DISSIDENTE-X

Posts Tagged ‘INDUSTRIA PETROLÍFERA

O PETRÓLEO TEM QUE SUBIR

leave a comment »

Uma interessante entrevista, pelo que é dito e pelo que não é dito, por parte de um consultor português que trabalha na área dos petróleos e derivados.

Jornal I, dia 24 de Novembro de 2009.

Para ser rentável procurar novos poços de petróleo é necessário fazer com que este suba até aos 100 dólares por barril.

Consequentemente, o combustível à venda terá que subir.

Consequentemente, qualquer hipótese de retoma económica não acontecerá, uma vez que a economia actual está organizada sob o paradigma dos preços dos combustíveis tendencialmente baixos.

Consequentemente, as pessoas, a maior parte delas, não poderá consumir “normalmente” e isso parará uma retoma económica “normal”.( o “normal português” são miseráveis crescimentos económicos de 1% ao ano, glorificados como “grandes feitos”…

Consequentemente isto irá acontecer, quer sejam em Portugal, os membros do PS a governar, quer sejam os do PSD ou outros.

Consequentemente a política foi derrotada pela economia, e pelas más opções tomadas no passado relativamente recente.

Ø

Este consultor é um bom consultor.

Defende bem os interesses dos seus clientes e defende bem as políticas que potenciam os sítios de onde vem mais possibilidades de negócio e dinheiro a ganhar, para si e para a sua consultora.

Coisa diferente, são as políticas defendidas nesta entrevista visarem defender a generalidade da população e dos seus interesses.

São feitas criticas às energias renováveis (uma tecnologia obsoleta) e são feitos elogios ao Nuclear (uma energia “limpa”), isto segundo o consultor.

Os EUA são “elogiados” ??? por fazerem “regulação do mercado”, segundo o consultor. (Os últimos 10 anos e a crise financeira americana e as suas ramificações também, com a industria do petróleo americana, e as complicações e falcatruas que daí advieram, são convenientemente ignoradas….)

Ø

Como o consultor até é presidente de duas associações de protecção do ambiente,(qual será a real e verdadeira credibilidade das mesmas?) isso fá-lo dizer que deve ser olhado o nuclear como opção e os mitos devem ser desmistificados.

Ø

Existem as habituais criticas ao poder político ( é considerado cobarde por não assumir a opção nuclear) e são referidos como se fossem apenas “pequenos amendoins”, os custos do nuclear.

“”

O nuclear pode não ser caro?

Sim. O investimento primitivo é volumoso, mas os custos operacionais são relativamente baixos.

Mas uma central tem de ser fortemente controlada. Isso não é caro?

Há várias questões. Temos mais de 30 mil barragens construídas em todo o mundo que produzem apenas 7% da energia primária. As menos de 500 centrais nucleares existentes produzem a mesma percentagem de energia. Estou convencido de que os danos causados à Humanidade pela exploração da energia hídrica, o impacto tremendo que as barragens têm tido nos ecossistemas e na biodiversidade é, de longe, superior, ao impacto do nuclear, designadamente em termos de acidentes, perdas de vidas humanas e danos ambientais. “”

Ø

Tradução: as barragens são perigosas, mas o nuclear não é.

E o problema das radiações do nuclear é apenas uma questão de oportunidade e de azar.

“Todos estamos sujeitos à radiação, uns mais do que outros. Obviamente que quem está mais próximo de uma central nuclear pode estar sujeito a mais radiação.””

Tradução: os pobres e a população em geral que se lixem. Levam com centrais onde for necessário colocá-las…

LUTA PELO CONTROLO DAS FONTES DE PRODUÇÃO

Em Setembro de 1999, (altura em que o discurso foi feito) a convicção fabricada relativamente ao aumento da procura de fontes de energia – certas fontes de energia – era a seguinte.

