe e virem a mesa de jogo definitivamente transformando isto de ditadura não oficial a ditadura real.

E assim estamos a entrar em zonas cada vez mais sombrias.

Ø

A solução: não aceitar, especialmente dentro da nossa própria cabeça, que este sistema seja aceitável, por ser o menor de todos os males.

Aceitar algo por ser o menor de todos os males é estar a pelar ao pior de nós próprios e não ao melhor.

Aceitar a supremacia do pensamento único é estar a exigir o pior e dizer que é o melhor.

20 PORTAS GIRATÓRIAS E NENHUM QUARTEL GENERAL

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No dia 29-05-2008, os senhores CK Prahalad e Hrishi Bhatacharyya, respectivamente um professor de estratégia empresarial muito conhecido e um ex presidente da Unilever ( a empresa dos detergentes Omo, Sunlight e Confort, do sabonete Dove e das marcas Knorr, Calvé e Lipton entre muitas outras coisas…) fizeram sair um artigo na Business + Strategy que demonstra para onde a Globalização e a marcha das empresas multinacionais se está mover – e, indirectamente, contra os Estados nacionais.

No artigo apresentam uma tese.

Uma empresa global e moderna, não mais deverá ter uma sede central onde tudo se decide em relação às filiais. Antes devem escolher 20 países no mundo considerados como “portas giratórias” de onde operar, e de onde os produtos e serviços fabricados e prestados pelas multinacionais deverão sair e “girar”.

As motivações primárias desta tese são as seguintes:

– As perspectivas de crescimento para as corporações multinacionais estão a expandir-se, mas em países/áreas da América latina, Ásia, África, Europa de leste – mais de 4 biliões de consumidores.

– As pessoas destes locais querem possuir casas, serviços e opções.

Os dois analistas afirmam que:

Os líderes das multinacionais reconhecem este fenómeno. Mas poucos estão a lidar com ele. A razão para tal é que persistem em ver a economia nestes mercados como “mercados emergentes” e não mercados já autónomos…

Seguidamente na linha de raciocínio do artigo oferecem o exemplo de uma multinacional que já tem 1/3 da sua facturação e e quase 2/5 dos seus lucros a provirem destes “mercados emergentes”.

Perante estes dados argumentam que o centro de gravidade desta(s) empresa(s) multinacionais continua a ser o mesmo que sempre foi: A Europa e os Estados Unidos.

Porque é que é assim:

Explicam que é assim, porque os executivos de topo estão formatados culturalmente e psicologicamente pelo facto de terem sempre vivido na Europa e nos EUA e portanto resistem à mudança.

Isto são os “dados do problema”.

A partir daqui evoluem para o lançamento da hipótese segundo a qual, os executivos de topo deveriam organizar as suas empresas de acordo com os “desejos destes novos consumidores globais”.

Para satisfazer os “desejos” ,lançam a ideia de “Portas giratórias” (Hub´s).

Os países são – vistos pelo prisma destas empresas – apenas portas giratórias de circulação de mercadorias serviços e eventualmente pessoas. (Para isso corromper-se-à, presume-se, o poder político…)

  • Esta lógica exclui a democracia como forma de organização da sociedade.

Prahalad e Hrishi não estão a fazer um artigo que debata isto,e se concentre nesse problema, mas é a conclusão que se deve tirar desta teoria.

O passo seguinte é lógico – após revelar a ideia “porta giratória” é definir quais são os países “porta giratória”. Escolhem designar 20 países que melhor sirvam como “porta giratórias” para as empresas.

– Podemos obviamente pensar que países não democráticos terão, segundo esta lógica, mais hipóteses de serem escolhidos do que países democráticos.

O que quer dizer que na prática, as empresas multinacionais estão a favorecer a continuação da “não democracia”.

A inversa também pode ser verdadeira, mas não é plausível como hipótese. Duas razões:

Uma de ordem prática:

1. as empresas multinacionais respondem perante os seus accionistas e pelos lucros que fazem e não pelos governos democraticamente eleitos dos países onde actuam.

