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PUBLICIDADE (FALSA) – UM DOS POLVOS A ELIMINAR

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Ignacio Ramonet – (01/05/2001)

PUBLICIDADE (Propaganda – aditamento meu)

“O polvo da publicidade”

“… Tentacular, asfixiante e opressiva, ela sabe utilizar os melhores trunfos da sedução, e mobilizar todos os recursos do desejo. Mas sob ela, o luxo torna-se uma necessidade, e é preciso perpetuar uma existência devotada a desafios alienados e desumanizados…”

“…Ao mesmo tempo um veículo ideológico e uma técnica de persuasão, a publicidade tem a capacidade de saber utilizar os melhores trunfos da sedução, mobilizando todos os recursos da estratégia do desejo, sob todas as formas.”

“Sua aparência risonha e seu entusiasmo simpático a tornam agradável, ou aceitável, para a maioria das pessoas.”

“E ainda fazem passar por chato quem lembra, simplesmente, que sob aquela aparência externa atraente, a publicidade é, quase sempre, pura propaganda, uma autêntica máquina de guerra ideológica a serviço de um modelo de sociedade que tem por base o capital, o mercado, o comércio e o consumo.”

“E da própria política, que a ela recorre maciçamente durante as campanhas eleitorais.”

“Pois não se pode esquecer que a publicidade parasita a principal e maior de todas as artes: o comportamento dos seres humanos.”

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Written by dissidentex

14/03/2011 at 14:47

EDUCAÇÃO EM PORTUGAL. Formação em publicidade aos alunos dos 1º e 2ºciclos. (2)

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JORNAL 1º JANEIRO- CAPA- PROGRAMA MEDIA SMART

(A) No artigo anterior falou-se do lançamento do programa Media Smart. Uma técnica de meter publicidade a martelo nas escolas portuguesas. Essa “publicidade” e a maneira de a ver, a ser ensinada por empresas. Isto é, por juízes em causa própria a defenderem o seu produto.

(B) Falou-se da dimensão existente na Lei de defesa do consumidor (incumbências do Estado) que estará supostamente existente na mesma lei.

(C) De como a médio prazo, os pais, a ser continuada esta lógica, irão ser colocados numa situação em que estarão em conflito com os filhos relativamente ao que comprarem ou não para os mesmos. Querendo contrariar os filhos estarão numa situação em que na escola lhes será dito uma coisa e fora delas( os pais) outra coisa.

  • Continuando para a dimensão direito económico.

(3) A dimensão do direito económico. E das leis justas de concorrência entre empresas.

Aqui chegamos à APAN – associação portuguesa de anunciantes. Na página dos associados verificamos que todas as empresas “pesos pesados” na área da produção/serviços de Portugal, estão lá, ou seja são associados. Os bancos, as empresas de distribuição alimentar, as empresas de Internet, os correios, os produtores de carne, de bebidas, de detergentes, de flocos de milho, de café, peixe e sapatos, combustíveis, roupa, bebidas etc.

Todos os grandes jogadores, estão ali.

LOGOTIPO MEDIA SMARTEstas empresas, ao ser-lhes dado esta ideia ( quero com isto dizer, elas é que fizeram lobby para isto…) de irem para as escolas fazer publicidade, através do programa SMART , conseguiram um privilegiado canal de distribuição comercial das suas marcas e serviços.

Publicidade gratuita paga pelo Estado, isto é, por todos nós, irá através das escolas públicas, sustentar uma parte do orçamento de Marketing de todas estas empresas.

Também providenciará aquilo que as marcas mais gostam: fidelizar consumidores logo desde pequenos. Escravizar mentalmente potenciais consumidores logo desde pequenos.

Demonstra bem a dimensão da insegurança destas empresas que não tem confiança nenhuma no seu próprio produto. Sentindo a necessidade de fazerem lobbi para criarem esta falcatrua gigantesca paga com o dinheiro de todos os contribuintes. Apenas para servir interesses estritamente privados destas mesmas empresas.

O pior ainda é que nada do que aqui está é benéfico para o capitalismo ou para a economia de mercado; nada é benéfico para a sociedade, nada é benéfico para os cidadãos.

É uma forma de comunismo camuflado praticado por empresas. Nada mais.

O mais espantoso é que na lista de empresas existem 4 empresas estatais, pelo menos. CGD e CTT, CP e GALP.

O Estado trabalha contra si próprio.

Ninguém se incomoda com isto.

Mais ainda: conseguem isto, perante a complacência dos partidos políticos os de esquerda ou os de direita, indo objectivamente, contra a lei do país.

Notável.

A APDC, uma honesta, embora pequena associação de consumidores denuncia a situação. Como se pode ver, quer no primeiro artigo – Educação em Portugal, formação em publicidade aos alunos do 1º e 2º ciclo – quer lendo aqui sobre a APDC aqui no jornal Público de 15-02-2008.

Alguém sabe por onde anda a associação de consumidores do partido socialista que dá pelo nome de DECO?

Transcrevo a seguir um excerto da notícia do Primeiro de Janeiro de onde foi tirada a imagem lá em cima e que pode ser encontrada na página institucional da APAN.

