DISSIDENTE-X

Posts Tagged ‘NEOLIBERALISMO

O PSD, PEDRO PASSOS COELHO E O FIM DOS “JOBS FOR THE BOYS”…E DOS ASSESSORES…E DAS SECRETÁRIAS…

Para o presidente social-democrata é ainda preciso «deixar claro que os membros do Governo não podem recrutar ilimitadamente uma espécie de administração paralela nos seus gabinetes».

«Um membro do Governo tem direito a escolher um chefe de gabinete, uma ou duas secretárias de confiança, um ou dois adjuntos. Acabou. O resto que tiver que recrutar tem que recrutar na administração», avançou.

Ø

Pedro Passos Coelho, declarações à comunicação social, dia 5 de Abril de 2011

Ø

O secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, vai ter sob o seu comando uma equipa de até 30 técnicos para seguir de perto o trabalho dos 11 ministérios e garantir que não há desvios às metas e prazos do acordo assinado com a troika.

Ø

Notícia da comunicação social, dia 8 de Julho de 2011

Ø

Mais de uma centena de pessoas vai dedicar-se a escrutinar as contas do país nos próximos anos com a criação de novos órgãos de fiscalização. Além das entidades que tinham a tarefa de acompanhar as contas públicas e a política orçamental, o governo criou duas novas entidades para reforçar a vigilância dos dinheiros públicos. 

Ø

Notícia da comunicação social, dia 19 de Julho de 2011.

Ø

Miguel Macedo, ministro da administração interna já nomeou 10 pessoas.

 – 4 secretárias pessoais

– 2 funcionários de apoio administrativo

– 1 chefe de gabinete

– 3 adjuntos da chefe de gabinete

Em diário da República – desde dia 21 de Junho de 2011.

Written by dissidentex

20/07/2011 at 17:50

PSP CORRE O RISCO DE SER PRIVATIZADA

leave a comment »

Notícia DN de 13 de Novembro de 2009.

Muito mal está um país quando um representante sindical de uma força policial  (deve-se ou não questionar a existência de um sindicato numa força policial?) tem que vir a público afirmar algumas coisas que são óbvias.

Que uma força de segurança publica não pode nem deve ser privatizada, através dos serviços que é convidada a prestar.

Que uma força de segurança pública, é pública, e como tal, serve o público (a população toda!)

PSP CORRE O RISCO DE SER PRIVATIZADA

O responsável sindical afirma que existe falta de credibilidade associada à polícia por fazer destes  membros de um serviço público; “porteiros” que estão à porta de discotecas a “controlar” entradas”.

Dá ainda o seguinte exemplo:

“…E recorda o caso de um casal de Cascais que pediu à Direcção Nacional da PSP dois polícias, em serviço remunerado, para levarem os filhos à discoteca e os “manterem em segurança”. “O serviço foi recusado. Aqui há que recorrer à segurança privada”, defende….”

Torna-se necessário perceber a mentalidade que está por detrás de duas pessoas que vivem em Cascais, que querem pagar (como se fossem donos exclusivos de um serviço público adstrito a 10 milhões de pessoas…) a forças estatais para estas servirem o hedonismo dançarino dos rebentos precoces…

E acharem normal terem feito o pedido…

Tal é o sinal dos tempos; pessoas que se sentem à vontade para acharem ser normal fazer pedidos destes…

Ø

Duas ideias centrais.

A) a PSP não deve ser privada.

B) Deve ser a segurança privada a fazer certos serviços.

Ø

Independentemente das simpatias pelas solução A, uma terceira ideia é sempre preferível.

Afastar as causas  económicas que deram origem ao (1) mercado da segurança privada e à (2) descredibilização da polícia.

Isto é, afastar o neoliberalismo económico da esfera pública.

GLOBALIZAÇÃO E NEOLIBERALISMO: SUN MICRO SYSTEMS DESPEDE 3000 MIL…

leave a comment »

Neste post feito à propósito da análise de um livro sobre globalização, eram citadas declarações de um responsável da Sun micro systems feitas em 1997, explicando como eram vistos os empregados da Sun pelo seu principal gestor.

Transcreve-se uma parte.

Ø

armadilha-da-globalizacao-capa-portuguesaPágina 10:

”na nossa empresa, cada um pode trabalhar tanto quanto queira…” … os governos e as regras por estes impostas ao mundo do trabalho perderam todo o significado…”contratamos os nossos empregados por computador, eles trabalham por computador e são despedidos por computador“.

Algures no diálogo do texto, David Packard, o co-fundador da Hewlett Packard (produção de impressoras e computadores) faz uma pergunta a Jonh Cage da Sun Mcrosystems:

” …– de quantos empregados necessitas verdadeiramente, John?“ Seis, talvez oito, responde secamente Cage. Sem eles estávamos tramados…” – E quantas pessoas trabalham actualmente para a Sun systems? Gage responde:- …” Dezasseis mil. Tirando uma pequena minoria são reservas de racionalização.”

Não se ouve o mais pequeno murmúrio na sala: para os presentes, a ideia de existirem legiões de desempregados potenciais ainda insuspeitos é algo de obvio. Nenhum destes gestores de carreiras, que auferem chorudos salários, provenientes dos sectores e dos países de futuro, acredita ainda que se possa vir a encontrar, nos antigos países e em todos os sectores, um numero suficiente de empregos novos e correctamente remunerados nos mercados em crescimento, com o seu grande consumo de tecnologia.-no próximo século, para manter a actividade da economia mundial, dois décimos da população activa serão suficientes.- Mas e os restantes? Será possível imaginar que 80% das pessoas que desejam trabalhar não vão encontrar emprego?

– Não há duvida que os 80% restantes vão ter problemas consideráveis, afirma o autor norte-americano Jeremy Rifkin que escreveu o livro “The end of work…”

Ø

Imagem e texto “Jornal Destak”.

Ligação “Revista visão/aieou”

JORNAL DESTAK - SUN MICRO SYSTEMS DESPEDE 3000

Duas notas:

1 – a Sun Micro systems não despede pessoas, dispensa pessoas (A semântica do neoliberalismo é diferente…)

2 – A Sun Micro systems anuncia um ano antes que vai despedir/dispensar pessoas (defensores disto até virão argumentar que a empresa é “organizada” programando “eficientemente” o tempo dos seus despedimentos.

Como afirma o senhor Jonh Cage acima,

contratamos os nossos empregados por computador, eles trabalham por computador e são despedidos por computador“.

Ø

Em Novembro de 2008, a mesma empresa Sun Micro systems anunciava que iria despedir 15% da sua força de trabalho – 6000 pessoas, para “reduzir custos”.

Parte-se evidentemente do principio que a 6000 acrescem – um ano depois – mais 3000.

Mas, sejamos honestos: a preparação para isto já estava a ser feita desde meados dos anos 90.

