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SELECÇÃO NACIONAL, SCOLARI E SAM, A AGUIA.

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Na série “Os Marretas/ The Muppet Show” existia um personagem delicioso que eu adorava, talvez mais ainda do que os outros todos – todos igualmente doidos – que era o personagem “Sam a águia”.

Sam, a águia era um insuportável moralista, um censor que estava sempre a tentar aplicar uma chancela de qualidade (a sua qualidade) ao que os outros personagens dos Marretas faziam.

Ficava sempre mal visto e era sempre sabotado pelos outros bonecos que gozavam imenso com ele. Nas primeiras séries, Sam, infelizmente, aparecia pouco, mas sempre que aparecia era uma verdadeira risada com as suas insuportáveis tentativas de censurar e moralizar as coisas mais idiotas que eram feitas no programa.

Uma vez, Sam obrigava o Sapo Cocas a inserir um momento moralista para as crianças e os adultos. Sam, a águia, iria explicar “as massas” numa edição especial, a fábula da cigarra e da formiga. Começava com um tom sempre moralista, vendo-se uma cigarra a tocar guitarra ( rock) e a divertir-se durante o verão. E a voz grave de Sam a águia, a censurar a cigarra. Depois via-se uma formiga a fazer um intenso esforço a carregar uma qualquer noz ou peça de comida excessivamente pesada para a formiga trabalhando arduamente e escutava-se a voz de Sam, paternalísticamente moralista a aplaudir a formiga que estava a amealhar para o Inverno.

E Sam dava aquilo como exemplo a seguir. Sempre com a sua voz grave e moralista.

Depois o cenário mudava e Sam, já a antecipar a sua vitória moral falava da vinda do inverno prometendo enormes dificuldades para a Cigarra que não amealhou nada durante o verão passando-o a tocar rock,e elogiando a formiga por ir conseguir resistir ao frio e ter comida. A cena muda e de repente quando Sam pergunta à cigarra o que é que ela vai agora fazer que o inverno chegou; surge um outro narrador a explicar que a Cigarra pegou no seu Ferrari descapotável vermelho e vai passar o inverno à Flórida, enquanto a formiga ficava por ali a apanhar uma pneumonia.

Isto enquanto Sam a águia balbuciava e estrebuchava dizendo” mas não é assim que a história é”, mas não é assim que deve ser contada a história”, isto evidentemente gerava um gozo imenso em quem via e punha a ridículo Sam, a águia, e o ar austero mais a voz grave.

E lembrei-me desta história à propósito da nossa querida selecção nacional e do exército de toupeiras e morcegos a voar de dia que, coitados, apoiaram tanto e tantas vezes os nossos “heróis”, os nossos “incríveis”, os nossos “estratosféricos” e estão agora de ressaca, após a droga que tomaram. Já os “incríveis” foram de férias até à próxima altura em que possam voltar a enganar o pessoal enquanto o resto das pessoas está a ressacar e faz o papel de formiga na história de Sam a águia.

A cigarra são os jogadores da selecção que vão e foram à sua vidinha.

O Sr Scolari é o Joker desta história. É um misto de cigarra que toca rock, (no caso de Scolari, Roberto Leal e restante música pimba nos autocarros da selecção) e de Sam a aguia, a dar lições de moral( não se discutem transferências antes do final do Euro 2008 disse ele aos jogadores) acerca de contratos .

É claro que é sempre bom não se discutir contratos de outros quando o nosso já foi arranjado antes do Europeu. E quando o nosso vale 15 milhões de euros por dois anos de contrato.

E no vídeo em baixo podemos ver um bom exemplo “do não faças aquilo que eu faço, mas sim aquilo que eu digo” num outro filme de Sam a águia.

Onde este vai fazer um discurso contra os ecologistas e os conservacionistas e a dada altura diz que tem uma lista onde estão expostas as espécies em extinção dizendo isso de forma depreciativa. O discurso é feito para defender a industrialização. E Sam a águia ao ler os nomes dos animais que não interessam que estejam em extinção fica muito surpreendido quando descobre que a “American Bald Eagle”, ou seja a espécie a que ele pertence, está em vias de extinção. Exclamando o que está em baixo:

“The American Bald Eagle! The American Bald Eagle?! Excuse me, this list is now inoperative!”

O que nos vale é que o senhor Scolari irá continuar a fazer a figura de Sam, a águia. Ficando cada vez mais em extinção.

O problema é que os adeptos portugueses(e os portugueses) também continuam a fazer a figura de toupeiras ridículas e morcegos a voar de dia. Apenas conseguem ser Sam a águia, mas só na parte só ridícula do mesmo.

Written by dissidentex

24/06/2008 at 16:26

ORGULHO DE PORTUGAL? CERTAMENTE QUE NÃO…

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Hoje é dia 19 de Junho de 2008, dia da toupeira e do morcego a voar de dia que apoiam a selecção nacional.

O meu pai trabalha numa empresa que necessita, desde há uns dois meses, de uma determinada profissional especializada numa dada área.

A gestora da empresa publicou anúncios de emprego procurando pela determinada pessoa com as características especificas necessárias para o trabalho em questão e que não são fáceis de encontrar.

Há uns 8 ou 9 dias respondeu uma pessoa ao anúncio. Uma rapariga relativamente jovem, à volta dos 30 anos. esta rapariga não tinha experiência mas respondeu na mesma. A ideia era a pessoa ficar lá um dia à experiência para que, os que já lá estavam, aferissem das qualidades da pessoa para a especificidade do trabalho.

A pessoa não ficou, porque não tinha qualificações, embora pedisse por tudo, desesperada, para ficar lá, dado estar a passar dificuldades económicas e ser por isso que tinha respondido ao anúncio de emprego.