Outra de ordem analítica:

2. Existe sempre a ideia argumentativa de apresentar o facto de empresas multinacionais fazerem negócios em ou com ditaduras, como sendo uma “vacina” democrática que é aplicada a esses países e que fará (através de artes mágicas) com que a população desses países deseje ” democracia”.

Esta ideia é parcialmente falsa:sucede com alguns países, não sucede com outros. O exemplo actual clássico, é a China, uma ditadura que permite livremente as empresas multinacionais, mas não se transforma em democracia.

Não compreender isto e não compreender que este é o problema principal é não compreender nada.

O autores avançam com a ideia de recrutamento de talentos. Isto é, se estas companhias que adoptassem esta visão das coisas tal possibilitaria a atracção de talentos desses países “portas giratórias”e paralelamente, deveriam montar escritórios dotados de capacidades ao nível do marketing, logística, etc. Isso possibilitava que pudessem manter uma poderosa presença nos países da região de influencia destas “portas giratórias”.

Isto é um jogo em que se perdeu antes de se começar a jogar e que países como Portugal aceitaram jogar.

Um país vê assim completamente limitada a sua capacidade de atrair qualquer investimento sério.

Um país vê assim completamente limitada a vontade de poder influir sobre a criação de emprego dentro do seu próprio território.

Um país vê assim os seus fornecedores nacionais condenados a terem que adoptar métodos e técnicas de funcionamento, não autónomas, mas apenas orientados em função de “padrões” comerciais ou técnicos das multinacionais que estão nos Hub´s à sua volta…

De acordo com esta teoria defendida pelos dois autores, os 20 países “porta giratória” já estão decididos em função do seu peso e influência e quaisquer outros nunca terão hipóteses – joguem como jogarem este jogo de abismos económicos…

Portugal joga este “jogo” porquê?

(Nota dissonante: constitui batota argumentar que apenas pode jogar este jogo…)

Outra ideia dos autores é a de criar uma “rede global” entre os executivos dos 20 países “porta giratória” onde todos interagem com todos, tendo apenas 20 escritórios básicos e normais.

O objectivo económico – de gestão – comercial visa atacar a complexidade dos mercados todos através destas “estrutura flexível”. A suposição será a de que; através dos países “porta giratória” esta complexidade seria reconhecida e tratada de forma mais eficiente.

Razão de ser da complexidade? Porque existem mais de 190 países no mundo.

Nota lateral: o ataque à democracia como sistema será assim completo. O posicionamento do país “porta giratória” e das empresas multinacionais nele estacionadas condicionará os países adjacentes a esse, condicionará as decisões políticas desse país. Não entender isto é não entender nada.

Explicam ambos os autores como se faz actualmente:

As empresas tentam ser globais de duas maneiras:

  • centralizadamente
  • descentralizadamente

O (1) sistema descentralizado pressupõe que o mundo tem um quartel general e 5 ou 6 escritórios centrais – presumivelmente para cada continente. Com gestores separados para cada continente.

Estes, por seu turno, fazem de alfaiates comerciais e adaptam produtos aos gostos peculiares de cada país. É aliás isso que explica algumas das coisas mais estúpidas que se costumam ver, e como exemplo temos – a Coca cola com sardinhas – o que demonstra bem o desespero comercial da marca em Portugal e a tentativa desesperadamente imbecil de adaptação aos gostos locais.

Os autores não o dizem explicitamente, mas argumentam que isto (a diversidade cultural) é péssima.

Apresentam como exemplo uma empresa de produção de sopa de tomate na Europa que tem mais de 50 sopas diferentes.

Nota venenosa: se a diversidade cultural é péssima, e se a democracia, é diversidade cultural, política e social então, por analogia, a democracia é péssima?

O (2) sistema centralizado procura uma aproximação unificada ao mercado. Isso significa que as oportunidades perdidas de negócio, precisamente pelo facto de a empresa ser centralizada são imensas.

É para combater os defeitos das duas estruturas que surge esta ideia nova de pais “porta giratória”. Um sistema hibrido.