O embuste publicitário chama-se “Estimular a análise das crianças face à Publicidade” publicado através de um grande favor no Jornal “O Primeiro de Janeiro” de 22-02-08. Só pode ter sido um grande favor que um jornal com tiragem de 21 mil exemplares, faz publicando uma notícia destas da forma que o faz.

Não é inocente a escolha deste jornal. Pequeno, semi regional. Assim a notícia aparece, mas não aparece muito.

Também é estranho a ideia, isto é, o conceito, de estimular a análise das crianças face á publicidade”. Estimular porquê?

Existe alguma necessidade de ajudar a estimular as análises das crianças face à publicidade?

Há alguma urgência nisso?

Só se for do ponto de vista dos associados da APAN que são, aqui nesta situação, os únicos que tem INTERESSE em que se estimule a publicidade às suas próprias marcas.

Na página de onde se pode fazer o descarregamento do PDF com a notícia do jornal pode ler-se o seguinte:
PROGRAMA SMART- MODULOS E ROBERTO CARNEIRO

O senhor Roberto Caneiro não é perito de coisa absolutamente nenhuma.

Excepto aparecer nos mais variados sítios da área educativa e sem ser educativa a fazer os estragos que se sabem.

Foi o magnifico responsável pela PGA, a prova geral de acesso nos anos 80, que foi o lançamento do ataque ao conceito de escola pública com os tristes resultados que se conhecem.

Repare-se, ainda, no delicioso mas perverso pormenor que está aqui: “exemplos reais retirados do mundo da publicidade nacional, o que constitui forma mais estimulante de transmitir ensinamentos sobre os meios e as mensagens que transmitem.

(4) Vamos até à wikipédia. Mensagem subliminar – parte da persuasão subliminar:

“…A persuasão subliminar seria a capacidade que uma mensagem teria de influenciar o receptor. Segundo a hipótese, toda mensagem subliminar tem um determinado grau de persuasão, e pode vir a influenciar tanto as vontades de uma forma imediata (fazendo por exemplo, uma pessoa sentir vontade de beber ou comer algo), como até mesmo a personalidade ou gostos pessoais de alguém a longo prazo (mudando o seu comportamento, transformando uma pessoa tímida em extrovertida). Esse grau de persuasão deveria variar de acordo com o tempo de exposição à mensagem, e a personalidade do receptor. “

Fácil será concluir que, juntando uma parte à outra; “os exemplos reais retirados da publicidade nacional…” tem um determinado grau de persuasão, e pode vir a influenciar tanto as vontades de uma forma imediata (fazendo por exemplo, uma pessoa sentir vontade de beber ou comer algo), como até mesmo a personalidade ou gostos pessoais de alguém a longo prazo (mudando o seu comportamento,..

Ou estamos aqui a enganar quem?

Transmitir “ensinamentos” é uma forma ” amigável “ de dizer que estão a transmitir mensagens subliminares de apelo à compra de produtos destas mesmas empresas. Estão a educar futuros potenciais consumidores das sua marcas e produtos. Estão a ocupar “espaço” mental.

Do ponto de vista do direito económico e das leis da concorrência isto é também interessante.

As empresas que não pertencem ao “clube APAN” ficam colocadas em extrema desigualdade para quererem concorrer com estes “pesos pesados” da APAN. (A longo prazo)

É uma espécie de ataque preventivo que aqui está. Assegurar os clientes do futuro, mas no presente, sendo que é o Estado, todos nós, que pagamos isto.

Isto agora é capitalismo? Então onde é que está concorrência leal? Pensava que em capitalismo existia concorrência e não clubes privados. Afinal parece que não… temos antes comunismo corporativo.

LMP A MARKETIZAR (5) E quem organiza comunicacionalmente tudo isto?

A LPM, empresa de Luís Paixão Martins, a mesma pessoa/empresa que diz que é necessário encharcar os microfones.

Como se podia ver aqui no Sócrates de rosto humano de há uns dias e nesta imagem mais ao lado.

Os tentáculos desta empresa de propaganda comunicação chegam à campanha de Cavaco Silva, chegam para eleger Sócrates, e chegam para fomentar, como se pode ver na primeira imagem do post em cima do lado esquerdo, a publicidade em escolas.

Não critico directamente a empresa, estão apenas a fazer o seu trabalho e a ganharem negócios para si mesmos. No entanto é estranho que a mesma empresa esteja presente em todos os lados do negócio.

É como se existissem dois exércitos a lutar entre si, aconselhados pela mesma empresa, a LPM.

Repare-se que na notícia do Primeiro de Janeiro.

Repare-se quando se tira uma imagem da página institucional da LPM , a passar em nota de rodapé e o que aparece? A APAN entre muitas outras…

LPM-FAIXA COMUNICACIONAL

EDUCAÇÃO EM PORTUGAL. Formação em publicidade aos alunos dos 1º e 2º ciclos. (1)

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Sobre este mesmo tema parte 2 – Educação em Portugal.Formação em publicidade aos alunos do 1º e 2º ciclo (2) .

Durante o período (1995- 2001) em que António Guterres, membro do partido socialista, pseudo esquerdista, padre cura frustrado, mau político, foi primeiro ministro, saiu para as bancas uma lei chamada “Lei de defesa do consumidor”.