Cita-se John Cage de novo:

os governos e as regras por estes impostas ao mundo do trabalho perderam todo o significado…”

BIBLIOTECAS,EMPRÉSTIMO PAGO.NÃO! 4 º

leave a comment »

Sobre este assunto falou-se respectivamente

AQUI 1

AQUI 2

AQUI 3

Agora fala-se e continua-se por causa deste post deste blog. Alguns excertos:

“””… É um facto consumado que o comodato (vulgo empréstimo) público vai ser taxado. A vizinha Espanha já mudou a lei (Ley 10/2007, de 22 de Junio). A Itália, se não mudou, vai mudar. A Irlanda, idem. E nós vamos também. Vamos todos, quais carneirinhos obedientes, baixar a cabecinha e enfiar-nos no redil europeu. Claro, os utilizadores das bibliotecas não vão pagar pelo empréstimo, era o que mais faltava. O empréstimo vai ser pago pelo orçamento das bibliotecas ou pela administração central do estado.
Não há volta a dar. O lobby das editoras, dos livreiros e das discográficas, que já conseguiu pôr-nos a pagar taxas pelas cassetes virgens, pelos CD graváveis, pelos equipamentos de reprodução (mesmo quando todos estes sejam usados para gravarmos e filmarmos a nós mesmos e aos nossos amigos), vai conseguir, agora, pôr-nos – através do orçamento das câmaras ou do Ministério da Cultura – a pagar taxas também pelo empréstimo nas bibliotecas.
Tudo para não lesar os bolsos dos autores! Dizem eles… “””
COMODATO E EMPRÉSTIMO DE LIVROS

No blog a Biblioteca de Jacinto está uma explicação detalhada deste post e do esquema no mesmo.

Quanto a isto é engraçado. Os contribuintes vão pagar mais um imposto, mas um imposto destinado a alimentar empresas e associações privadas.

Mais: a injustiça e a discriminação são ainda maiores. O contribuinte agora pagará quer use quer não use mas duas vezes.

Pagará aquilo que já pagava – A EXISTÊNCIA DE BIBLIOTECAS PÚBLICAS – via orçamento de Estado e pagará

PASSA A PAGAR

uma avença compulsória regular e sistemática para satisfazer o proxenetismo da sociedade portuguesa de autores.

De facto a iniciativa privada com mama garantida é outra coisa… viva a economia de mercado que recebe subsídios dos contribuintes… viva o neo liberalismo empreendedor … e o espírito de iniciativa… espírito de iniciativa para sacar subsídios, entenda-se…

BIBLIOTECAS.EMPRÉSTIMO PAGO. NÃO! 3 º

leave a comment »

Conforme eu já tinha afirmado no primeiro post (AQUI) e no segundo post (AQUI) a suave ninja ninfa que habita neste incunábulo blogosférico que dá pelo nome de “A Biblioteca de Jacinto”, fez 5 posts entre Agosto e Setembro de 2007. Onde analisava o problema respectivamente:

  1. Sob o ponto de vista dos autores, dos consumidores;
  2. da máfia dos direitos de autor; da União Europeia;
  3. e do jurista Lúcio laborinho, por Delenga Carthago, assim falava o Grande Catão.

Para a nossa vasta audiência que já não se recorda deste ilustre personagem recordemos o ilustre orador em acção:

cataoalterado3

Após visão bucólica do trabalho Jurídico eu escrevia que a ninja ninfa do Blog a Biblioteca de Jacinto decidia fazer a seguinte acção bélica:

E ao quinto post ela parte a loiça toda. Com a suave subtileza do nenúfar…

“” Diz-nos esta que «defende, como sempre defendeu, que a promoção da cultura e do acesso à mesma não poderão nunca ser prosseguidas desprotegendo o autor e o Direito de Autor, sob pena de não serem alcançados os objectivos pretendidos mas o seu inverso. “Aliás” – destaca [João Laborinho Lúcio] – “velha é já a discussão entre a alegada bifurcação entre o direito de acesso à cultura e o direito à criação intelectual e respectiva protecção dos autores e dos seus direitos, dois direitos estribados na lei fundamental. Parece-nos, contudo, que esta bifurcação é aparente, pois que ambos os direitos só podem conduzir a um mesmo fim“.»

Ora não podia o Dr. João Laborinho Lúcio ter mais razão! Mas, como jurista que é, o Dr. João Laborinho Lúcio deveria dominar melhor a retórica: usar argumento alheio em favor próprio exige habilidade. Pois que outra coisa coisa têm os bibliotecários dito e gritado aos quatro ventos: o acesso livre e gratuito à informação não prejudica – antes protege – os direitos dos autores?”””

Nesta altura importa discutir bifurcações e as suas ramificações.
Num mundo normal, as pessoas pedem isto:
BIFURCAÇÕES1BIFURCAÇÕES1

No mundo dos Juristas Lúcio Laborinhos e da máfia dos direitos de autor as pessoas pedem isto:

BIFURCAÇÕES2BIFURCAÇÕES2


  • Quanto ao jurista em questão começo já por dizer que é um tretas e não tem caso.
  • Mas como percebeu o filão que vem dali – da SPA e também, pela pseudo profissão que exerce, sabe bem como é importante a conversa dos direitos de autor.
  • Ninguém mais tem ganho dinheiro neste país com os direitos de autor que certos “juristas” da nossa praça que adoram a verborreia legal que está sempre a sair por lei e a ser constantemente alterada.
  • Depois de ser constantemente alterada isso, por sua vez, proporciona-lhes que escrevam novos livros, novos manuais, novos artigos, novas frases com as palavras “bifurcação” e “lei fundamental”.
  • E até, num dia bom, com as palavras “vitualhas” e Ius Imperium.
  • Ou até mesmo num sublime orgasmo jurídico a palavra “anticonstitucionalmente”, que creio ser a maior palavra existente em língua portuguesa.

E muitas vezes estes senhores fazem novas versões com alterações de 20 páginas em 500 do novo livro jurídico a sair e tudo isto é principescamente pago. É também uma maneira de tornar a lei ( e a interpretação dela) totalmente confusa e ilegível. O resultado é o Estado a que isto chegou.

O meu comentário a isto é:

É INSUPORTÁVELÉ INSUPORTÁVEL

Portanto estes defensores da SPA tem interesse directo que passa por algo mais do que defender o seu cliente . Também é um tretas argumentativo. Como todos ou quase todos. Quando começam com a conversa de “estribar direitos” e “bifurcação”e que estes são “estribados na lei fundamental” ( lei fundamental é outro código retórico para dizer a palavra constituição…) está tudo dito acerca da argumentação que aqui está.

Nota lateral de índice sexual/ficção científica neo gótica de quase mau gosto: bifurcação lembra-me sempre o corno que chega â casa e descobre a respectiva com outra mulher ou com um anão, o que for melhor. Ou o filme “Matrix” em que o personagem “NEO” tem que tomar o comprimido azul ou o vermelho. Estão a ver a “bifurcação” entre o azul e o vermelho? É fixe e giro dizer “bifurcação”, não é?