Nota de biologia híbrida: se é um sistema híbrido, e por definição algo híbrido não é definido; é uma mistura de duas ou mais coisas, então um sistema híbrido não se importa com qual regime político trabalha?

Nota estratégica: esta organização comercial – decidida em exclusivo por empresas multinacionais – constitui, também, estrategicamente, uma forma de atacarem os países nacionais e os seus governos e os condicionarem cada vez mais.

Nota reflexiva-eleitoral: os reflexos são enormes nas eleições democráticas em cada pais. Vote-se no “A” ou no “B” ou no “C”, o paradigma económico está a ser decidido num qualquer pipeline de informação / país “porta giratória” algures localizado e não no local onde se realizaram eleições.

Nota de traição. os políticos que ajudaram “este sistema” a impor-se desistiram de mudar o mundo através da sua acção como políticos. Em vez de tal fazerem, gastam energias a manter a ilusão de que tudo isto é verdadeiramente uma democracia e que todos podemos decidir sobre aquilo que nos afecta, o que não é verdade.

Prometem agora proteger-nos de perigos que nós não vemos e nós não conseguimos compreender… Ver “os políticos e a venda de pesadelos”

Prahalad e Hrishi designam os países – “mercados emergentes”

  1. China
  2. índia
  3. Brasil
  4. Rússia
  5. México
  6. Coreia do Sul,
  7. Indonésia
  8. África do sul
  9. Tailândia.
  10. Turquia
  11. 3.1 Biliões de pessoas.

Países dos mercados maduros

  1. EUA
  2. Japão
  3. Alemanha
  4. Reino Unido
  5. França,
  6. Itália
  7. Espanha
  8. Canada
  9. Austrália
  10. Holanda.
  • A base da pirâmide de produção foi atribuída aos países emergentes.
  • A produção “de topo” aos países dos mercados maduros.

Seguno os autores estes são os países países que tem “valor” (entendido como utilidade) para as multinacionais.

Razões:

Nos países mercados emergente: os trabalhadores são (1) muitos, (2) a custo baixo e (3) com competências, bem como (4) existem infraestruturas e (5) sociedades dispostas a fazerem parte do sistema de comérico internacional( Isto não é inteiramente verdade, mas percebe-se porque é que os autores dizem isto…)

E juntos os 20 países “HUB” contam para 80% da actividade económica do mundo e por 70% dos seus habitantes.

– Uma da partes importantes relaciona-se com o risco. Neste sistema” HUB” o risco é disseminado por 10 ou mais locais.

Cite-se Zygmunt Bauman em “Livro:Globalização,as consequências humanas”

Consequências:

A elite extraterritorial não sente os espaços geográficos onde nasceu; por exemplo, como sendo algo que lhe diga respeito. O sentido de comunidade (e de interesse pela comunidade) desaparece na elite.

Os centros de decisão (a capital, o governo, etc) estão longe, mas as consequências das tomadas de decisão desses centros de decisão caem directamente em cima das populações “localizadas” que estão impossibilitadas de se mexerem.

Consequências 2

O “poder” passa a ser livre para explorar, sem temer quaisquer tipos de consequências por fazer isso.

Bauman conclui que essa mobilidade não pressupõe que as comunidades “localizadas” tenham tolerância ou aceitação perante isto ou as desenvolvam como conceitos a utilizar…

Os autores tratam também da (1) questão de marketing. Isto é, se será possível o marketing feito num país “Hub” chegar à áreas adjacentes que esse país “influencia” sem existirem barreiras culturais.

O truque é criar uma situação em que a “marca” multinacional, tem uma imagem de alta qualidade e excelência, mas um preço baixo, sendo”desenhada” para países ou mercados emergentes e populações de baixos recursos.

Outra questão; (2) mexer na actual estrutura da multinacional e sendo isso um factor de problemas, é também focado. Se o facto de existir “outsourcing/ contratar fora não criará problema a empresa multinacionais.

O truque é que isto não será um grande problema, argumentam os autores, uma vez que o risco será dividido por 10 hub´s ou mais.