Lixo legislativo saído da cabeça das alimárias do Guterrismo; uma coisa vagamente vaga e indefinidamente indefinida que apenas existe para “inglês ver”.

Legislação feita para se mostrar para fora do país e para dentro do país que até parece que somos um país democrático e “normal regido por leis que protegem os cidadãos consumidores.”

Naturalmente, é absolutamente falso que sejamos um país democrático e normal, antes somos corruptos e totalitários, mas disfarçados de país normal.

A referida lei visa “proteger o consumidor”.

Cite-se o artigo 6.

Artigo 6.º – Direito à formação e à educação.

1- Incumbe ao Estado a promoção de uma política educativa para os consumidores, através da inserção nos programas e nas actividades escolares, bem como nas acções de educação permanente, de matérias relacionadas com o consumo e os direitos dos consumidores, usando, designadamente, os meios tecnológicos próprios numa sociedade de informação.

“…medidas tendentes à formação e à educação do consumidor, designadamente através de:
a) Concretização, no sistema educativo, em particular no ensino básico e secundário, de programas e actividades de educação para o consumo;
b) Apoio às iniciativas que neste domínio sejam promovidas pelas associações de consumidores;
c) Promoção de acções de educação permanente de formação e sensibilização para os consumidores em geral;
d) Promoção de uma política nacional de formação de formadores e de técnicos especializados na área do consumo

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INCUMBE AO ESTADO.

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INCUMBE AO ESTADO.

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Qual é que será a parte de ” Estado ” que não se percebe aqui?

Traição. Da wikipedia

Traição, como uma forma de decepção ou repúdio da prévia suposição, é o rompimento ou violação da presunção do contrato social (verdade ou da confiança) que produz conflitos morais e psicológicos entre os relacionamentos individuais, entre organizações ou entre indivíduos e organizações. Geralmente a traição é o ato de suportar o grupo rival, ou, é uma ruptura completa da decisão anteriormente tomada ou das normas presumidas pelas outros.

Peguemos numa parte do que está ali em cima:

…é uma ruptura completa da decisão tomada anteriormente ou das normas presumidas pelos outros e observemos a imagem do lado esquerdo em baixo com as letrinhas nela escritas e comparemos com o artigo 6º da Lei de defesa do consumidor.

FORMAÇÃO EM PUBLICIDADE AOS ALUNOS NAS ESCOLAS- 15-02-2008

Paralelamente uma nota de lembrança. Este é precisamente o tipo de coisas que qualquer sindicato da educação, plataforma de sindicatos, o que seja, deveria TAMBÉM incluir nas suas lutas e negociações sobre sistemas de educação, por exemplo quando faz acordos vitoriosos e derrota por 15 a 0, o Governo.

(1) Também existe interesse em nos olharmos como cidadãos, e dentro dessa dimensão, em nos vislumbrarmos como pais.

Dizemos por hipótese ao nosso filho(a), no âmbito do nosso poder paternal e do nosso “mando paternal,” que, por exemplo, não gostamos, porque sabemos mais que o nosso filho(a), não gostamos, escrevia, que ele compre chocolates da Nestlé ou de outra empresa qualquer; outro produto qualquer.

O nosso filho vai para a escola e vai socializar-se. Estamos muito contentes com isso

Vai e terá aulas de introdução ao consumo (só ao consumo de certas empresas, note-se…)através da aprendizagem de técnicas de publicidade que contrariam as nossas decisões como pais.

É, estranhamente, a escola pública,que deveria ser, por definição, uma espaço democrático, abrigado de interesses particulares, a defender e apoiar esses mesmos interesses particulares.

É uma nova forma de democracia: a defesa dos interesses particulares.

(2) Também existe aqui a dimensão totalitária e anti democrática disto. Os pais são colocados numa situação onde poderão a vir a ser chantageados a longo prazo, pelos filhos, emocionalmente e psicologicamente, isto quando os filhos são ensinados a aderir – via publicidade, a determinados produtos.

Porque na escola lhes dizem (eles estão a aprender isso) que, através da aprendizagem da publicidade; não só devem aceitar bovinamente as técnicas de publicidade, como isso é bom. E os pais são – para não perderem o amor dos filhos – obrigados a aceitar a longo prazo, a comprar produtos derivados da aplicação e da aceitação dessas mesmas técnicas de publicidade na escola, mas a transportarem essa dimensão para sua própria vida pessoal.

É, interessante que as empresas privadas já tenham conseguido chegar ao ponto em que conseguem chantagear os pais, isto é, os consumidores… usando os filhos para isso.

A diferença entre isto e o crime organizado é ténue.

Continua…

PUBLICIDADE. LISTA ROBINSON.

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  1. Em Portugal existe publicidade.
  2. O objectivo da publicidade é fazer o pior parecer o melhor e vice versa.
  3. A técnica tem sido usada e aperfeiçoada ao longo dos últimos 100 anos.
  4. É usada para fazer uma descrição de um produto exaltando as qualidades e as vantagens que um qualquer consumidor terá em pagar para obter esse produto ou serviço.
  5. É também usada para dar a conhecer produtos ou serviços.
  6. Por isso, existem campanhas de publicidade.
  7. Quanto mais concorrência no mercado – tendencialmente – mais publicidade existe; mais companhias/empresas fazem publicidade.
  8. Aumentam assim os tipos e meios de fazer publicidade.

