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GLOBALIZAÇÃO E NEOLIBERALISMO: PRIVATIZAÇÃO DE PRISÕES NO ARIZONA

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Apesar de todas as garantias que tem sido despejadas sobre a cabeça dos cidadãos do mundo e de Portugal também, de que o neoliberalismo económico fracassou, a realidade choca sempre com os factos.

Nos EUA, onde, garantem-nos, o neoliberalismo fracassou e agora com o novo Presidente Obama as coisas vão funcionar como deve ser, o Estado do Arizona vai tomar uma medida que é totalmente neoliberal. (Os outros Estados estão à espreita…)

Privatizar as suas prisões. Estas passarão a ser geridas como empresas privadas.

Passarão a obedecer a critérios de “mercado livre” no seu funcionamento.

Aos presos passará a ser exigida “produtividade”…seja lá o que isso significar…

E, suponho, acaso a oferta seja inferior à procura (isto é, acaso o numero de presos seja inferior, ao das instalações prisionais) terá que ser criado um novo mercado que possua capacidade de gerir e absorver mais produto; isto é, (mais) presos para satisfazerem as necessidades económicas  de alocação de recursos maximizada a 100% dos gestores de prisões privadas.

NEY YORK TIMES - 23 OUTUBRO 2009 - ARIZONA PRIVATIZA PRISÕES

Ou, como diz na notícia:

“…It is the first effort by a state to put its entire prison system under private control.”

Ø

Politicamente, isto significará, à longo prazo, a necessidade de criar leis cada vez mais restritivas (e anti democráticas) que consigam sustentar e manter estas estruturas privadas… a gerir prisões. (isto é, gerar novos mercados e janelas de oportunidade e negócio…)

Como diz na notícia:

“…As tough sentencing laws and the ensuing increase in prisoners began to press on state resources in the 1980s, private prison companies attracted some states with promises of lower costs.”

Isto é, providenciar-se para que o “mercado” seja aumentado no tamanho (economias de escala) e na qualidade (aumento da oferta e do valor a oferecer ao cliente…).

Para maximizar o lucro de gerir pessoas presas…

Sendo assim, um assassino será um produto “mais apetecível” para um gestor de prisões, do que um ladrão de carteiras, devido ao tempo de duração da pena do assassino, e consequente “lucro a retirar” por maior tempo de duração da pena…

O marketing e a publicidade terão também que ser adequados a este novo mercado que se abre perante os nossos olhos…

Pode-se também fazer Franchises de prisões e de presos. Enfim… as possibilidades são infinitas neste magnifico mercado segmentado… (vários presos poderão explicar a outros presos de outras prisões, como podem optimizar o seu desempenho noutros canais de vendas; isto é, noutras prisões…)

No entanto, os resultados tem sido “estranhos”.

Como diz a notícia:

“…In pure financial terms, it is not clear how well the state would make out with the privatization.”

Ø

O Estado fica também desprovido do que é o seu principal poder: o de definir e mandar sobre as outras ordens sociais/económicas.

O Estado “aliena” soberania em favor de empresas privadas, se esta vaga for generalizada.

E qual é o argumento principal para o Estado do Arizona privatizar?

Simples. Custa muito caro manter prisões.

Custa muito caro combater o crime e aplicar penas, vamos antes vender essa tarefa como se fosse uma concessão…

Com os maus resultados que lá se conhecem:

Como diz a notícia:

“…The private prison boom lasted into the 1990s. Throughout the years, there have been high-profile riots, escapes and other violent incidents. The companies also do not generally provide the same wages and benefits as states, which has resulted in resistance from unions and concerns that the private prisons attract less-qualified workers.”

E os cuidados médicos a presos poderão ser também privatizados.

Como diz a notícia:

“…The state also wants to privatize prisoners’ medical care.”

Ø

Como é óbvio, se os custos de uma empresa privada subirem demasiado, ela apenas terá que reagir da mesma maneira que as empresas privadas que fabricam sumo de morango ou batatas fritas fazem: reduzir custos/despedir pessoal.

Isto é, libertar presos ou aceitar presos mais baratos.

Mas o Estado do Arizona não permite isso.

“…Under the legislation, any bidder would have to take an entire complex — many of them mazes of multiple levels of security risks and complexity — and would not be permitted to pick off the cheapest or easiest buildings and inmates…”

Então como é que estas entidades privadas terão lucro?

