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REVISTA VOGUE.

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GISELE-LEBRON JAMES-REVISTA VOGUE

Nos Estados Unidos surgiu uma polémica recente sobre a capa da revista Vogue relativa à edição de Março 2008.

A polémica foi a escolha de capa feita pela revista e de como isso foi visto como um aproveitamento de uma situação.

A revista foi acusada de se aproveitar para incitar ao racismo e por tentar capitalizar isso mesmo em vendas, e notoriedade e a situação foi amplificada devido ao ambiente social/político norte americano, em plenas eleições.

Nessa capa apareciam duas pessoas. O basquetebolista Lebron James, um preto de mais de 2 metros de altura, e a modelo loura brasileira Gisele Bundchen.

Lebron segura Gisele com o braço esquerdo dando a impressão que a está a agarrar ao estilo de Fay wray.CAPA ORIGINAL DO FILME KING KONG DE 1932

FAY WRAYE quem foi Fay Wray?

Foi a primeira actriz a interpretar no cinema a heroína que era apanhada por King Kong no filme de 1932. A capa da Vogue suscitou clamores nos EUA pelo facto da pose escolhida ser a que é e, supostamente, copiar a pose de 1932.

Esta pseudo controvérsia apenas surge devido às eleições americanas e ao tema do racismo estar presente e ser sempre tema de aproveitamento. Ao lado, temos a imagem original da capa do filme…para estabelecer o contraponto.

Mas as semelhanças entre uma capa e outra são só isso mesmo: semelhanças…e vagas.

Contudo repare-se noutra situação algo diferente e que não suscitou o mesmo tipo de indignação, embora tenha suscitado alguma…

Uma situação em que uma revista, neste caso a GQ, também usou a capa como elemento promocional e de valor e pretendeu ganhar dinheiro com isso.

Mas que fez pior, muito pior.

Cedeu a pressões políticas de uma das candidaturas “democratas”às presidenciais, a de Hillary Clinton.

Cito uma parte da notícia do Diário de Notícias de 03- 10-2007

Bill Clinton vai mesmo ser capa da edição de Dezembro da revista norte- -americana GQ. Mas a história sobre as causas humanitárias a que se dedica o ex-presidente esteve em risco de não ver a luz do dia. Porquê? Para ter acesso a esse trabalho, a revista masculina teria de deixar de fora um outro, sobre as tensões que se vivem no interior da estrutura da campanha de Hillary Clinton à presidência norte- -americana. De acordo com o jornal The Politico, foi isso que a candidata propôs, e aquilo que a revista aceitou.”

A Revista GQ vendeu-se politicamente. A revista Vogue foi bastante criticada por algo, em termos de importância, bastante menor.

São interessantes retratos dos EUA, em pequenos pormenores, que revelam que o tal país da liberdade e da democracia, apenas o é, com bastantes excepções em certas coisas e na avaliação de certas questões.

O que é interessante é reparar nas excepções, para dessa forma, não comermos a papa que nos dão a comer.

É necessário sermos nós próprios a escolher a papa a comer.

TONY BLAIR.3.

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Continuação do artigo Tony Blair 1. e 2.

Hoje: Parte 3/3

No primeiro artigo falou-se de:

  1. Introdução feita com base num ensaio critico da Revista Marianne, nº 467 -Abril de 2006.
  2. Ponto 1 descritivo do livro de Phillipe Auclair sobre a visão conservadora de Tatcher e em que isso estava relacionado com o Blairismo.
  3. A ilusão do Blairismo e as comparações com a França, no ponto 2.
  4. O desemprego, os funcionários, públicos e a manipulação de estatísticas, no ponto 3.

No segundo artigo falou-se de:

  1. Análise feita por outros a Tony Blair e ao “perfume Blairista”- ponto 4.
  2. Na contabilidade pública criativa de Blair e Gordon Brown e de como as contas públicas inglesas são uma completa fraude – ponto 5.
  3. De notas laterais exemplificativas relativamente ao que se fez em Portugal
  4. De como as empresas privadas portuguesas e os interesses privados neo liberais estão à espreita.

PONTO 6.
Matemática e contas a esta trapalhada blairista toda.

Com todos estes malabarismos a Revista Marianne faz as contas a extensão da divida britânica:”644 + 1000 + 145 +30 =1819 milliards d´éuros”.

O correspondente ainda se diverte a gozar (a França é um paradigma de sabedoria em face destes resultados…) com os “declinológos franceses”.
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Nota lateral 1:
Os “declinológos” franceses são uma espécie intelectual que proclama que a França está a beira do desastre e que os franceses irão todos arder no inferno, porque a França tem uma divida publica de “1180 milliards de euros”.

Para se ter uma noção do que é um declinológo português que tem ganho muito dinheiro usufruindo dessa condição e do facto de ser membro da Opus Dei é favor ir até AQUI.
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A Grã-Bretanha, o novo paraíso de esquerda neoliberal na terra (e no mar e no ar, e na galáxia…) tem (tinha em 2006) uma divida de “1819 milliards de euros”.

Resta acrescentar que as estatísticas apresentadas pela revista e seu correspondente, são oficiais; do governo inglês e respectivas instituições que ainda por cima, as subvaloriza, e as martela a seu belo prazer. O correspondente menciona a consultora “watson wyatt.”para justificar dados e cita um estudo desta, recente( em 2006).

Os 30 milhões da conta em cima são (eram em 2006) o passivo da “network rail” a companhia de gestão privada dos caminhos-de-ferro, e os 145 milhões lá em cima são das famosas parcerias publico privadas entre o Estado inglês e os glutões privados.

Os 644 “milliards “são a divida oficial” (a que aparece nas contas, de forma visível); e os “1000 milliards” são os que não aparecem à vista, mas são divida à mesma.
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É o mesmo tipo de pulhice que se pretende fazer (já se faz) em Portugal na área da saúde, com as PP- parcerias Público-Privadas…nos hospitais…
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O LEGADO DE TONY BLAIR- THE TIMES

Comentando as contas Blairistas escreve o correspondente:
“Le Royaume uni vit dans un sorte d´amnésie du presente, qui peut passer pour de l´optimisme, mais ne est lé plus souvent qué une manifestation d´ignorance.
Tradução a martelo: ” O Reino Unido vive numa espécie de amnésia do presente, que pode passar por ser optimismo, mas que nada mais é do que uma manifestação de ignorância…

PONTO 7.