    O avolumar desta situação está a levar a que exista uma intrusão permanente na vida das pessoas. Uma “quase chantagem, pressão intensa, intimidação” permanente existe, de facto, para que se compre um produto ou um serviço.

    AMD1

    Consequentemente, surgiu a praga da publicidade feita pelo telefone. Um dos métodos mais utilizados consiste no seguinte. Alguém – normalmente um mau/agressivo operador de tele marketing – telefona para casa das pessoas insistindo que a pessoa recebeu um qualquer prémio. E terá que ir levantá-lo a algum sitio.

    A ideia é atrair a pessoa a um ambiente estranho para ela, e por via desse condicionamento, criar as condições necessárias para que a pessoa se sinta predisposta/ pressionada a aceitar comprar. Esta é feita, primariamente, por telefone. Como tal, todas as pessoas são bombardeadas com contactos telefónicos dos mais variados estilos, feitios, modelos e tácticas, para atrair, chateando e perturbando quem os recebe.

    Um destes dias entro em casa dos meus pais e escuto o meu pai aos berros ao telefone. Mas não era uma gritaria qualquer. O senhor estava exaltado. Gritava ao telefone como um vocalista de Heavy Metal “exigindo que o seu interlocutor chamasse a polícia “. Mais ainda, exigia que a “polícia aparecesse” e o “viesse prender”.
    O tipo passou-se, finalmente, pensei eu, mas não. Estava a falar com um marketeiro telefónico que insistia com o meu pai para que ele aceitasse ir até um magnifico e aprazível local algures nos arredores de Lisboa para receber um prémio.

    Isto evidentemente, depois do meu pai já ter dito que recusava ir receber um prémio. Daí a berraria exigindo ao marketeiro que este chamasse a policia para o ir prender por ele não querer ir receber o prémio. Como este tipo de contactos já acontecia há imenso tempo e com enorme frequência, lembrei-me de uma solução. Ela existe.

    Gostaria de explicar através deste blog campeão de audiências, como se pode bloquear legalmente as campanhas de publicidade (quase todas) não solicitadas e não autorizadas.

    Agradecia aos milhares que leiam isto, façam o favor de o divulgar por conhecidos e conhecidos e amigos e que estes usem isto e tomem a atitude que vou explicar a seguir.

    Existe um conceito/solução chamado ” Lista Robinson” ( lista de oposição).
    Definição: Ficheiro de pessoas que pediram para ser excluídas de bases de dados para fins comerciais. (Para não receberem publicidade não autorizada )

    Nota lateral 1: consultar esta pagina da empresa ACXIOM, que começa na letra A. Tem um glossário de definições de termos. Assustem-se.

    Nota lateral 2: é possível pedir para ser inserido – um número de telefone e uma morada – na lista Robinson/lista de oposição.

    Nota lateral 3: quem vigia os dados pessoais é uma entidade pública chamada – A comissão nacional de protecção de dados – CNPD – a entidade que vigia o cumprimento da lei.

    Nota lateral 4: A entidade em questão (CNPD) é um pouco mole e lenta e acima de tudo não é pró-activa a defender ou a publicitar os meios ao dispor dos consumidores. Funciona MAL. Mas também funciona mal, porque não é “solicitada” sistematicamente a funcionar,porque a maior parte das pessoas não usa a CNPD.

    Quando se quer não ser incomodado por publicidade não autorizada por telefone deve-se solicitar isso mesmo, pedindo para ser inserido na lista Robinson, a uma determinada entidade que se chama AMD (FEDMA) – chamada “Associação portuguesa de marketing directo”

    .AMD2

      A AMD apresenta algumas características interessantes. Até 15 de Julho de 2007, não tinha página na Internet. Existia discrição absoluta e nenhuma visibilidade. Dai para a frente, ou por questões de actualização ou por mudança de política passou a existir pagina.

      Registo, no entanto, com profunda estranheza, que uma associação de Marketing, que, supostamente, regula relacionamentos de empresas, consumidores e o marketing que é feito sobre estes não tenha estado sempre presente num meio tão “marketizável” como a Internet.

      Em buscas no Goggle, a 15 de Julho 2007, encontrava-se a AMD na página da empresa de impressoras OKI na secção de marketing, e na página do Omnicom media group onde existe toda uma outra serie de contactos de marketing.

      Actualmente a AMD já tem uma página própria AQUI.

      No canto superior direito existe um “balão” que indica ao clicar nele como uma pessoa, empresa, se pode registar para pedir para que um número de telefone/ endereço não seja alvo de publicidade indesejada, bem como outras explicações.

      A CNPD – entidade que regula a AMD, pode ser encontrada, também, fazendo a busca por http://www.cnpd.pt/. No dia 15 de Julho de 2007, a página principal da empresa, por razões de alteração do site ou azelhice apenas dava a entrada e os contactos telefónicos/email, não possibilitando ao carregar em nenhuma das entradas nada mais do que “Error 404” ou seja, serviço não encontrado.

      Actualmente pode ser encontrada AQUI.