Bifurcação também rima com aldrabão.

  • Por vezes penso que a existir uma nova revolução, deveria começar-se por matar todos os advogados. Com requintes de crueldade.

Quanto aos “”autores”” estão à vontade. Continuem com estas ideias idiotas e a darem cobertura a coisas abjectas como a actuação do SPA e verão o que lhes acontece. É que pura e simplesmente ninguém os lerá. Apenas matarão o mercado. Ou melhor chacinarão o que ainda parece que resta.

Do ponto de vista pessoal; recuso-me, a esta lei ser aprovada, a apoiar a existência de bibliotecas públicas.

Não é aceitável que se pague impostos, e uma das funções deles é precisamente alocar dinheiro para constituir e manter uma rede de bibliotecas públicas, precisamente para dar acesso gratuito ao PÚBLICO; e depois ao mesmo tempo, pagar-se para ler livros que lá estão. Nesse caso privatizemos todo o sistema.

  • Depois vamos a ver quantas é que ficam de pé.

É absolutamente espantoso que uma associacãozeca de pseudo defensores dos direitos de autor consiga condicionar o poder político deste país com a cobertura da União Europeia.

É a frase do Huxley NO PRIMEIRO POST “desenvolvendo- se sob a pressão da eficiência e da estabilidade”. Estamos na Europa, para que esta emita ordens absurdas em nome de uma qualquer harmonização cretina decidida por pessoas absurdamente bem pagas em Bruxelas, que depois ( indirectamente) concede poderes extraordinários a coisas como a SPA. Em nome da eficiência e da estabilidade.

Nota lateral: num dos textos a MCA, a deusa autora dos mesmos ( mais uma tentativa cretina e patética de assédio sexual por post de blog), exige que, caso os autores queiram que se pague direitos por serem lidos em bibliotecas então também deverão pagar para que os livros deles estejam lá e não outros no lugar dos livros deles – porque é isso que se passa, por exemplo, num supermercado, via política comercial das editora – as mais fortes.

Lógica correcta. Mas como isto não é decidido cá, mas em Bruxelas e pela política neoliberal económica, a médio prazo isto significa, na prática, um totalitarismo de teor semelhante ao comunista.

  • Antes só os autores “aprovados” pelo partido” é que podiam ser expostos.
  • Aqui só os autores que o mercado aprova; isto é;
  • os que tem dinheiro para pagar serem expostos;
  • ou os que as editoras deles pagam para serem expostos em bibliotecas públicas é que serão aprovados.
  • Fácil será concluir que as bibliotecas terão tendência a transformarem-se naquilo que os hipermercados já são actualmente.
Ou seja todo o autor que edite pensamento critico ou que fuja à norma será, desta forma disfarçada e encapotada, VETADO pelo “mercado”. O mercado “concorre” a eleições democráticas?
  1. Ou seja, «como não vende», não é publicitado.
  2. Não sendo publicitado não existe.
  3. Logo através desta pescadinha de rabo na boca, assegura-se que só os “autores” do regime – isto é os que tem dinheiro e editores grandes por detrás tenham hipóteses de vender e de ser lidos.
  4. Logo o autor obscuro, não é inserido dentro de uma biblioteca.
Tal qual todo o autor dum qualquer país de leste antes de 1989.
  1. Agora o que muda são as maneiras de fazer as coisas.
  2. É assim que se condicionam pessoas a aceder a cultura.
  3. O mais estranho é que como vem da Europa ninguém ache isto anormal.
  4. Que ninguém perceba que isto mata editoras locais; isto é portuguesas;
  5. que ninguém perceba que isto ataca qualquer especificidade literária de um país como este;
  6. e com o tempo, isto dilui até fazer desaparecer qualquer forma de escrita feita em português.
  • Isto é uma jogada criada e concebida para atacar culturas de menor expressão, ou países mais fracos.
  • Países esses que nunca terão qualquer hipótese no actual esquema económico mundial, de concorrer em termos de igualdade com outros.

Pelo meio ainda temos traidores e patrocinadores disto. As SPA´s cá do sítio. As pessoas como o Huxley diz, têm que ser felizes amando a sua servidão. Viva a Europa que nos traz a servidão. Trouxe-nos a paz , dizem os seus defensores e agora traz-nos a servidão. Que bom. Estou tão feliz.

 

POSTER EMPRÉSTIMO PAGO NAS BIBLIOTECAS-NÃO

A PETIÇÃO ONLINE PODE E DEVE SER ASSINADA AQUI

To: Governo Português e Comissão Europeia Em defesa do empréstimo público nas bibliotecas portuguesas!

A Comissão Europeia, a 16 de Janeiro de 2004, decidiu pedir a formalmente informações a Espanha, França, Itália, Irlanda, Luxemburgo e Portugal no que se refere à aplicação a nível nacional do direito de comodato público harmonizado nos termos da Directiva 92/100/CEE relativa ao direito de aluguer, ao direito de comodato e a certos direitos conexos aos direitos de autor em matéria de propriedade intelectual.
Isto significa que há o risco de ser instituída uma taxa sobre o empréstimo de livros e outros documentos nas bibliotecas portuguesas, sejam elas públicas, escolares, universitárias ou outras.
Num país como Portugal, em que as dificuldades económicas e os incipientes hábitos de leitura dificultam o acesso de vastos sectores da sociedade ao conhecimento e à cultura, uma medida dessa natureza seria catastrófica, asfixiando os trabalhos em curso de promoção da leitura e constituindo um passo na direcção errada, no caminho da requalificação dos portugueses, para enfrentarem com sucesso os desafios da designada sociedade do conhecimento.
Estas medidas acabariam por «matar a galinha dos ovos de ouro» com efeitos nefastos para os próprios autores. As bibliotecas, caso tenham de desviar parte do seu orçamento para o pagamento de taxas por empréstimo, começariam a adquirir menos livros. Os autores deixariam de contar com as bibliotecas para divulgar as suas obras. Deixariam de contar com as bibliotecas para adquirir as suas obras. No mercado livreiro português, com tiragens que raramente ultrapassam os 3000 exemplares, as bibliotecas representarão, em muitos casos, pelo menos 10% das vendas.
Acompanhando o movimento europeu de contestação a esta tomada de posição da Comissão Europeia, a Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas – BAD, solicita a divulgação / e apoio ao presente manifesto, exigindo ao Governo de Portugal que mantenha as isenções relativas a Bibliotecas, Arquivos e Museus, contempladas no Decreto-lei nº 223/97, de 27 de Novembro.

