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LUTA PELO CONTROLO DAS FONTES DE PRODUÇÃO

Em Setembro de 1999, (altura em que o discurso foi feito) a convicção fabricada relativamente ao aumento da procura de fontes de energia – certas fontes de energia – era a seguinte.

– Que existiriam aumentos na procura dessa mesma energia (especificamente petróleo) com taxas de subida anuais de 2%.
– Que existiria uma descida de 3% na produção mundial de petróleo e de descoberta de novas fontes de produção do mesmo.

By some estimates there will be an average of two per cent annual growth in global oil demand over the years ahead along with conservatively a three per cent natural decline in production from existing reserves.

That means by 2010 we will need on the order of an additional fifty million barrels a day. So where is the oil going to come from?

Governments and the national oil companies are obviously controlling about ninety per cent of the assets. Oil remains fundamentally a government business. While many regions of the world offer great oil opportunities, the Middle East with two thirds of the world’s oil and the lowest cost, is still where the prize ultimately lies,

It is true that technology, privatisation and the opening up of a number of countries have created many new opportunities in areas around the world for various oil companies, but looking back to the early 1990’s, expectations were that significant amounts of the world’s new resources would come from such areas as the former Soviet Union and from China. Of course that didn’t turn out quite as expected.

Relativamente a Portugal uma pequena achega.

Se o vice presidente dos EUA até 2008, um senhor chamado Dick Cheney, afirma num discurso de 2004 ( colocado online desde essa data,após ter sido removido do site original…) que

Oil remains fundamentally a government business.

então porque é que a companhia portuguesa de petróleo chamada Galp começou a ser privatizada desde 2005 em diante?

Os interesses do Estado português neste grande jogo de conquista de fontes de energia não foram defendidos nem a autonomia estratégica do próprio Estado. Mas os interesses de estruturas de poder privadas, materializadas através do controlo accionista foram defendidas.

Se o médio oriente disse Dick Cheney”

is still where the prize ultimately lies,

então, tendo em conta que o conteúdo do discurso foi feito em 1999, estranhamos a existência da segunda guerra do Iraque porquê?

Citando a partir do Inbetween:

IRAQUE OIL -INBETWEEN1

O valor económico e estratégico destas províncias é óbvio no sentido em que Al-Basrah…

representa cerca de 60% da produção de crude do país e 70% das reservas, Maysan quase 8% e apesar de tradicionalmente a província de Dhi Qar ser apenas encarada como um parque arqueológico gigante há rumores que recentes prospecções possam indicar que possua cerca de 5% das reservas do país.

Aliás a própria implantação dos vários interesses anglo-saxónicos (em termos de objectivos económicos e políticos estão cada vez mais complicados de distinguir… a

unidade de opiniões e interesses leva-nos a questionar se vale a pena continuar a referir o Reino Unido como um país europeu) mostra uma clara concentração nas províncias a sul. Daí a necessidade de investimentos numa marinha, da fomentação de uma federação no sul do país.

A disposição tática norte americana é também importante.

IRAQ OIL -INBETWEEN2

As tropas estão colocadas onde

is still where the prize ultimately lies,

Não estão colocadas para defender direitos humanos.

Quem afirmar o contrário, ou mente em interesse próprio, ou apenas mente.

CONCENTRAÇÃO DE BANCOS EM PORTUGAL

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Um dos problemas de Portugal e dos portugueses é o facto de – dizem-nos os adeptos do liberalismo na economia – existir “pouca concorrência” nos mercados. Notícia Público – Economia, dia 28 – 05 – 2009.

Isto é, existirem poucos concorrentes nos mercados. E o responsável do Deustche Bank, o banco que despoletou juridicamente a crise financeira norte americana, vem dizer-nos que é bom existir pouca concorrência no mercado. E importa perceber porquê…

DEUTSCHE BANK - CONCENTRAÇÃO DE BANCOS

(1) É inevitável. Porquê? O responsável do Deustche Bank não diz. E aponta o caminho: absorção ou fusão das instituições mais pequenas.

São aquelas instituições que ocupam os mesmos pedaços “pequenos” de mercado que o Deustche Bank também ocupa.

Fazer publicidade em causa própria é a nova medida de ética.

(2) Fusão das instituições mais pequenas. Entre si, ou com o Deutsche Bank? E por que preço? E por qual quota de mercado a atingir? E quem assume as dividas das instituições mais pequenas? São as instituições que faliram, ou são as outras instituições mais pequenas que não faliram?

