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SEGURANÇA NAS ESCOLAS: PASTAS REVISTADAS EM FRANÇA OU PROTO TOTALITARISMO?

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Uma das formas de criar uma sociedade totalitária onde as pessoas aceitam ser controladas está perfeitamente explicita nesta noticia do Jornal Expresso (não é por acaso que é dado este destaque, e neste jornal a este tipo de notícia…) em que o Presidente Francês, pretende aumentar controlos nas escolas francesas.

Para fazer tal recorre a um discurso completamente totalitário, demagógico, perverso, que “entala” a esquerda política.

Esta que nunca conseguiu resolver os seus próprios problemas e concepções acerca do que deve ser uma escola e o ensino, e consequentemente “abre” espaço” político e social para que “demagogos” destes produzam um discurso totalmente vazio demagógico e consigam ter êxito na propagação da sua mensagem.

E é o que Sarkozy faz e habilmente.

JORNAL EXPRESSO - SEGURANÇA NAS ESCOLAS 1

Factos: existe uma agressão á facada feita por um aluno de 13 anos  a um professor.

Factos: isso é um caso de polícia simples.

Motivados pelo facto de existir uma opinião pública que”exige” resultados imediatos (essa mesma opinião pública vive numa sociedade cuja economia lhes exige ao trabalharem, que “obtenham resultados imediatos”) e isso leva o Presidente Sarkozy “a fazer o anúncio das novas medidas.

O que deveria preocupar as pessoas aqui é o facto de este senhor ser um mau governante.

Porquê?

Porque só “reage” e não age. Parte-se do principio que este problema ou outros semelhantes já existiam antes do acontecimento. Sarkozy, não agiu. Agora aproveitou a oportunidade e reagiu.

É melhor agir do que reagir.

E aproveitou a oportunidade para quê?

Para lançar uma série de medidas demagógicas e completamente a puxar para o totalitarismo, sob o pretexto da “segurança”. (sempre este pretexto…)

(A) os pórticos para detecção de metais. (Estilo semelhante  ao que se passa nos EUA)

(B) Multas para os pais que deixem os filhos levar armas para a escola.

Os pórticos são uma maneira simbólica de equiparar os alunos a terroristas – o mesmo que se passa em aeroportos…(há uma associação de ideias imediata…)

As multas são uma “forma fiscal ” e de intimidação para com os cidadãos. Um “panóptico” fiscal que aqui está.

Mas alguém acredita que um pai que tem um filho que leva facas para a escola e dá facadas em professores consegue controlar esse mesmo filho de forma eficaz? Já perdeu o controlo há muito tempo…

Consequentemente a multa não VAI resolver nada, excepto para os cofres do estado francês…

Ø

Sarkozy é também esperto e usa o discurso da vitimização e das “lágrimas de crocodilo”, nesta frase:

Claro que é lamentável ter-se chegado aqui, mas como agir de outro modo num tal contexto?

E porque é que é lamentável ter-se chegado aqui? Quais as causas? E só existem estas soluções ou apenas existem estas soluções porque são estas a soluções que Sarzozy e a direita conservadora proto totalitária que se esconde por detrás dele quer aplicar?

Em seguida Sarkozy quer “dar uma facada ideológica na esquerda”,um “beijo de morte” e diz o seguinte:

“A tranquilidade dos estabelecimentos escolares é uma condição absolutamente fundamental para a igualdade de oportunidades”,…”

Fala em “tranquilidade”, uma palavra cuidadosamente usada para ser a palavra substituta da palavra “ordem” uma palavra que sempre foi “associada” à direita política e depois usa a expressão “igualdade de oportunidades”, que é uma expressão sempre usada pela esquerda política em todos os lados quando critica a direita.

O “negócio” político e social que Sarkozy está a propor aos franceses, e por interposta condição, a direita política propõe a todos os cidadãos é muito simples.

Trocar “liberdade” (tranquilidade) por ordem coerciva muito dura para “depois” ser oferecida como recompensa pela “troca” a…… “igualdade de oportunidades”.

Mas… na realidade, ambas as condições não estão em causa aqui. Ainda existe liberdade e ainda existe o principio da igualdade de oportunidades.