PETIÇÃOBIBLIOTECASPETIÇÃOBIBLIOTECAS

E ISTO AINDA CONTINUA…

BIBLIOTECAS,EMPRÉSTIMO PAGO.NÃO!. 2º

leave a comment »

Ontem, dia 13 de Fevereiro de 2008 foi republicado uma parte de um post sobre a abstrusa ideia neoliberal de fazer pagar os empréstimos de livros em Bibliotecas Públicas como forma de compensação por “Direitos de autor”.

Uma magnifico post com citações de Aldous Huxley, como por exemplo: “o problema que consiste em fazer amar aos indivíduos a sua servidão.”

Mas também, citações a partir de um artigo sobre as recentes “reformas” do ensino da filosofia que visam rebentar com ela para fora dos currículos das escolas para ser substituida por pessegeiradas do eduquês, visando formar cretinos plastificados ainda mais do que já são.

CATAOALTERADO

E depois, tínhamos – num coup de foudre sublime e gongórico, a apresentação ao mundo neste blog (quer dizer, esta coisa que dá pelo nome de Dissidente-x) de uma deusa das bibliotecas que com 5 posts letais em Agosto/Setembro do ano passado-2007 assassinava como um ninja invisível, uma série de argumentos dos avençados do neoliberalismo e dos cães de fila jurídicos que defendem hoje uma coisa e amanhã defendem outra inteiramente oposta com a maior cara de pau.

E ontem após a digressão Huxley e a digressão “Centro para o ensino da filosofia” entrávamos nos dois primeiros posts da Temível deusa criatura bibliotecária que habita a Biblioteca de Jacinto.

No primeiro dos posts da super ninfa ninja ela escrevia que ( isto é só um resumo):

” «A Comunidade Europeia aprovou, em 1992, uma directiva relativa ao direito de comodato e a certos direitos conexos de autor em matéria de propriedade intelectual, passando as bibliotecas, museus, arquivos e outras instituições privadas sem fins lucrativos a ter que pagar pelo empréstimo público dos seus documentos abrangidos por estes direitos de autor. “
No segundo dos posts a boa alma MCA ( Nome de código ” a Deusa ninja das Bibliotecas”- mais patético e desesperado assédio por post de blog que isto, não se pode ser…), após ter enunciado a situação no primeiro post induzia-nos numa falsa sensação de segurança no segundo post.

Pensávamos nós que íamos para uma calma passeata pelo rio fluído das palavras, mas não.

De repente transmutava-se e começava a descascar pessegueiro na sociedade portuguesa da máfia de autores e no seu representante legal jurídico etc e tal o senhor João Laborinho Lúcio que, se não estou em erro, foi um cromo que foi ministro da Justiça do Padre Cura António Guterres durante 4 anos conseguindo notabilizar-se por nada fazer na área.
Um pequeno excerto retirado do post da ninja bibliotecária, do Lúcio Jurista, em acção retórica:

“…A criação não procede do nada, o criador, em especial o criador de obras literárias e artísticas, tem pelo mesmo acto da criação uma incoercível necessidade de que a sua obra seja difundida e conhecida.”

Estão a ver, calhaus? Suas Bestas, então não apreciam o sublime?

Quo Dixit esta verborreica mistelum de sabores fragrantes é o ilustre jurista que, dotado duma incoercível necessidade de ir até à casa de banho difundir os seus fluidos corporais em excesso, teve um súbito momento de inspiração que não procedeu do nada e difundiu a sua obra. Oscultando a sua lembrança mnemónica interiorizada de que a expressão incoercível necessidade dava estilo, pose, garbo e alho francês para justificar uma argumentação vazia de significado mas plena de som harmonioso como decibéis sexys.

Observemos agora, em acção, num outro caso celebre, o Jurista Lúcio, em foto prisional – masmorra:

catao2

E eu diria mesmo mais, por Delenga Carthago, mas não sendo o Grande Catão, que a MCA disse que:

Ao post número 3 esta alma caridosa decide procurar autores, os verdadeiros e genuínos e dar-lhes a palavra. Quando os encontra após uns 5 segundos de um esforço extenuante de leitura do Jornal Público isso possibilita-me citá-la, mais uma vez. Alvissaras, senhor alvissaras…:

“””Como parece que os lesados pela não cobrança de taxas de empréstimo nas bibliotecas são os autores – pelo menos é essa ideia que faz passar a Sociedade Portuguesa de Autores – eu perguntei-me qual seria a opinião dos ditos autores em relação a isso. E eis o que que encontrei aqui (os destaques são meus):

«Escritores questionam taxa às bibliotecas
Daniel Rocha/PÚBLICO

«A não aplicação da taxa sobre os empréstimos nas bibliotecas públicas motivou, em Janeiro passado, um puxão de orelhas da Comissão Europeia a Portugal.
«Em vésperas do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, que se celebra sexta-feira, a possibilidade de as obras requisitadas pelos leitores passarem a ser taxadas às bibliotecas não recolhe a simpatia dos escritores.
«O poeta José Manuel Mendes diz-se “favorável a todos os mecanismos de composição de interesses que tendam a assegurar os direitos dos autores”, mas afirma ser inadequada “a cobrança de qualquer montante tal como se acha preconizado”””

  • NOTA: neste post fala-se também de bookcrossing e da tentativa (encapotada) de começar também a cobrar por aí – um dos incentivadores do bookcrossing dá logo o toque a dizer que não acredita que o bookcrossing prejudique autores.
  • O poeta José Manuel Mendes, que, para quem não sabe, é comunista, pertence a SPA salvo erro e foi também, ao que julgo saber, um membro da famosa ala renovadora do PCP lá pelos idos de 90. Foi também deputado muitos anos….

Avançando para a 4ª incursão a sublime alma que fez este post começa a partir pedra.

Suavemente, com a suave delicadeza de uma espada japonesa a cortar seda fina, mas parte pedra. Obrigado; ò suave mineira da palavra pelo prazer que me proporcionaste ( esta última frase; é claro que se enquadra na mais torpe e abjecta tentativa de assédio sexual “por post de blog” – uma nova forma de crime nas nossas sociedades contemporâneas afectadas pela globalização…)

“””O que o n.º 3 do artigo 6º do DL 332/97 diz é que «O disposto neste artigo não se aplica às bibliotecas públicas, escolares, universitárias, museus, arquivos públicos, fundações públicas e instituições privadas sem fins lucrativos».