É um mistério que só os adeptos da gestão privada neoliberal conseguem explicar. (com o habitual jargão/cassete neo comunista/ neoliberal…)

E quanto a questões de soberania política de um Estado postas em causa, isso são amendoins…para serem eventualmente explicados… também…

O ESCUDO ANTI MISSIL E OS DESTROYERS DE CLASSE AEGIS

A administração Obama tomou uma decisão positiva, provavelmente a única  desde que iniciou o seu mandato.

Numa decisão arrojada, (resta saber se motivada por ter sido forçada a isso, por questões éticas, ou apenas geopolítica…) decidiu suspender a colocação do escudo de defesa anti míssil a ser colocado na Polónia (o sistema de intercepção) e na Republica checa (os radares).

(1) A “teoria oficial” com a qual se procurou “vender a ideia” da aceitação deste sistema de defesa na Europa afirmava que o sistema seria colocado para proteger os EUA e acessoriamente a Europa, de ataques com misseis balísticos intercontinentais, vindos do irão.

(2) A “teoria real” faz perceber que a colocação do sistema visava condicionar e eventualmente atacar um primeiro adversário: a Rússia. (e só acessoriamente o Irão, como segundo adversário…)

ESCUDO ANTI MÍSSIL - ESQUEMA

(3) Também visava condicionar a Europa, e continuar a fazê-la depender dos sistemas de defesa norte americanos. Acaso a Europa decidisse gastar dinheiro a implementar um sistema próprio de defesa e a tornar-se “musculada” com o Irão ( Por Europa entenda-se a França e a Alemanha), esta manobra de suposta altruísta generosidade, desmobilizaria dentro da União Europeia quaisquer veleidades de impor um sistema de defesa próprio europeu. (Os polacos, à cabeça a apoiarem as posições americanas…)

Quanto ao Irão, apesar de representar um perigo, é apenas o primeiro bode expiatório oferecido à opinião publica Ocidental (e do resto do mundo), para tentar ocultar aquele que é considerado o verdadeiro adversário estratégico dos EUA ( o que volta novamente a ser designado por tal).

Se o Irão cair será um agradável beneficio e se se tornar um estado na órbita dos EUA, será mais um bónus dadas as riquezas petrolíferas do país e a posição estratégica do mesmo.

ESQUEMA DE DESTROYER DA CLASSE AEGIS - NROL21_04A não ser assim, e se o perigo fosse mesmo o iraniano, teriam sido colocados misseis defensivos em Destroyers da classe Aegis, a serem colocados respectivamente, no médio oriente (mediterrâneo) e no mar báltico.

Acaso fosse o Irão o “alvo inicial” da política externa norte americana, teria sido desde logo uma solução baseada em Destroyers da classe Aegis a adoptada pela administração Bush.

Até porque sai mais barata, uma vez que o sistema já existe e os EUA tem mais de 50 destroyers desta classe em funcionamento.

Após pressões russas, para não ser implementado um sistema destes e após anuncio pelo russos que iriam colocar um “contra” sistema de misseis no enclave russo de Kaliningrado, localizado entre a Polónia e a Lituânia, estes decidiram imediatamente fazer marcha atrás na implementação do sistema de misseis entre a Polónia e a Lituânia.

Apesar dos russos não serem flor que se cheire, ninguém gosta de sair de casa e ter armas (imediatamente) apontadas…especialmente por alguém que é “aliado” como os EUA afirmam ser…

Written by dissidentex

05/10/2009 at 9:24

FMI PREVÊ CRISE DE CARTÕES DE CRÉDITO NA EUROPA(INGLATERRA)

Fonte: Jornal Público de 27 de Julho de 2009 – notícia completa.

Ø

A subida do desemprego estará na origem de uma nova crise. A crise dos cartões de crédito, que provocou perdas de milhares de milhões de dólares nos Estados Unidos, está a estender-se à Europa. E o FMI prevê o aumento do crédito malparado dos consumidores.

Segundo um relatório do Fundo Monetário Internacional hoje citado pelo Financial Times, cerca de 14 por cento dos 1,9 mil milhões de dólares (1,3 mi milhões de euros) de dívidas dos consumidores norte-americanos não poderá ser recuperado pelos bancos credores.

Para a Europa, o FMI estima que os bancos não poderão também recuperar 7 por cento dos 2,4 mil milhões de dólares (1,6 mil milhões de euros) de dívidas dos consumidores, parte importante das quais corresponde ao Reino Unido, o país europeu com maior número de titulares de cartões de crédito.