Caso se aceite a lógica de Sarkozy/da direita conservadora, deixa-se de ter “duas  coisas” (liberdade e igualdade de oportunidades) e passa-se só a ter a “promessa “de ter uma coisa (a igualdade de oportunidades)

No fundo o que este homem propõe é uma troca cujo resultado é zero para os cidadãos.

Como é possível aceitar um negócio em que temos “duas coisas” e passamos apenas a ter a promessa de uma coisa? Qual é o ganho aqui?

Quando o caso que despoleta esta habilidade, é apenas um caso de polícia. O aluno comete um crime, deve ser processado por isso, e posteriormente preso.

Sarkozy usa a oportunidade para “alterar” todo um sistema e torná-lo menos democrático.

JORNAL EXPRESSO - SEGURANÇA NAS ESCOLAS 2

Para reforçar mais ainda esta tentativa de instaurar uma lógica de resolução de um problema adoptando medidas totalitárias, Sarkozy usa uma técnica “norte americana”que nos tem sido enfiada pelas goelas abaixo desde sempre.

A invocação de um”perigo externo”.

Ø

Cita-se Planeta americano, um post do Dissidente-x, á propósito do capítulo 6 desse livro, analisado nesse post.

” No capitulo 6 – A paixão pelo medo – Verdu descreve a total tesão pelo medo que os americanos têm e que é potenciada até às extremas pela imprensa. A ideia psicológica subjacente a tudo isto é a de que os EUA estão colocados numa posição de perigo; em que forças humanas ou sobrenaturais ameaçam, atacam e espiam a população. Existe um conceito muito presente ” o disaster never sleeps/ o desastre nunca dorme. Medo, supra medo, injecções de medo umas atrás das outras. Ou seja, o medo e a sua exploração são as imagens de marca daquela sociedade.”

Ø

A técnica de Sarkozy é muito parecida com o acima descrito. Especialmente quando “invoca” um desastre escolar na Alemanha – um recente tiroteio numa escola.

O mais famoso tiroteio das escolas conhecido mundialmente foi o do liceu de Columbine, nos EUA. Sarkozy prefere falar do tiroteio alemão, uma situação em que  “forças humanas ou sobrenaturais ameaçam, atacam e espiam a população.” (para citar a partir do excerto acima)

Isto é, “alemães” os tradicionais inimigos franceses… (Pode não ser nada, mas em Columbine morreram muito mais pessoas que na Alemanha…)

Ø

E o representante dos sindicatos diz qual é realmente o problema:

” o que se vê diariamente não são as armas, mas a má criação, os insultos e a violência ligeira. O verdadeiro trabalho é educativo, com pessoal adequado.”

Também o que se vê diariamente é isto abaixo mostrado, retirado daqui:

30 ANOS DE EVOLUÇÃO DO ENSINO

Ou seja, uma completa inversão de valores que transforma necessariamente adolescentes em pessoas insuportáveis de aturar.

Ø

Já em Portugal, não temos Sarkozy. Temos a “esquerda” “oficial”, ” normativa”, conservadora e reverente a fazer os mesmos papeis que Sarkozy faz em França. Exemplo retirado daqui:

E de repente … gente que apregoa a sua filiação na esquerda, que enche a boca com o PS – aqui entendido como Partido Socialista – gente que apregoa a superioridade do dito Partido na luta contra a ditadura, acha que sim, que deve passar a haver câmaras e gravadores nas salas de aula, que os bons professores não se importarão por certo de ser gravados e os que se importarem serão, por definição, maus professores, incompetentes, quiçá criminosos…

Written by dissidentex

01/06/2009 at 11:15

A FRANÇA E OS DOWNLOADS

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A França aprovou uma lei que é contra o que é designado como sendo pirataria na Internet. Imagem em baixo derivada do excelente blog “Notas ao Café”.

BLOG NOTAS AO CAFÉ - DOWNLOADS EM FRANÇA

Criminoso do lado esquerdo da imagem: “estou orgulhoso de partilhar esta cela contigo,miúdo…”

Criminoso do lado direito da imagem: ” Talvez eu mude o tipo de crimes que cometo e comece a partilhar ficheiros no Pirate bay, para ser finalmente reconhecido como um verdadeiro criminoso…”

Ø

Sobre o Pirate Bay já tínhamos falado neste post, em 16 de Fevereiro de 2009.