      Método a seguir, para evitar perder tempo, e colocar um número de telefone na lista Robinson.

      1. Ou registar-se através da página da AMD.
      2. Ou contactar por telefone a AMD e solicitar quais as formalidades a cumprir.
      3. O email é: listadeoposicao@amd.pt
      • Já agora, o email da CNPD, para esclarecimentos adicionais é: geral@cnpd.pt

      Depois vou dizer o que sucede.

      ««« É dado um prazo de 4 meses – 120 dias, a partir de uma determinada data, em que o nome foi colocado na Lista Robinson/ oposição.

      ««« 4 meses durante os quais, segundo me foi explicado, já existem campanhas e publicidade “em linha e a correr” e durante esses 4 meses seremos – AINDA – contactados.

      ««« O prazo começa a correr após o contacto feito para a AMD ( ou por telefone ou por email) fazendo o pedido e obtendo – via carta de correio – uma confirmação de que o número de telefone “X” pertencente à morada “Y” em nome da pessoa “Z” está de facto colocado na “Lista Robinson” e que a pessoa não será mais contactada por marketing não solicitado via telefone.

      Duas outras notas.

      ««« Também sucede o seguinte; caso quem adopte isto o pergunte à AMD. Também sucede, escrevia, que, após pedir para ser colocado na lista Robinson/lista de oposição, durante pelo menos, os dois meses a seguir a contar da data em que se fez o pedido, o numero de contactos telefónicos publicitários dispare.

      São as empresas de publicidade AVISADAS que ” aquele ” contacto estará em breve excluido – estará em breve na lista negativa. Logo, as empresas aproveitam para usar o contacto daquela pessoa/número de telefone enquanto existe oportunidade (uma janela de oportunidade) para tal.
      AMD3


      ««« Também sucede que, pelo menos a Portugal Telecom, a Sonae( variante Optimus), a Edp e as viagens Novo Mundo contactem de forma não autorizada. Porquê?

      Porque se “excluiram” ( confirmo por expêriencia própria) de estarem presentes na AMD, para assim terem “mãos livres” para contactarem à vontade e chatearem quem não quer ser chateado.

      Isto dá nota da arrogância comercial de pelo menos estas 4 empresas. Que eu conheça.

      Notas finais:
      1. A AMD, em termos gerais, até faz os possíveis para passar despercebida. Podemos ser levados a pensar que tal acontece precisamente para que as pessoas não saibam que existe a lista Robinson; ou pelo menos que tenham pouca informação acerca do assunto.
      2. É uma forma indirecta de a AMD defender os seus associados; empresas de publicidade e empresas que vendem produtos, fazendo publicidade aos mesmos.
      3. A CNPD não divulga explicitamente que existe uma Lista Robinson/de oposição. Coloca-se confortavelmente na posição de regulador.
      4. Como cidadão, não concordo com esta posição, uma vez que o cidadão individual está bastante mais desprotegido contra uma campanha publicitária, do que a empresa ou grupo de empresas que a lança.
      5. Como tal a entidade CNPD deveria ser bastante mais pró-activa do que é relativamente a este assunto. Todos nós pagamos ao Estado impostos que pagam a existência da CNPD.
      6. As associações de consumidores (Deco à cabeça) não informam, como regra geral, as pessoas da existência da lista de oposição.
      7. A 1ª imagem que está lá em cima é tirada da ligação da Oki – a 15 de Julho de 2007. O email que lá está traçado a vermelho é um endereço de email que está ( estava na altura) errado. Como não existia página de Internet, e no site da CNPD, não existia contacto à data em que o fiz para por o número de telefone do meu pai na lista Robinson, acabei por ter que enviar email, primeiro para a CNPD, e telefonar depois para a AMD, para conseguir obter as informações que possibilitaram incluir um nome de telefone na lista Robinson e, consequentemente, ter a possibilidade de escrever este post em 15 de Julho de 2007, num outro blog que eu fazia.
      8. Para nos rirmos existe também um instituto da “auto disciplina da publicidade” (que nunca contactei). Mas a expressão “auto disciplina” da publicidade é bastante cómica.
      Alguém nota alguma auto disciplina na Publicidade?

        Written by dissidentex

        15/01/2008 at 20:58

        PUBLICIDADE A UM CARRO. Que não se consegue perceber qual é o carro.

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        • Data: Setembro e Outubro de 2007. (Quando eu vi)
        • Tipo: Publicidade a um carro.
        • Forma:Anúncio de televisão. Com “história”.
        • Anúncio feito para o mercado americano, mas standardizado, para o resto do mundo: a agência publicitária deve ser a mesma a fazer a campanha para diferentes partes.
        • Resultado final: um glorioso falhanço.
        • Post com 2591 palavras. Dois mapas a cores e com setas a voar para todo o lado. Fujam.