(3) Um modelo de negócio mais tradicional é que é necessário ter “mais escala” ou seja, mais tamanho”. Porquê, mais tamanho? Para ocupar que mercados?

Se os bancos portugueses – mais pequenos – estão “entalados”  entre os bancos portugueses maiores (estes tem uma quota de mercado à volta dos 85%) então para quê ganhar “escala”?

Para expandir para o estrangeiro? Bom, mas se o bancos portugueses normais não conseguem sair de Portugal, porque seriam os pequenos a fazer isso? E como se ganha quota de mercado, mesmo fundindo-se bancos pequenos com bancos pequenos?

Para expandir em Portugal? Há a questão das sinergias, mas isso não explica ( nem de perto nem de longe) tudo…

Então quem pode beneficiar com isto? O Deutsche Bank, que poderá eventualmente, num determinado futuro comprar um banco eventualmente fusionado (e com um tamanho ajustado aquilo que o Deutsche Bank pretende (adquirir) do mercado português) resultante destas propostas que o seu responsável apresenta….

(4) No ponto 4 que escolhi, o responsável do banco alemão em Portugal tem um leve acesso de marxismo económico. Manifesta-se perguntando qual é o numero de bancos necessário para que as “coisas funcionem”. Julgava eu, que era o “mercado” que determinava isso.

É o mercado que determina isso, excepto quando o Deutsche Bank, não tem quota de mercado que lhe permita crescer (A) organicamente, ou (B) por aquisições e fusões de concorrentes.

Aí o mercado afasta-se para a barra lateral. E entra o intervencionismo retórico, em conferencias do Finantial Times – interesses estrangeiros a fazerem pressão sobre o mercado português…

(5) É claro que são os bancos mais pequenos que sofrem com as condições do mercado, porquê? TBTF (To big to fail – demasiado grandes para falharem) era o mantra que rebentou recentemente com alguns bancos grandes – todos eles maiores que o Deutsche Bank.

Portanto é “claro” porquê? Porque um director regional do Deutsche Bank o diz?

E acreditamos nele porquê?

(6) E diz-nos o ex-director do impostos que voltou para o BCP, que será visível a redução do crédito destinado a particulares e sobretudo, no sector imobiliário.

Os bancos cortam a torneira, não porque seja “visível” a crise do crédito, mas pura e simplesmente porque já estão cheios de perdas nos balanços e não querem mais.

Mas estão a indicar-nos que “acabaram de abortar” contra a vontade de qualquer governo eleito futuramente, qualquer ” ideia leve” de recuperação económica.

Indicam que estão completamente contra a corrente propagandística do actual governo que fala de recuperações económicas que estão a vir.

E indicam que os mais de 2 biliões de euros injectados nos bancos portugueses por causa da crise (de um pacote total disponível à volta dos 20 biliões de euros) afinal não serviram para aliviar a torneira da concessão de crédito.

Os bancos querem as coisas como estão. O seu poder aumenta com as coisas assim, e mais condiciona qualquer governo eleito.

(7) Crescimentos de crédito na área dos dois dígitos ao ano não são desejáveis. Resta dizer, que quem quis ter crescimentos de crédito na área dos dois dígitos foram …… todos os bancos?!?!? ……que se lançaram na concessão louca de crédito por todos os lados.

Ø

De um ponto de vista da “concorrência” o que o responsável do Deutsche Bank esta a postular, dizendo isso ao estado Português; é que o numero de concorrentes no sector bancário ainda deve ser mais reduzido do que aquilo que é.

São as ideias de uma certa “elite financeira e capitalista mundial” que estão aqui plasmadas. Redução dos números dos concorrentes locais, para que os grandes bancos mundiais, possam “ocupar espaço” e salvar as mais recentes perdas que tiveram.

Logo, é necessário “expandir à força” e o Deutsche Bank necssita disso devido às perdas que ainda tem devido à crise financeira norte americana.

“Expandir à força”= persuadir através de órgãos de persuasão (o Finantial Times) veiculando a mensagem que “há crise no sistema, reduzam, os actores…

Ø

Qual é o interesse nacional que é defendido, pela redução do numero de bancos comerciais a operar no mercado?

O ERRO DO BLOCO DE ESQUERDA

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Todas as pessoas, ou pelo menos quase todas, apreciam a tranquilidade de um quotidiano repetido.