A organização britânica National Debitline afirma ter recebido em Maio 41 mil chamadas de pessoas preocupadas com a impossibilidade de pagarem o que devem, ou seja, o dobro das 20 mil recebidas no mesmo mês do ano passado.

Nos Estados Unidos, o crédito malparado dos cartões de plástico aumentou drasticamente nos últimos meses devido ao desemprego e à mais severa desaceleração económica desde a Grande Depressão.

Alguns bancos, como o Citigroup, Banco da América, JPMorgan Chase e Wells Fargo, além do American Express, sofreram até agora perdas de milhares de milhões nas suas carteiras de cartões de crédito e sabem que irão aumentar.

No Reino Unido, os analistas esperam que o crédito malparado acompanhe a taxa de desemprego e o aumento das falências dos particulares, que totalizaram 29.774 no primeiro trimestre do ano.

O Barclays, que tem 11,7 milhões de clientes no serviço Barclaycard, anunciou em Maio que o crédito malparado aumentou no primeiro trimestre do ano, um fenómeno que também afectou o Lloyds Banking Group, reflectindo as condições económicas adversas e o aumento do desemprego

  • Sobre a armadilha dos cartões de crédito o assunto já tinha sido falado aqui em 06-11-2008.
  • Sobre o Finantial times, link aqui
  • Sobre geografia o novo mapa da Europa feito pelo público diz que a Europa é a Inglaterra.

E a guerra económica da elite financeira anglo americana continua, desta vez via imprensa, querendo convencer as pessoas que a “Europa” está com um problema de crédito superior ao dos EUA e da Inglaterra.

Written by dissidentex

27/07/2009 at 13:07

O INTERESSE NACIONAL NO CANADÁ

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No Canada existe a defesa do interesse nacional. Fonte: Google News via Reuters.

CANÁDA - CLAUSULA DE BUY CANÁDA

Tradução a martelo:

Junho, 6 , 2009

(Cidade de) Whistler, British Columbia. Presidentes de câmara canadianos aprovaram uma lei que pode potencialmente, impedir que empresas norte americanas possam concorrer a contratos locais canadianos.

Esta lei é uma retaliação feita à Lei “Buy american” (compre americano) que está prevista no plano de estímulos á economia do Presidente Obama. O presidentes de Câmara votaram por uma maioria de 189-175 a lei, na conferencia dos municípios canadianos, realizada na cidade de Whistler, Columbia.

A lei diz que a Federação deve apoiar as cidades que adoptem políticas que lhes permitam somente comprar produtos de companhias, cujos países de origem não imponham restrições ao comércio contra produtos canadianos.

Os Presidentes de câmara também votaram favoravelmente para se esperar durante 120 dias enquanto o Canada continua as negociações com o governo norte americano sobre esta matéria, no sentido de se conseguir chegar a um compromisso.

Ø

No post “Quem são os donos de Portugal” era a dada altura escrito o seguinte:

(1) Primeiro que tudo é necessário definir um conceito de interesse nacional: quais são as coisas que são do nosso interesse nacional, enquanto país, defendermos?

(2) Depois é necessário, dentro do aparelho estatal, criar mecanismos que consigam criar sustentabilidade de políticas, independentemente de quem é eleito para um governo.

(3) Depois é necessário que esses mecanismos e as pessoas que os executam o pensem e o façam a “longo prazo”.

Objectivo: criar uma sustentabilidade das políticas (de defesa do interesse nacional) a executar.

Ø

No Canáda percebe-se, claramente, quando é que o interesse nacional canadiano é posto em causa e quando não é posto em causa.

EUA COMEÇAM A NÃO CONSEGUIR VENDER OBRIGAÇÕES DO TESOURO

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Uma das formas de os EUA se conseguirem financiar quando gastam a mais é emitirem obrigações do tesouro.

Que são vendidas a todo o mundo.

Que, dessa forma financia os gastos norte americanos e os sucessivos deficit´s do orçamento de Estado americano.

Há mais de 50 anos.

DIFICULDADE DOS EUA EM VENDER BONDS

A actual administração Obama criou um pacote de estimulo fiscal, para ser lançado sobre a economia. Quando começou eram só 700 biliões de dólares. Actualmente……

O valor desse pacote é o número: dois triliões de dólares. Só para este ano.

Para chegar a esse número de dois triliões a administração Obama tem que – até Setembro deste ano – emitir obrigações do tesouro, no valor de 900 biliões de dólares. O resto, presume-se, 1.3 triliões de dólares será o que virá do orçamento de estado norte americano.