– Que existiriam aumentos na procura dessa mesma energia (especificamente petróleo) com taxas de subida anuais de 2%.
– Que existiria uma descida de 3% na produção mundial de petróleo e de descoberta de novas fontes de produção do mesmo.

By some estimates there will be an average of two per cent annual growth in global oil demand over the years ahead along with conservatively a three per cent natural decline in production from existing reserves.

That means by 2010 we will need on the order of an additional fifty million barrels a day. So where is the oil going to come from?

Governments and the national oil companies are obviously controlling about ninety per cent of the assets. Oil remains fundamentally a government business. While many regions of the world offer great oil opportunities, the Middle East with two thirds of the world’s oil and the lowest cost, is still where the prize ultimately lies,

It is true that technology, privatisation and the opening up of a number of countries have created many new opportunities in areas around the world for various oil companies, but looking back to the early 1990’s, expectations were that significant amounts of the world’s new resources would come from such areas as the former Soviet Union and from China. Of course that didn’t turn out quite as expected.

Relativamente a Portugal uma pequena achega.

Se o vice presidente dos EUA até 2008, um senhor chamado Dick Cheney, afirma num discurso de 2004 ( colocado online desde essa data,após ter sido removido do site original…) que

Oil remains fundamentally a government business.

então porque é que a companhia portuguesa de petróleo chamada Galp começou a ser privatizada desde 2005 em diante?

Os interesses do Estado português neste grande jogo de conquista de fontes de energia não foram defendidos nem a autonomia estratégica do próprio Estado. Mas os interesses de estruturas de poder privadas, materializadas através do controlo accionista foram defendidas.

Se o médio oriente disse Dick Cheney”

is still where the prize ultimately lies,

então, tendo em conta que o conteúdo do discurso foi feito em 1999, estranhamos a existência da segunda guerra do Iraque porquê?

Citando a partir do Inbetween:

IRAQUE OIL -INBETWEEN1

O valor económico e estratégico destas províncias é óbvio no sentido em que Al-Basrah…

representa cerca de 60% da produção de crude do país e 70% das reservas, Maysan quase 8% e apesar de tradicionalmente a província de Dhi Qar ser apenas encarada como um parque arqueológico gigante há rumores que recentes prospecções possam indicar que possua cerca de 5% das reservas do país.

Aliás a própria implantação dos vários interesses anglo-saxónicos (em termos de objectivos económicos e políticos estão cada vez mais complicados de distinguir… a

unidade de opiniões e interesses leva-nos a questionar se vale a pena continuar a referir o Reino Unido como um país europeu) mostra uma clara concentração nas províncias a sul. Daí a necessidade de investimentos numa marinha, da fomentação de uma federação no sul do país.

A disposição tática norte americana é também importante.

IRAQ OIL -INBETWEEN2

As tropas estão colocadas onde

is still where the prize ultimately lies,

Não estão colocadas para defender direitos humanos.

Quem afirmar o contrário, ou mente em interesse próprio, ou apenas mente.

ENRICO MATEI, A ENI E O APARENTE NACIONALISMO ECONÓMICO

leave a comment »

Após a segunda Guerra mundial a Itália estava destruída. A maior parte dos bens e serviços eram importados a partir das potências que controlavam a Itália, ou tinham que passar por empresas anglo -saxónicas, que dominavam a maior parte do mercados mundiais – com os EUA à cabeça dos comandos de controlo.

E surgiu Enrico Matei, a quem os italianos (e o resto do mundo) devem muito embora não o saibam.

Matei era politicamente de direita, adepto da democracia cristã. Tinha sido um combatente do fascismo italiano durante a segunda Guerra mundial, liderando o maior grupo de combatentes anti fascistas de influência não comunista da resistência italiana no norte de Itália.

Após a Guerra foi nomeado para ser o agipchefe da região norte italiana da empresa de petróleos italiana, a “AGIP” – Alianza generalli italiana petroli, (mais tarde conhecida por ENI), mas com uma missão especial – desmanchar e terminar com a empresa; entidade moribunda esta que tinha sido criada duas décadas antes (fundada em 1926) por Mussolini.