Todas as pessoas, ou pelo menos quase todas, gostam de calma e passarinhos a cantar.

É por isso que quando alguém ou alguma força política se propõe abanar a tranquilidade de um quotidiano político repetido, o deve fazer com “objectivos”.

E o Bloco de Esquerda esforça-se por abanar a tranquilidade repetida do quotidiano político mas sem definir os objectivos certos para o fazer. Notícia RTP de 12 de Maio de 2009.

É por isso que apenas tem 10% de votos.

BLOCO DE ESQUERDA - IMPOSTO SOBRE FORTUNAS

E quais são os objectivos políticos certos?

São passar por afirmar e demonstrar sem qualquer tipo de dúvidas  que as  fortunas portuguesas se recusam – de facto –  a contribuir para o (1) Estado português  (para a Nação) e por consequência, se recusam a contribuir para a (2) sociedade portuguesa, e por consequência nada contribuem para (3) Portugal.

Como tal é necessário dizer que deverão pagar as crises que geram. E geram as crises, pela complacência e pelo deixar andar, porque adoptam formas de comportamento económico que nada geram para a economia portuguesa.

Nada geram na economia portuguesa, senão monopólios e oligópolios disfarçados de economia de mercado.

Nada geram na economia portuguesa, senão bloqueios e constrangimentos no poder político e no Estado e respectivo funcionamento.

Nada geram na sociedade portuguesa senão ressentimento social e enormes divergências entre cidadãos portugueses; entre os que tem e os que não tem, uma divisão sempre artificialmente alimentada.

Nada geram senão uma cultura elitista, parasitária na economia e de constante subordinação do poder político ao poder económico e destes dois a um conjunto de pessoas nas sombras que – efectivamente controlam este país.

Os resultados estão – perfeitamente à vista.

Um país com uma economia de mercado supostamente de mercado, onde tudo aparentemente funciona, mas mal. Um país preso por elásticos sociais que se estão a romper.

Um país onde o poder político nada efectivamente manda.

Um país completamente destituído de conceitos de interesse nacional a serem aplicados pelo poder político em defesa do país.

Um país eternamente adiado e a caminho  de se tornar um Estado frágil e sem qualquer relevância política ou económica a nível nacional e internacional. (O que produzimos?)

Uma país onde é possível afirmar que os actuais filhos dos actuais  pais do actual país que dá pelo nome de Portugal viverão pior do que os seus pais.

E tudo isto é independente do poder político-partidário que esteja em funções.

Acontecerá seja qual for o partido político em funções.

Ø

Porque o problema não é um de “partidos políticos ” ou de pessoas momentaneamente em cargos, mas sim um problema de “estrutura”; de definição do que é interesse nacional, de definição de uma linha de rumo estratégica para  país.

Porque o problema é que as pessoas apreciam a tranquilidade de um quotidiano repetido, julgando que será assim que algo mudará.

Nunca uma longa sucessão de quotidianos tranquilos repetidos mudou alguma coisa.

Ø

Como as grandes fortunas (para utilizar o jargão do bloco de esquerda) se recusam a contribuir para o país, deverá ser dito pelo Bloco de esquerda (ou qualquer outro partido que assim o queira fazer) que estas devem ser taxadas – porque se recusam a contribuir para o país!

E acaso alguém diga que passará a existir fuga de capitais, assim seja.

Ø

Para que queremos em Portugal estes “capitais” se estes “capitais” não contribuem para o país?

Para que “queremos ” estes “capitais” se “estes capitais” não investem um mínimo que seja?

Para que “queremos” estes “capitais” se “estes capitais” sempre que podem, minam o poder político?

Não será melhor substitui-los por outros?

Não existirão candidatos estrangeiros que nos façam o amável favor de nos libertar desta dependência?

Ficaríamos na mesma dependentes, mas pelo  menos, ganharíamos em mais competência e menos monopólios.

Ø

Este é o erro do Bloco de esquerda.

Apenas diz que se deve aplicar impostos sobre fortunas.

Mas não diz porque é que se deve aplicar impostos sobre as fortunas.

AS VITÓRIAS MORAIS DE PORTUGAL

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Durante os próximos dias, meses, anos, décadas, iremos ver o regime português a tentar sobreviver.

Desesperadamente.

Procurando criar “animo” nas “tropas” – os cidadãos, os tais que estão a ser esmagados debaixo de um punho de ferro de dificuldades, não só monetárias, mas também de exercício de direitos de cidadania.

