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SEGUNDO A SIC SALAZAR ERA UM GARANHÃO…

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Segundo a SIC, empresa de comunicação social, que tem um alvará de funcionamento outorgado pelas entidades competentes do Estado “Democrático” português, alvará esse destinado à produção de “televisão”, tal situação, intitula a empresa a fazer a apologia do “Totalitarismo de rosto humano” – na opinião da empresa.

Sem que ninguém, nenhuma “entidade competente” a contrarie.

Magnífico Estado Democrático este, que convive num ambiente de pseudo tolerância em que todas as alarvidades e falsificações passam, (Tolerância não é isto!) com os branqueamentos constantes desta televisão em relação a factos históricos ou outros.

Agora trata-se de “humanizar” Salazar.

Num mundo e num país onde o ensino de história é aquilo que é; isto é, onde as pessoas; a maior parte delas, nada sabem do que foi Salazar e do que  foi o  Salazarismo, porque nada é (propositadamente) ensinado.

Num país onde a memória colectiva histórica foi varrida (está a ser varrida)  para debaixo do tapete; 34 anos depois de um alarido que mudou tudo para deixar tudo na mesma, Salazar é humanizado via ficção televisiva fazendo dele uma criatura sexualmente activa.

Um putanheiro garanhão cristão beato à solta entre jornalistas e criadas…

A fonte da imagem pode encontrar-se no blog do senhor António Boronha, a quem eu cumprimento por ter escrito o que escreveu, mesmo sendo eu mais novo e só ter apanhado poucos anos do Salazarismo.

salazar-antonio-boronha

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FASCISMO EM PORTUGAL IGUAL A SALAZARISMO.

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JORNAL DIÁRIO DE NOTÍCIAS – 23 – 06 – 2008 – Transcrição parcial.

Entrevista. MANUEL LOFF, HISTORIADOR
No seu livro O Nosso Século é Fascista! – O Mundo Visto por Salazar e Franco analisa as ditaduras ibéricas. Houve mesmo fascismo em Portugal?

É claro que houve fascismo em Portugal. O Salazarismo foi a adequação que as direitas portuguesas fizeram de um modelo fascista à conjuntura portuguesa. Neste livro sustento que o Salazarismo é claramente o fascismo.

António José de Brito, que se assume como fascista e de extrema-direita, diz que há apenas afinidades entre o Estado Novo e o fascismo.

A ultradireita do regime defende isso. Não nos esqueçamos de que Jaime Nogueira Pinto sustentava a tese, em 1971 ou 1972, de que Marcelo Caetano era um criptocomunista…

Melhor que António José de Brito, José Hermano Saraiva, em determinado momento, chegou a dizer que Salazar teria sido um antifascista, porque teria mandado prender fascistas.

O Hitler mandou matar nazis, não é nazi, está visto; Estaline mandou matar 700 mil comunistas, entre 36 e 38, então não é comunista. Isto é absurdo, é óbvio que a pluralidade interna do regime incluía sectores, sobretudo da área intelectual e sectores de uma pequena burguesia mais moderna que do ponto de vista cultural imitava directamente o caso italiano ou caso alemão.

Em que base se apoia Salazar para dizer que o seu século, o século XX, era fascista?

Salazar usa outra frase: diz que existe uma linha geral europeia que os triunfos da Alemanha nazi e da Itália fascista têm vindo a consagrar. Salazar não gosta de utilizar o termo fascista, porque sabe que está a usar um termo criado por estrangeiros, e um ultranacionalista não gosta de dizer que o seu regime é uma imitação.

Portanto, fala de um nova ordem, como falavam também Hitler, na Alemanha, Mussolini, em Itália, e Franco, em Espanha. A transformação que a Alemanha estava a produzir na Europa, entendia Salazar, iria consagrar o triunfo dessa via. As direitas ibéricas imaginaram no triunfo da Alemanha uma espécie do fim da história: o triunfo definitivo para o resto do século daquilo que seria a nova ideologia.

Estes pequenos excertos condensam todos os problemas que o Salazarismo coloca a democratas ou a adeptos da democracia.

– O messianismo inerente à figura do homem, convenientemente defendida pelos discípulos do homem que ficaram para trás e a quem os “democratas”, convenientemente, sempre permitiram em nome de um falso conceito de tolerância que pudessem continuar a minar a democracia e a glorificar o homem tentando fazer dele algo que ele nunca foi e que este historiador define: Salazar foi, de facto, fascista.