E como tal, para começar já a arrecadar esse dinheiro a administração Obama através da reserva Federal lançou um ambicioso projecto de lançar já para o mercado dividido em 3 tranches uma emissão de 100 biliões de obrigações/ bonds.

Para continuar a financiar os deficit´s americanos.

Mas o problema é que não há dinheiro no mundo (e começa a não existir vontade dos compradores de obrigações) para continuar a financiar os excessos de deficit´s americanos.

Os EUA tem estado a “enganar” e iludir o mercado imprimindo mais e mais notas de dólares (emitindo obrigações); mas estão a passar um “certo limite”.

O limite chama-se “desvalorização massiva do dólar e consequente “estagflação” (inflação + estagnação do crescimento económico, precisamente aquilo que  supostamente estas medidas deveriam evitar…)

E os EUA dependem fortemente desta continuada política de “financiamento” feita pelos investidores estrangeiros (a não ser assim como pagariam 24 esquadras de porta aviões,, mais os respectivos navios de acompanhamento e respectivas tripulações, por exemplo…).

Como dependem fortemente desta “política” as suspeitas de que o governo americano está a criar uma nova técnica que visa”não pagar” estas novas obrigações está a levantar sobrancelhas nos investidores, especialmente os asiáticos, que podem mesmo decidir “partir a louça”.

E para “impedir” que alguém parta a louça, o FED (o banco central americano) está , ele próprio também a comprar obrigações do tesouro, para assim manter o mercado “running” (a correr e funcionar).

O FED “compra” para evitar que o dólar caia abruptamente. E que ao cair leve a uma crise e os investidores (especialmente os asiáticos partam a louça,etc…)

Mas algum deste jogo terá que partir por algum lado, porque os credores dos EUA estão eles próprios com problemas nos seus próprios deficit´s internos e com dificuldades de se financiarem e portanto com cada vez menos dinheiro para continuarem a sustentar este estado das coisas.

Quando isto parte; e com quem primeiro é o novo nome do jogo.

Written by dissidentex

25/05/2009 at 19:37

MULTAS DE TRÂNSITO POR IMPRESSÃO DIGITAL ELECTRÓNICA

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Nos EUA, o país da liberdade e das oportunidades (para atacar a liberdade), a polícia da cidade de Nashville, no Estado americano do Tennessee quer passar a aplicar as multas de transito utilizando um novo sistema.

Até aqui, quando se tem uma multa de transito, assina-se um documento comprovativo de se ter cometido a infracção, após o polícia explicar o que se fez de mal e ter passado a multa.

O Estado americano e esta cidade pretendem mudar isto.

Uma das formas apresentadas para tal foi a de usar uma digital signature pads/ uma maquina onde se assina com uma caneta digital.

Surge – como sempre surge – um argumento anti democrático nestas coisas – que é “muito caro” este tipo de aparelhos.

Para obviar ao “caro” surge outra ideia ainda mais perigosa.

A impressão digital como forma usada para substituir a assinatura da pessoa na passagem da multa.

Existem dois argumentos apresentados para isto:

(1) o “argumento verde” em que o município de Nashville eliminaria o papel;

(2) o argumento económico, em que se pouparia imenso dinheiro com este sistema.

FONTE: AQUI.

POLÍCIA E IMPRESSÕES DIGITAIS NAS MULTAS - MODIFICADA

Tendo em conta que a democracia como sistema custa mais dinheiro que uma ditadura, aguarda-se a altura em que será apresentado o argumento de que a democracia deva ser abolida porque custa muito caro e não é ecológica.

PS: a imagem retirada da notícia e que é aqui mostrada foi por mim alterada em dois lados.

POLÍCIA PODE CONTROLAR POR GPS PESSOAS, SEM MANDATO OU CAUSA PROVÁVEL.

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Fonte Portuguesa: Aberto até de madrugada/Carlos Martins

Fonte EUA: Gizmodo.

GPS CONTROLA PESSOAS NO WISCONSIN

No anterior post a este chamado “O Erro do Bloco de Esquerda” – sobre um outro assunto, se quisermos, ou sobre este assunto, mas dito e escrito de outra maneira, se também quisermos, escrevia a dada altura o seguinte:

Todas as pessoas, ou pelo menos quase todas, apreciam a tranquilidade de um quotidiano repetido.

Todas as pessoas, ou pelo menos quase todas, gostam de calma e passarinhos a cantar.

Porque o problema é que as pessoas apreciam a tranquilidade de um quotidiano repetido, julgando que será assim que algo mudará.