E agora importa citar a cereja no topo do bolo, precisamente para se perceber que o que foi escrito antes significa exactamente o que significa, e que as minhas impressões acerca disto – para os cépticos – são de facto verdadeiras.

A dada parte dizem que:

Underlying the gateway–hub structure is a basic management principle for worldwide enterprise: Neither local responsiveness nor global integration should be based on ideology. This represents a new model for global corporations based not on the priorities of home, but on the needs of the marketplace and on locating work wherever it can be conducted most efficiently and managed most profitably.

Tradução a martelo:

Subjacente à estrutura Hub” como porta giratória está um princípio básico para a empresa multinacional.

Nem a resposta local nem a integração global DEVEM SER BASEADAS EM IDEOLOGIA.

Isto representa um NOVO MODELO para as corporações globais baseado não nas PRIORIDADES DO PAÍS CASA, mas nas necessidades do mercado e em localizar o trabalho onde ele possa ser produzido MAIS EFICIENTEMENTE E GERIDO COM MAIS RENTABILIDADE.

Nota 1: existem excepções á lógica dos HUB admitidas pelos próprios autores. Certos negócios , como a moda, ou outros negócios que requeiram matérias primas naturais, estarão fora da lógica do Hub´s.

Nota 2: Também recomendam que, mesmo dentro da lógica dos Hub´s não se coloquem todos os centros de investigação e desenvolvimento só num país e toda a produção noutro país. (Dessa forma mais autónoma é a multinacional e mais “agarrado” está o país…)

O artigo foi escrito em Maio 2008.

– Para quem tem dúvidas que foi decidido internacionalmente muita coisa, e que isso que foi decidido afecta países que nada de especial tenham para oferecer ( como é o caso de Portugal) e que a lógica por detrás de tudo isto é pouco ou nada democrática, visando um controlo de pessoas e populações penso que a leitura crítica( isto é , como análise critica) dirá bastante acerca do que se está a passar e daquilo que estamos a enfrentar.

– Venham-me falar de “democracia” e multinacionais, quando os principais analistas e estrategas da gestão defendem abertamente um modelo de empresa que ataca as noções de democracia.

Este artigo Dissidente-x é dedicado ao blog My Hopes and Dreams

à propósito de uma conversa privada.

A LIBERDADE FOI REDEFINIDA.

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Vivemos numa altura histórica má para a liberdade.

A liberdade foi “redefinida”.

Sentimentos morais ou sociais, hábitos comunitários, noções de espaço público, olhado como um espaço livre e de livre acesso a todos e por todos, foram subtilmente redefinidas pelo sistema económico/político que existe não só em Portugal, mas também em quase todo o resto do mundo.

Os recursos financeiros, políticos, de vontade e voluntarismo para implementar sentimentos sociais ou morais, para implementar noções de espaço público foram desviados ou eliminados.

Por causa desta redefinição do conceito de liberdade – do que ela é, e qual é que deve ser a lógica que a orienta, ela transformou-se.

Agora significa apenas a liberdade de fazer os indivíduos numa sociedade poderem obter o que quiserem.

É-nos dito que não há contrato social. Que as pessoas não estão ligadas entre si como cidadãos. Que não existem obrigações morais entre indivíduos numa dada sociedade, antes que só deve prevalecer o egoísmo puro e duro.

O passo lógico seguinte nesta lógica distorcida e totalitária é afirmar que só o mercado é que pode – agora equiparado ao estatuto de liberdade – fornecer a capacidade de as pessoas obterem o que quiserem.

Enquanto que a democracia e as eleições não o farão.

Isto pressupõe uma muito pobre noção de como as pessoas são – um modelo simplificado de pessoas – e pressupõe que os indivíduos apenas são uma máquina calculista de calcular com pernas.

Esta é a “visão” que os políticos e os economistas estão sistematicamente a apregoar sempre que podem.

Esta é a visão dos blogs neoliberais da blogosfera portuguesa. Embora não o admitam.

O individuo verdadeiramente livre não se sente como sendo apenas e só uma maquina calculista de calcular com pernas.