Isto significa que todas as empresas que desenvolvem investigação científica e tecnológica – como a indústria farmacêutica e dermocosmética, a indústria automóvel, a indústria da construção, etc. – e que têm, naturalmente, centros de documentação – não estão abrangidas por esta isenção.
Os escritórios de advogados que emprestam livros aos seus colaboradores não estão abrangidos pela isenção.
Também as grandes empresas que dispõem de infraestruturas de apoio ao lazer dos seus funcionários – ginásio, creche, piscina, biblioteca – não estão abrangidas pela isenção.
Se um café organizar uma tertúlia cultural e emprestar livros ou filmes aos seus clientes, não está abrangido pela isenção.
Os hotéis que têm biblioteca e emprestam livros ou filmes aos seus hóspedes, não estão abrangidos pela isenção.
Uma livraria que tenha uma secção de livros usados ou em mau estado e que faça empréstimo aos seus clientes, não está abrangida pela isenção.
Os hospitais que têm biblioteca e fazem empréstimo aos seus pacientes internados, não estão abrangidos pela isenção.
Os lares e residências para a 3ª idade que têm biblioteca e fazem empréstimo aos seus residentes não estão abrangidos pela isenção.
Os SPA’s, centros de férias, parques de campismo e outros espaços de lazer que têm biblioteca para os seus clientes, não estão abrangidos pela isenção.
Os visitantes da BdJ lembrar-se-ão, certamente, de outros casos.”””

Nesta altura interrompemos o post e as citações do anterior post para mostrar uma violenta acção de luta feita por dois terroristas paquistaneses que entraram em Espanha visando Portugal, mas foram lá presos, contra os direitos de autor na nossa bem amada pátria.

POSTER EMPRÉSTIMO PAGO NAS BIBLIOTECAS-NÃO

Após a acção de luta que a Nato e a Onu já desenvolveram contra os terroristas, que atacam os pobres autores, passemos ao resto do post.

Em que, escrevia eu em Agosto/Setembro passado, a Ninja de espada afiada que corta seda e foi alvo de assédio por post de blog – uma manobra torpe e vil da minha parte ( mas o que é que querem, o blog chama-se “Dissidente-x”, e não “Querido-x” ou “Fofinho-z”), era merecedora das minhas afirmações que eram que:

« Ou seja, separa o trigo do joio relacionado com mais esta treta europeizada, com mais esta vigarice apenas inventada para sacar dinheiro de forma ilegitima e acima de tudo – no caso português isso será notório – matar completamente as bibliotecas e a profissão de bibliotecário;

« Afinal de contas são coisas que custam dinheiro e pior ainda até fornecem cultura ás pessoas e nós estamos a entrar numa sociedade que abomina e ataca o conhecimento e a preparação das pessoas.

E nesta altura é necessário dizer que isto CONTINUA noutro post.
Nesse outro post a MCA, essa ninfa dos incunábulos subliminares trabzonspóricos cognoscíveis ortorómbicos, (Tradução: Assédio por post de blog através do uso de palavras que ninguém percebe…eu incluído) parte a loiça toda e mais ainda, faz um sexto post que também será dissecado.
Lá para sexta feira dia 15.
E por Delenga Carthago, assim falava o grande Catão, e o grande Lúcio Laborinho, senti uma incoercível necessidade de postar uma última imagem do nosso jurista surpreendido facialmente com um esgar melancólico, pelos meliantes que não defendem os direitos de autor.

cataoalterado2

BIBLIOTECAS. EMPRÉSTIMO PAGO. NÃO! 1º

leave a comment »

Num anterior blog que eu fazia, já desactivado há uns meses atrás inseri o post mais abaixo sobre mais uma ideia abstrusa neoliberal – que se pagasse pela requisição de livros em Bibliotecas Públicas. Supostamente para “defender os autores”, esses oprimidos pela cópia e pela fotocópia das suas obras.

Para as pessoas que andam a pairar pelos vestíbulos deste blog recordo algumas coisas, a vários meses de distância e republico, embora alterado, o texto original derivado do blog que lhe deu origem e da autora do mesmo.

No Dissidente-x AQUI falou-se do assunto embora de forma relacionada.

A forma relacionada é o caso dos corajosos encerramentos dos P2P portugueses feitos pelas nossas briosas autoridades. As mesmas que nos deixam sempre tão seguros quando as vimos a actuar. Os encerramentos foram, supostamente efectuados, porque se «estaria a fazer pirataria» e a «violar em massa direitos de autor» e a pátria bem amada não tolera isso. Qualquer outro crime, sim, os direitos de autor é que não.

As máfias do direito de autor estão ao serviço de uma política e tem objectivos.

  1. Garantir chorudos rendimentos para se continuarem a sustentar, falando em “nome” de autores.
  2. Querem também garantir que só acede à cultura – qualquer tipo de cultura – quem essas máfias querem que aceda a cultura.
  3. O poder de decidir quem acede à cultura está a ser disputado pelos auto nomeados representantes do direito do autor”.
  4. Constitui, pois, uma evidência que o autor – ele mesmo – não é tido nem achado para isto; que é lá isso de o autor ter opinião acerca disto?
  5. E o consumidor? Nem pensar…o consumidor…esse então, é que nem pensar mesmo…

É uma lógica também mais vasta e estrutural que aqui está, visando criar um homem novo. Basicamente um «homem novo» que seja estúpido que nem uma porta e aplainado como um pneu.

Para aumentar a confusão deste post passemos a Aldous Huxley– “Livro Admirável Mundo Novo“, Editora Livros do Brasil, Sem Data, comprado, numa clara violação dos direitos de autor num Alfarrabista de Lisboa, chamado Livraria Barateira, por 650 escudos, prefácio, Página 16, numa grosseira violação dos direitos de autor, apesar do tipo já estar a fazer tijolo há 50 anos, o seguinte:

OS mais importantes Manhatan Projects do futuro serão vastos inquéritos instituidos pelos governos sobre aquilo a que os homens políticos e os homens de ciência que neles participarão chamarão “o problema da felicidade” – noutros termos:o problema que consiste em fazer amar aos indivíduos a sua servidão.

Sem segurança económica não tem o amor pela servidão nenhuma possibilidade de se desenvolver; admito, para resumir, que a toda poderosa comissão executiva e os seus directores conseguirão resolver o problema da segurança permanente.

Mas a segurança tem tendência para ser muito rapidamente considerada como caminhando por si própria. A sua realização é simplesmente uma revolução superficial, exterior. O amor à servidão não pode ser estabelecido senão como resultado de uma revolução profunda, pessoal, nos espíritos e nos corpos humanos.

Para efectuar esta revolução necessitaremos, entre outras, das descobertas e invenções seguintes: Primo – uma técnica muito melhorada de sugestão, por meio de condicionamento na infância e, mais tarde, com a ajuda de drogas, tais como a escopolamina.

Secundo – um conhecimento cientifico e perfeito das diferenças humanas que permita aos dirigentes governamentais destinar a todo o individuo determinado o seu lugar conveniente na hierarquia social e económica – as cunhas redondas nos buracos quadrados (expressão metafórica inglesa que designa um individuo que está num lugar que não lhe é próprio. Nota do Dissidente-x, tradutor/violador dos direitos de autor deste texto….) possuem tendência para ter ideias perigosas acerca do sistema social e para contaminar os outros com o seu descontentamento.