Nunca uma longa sucessão de quotidianos tranquilos repetidos mudou alguma coisa.

Ø

A tranquilidade dos quotidianos repetidos está a ser observada por GPS no Wisconsin.

Hoje o Wisconsin. Amanhã…quem?

Ø

Será que a tranquilidade do quotidiano repetido ainda o é sendo observada por GPS?

FULL SPECTRUM DOMINANCE 3

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serie-24

Começou no dia 29 de Janeiro de 2009, a ser transmitida em Portugal, a nova série de 24 – salvo erro, a sétima temporada sobre as aventuras e desventuras do agente secreto Jack Bauer.

Bauer está na lista negra, foi ostracizado devido ao que tinha feito nas séries anteriores; as suas acções como agente.

E surge uma nova situação – terrorismo electrónico – que motiva a que o FBI chame Bauer. Pelo meio existe uma situação num país africano fictício chamado Kangala ou lá o que é, onde um ditador sanguinário está a realizar massacres com base em valores tribais.

As analogias com o Zimbábue e com os massacres no Ruanda são óbvias, assim como é óbvia a mensagem: os EUA deverão (irão) intervir em África para pararem massacres…

(Nota: não se diz, nunca se dirá, na realidade, ou num argumento de cinema, que o interesse real em intervir em África é o de assegurar o acesso  e o controlo às fontes de petróleo…por exemplo…)

Este é o “pretexto” argumentativo que dá corpo ao inicio da série. Onde isto se observava era numa reunião do Presidente norte americano com os chefes do Estado maior das forças armadas.

O presidente na série, é uma mulher; uma “aposta” sobre a forma de uma metáfora dos argumentistas em como Hillary Clinton seria eleita (aquilo que parecia mais provável quando a série foi feita).

E a dada altura desta situação, na boca da actriz que faz de presidente dos Estado Unidos surge a expressão: Can we achieve Full Spectrum Dominance”?

A pergunta é feita a um militar que está a explicar os pormenores da operação militar de desembarque das forças americanas destinadas a impedirem as acções do ditador sanguinário.

Também é a incorporação de um “vocábulo” e de um “conceito” numa série  popular, vista em todo o mundo, e que está a transmitir “valores americanos” ou a transmitir uma ideia do que serão  os valores americanos (ao resto do mundo).

Como se estivesse de forma publicitária e propagandística a efectuar uma acção de propaganda subliminar sobre o mundo inteiro: Can we achieve Full Spectrum Dominance/ Podemos nós conseguir domínio total e completo?

Tal significa na realidade o acto de se estar a dizer que “nós somos capazes de conseguir Full Spectrum Dominance; não se metam connosco, não tentem impedir-nos…

O acto subliminar está aqui…

Mesmo que colocados no argumento como sendo apenas “cenários”; hipóteses de trabalho teórico destinadas a fortalecer o argumento e a tentar mostrar como seria uma hipotética situação verificada quando o Presidente dos EUA decide algo….

mas existindo uma componente de “propaganda ideológica” e de “persuasão” pelo convencimento de outros , usando “certas lógicas” e certas frases.

Ø

A pergunta era: “Can we achieve Full Spectrum Dominance/podemos atingir controlo completo e total do terreno”?

O militar no filme diz que sim, podemos controlar a situação.

Se especularmos que isto é apenas um jogo metafórico, então esta frase pode ser considerada como sendo, pela boca de uma personagem  de ficção de uma série popular – que faz de presidente dos EUA (daí o simbolismo)  uma forma sofisticada de o dizer, mas dentro de um veículo de cultura popular.

Em “sentido figurado” dizendo ao  resto do mundo ( as pessoas que por todo o lado vêem a série ) que os EUA podem e irão atingir Full Spectrum Dominance…

e dizem-no, directamente… quer através de (1) “documentos “oficiais” , quer através de séries de (2) “cultura popular”.

Ambos os “canais de marketing” são assim ocupados?

Ø

borgNo mundo do Borg já existe “Full Spectrum Dominance” como conceito.

No mundo dos Borg, existe uma frase que eles utilizam quando encontram outras raças: ” a resistência é fútil”. “Preparem-se para ser assimilados”.

Todos em todos os espectros deverão ser assimilados.

Os Borg são uma raça ficcional que existe no mundo da ficção cientifica, descrito na série Star Trek.

O objectivo é o de assimilarem características distintas de uma qualquer outra espécie e juntarem essas características a si próprios – procurando alcançar a “perfeição”.