Ø

Sobre este assunto as coisas dão devidamente explicadas neste post do blog Hopes and Dreams chamado “Direitos de autor, protecção económica ou liberdade de acesso” de que transcrevo uma parte:

Acabou de ser aprovada em França, pela maioria Sarkozy, uma lei que criminaliza os utilizadores de Internet que efectuem downloads ilegais, com a punição de permanecerem impossibilitados de usar o serviço durante o ano. Os utilizadores continuam a pagar o serviço sem que o possam utilizar e tudo isto é decidido num processo administrativo, sem a intervenção de um juiz.

Os fornecedores de Internet controlam os sites visitados pelos clientes e caso tenha lugar algum download, são enviados 2 avisos, após os quais o cliente é automaticamente considerado culpado. Ora isto é chamada inversão do ónus da prova, o indivíduo é imediatamente declarado culpado e ele próprio terá de provar o contrário. Democrático, não?

Ø

Resta também ainda acrescentar que o “controle dos sites” que é feito – segundo a lógica desta lei – aos utilizadores se traduz em informação, informação essa que vale “dinheiro” e que vale poder para um qualquer Estado ou grupo de interesses económicos poderem subsequentemente ganhar dinheiro ou mais poder com isso – com a aquisição dessa mesma informação.

TONY BLAIR.3.

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Continuação do artigo Tony Blair 1. e 2.

Hoje: Parte 3/3

No primeiro artigo falou-se de:

  1. Introdução feita com base num ensaio critico da Revista Marianne, nº 467 -Abril de 2006.
  2. Ponto 1 descritivo do livro de Phillipe Auclair sobre a visão conservadora de Tatcher e em que isso estava relacionado com o Blairismo.
  3. A ilusão do Blairismo e as comparações com a França, no ponto 2.
  4. O desemprego, os funcionários, públicos e a manipulação de estatísticas, no ponto 3.

No segundo artigo falou-se de:

  1. Análise feita por outros a Tony Blair e ao “perfume Blairista”- ponto 4.
  2. Na contabilidade pública criativa de Blair e Gordon Brown e de como as contas públicas inglesas são uma completa fraude – ponto 5.
  3. De notas laterais exemplificativas relativamente ao que se fez em Portugal
  4. De como as empresas privadas portuguesas e os interesses privados neo liberais estão à espreita.

PONTO 6.
Matemática e contas a esta trapalhada blairista toda.

Com todos estes malabarismos a Revista Marianne faz as contas a extensão da divida britânica:”644 + 1000 + 145 +30 =1819 milliards d´éuros”.

O correspondente ainda se diverte a gozar (a França é um paradigma de sabedoria em face destes resultados…) com os “declinológos franceses”.
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Nota lateral 1:
Os “declinológos” franceses são uma espécie intelectual que proclama que a França está a beira do desastre e que os franceses irão todos arder no inferno, porque a França tem uma divida publica de “1180 milliards de euros”.

Para se ter uma noção do que é um declinológo português que tem ganho muito dinheiro usufruindo dessa condição e do facto de ser membro da Opus Dei é favor ir até AQUI.
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A Grã-Bretanha, o novo paraíso de esquerda neoliberal na terra (e no mar e no ar, e na galáxia…) tem (tinha em 2006) uma divida de “1819 milliards de euros”.

Resta acrescentar que as estatísticas apresentadas pela revista e seu correspondente, são oficiais; do governo inglês e respectivas instituições que ainda por cima, as subvaloriza, e as martela a seu belo prazer. O correspondente menciona a consultora “watson wyatt.”para justificar dados e cita um estudo desta, recente( em 2006).

Os 30 milhões da conta em cima são (eram em 2006) o passivo da “network rail” a companhia de gestão privada dos caminhos-de-ferro, e os 145 milhões lá em cima são das famosas parcerias publico privadas entre o Estado inglês e os glutões privados.