Tertio ( pois a realidade, por mais utópica que seja é uma coisa de que todos temos necessidade de nos evadir frequentemente) – um sucedâneo do álcool e de outros narcóticos, qualquer coisa que seja simultaneamente menos nociva e mais dispensadora de prazeres que a Genebra ou heroína.

Quarto – (isto é um projecto a longo prazo,que exigirá, para chegar a uma conclusão satisfatória,várias gerações de controle totalitário – um sistema eugénico perfeito, concebido de maneira a standardizar o produto humano e a facilitar assim, a tarefa dos dirigentes …

Na verdade a menos que nos decidamos a descentralizar e a utilizar a ciência aplicada não com o fim de reduzir os seres humanos a simples instrumentos , mas como meios de produzir uma raça de indivíduos livres, apenas podemos escolher entre duas soluções: ou um certo numero de totalitarismos nacionais” ……”e como consequência a destruição da civilização ….” ou um único totalitarismo internacional , suscitado pelo caos social resultante do rápido progresso técnico em geral … desenvolvendo-se sob a pressão da eficiência e da estabilidade, no sentido da tirania – providencia da utopia. É pagar e escolher.

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO-ALDOUS HUXLEY-CAPAADMIRÁVEL MUNDO NOVO-ALDOUS HUXLEY-CAPA

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO-ALDOUS HUXLEY-CAPA

Ora descobre-se que o processo de fazer iniciar os indivíduos à sua servidão já começou, e, em larga escala. Especialmente num país como Portugal sempre propenso a cultivar a filosofia do “chefe”.

E como se processará uma dessas suas etapas, de levar os indivíduos até à servidão? Simples.

Atacar as fontes do conhecimento e, mais importante, o acesso às mesmas.

É uma mistura – também – de neoliberalismo na parte económica, ( tudo deve ser pago pelo consumidor independentemente de se saber se pode ou não pagar e se é “lógico” pagar) com totalitarismo na parte política da decisão em questão.

Fazer os indivíduos amar a sua servidão desprovindo-os dos meios para dela sairem e destinar a todos os indivíduos determinados o seu lugar conveniente na hierarquia social e económica.

Pequenos ( grandes passos já foram dados).

Exemplo de um pequeno primeiro passo:

  • “””As ameaças que desde sempre pesam sobre a Filosofia acabam de ser reactualizadas na escola portuguesa (mais propriamente, no ensino secundário) sob a forma da extinção dos exames no 11.º ano e a passagem a disciplina opcional no 12.º. Foi sob a forma de um lapso que o Ministério da Educação mostrou, em 2002, que a Filosofia estava excluída dos seus cálculos.”””

Exemplo de um segundo pequeno passo:

  • O segundo momento da liquidação chegou em Dezembro de 2005, quando o secretário de Estado da Educação anunciou que neste ano lectivo de 2006/2007 chegariam ao fim os exames nacionais de Filosofia no 11.º ano (muito embora se mantenha como obrigatória a disciplina no 10.º e no 11.º). A condição que a Filosofia adquiriu no ensino secundário faz com que as universidades (que, ameaçadas pela falta de alunos em muitos cursos, não se podem dar ao luxo de grandes exigências) prescindam dela como disciplina específica. Para perceber o que isto significa na desqualificação institucional da Filosofia, temos de saber que ela era requerida por mais de trezentos cursos (contando obviamente todos aqueles que, tendo muito embora o mesmo nome — como, por exemplo, Direito —, se multiplicam por diferentes universidades) e que agora já nem sequer é exigida a quem entra no curso de Filosofia.
LER AQUI ARTIGO COMPLETO.
E agora temos mais um pequeno passo – nesta magnífica conjugação de esforços entre a Europa e os avençados da mesma em Portugal. Tudo isto até agora parece algo esotérico, não?
Observe-se.
Post número 1 de uma alma esclarecida. Transcrevo uma parte. agradecia que o lessem todo.

“”””«A Comunidade Europeia aprovou, em 1992, uma directiva relativa ao direito de comodato e a certos direitos conexos de autor em matéria de propriedade intelectual, passando as bibliotecas, museus, arquivos e outras instituições privadas sem fins lucrativos a ter que pagar pelo empréstimo público dos seus documentos abrangidos por estes direitos de autor.
«Depois de algumas intervenções em defesa pelo não pagamento, e lembro a famosa petição portuguesa em favor do empréstimo público gratuito nas bibliotecas, patrocinada pela BAD (Associação de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas), com 20.000 assinaturas em 2004, a situação é de condenação pelo Tribunal de Justiça da União Europeia sobre Portugal que isentou todas as categorias de estabelecimentos que praticam o comodato público da obrigação de pagar aos autores.”””

  • Temos portanto que pagar devido a estarmos na Europa para lermos livros pedidos emprestados em bibliotecas públicas – segundo a Europa.
  • Espero que as pessoas percebam porque – entre muitas outras – estou contra o actual Tratado Europeu e o modelo de “Europa”.
  • Repare-se na data da Directiva. 1992. Curiosamente o ano da assinatura do acidente Tratado de Maastricht e um ano após o final da implosão dos regimes de leste.
  • Esta directiva é neoliberalismo económico puro, e foi – «legalmente» a partir de Maastricht que os neoliberais se começaram a sentir logo autorizados a fazer com que as coisas começassem a ir para onde estão – e onde estão não é um bom sitio para estarem.

Adiante que se faz tarde.

A boa alma MCA continua aqui em baixo no post número 2, (leiam todo se faz favor) fazendo o amável favor de citar o jurista/defensor/cruzado/paladino da máfia da SPA, a associação de defensores dos direitos dos que se auto nomeam defensores dos direitos do autor:

“””«Contudo, não foi isso o que aconteceu: “A forma como o legislador nacional ampliou a exclusão de não remunerar o direito exclusivo de comodato não a determinadas categorias de estabelecimentos, como impunha a directriz, mas a todos os estabelecimentos que promovem o comodato público é, em nosso entender, claramente violadora dos direitos dos autores porquanto estes, em circunstância alguma, vêem a utilização pelo comodato do seu trabalho criativo remunerada” – acrescentou JLL.”””

  • O paladino jurídico argumenta que o legislador nacional terá ampliado a exclusão de entidades que não pagariam sobre empréstimos.
  • Malandros. Canalhas. Biltres!
  • Mas o defensor da fé pago pela SPA irá repor a ordem e a justiça.

É uma vergonha.
Se fosse eu que mandasse isto não seria assim.
O que precisamos é de um novo Salazar.
As últimas 3 frases sou eu, obviamente, a gozar com os motoristas de táxi, os verdadeiros agentes culturais deste país.

CONTINUA…

    NOVOS CÃES DE GUARDA. SERGE HALIMI. Jornalismo.

    leave a comment »

    Titulo: “Os novos cães de guarda”

    Autor: Serge Halimi, jornalista do Le Monde Diplomatique.