Para obter “animo” e insuflar coragem nas tropas, é necessário mencionar “feitos heróicos” que os bravos lusitanos tenham realizado. Uma notícia o Jornal de notícias, de 02 – 03 – 2009.

jn-vitorias-morais-visual-complexity

Sobre o facto de este “designer” (1) viver em Londres, (2) trabalhar para a Nokia e (3) ter fundado um site inovador;

tudo actividades realizadas no estrangeiro, e para as quais Portugal nada contribuiu, nada se diz.

Uma nova indústria de vitórias morais está a nascer.

Written by dissidentex

15/04/2009 at 18:32

ESPANHA, PORTUGAL E O TGV

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No dia 24 de Setembro de 2008 inseri um artigo chamado “satélite espanhol vigia a costa portuguesa” onde era mostrada e comentada uma notícia do Diário de notícias segundo a qual Madrid estaria a montar um serviço de vigilância da costa portuguesa, com um comando central nas ilhas canárias e um comando secundário em Lisboa.

O governo português, poltrão e alheado de quaisquer valores pelo quais se deva reger, neste tipo de assuntos, assim como noutros, não comentou a questão na altura.

No artigo anteriormente mencionado mencionei vários exemplos de como o governo português (o Estado português) recusa ceder soberania (tropas portuguesas em missões internacionais, juntas com tropas italianas, por exemplo, mas não espanholas) e se comporta geralmente.

No entanto algo está a mudar e são ténues os sinais mas existem. O embaixador espanhol em Portugal fala como se fosse um regente nomeado. Notícia Diário de notícias de 22 de Janeiro de 2009.

espanha-ameaca-estrategica-tgv

Alguns excertos:

vamos relançar ou acelerar os investimentos públicos em infra-estruturas, investimentos que são estratégicos: a ligação de alta velocidade ou do TGV entre Madrid e Lisboa, Porto e Vigo, para 2013 e 2015, no caso de Lisboa-Porto, e depois a ligação Aveiro-Salamanca e Sevilha-Huelva-Faro”.

Define a política naval de Espanha e de Portugal:

“O porto natural de Espanha devia ser Lisboa e não Valência.”

Define a política de transportes e de energia  portuguesa:

Vamos duplicar a interconexão eléctrica e vamos relançar o MIBEL. Neste momento Portugal está a comprar 20% da electricidade em Espanha.”

E explica que se para Espanha o TGV é sinónimo de coesão e territorialidade, com uma ligação do TGV feita e em funcionamento, essa coesão e territorialidade seria feita entre “Espanha e Portugal…

“Para muitos espanhóis, o TGV é sinónimo de coesão territorial e de prosperidade. Neste momento temos 13 cidades ligadas pelo TGV. Todas as capitais de província espanholas querem o TGV. É uma mudança histórica.”

Já quando se fala de regionalização em Portugal, o embaixador retira-se do assunto dizendo que:

José Sócrates apresentou há dias a sua moção ao congresso do PS onde defende um referendo à regionalização. O que pensa da ideia, dada a experiência da Espanha como estado de autonomias?

Esta é uma decisão que compete aos portugueses.”

Percebe-se porquê.

Se se quer “juntar ” Espanha a Portugal não interessa que Portugal se divida em regiões, aumentando a confusão e a dificuldade do processo político de “anexação” económica-pacifica de Portugal – Espanha.

Nota: se o TGV é tão bom, segundo nos diz o embaixador espanhol, porque é que Madrid não recebe os fundos europeus para o construir, faz isso efectivamente, e depois fica a gerir a linha e o serviço?

Se calhar, mas só se calhar, é porque é bom o TGV, mas para Espanha e desde que exista linha até Portugal, mas que a linha portuguesa seja paga por Portugal, mas servindo estrategicamente Espanha.

Até por este simples pormenor se verifica que o TGV não interessa.

Written by dissidentex

29/03/2009 at 15:41

PORTUGAL: REPÚBLICA DEMOCRÁTICA LIBERAL NEPOTISTA DO CARNEIRIQUISTÃO

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Proponho que este país mude de nome. Que seja algo adequado à maioria dos seus habitantes e ao seu governo. Eis uma quantas sugestões: Carneirquistão, Futebogal, República Chico Espértica, Pantanal, República da Tanga ou Portangal, PortugALL, Nojeira.<

Leitor “Rezaf” a propósito desta caixa de comentários.