Os 644 “milliards “são a divida oficial” (a que aparece nas contas, de forma visível); e os “1000 milliards” são os que não aparecem à vista, mas são divida à mesma.
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É o mesmo tipo de pulhice que se pretende fazer (já se faz) em Portugal na área da saúde, com as PP- parcerias Público-Privadas…nos hospitais…
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O LEGADO DE TONY BLAIR- THE TIMES

Comentando as contas Blairistas escreve o correspondente:
“Le Royaume uni vit dans un sorte d´amnésie du presente, qui peut passer pour de l´optimisme, mais ne est lé plus souvent qué une manifestation d´ignorance.
Tradução a martelo: ” O Reino Unido vive numa espécie de amnésia do presente, que pode passar por ser optimismo, mas que nada mais é do que uma manifestação de ignorância…

PONTO 7.

Ainda sobre o desemprego e forma como este é contabilizado e outras estatísticas:
Mais estatísticas aterrorizadoras: em Janeiro de 2006 existiam em Inglaterra 1.530.000 desempregados.
E também existiam 2.7 milhões de desempregados “não desempregados”.
Os tais que não entram nas estatísticas.
Não entram porque tem um certificado médico (fabricado administrativamente) a dizer que não são desempregados mas sim doentes ou incapazes de trabalhar. Em 1981 o número dos incapazes de trabalhar era de 600 mil.
Comparação em relação a dois países da Europa e vou citar:” au total, 2.7 millions de malades …en proportion deux fois et demie plus qu´en alemagne; quatre fois plus qu´en italie.
Tradução a martelo: no total, 2.7 milhões de doentes, em proporção duas vezes e meia mais que na Alemanha; quatro vezes mais que na Itália.
O correspondente nota que o “número de “malades” impossibilitados de trabalhar por certidão médica administrativa (fabricada) é maior nas zonas onde existiu desindustrialização e onde esta foi mais brutal. Bacias mineiras do País de Gales, Glasgow, arredores de Liverpool.
O correspondente faz as contas = 1.130 (milhões) malades e handicapés + 1530 (milhões) desempregados identificados como tal = 2660 000 (milhões) de desempregados.
Percentagem: 8.8 por cento de desempregados de população em idade de trabalhar.

O Eldorado neoliberal socialista de esquerda moderna, o refulgente altar para onde a esquerda portuguesa olha embevecida e com luxúria não conta com menos desempregados que outros países em situação semelhante de suposto declínio.
Foram é transferidos para uma categoria economicamente e socialmente mais aceitável.
O número de pessoas desempregadas, dos 25 anos aos 54 anos – idade de trabalho, em Inglaterra é de 8,6 %.
A média dos outros países da união europeia é (era) de 7.8 %, e DEPOIS do seu alargamento a 25 países, NÃO a 15 países.
Nunca o número de inactivos do sexo masculino foi tão elevado na Inglaterra desde 1971.
Brilhantes resultados da esquerda blairista…
Citação de um analista da Bloomberg ( uma casa de análise financeira norte americana, cujo proprietário é o actual Presidente da câmara de Nova York) ), transcrito na Marianne – Mathew Lymn ao propósito do desemprego: (le chômage) … est affaire de sémantique. Tradução: “O desemprego é uma questão de semântica…”
Mais: comparações com percentagens de riqueza:

  1. 1986 – Tatcher: 1 % da população detia 18% da riqueza.
  2. 2002 – Blair – ultimo ano estatístico publicado – 1% detinha 23% da riqueza.

Em percentagens de aquisição de casas: passa-se a mesma tendência.
25 00 Mortos de frio por ano.
Uma criança em 5 (20%) come menos de 3 refeições por dia.
O correspondente questiona, a propósito de um discurso de Blair em 1999 onde afirmava umas coisas bonitas acerca da erradicação da pobreza numa geração; a quantos anos corresponde uma geração para o primeiro-ministro inglês…
Mais: seis milhões que não têm roupa conveniente para se aquecerem no Inverno.
Dois milhões que não têm aquecimento no Inverno.
Também existem comparações com os ordenados de gestores: que desde 1993 não cessaram de subir astronomicamente mais os “fringe benefits”.
Dá um exemplo fantástico de um gestor do grupo PDG arcádia – gigante da distribuição inglesa que se atribuiu a si mesmo um dividendo de “1.75 milliard de éuros en octobre 2005”, mas o rendimento de exploração da companhia não representava senão um terço desse mesmo valor… e sobre o qual o tesouro britânico não cobrou nada.
O Sr. Phillip Green (ex-Ceo) tomou a precaução de fazer proprietário do grupo a sua esposa que tem o estatuto de residente monegasca, logo escapou ao imposto sobre o rendimento…