    Editora: Celta editores

    Publicado em 1998 com o preço de 8 euros. Contudo em feiras do livro ou no Mercado da Ribeira do livro usado, pode-se ainda encontrar a 1 ou 2 euros. Não é dinheiro desperdiçado gastar 1 ou 2 euros neste livro.

    Tema: o jornalismo e a sua subversão ao serviço da ideologia. Feita por grupos económicos, donos de meios de comunicação. E de como assim fazem propaganda em proveito próprio – agradável a si mesmo e de como os jornalistas de topo se prestam e se vendem a isso.

    O livro começa com uma citação do filósofo Paul Nizan:

    “Não aceitaremos eternamente que o respeito consagrado à mascara dos filósofos acabe por servir apenas para reforçar o poder dos banqueiros.”

    HALIMI1

    O livro apresenta no fim um índice remissivo bastante extenso para artigos de jornal, emissões radiofónicas, datas, edições de outros livros que servem de prova e como comprovativo daquilo que o autor afirma – à data da feitura do livro.

    A citação de Paul Nizan e o título do livro de Halimi derivam de um ensaio que o filosofo Paul Nizan escreveu e publicou em 1932. O ensaio era um recado destinado a um outro filosofo do seu tempo que “pretenderia dissimular sob um punhado de conceitos grandiloquentes a sua participação na actualidade impura do seu tempo” – página 1 da introdução. Partindo daqui, Halimi descreve que: “ os simuladores dos nossos dias dispõem de um microfone e de uma câmara para falarem de cátedra”.

    São “encenadores da realidade social e política, interna e externa, deformam-na continuamente. Servem os interesses dos senhores do mundo .São os novos cães de guarda. No entanto proclamam-se contra poder… Página 1

    Halimi continua ao longo dos capítulos, explicando como o contra poder( isto é a imprensa) na realidade se desvaneceu tornando-se a favor do poder, e de como deixou de ser contra poder para fazer fretes ao verdadeiro poder, ou tornar-se parte do poder. A técnica de escrita é “completamente nervosa”, quase panfletária com imensos pormenores e comparações. Halimi demonstra que, os jornalistas, pelo menos na França da época em que o livro foi escrito estavam, na realidade, ao serviço de grupos económicos – grupos esses que tendo um core business diferente, tem, também, jornais e televisões. Logo influem directamente sobre o que é publicado. Isto porque a informação – segundo este conceito anti democrático – deixou de ser informação e passou a ser um produto como qualquer outro, logo susceptível a truques de mercado e a promoções. O jornalista segundo Halimi dispõe de pouco mais poder que uma caixa de supermercado sobre aquilo que produz, sobre o produto que fornece. São as estratégias do seu empregador – mesmo que essas estratégias estejam contra a democracia, que valem.

    Não o acto puro do jornalista em informar; em fazer jornalismo “puro”.

    Halimi descreve o processo. Nós cá em Portugal conhecemos bem isto.

    Dá o exemplo na página 13, de Jean Marie Cavada, jornalista que além de ser responsável pelo programa politico semanal da France 3 (à época) e por uma crónica filosófica, na France Inter acaba de ser nomeado também presidente de um novo canal educativo. Halimi ironiza acerca de Cavada, quando este entrevista Jaques Chirac , um candidato que tinha sido previamente ostracizado pelos média… cito: “senhor de tantos talentos” (filosofo, jornalista, educador, produtor) JM Cavada não hesita e faz a pergunta que todos esperam “quantas variedades de maças seria capaz de me recitar ,Sr chirac”.

    Isto à propósito da candidatura de Chirac a presidente.

    Profundo, Arrebatador, estrondoso.

    Halimi descreve também, no livro, todo o ambiente de auto censura das vedetas jornalísticas francesas, de como se tentam fazer candidatos, e puxar por esses mesmos candidatos, mesmo que as sondagens nada dêem de relevante a favor desses candidatos, e de como esta imprensa corrupta e dócil muda rapidamente de tom, quando isso se percebe e o publico/eleitores não passa qualquer tipo de importância a um candidato – Halimi explica como tudo isto se faz…etc.

    Explica por exemplo, as omissões da imprensa de referencia, que não conseguiu ver e noticiar que Mitterrand, tinha uma filha ilegítima, que Mitterrand tinha cancro e ocultou isso desde o seu primeiro mandato. De como ia todas as semanas conferenciar com um ex conhecido pessoal dos tempos da republica de Vichy a casa deste, um torcionário da pior espécie. (Cá eu Portugal tivemos Sampaio e os seus problemas de coração e penso que temos Cavaco com Alzheimer ou lá perto…não podemos afastar-nos da Europa e dos métodos que esta segue…)

    O livro explica também toda a mistificação à propósito da aprovação /ratificação do tratado de Maastricht, de como toda a imprensa se pós por detrás da aprovação do tratado. Halimi explica – com dados – que em numerosos debates sobre a aprovação do tratado existiam, por exemplo, dois jornalistas a debater, mas eram ambos a favor do SIM tratado. Tudo isto é apresentado como sendo profundamente democrático, claro….

    Os adeptos do NÃO a Maastricht, mesmo que fossem democratas de pura gema, eram sempre apresentados como perigosos radicais esquerdistas ou outra coisa pejorativa qualquer.

    Explica também a forma como a reverencia jornalística ao dinheiro se processa, com artigos inflamados e opiniões favoráveis a magnatas da imprensa ou da industria. Depois descreve situações em que, por exemplo, existe um qualquer caso de corrupção que é apenas noticiado em 10 segundos sendo depois submergido num mar de noticias banais. Assim toda a gente esquece. Depressa. Em Portugal exemplo; caso Casa Pia, que apesar de não ser um caso económico, continua a ser julgado, mas desapareceu misteriosamente das noticias.

    Explica ainda o pensamento único e a técnica dos jornalistas para o servirem. Claro que ao nível da maior estupidez. Um exemplo – página 46 Cito: ” os atletas nacionais obtêm maus resultados nos jogos olímpicos de Inverno? Olivier Mazerrole, director de informação da RTL ,sugere uma explicação inesperada: “os franceses não são bons desportistas porque temos o hábito do estado providencia”.

    Cito também uma frase da página 53 de Halimi, que cita outra vez Paul Nizan: “O Sr Michelin tem de fazer crer que só fabrica pneus para dar trabalho a operários que, sem ele, morreriam de fome”.

    Isto para levar à demonstração de como a colonização ideológica das rubricas económicas nos jornais (estava) está em movimento. A técnica é muito simples.

    Existe o liberalismo, que é o presente (apresentado como tal) e existem os arcaísmos, (apresentados como tal) que são as condições sociais, o estado social.

    Halimi dá ainda inúmeros exemplos de jornalistas a proferirem teorias destas, completamente neoliberais e mais ainda a auto glorificarem-se como sendo “pessoas que vão contra a corrente” e que são ousadas …A técnica é simples:

    Modernidade.