        O cenário e o enredo

        Um anúncio publicitário promovendo a venda de um veiculo automóvel extraordinário passou nas televisões portuguesas, nestes dois meses, acima enumerados. O anúncio vinha equipado com uma história. A história era pungente e tinha um tom de drama. Tentava prender o telespectador – o potencial adquirente do carro em questão. Era uma história onde existia um casal jovem, moderno, suburbano – presume-se. Uma história que foi feita desejando a existência de tensão entre o casal jovem; mas, ao mesmo tempo, que existisse um ambiente alegre e desempoeirado, com a visão de campos e espaços verdes. Existia, também, um modelo de avião, daqueles do aeromodelismo, existia uma cena breve em que o jovem casal era apresentado como fazendo uma actividade social feliz e cheia de normalidade. Tudo estava limpo, correcto, estilizado, perfeito, com os tempos de passagem entre as várias cenas do filme publicitário – ai de uns 30 segundos de duração – a estarem totalmente cronometradas e liofilizadas. Um iogurte publicitário com Ómega 3.

        Os protagonistas (4) ; dois principais e dois secundários

        Os dois jovens actores / figurantes do filme foram escolhidos a dedo. Visavam provocar um impacto, embora diferenciado cada qual. O centro da acção – a personagem principal – era a jovem mulher. Bonita, morena, a cair para o lado mulato da beleza feminina. O jovem acompanhante (o namorado) era suficientemente notado para ser percebida a sua existência no filme publicitário, mas era também suficientemente banal para não deixar mais que uma vaga impressão de que passou por lá. Objectivo: ser ligeiramente apagado para nos demonstrar que são as mulheres que decidem as compras – o anúncio era para elas. O que indicia, que o produto a quem se quer vender – o alvo do mesmo – são jovens mulheres. Seria pois, um “carro de senhora” o objectivo promocional desta venda publicitária. Protagonistas secundários: o “carro” e o “avião”. Representam o papel de si próprios na vida civil e de objectos sexuais na vida encoberta.

        A estrutura da narrativa

        A história do filme, o enredo era poderoso. Seguía a lógica de montagem da acção, estilo “Quentin Tarantino ” . Um narrativa “não linear”. Começava pelo fim. Como o filme tinha sensivelmente 30 segundos, não podem – evidentemente – existir muitas alterações e mudanças da linearidade do tempo de um spot publicitário com este reduzido tamanho. No “final” do filme (se a narrativa linear existisse seria o final) observava-se o jovem casal em alegre e exterior felicidade num parque público. O elemento masculino do spot, ensinava, carinhosamente, o elemento feminino a pilotar um avião de aeromodelismo. O elemento masculino gentilmente murmurava à jovem morena como pilotar o avião. Este “avião” era para o personagem masculino do anúncio em questão, um “objecto ” ao qual ele – visivelmente – dava imensa importância e do qual retirava imenso prazer. Quase sexual. Era uma alusão sexual a um brinquedo que antes era usado pelo elemento masculino e que este; agora, estaria a ensinar – a 3 – ao elemento feminino.

        MARCA DE CARRO 1


        É, também, uma caracterização que visa tentar aproximar quem vê o spot publicitário da ideia / estereotipo que existe e que é sempre alimentada pela publicidade. Segundo a qual, os homens apenas se interessam por assuntos semi mecânicos que não interessam às mulheres. Todo o público potencial se revê nisto. Dessa forma também permite que o público alvo desta mensagem – as jovens mulheres – se sintam identificadas com a situação. Identificadas com a situação, predispõem-se a “escutar”. A primeira barreira psicológica foi quebrada.

        Narrativa lateral perversa

        Entre a jovem morena/namorada e o avião do aeromodelismo, insinua-se – também – através daquele pequeno pedaço de filme (uns breves segundos) uma “mênage a trois” entre o namorado, a jovem mulher e o avião de aeromodelismo. O avião do aeromodelismo é um “vibrador” nesta lógica – um substituto do prazer físico – semelhante a qualquer outro objecto do género. Ela não tem prazer(com ele), o avião substitui. É também o substituto de uma terceira pessoa. ( Antes o avião ( vibrador) do que estranhos…) (Indicia também que o namorado é impotente. Se é impotente, não compra, ela é que compra ) .

        Percebe-se também porquê. O anúncio é ( pretende ser) asséptico, limpo, mas tem que ter nuances sexuais subliminares, precisamente porque é destinado a um público jovem urbano. Que está encharcado em sexo e mensagens publicitárias com sexo. Acaso não apareçam (mesmo que não faça qualquer sentido aparecerem) esse mesmo público alienado é incapaz de reagir a estímulos de publicidade “normal”, isto é, sem alusões a sexo. (Ainda há publicidade normal?) Como a criatividade na publicidade não é muita, ” inventou-se “, neste anúncio, o avião de aeromodelismo. Um “motivo” para o que se passa (irá passar) no fim do anúncio, mas também uma metáfora sexual ( o terceiro elemento).

        Em tempos de doenças sexualmente transmissíveis e de perseguição moral institucional a “comportamentos libidinosos”, parece ser melhor definir “moralmente” um objecto como “terceiro elemento”, do que uma pessoa.