Ainda sobre o desemprego e forma como este é contabilizado e outras estatísticas:
Mais estatísticas aterrorizadoras: em Janeiro de 2006 existiam em Inglaterra 1.530.000 desempregados.
E também existiam 2.7 milhões de desempregados “não desempregados”.
Os tais que não entram nas estatísticas.
Não entram porque tem um certificado médico (fabricado administrativamente) a dizer que não são desempregados mas sim doentes ou incapazes de trabalhar. Em 1981 o número dos incapazes de trabalhar era de 600 mil.
Comparação em relação a dois países da Europa e vou citar:” au total, 2.7 millions de malades …en proportion deux fois et demie plus qu´en alemagne; quatre fois plus qu´en italie.
Tradução a martelo: no total, 2.7 milhões de doentes, em proporção duas vezes e meia mais que na Alemanha; quatro vezes mais que na Itália.
O correspondente nota que o “número de “malades” impossibilitados de trabalhar por certidão médica administrativa (fabricada) é maior nas zonas onde existiu desindustrialização e onde esta foi mais brutal. Bacias mineiras do País de Gales, Glasgow, arredores de Liverpool.
O correspondente faz as contas = 1.130 (milhões) malades e handicapés + 1530 (milhões) desempregados identificados como tal = 2660 000 (milhões) de desempregados.
Percentagem: 8.8 por cento de desempregados de população em idade de trabalhar.

O Eldorado neoliberal socialista de esquerda moderna, o refulgente altar para onde a esquerda portuguesa olha embevecida e com luxúria não conta com menos desempregados que outros países em situação semelhante de suposto declínio.
Foram é transferidos para uma categoria economicamente e socialmente mais aceitável.
O número de pessoas desempregadas, dos 25 anos aos 54 anos – idade de trabalho, em Inglaterra é de 8,6 %.
A média dos outros países da união europeia é (era) de 7.8 %, e DEPOIS do seu alargamento a 25 países, NÃO a 15 países.
Nunca o número de inactivos do sexo masculino foi tão elevado na Inglaterra desde 1971.
Brilhantes resultados da esquerda blairista…
Citação de um analista da Bloomberg ( uma casa de análise financeira norte americana, cujo proprietário é o actual Presidente da câmara de Nova York) ), transcrito na Marianne – Mathew Lymn ao propósito do desemprego: (le chômage) … est affaire de sémantique. Tradução: “O desemprego é uma questão de semântica…”
Mais: comparações com percentagens de riqueza:

  1. 1986 – Tatcher: 1 % da população detia 18% da riqueza.
  2. 2002 – Blair – ultimo ano estatístico publicado – 1% detinha 23% da riqueza.

Em percentagens de aquisição de casas: passa-se a mesma tendência.
25 00 Mortos de frio por ano.
Uma criança em 5 (20%) come menos de 3 refeições por dia.
O correspondente questiona, a propósito de um discurso de Blair em 1999 onde afirmava umas coisas bonitas acerca da erradicação da pobreza numa geração; a quantos anos corresponde uma geração para o primeiro-ministro inglês…
Mais: seis milhões que não têm roupa conveniente para se aquecerem no Inverno.
Dois milhões que não têm aquecimento no Inverno.
Também existem comparações com os ordenados de gestores: que desde 1993 não cessaram de subir astronomicamente mais os “fringe benefits”.
Dá um exemplo fantástico de um gestor do grupo PDG arcádia – gigante da distribuição inglesa que se atribuiu a si mesmo um dividendo de “1.75 milliard de éuros en octobre 2005”, mas o rendimento de exploração da companhia não representava senão um terço desse mesmo valor… e sobre o qual o tesouro britânico não cobrou nada.
O Sr. Phillip Green (ex-Ceo) tomou a precaução de fazer proprietário do grupo a sua esposa que tem o estatuto de residente monegasca, logo escapou ao imposto sobre o rendimento…

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Entrada wikipédia sobre Green:

“A UK resident, Green is based in the week at a London hotel, while his South African wife Christina is a Monaco resident with their children Chloe and Brandon, in a multi-million pound apartment.[3]”…

Tax avoidance

Despite being a prominent figure in UK retail and business, Philip Green has chosen to avoid paying tax in the UK. It is estimated that he and his family saved £300m in 2004-2005 by living partly in Monaco, where residents do not have to pay income tax.[10]

Worker rights

Arcadia has made almost no effort to make or demonstrate progress on paying many workers, both overseas and in the United Kingdom, more than a derisory wage and allowing them basic worker rights

Penso que é desnecessário traduzir.
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Escolas: 13 por cento dos adolescentes britânicos até aos 16 anos abandona a escola, 40% até aos 18 anos. Com blair o número subiu mais 2.7% para quem abandonou o sistema de ensino.

A maior parte das pessoas de 18 anos tem um nível inferior escolar ao que é a norma para quem tem 11 anos. Este défice de saber é acentuado com a idade.
PONTO 8.

A privatização das escolas ao serviço das empresas.

O correspondente também explica o “esquema” que o habilidoso senhor Mike Tomlinson – o chefe das escolas – engendrou.
Propõe que, a todos os estabelecimentos do ensino secundário, deveria ser oferecida a possibilidade de se tornarem “independentes ” e saírem do sistema oficial de ensino.
Para lá disso seriam “os directores” (os novos) que teriam o orçamento ao seus dispor (sem constrangimentos) para gerir estes estabelecimentos como quisessem e estes poderiam fazer a escala de salários dos professores e restante pessoal consoante a produtividade e a qualidade.
Sem que se saiba qual seria a efectiva qualidade a avaliar.

A jogada seria complementada com a escolha de alunos em função da sua “especialização” ou seja, na prática, de acordo com os fornecedores privados que tomariam conta destas escolas independentes, ou seja de acordo com as ideias de empresas privadas e não de acordo com um modelo geral de ensino.

Traduzindo: seriam as grandes empresas a gerir o ensino, mas não como escolas e empresas de educação, mas sim como futuros recipientes de fornecimento de mão-de-obra barata e somente com especializações próprias para essas mesmas empresas.

Seria por exemplo a Sonae lá do sítio a gerir escolas ou o Banco Espírito Santo ou a Portugal Telecom a gerirem escolas mas de acordo com as especificações requeridas somente por estas empresas.
Penso que se percebe a fraude totalitária que aqui está…
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Adenda: verificar ainda este artigo do Ricardo Alves, no blog esquerda republicana acerca de mais uma estupidez intensa do blairismo: a criação de escolas confessionais.

Escolas só frequentadas por hindus, ou só por muçulmanos, ou só por cristãos e de como isso gera fundamentalismo disfarçado de liberdade de ensino.

BLAIR CARTOON

Written by dissidentex

03/04/2008 at 12:32

TONY BLAIR.2.

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Continuação do artigo Tony Blair 1.

Hoje: Parte 2/3

No primeiro artigo falou-se de:

  1. Introdução feita com base num ensaio critico da Revista Marianne, nº 467 -Abril de 2006.
  2. Ponto 1 descritivo do livro de Phillipe Auclair sobre a visão conservadora de Tatcher e em que isso estava relacionado com o Blairismo.
  3. A ilusão do Blairismo e as comparações com a França, no ponto 2.
  4. O desemprego, os funcionários, públicos e a manipulação de estatísticas, no ponto 3.

PONTO 4.

Analise feita por outros a Blair no artigo.