O individuo verdadeiramente livre não se aceita como sendo apenas um modelo simplificado de pessoa, mas sim como cidadão e ser humano de pleno direito.

Quanto mais depressa o indivíduo verdadeiramente livre tomar consciência desta sua dimensão pessoal em que habita, mais perceberá quem são os outros que estão contra ele ser verdadeiramente livre.

Written by dissidentex

19/07/2008 at 17:01

Publicado em LIBERDADE

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PODER, DEMOCRACIA, GERAÇÕES.

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  1. Daniel Marques said, on Julho 5th, 2008 at (Modificar)

    Este país não foi feito para jovens. Não há sequer oferta nem espaços adequados. Uns amigos meus estrangeiros, que passaram uns meses em Portugal, tiveram dificuldades em encontrar algo tão simples como espaços adequados para andar de skate e patins em linha. Algo tão simples como isto e que no país de origem estão habituados a praticar em espaços adequados. Depois as pessoas queixam-se que os jovens andam de skate nos passeios, etc. Isto tem uma definição: exclusão social!

    Em Sintra, há uns tempos, o presidente de junta já falecido, lembrou-se de instalar rampas para skates e patins em linha num jardim. Quem caiu em cima foram os idosos a reclamar. Ora, com um terreno livre do outro lado da estrada, o que custava arranjar aquele espaço para desportos radicais? Em vez disso vê-se os comerciantes a reclamar dos skates passarem pelas portas dos seus estabelecimentos. Querem que os jovens se metam onde? Em casa a jogar playstation para não incomodar ninguém?

    Se eu quiser fazer ponto de cruz, ouvir o relato de futebol em onda média ou jogar dominó, não me faltam espaços adequados, inclusivamente mesas já com tabuleiros de xadrez e damas.

Na caixa de comentários do artigo “Recenseamento eleitoral automático”, o Daniel Marques escreveu o que está acima, sendo que o artigo era relacionado com a “novidade” de o recenseamento eleitoral passar a estar automatizado para fazer entrar automaticamente 300. 000 jovens nas listas eleitorais.

Veja-se o que está em baixo, discutido por membros da nossa “elite”, respectivamente Joaquim Aguiar, Politólogo e analista político de direita, Diogo Pires Aurélio, professor do IST e de direita profunda, Manuel Vilaverde Cabral , uma pessoa pseudo de esquerda, sociólogo, que pelas alturas deste livro tinha muito tempo de antena nas rádios e televisões, e foi director da Biblioteca nacional ( ultimamente virou de lado e apoia um presidencialismo forte e musculado) e José Tribolet, também de direita profunda.

São o tipo de pessoas que pertencem á geração que está retratada mais abaixo no texto que cito, e são pessoas das quais duvido que acreditem no sistema democrático. Uma delas proferiu o que está em baixo.

Em 1998, uma editora na altura recente chamada “Livros e leituras” lançou um livro que foi o resultado de um encontro entre 4 pessoas que se juntaram para discutir o conceito de poder e o conceito de saber.

O diálogo foi gravado e depois passado a livro.

O livro aborda muitas coisas e dois dos intervenientes( para não dizer 3 deles) são (na entrevista) claramente neoliberais económicos e defendem uma série de cosias que demoravam muito a explicar aqui.

Na parte de sociedade e demografia existem algumas coisas curiosas que passo a transcrever:

Página 68:

Conhecemos, objectivamente, a demografia democrática da Europa e sabemos que há uma coligação fechada de duas gerações que nasceram nos anos 20 e nos anos 40, contra a geração que nasceu nos anos 70. Repares-e que a demografia da democracia nada tem a ver com esquerda ou direita. É uma variável rígida e que condiciona a agenda política da mudança.

A geração de 70 atravessa as dificuldades que se sabe:não consegue trabalho, não consegue ter casa, não consegue casar.

Mas à partida tem muito mais que nós tivemos:carro, Internet, biblioteca, país dispostos a tudo,etc. A geração de 70 tem mais do que nós tivemos, só não consegue reproduzir.