Matei, nacionalísticamente e tendo em conta os interesses da Itália, fez exactamente o contrário. Também porque e apesar da Itália ter mudado de lado, na guerra, em 1943, o país estava destruído, o PIB tinha recuado para níveis de 30 anos antes e a fome ameaçava a população.

Perante a situação Matei definiu a estratégia da ENI (a AGIP era a marca comercial…) a seguir: (1) criar ou aproveitar fontes indígenas de produção de energia (especialmente gás natural) que (2) gerassem a auto suficiência do país na produção energética e (3) impedissem que a Itália gastasse quantidades colossais de dinheiro a importar energia (petróleo e gás) e ao mesmo tempo (4) isso criasse empregos e (5) criação de riqueza no país (por exemplo, através da construção de refinarias próprias de petróleo e de redes nacionais de abastecimento de combustíveis).

Alguém de bom senso acha isto fora do razoável, em 1946? Ou mesmo actualmente?

Ø

Existia ainda outra razão de peso para estas ideias de Mattei: para comprar petróleo em mercados internacionais era necessário pagá-lo em dólares.

As reservas em dólares italianas teriam a tendência a serem “dizimadas”, ou em alternativa, a empobrecer mais ainda o país a médio prazo, porque era necessário fazer muito dinheiro para depois o converter em divisas; dinheiro esse que era difícil de arranjar, numa Itália destruída e pobre e com reduzidas e desorganizadas capacidades industriais no pós guerra.

Ø

Existiam ainda “sub razões” para estas ideias de Mattei: estava em “vigor” um monopólio de comercialização, prospecção, transporte e refinação a cargo das “sete irmãs” ou Seven Sisters/Sette Sorelle, as maiores sete companhias petrolíferas dos anos 50 que cartelizavam o mercado, definindo preços e negócios. (Foi Mattei que criou a expressão “Sette sorelle”…)

Ø

Voltando um pouco atrás: após a guerra, em 1946, Mattei tinha sido mandatado para privatizar rapidamente a AGIP/ENI.

Em vez disso lançou, com os poucos fundos disponíveis, uma operação ambiciosa de prospecção de petróleo e gás natural no norte da Itália. Após algumas promissoras descobertas de petróleo, mas especialmente de Gás, e devido a isso, plena autorização para fazer a exploração e continuar a desenvolver a ENI.

As grandes companhias petroliferas internacionais tentaram boicotar as ideias de Mattei, e a expansão da ENI, utilizando a “primeira táctica clássica”.

Abordaram Mattei e a Eni, propondo-lhe que se pudessem fazer empresas conjuntas/negócios conjuntos com a ENI/AGIP de Mattei, para comercializarem na Itália. Era uma forma de dar um “abraço de urso” a um concorrente e amortecê-lo. Mattei, recusou sempre.

Ø

Nota: este sistema nos tempos actuais, sofisticou-se.

Um pequeno exemplo hipotético:

(1) Actualmente propõe-se a compra de uma empresa que esteja em (2) dificuldades económicas num dado país (vamos supor um hipotético país chamado Portugal) ao (3) governo desse mesmo país ( Vamos supor a Sorefame/ A.K.A asea Brown Boveri…A.K.A Bombardier), cujos (4) responsáveis políticos tem nas anteriores décadas assinado (5) acordos comerciais, que (6) retiram ou (7) limitam fortemente qualquer hipótese de a dada empresa (8) sobreviver no mercado internacional, de (9) forma autónoma.

Depois a empresa é (10) comprada por um (11) forte concorrente internacional, que pertence a um (12) dado país ou área económica, (13) cujos responsáveis políticos tem (14) em discursos amplamente repetidos, nos meios de comunicação social, repetido a necessidade de (15) reduzir o número de empresas no mercado devido aos (16) elevados custos e para se criarem (17) “economias de escala” que mais tarde virão a proporcionar (18) reduções de preços no produto.