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Entrada wikipédia sobre Green:

“A UK resident, Green is based in the week at a London hotel, while his South African wife Christina is a Monaco resident with their children Chloe and Brandon, in a multi-million pound apartment.[3]”…

Tax avoidance

Despite being a prominent figure in UK retail and business, Philip Green has chosen to avoid paying tax in the UK. It is estimated that he and his family saved £300m in 2004-2005 by living partly in Monaco, where residents do not have to pay income tax.[10]

Worker rights

Arcadia has made almost no effort to make or demonstrate progress on paying many workers, both overseas and in the United Kingdom, more than a derisory wage and allowing them basic worker rights

Penso que é desnecessário traduzir.
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Escolas: 13 por cento dos adolescentes britânicos até aos 16 anos abandona a escola, 40% até aos 18 anos. Com blair o número subiu mais 2.7% para quem abandonou o sistema de ensino.

A maior parte das pessoas de 18 anos tem um nível inferior escolar ao que é a norma para quem tem 11 anos. Este défice de saber é acentuado com a idade.
PONTO 8.

A privatização das escolas ao serviço das empresas.

O correspondente também explica o “esquema” que o habilidoso senhor Mike Tomlinson – o chefe das escolas – engendrou.
Propõe que, a todos os estabelecimentos do ensino secundário, deveria ser oferecida a possibilidade de se tornarem “independentes ” e saírem do sistema oficial de ensino.
Para lá disso seriam “os directores” (os novos) que teriam o orçamento ao seus dispor (sem constrangimentos) para gerir estes estabelecimentos como quisessem e estes poderiam fazer a escala de salários dos professores e restante pessoal consoante a produtividade e a qualidade.
Sem que se saiba qual seria a efectiva qualidade a avaliar.

A jogada seria complementada com a escolha de alunos em função da sua “especialização” ou seja, na prática, de acordo com os fornecedores privados que tomariam conta destas escolas independentes, ou seja de acordo com as ideias de empresas privadas e não de acordo com um modelo geral de ensino.

Traduzindo: seriam as grandes empresas a gerir o ensino, mas não como escolas e empresas de educação, mas sim como futuros recipientes de fornecimento de mão-de-obra barata e somente com especializações próprias para essas mesmas empresas.

Seria por exemplo a Sonae lá do sítio a gerir escolas ou o Banco Espírito Santo ou a Portugal Telecom a gerirem escolas mas de acordo com as especificações requeridas somente por estas empresas.
Penso que se percebe a fraude totalitária que aqui está…
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Adenda: verificar ainda este artigo do Ricardo Alves, no blog esquerda republicana acerca de mais uma estupidez intensa do blairismo: a criação de escolas confessionais.

Escolas só frequentadas por hindus, ou só por muçulmanos, ou só por cristãos e de como isso gera fundamentalismo disfarçado de liberdade de ensino.

BLAIR CARTOON

Written by dissidentex

03/04/2008 at 12:32

TONY BLAIR.2.

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Continuação do artigo Tony Blair 1.

Hoje: Parte 2/3

No primeiro artigo falou-se de:

  1. Introdução feita com base num ensaio critico da Revista Marianne, nº 467 -Abril de 2006.
  2. Ponto 1 descritivo do livro de Phillipe Auclair sobre a visão conservadora de Tatcher e em que isso estava relacionado com o Blairismo.
  3. A ilusão do Blairismo e as comparações com a França, no ponto 2.
  4. O desemprego, os funcionários, públicos e a manipulação de estatísticas, no ponto 3.

PONTO 4.

Analise feita por outros a Blair no artigo.

O correspondente da Marianne serve-se de uma citação do filósofo Jamie White (Creio que um neo con, atenção…) – transcrição: «cês mots n´ont aucune signification. Ou, à tout le moins, pas de signification assez claire pour communiquer une information.Mais ils ont un parfum.
Tradução a martelo: “As suas palavras não têm nenhum significado.
Ou, de todas as formas, nenhum significado que seja claro para comunicar uma informação. Mas tem um perfume…”

O correspondente dá 3 exemplos de 3 palavras com “perfume Blairista”. (Em Portugal isto chamou-se, em tempos, «Deus, pátria, família»).

