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EURO 2008, FUTEBOL E NACIONALISMO NO PIOR SENTIDO DA PALAVRA.

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Ainda sobre o Euro 2008, e de como o nacionalismo no pior sentido da palavra surge, e está a ser explorado, embora seja também denunciado. Orhan pamuk, prémio Nobel da literatura citado a partir de um blog da globo:

O Prêmio Nobel de Literatura em 2006, Orhan Pamuk, diz que o futebol na Turquia serve para alimentar os pensamentos nacionalistas e xenófobos , mas ele afirma que mesmo assim está torcendo pelo país no Euro 2008. Em uma entrevista ao semanário alemão Der Spiegel, ele contesta bastante a maneira com que a imprensa turca encara o futebol. A cobertura do jogo contra a Suíça em 2005 é o seu exemplo favorito. Os seus conterrâneos encaram a derrota em um jogo que acabou com um batalha campal como fruto de péssima arbitragem e de uma conspiração, uma leitura dos fatos que o incomodou bastante. Pamuk venera as transmissões radiofônicas, porque foram elas que nos trouxeram o futebol.

Durante o campeonato, manifestaram-se os polacos com a sua habitual “técnica” intimidatória, vinda do ultra conservador partido católico, chamado precisamente Partido conservador, à propósito de Lukas Podolski e Miroslav Klose, jogadores que jogam pela Alemanha, mas são polacos de nascimento.

Não só foram “excomungados” ?!?! como se exigiu que se “tomasse medidas”.

O mais engraçado é que a Polónia jogou durante o campeonato com um jogador brasileiro naturalizado somente há dois anos. Podolski e Klose vivem na Alemanha há mais de 20 anos. Noticia Record.

Na Croácia, talvez por ser um país recente, a técnica é a música e a exaltação patriótica. Como nos informava o jornal espanhol Marca de 09-06-2008.

Já o nacionalismo português é, de algum modo, diferente. Não é um nacionalismo agressivo como os anteriores – por enquanto – antes é um nacionalismo que pretende fazer de nós – os nacionais de origem do próprio, de parvos.

É um nacionalismo bacoco, misturado com aproveitamento político de situações que se manifesta da seguinte maneira:

Casualmente, inteiramente por coincidência, acaso, destino cósmico, até tínhamos pensado ir até Viseu. Por estranha coincidência e absoluto acaso, até íamos tratar de um assunto particular que não dizia nada a ninguém.

E então juntamos o útil ao agradável e damos um saltinho – que ninguém vê – ali ao lado até Viseu e cumprimentamos os rapazes.

A titulo particular, cumprimentamos publicamente e de forma pública mas privada ao mesmo tempo, os rapazes às 4 da tarde. Nacionalismo pseudo demonstrado de forma discreta, misturado com oportunismo político e uma atitude de “picar o ponto”.

Isto para consumo interno.

Para consumo externo o nacionalismo português manifesta-se através de demonstrações de vaidade e peneiras, totalmente deslocadas de qualquer sentido de lógica ou bom senso.

Vai-se para um encontro europeu para discutir quais serão as novas cedências de Portugal, e uma vez aí chegados, proclama-se acreditar na vitória de Portugal contra a Alemanha nos quartos de final do europeu, e até se diz isso à Chanceler alemã (mensagem subliminar: estão a ver como nós somos fortes e até na cara dos alemães lhes dizemos que vamos ganhar? ).

Extraordinário este nacionalismo de veludo e persuasão. Nada do barbarismo dos turcos, vendo conspirações em todo o lado após derrotas, ou dos barbáros nacionalistas católicos polacos a escreverem em blogs contra jogadores alemães nascidos na Polónia ou – suprema heresia – tipos com brincos que são seleccionadores nacionais e tocam rock nacionalista.

Não.

O nacionalismo português é que é, verdadeiramente, um “caso-de-estudo” e uma originalidade. São viagens nacionalistas/oportunistas políticas a “titulo particular”. Louça fina é outra coisa.

Só é pena este nacionalismo de veludo e persuasão não ter aproveitado já que ia até à Alemanha a titulo de trabalho, (ou seria a titulo particular ?) e ter dito à Chanceler para ela travar a deslocalização da Siemens. Mas enfim, como estamos perante um caso de nacionalismo persuasivo-peneirento, as coisas são o que são.

Os sintomas estão ai, e o futebol é o veículo – é um dos veículos para os disseminar ainda mais. Como não se pode acabar com o futebol, (nem é desejável…) o problema irá manter-se sempre em estado latente.

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EURO 2008. SELECÇÃO NACIONAL. PORQUE NÃO A APOIO.

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Gosto de futebol. Vejo imenso futebol. Apoiei a selecção nacional em anteriores campanhas. Actualmente não a apoio.