– Para obter isso, é necessário dizer que o Salazarismo era apenas um primo distante em 4º grau do nazismo e do fascismo italiano e não um irmão da mesma mãe. Razões para tal invocadas: o facto de o homem ter mandado prender fascistas.

Isto deve ser entendido de forma demagógica , ou seja, que o acto de eliminar facções dentro daquele regime ” que queriam ser o chefe no lugar do chefe” é “vendido” como “Salazar mandou prender fascistas”.

Mandou-os prender antes que estas facções o depusessem.

– a “nova linha geral europeia a que o fascismo português pertencia existiu de facto. No caso português também, embora com excepções. Uma delas era o culto da tecnologia que era apanágio dos regimes italianos e alemão, mas que em Portugal não o era. Essa pequena diferença ( é uma das) é invocada para dizer que o Salazarismo não era fascismo.

– o ultranacionalismo de Salazar que teve máxima expressão na frase “Orgulhosamente sós”. OS democratas portugueses pós 25 de Abril querendo combater a lógica que estava por detrás disto adoptaram a entrada na UE, e adoptaram o ” Orgulhosamente cretinos e corruptos” como novo mote a seguir.

O resultado? Os Salazaristas sentem-se à vontade para chamarem corrupta à democracia e para negarem a essência da corrupção do regime Salazarista e a falta de legitimidade do mesmo.

O ultranacionalismo do senhor levava precisamente à negação da palavra fascismo, como atribuível a “uma outra qualquer ideologia, mas não a dele.

É uma pesada herança esta, a de contrariar “isto”quando os ” democratas” não o querem fazer e adoptam alguns dos tiques do Salazarismo. Leva-nos à pergunta: mas alguma vez desejaram mesmo erradicar da memória das pessoas aquilo governando bem?

Leva-nos também à questão do nacionalismo. Quem defende uma ideia de nacionalismo diferente desta, é sempre atacado. Nessa altura onde param os democratas oficiais?

Written by dissidentex

25/06/2008 at 14:31

O ÚLTIMO ACTO EM LISBOA. ROBERT WILSON.

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O ULTIMO ACTO EM LISBOA

Autor : ROBERT WILSON.

Editora; GRADIVA

Wilson pode ser encontrado aqui – uma entrevista acerca do seu livro o “Cego de Sevilha”

E aqui também.

Neste Fórum de leitores existem opiniões acerca do livro.

Algures em 2006, dirigi-me à Feira do livro aterrorizado por uma amigaR.WILSON- O ULTIMO ACTO EM LISBOA minha. Possuído do demónio da leitura adquiri este livro (12 euros) bastante interessante: O Ultimo acto em Lisboa.

O livro excedeu as minhas expectativas como romance policial, mas também como lição de história.

Wilson fez uma pesquisa bibliográfica e histórica excelente e misturou-a habilmente com a ficção contando uma história passada em Portugal mas que começa em 1940 simultaneamente na Alemanha e em Portugal. Além disso passou bastante tempo na Beira Baixa para pesquisar para o livro e a falar com pessoas que ainda estavam vivas e viveram os tempos do volfrâmio.

Wilson conhece muito bem os portugueses (vive no Alentejo), como se comportam e o seu temperamento e consegue descrever muito bem no livro, várias dessas idiossincrasias, quer em termos históricos, quer mais recentes.

Sob o ponto de vista de uma lição de história, mas não só, o livro é excelente, quer na construção do enredo e, quer nas personagens e nas descrições de paisagens e lugares.

A acção é construida baseado-se numa série de acontecimentos que se iniciam nos anos 40, por um grupo de personagens mas não todos derivados de uma linha familiar, como por exemplo, uma história onde se descreveria o que acontece a sucessivas gerações.

Antes, Wilson junta personagens diferentes, de nacionalidades diferentes, relaciona – as com o tempo histórico que se vivia – a 2ªguerra mundial – e tudo é descrito tendo em conta as interacções entre os personagens e como os actos de alguém há 50 anos virão a originar repercussões enormes nos anos 80 e 90.