  1. «objectivos»,
  2. «progresso»,
  3. «modernização».

MAGOCRATAS

Também Gordon brown é descascado: “Blair et Brown, ou Luis Xiii et Richelieu, chacun entouré de sa coeur, de ses Pére joseph ,dês ses ou dês hommes du Cardinal.”
Tradução a martelo: Blair e Brown, Luis 13 e Richelieu, cada um rodeado da sua corte, dos seus “Pai Joseph”, dos seus mosqueteiros do Rei ou dos homens do Cardeal.

O correspondente da Marianne explica o porquê desta aura.

O (1) excedente orçamental deixado pelos conservadores em 1997 (quando saíram do poder) conjugado com (2) a venda das licenças aos operadores de telemóveis 3G em 2000 (mais “36,2 milliards d`éuros au trésor publique en 2002”) deixaram o blairismo com toneladas de dinheiro suficiente para implementar o seu projecto.

A tudo isto juntou-se uma (3) forte taxa de crescimento (motivado pela saída dos conservadores do poder e (4) pelo efeito psicológico que isso gerou na economia e sociedade) mais a (5) introdução de “stealth taxes (impostos ocultos) aceites sem grande protesto por uma opinião pública que (6) gozava, inebriada, a prosperidade momentânea.

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( Qualquer semelhança com Portugal é outra coincidência; nos anos do Guterrismo, por exemplo, onde isto se passou mediante injecções massivas de consumo e de favorecimento ao consumo no sistema económico, que os bancos comerciais muito agradeceram… (1)(3)(4)(6))

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( nos tempos actuais, com a eliminação de benefícios em certificados de aforro, por exemplo, ou aumentos da Contribuição autárquica mesmo mudando-lhe o nome para “IMI” (imposto municipal sobre imóveis) formas disfarçadas de Impostos ocultos/ Stealth taxes…(5))

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A opinião pública, por via dessa prosperidade ocasional não se rebelou contra os “stealth taxes”. Tudo isto permitiu a Gordon Brown cumprir a sua regra de ouro pessoal de não exceder a divida publica 40% do PIB…).

A surpresa surge, como nota o correspondente, para aqueles que pensam que a Grã-Bretanha seria um pais neoliberal em sentido estrito do termo: demonstra que entre 1997 e 2002, a maioria dos países europeus (os tais que não valem nada e a Grã-Bretanha é que é boa), reduziram – de facto – a sua carga fiscal.

Na Inglaterra essa mesma carga fiscal subiu 1,6%. Tudo isto apoiado, e também suportado, na pratica, por mais admissões de funcionários públicos.

Bem como, por um aumento colossal do défice do orçamento” zero” em 1998, – “ 15 millards d`éuros fin de 2002, trois fois plus un an plus tard”.”

Isto apesar da “mêlange tout personnel d`optimisme …… Dans ses discours de présentation du budget aux communes – de Gordon Brown… Mistura muito pessoal de optimismo durante o discurso de apresentação do orçamento na câmara dos comuns.

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(Qualquer semelhança com as apresentações do orçamento português, por exemplo, nos últimos 3 anos é coincidência – basta dizer que o último orçamento é feito com cálculos de compra de petróleo a 70 dólares o barril, quando este é efectivamente comprado a mais de 100 dólares o barril… preço de 100 dólares que vai manter-se…ou até ter tendência a subir…(2)(4))

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Tudo isto – re-acrescento – porque Gordon Brown estabeleceu uma regra pessoal que consistia em que o défice do tesouro inglês não excedesse 40% do PIB – ou seja o endividamento do estado não excederia este valor. Mas o valor é – 3 vezes maior após 2002 – ou seja “45 miliiards d`éuros, contra 15 milliards d`éuros fin de 2002, trois fois pluns un an plus tard”…

Ou seja, segundo a lógica das contas da Marianne: 120% do PIB, não 40%.

PONTO 5.

“Martelar” as contas públicas. A contabilidade pública criativa.

No artigo critico da Marianne demonstra-se que, como táctica governativa, existiu sub estimação de receitas e despesas feita pelo então chanceler do tesouro – o Sr. Gordon Brown (actual PM inglês).