O correspondente da Marianne serve-se de uma citação do filósofo Jamie White (Creio que um neo con, atenção…) – transcrição: «cês mots n´ont aucune signification. Ou, à tout le moins, pas de signification assez claire pour communiquer une information.Mais ils ont un parfum.
Tradução a martelo: “As suas palavras não têm nenhum significado.
Ou, de todas as formas, nenhum significado que seja claro para comunicar uma informação. Mas tem um perfume…”

O correspondente dá 3 exemplos de 3 palavras com “perfume Blairista”. (Em Portugal isto chamou-se, em tempos, «Deus, pátria, família»).

  1. «objectivos»,
  2. «progresso»,
  3. «modernização».

MAGOCRATAS

Também Gordon brown é descascado: “Blair et Brown, ou Luis Xiii et Richelieu, chacun entouré de sa coeur, de ses Pére joseph ,dês ses ou dês hommes du Cardinal.”
Tradução a martelo: Blair e Brown, Luis 13 e Richelieu, cada um rodeado da sua corte, dos seus “Pai Joseph”, dos seus mosqueteiros do Rei ou dos homens do Cardeal.

O correspondente da Marianne explica o porquê desta aura.

O (1) excedente orçamental deixado pelos conservadores em 1997 (quando saíram do poder) conjugado com (2) a venda das licenças aos operadores de telemóveis 3G em 2000 (mais “36,2 milliards d`éuros au trésor publique en 2002”) deixaram o blairismo com toneladas de dinheiro suficiente para implementar o seu projecto.

A tudo isto juntou-se uma (3) forte taxa de crescimento (motivado pela saída dos conservadores do poder e (4) pelo efeito psicológico que isso gerou na economia e sociedade) mais a (5) introdução de “stealth taxes (impostos ocultos) aceites sem grande protesto por uma opinião pública que (6) gozava, inebriada, a prosperidade momentânea.

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( Qualquer semelhança com Portugal é outra coincidência; nos anos do Guterrismo, por exemplo, onde isto se passou mediante injecções massivas de consumo e de favorecimento ao consumo no sistema económico, que os bancos comerciais muito agradeceram… (1)(3)(4)(6))

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( nos tempos actuais, com a eliminação de benefícios em certificados de aforro, por exemplo, ou aumentos da Contribuição autárquica mesmo mudando-lhe o nome para “IMI” (imposto municipal sobre imóveis) formas disfarçadas de Impostos ocultos/ Stealth taxes…(5))

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A opinião pública, por via dessa prosperidade ocasional não se rebelou contra os “stealth taxes”. Tudo isto permitiu a Gordon Brown cumprir a sua regra de ouro pessoal de não exceder a divida publica 40% do PIB…).

A surpresa surge, como nota o correspondente, para aqueles que pensam que a Grã-Bretanha seria um pais neoliberal em sentido estrito do termo: demonstra que entre 1997 e 2002, a maioria dos países europeus (os tais que não valem nada e a Grã-Bretanha é que é boa), reduziram – de facto – a sua carga fiscal.

Na Inglaterra essa mesma carga fiscal subiu 1,6%. Tudo isto apoiado, e também suportado, na pratica, por mais admissões de funcionários públicos.

Bem como, por um aumento colossal do défice do orçamento” zero” em 1998, – “ 15 millards d`éuros fin de 2002, trois fois plus un an plus tard”.”

Isto apesar da “mêlange tout personnel d`optimisme …… Dans ses discours de présentation du budget aux communes – de Gordon Brown… Mistura muito pessoal de optimismo durante o discurso de apresentação do orçamento na câmara dos comuns.

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(Qualquer semelhança com as apresentações do orçamento português, por exemplo, nos últimos 3 anos é coincidência – basta dizer que o último orçamento é feito com cálculos de compra de petróleo a 70 dólares o barril, quando este é efectivamente comprado a mais de 100 dólares o barril… preço de 100 dólares que vai manter-se…ou até ter tendência a subir…(2)(4))

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Tudo isto – re-acrescento – porque Gordon Brown estabeleceu uma regra pessoal que consistia em que o défice do tesouro inglês não excedesse 40% do PIB – ou seja o endividamento do estado não excederia este valor. Mas o valor é – 3 vezes maior após 2002 – ou seja “45 miliiards d`éuros, contra 15 milliards d`éuros fin de 2002, trois fois pluns un an plus tard”…

Ou seja, segundo a lógica das contas da Marianne: 120% do PIB, não 40%.

PONTO 5.

“Martelar” as contas públicas. A contabilidade pública criativa.

No artigo critico da Marianne demonstra-se que, como táctica governativa, existiu sub estimação de receitas e despesas feita pelo então chanceler do tesouro – o Sr. Gordon Brown (actual PM inglês).

Este, desde 2001, subvalorizou sempre a quantidade de dinheiro necessária para pôr de lado visando chegar ao tal valor de 40% do PIB ( conforme explicado no primeiro post) e para manter as receitas e despesas dentro daqueles valores.

O correspondente conclui que nenhuma grande nação industrializada se aproxima deste valor sequer (Não se aproxima porque não “usou” este esquema…).

Cita-se: “… la france, par example, qui accusait un endettement de 1167 miliards déuros en octobre 2005, s`ést donné pour objectif de descendre en dessous de 60% du pib d`íci à 2010”.
Tradução a martelo: “A França, por exemplo, que tem um endividamento de 1167 mil milhões de euros em Outubro de 2005, tem como objectivo fazer descer este valor para menos de 60% do PIB desde hoje até 2010…”

O correspondente da Marianne conclui que toda a Europa pode invejar o Reino Unido (ironia) e gostaria de trocar de lugar, mas essa aparência de prosperidade não se deve às suas finanças públicas embora o pareça.
Isto porque o Sr. Gordon Brown, com o assentimento do gabinete nacional de estatísticas inglês, criou uma maneira de fazer o truque de prestidigitação.

Como? Alterando a maneira de fazer estatísticas para que, de forma efectiva, não fosse possível calcular quantos funcionários públicos teriam entrado no sistema.

Contudo, devido a estas manobras todas de criatividade contabilística, e ao crescimento de funcionários públicos desde 1997 até 2005 isto custa os olhos da cara ao Tesouro inglês, embora esteja “disfarçado”.

Pergunta-se, então, de onde virá o dinheiro para cobrir esta diferença em falta?
Simples.
Das pensões a serem pagas a quem se retirar/reformar do mercado de emprego – ou seja o equivalente a uma descapitalização da segurança social.

