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DADOS PESSOAIS E PRIVACIDADE – “ADD THIS” INSTALA SPYWARE.

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Graças ao blog Tux vermelho surge uma notícia interessante acerca do que são os conceitos de privacidade e de como a obtenção de informação acerca dos hábitos dos utilizadores de Internet relativamente aos seus modos e costumes de navegação são importantes para as empresas – de como isso vale dinheiro – e como se “espia” os utilizadores, sem o seu consentimento.

Conforme se podia reparar existia no Dissidente-x uma barra lateral do lado direito, com o Add This. A ideia da barra consistia em facilitar às pessoas que não querem ou não tem tempo ou não gostam de vir ao blog, e lêem através de Feeds, adicionando-os através do ADD THIS.

Ora acontece que uma empresa de nome “Clearspring” comprou o site/projecto/produto ADD THIS em 30 de Setembro de 2008 e, sem aviso e após compra, começou a instalar um objecto em linguagem Flash que espia o utilizador.

Isto é, quem entra dentro de um sitio Internet (um blog, uma página, etc) que tenha lá uma barra ADD THIS, está a ser espiado, e tudo o que faz lá dentro é informação enviada para a Clearspring e esta pode ganhar muito dinheiro vendendo informação privada acerca de milhões de utilizadores.

Ou pode ceder dados a entidades governamentais, por exemplo acerca de gostos, opiniões, etc.

Os “cookies” em linguagem Flash não podem ser removidos. A única maneira de os retirar é remover a barra do ADD THIS.

Recomenda-se a todos que o façam.

Recomenda-se que pensem sobre estes constantes ataques à privacidade dos navegadores e utilizadores de Internet feitas por empresas privadas e de como estas poderão facilmente ceder dados a governos, para que estes “cataloguem” os gostos – uma ajuda ao Sinóptico…

Ver em Inglês o anúncio da compra feita pela ClearSpring.

Ver em Inglês a indicação feita por Jonh Haler , o criador dos Portable Apps.

Num post muito grande e que há-de estar por aí a sair existe e cujo objectivo consiste em assassinar de forma cruel pelo cansaço todos o que o ousarem ler, surge uma parte da qual trasncrevo um pequeno pedaço:

…Defende ainda que ao Panóptico se juntou o “Sinóptico”.

Muitos vigiam poucos. O sinóptico é global. (Os quatro posts acima indicados são um exemplo de uma mistura “sinóptico/panóptico” – de uma tendência)

No panóptico inicial, alguns habitantes seleccionados vigiavam os outros; no Sinóptico os habitantes locais vigiam os globais.”

Ver Dissidente -X: Vigilância electrónica, dados pessoas e privacidade, com 3 exemplos:

– A MPPA – “coisa privada” a criar software para espiar o uso de computadores em Universidades

– O governo alemão a patrocinar a criação de vírus, que, através do teclado ( Keyloggers) detectariam o uso que o utilizador del faz.

– A Symantec, empresa de produção de antivírus, a colaborar com o governo americano em actividades de espionagem.

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PANÓPTICO – A ATRACÇÃO PELO TOTALITARISMO.

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Blog Obvious – panóptico 1 – 19 Junho de 2007- Sublinhados a negro carregado, meus.

O panóptico de Jeremy Bentham é uma composição arquitetônica de cunho coercitivo e disciplinatório: possui o formato de um anel onde fica a construção à periferia, dividida em celas tendo ao centro uma torre com duas vastas janelas que se abrem ao seu interior e outra única para o exterior permitindo que a luz atravesse a cela de lado a lado.

Na torre central deve-se colocar então um vigia e em cada cela trancafiar um condenado, louco, operário ou estudante: através do jogo de luzes, torna-se impossível ao detento, escolar ou psicótico saber se naquele ponto central está ou não alguém à espreita. Isolados, os condenados ou doentes ou os alunos são hora após hora, dia após dia expostos à observação dos mestres do panóptico, mas sem saber se a vigilância é ininterrupta ou não, quem os vê ou o que vêem. A incerteza da vigilância intermitente adestra.

Diz Michel Foucault em seu Vigiar e Punir de 1975:
Em suma, o princípio da masmorra é invertido; ou antes, de suas três funções – trancar, privar de luz e esconder – só se conserva a primeira e suprimem-se todas as outras duas. A plena luz e o olhar de um vigia captam melhor que a sombra, que finalmente protegia. A visibilidade é uma armadilha.

Ψ

O panóptico é uma construção intelectual visando obter o controlo. O (a coisa que controla) que controla “vê” os que são controlados e estes sabem disso – daí o medo dos que sabem disso.

Ψ

Blog Obvious – panóptico 2

“…sistema social disciplinar, ao identificar um indivíduo não-coeso, que não infringe nenhum expediente legal, mas que ainda sim precisa ser redisciplinado para voltar ao esquema externo vigente, já tem a quem recorrer (!). “

ψ

O panóptico original de Bentham visava criar controlo “sobre” e apontar alvos; não apenas quem infringia a lei, mas também quem, não a infringindo, não estava conforme os cânones do sistema social disciplinar/repressivo. Na época da criação do panóptico eram os loucos, ou os doentes, que eram considerados como os primeiros candidatos a fugir aos cânones e consequentemente a serem metidos em “sítios de controlo”( em sistemas panópticos).