Mais tarde verificamos que: (A) o numero de concorrentes desceu, (B) os lucros dos que ficaram aumentaram; o (C) preço do produto encareceu; (D) a dependência dos países que tem que comprar este produto (deixaram de ser eles próprios produtores) aumentou, e (E) o desemprego na sua própria população aumentou e ainda, ( F) uma base industrial/de serviços existente num qualquer país, foi assim destruída – “de forma não natural”.

O bónus – designado por “cereja no topo do bolo desta estratégia”- consiste em meter as culpas para o partido comunista lá do sítio, ou qualquer outra força do mesmo estilo, que é sempre apelidado de radical, anti comércio, etc, e assim arca com as culpas disto, nunca se permitindo que a situação mude. *

Ø

Qual era o problema definido por Enrico Mattei?

Simples. Uma drenagem de divisas italianas em dólares, era aplicada sobre a Itália, que consistia no pagamento das importações de petróleo inglesas e americanas e isso gerava um enorme problema de deficit comercial da balança de pagamentos italiana do pós – guerra.

Mattei pensou de forma estratégica para contornar o problema.

E quis produzir para a ENI um bem inestimável: autonomia comercial e estratégica.

Atacou o problema do transporte da matéria prima da fonte até aos locais que dela precisavam mandando construir um oleoduto que ia do local das jazidas encontradas, no norte de Italia até Milão e Turim, duas enormes zonas populacionais e industriais, que se tentavam reerguer.

Os lucros daí retirados serviriam (serviram) para financiar a posterior expansão da ENI/Agip no norte de Itália (isto é, mais prospecção e refinarias…sistemas de logística e postos de abastecimento…)

Reestruturou a empresa, e organizou-a para se expandir. A lógica de Matei era simples do ponto de vista estratégico:

– Atacar o poder das “sete irmãs”, não permitindo que estas comandassem a distribuição e comercialização de petróleo em Itália.

Estas, deliberadamente, faziam uma política de preços altos, através da limitação da produção de petróleo para que assim as suas holdings mantivessem lucros altos (devido à relativa escassez do produto) , sendo que os preços eram nivelados pelos níveis de preços (mais altos) dos Estados Unidos, enquanto que, e ao mesmo tempo, esses mesmos produtos eram vendidos a países pobres da Europa mas o preço na Europa era feito pelos mesmos paralelos dos preços altos dos EUA.

Como o alto custo de produção de extracção de petroleo nos EUA era elevado, tornava-se necessário compensar isso – “indo buscar o dinheiro” aos países pobres e destruidos da Europa, após a segunda guerra Mundial.

Ø

Analogia especulativa: devido ao elevado custo de extracção de petróleo actualmente nos EUA, é necessário criar “factores” que elevem esse mesmo preço. Uma guerra pelo controlo de matéria prima nos territórios onde é mais baixo o preço de extracção ( o médio Oriente) parece ser algo interessante, por duas razões

A) controla-se a matéria prima e obtém-se o que se pretende;

B) Não se controla a matéria prima, mas gera-se aumentos brutais do preço do petróleo, que, dessa forma, já justificam que se inicie a produção em zonas “caras” para os preços anteriores ( Ex: Alasca).

Ø

A partir de 1953, Mattei, após ter feito pressões sobre o poder político criou finalmente a ENI, como holding autonoma estatal, com subsidiarias divididas por areas de negócios.

O êxito foi tal, que possibilitou outras expansão: uma frota de tanques de transporte de combustível e o lançamento de estações de serviço “modernas” com restaurantes e outros serviços que não somente combustível a serem nela vendidos” – ultrapassando a norte americana Esso e a Shell, em qualidade e serviço ao consumidor.