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Como a que se pretende efectuar em Portugal, ao sugerir , embora usando outras duas técnicas, que (1) existam pessoas que deixem de descontar para a segurança social pública, ou (2) pretendendo indexar o dinheiro da segurança social a fundos de pensões cotados em bolsa para … “gerar mais receitas… e “profissionalizar a gestão…”

Ninguém diz de onde virá o dinheiro (para quem ficar por não ter alternativas) se existirem massivas saídas do sistema por parte de contribuintes, ou se um fundo de pensões explodir numa bancarrota bolsista…

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Ou seja, o Sr. G. brown “…Est Celui de l`argent que devra prouver l`ètat por prouver lês retraites dês functionaires…” … et que on´a« oublié» de mettre de cotée.
Tradução: Ou seja, o sr Brown “esqueceu-se” de pôr de lado o dinheiro para “repor” esta orgia financeira e descapitalizou as receitas/descontos dos futuros(e antigos) pensionistas e pôs em risco o pagamento de reformas.
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Nota lateral 1:

É um processo em tudo semelhante a, por exemplo, um banco privado (Millenium BCP) comprometer-se a criar um fundo de pensões dos seus funcionários. Após vários anos satisfeito com o fundo, (porque o que tinha de descontar (por de lado) para ele era menor do que os encargos com pensões que tinha com ele) decide não pôr de lado o dinheiro para o prover.
Quando, de repente descobre que existe uma falta enorme, ( devido à política de correr para fora do banco com empregados de idade superior a 45 anos ) e que isso baixará as futuras remunerações dos seus accionistas, propõe ao Estado Português que os seus funcionários passem a “descontar para segurança social pública”, em vez de o fazerem para o “Fundo de pensões do Millenium BCP”.
FUNDOS DE PENSÕES MILLENIUM BCP DESCAPITALIZADOS
Dessa forma, o banco comercial deixa de ter de pagar e de repor valores para o seu fundo de pensões dos seus empregados.
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Como aliás estava explicado numa noticia do jornal Público de 10 de Novembro de 2005, assinada pela Jornalista Cristina Ferreira onde o BCP propunha ao Estado que a segurança social absorvesse o fundo de pensões do BCP e dos seus 4 mil trabalhadores. ( isto é, sustentasse o deficit que o banco não proveu a tempo…)

Embora tenha o texto da mesma completo, não a encontrei online, mas encontrei outras duas que explicam a coisa: como se pode perceber AQUI e AQUI.
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Written by dissidentex

02/04/2008 at 10:55

TONY BLAIR.1.

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TONY BLAIR- O REINO ENCANTADO - FNAC

PARTE 1/3

INTRODUÇÃO.

Em 2006, a revista francesa Marianne, edição em papel, fez uma ensaio/análise critica, ao reinado de Tony Blair, que viria a terminar em 2007.

O número da revista com este ensaio era o 467 (01 a 07 de Abril 2006) e feito a propósito do livro de Phillipe Auclair, da Editora Fayard, 262 páginas, 19 euros de preço, chamado “Le Royaume Enchanté de Tony Blair”.

Os resultados são devastadores, de tão maus são em relação à pobreza da governação da “esquerda (terceira via) Blairista”.

Mais: a revista fornece números comparativos entre a França ( apelidada de estatizada…) e a Inglaterra Blairista (apelidada de “Liberal de esquerda”) onde esta perde em toda a linha.

Em Portugal acha-se (ainda) que Blair é a quinta essência do perfume.

Parece pois, ser útil voltar a lembrar (até para comparar com a “actual esquerda moderna portuguesa”…cheia de sociólogos e outras aves de arribação do mesmo estilo…) que o Blairismo é e foi apenas um desastre neoliberal emanado da direita profunda.

Pior ainda, aquela maneira tortuosa e cheia de esquemas e sorrisos de plástico de fazer as coisas fica associada e de que forma negativa, à ideia de esquerda na sociedade.

PONTO 1.

Isto é um resumo feito a partir do ensaio de análise critica feito pela Revista Marianne do livro de Phillipe Auclair (Auclair foi correspondente da BBC em Londres tendo lá vivido muitos anos; saiu da BBC para ser o correspondente da revista Marianne para o Reino Unido) .

Citação inicial do livro de Auclair…reveladora.

” Même dans ses pires moments M.tatcher avait aou moins le mérite de ne pás avancer masquée”.
Tradução a martelo feita por um pobre Dissidente x- sem grandes conhecimentos de francês: mesmo nos seus piores momentos a senhora Tatcher tinha ao menos o mérito de não avançar usando uma mascara”.

Segundo a Revista Marianne, o livro começa, pela caracterização de M. Tatcher sobre o que é “interesse geral”.

  • Tatcher considerava o conceito de interesse geral numa sociedade uma invenção marxista”.
  • Tatcher considerava que a Europa era ” uma conjura anti grã-Bretanha”.
  • Já os desempregados eram ” uns parasitas que vivem à conta da classe média”.

Este era o “tom” do tatcherismo e da direita neo liberal/conservadora inglesa, que retirou a sua inspiração dos anos Reagan ( 1980-88) nos EUA.

O livro analisa tudo isto nas suas mais variadas vertentes explicando como o clube de fans francês de Tony Blair – a esquerda mole e frouxa tipo “esquerda moderna”, os “neo liberais” franceses e o medef (a organização patronal francesa) viviam todos em êxtase com o Blairismo.

A expedição punitiva desastrosa no Iraque, por exemplo, nunca abalou, junto desta gente, a reputação de Blair que era visto como um visionário. (5 anos após o começo da Guerra do Iraque, “a visão está aí…”)

Os dados de análise da revista compilados a partir do livro, mais as estatísticas oficiais permitem tirar a exacta fotografia negativa do Blairismo.
O livro de Auclair afirma (e prova) que o Blairismo é (apenas foi) política da simulação e estatísticas manipuladas. (isso é provado com números oficiais ingleses).

Analisava ainda Gordon Brown, o homem que queria ser chefe no lugar do chefe e que estava à espreita (à data em que o livro foi escrito), aguardando que o “Estilo Blair” se desvanecesse na floresta de enganos e decepção que, no fundo, é aquilo que o “Estilo Blair” é.

FINALMENTE VOU OCUPAR O LUGAR DO CALIFA

Em Portugal temos neste momento e ao retardador o “Estilo Sócrates” que é uma cópia e mal feita, do estilo Blair + recalcamentos do Guterrismo + pseudo afirmação de liderança poderosa pela demonstração de uma agressividade extrema + cópia mal amanhada do betonismo Cavaquista + uma adenda.

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Adenda: Desde 29 de Março de 2008, passamos a ter, também, José Sócrates, antes Cyborg, agora humano

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O livro ( artigo da Marianne) mencionava àquela data e apesar da barragem de propaganda pró Blair na Inglaterra e na Europa, que, pelo menos metade do eleitorado, estava já a exigir que Blair fosse embora.

Ironizava-se no livro de Auclair, dizendo que os apoiantes franceses, caso ele se fosse embora do cargo, estariam em vias de lhe oferecer asilo político em França…

PONTO 2.

O correspondente da Marianne propriamente dito e o texto da revista.

Começo por duas citações do correspondente + 2 traduções minhas a martelo: “les prosélites francais du blairisme sont de une naiveté desarmante, au fond” – os prosélitos franceses do blairismo são dotados de uma ingenuidade desarmante, no intimo… (acrescento eu: e os portugueses da esquerda moderna e do ” inexistente liberalismo de esquerda” também…)
“Ils ne s´arretent qu´a quelques chiffres, et encore, sans les interroger, comme si l´on pouvait juger un filme et visionnant son générique”. Pour cês transis de tony blair, le royaume uni n´est pás un object d´étude ou de reflexion, mais de désir; on ne analise pás, on transfere…” – eles apenas olham para alguns dados, sem se interrogarem, como é possível avaliar um filme somente visionando o seu genérico … no transe Blairista o Reino Unido não é um objecto de estudo ou reflexão, mas de desejo; nós não analisamos, nós transferimos ( o objecto de desejo Reino Unido…)

O correspondente conclui que se calhar os franceses ainda se vão rir bastante (entre muitas outras coisas) por Paris não ter ganho os Jogos Olímpicos a realizar em 2012.