Nos dias de hoje, quem é o primeiro candidato a fugir aos cânones é quem não é um cidadão padronizado, independentemente, do padrão que se queira pensar ou escolher como ponto de análise e de definição.

Um desempregado estará fora do padrão. Deve ser “contido” e “afastado”*, mas um empregado que use roupa considerada não adequada também estará fora do padrão, sendo que o padrão de roupa não adequada está em constante mutação. Como mero exemplo…

O antigo panóptico manifestava-se na criação de restrições físicas e ideias sociais.

O novo panóptico baseia-se primariamente, na criação de restrições ou vigilâncias electrónicas aplicadas aos cidadãos e ideias conceptuais do que deve ser a vida em sociedade. **

Já não somente um lugar(es) físico(s) “vigiados e controlados”, mas também um lugar virtual de onde todos somos olhados por todos – poucos controlam muitos.

Artigo original POBREZA DESEMPREGO FOME

*…Na outra parte do Portugal democrático temos uma notícia do jornal online Kaminhos de Leiria, no dia 27-05-2008, onde democraticamente foram criados novos pobres, pessoas que trabalham e tem supostamente uma vida estruturada, mas são pobres na mesma.

Atrasam-se a pagar as prestações de vários serviços que a sociedade em que vive, psicologicamente e fisicamente, lhes exige que adquiram, sob pena de exclusão social e desintegração.

Democraticamente são mandadas desta forma para o lixo, para o limbo, para uma zona não existente da sociedade.”

E em “Orgulho de Portugal, certamente que não” temos uma ideia/esboço do que se acha que deve ser o novo panóptico **

uma lógica de exclusão. A existência dessa lógica de exclusão não é questionada; antes existem pessoas em dificuldades mas o dilema da situação é transportado para cima dos intervenientes, enquanto que entidades como o Estado planam fora desta dimensão, como se não existissem.

Se os colocados nesta situação ganharem consciência e ousarem rebelar-se contra, imediatamente surgirá uma “narrativa” de propaganda contra quem é excluído.

… Causou muita impressão a quem lá estava o facto de esta senhora de 60 anos, ter almoçado, uma maça e um sumo.

Nada mais.

Isto é fome.

A pessoa que teve que tomar a decisão de não contratar a pessoa ficou bastante perturbado com isso, em face do que viu e pelo facto de ter efectivamente percebido que aquela senhora de 60 anos estava realmente com problemas sérios, a passar mal e com fome.

Foi colocado num dilema moral terrível.”

ψ

Blog Obvious – No panóptico 3

… Assim, a privacy, a privacidade, tornou-se expressão da liberdade, do indivíduo, e incitou o advento da fotografia, dos diários, das confissões ao pé da sacristia, do estar-se só. A inviolabilidade do domicílio e o direito ao segredo de correspondência são reconhecidos – ainda que pouco praticados, há de se dizer -, o homossexualismo deixa de ser visto como um delito e lentamente os corpos passam a se fechar em seu próprio torno.

Mas, num movimento tanto paradoxal, a imprensa (apoiada por seus consumidores) passa a preocupar-se, a avidamente interessar-se pela vida privada alheia, tornando o vigiar um dever, não concernente apenas às autoridades, mas um direito de todos; o direito ao saber e à satisfação das curiosidades: “o inconveniente do reinado da opinião que busca a liberdade é que esta se intromete onde não deve: na vida privada”, diria Stendhal.

… A obsessão pelo saber e pelo conhecer acaba por provocar um novo fenômeno científico-jurídico onde a busca pelo identificar, caracterizar e controlar transformou-se num medonho espetáculo antropológico cuja intenção era o de livrar a sociedade de toda e qualquer “anomalia” ou “endemia” humana, tentando torna-se uma massa uniforme de seres idênticos, moralizada e sã; fosse através das prisões, dos hospitais, dos internatos ou simplesmente pelo banimento do convívio social com a comunidade numa constante do vigiar e do punir. Uma busca d’uma sociedade ideal que nunca existiu…

ψ

No caso específico da privacidade, esta está em perigo com as novas “técnicas electrónicas” e com a aceitação acrítica das mesmas.( Quem não aceitar perder a privacidade está contra a lógica dominante e vai contra o padrão que se quer definir: o novo panóptico…)

A dimensão do controlo está a aumentar como ideia aceite ( induzida a ser aceite) por todos, gerando um novo panóptico tecnológico disfarçado de cartão electrónico nas escolas , de chip electrónico em automóveis, de panópticos comerciais, Entre muita outras.

E como se induz a ideia por todos? Publicita-se que todos podem ser vigilantes e que está já ao virar da esquina a possibilidade de agir para vigiar através de um sistema de queixa electrónica.

O panóptico moderno está de acordo com os tempos. Convida as suas vítimas a participarem na sua própria vitimização.

O panóptico moderno é empresarial contando, por vezes com a ajuda dos Estados. O panóptico moderno empresarial recolhe informação e faz trabalhar os cidadãos contra si próprios no acto de recolha dessa informação.

Written by dissidentex

04/10/2008 at 17:36