Nota: não deixa de ser irónico que uma companhia estatal fosse mais dinâmica comercialmente que companhias provadas…

Construiu ainda centrais de refinação, uma empresa de refinação e fabrico de borracha, e uma companhia marítima própria com frota de petroleiros, para fugir ao monopólio de navegação e transporte, que as “sete irmãs” possuíam.

Ø

Toda esta actividade de Mattei e da Eni começou a irritar os norte americanos.

Especialmente depois de saberem que Mattei estava a procurar diversificar as fontes de produção de petroleo; isto é, a procurar firmar acordos, com países produtores, para importar petróleo, mas com condições muito mais vantajosas para esses mesmos países produtores.

Em abril de 1954, Mattei procurou negociar com as 7 irmãs, uma pequena fatia, no Irão. Foi rejeitado.

Um ano depois Mattei estava a fazer um generoso acordo com o Egipto de Nasser, para extrair a partir de lá, e enviar o petróleo para as refinarias italianas. Tudo feito sem ser necessário “pagar” em divisas (isto é, dólares) por se fazer o mesmo, no mercado internacional.

Em 1957 Mattei iniciou negociações, de novo, com o Irão, oferecendo um negócio muito mais vantajoso. Propôs que a companhia iraniana de petroleos, recebesse 75% e a ENI 25%, através duma”joint-venture”.

Antes de Mattei, os negócios eram feitos, na base dos 50%/50%, o que possibilitava uma lucro colossal para as companhias e pouco rendimento para os países produtores( devido à natureza do negócio…).

Mattei veio destruir este desiquilibrio.

Pelo meio disto, em Itália, continuou – comercialmente – a exercer pressão sobre as sete irmãs, promovendo sistematicamente reduções de preços e melhorias no serviço ao cliente, procurando não só reduzir o que os italianos pagavam de combustíveis, mas também, procurando aumentar a “base de clientes”.

Uma das formas usada, foi através de “lobbying” contra o alto imposto sobre petróleos aplicado pelo governo italiano e do agrado das “sete irmãs”.

Em resultado disso, entre 1959 e 1961, o preço dos combustíveis em Itália caiu 25%.

Nota: compare-se com Portugal…actualmente…

Em 1958, Mattei realizou negócios com a Rússia, promovendo a construção de um oleoduto que atravessava a Italia, a Hungria, a Checoslováquia e a Polónia. O preço era de um dólar por barril, por oposição a comprar em preços à epoca normalmente e aproximadamente de 2.75 por barril.

A partir daí, Mattei foi alcunhado de “amigo de Moscovo”. *

Um mês após o oleoduto ter começado a bombear petroleo, Mattei morreu num muito pouco esclarecido acidente de avião. Suspeita-se de atentado.

Written by dissidentex

21/12/2008 at 17:58

GUERRA DO IRAQUE. CUSTOS FINANCEIROS. (3)

leave a comment »

No primeiro artigo intitulado “Guerra do Iraque. Custos financeiros. (1)”

– falou-se do custo do petróleo antes da guerra começar;

– do custo directo da guerra, ao mês, para o governo americano – 12 biliões de dólares

– da privatização de sectores da guerra e de como isso encareceu e aumentou o orçamento de guerra dos EUA.

No segundo artigo intitulado “Guerra do Iraque. Custos financeiros (2)”

– falou-se dos downstram costs – os custos já não derivados directamente dos primeiros custos pagos logo á cabeça.

– falou-se da manutenção diferida do material de guerra – equipamento que não é substituido tão depressa quanto é “gasto”

– falou-se do elevado rácio de baixas/mortes, da ordem dos 15/1.

– falou-se dos empréstimos feitos pelos EUA pata financiar a guerra, e de como a Guerra é financiada através exclusivamente, de empréstimos

– Falou-se da segurança social e dos custos futuros que virão a ser gastos com as pessoas que virão ou ficarão danificadas com a Guerra do Iraque.

Hoje: aspectos financeiros a ter em conta com a retirada dos EUA do Iraque.