Considero perigoso para este país que esta selecção nacional ganhe este campeonato europeu. Considero perigoso para os portugueses ( embora não todos, que nestas alturas existem sempre os beneficiados…) que esta selecção seja usada como está a ser usada, para disfarçar outras coisas graves que estão a acontecer.

Sinto-me como os pretos da África do Sul antes do Apartheid ter sido derrubado. Cidadãos de um país eram discriminados pelo facto de terem a cor da pele que tinham. Retaliavam em relação à minoria branca, indo ver os jogos da equipas internacionais – de selecções e de clubes que visitavam a África do Sul – apoiando as equipas estrangeiras. Especialmente no Râguebi onde existiam geralmente mais apoiantes da equipa estrangeira nas bancadas a apoiá-la do que apoiantes brancos da equipa de Râguebi da África do sul.

Em Portugal estamos a chegar ao mesmo nível, agora já não a cor da pele, mas sim a chantagem emocional e psicológica cheia de insinuações e quase afirmações de que, quem não apoiar a selecção” não é bom patriota”.

Entre isto e o Salazarismo a diferença é mínima.

De que, quem não comprar produtos de marcas que dedicam o seu apoio comercial à selecção está quase a cometer um crime e deverá ser exemplarmente punido.

campeões totalitários

Isto é um prototipo totalitário de vida em sociedade que deve ser desmascarado, denunciado, contra o qual nos devemos rebelar sem qualquer tipo de intransigência.

Não aceito que um seleccionador nacional de nacionalidade brasileira, querendo ocultar a sua falta de trabalho e de qualidade e querendo prevenir eventuais fracassos derivados da sua falta de trabalho a conduzir esta equipa, esteja permanentemente a apelar à união dos portugueses em torno da selecção, como forma de distrair as atenções.

Estar unidos à volta da selecção como se fosse um imperativo categórico absoluto que varre para baixo do tapete todas as críticas que possam ser feitas ao comportamento do seleccionador e da selecção como se fossemos todos impedidos através desta ordem não escrita de fazer criticas quando achamos que as devemos fazer.

Não temos que aturar este tipo de tácticas inventadas por um seleccionador para se precaver e justificar maus resultados; não é para isto que ele é pago e bem pago. É pago para treinar a equipa e a por a jogar o melhor possível, não para fazer proclamações políticas que servem para seu uso (benefício) pessoal.

Não temos que condescender com o paternalismo e com a invocação de elementos de mística religiosa e apelos ao divino, que justifiquem ou pretendam justificar o apoio à selecção ou a razão pela qual a selecção perde um jogo ou ganha um jogo.

A serem as coisas assim, ninguém precisava de treinar o físico a cabeça, a táctica, para melhorar; bastava invocar Deuses em seu nome e estava tudo resolvido com essa invocação.

Não apoio o totalitarismo mediático que está a rodear esta selecção e que justifica que fiquemos todos reféns de longas horas de transmissões televisivas de irrelevâncias do futebol e de amostragens entusiásticas de estofos de aviões onde os “nossos craques se vão sentar ” e outro tipo de parvoíces semelhantes.

Não aceito o argumento de que “se pode mudar de canal” e ver outra coisa. Não só existem pessoas que não podem porque não tem possibilidades económicas ou culturais de ter TV cabo e ver outros canais, como muitas vezes, se está a ver o mesmo em 5 ou 6 canais de televisão. Isto é uma forma de discriminação aplicada sobre parte da população que, querendo ver na televisão em sinal aberto qualquer outra coisa, é privada de forma totalmente arbitrária e discriminatória, em certos dias, de o fazer.

Não aceito o perigoso conceito de nacionalismo que está a ser praticado.

Não aceito cartões de crédito de marcas especiais a convidarem-me para ser algo que já sou, a patrocinarem a selecção.

CARTÃO DE SÓCIO SCOLARIAcaso esta selecção ganhe este campeonato, ser-no-á dito que é patriótico aceitar alterações às leis laborais ou aumentos de preços de combustíveis ou privatizações da saude ou qualquer outra coisa, porque isso significaria que Portugal é um país de sucesso, dando e usando a selecção nacional como exemplo. Misturando para convencer, pessoas a aceitarem imensas coisas que vão contra os seus interesses.

Sinto-me como um preto da África so Sul e por isso apoio a derrota da selecção. E não admito que me chamem anti patriota. Pátria não é isto. Este banzé alucinado e este barulho idiota usando o nome de Portugal como pretexto não é a pátria.

Isto quando existem inúmeras pessoas desempregadas, quando estamos em crise económica profunda, quando temos problemas económicos e sociais da mais variada ordem, quando o país ameaça desmoronar-se em pequenos pedaços, não é aceitável esta mistificação que está a ser feita usando o futebol e a selecção nacional para servir os interesses de alguns.