Devido aos problemas económicos de criação de receitas para sustentar (posteriormente) tão megalómano empreendimento. ( É o velho princípio de “quem vier atrás que feche a porta…)

Parte para uma analise demolidora – com números – da economia e sociedade inglesa blairista em contraposição à supostamente medíocre (ironia) sociedade francesa.

As justificações para isto (à data 2006) aparecem porque a Inglaterra é apresentada num bonito embrulho com – resultados estatísticos fantásticos – bem como, ainda por cima, “roubaram” aos franceses a realização dos jogos olímpicos em Paris, sendo estes atribuídos à Londres.

PONTO 3.

Desemprego, funcionários públicos e estatísticas.

Começa o correspondente da Marianne, desde logo, pela baixa taxa de desemprego inglesa. É baixa porque esconde uma taxa paralela de não empregados (mas não definidos como tal), compensados (estatisticamente) como sendo desempregados de longa duração, que não são considerados para as estatísticas.
Também existe outro logro no Blairismo: o de que existe uma redução do numero de funcionários públicos.

Percebe-se, no entanto é que existem mais 600 mil nos dias de hoje ( isto é, 2006) – do que antes da entrada de Blair em funções. E paralelamente a isto existe (ao mesmo tempo) uma massiva subcontratação ( em Portugal temos o mesmo fenómeno da subcontratação…) a empresas privadas de tarefas que eram realizados (antes de Blair) só por funcionários públicos.

E que eram mais baratas feitos no “sector público”. Tudo isto acontece ao mesmo tempo que, os serviços públicos ingleses, especialmente o serviço de saúde estão de rastos.
Toda esta pseudo prosperidade esconde, também, um endividamento publico colectivo colossal (entre outras coisas, concessões a privados dão este resultado…), ao ponto de começar a criar o espectro de uma crise no sistema financeiro e social inglês.
Também ao mesmo tempo que tudo isto se passa, o sistema blairista ataca as liberdades civis em Inglaterra.
O correspondente oferece exemplos:

  1. o projecto de carta de identidade biométrica, tendo como desculpa (argumento) conveniente o terrorismo;
  2. a interdição de greves de solidariedade;
  3. a suspensão do direito de ser julgado pelos seus pares, etc.

Tudo consequências directas da metodologia blairista. Isto acontece no país da Magna Carta e do Bill of rights

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Qualquer semelhança com o “socratismo neoliberal socialista- esquerda moderna perlimpimpim” e o seu cartão de identidade único, bem como a hostilidade a apoiantes de Manuel alegre na altura da campanha eleitoral é pura coincidência…ou o incentivo à denuncia ou o sistema de queixas electrónicas de “conteúdos” ou a tentativa de avaliar a predisposição dos cidadãos a deixarem que lhes insiram chips em automóveis, ou mandar gravar telefonemas e emails de toda agente para combater o terrorismo etc, são mera coincidência…

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Continua.

Written by dissidentex

01/04/2008 at 8:01

PEQUIM 2008. TIBETE. BOICOTE.

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GANE OVER - FREE TIBETAtravés do Daniel Marques.Net chego a este relato na primeira pessoa directamente do Tibete.

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Devem saber o que se passa no Tibete… O que vos posso dizer eh que tudo eh muito mais violento do que mostram na televisao. Foi muito muito violento. Para os tibetanos vai ser um massacre. Nunca vamos saber quantos morreram ou morrerao. Para nos, alem de violento psicologicamente, foi mais perigoso porque acabou por se saber que fomos os dois (eu e o Miguel) as unicas testemunhas do principio de tudo (no mosteiro de Drepung, onde estavamos no dia 10 de Marco, por acaso).

Ficamos imediatamente controlados pela policia ao ponto de, a caminho para o Nepal, nos dizerem que estavamos presos no hotel. Nunca tinha sentido o que era estar “presa” nao porque tivesse feito alguma coisa mas porque nao queriam que falassemos. O nosso mail e telefone ficaram, tambem, imediatamente controlados e as nossas maquinas fotograficas bem inspeccionadas.

Vimos a maior violencia policial que podem maginar, sobre pessoas desarmadas. Nao vimos ninguem morrer, mas sabemos que muitos dos monges com quem estivemos durante todo o dia 10, morreram depois, nesse mesmo dia. Vai ser um massacre em Lassa. Tudo o que disserem nas noticias de contrario podem acreditar que eh mentira. Ha lugares no mundo onde pessoas morrem por terem opiniao. Nao se passa apenas na distancia da televisao, ou em filmes com actores conhecidos, passa-se na realidade e muito perto de nos.

Clara Faria Piçarra no Minisciente

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Um dos falsos argumentos utilizados para se dizer que não se deve boicotar os Jogos Olímpicos de Pequim consiste na afirmação de que “não se devem misturar duas coisas diferentes – a ditadura Chinesa e uma manifestação desportiva. E que isto (a insurreição no Tibete ) é tudo muito complexo.

Em 1979 e 1980 os países Ocidentais, liderados pelos Estados Unidos, abriram um precedente. Misturaram duas coisas diferentes – a invasão do Afeganistão pela então USSR e os jogos Olímpicos de Moscovo.

Era, também, à época, uma situação muito complexa.

E no entanto…abriu-se um precedente…

CARTAZ DOS JOGOS OLÍMPICOS DE MOSCOVO

É espantoso o que 28 anos de diferença podem fazer, alterando a percepção de coisas misturadas.

E alterando a percepção do que é complexo e do que não é complexo.

Talvez este mapa em baixo possa ajudar a perceber estas complexas mudanças de percepção. PERCENTAGEM DE EMPRESAS MULTINACIONAIS DE PAÍSES EMERGENTES

Este é um quadro que mostra a percentagem de empresas multinacionais oriundas de mercados ( países) emergentes e qual é o peso relativo dos países na percentagem considerados. A “unidade de medida a que corresponde o quadro é 100”. ( 46 empresas chinesas, 21 indianas, 12 brasileiras…etc…)

Estas empresas, estão presentes não só nos mercados de origem (Ásia) mas também na Europa, África e Estados Unidos. Uma delas é só a número dois a nível mundial no fabrico e venda de computadores portáteis.

É uma situação muito complexa, esta…

SISTEMA QUEIXA ELECTRÓNICA. OS ANTECEDENTES.

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Ontem entrou um artigo sobre a criação, por parte do governo português, de um sítio Internet que facilitava a queixa feita por cidadãos, de forma electrónica; cidadãos que “observassem um crime” poderiam denunciá-lo com toda a facilidade, com total “segurança” que o referido sítio Internet promoveria.