A Retirada:

Stiglitz no seu estudo, prova e demonstra que, mesmo que os EUA saissem do Iraque – agora, mesmo assim existiriam custos substanciais só por se sair do Iraque. (Deve-se esquecer a proposta de Jonh Mccain , candidato a Presidente que fala em “uma guerra para durar 100 anos)”.

Quais seriam?

1- reescalonar os militares (todo o exército) e o respectivo equipamento, no caso do equipamento, porque gastou-se equipamento mais depressa do que se repôs;

2. Atender à quebra de padrões de qualidade na formação das forças armadas americanas. Ao aceitar-se toda a gente no recrutamento em vez de excluir candidatos sem perfil começaram-se a contratar criminosos, neo nazis, pessoas notoriamente idiotas, etc, e tudo isso afecta a operacionalidade de um exército e a sua capacidade de combate.

Stiglitz e a sua equipa apontam para um gasto inerente a uma retirada e a este reescalonamento da ordem dos 100 biliões de dólares ou mais. 100 biliões é uma estimativa conservadora.

O tempo da retirada.

Para fazer uma retirada, esta duraria – uma vez que não pode ser feita do dia para a noite – duraria pelo menos um ano a efectivar:

Esta análise de Stiglitz e da sua equipa é baseada no orçamento apresentado pelo departamento correspondente do congresso norte americano, que prevê – muitas pessoas pensam isto mesmo nos EUA, que o que teria que ser feito seria os EUA, rapidamente – ao retirarem – terem que se converter não numa força de combate ainda presente no terreno, mas numa força de ocupação, de estilo força de paz das nações Unidas, e mesmo isso não é destituido de custos elevados.

Stiglitz dá o exemplo da Coreia do Sul, onde, apesar de não combaterem as forças americanas lá estacionadas, estão lá há 40 anos e isso custa, todos os anos, dinheiro.

Razão de ser desta força a ser mantida.

A) Para manter uma presença;

B) Defender os poços de petróleo e as rotas de transporte.

C) Ajudar a estabilizar o Iraque.

e mesmo tudo isso custa dinheiro e tempo, pelo menos 10 anos de tempo. Caso tudo corra bem.

Stiglitz analisou dois cenários, sempre baseados nos dados do departamento do orçamento pertencente ao congresso. Chegou às seguintes conclusões:

(1) Num cenário de forças de paz mesmo a 10 anos isto custaria 382 biliões;( Cenário menos despesista)

(2) Noutro cenário custaria 669 biliões, a tal manutenção de forças americanas como “força de manutenção de paz”, durante estes hipotéticos 10 anos. (Cenário mais despesista)

Mesmo que se optasse pela solução de (“vamos sair depressa”), muito desse dinheiro gasto seria substancialmente menos – apenas 600 biliões em dois anos.

Por isso é difícil ver como se custará menos, porque mesmo 660 biliões é dinheiro.

Num cenário realista, sem juros, chega-se ao tal valor de 3 triliões de dólares.

Ou seja chega-se sempre a 1.3 triliões directos mais os juros e os juros de juros que dão à volta de de 2.7 triliões (daí o titulo do livro – “A guerra de 3 triliões de dólares…”)

A média no orçamento dá 2 triliões, mas e nesta altura já se está a dar folgas orçamentais dai a equipa de Stiglitz ter chegado aos 3 triliões – num cenário realista, apenas para arredondar os números.

Não deixa de ser algo que dá dores de cabeça discutir quantidades grandes de dinheiro, biliões e triliões como se estivesse a falar de 5 euros…

Quais são as muitas dimensões da ocupação em termos de custos?

Vidas perdidas:

Aqui existe uma dimensão macabra.

O Pentágono atribui, por vida perdida, um subsidio de 500 mil dólares, divididos uma parte – 400 mil dólares directamente da Life insurance policy (a tal que o Estado americano como vem explicado no segundo artigo se compromete a pagar, por conta do que as seguradoras deveriam fazer…) e mais 100 mil derivados de um “Death Gratuitity”, se bem percebi a lógica.