Ø

Sugestões para uma próxima campanha de promoção turística ou o que seja, deste local:

Em português:

republica-democratica-do-carneiriquistao1

In english…to promote the “New country”  to the foreign and naive masses…

republica-democratica-do-carneiriquistao-2

Written by dissidentex

08/01/2009 at 17:48

Publicado em PAÍSES, PORTUGAL

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DESEMPREGO, GALIZA E CONFLITOS ECONÓMICOS…

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A imagem mais à esquerda corresponde a uma notícia publicada no jornal Global de terça feira 23 de Setembro de 2008, e mostra uma situação que acontece em Portugal.

Acontece mas é convenientemente abafada e submergida dentro de milhares de notícias de todos os tipos feitios e modelos que encharcam os jornais e a comunicação social.

Dessa forma os portugueses ficam sem ter uma clara percepção do que está a acontecer, isto é, da “dimensão” do que está a acontecer neste país.

Impossibilitados de conseguir trabalhar em Portugal e acima de tudo, de ganhar dinheiro em Portugal que dê para viver, os portugueses emigram para a Espanha. Quando percebem onde chegam imediatamente não querem sair.

E do lado esquerdo, na notícia menos à esquerda, temos as consequências concretas da traição que as “elites” portugueses construíram e planearam para o país vir a ser  que é.

Como as pessoas estão, muitas delas, a fugir disto e da miséria que as espera aqui, vão para Espanha. Ao irem para Espanha deflacionam completamente os salários e os empregos de quem já lá está e vive.

É o caso da notícia de 25 de Setembro de 2008 do Jornal gratuito Destak, onde, um grupo de agricultores da Galiza bloqueou leite importado de Portugal. A Galiza, como é mais próxima de Portugal, constitui o mercado natural de combate sem tréguas, o campo de batalha onde estas “regras” de “mercados abertos” que temos que aturar fazem estragos.

Politicamente e economicamente estes são os resultados obtidos e negociados, especialmente do lado da  esquerda política, do facto de não perceberem nada do mundo em que vivem. E fazem gala e orgulho nisso.

As perturbações económicas e sociais que este tipo de coisas (os acordos comerciais de livre comércio)  estão a originar, apenas levam à desregulação de mercados, à mais completa iniciação de sentimentos de xenofobia, à criação de enormes bolsas de desemprego em ambos os lados da fronteira neste caso.

E também a um clima de combate e crispação entre pessoas, que apenas favorece, quem tem imenso dinheiro ou seja que já é rico, que olha do alto os pigmeus a lutarem entre si. (sem que os pigmeus olhem para cima e vejam quem está no alto).

Depois quando os incidentes xenófobos, os despedimentos, a confusão económica acontecem, o que se diz é: “incidentes deste tipo não contribuem para resolver a situação”. (É uma frase do governo espanhol, como poderia ser de qualquer político português…)

Sem pretender apelar à combates de rua e manifestações, pergunta-se: então o que é que contribui para resolver a situação? Retórica?

Voltando à esquerda política portuguesa, TODA ELA, continua alegremente a defender políticas generosas de imigração (deixar entrar generosamente e legalizar generosamente quem cá está e quem se quiser legalizar) isto perante a não existência de qualquer tipo de criação de empregos sustentáveis ou de lógica económica que sustente isto.

Enquanto que paralelamente e ao mesmo tempo, se continua a sorrir de satisfação porque milhares de portugueses saem de Portugal, para irem para outros países e milhares de imigrantes chegam cá.

– São também pessoas, menos pessoas a contestarem cá dentro, o que aqui se passa.

É apenas por isto que a taxa de desemprego portuguesa é relativamente baixa. Se todos os portugueses que tem saído ainda cá continuassem teríamos 15% de taxa de desemprego, em vez dos 8%..oficiais…

No dia 29 de Junho de 2008 inseri um artigo chamado “desemprego,dumping, Galiza”. Nesse artigo a dada altura transcrevia-se uma notícia do Jornal de Destak de 19-03-2008, em que se citavam declarações de um sindicalista galego á propósito do dumping laboral. Re-transcreve-se uma parte:

“”.Disse ainda que os governos «fecham os olhos» porque esta é uma situação que «igualmente lhes interessa sobremaneira». «O Governo português consegue assim uma ‘saída’ para os milhares e milhares de desempregados do País. O Governo espanhol consegue, no caso da linha de alta velocidade, obras mais rápidas a mais baixo custo. E andamos nisto», criticou Xosé Melón….”