     

    1. comercio livre,
    2. moeda forte,
    3. privatizações,
    4. desregulamentações,
    5. Europa.

     

    Arcaísmo:

     

    1. Estado providencia,
    2. sindicatos ( porque são corporativos – por oposição ás associações patronais que não são corporativas…),
    3. nação ( nacionalista),
    4. sector publico ( monopólio)
    5. e povo ( demasiado populista).

    Halimi escreve ainda que foi a confluência ideológica da esquerda e da direita que levou às desregulamentações e privatizações e que isto, sobre o caso especifico do jornalismo levou a uma barragem ideológica feita pelos principais jornalistas /jornais para promover isso mesmo.

    Também explica como se manipulam os cidadãos relativamente a conflitos sociais. Exemplo: uma qualquer greve/ conflito que aconteça. Quando não existem greves e coisas do mesmo estilo raramente vemos noticias sobre desempregados e sobre as dificuldades que estes passam. Quando existem greves – de repente – os sem abrigo e as preocupações com as pessoas que tem dificuldades em chegar ao emprego saltam para as primeiras páginas dos jornais.

    À pagina 83 do livro surge Bernard henry Levi ou BHL..

    Actualmente (2006) BHL escreveu uma treta qualquer em que, pedante e medíocre como é, tentou recriar a viagem que Alexis de Tocqueville fez há 200 anos pela América da qual resultou o livro “Democracia na América”. BHL peneirento e auto promovendo-se, não faz por menos e fez o mesmo. Mas convenhamos: BHL não é nenhum Tocqueville.

    Mas já em 1992, para dar um exemplo, BHL e o jornalismo de sarjeta ridículo andavam de mãos dadas. Na altura o tema do momento era a Bósnia. BHL explora sempre os temas do momento para demonstrar a vacuidade do que lhe sai para fora – BHL explora o filão que esteja a dar.

    Transmutou-se de cineasta fazendo um filme chamado Bosna. Paralelamente, para gerar o que actualmente se chama marketing viral ou “Buzz”, mas naquela se chamava “ocupar mais do que um canal de distribuição”, o nosso BHL fez aquilo que os liberais estilo blog blasfémias cá da paróquia nunca terão coragem de fazer: lançar um pseudo movimento politico. Cria uma coisa chamada “Movimento Sarajevo”. Conhecido por lista Sarajevo…para concorrer à eleições e “dar uma volta nisto”( sendo isto a notoriedade de BHL e a sua conta bancária)

    Halimi descasca isto tudo.

    Conta Halimi, que um jornalista ( François henry de Virieu) aconselha em directo as pessoas a irem ver o filme. No programa politico da France 2. Halimi goza e passo a citar ”… recém chegado( BHL) do festival de Cannes, profetiza: “ o cimento social está a abrir brechas”. Isto a 15 de Maio de 1994.

    No mesmo dia às 19 horas, a 3 cabeças de lista às eleições europeias no programa 7 sur 7, é-lhes pedido que comentem (por Anne Sinclair – jornalista…) algumas imagens do filme Bosna.( De BHL)

    O filme é comparado a “l`espoir de André Malraux.. Como diz Halimi ” o 7 sur 7 acha que é preciso ir vê-lo”. Depois anuncia a existência da tal lista Sarajevo – qualificada de “lista dos intelectuais”.Deus nos salve desta gente, escrevo eu, e nem sequer acredito em Deus… O mais espantoso é que numerosos intelectuais tinham tomado posição contra a iniciativa…. Halimi diz que o nome da revista “regle du jeu” dirigida por BHL foi citada umas centenas de vezes nesse programa.

    No dia 16 Maio de 1994 – dia seguinte, BHL é convidado duma única estação – France inter e em quatro programas diferentes…é o centro das atenções.

    Ao dia 19 de Maio, Laurent Jofrin, chefe então do Nouvel observateur considera que BHL “ renova a maneira de praticar a politica, obrigando o Estado e a politica a mudar.”E acrescenta que “ é precisamente para este tipo de correntes que a esquerda deve orientar-se”..HALIMI2

    Dois dias depois a 21de Maio de 1994, uma jornalista chamada Catherine Pegard não esconde a admiração falando do êxito do filme Bosna, no seu programa hora da verdade cito “ o escritor marca o despertar de uma certa consciência europeia”

    Pergunto: alguém a viu por aí? ( A consciência…)

    Cito de novo Halimi: “A 29 de Maio, no 7 sur 7, apesar de algumas sondagens não atribuírem mais de 4% de votos à lista Sarajevo ( que obterá sem o apoio de BHL, 1.56), a jornalista Anne Sinclair anuncia ”a lista dos intelectuais altera profundamente os dados eleitorais, altera o panorama das eleições europeias”

    Passemos adiante para Novembro de 1994 – BHL, como a teta da vaca chamada Bósnia, já não estava a dar, vira-se para o integrismo e lança um ensaio. Halimi explica que volta a merecer um “tratamento mediático generoso”

    7 sur 7, clube de imprensa da Europe 1, primeira pagina do Le monde. Em 1997 é a apoteose, quando sai o seu segundo filme “La jour e la nuit. – co – produzido pela televisão publica e por Jean Luc lagardere ( o tipo, à época, dono da Matra racing e de uma empresa de armamento francesa, creio que a Thompson…actual Thales-thompson, salvo erro) …primeiras páginas do Le point, Paris Match, Le Fígaro, Evenemeunt de Jeudi, Figaro, Da madame fígaro. Os do Nouvelle Observateur já vários meses antes tinham sido alertados para a gestação da obra.. Pelo meio BHL que tinha um programa/coluna de jornal ou lá o que é… chamado “Bloc de notes semanal onde também se propagandeava a si mesmo.

    Já no magazine l`express, pode-se encontrar na revista uma dupla pagina intitulada” as notas de rodagem de BHL. Autor: o próprio BHL…

    Apesar desta barragem de propaganda acerca do “ Grande filosofo” , o publico que não vai em grupos, devota total indiferença à magnifica obra de BHL

    Halimi nota que apesar de tudo os críticos de cinema, não foram em cantigas e desancaram a obra. O senhor filósofo fica amargurado e no seu bloc de notes escreve amargurado ”fim do reinado do dinheiro louco”. Já agora, a brincadeira BHL – o filme custou 53 milhões de francos – custeados pelos Estado francês e pelo empresário privado saiu mesmo cara..

    E a partir daqui Halimi explica como existem lugares privatizados mediáticos arranjados – de facto – para os BHL´s de França e de como 540 mediocratas decidem sobre a vida e a morte de 40 mil autores de livros com as suas criticas arrasadoras ou não.

    Portanto é de ler para ser ter uma ideia do que é o jornalismo actual.Ali está a génese da coisa.

    Written by dissidentex

    07/12/2007 at 14:55