Página 70

As três gerações que se seguíram ao longo do século -dos anos 20, dos anos 40 e dos anos 70 – tem perspectivas radicalmente opostas em termos de política de financiamento, as duas primeiras jogam numa perspectiva de endividamento:os que vierem depois que paguem. A terceira inclina-se para uma óptica de fiscalidade, que supõe o máximo rigor nas contas.

Mas o grave é que a geração do rigor é, justamente, a que menos hipóteses tem de influenciar resultados eleitorais. Porque numericamente é minoritária. Porque inclui toda uma faixa de juventude que não perfez ainda os 18 anos de idade.

Donde, quando sentem ameaçadas as suas prerrogativas, as duas primeiras gerações tem motivação para votar e direito de o fazer; para uma boa parte da terceira pode haver a motivação, mas não há o direito.”

Quem afirma isto é o senhor Joaquim Aguiar, um conselheiro e eminência parda, de direita pura e desde sempre grande apoiante de Cavaco Silva.

As duas primeiras gerações criaram “isto” e é por isso que, como o Daniel põe a questão lá em cima, este país não foi feito para os jovens.

É apenas uma questão de demografia eleitoral. Mas como as coisas estão a descambar totalmente, os guardiões do sistema político, necessitam DESESPERADAMENTE que os “jovens” votem e se interessem pelo sistema.

O que está em cima também ajuda a explicar a política completamente louca de imigração que este país tem vindo a adoptar.

Não porque quem a promove esteja genuinamente preocupado com o país, mas sim está preocupado com:

a) a sua própria segurança material e dos seus familiares;

B) com os votos da sua clientela;

C) com a estabilidade política desta República podre e corrupta.

A conversa do senhor Aguiar em várias partes… então… é espantosa. A geração tem montes de coisas mas não consegue produzir.Pois não. O que leva à pergunta: qual é o interesse de se terem coisas que não se podem usar?

No sítio marketing de busca, o António Dias faz uma pergunta filosófica absolutamente pertinente logo no incio do sitio, referindo-se á nobre arte do SEO:

“Se o seu website existir na internet e ninguém o encontrar, o site existe mesmo? Tem a certeza?”

O que me leva á pergunta:

Se à partida tiver mais do que nós tivemos:carro, internet, biblioteca, país dispostos a tudo,etc, sua geração existe mesmo ? Tem a certeza? Consegue reproduzir?

Alguém encontra esta geração? (Pergunto porque também faço parte dela)

O que é mais espantoso nisto é que o senhor Aguiar fez parte do grupo de conselheiros dos 10 anos de Governo do senhor Cavaco Silva onde a “mudança para melhor” aconteceu e sempre para pior.

O Daniel Marques faz a pergunta: querem que os jovens se metam onde?

Neste momento já não são só os jovens. O “ideal” seria que os consumidores existissem para pagar impostos e consumir mas tivessem morridos metade delas no que toca aos problemas exposto quer no comentário do Daniel Marques, quer no que eu cito.

Quem quiser tirar conclusões – o excerto do livro que cito é de 1998 – acerca da falta de estratégia e da política de saltos em frente sem se saber bem onde se vai aterrar dos sucessivos governos democráticos que as tire.

Nota: isto não significa que eu apoie um regime ditatorial, mas penso que o que está acima deixa ver o muito que está mal e o porquê de as coisas em Portugal serem o que são. É uma questão eleitoral exclusivamente motivada pela ganancia de uma parte de uma geração, que não só prejudica os seus pares etários, como prejudica as gerações seguintes.

Para disfarçar, fala de reformas e mudanças. Mas nunca são as mudanças das políticas acima, nem de estratégia de poder e de organização do país.

É também por isso que é preciso trazer 300.000 jovens para a sociedade via recenseamento eleitoral. Primeiro foram “afastados” , agora são re-atraídos porque o sistema está a rebentar e a ideia de coesão nacional perdeu-se para certos estratos da população.

Written by dissidentex

05/07/2008 at 17:23

FASCISMO EM PORTUGAL IGUAL A SALAZARISMO.