Este, desde 2001, subvalorizou sempre a quantidade de dinheiro necessária para pôr de lado visando chegar ao tal valor de 40% do PIB ( conforme explicado no primeiro post) e para manter as receitas e despesas dentro daqueles valores.

O correspondente conclui que nenhuma grande nação industrializada se aproxima deste valor sequer (Não se aproxima porque não “usou” este esquema…).

Cita-se: “… la france, par example, qui accusait un endettement de 1167 miliards déuros en octobre 2005, s`ést donné pour objectif de descendre en dessous de 60% du pib d`íci à 2010”.
Tradução a martelo: “A França, por exemplo, que tem um endividamento de 1167 mil milhões de euros em Outubro de 2005, tem como objectivo fazer descer este valor para menos de 60% do PIB desde hoje até 2010…”

O correspondente da Marianne conclui que toda a Europa pode invejar o Reino Unido (ironia) e gostaria de trocar de lugar, mas essa aparência de prosperidade não se deve às suas finanças públicas embora o pareça.
Isto porque o Sr. Gordon Brown, com o assentimento do gabinete nacional de estatísticas inglês, criou uma maneira de fazer o truque de prestidigitação.

Como? Alterando a maneira de fazer estatísticas para que, de forma efectiva, não fosse possível calcular quantos funcionários públicos teriam entrado no sistema.

Contudo, devido a estas manobras todas de criatividade contabilística, e ao crescimento de funcionários públicos desde 1997 até 2005 isto custa os olhos da cara ao Tesouro inglês, embora esteja “disfarçado”.

Pergunta-se, então, de onde virá o dinheiro para cobrir esta diferença em falta?
Simples.
Das pensões a serem pagas a quem se retirar/reformar do mercado de emprego – ou seja o equivalente a uma descapitalização da segurança social.

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Como a que se pretende efectuar em Portugal, ao sugerir , embora usando outras duas técnicas, que (1) existam pessoas que deixem de descontar para a segurança social pública, ou (2) pretendendo indexar o dinheiro da segurança social a fundos de pensões cotados em bolsa para … “gerar mais receitas… e “profissionalizar a gestão…”

Ninguém diz de onde virá o dinheiro (para quem ficar por não ter alternativas) se existirem massivas saídas do sistema por parte de contribuintes, ou se um fundo de pensões explodir numa bancarrota bolsista…

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Ou seja, o Sr. G. brown “…Est Celui de l`argent que devra prouver l`ètat por prouver lês retraites dês functionaires…” … et que on´a« oublié» de mettre de cotée.
Tradução: Ou seja, o sr Brown “esqueceu-se” de pôr de lado o dinheiro para “repor” esta orgia financeira e descapitalizou as receitas/descontos dos futuros(e antigos) pensionistas e pôs em risco o pagamento de reformas.
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Nota lateral 1:

É um processo em tudo semelhante a, por exemplo, um banco privado (Millenium BCP) comprometer-se a criar um fundo de pensões dos seus funcionários. Após vários anos satisfeito com o fundo, (porque o que tinha de descontar (por de lado) para ele era menor do que os encargos com pensões que tinha com ele) decide não pôr de lado o dinheiro para o prover.
Quando, de repente descobre que existe uma falta enorme, ( devido à política de correr para fora do banco com empregados de idade superior a 45 anos ) e que isso baixará as futuras remunerações dos seus accionistas, propõe ao Estado Português que os seus funcionários passem a “descontar para segurança social pública”, em vez de o fazerem para o “Fundo de pensões do Millenium BCP”.
FUNDOS DE PENSÕES MILLENIUM BCP DESCAPITALIZADOS
Dessa forma, o banco comercial deixa de ter de pagar e de repor valores para o seu fundo de pensões dos seus empregados.
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Como aliás estava explicado numa noticia do jornal Público de 10 de Novembro de 2005, assinada pela Jornalista Cristina Ferreira onde o BCP propunha ao Estado que a segurança social absorvesse o fundo de pensões do BCP e dos seus 4 mil trabalhadores. ( isto é, sustentasse o deficit que o banco não proveu a tempo…)

Embora tenha o texto da mesma completo, não a encontrei online, mas encontrei outras duas que explicam a coisa: como se pode perceber AQUI e AQUI.
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Written by dissidentex

02/04/2008 at 10:55