        A “normalidade” e a pureza de um anúncio publicitário

        O avião de aeromodelismo e o jovem que pratica aeromodelismo também tem outra função “escondida” no anúncio: indiciar um “jovem bem formado” que se dedica a “passatempos” não perigosos e não perturbadores da ordem social. O equivalente caseiro a esta actividade ao ar livre são os coleccionistas de selos. ( É claro que isto só é assim até alguém de um grupo terrorista se lembrar de carregar um avião de aeromodelismo cheio de explosivos e explodir alguma coisa. Nessa altura, formar-se- ão grupos de terapêutica e apoio aos aeromodelistas. Os “aeromodelistas anónimos”. Estes irão para uma sala e dirão” olá , sou o Jonas, e tinha um avião. Dormia com ele e tudo.Mas desde o atentado que não o posso ver mais.Perdi o prazer; estou impotente…)

        A necessidade da criação de um conflito que faça avançar a acção

        No decorrer da acção deste filme publicitário, a jovem mulher responde sempre gentilmente ao jovem namorado quando este a está a ensinar a manobrar o avião, ( a ternura feminina como paradigma antes de espetar uma faca nas costas…) dizendo -lhe que o está a controlar sem problemas, mas enquanto o faz, está, de facto, a impelir o avião na suave direcção do chão. O que efectivamente acontece. O avião despenha-se, a pique, proporcionando assim um primeiro clímax na acção – um pequeno acto de violência e destruição.

        Metaforicamente podemos especular que esta acção é apresentada como um sinónimo de adultério. Que as mulheres mentem e enganam. Que está na natureza delas. Que, a jovem mulher já não gosta do avião de aeromodelismo (objecto de prazer sexual inserido dentro do casal ) e como tal sabendo que esse objecto, apenas dá prazer ao namorado, mas não a ela, decide, destrui-lo. Desta forma terrível, porque premeditada. Percebemos, com a velocidade do filme, embora não exactamente porquê, que a jovem mulher tem um sorriso ( tipo Gioconda) sarcástico de satisfação pelo despenhar do aeromodelo.

        Metaforicamente podemos especular que a queda do avião simula um orgasmo pela violência da mesma, indiciando agressividade naquele casal e problemas não resolvidos. Existe “normalidade” e existe “Twin Peaks” ( Para as crianças imberbes que aqui chegam por engano, informo que Twin Peaks é uma muito boa série de televisão dos anos 80 que retratava uma simpática comunidade norte americana cheia de pessoas felizes. Depois, uma das pessoas dessa comunidade a teenager/cheerleader Laura Palmer era assassinada. E o detective que investigava o caso, à medida que aprofundava a situação descobria que todos os habitantes eram do pior que poderia existir – longe de serem normais).

        A narrativa tem que ser explicada recorrendo ao passado

        Chegados a este ponto a acção muda – tem de mudar para que os bovinos (parvos como eu) que ainda vêem anúncios de televisão entendam alguma coisa. O soar do apito para a mudança é o aparecimento de uma rotulagem com as palavras ” na semana anterior”. A acção volta ao passado ( o passado é tornado equivalente a ser só uma semana de memória histórica) e somos convidados a visualizar o que terá acontecido na semana anterior que originou o que nos é mostrado no inicio do anúncio publicitário. Embora com uma narrativa deslinearizada.

        A narrativa surge completa após a explicação que é dada para os actos da jovem mulher.

        Na “semana passada”; num ambiente de felicidade e comunhão espiritual, o jovem casal vem das compras. Sempre muito ternos e bem dispostos. Tão bem dispostos que o elemento masculino leva os sacos das compras, à jovem namorada. Um acto de cavalheirismo muito raro nos dias que correm, diria mesmo, fora de moda. Não só é isso tudo do ponto de vista publicitário que é mostrado, como visa atestar que o jovem em questão é “bem equilibrado”, se calhar até é cristão (caso isso signifique ser-se equilibrado, coisa que duvido…), mas do ponto de vista da imagem que perpassa para quem vê, este jovem é uma autentico “Golden Boy”. Candidatas a sogras; posicionem-se na linha de partida e ponham os olhos neste jovem.

        A ignição do conflito começa e tem origem num simples gesto.

        Contudo o jovem bem equilibrado tem uma acção que o condena às fogueiras do inferno e a expiar para toda a eternidade o mal absoluto que fez. Ao pegar nos sacos das compras, na sequência do seu acto de cavalheirismo ( fora de moda), o jovem, com as mãos ocupadas, fecha a porta do carro usando um pé! E diz qualquer coisa como “eu venho já querida, deixa-te estar”.

        Sacré bleu! Sacrilégio! (Sacré Bleu é francês; é necessário dar um “tom” internacional a esta prosa).

        Nessa altura é-nos dado a ver o rosto da jovem morena muito bonita e verificamos que Medusa existe na sua face. O ressentimento levanta a sua feia cabeça e deixa-se ver através de um ar profundamente ressentido, vingativo, de quem foi e se sente profundamente atingido pelo simples acto do namorado – o acto de fechar a porta do carro com o pé.

        A justificação para o acto da senhora uma semana depois.

        É este simples acto que ocorreu uma semana antes, que funciona como ignição para o que vimos no inicio do filme – o acto em que a jovem destrói, parecendo fazê-lo involuntariamente; o avião de aeromodelismo do namorado.

        Um sentimento negativo, de vingança move uma personagem do filme, para outra das personagens, por causa de um carro. O tal carro que é o objecto que se quer vender através deste anúncio publicitário. Estamos por portas e travessas a chegar ao argumento de venda.