Importa pois, explicar, que esta ideia já teve antecedentes. E campos de treino…

Em 2007, por alturas de Fevereiro, salvo erro, já tinha existido um primeiro teste à passividade dos cidadãos, relativamente a esta questão e outras como esta.

Na altura criou-se um sítio Internet para promover a delação e cultivar o medo e a desconfiança.
A Fundação para a computação cientifica nacional – FCCN – um organismo estatal português decidiu, nessa altura, apoiar uma campanha.

Objectivo oficial: combater a pornografia infantil, a violência , o racismo veiculadas através da Internet.

Objectivo real: criar e desenvolver uma nova geração de denunciadores e delatores – legitimar estas acções como sendo normais e moralmente aceitáveis.

Na senda do progresso e das novas tecnologias, Portugal (tem) terá um site de Internet onde, para fins de treino e aperfeiçoamento destas competências importantíssimas para a vida do país, e para a prossecução da felicidade pessoal dos seus cidadãos, qualquer português será incentivado a delatar e a denunciar de forma consciente e inconsciente.

O sítio Internet em questão pode ser encontrado AQUI.
FCCN -INTERNET SEGURA 1

O sítio em questão apresenta várias características desagradáveis.

É um site onde se poderá fazer “oficialmente” denuncias de conteúdos ilegais. Passo a citar um excerto da noticia lá em cima enlaçada. “No site a ser criado, «jovens e adultos vão poder denunciar conteúdos pedófilos, de violência extrema ou xenófobos, e outros que alegadamente constituam crimes públicos…”

A democracia portuguesa (e europeia) continua o seu alegre caminho multicultural para a censura.
A FCCN prestou-se a ser a cabeça protectora que incentiva todos os denunciantes a obterem uns minutos de glória e a serem legitimizados; todos os ajustes de contas entre pessoas que não gostam umas das outras, e que sabendo que existe isto na Internet se podem denunciar; todas as pequenas irritações passarão a ter cobertura legal.

Até poderão ser feitos cursos de formação profissional com direito a entrega de diploma e tudo para formar profissionais competentes na área da delação. Uma nova industria está a nascer.150 000 delatores em creches - o futuro já começou

Na altura, para fazer o teste à mentalidade totalitária que está aqui camuflada, foi necessário arranjar um pretexto.
O pretexto foi a “pornografia infantil” , a “apologia do racismo” e a apologia da violência”.
Conceitos extremamente escorregadios (excepto a pornografia infantil) e onde cabe tudo e não cabe nada.

Mas é precisamente este “sentido lato” das coisas que coloca em perigo toda a gente e nenhuma gente.
Este blog, por exemplo, quando critica o governo, estará, segundo esta lógica a fazer a apologia da violência contra o governo. Este e outros blogs…

Quanto a Blogs e sítios racistas é o que menos falta há pela Internet portuguesa, estão abertos às dezenas e no entanto, pede-se às pessoas que os denunciem.

( E por “racismo” entendam-se blogs de brancos a atacarem pretos e de pretos atacarem brancos…)

Sem dúvida, porque as autoridades competentes estão demasiado ocupadas a trabalharem em comissões e reuniões de análise para repararem na existência desses mesmos sítios.

Quanto á pedofilia/pornografia infantil, a única maneira de a apanhar é através de investigações aturadas que, regra geral, não passam por ser feitas pelos participantes em actos de pedofilia que os “denunciem”…

Portanto resta achar que esta ideia foi apenas um ensaio para se criar o sítio da Queixa electrónica ontem mencionado.

Mais um pequeno golpe na liberdade e na democracia que o partido socialista promoveu conscientemente, tudo sempre, sob a capa da segurança…
Note-se, também as “entidades” que “patrocinam” o sítio em questão.

FCCN -INTERNET SEGURA 2- ENTIDADES

Como é necessátrio “dar credibilidade” ao sítio, chama-se entidades em que todos confiem.
Daí aparecer a APAV E O IAC, como “garantes ” da boa vontade e legitimidade das intenções por detrás deste sítio.É também “interessante” que apareça ali o Ministério da educação, aparentemente tão preocupado com a “apologia da violência” na Internet, mas tão pouco preocupado com a violência sobre professores na escolas.
São opções.
Também é interessante que apareça a Microsoft, uma empresa que é tudo, a nível informático, menos sinónimo de segurança em computadores e sítios Internet.

Quem quiser perceber porque é que a Microsoft é tudo a nível informático vai até AQUI e caso não seja intensamente estúpido percebe.
No sítio patrocinado pela FCCN também existe algures a expressão “outros”.Tradução: Outros = Todos.

Nota final 1.

Temos (tivemos em 2006) agora a instituição de um teste, para instituir os primeiros princípios( e delatores) de delação e denuncia através da Internet.

O motivo ( que arrasta todos os outros) : as crianças e a sua protecção.

Nota final 2.

Fico a aguardar que a FCCN patrocine um sítio Internet que proteja as crianças e denuncie conteúdos publicitários que visam fazer chantagem emocional sobre os pais para que estes acedam a comprar certas produtos desnecessários aos seus filhos.

Nota final 3.

Fico a aguardar que a FCCN patrocine um sítio Internet que insista na necessidade de se proibir publicidade especificamente destinada à crianças e que proíba o uso de crianças na publicidade.

Já que o problema primordial parece ser a “preocupação com as crianças”, então convém preocupar mo-nos com todas as dimensões do problema e não só com algumas.

Convenientemente escolhidas a dedo.

SISTEMA QUEIXA ELECTRÓNICA. DENUNCIAS E DELAÇÃO.

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QUEIXAS ELECTRÓNICAS - JORNAL DESTAK- DIA 18 MARÇO

O nosso magnífico governo (e o espírito totalitário que o anima…) criou; isto é, gastou dinheiro para o nosso bem. Alvíssaras.

Criou um sistema em que o cidadão, seja ele qual for, ao que parece, poderá queixar-se electronicamente de qualquer malfeitoria que tenha visto a acontecer ou dela tenha tido conhecimento.

Parece uma boa ideia. Não é.

Quando acedi à página em questão apareceu-me o aviso mostrado em cima, segundo o qual, o certificado electrónico de segurança do sitio em questão não seria válido. Tal demonstra desde logo o trabalho bem feito. Um sítio electrónico que pretende garantir confidencialidade nas queixas feitas por cidadãos, faz com que o nosso navegador de Internet (Firefox) responda: ” é impossível verificar a identidade de queixas electrónicas. mai.gov.pt como sítio de confiança.

(O sitio, em baixo no fundo, tem a indicação que está optimizado para IE7, firefox e opera…)

Ou seja… que nos diz que o sitio em questão até pode não ser …verídico…pode ser uma página duplicada…não originária da fonte nela indicada…

Numa outra interpretação bem humorada poderemos dizer que nenhum governo é de confiança, seja qual for a sua cor política; este avisa-nos disso mesmo; só temos que prestar atenção ao aviso…

Também existem várias dimensões do problema.