É também a historia de como – indirectamente – o regime Salazarista se fortaleceu com a guerra (economicamente e politicamente) usando para isso a venda do volfrâmio, um metal muito duro e denso que era usado para fabricação de filamentos de lâmpadas eléctricas, e acima de tudo, de ligas de aço poderosas, essenciais para blindagem de tanques.

Quem dominava o negócio nessa área, à época, eram os ingleses que já cá possuiam e exploravam minas, embora operassem em concorrência com os alemães.

A partir de 1941, os alemães aumentaram o seu interesse pelo volfrâmio. Até essa data o principal fornecedor alemão de volfrâmio era a Rússia, e existindo planos de ataque em marcha à Rússia; a Alemanha ficava sem capacidade de produção de armamento não tendo garantias de ter um fornecedor “externo” de volfrâmio. Dai o interesse por Portugal.

A historia é contada de duas formas, alternando a narrativa. Uma passada nos anos 90; outra passada nos anos 40.

Começa com o recrutamento do Sr. Klaus Felsen para as SS; um gestor/proprietário de uma fabrica de produção de carruagens de comboio na Alemanha, e as respectivas peripécias da vida do Sr. Klaus Felsen (namoradas, bordeis, o suicídio do pai camponês, a vinda de Felsen do campo para a cidade de Berlim).

Felsen, com muito pouca vontade de vir para Portugal é “persuadido “ a vir, pelo seu superior hierárquico nas SS que o manda prender com base numa acusação falsa, apenas para o fazer passar 3 dias numa prisão e amedronta-lo. Após a brutal intimidação, Felsen é arregimentado e promovido à oficial das SS e vem para Portugal.

Aí chegado, a sua missão é a seguinte: é encarregue de fazer chegar até às 3000 toneladas por ano a importação de volfrâmio para a Alemanha, quer importando-o legalmente, quer por contrabando.

Na acção que decorre nos anos 90, o inspector Zé Coelho, é escolhido para resolver um caso. É escolhidoRWILSON- CAPA ESTRANGEIRA por ser uma criatura difícil, e porque o caso é estranho. Trata-se de descobrir um homicídio de uma rapariga chamada Catarina Oliveira de 16 anos que morre em Monsanto. Caso relacionado com acontecimentos que se iniciaram 50 anos antes.

Wilson vai assim alternando na escrita; capítulos passados em Lisboa, Beira Baixa e Berlim de há 50 anos atrás e momentos na década de 90 em Lisboa e na zona de Sintra – Azenhas do Mar. As descrições do “terreno” são muito boas com imensos pormenores.

Voltando a Felsen: Este consegue atingir alguns dos objectivos na importação de volfrâmio, mas comete um enorme erro (embora necessário no contexto da acção): arranja, na Beira Baixa, um sócio português chamado Joaquim Abrantes, (para ajudar a facilitar o negócio) e, no decorrer da acção, dorme com a mulher dele, do que resulta um filho.

Esse filho, será a origem de muitos acontecimentos, entre os quais, a de ser o culpado indirecto da morte de Catarina Oliveira – neta de Felsen e filha de Manuel Abrantes, isto no Monsanto dos anos 90 – caso que o inspector Zé Coelho vai investigar .

Pelo meio, entre muitas situações e sub narrativas, existem os diálogos de Felsen, em Berlim com o “Gruppenfuhrer Lehrer” – o seu chefe.

Página 44:

…Felsen – e o Fuhrer português, o doutor Salazar, como é que se…?

Lehrer – esse é um caso de equilibrismo. Ideologicamente é seguro, mas há uma velha tradição de aliança com os ingleses, que não se cansam de a invocar. Vai sentir-se dividido, mas acabaremos por ganhar nós.

Felsen – e quando parto para Portugal?

Não é para já. Vai primeiro para a Suiça. Esta tarde.”

Pagina 46/47

– Felsen – banqueiros?

– Lehrer – os banqueiros de Basileia. Quem acha que viemos ver a Suíça? Não se compra volfrâmio com fichas.

– Nem com marcos pelos vistos – comentou Felsen.

– Exactamente.

– Mas francos suíços …dólares…

– O doutor Salazar foi professor de ciências económicas.

– E isso dá-lhe o direito a pagamento diferenciado?

– Não. Mas dá-lhe direito a pensar que em tempo de guerra é melhor ter boas reservas de ouro.