Os Borg são uma entidade colectiva. Que funcionam apenas alimentados pelo combustível do imperativo. (não o ético, nem o categórico, mas sim o imperativo entendido como uma ordem a obedecer sem discussão.)

A “ordem” é em si mesma “Full Spectrum dominance”. “Preparem-se para ser assimilados, a resistência é fútil”.

Especulativamente e metafóricamente “Can we achieve” Full Spectrum Dominance dita em 2009, poderá corresponder a um qualquer hipotético futuro em que uma qualquer raça (suponhamos que um qualquer híbrido como os Borg se desenvolve na Galáxia) dirá ” a Resistência é fútil, preparem-se para ser assimilados?

O que importa reter é que ambas as frases mas acima de tudo; ambos os conceitos que estão por trás – mesmo que sendo usados em séries de ficção televisivas – emanam dos argumentistas e produtores que nasceram e cresceram numa cultura: a cultura norte americana.

E se existe criatividade, espírito artístico,  etc, nestes conceitos inerentes e próprios das duas séries  e na criação das  duas séries – uma de ficção cientifica e outra de história de agentes secretos, também existe uma lógica cultural de agressividade – de como se vê os outros –  que importa perceber.

O acto de se ver “outros” como sendo passíveis de serem alvo de “Full Spectrum Dominance” ou (invertendo demagogicamente a lógica)  de se dizer que “não permitiremos que os outros nos digam “qualquer resistência é fútil, preparem-se para ser assimilados.

Nota: Existe aqui uma curiosa inversão, no aspecto em que; em Star Trek, existe a “Federação”.

A “Federação” é uma metáfora simbólica para designar o povo da terra e posteriores espécies de planetas que se aliaram numa federação. Presumivelmente liderados pelos antigos países, com os EUA à cabeça, nesse desígnio.

(A inversão está em que, os EUA actuais adoptaram comportamentos idênticos aos dos Borg, mas vêem-se como sendo não os Borg, mas sim a Federação. Que outra coisa não é a doutrina do Full Spectrum dominance, que não possa ser catalogado como “A resistência é inútil , preparem-se para ser assimilados” que é a frase dos Borg? Mas na “cultura popular” (isto é ,televisão e cinema), não se auto retratam assim…)

Os Borg obedeceram a uma necessidade dos argumentistas de Star Trek. Criar um novo e regular inimigo da Federação  para substituir as antigas raças alienígenas que eram as inimigas “oficiais: os Klingon (uma metáfora da URSS) e os Romulans ( uma metáfora simbolizando a China); uma vez que, nas ultimas séries, onde os Borg são mais activos, ambas as espécies eram ausentes (Romulans) e aliados (Klingon).

Logo surge um novo inimigo. O Borg, uma entidade colectiva, semelhante à Internet, sem controlo. (Mais tarde os argumentistas criaram um controlo geral, e uma rainha que controlava os Borg – fazendo com isso uma alusão a planeamento central isto é, ao Estado e ao comunismo, mas sem a URSS, mas sim, já mais recentemente, a alusão é a Rússia actual, com a “Borg Queen” a ser Putin, suponho…)

Seguindo este mesmo tipo de raciocínio, dos argumentistas e que – parece ser – é o mesmo tipo de raciocino dos norte americanos em geral; da cultura norte americana em geral, não espantará que os militares americanos tenham criado o conceito de “Full Spectrum Dominance,” porque também obedece à criação de um novo Borg (inimigo) , que é tudo que esteja dentro do espaço que pretende vir a ser controlado pelos EUA.

É como se, cinematograficamente, o conceito Borg, seja a resposta ou o espelho da estratégia e doutrina militar do conceito Full Spectrum Dominance.

Consideradas só estas duas dimensões, quase que um é o espelho do outro em termos de conceito, só que um é um documento oficial, e o outro é a materialização através de imagens de ficção cientifica do conceito existente no documento oficial.

Só uma cultura, cujos membros estão de algum modo homogeneizados no que pensam acerca de si próprios e do resto do mundo reage em várias dimensões desta forma…

Ø

Nota final: o conceito Full Spectrum Dominance” é amplamente divulgado; até em séries de cultura popular.

Pode ser que ninguém repare e se entranhe nas cabeças das pessoas a aceitação deste tipo de conceitos. É assim que se consegue quebrar a vontade dos (potenciais) inimigos ou potenciais ameaças...através do “convencimento”…

Written by dissidentex

29/01/2009 at 21:13