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JORNAL DIÁRIO DE NOTÍCIAS – 23 – 06 – 2008 – Transcrição parcial.

Entrevista. MANUEL LOFF, HISTORIADOR
No seu livro O Nosso Século é Fascista! – O Mundo Visto por Salazar e Franco analisa as ditaduras ibéricas. Houve mesmo fascismo em Portugal?

É claro que houve fascismo em Portugal. O Salazarismo foi a adequação que as direitas portuguesas fizeram de um modelo fascista à conjuntura portuguesa. Neste livro sustento que o Salazarismo é claramente o fascismo.

António José de Brito, que se assume como fascista e de extrema-direita, diz que há apenas afinidades entre o Estado Novo e o fascismo.

A ultradireita do regime defende isso. Não nos esqueçamos de que Jaime Nogueira Pinto sustentava a tese, em 1971 ou 1972, de que Marcelo Caetano era um criptocomunista…

Melhor que António José de Brito, José Hermano Saraiva, em determinado momento, chegou a dizer que Salazar teria sido um antifascista, porque teria mandado prender fascistas.

O Hitler mandou matar nazis, não é nazi, está visto; Estaline mandou matar 700 mil comunistas, entre 36 e 38, então não é comunista. Isto é absurdo, é óbvio que a pluralidade interna do regime incluía sectores, sobretudo da área intelectual e sectores de uma pequena burguesia mais moderna que do ponto de vista cultural imitava directamente o caso italiano ou caso alemão.

Em que base se apoia Salazar para dizer que o seu século, o século XX, era fascista?

Salazar usa outra frase: diz que existe uma linha geral europeia que os triunfos da Alemanha nazi e da Itália fascista têm vindo a consagrar. Salazar não gosta de utilizar o termo fascista, porque sabe que está a usar um termo criado por estrangeiros, e um ultranacionalista não gosta de dizer que o seu regime é uma imitação.

Portanto, fala de um nova ordem, como falavam também Hitler, na Alemanha, Mussolini, em Itália, e Franco, em Espanha. A transformação que a Alemanha estava a produzir na Europa, entendia Salazar, iria consagrar o triunfo dessa via. As direitas ibéricas imaginaram no triunfo da Alemanha uma espécie do fim da história: o triunfo definitivo para o resto do século daquilo que seria a nova ideologia.

Estes pequenos excertos condensam todos os problemas que o Salazarismo coloca a democratas ou a adeptos da democracia.

– O messianismo inerente à figura do homem, convenientemente defendida pelos discípulos do homem que ficaram para trás e a quem os “democratas”, convenientemente, sempre permitiram em nome de um falso conceito de tolerância que pudessem continuar a minar a democracia e a glorificar o homem tentando fazer dele algo que ele nunca foi e que este historiador define: Salazar foi, de facto, fascista.

– Para obter isso, é necessário dizer que o Salazarismo era apenas um primo distante em 4º grau do nazismo e do fascismo italiano e não um irmão da mesma mãe. Razões para tal invocadas: o facto de o homem ter mandado prender fascistas.

Isto deve ser entendido de forma demagógica , ou seja, que o acto de eliminar facções dentro daquele regime ” que queriam ser o chefe no lugar do chefe” é “vendido” como “Salazar mandou prender fascistas”.

Mandou-os prender antes que estas facções o depusessem.

– a “nova linha geral europeia a que o fascismo português pertencia existiu de facto. No caso português também, embora com excepções. Uma delas era o culto da tecnologia que era apanágio dos regimes italianos e alemão, mas que em Portugal não o era. Essa pequena diferença ( é uma das) é invocada para dizer que o Salazarismo não era fascismo.

– o ultranacionalismo de Salazar que teve máxima expressão na frase “Orgulhosamente sós”. OS democratas portugueses pós 25 de Abril querendo combater a lógica que estava por detrás disto adoptaram a entrada na UE, e adoptaram o ” Orgulhosamente cretinos e corruptos” como novo mote a seguir.