Uma delas é o incitamento a delação que isto pode provocar. (Assunto já tratado AQUI numa perspectiva diferente…) O incitamento à desconfiança permanente de todos os cidadãos uns dos outros. Se todos, generalizadamente, começarem a usar isto por tudo e por nada teremos uma mentalidade de delação ainda mais instalada do que já está. E que terá tendência a alimentar-se a si própria.

Esta era a mentalidade que vigorava pré 25 de Abril de 1974.

Vou citar baptista Bastos em 2007, num artigo chamado “socialismo da delação” (mesmo correndo o risco de me chamarem comunista, coisa que não sou…nunca fui.)

“…Quando um governo “socialista” promove a delação como conduta, e consubstancia a infâmia num folheto sórdido, tal acontece porque ainda nos encontramos moralmente enfermos. Logo após Abril, os números do aviltamento sobressaltaram os espíritos mais cândidos: quatro milhões de portugueses com ficha na PIDE, e cerca de quatrocentos mil informadores. Agora, na Socratolândia, propõe-se a setecentas mil pessoas que delatem, sugerindo-lhes que praticam uma acção moralizante quando se trata de procedimento desonroso. Este Governo, incapaz de cortar cerce a raiz da corrupção, avilta-nos a todos, ao acirrar à denúncia. E, ao incorrer no crime de corrupção moral, coloca-se na zona da delinquência que propugna punir.”

PORTUGAL PRECISA RECUPERAR 150000 MIL DELATORES

Outra dimensão é o próprio sistema conceptual que está por detrás.

Supostamente,

existem forças de segurança subdivididas nos seus mais variados departamentos e meios que,

teoricamente,

deveriam fazer este trabalho de recolher informação; “vigiar e monitorizar ” a existência de crimes e preveni-los.

Verifica-se que não. Verifico que terão que ser os cidadãos a fazer o trabalho das forças de segurança denunciando os hipotéticos ou reais crimes que assolam a pátria.

Afinal, para que é que existem forças de segurança? Se são os cidadãos convidados a fazer o trabalho delas?

Numa outra linha de análise, poderão espíritos sensíveis contra argumentar que ” certas percentagens de crime até desceram” em Portugal desde há 14 anos para cá.

No entanto o governo que nos garante que as percentagens de crime desceram é o mesmo governo que incentiva à criação de mecanismos como estes…visando denunciar outras certas percentagens de crime que … não desceram?

Então algo está a falhar?

Ou os objectivos passam por um outro tipo de controlo?

É um mistério…retire as conclusões quem quiser…acerca da securitização e da instituição de um Estado de segurança tentacular, mais forte controlo das pessoas, mais incentivo aos cidadãos a espiarem-se e denunciarem-se uns aos outros…

Depois existe a notícia Destak, que confirma desde a abertura, o uso massificado para a “técnica da denúncia”: 140 denuncias até Março 2008, das quais apenas 48 foram consideradas como sendo crimes.

Das duas, uma.

  1. Ou existiu um filtro muito apertado retirando da classificação de crime, uma série de denuncias;
  2. ou eram apenas denuncias feitas para “lixar o próximo” ou movidas por um qualquer pânico repentino.

Fosse qual fosse a situação isto não é bom.QUEIXAS ELECTRÓNICAS - 2

Entra-se no referido sitio e olhando para o menu do restaurante, existe uma lista de crimes e infracções que podem ser denunciadas.

Há aqui pérolas fantásticas.

Como sejam o “Roubo” ou o “Casamento de conveniência” ou os “danos contra a natureza”. Já nem esmiúço o resto…

Exemplo 1.

Sou roubado. Dirijo-me à esquadra de polícia mais próxima para participar. As pessoas tomam nota da queixa, dizem que não podem fazer nada e o assunto é arquivado daí a um ano ou dois.

Mas… agora… com a queixa electrónica isto será concerteza resolvido?!?!

Presencialmente, não é resolvido por queixa. Mas electronicamente, denunciado por um terceiro, será resolvido?

Exemplo 2.

O casamento de conveniência é brilhante.

O Estado português é que tem por obrigação, controlar isso. Suponho até que é por isso que existe registo civil de casamento, notários, bilhetes de identidade e verificações que se farão à posteriori….etc…

Aqui é dito aos cidadãos para irem dizer ao Estado, electronicamente, que outros cidadãos estão casados por conveniência. Por exemplo, imigrantes?

Ora porque é que eu hei-de arranjar chatices com terceiros denunciando-os por estarem a fazer uma ilegalidade que não me afecta a mim directamente?

Ah… tá bem, é porque devo ser um cidadão patriota… e cívico e ajudar o partido socialista no governo…

Isto são, aliás algumas das consequências da “incrivelmente mal feita política de imigração”. Incapaz a “esquerda moderna” de definir uma política de imigração com pés e cabeça, vem agora incentivar a que portugueses, presume-se, denunciem casamentos estranhos de estrangeiros ou de portugueses com estrangeiros…com o fim de arranjar a nacionalidade portuguesa ( europeia).

Era mais simples e mais barato alterar a política de imigração.

Mas depois… onde se iam arranjar ótarios para pagar a sumptuosidade da elite portuguesa através dos descontos que fazem e como se ia encharcar o mercado de trabalho com pessoas a quem é oferecido 400 euros de ordenado? Ou seja, como se conseguiria continuar a manter a política de deflação de salários?

Exemplo 3.

Outra engraçada, entre muitas outras, é a da poluição aparecer na lista das possíveis queixas electrónicas.

Todos os dias vemos inúmeros exemplos de poluição a ser feita. Basta olhar para os autocarros da Carris.

Deverei eu fazer queixa online da Carris? É uma dúvida que me atormenta…

E será essa queixa resolvida? Como? Proibindo-se autocarros de circular?

E poluição estética?

Continuando…

No espírito da administração aberta (coisa que a actual não é, antes pelo contrário) neste fantástico sitio de queixas electrónicas existe também uma zona (não, não é a zona do Stalker…) que nos manda para a legislação.

Isto é extremamente útil. A senhora Joaquina que vive em “Janelas Rombas de Cima” a quem alguém despeja 1 tonelada de lixo durante a noite no seu quintal ficará certamente agradecida por poder ir à Internet, ao Portal das queixas electrónicas, consultar o Código Penal…

Este é o estilo de pseudo administração aberta que este governo tenta incentivar…

QUEIXAS ELECTRÓNICAS - 3

Existe contudo sempre algo mais espantoso. Na imagem que se vê em cima do lado direito em cima existe “um mecanismo de camuflagem” ( esconda a sua visita) que impede que alguém perceba a nossa intenção de apresentar queixa.

Ao testar esta estrambólica página cliquei no referido subterfúgio da invisibilidade.

Fui dar ao portal do Sapo. ?!?!?!?!

Eu estava à espera de ir dar aos subterrâneos de um castelo medieval e fui dar ao portal sapo… Ok, nem sequer vou tentar perceber o estranho mecanismo retorcido que aqui está…

Mas o pior de toda esta lógica está para vir e demonstra a desonestidade destas pessoas, deste sistema, até mesmo para um leigo como eu, em informática.