Utilizam uma expressão “Death gratuity” – o tal prémio de 100 mil dólares, se bem a consigo ouvir e escrever – algo que o entrevistador comenta nunca ter escutado…a gratuitidade da morte…

O que é mais espantoso é que no sector privado, isto é, alguém que participe na Guerra mas a trabalhar para uma empresa do sector privado, a mesma vida perdida já será avaliada em 7 milhões de dólares.

O entrevistador não percebe como se chegam as estes números; e a estas “diferenças de avaliação” entre o sector privado e o público eu também não.

Stiglitz explica da seguinte maneira:

Quanto o governo americano, faz por exemplo avaliações acerca da implementação ou não implementação de certo tipo de regulamentações, esse mesmo tipo de regulamentações é ” avaliado ” pelo número de “vidas que salva” . Esse é o imbecil critério.

Ou seja avalia-se se esta regulamentação vai custar alguma coisa; e quanto custa. E se vale a pena implementar em função do que vai custar – não existe “ética” aqui nas implementações de regulamentações

Calcula-se qual é o custo da regulamentação e calcula-se quantas vidas se salvou/salvará. Após esta brilhante teoria é assim que se avalia uma vida.

Por exemplo, se se deve perguntar se deve existir uma regulamentação de segurança para um carro ou agua mais limpa, e caso não valha a pena (ou o Poder político/económico o decida) nada se fará se não se considerar que se irá salvar suficientes vidas.

É também um conceito estatístico, como por exemplo, quanto é que uma pessoa ganharia acaso não morresse. E também quanto é que uma pessoa ganharia hipoteticamente ao longo da vida.

Após estas contas “estranhas” chega-se a um numero de:

7 a 8 milhões (ou mais) de uma vida avaliada estatisticamente ( Este é um cenário conservador).

Isto dá à volta de 500/600 biliões de dólares de indemnizações por vidas perdidas e a perder se se continuar na Guerra.

Outros custos indirectos.

Famílias que vão ter que tomar conta de pessoas que ficaram danificadas para o resto das suas vidas.

Aqui as vidas já são avaliadas por menos – as disability payments são apesar de tudo valores inferiores aos que as pessoas perderam.

À volta de 180 a 383 biliões de dólares. Avaliou Stiglitz.

Mas há outro tipo de custos.

Por exemplo, a pessoa de uma família que tem de largar o seu emprego para tomar conta do familiar que ficou incapacitado.

Em cada uma família em 5, que tem pessoas feridas, alguém tem que tomar conta destas pessoas, saindo do seu emprego.

Stiglitz explica que poderiam ficar em Hospitais públicos mas ninguém quer ficar em hospitais públicos e o próprio Estado americano tem interesse em que não fiquem, quer pelos gastos, quer pelo facto de isso “se ver” – até porque isso aparece no orçamento – portanto…

Mais custos indirectos:

Custos económicos- quanto sofre a economia com isto:

Stiglitz afirma que as pessoas esquecem-se que quando a guerra começou o preço do petróleo estava a 25 dólares e os mercados de futuros de petróleo apontavam para esse preço pelo menos durante 10 anos.

A guerra mudou essa equação.

No livro Stiglitz diz que optaram pela estimativa conservadora de apenas considerarem que sobre um preço de 100 dólares o barril , apenas 5 a 10dólares seriam atribuíveis à Guerra do Iraque até para não serem acusados de estarem a ser parciais no estudo. Ou seja, que num aumento de 75 dólares no máximo tal apenas se deveria à guerra em 10 dólares.

Stiglitz acha que é mais do que simplesmente 10 dólares.

Mesmo com estes custos apenas apontados para um aumento de 10 dólares e caso fosse verdade isso custaria aos EUA a módica quanta de 800 biliões durante 8 anos – somente os EUA.

Isto a afectar a economia.