– Vai mandar-me para Portugal com um carregamento de ouro?

Surgiu-nos um problema. Os americanos estão a fazer-se difíceis para nos dar os nossos dólares, pelo que começamos a pagar o que queremos em francos suíços. Os nossos fornecedores em Portugal trocam esses francos suíços por escudos e em devido tempo, através dos bancos locais, os francos suíços vão parar ao banco de Portugal … que por sua vez, logo que tem divisas suficientes, compra ouro à Suíça.

——

– De quem é o ouro?

– Não percebo.

– O ouro alemão não está guardado no Reichsbank?

– A essa pergunta não posso … não tenho informações, e autorização para responder. Sou apenas um gruppenfuhrer…, como sabe. ”

Pagina 101

– Temos boas relações com Salazar. Ele compreende-nos. Os ingleses confiam na força de uma velha aliança… nós por outro lado vamo-lo…

– Intimidando?

– Ia dizer que o vamos abastecendo do que ele precisa.

– Mas certamente ele sabe que há uma divisão Panzer em Baiona.

– E submarinos no atlântico. Mas quem quer armar-se em pega e dormir com dois homens sabe que se arrisca a apanhar. ”

Pagina 116/117 – o plano de Felsen para comprar volfrâmio

– Primeiro ponto: a gente daqui, os homens da terra. Vivem como nós vivíamos na idade media. Não tem nada. Fazem vinte milhas a pé com cinquenta quilos de carvão às costas para irem vendê-lo à vila, onde comem o lucro para poderem voltar à sua aldeia. Gente muito pobre que não sabe ler nem escrever e que tem á sua frente uma vida dura.

— — –

– Esta gente da beira é difícil.

– É gente da terra. Os homens das serras são sempre difíceis, tem uma vida dura e fria. O nosso papel é compreende-los, encoraja-los, ajuda-los … e comprar-lhes volfrâmio”.

Pagina 139

– Vou continuar a comprar e a passar contrabando – disse Felsen – mas daqui em diante as grandes quantidades vão ter de ser negociadas nos gabinetes de Lisboa, e não nos campos da beira. Só que isso vai levar tempo…

– Porquê? – Pergunte ao Poser. Ele considera Salazar o maior vigarista desde Napoleão.

– E o que quer Salazar – perguntou Wolf.

– Ouro. Matérias-primas. Tranquilidade.

– Ouro temos. Também podemos fornecer-lhe aço de primeira e se isso não chegar, podemos puxar-lhe as orelhas – disse Lehrer.

NIASSA

– Como ? – perguntou Fischer.

Afundámos o Corte Real em Outubro, já não se lembra? Em qualquer altura podemos torpedear outro.

——

Foto do Niassa,

Na acção descrita no livro também é afundado. O Niassa foi o ultimo navio português com este nome. Foi construído em 1955 na Bélgica e abatido ao efectivo da marinha mercante em 1979, quando foi desmantelado em Bilbao.

O antecessor deste barco era o NYASSA, um barco que fez toda a 2ª guerra mundial a navegar e acabou por ir para a sucata em 1951.

√ Os diálogos em cima são uma descrição ficcionada das pressões que os alemães fizeram para obterem volfrâmio para o seu esforço de guerra e de como o Salazarismo favoreceu isso e se favoreceu com isso.

Na narrativa as ambições pessoais dos protagonistas vão originar, 50 anos depois, um crime que se mistura também – na história do livro – com o interesse do Estado Português em abafar os problemas derivados do Estado Salazarista ter aceite ser pago em ouro roubado dos judeus antes de irem para campos de concentração. ( Conferir “iMRE kERTESZ, livro “Sem destino”)

E a morte de Catarina Oliveira nos anos 90, é o ponto de partida para um emaranhado de sucessivas vinganças entre vários dos personagens, tudo ao mesmo tempo misturado com a nossa história, o 25 de Abril de 1974 e anos 60 incluídos.

Não desvendando a história por completo, resta dizer que Felsen passa 20 anos numa prisão portuguesa, e perde o seu lugar no banco comercial chamado “Oceano e Rocha”. Um banco criado na 2ª guerra mundial por capitais nazis, para que ele e Lehrer lavassem dinheiro e se precavessem ambos duma eventual perda da guerra pela Alemanha.