Este site tem uma política de privacidade. Transcrevo uma parte, a das informações:

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“”” Que Informações recolhemos?

Recolhemos vários tipos de informação, dependendo de como usa o sistema.
Quando faz o registo da queixa, recolhemos o seu nome, morada, endereço electrónico, número de telefone e número de documento de identificação, entre outros.
Não é mantido qualquer histórico de apresentação de queixas.
Também poderemos recolher informação sobre a sua utilização do site para fins de análise com o objectivo de melhorar a sua experiência no site.

Exemplos da informação que poderemos recolher e analisar incluem o endereço do protocolo da Internet (IP), usado para ligar o seu computador à Internet; informação acerca do computador e da ligação, tal como o tipo e a versão do browser, o sistema operativo e a plataforma e a ligação para, através e desde o sistema, incluindo a data e a hora.”””

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Chamo a atenção para o que está sublinhado. e para a conversa escorregadia que aqui está.

A azul está a conversa encriptada. Podiam dizer caso fossem minimamente sérios, que inserem cookies no computador de quem visita a página em vez desta conversa de chacha. É isso que ali está a azul.

O que significa que controlam, de facto, a identidade de quem faz a denuncia.

A parte a azul claro basicamente significa que tudo o que um computador debita para um fornecedor de acesso à Internet e respectivo servidor, é verificado/gravado por estes senhores. Data e hora.

O que permite exactamente saber-se quem e onde, foi feita a denuncia. Tendo em conta que este país é um queijo cheio de buracos, saber-se-á sempre quem foi.

Também é dito que não se mantém histórico de queixas. Por escrito, não. Electronicamente fica gravado em dados digitais (que podem ser imprimidos ou copiados). Isso é destruído? Ou não? E quem tem acesso?

Agora imagine-se o seguinte e cru exemplo: denuncia-se um casamento de conveniência de uma prostituta com um membro da máfia russa ou similar.

Alguém ingénuo e mal informado denuncia isso. Arrisca-se a acabar baleado precisamente porque, entre muitas coisas, o próprio sistema electrónico de denuncias deixa rastos demasiado visíveis para que não sejam detectados.

Isto, ao mesmo tempo, que “garantem confidencialidade na apresentação da queixa.”

Não sei se isto é pura estupidez e irresponsabilidade ou apenas sacanice…

Tenho algumas dificuldades em perceber como é que se garante confidencialidade de apresentação de uma queixa estando ao mesmo tempo a gravar IP´s de computador e restante situação descrita.

Estamos pois, perante um conceito novo: a anonimidade conhecida.

SUDÃO, DINAMARCA e os cartoons…

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No Sudão, continua a tentativa de capitalizar politicamente com o problema dos cartoons dinamarqueses um ano depois do assunto ter acontecido. A notícia é do Jornal de notícias de 24 de Fevereiro de 2008.

SUDÃO-CARTOONS

Expulsam-se organizações dinamarquesas do país. Entre as organizações que irão ser expulsas está a cruz vermelha dinamarquesa que actua na região do Darfur e o conselho dinamarquês para os refugiados.

A técnica usada é a seguinte. Cria-se um comité, chama-se “fórum do Sudão para a paz” e proibe-se os funcionários sudaneses de terem contactos com dinamarqueses expulsando a seguir as referidas organizações e apela-se ao boicote aos produtos dinamarqueses.

Existe contudo, uma “razão” para o boicote e para esta atitude. Há uns dias atrás tentaram matar um dos cartoonistas que fez uma das 12 caricaturas que suscitaram a polémica. A polícia dinamarquesa descobriu o atentado a tempo e frustrou a tentativa.

Em solidariedade para com o cartoonista que esteve com a vida em perigo, jornais dinamarqueses, republicaram os cartoons com especial ênfase para o cartoon que o cartoonista tinha originalmente desenhado.

SUDÃO2

Agora temos, de novo, a chantagem, a pressão, a intimidação e a tentativa de inverter a situação, jogando com a opinião pública, fazendo parecer de novo que existe uma suposta ameaça à dignidade do Islão e aos muçulmanos. Que respeitando um subvertido principio da proporcionalidade e em nome de “vingar a afronta” acham normal não protestar pelo facto de pessoas intitulando-se de fé muçulmana tentarem matar à bomba um cartoonista, mas já acham normal protestar pela republicação de um desenho.

Liberdade de expressão enviesada, diria…

Também parece ser normal ( é o que esta campanha de propaganda subvertida de proto fascismo nos pretende mostrar…) ver-se o que a imagem ao lado mostra: um rapaz na Jordânia, em manifestações de desagravo, com as palavras escritas na testa “Estejam com o profeta Maomé”. Presumo que quem não estiver, será considerado como estando a ameaçar a dignidade do Islão e como tal será considerado legítimo que se façam uns atentados contra quem não esteja com Maomé. O que equivale a fazer, segundo esta lógica, umas dezenas de milhares de atentados para trucidar os infiéis que não estão com Maomé…ou seja obliterar todos os que não são muçulmanos?

Pelo meio usa-se a questão do Darfur e dos refugiados do mesmo, com todo o cortejo de fome e mortos que está a gerar como arma política para combate sem tréguas contra o Ocidente ( simbolizado aqui pela Dinamarca), embora isso seja apenas um pretexto. Hoje é o Ocidente, amanhã outra coisa qualquer.
Como é óbvio, a direita política portuguesa provavelmente exultará com isto; a esquerda política portuguesa assobiará para o lado fazendo de conta que não se passa nada e lançará umas petições falando da libertação de Ingrid Bettencourt (problema existente na Colômbia), ou de outra coisa qualquer que esteja a jeito ( Timor é sempre um bom nicho de mercado para apelar à lágrima fácil… e ao desviar de atenções…) enquanto que na Dinamarca, as associações muçulmanas voltaram a criticar o atentado, mas também os jornais que republicaram os cartoons, dizendo que isso constitui uma ameaça à fé islâmica.
De facto não consta que ninguém na Dinamarca se tenha sentido ofendido com as declarações das associações muçulmanas e tenha decidido colocar umas bombas nas instalações das mesmas, embora o contrário – no que aos cartoonistas diz respeito, quase tenha acontecido.

Agora continuamos a tentar ser convencidos que uma coisa é igual à outra e tem o mesmo valor…
É assim que estamos perante mais uma tentativa de criação de regimes jurídicos de excepção e de multi culturalismo legal, a coberto de uma qualquer fé ou religião…ou o que seja…

Continue-se a fingir que esta “questão” não é séria e continue-se a não enfrentar esta questão…

Notas finais:

AQUI já se falou de algo semelhante mas acerca de futebol;

AQUI já se faliu de algo semelhante acerca do Rally Paris Dakar e do seu cancelamento;

AQUI já se falou da Arábia saudita com a sua proibição de venda de rosas no dia dos namorados, bem como de uma tentativa de pressão sobre as regras editoriais da Wikipédia.