        O argumento de venda

        Pretende-se querer dizer que o dono ( a) de um destes carros é de tal forma apegado ao “seu carro” que até se dispõe a praticar actos de vingança mesquinha e violência com outras pessoas às quais – assim nos é apresentado – até gosta e tem amor (presume-se).

        O que os publicitários pretendem mostrar (com esta elaborada trama shakesperiana) é que o carro é tão bom, tão fantástico, tão excepcional, que até suscita preferências e escolhas usando meios agressivos para exercer essas escolhas. Entre o carro e o namorado a jovem escolhe o carro exercendo uma pequena vingança contra o namorado. O carro é o “objecto sexual de prazer” da jovem morena, enquanto que o avião de aeromodelismo é o “terceiro elemento ” introduzido pelo namorado no relacionamento ( a destronar o carro?). Se o “namorado” danifica, por falta de cuidado e desleixo ( falta de amor) o objecto de prazer da jovem morena – o carro – então esta, tem “casus belli” (casus Belli é Latim; assim as pessoas julgam que eu sei Latim…) deverá fazer o mesmo ao objecto de prazer introduzido no relacionamento – o avião de aeromodelismo.

        O mais engraçado disto é a “inversão” de papeis – de estereótipos que aqui é feita. O “homem “ é substituído como o “adepto” dos carros, passando a ser a “mulher”. E o homem é infantilizado porque ainda anda a brincar com pequenos brinquedos ( sexuais?). O homem do filme – é isto que se pretende vender, dado que o alvo – o público alvo são mulheres jovens e supostamente desinibidas e modernas é apenas um figurante, infantilizado, imaturo, enquanto que a mulher jovem faz o papel de “homem” da casa e isso é que é considerado como sendo ” emancipação”.

        Terás um carro fantástico e serás emancipada, podendo tratar abaixo de cão o teu namorado, que, presumivelmente, não terá um carro, mas sim um brinquedo. Esta publicidade faz das mulheres jovens, supostamente, pessoas adultas e emancipadas. (Até já lutam por carros, vejam lá…) Mas, na realidade apenas as transporta para a classificação de parvas idiotas, ao prometer-lhes liberdade apenas e só pela aquisição de um carro. No fundo representa um enorme conservadorismo e conformismo fazendo equivaler liberdade à simples aquisição de um carro e não à manutenção de uma relação normal com um namorado. Entre a pessoa e o objecto, a publicidade diz-nos que a pessoa não presta, mas o objecto é que é bom. A pessoa só presta se comprar o carro. (Só assim será emancipada…)

        MARCA DE CARRO 2

        Nota lateral: Nos anos 70 a publicidade promovia a venda de carros maiores e os homens compravam carros maiores porque existia a ideia simbólica não escrita que um carro maior simbolizaria o membro sexual masculino; logo; ao comprar um carro grande, um homem estaria a sinalizar exteriormente possuir um grande membro sexual, daqueles que se montam usando um tripé e dois engenheiros especializados. Aqui estará-se a dizer (a publicidade) que no caso das senhoras o que interessa é demonstrar que quanto mais pequeno for o órgão sexual feminino, será isso que é bom? Um caso a investigar…

        O produto, onde fica?

        Pretende-se mostrar que o carro é absolutamente fantástico. Que a pulsão sexual da senhora pelo carro é superior à pulsão sexual da senhora pelo namorado. Da mesma maneira que a jovem morena é ” quente ” em termos de aspecto físico , e quente em amor pelo carro, já o é menos – bastante menos – pelo namorado. O estereotipo de mulher fria vem aqui ao de cima – um estereotipo comummente atribuído às mulheres jovens actuais, (em muitos casos justificado) e que as próprias nada fazem para contrariar. O namorado, apenas exercita a sua libido cristã bem comportada com aviões do aeromodelismo. (Eu que nada sei de Bíblia até sei que o onanismo vem na Bíblia…)

        Recordação mental para mim próprio

        Consegui lembrar-me de tudo isto à propósito do anúncio. Fantástico. Espantosa memória. E numa demonstração de onanismo ainda me dei ao trabalho de comunicar isto.

        Vi anúncio umas 8 vezes. Demorei 3 ou 4 a perceber a subtileza da vingança da jovem ao namorado. Concerteza que sou muito estúpido. Toda esta intrincada narrativa ficou.

        Contudo

        Não me lembro de qual é o carro. Não me consigo lembrar de qual é o carro, de qual é a marca, ou outras características do produto que este spot publicitário pretende vender.

        Este anúncio é tão bom que

        Os medíocres publicitários que produziram isto conseguíram submergir o produto = carro dentro de uma história cheia de drama e acção, com reviravoltas na narrativa, (James Bond, és um amador…) que por sua vez, também é uma narrativa não linear, e conseguíram com tudo isso não atingir o que interessa.

        • Promover o produto “carro”.
        • A marca do carro.
        • Conseguir definir, isto é, fazer com que quem vê o spot publicitário.
        • Perceba qual é o produto.
        • E queira comprar.

        Como é que se consegue comprar uma coisa que nem sequer se conseguiu perceber o que é?

        Percebe-se tudo e mais alguma coisa, menos o essencial: o produto.

        Written by dissidentex

        05/11/2007 at 19:07