Isto baseava-se numa notícia de Março de 2008, e verifica-se que “o problema” continua a existir.

É portanto “uma lógica que se instalou” de pequenos conflitos de agressividade controlada entre interesses de produtores galegos e exportação de mão de obra barata de Portugal para Espanha.

Este conflito, contudo, está longe de ser resolvido e politicamente, continua-se a brincar com uma situação que tem o potencial de gerar xenofobia e movimentos de extrema direita muito poderosos. No mesmo artigo perguntava e transcrevo:

” …E como se irá resolver isto pelos “democratas” de esquerda?

Provavelmente com retórica. Sempre retórica e apelos à “liberdade, à democracia “. Ou, “chantagem emocional”, e insinuar dividas de gratidão que os portugueses terão para com os “democratas” de esquerda, e portanto a pedir que se aceite isto como uma “política de esquerda”. ( A direita política, os neo liberais e todas as forças extremistas de cariz nacionalista agradecem com entusiasmo este tipo de situações…

Quando as coisas rebentarem, irão fazer apelos à “união dos democratas” contra a xenofobia e o racismo. Nessa altura terão a enorme surpresa de verificarem que a generalidade da população receberá com indiferença esses apelos.

Os que ainda cá estiverem e não tiverem emigrado já não estarão com disposição de defenderem a “democracia”. Quer dizer, “isto” a que chamam democracia.

GELADOS

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♦Após termos sido avassalados recuperemos o fôlego com um interlúdio musical. Parece-me apropriado inserir uma melodia de uma banda calma e simpática – os Van Halen. Estes, nos seus intervalos do estudo de Nietzsche e Kant debruçaram-se sobre a problemática dos vendedores de gelados e dos gelados per si.

É uma letra muito inocente que nos fala de um jovem rapaz que quer ser o gelado que irá arrefecer o verão quente de uma jovem cristã que ele conhece. Isto é, claramente, filosofia e da boa, afirmando o “pathos” e a “doxa” assentes na necessidade do Homem ser pragmático e frio – um ser gelado…

Fim do interlúdio musical dedicado a todos os que demandam este humilde tugúrio.

Desconstruamos a seguir…

1.

O miúdo pede ao pai um gelado. Concluímos que, o pai “fino”, sofisticado, um esteta do bom gosto e do bom senso responde de forma arrojada com a sandes. A sandes é o novo paradigma pós moderno do bom gosto! A sandes é um acto de filosofia gastronómica.

Percebe-se a sofisticação desta criatura pelo facto de ir com roupa de marca para a praia. O arrojo da ida para a praia com esta roupa, traí um desejo secreto. Disfarçar o facto de se ser um imbecil pós moderno vaidoso.

( Não é a roupa de marca que dá estilo ou cria sofisticação mas a substancia das pessoas, e tudo isso é estragado quando a portuguessíssima “sandes” aparece em cena. Todo o “glamour” desaparece instantaneamente perante a palavra sandes.)

Mas alguém conseguiria explicar isto àquela alminha…

2.

O miúdo insiste e o pai, perseguindo o seu desejo secreto de esteta, sofisticado e fino ( um perfecionista em busca da derradeira obra de arte) aumenta parada filosófica e profere a palavra:”porra”.

Olá.Subscrevo e acompanho.É um porra simbólico e metafisico, sim senhor!

Olá. Subscrevo e acompanho.É um porra simbólico e metafísico, sim senhor!

O “porra” pode ser erradamente confundido com uma vontade de ser um boçal grunho vestido com roupa de marca a insultar o filho. Essa é a explicação “fácil”

Proponho uma explicação alternativa de forma irónica e com profundo gozo: Este é um “porra” simbólico e metafísico.

Porquê metafísico? Porque está para além da física (e da química e das outras coisas todas…) e para lá de tudo – está no infinito e mais além.

É o que simboliza este “porra” ? Simboliza a queixa do pai relativamente ao míudo derivada do facto de este lhe colocar um problema filosófico que ele considera impossível de resolver.

Em vez de pensarmos que o pai está demonstrar não gostar muito do filho e apenas aplica como tantos outros pais, a teoria pedagógica do tradicional pai português, totalitário, que consiste em ser um boçal cretino, peneirento e vaidoso até às orelhas. (Imagem DAQUI)

Nós é que estamos errados em pensarmos que este senhor é um boi idiota representativo do estado do país. Não! É o novo paradigma pós moderno ( quanto pior, melhor (e quanto mais ambíguo melhor)) que assim dita este comportamento… País urjo-os: adaptem-se à boçalidade pós moderna! JÁ!