O resultado? Os Salazaristas sentem-se à vontade para chamarem corrupta à democracia e para negarem a essência da corrupção do regime Salazarista e a falta de legitimidade do mesmo.

O ultranacionalismo do senhor levava precisamente à negação da palavra fascismo, como atribuível a “uma outra qualquer ideologia, mas não a dele.

É uma pesada herança esta, a de contrariar “isto”quando os ” democratas” não o querem fazer e adoptam alguns dos tiques do Salazarismo. Leva-nos à pergunta: mas alguma vez desejaram mesmo erradicar da memória das pessoas aquilo governando bem?

Leva-nos também à questão do nacionalismo. Quem defende uma ideia de nacionalismo diferente desta, é sempre atacado. Nessa altura onde param os democratas oficiais?

Written by dissidentex

25/06/2008 at 14:31

AZEDUME E AMARGURA.

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A PROIBIÇÃO.

Em Portugal é proibido ter azedume.
Em Portugal é proibido ter amargura.

É proibido tudo isto especialmente em duas situações.
Na primeira situação foi prometido a duas gerações de portugueses que eles não mais iriam ter azedume e amargura, se apoiassem uma revolução que mudou o país de um sistema político totalitário, para outro sistema político que se chama de… democrático. Não podem portanto sentir azedume e amargura.

Na segunda situação também é proibido ter azedume ou amargura quando um dos partidos que ajudou a mudar o país para outro sistema político que se chama democrático, ganha as eleições. E forma governo.

Em ambas as situações as pessoas que sentem azedume, ou amargura, ou desagrado profundo pelo estado das coisas e o manifestam, são apelidadas de “inimigos da liberdade”; ou” fascistas”, ou “intolerantes”.

Se o outro partido que também concorre às eleições, mas não ajudou a mudar o país, ganhar eleições, o azedume e a amargura devem ser livremente expressas pela generalidade dos cidadãos.
É, até, um dever patriótico.

O MECANISMO.

Existe um mecanismo rígido de divida e de gratidão presente na sociedade portuguesa.
Chama-se a “divida do eterno agradecimento”
Manifesta-se da seguinte forma.

Devemos estar eternamente agradecidos porque um conjunto de pessoas ajudou a fazer uma revolução; que criou um sistema político e social que está a levar o país para um completo beco sem saída.
Essas pessoas estão isentas de critica. Consideram-se isentas de critica. Existe um elemento místico, quase de cariz religioso nesta crença.
Com religiões não se discute. É a palavra de Deus.

Não admitem sequer a hipótese, tal é aquilo que julgam ser a grandeza da sua obra, que possam existir pessoas que estão insatisfeitas pelo estado das coisas.
Que essas pessoas “ingratas” sintam azedume. Ou amargura.

As pessoas que mudaram um sistema para criarem outro a que chamam democracia fizeram-no, dizem, para implementar a liberdade.
Mas esta nova liberdade tem limites.

O novo “cidadão democrático” é obrigado, em relação aos seus sentimentos pessoais, ou outros, a não ter azedume, nem sentir amargura.
É proibido por lei ter azedume.
É proibido por lei ter amargura.

O cidadão democrático está proibido de ter pensamentos impuros e de divulga-los, isto é, não pode sentir azedume e amargura, nem em publico nem em privado.

O PAGAMENTO.

O pagamento da divida é feito de duas maneiras.

Através da “não critica”, e através da gratidão eterna.
Mais os efeitos secundários.
Não ser autorizado a sentir azedume ou amargura.

EM NOME DA LIBERDADE.

Em nome da liberdade, as livres pessoas que foram libertadas da opressão de um sistema autocrático, são de forma livre, proibidas de sentir azedume e amargura; agora que se vive num regime a que se dá o nome de democrático.

Caso sintam azedume e amargura, pelo estado das coisas, deverão ser reeducadas e forçadas a admitir que são felizes e bem dispostas.

Mesmo que só sintam azedume e amargura.

Estranha liberdade esta que comanda toda a gente a ser feliz.

E a não sentir azedume e amargura.