Neste tipo de discussão e com custos ainda mais indirectos, como os EUA tem que mandar cheques para a Arábia Saudita e para o Kuwait( precisamente para pagarem as compras de petróleo) . Ou seja, directamente, este tipo de custos à cabeça apenas custa 400 biliões de dólares – com as compras em petróleo feitas, é que leva aos 800 biliões de dólares. ( Boing Boing, 1 de Fevereiro 2008)

Mas o facto deste dinheiro ir para a economia da Arábia Saudita e para o Koweit significa que não vai ser investido/gasto nos EUA, logo, isso aumenta a depressão na economia americana.

Efeitos macroeconómicos na economia americana

O facto de pedirem emprestado tanto e gastá-lo no Iraque não estimula tanto a economia, como gastar isso em casa, nos EUA.

Essas duas coisas tem um efeito depressivo na economia.

Aqui surge um paradoxo.

A equipa de Stiglitz e os cálculos que estes fizeram não davam a ideia, segundo as explicações do próprio, de que a economia estaria tão recessiva quanto de facto está.

O “esquema” descobre-se da seguinte maneira. O FED (o banco central americano fez “Pump the economy”

  1. Para evitar a economia deprimida fez-se pump the economy, ou seja injectou-se liquidez (dinheiro) na economia americana.
  2. Permitiram-se más praticas com regulamentações fracas
  3. e permitiu-se empréstimos por bancos que não se deveriam ter permitido.

Mas tudo isso gerou menos dinheiro para gastar em casa e isso deprime a economia: gerou que os americanos começassem a viver de dinheiro emprestado e de tempo emprestado.

Isto gerou um dano colateral desta Guerra: uma recessão económica.

Continua
GUERRA DO IRAQUE. CUSTOS FINANCEIROS. (4)

ELEIÇÕES AMERICANAS 2008 – PETRÓLEO

leave a comment »

PETROLEO4

A “esquerda portuguesa” lamentavelmente, esquece-se sempre de várias coisas. Como existe um problema de memória; actualmente divide-se entre declarar o seu apoio entusiástico a Hillary Clinton ou declarar o seu apoio entusiástico a Barack Obama. Assim até parecerá que existe pluralismo

A “direita portuguesa” declara o seu apoio entusiástico a Jonh MCcain, Hillary Clinton e Barack Obama por esta ordem.

As “empresas americanas” declaram o seu apoio entusiástico a todos. Oil God Bless América!

Comecemos pela direita portuguesa, e o seu primeiro candidato preferido, Jonh Mccain. Donativos enviados das empresas petrolíferas para a campanha eleitoral Mccain.

MCCAIN 2008- PETROLEO

Na direita portuguesa e na esquerda portuguesa, surge a quase preferida de todos Hillary Rohdam Clinton.

Donativos enviados das empresas petrolíferas para a campanha eleitoral Rohdam.

HILLARY CLINTON -2008

O homem querido por todos, também é preferido politicamente por todos à esquerda e à direita, ao centro, norte, sul, na Brandoa e Alfornelos, mas só à segunda feira NA Brandoa e só à quarta feira em Alfornelos..

Donativos enviados das empresas petrolíferas para a campanha eleitoral Barack.

.BARCAK OBAMA -2008

Que eu tivesse reparado a simpática companhia EXXON MOBIL doou generosamente dinheiro a todos os 3 candidatos.

Aqui em baixo temos o que TODOS os candidatos receberam

CANDIDATOS- 2008

É bastante engraçado que Hillary tenha recebido mais donativos do que Mccain. É engraçado que Barack Obama tenha recebido donativos. É engraçado que Mccain tenha recebido menos donativos que Rudolph Giuliani, um candidato que desistiu quase no inicio, ainda antes desta venda de peixe começar. É engraçado que Barack Obama tenha recebido o maior donativo entre os 3 últimos candidatos doado pela EXXON MOBIL.

Written by dissidentex

28/02/2008 at 8:01