O terceiro sócio – português – é Joaquim Abrantes, precisamente para impedir que os Aliados, caso ganhassem a guerra, confiscassem o património. Abrantes, nos anos sessenta traí Felsen, daí este ter ido parar à prisão.

O filho bastardo de Felsen ( legítimo de Abrantes), no inicio do anos 60, adere à PIDE e anos mais tarde é o culpado da morte da sua própria filha (que ele desconhece que é sua filha), Catarina oliveira.

Esta, aos 16 anos tem uma vida de “prostituta não oficial”, (a descrição de Robert Wilson de como certas coisas acontecem e das “aparências em Portugal” é muito boa…) indo à escola, como uma normal adolescente, mas ao mesmo tempo prostituindo-se durante a semana numa pensão da Praça da Alegria.

E que o pai dela “oficial”, o advogado Oliveira, foi até aos anos 80 advogado do banco que Lehrer e Felsen criaram, o “Oceano e Rocha”…

Este é o “arquitecto”, por vingança pessoal, duma série de manobras, mas é também ajudado pelo Estado português que tem interesse em que surja alguém internacionalmente “oferecido” como bode expiatório em relação ao ouro roubado pelos nazis na 2ª guerra mundial. (Uma metáfora feita por Wilson, estabelecendo uma paralelo com tudo o que se passou neste país a partir da década de 90…)

Written by dissidentex

12/06/2008 at 8:48

SALAZAR CABELEIREIRO.

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Durante 48 anos, de 1926 até 1974, o salão de cabeleireiros António Queiroz do Valle, também conhecido como “o Salazar” ou o “Botas”(em 1969 o estabelecimento foi trespassado para o senhor Marcelo, que, verificando a decadencia óbvia do conceito de madeixas coloridas; tentou imprimir uma dinâmica mais comercial ao estabelecimento, tentando revitalizá-lo. embora sem sucesso, tendo posteriormente fechado as portas em 1974) marcou a dinâmica da moda em Lisboa e porque não dizê-lo no país.

Caracterizava-se o estilo do salão de cabeleireiros António Queiroz do Valle ( ou “Salazar”) pelo ar austero e rígido, monocórdico e sempre igual baseado no totalitarismo da moda e por uma absoluta e visceral repulsa relativamente à democracia capilar occipital e frontal dos cabelos. Cabeleiras frondosas e extensas eram também desincentivadas, sendo antes preferido um estilo mais sóbrio e curto aplicado à força de secador.

A grande inovação era a face, sempre muito colorida embora austera, camaleónica, diria, onde assim, quaisquer sentimentos, como a mentira, a hipocrisia, a vaidade, a pobreza, eram incentivados a serem adoptados de acordo com classe social a que se pertencia. Daí a imagem e as cores das faces da capa ” Os anos de Salazar”.

Também não eram tolerados cabelos rebeldes, ou desalinhados com o pente ou a escova, antes uma rigidez de linhas sempre muito marcada e defendida através dos polícias da linha rígida.

É a história deste cabeleireiro famoso e das suas concepções ultrapassadas de penteados que o Correio da Manhã nos apresenta com a colecção ” O asno Salazar”, ehhh… perdão “Os anos de Salazar”.

O NOVO VELHO ESTILO DE CABELEIREIROS Mais uma tentativa recente de nos convencer que o estilo dos penteados de António Queiroz do Valle, cognome Salazar era uma boa opção para o presente e que o senhor era” nem bom nem mau, apenas incontornável”.

Esta tentativa vem apenas no seguimento de outras tentativas visando mostrar que é possível existirem evoluções do Salazarismo capilar clássico e rígido, em direcção ao “Salazarismo capilar esquerda moderna”, reciclado, aerodinãmico e sempre sorridente, por contraponto ao estilo rígido e austero do seu antecessor.

No entanto, como críticos capilares que somos, e observadores da tendência da frondosa cabeleira, não podemos deixar de reparar em tal pormenor. O que é apresentado como novo é apenas uma velha cópia do antigo estilo, e mal feita.

Em resumo, não se deve adquirir esta nova fashion occipital capilar.

Written by dissidentex

14/04/2008 at 11:27

Publicado em JOSÉ SÓCRATES, SALAZAR

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