3.

“Comes aquilo que te puserem à frente”. Só faltou dizer imediatamente”:senão comes levas uma galheta (nos cornos)

O “comes aquilo que a gente te disser para comer” tem a sua lógica. Por comparação ao pai pós moderno europeu, ou norte americano que não dá ordens destas. Esse diz que, deves apenas comer se realmente gostares disso. (É um comando tácito totalitário e que obriga ao acto de gostar mesmo que não se goste).

Já o pai pós moderno português não vai cá nessas modernices pseudo democráticas e utiliza a versão 1.0. do conceito. Roupas de marca – simbolizando modernismo e cosmopolitismo – mescladas com o simpático conceito Salazarista do pai de família… e ameaçando arrear umas galhetas logo ali… sem dó nem piedade.

4.

Também existe economia de mercado – o argumento económico. “Não pago a merda de 7 euros por um gelado”. Tradução: Não mereces isso – 7 euros – apesar de seres meu filho. Se fosses o meu cão eu pagaria à vontade uma tosquia de 12 euros… O homem pós moderno é assim:gosta de animais…

Clicar imagem.

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5.

Parte 1

Temos também o argumento emocional auto vitimizador – “queres estragar-me as férias?”

Vozes torpes e vis poderiam afirmar que um imbecil que vai para a praia com roupas de marca vestidas já conseguiu a ele mesmo estragar as suas férias.

Mas aqui neste blog afirma-se que o que existe é um “angst” interior. Este senhor estava na realidade, a soltar um grito mudo de atenção que se traduz na seguinte frase que eu traduzo: Como podes tu, meu adorado filho, fazer exigências tão absurdas que eu não quero aturar nem corresponder? És um mau filho.

(Este senhor é que é a vitima e o filho de sete anos um perigoso agressor reaccionário!)

Não só deveremos pensar isto, como esta frase foi tão boa que até deu para eu escrever a palavra “angst”…

Parte 2

Elementos do oitavo exército orbital da angústia que eu contactei para opinarem sobre este assunto e que estudam estes assuntos em altitude, concordam comigo: a criatura em questão é tão estúpida que ainda não percebeu nem sequer perceberá que quem estragou as suas próprias férias foi ele e a mulher quando decidiram ir para um sítio.

Como tal decidiu – para sublimar a frustração – destruir um pouco mais o carácter do filho fazendo-o sentir complexos de inferioridade.

6.

Existe ainda a questão metafísica da “galheta” que prova que este pai é um pós moderno 1.0 versão Portugal.

Não disse logo inicialmente “levas uma galheta”, porque até nisso este pai é estúpido original. Preferiu deixar para o fim a utilização do aríete metafisico “Galheta” apenas e depois de fazer tudo o que é necessário para destruir ainda mais o filho com esta “nega”.

Isto é Portugal e os portugueses a aperfeiçoarem o pós modernismo boçal 1.0.

Será que estamos aqui perante um novo nicho de mercado para exportar para o estrangeiro? Contacte-se já o Ministério da Economia…

6.

Em todos os enredos existe uma fêmea. A nossa, cheia de complexos de auto afirmação estética, opta por não coarctar ( um artigo com a densidade narrativa deste já merecia uma palavra como coarctar…) o pai/marido fazendo o papel de fêmea submissa para não estragar o bikini Pierre Cardin e restantes ornamentos.

Vestida como um reflector solar que lhe interessam esses pequenos pormenores?

Aqui temos uma sub deriva estética de afirmação política: o pós modernismo reflector solar versão Beta.

Actualmente as pessoas afirmam-se ( julgam isso) pela ostentação de objectos materiais de elevado valor a que socialmente os outros darão importância.

Ainda não saíram das árvores.

Portugal é um país cheio de pessoas que julgam que outras pessoas se importam com algumas das coisas que supostamente acham importantes mas às quais outras pessoas não passam importância nenhuma.

“onde é que este país se perdeu” ?

Começo a suspeitar que não o quero encontrar.

E que deveremos começar a fazer a pergunta ao contrário. Queremos mesmo encontrar isto?

Written by dissidentex

02/09/2008 at 10:04