Hoje é dia 19 de Junho de 2008, dia da toupeira e do morcego a voar de dia que apoiam a selecção nacional.

No dia 17 de Junho de 2008, surgiu outra pessoa a responder ao mesmo anúncio. Uma senhora de 60 anos de idade, desesperada pelo emprego.

A senhora não ficou, porque não possuía nenhumas qualificações para o emprego em questão, embora tivesse pedido muito para ficar porque estava desesperadamente a necessitar do emprego.

Possuindo a empresa um refeitório para se tomar as refeições, os empregados trazem as suas próprias refeições.

Causou muita impressão a quem lá estava o facto de esta senhora de 60 anos, ter almoçado, uma maça e um sumo.

Nada mais.

Isto é fome.

A pessoa que teve que tomar a decisão de não contratar a pessoa ficou bastante perturbado com isso, em face do que viu e pelo facto de ter efectivamente percebido que aquela senhora de 60 anos estava realmente com problemas sérios, a passar mal e com fome.

Foi colocado num dilema moral terrível.

Temos que sentir orgulho por vivermos numa sociedade que coloca dilemas morais terríveis como estes aos seus cidadãos e lhes diz que isso é bom?

Temos que sentir orgulho de um país que deixa os seus cidadãos nestas condições?

Hoje é dia 19 de Junho de 2008, dia da toupeira e do morcego a voar de dia que apoiam a selecção nacional.

No dia 18 de Junho de 2007, um cliente queria um fato de gala ( esta empresa produz roupa), feito à medida. Apareceu às 10 para as 6 da tarde ( a empresa fecha ás seis ) pedindo com urgência o fato de gala nesse mesmo dia, a estar pronto no dia seguinte.

A urgência do pedido devia-se ao facto de o senhor que requereu este fato de gala, ter que ir no dia seguinte, hoje dia 19 de Junho de 2008, até á Áustria para participar num acontecimento muito importante.

Um baile.

Temos que sentir orgulho por um país destes onde no espaço de 24 horas uma pessoa de 60 anos com fome coexiste com outra pessoa que vai até à Áustria participar num baile de gala?

Temos que sentir orgulho deste país em nome de quê?

Apenas sinto um virulento sentimento de desprezo e asco por um país que trata tão mal os seus cidadãos. Mas não todos os seus cidadãos.

Hoje é dia 19 de Junho de 2008, dia da toupeira e do morcego a voar de dia que apoiam a selecção nacional.

SELECÇÃO NACIONAL. TOUPEIRAS E MORCEGOS.

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Winston Churchill:

Se Hitler invadisse o Inferno a Grâ-Bretanha assinaria um pacto com o Diabo.

Num destes dias tive um sonho acerca do inferno. Um sonho muito particular acerca do Inferno.

Dizem por aí que eu não sonho, mas tal não é verdade. Neste inferno muito particular de um sonho muito específico, estava eu num cemitério a dormir uma sesta quando acordei. Assisti ao espectáculo da visão de mercenários saídos das tumbas onde estavam, que se reuniam em parada para formarem um exército de assalto, as legiões do Inferno. Máquinas sub humanas mortais de guerra que iriam atacar a humanidade e destrui-la, sem piedade nem pena.

E observei, como que paralisado no meu sonho, mas vendo-me a mim mesmo a olhar para a acção que decorria diante dos meus olhos, os mercenários do inferno a soltarem guinchos pela dor de outros, esqueletos em crânios com esgares ferozes e demoníacos, em êxtase pela perspectiva de sangue fresco e almas puras para arrebanharem.

Apesar de tudo estava eu, muito satisfeito pela relativa normalidade da narrativa no meu sonho quando de repente… no meu normal sonho…sobre esqueletos e legiões do inferno…

as faces esqueléticas das legiões do Inferno começaram lentamente a transformar-se. De esqueletos demoníacas sedentos de sangue e almas para…lentamente…

de uma forma difusa e como um nevoeiro…insidioso que se impregna nos nosso ossos como cacimbo matinal olhado de um penhasco…

para

toupeiras.

TOUPEIRAS DA SEÇECÇÃO

Uma mudança no sonho, ou como diria um qualquer político português, uma mudança de paradigma competitivo.

Em vez de legiões do Inferno que gritavam pela dor das almas e pelo sangue dos inocentes, observei espantado e extasiado pelotões de toupeiras… companhias de toupeiras… exércitos de toupeiras… equipados com a camisola da selecção nacional de Portugal marchando de forma desordenada através de ruas destruidas. Aos pulos e aos saltos…

Estas toupeiras tinham além disso o estranho hábito de marcharem chocando umas com as outras enquanto comiam entremeadas e bifanas e bebiam cerveja por garrafa.

Nesta altura senti de súbito um estranho desejo a formar-se em mim. Comecei a desejar que a imagem inicial dos esqueletos das legiões do inferno em vez desta estranha aglomeração de toupeiras. Com esqueletos demoníacos podemos lidar. Com exércitos de toupeiras…

corn flakes de carne de porcoDepois ainda algo mais estranho aconteceu. Um intervalo publicitário aconteceu no meu sonho e um dos mais extraordinários produtos publicitários que já alguma vez tinha esperado aparecer, surgiu durante o intervalo publicitário de 30 segundos do meu sonho.

Um anúncio entusiasmado mostrando toupeiras gordas a publicitarem flocos de carne de porco numa nova e inovadora incursão pela gama de produtos de emagrecimento e Light.

O slogan era ” O Modelo Continente apoia a nossa selecção”. Os nossos heróis comem Flakes carne de porco. E você, toupeira? De que está à espera para apoiar a nossa selecção. Compre já Flakes carne de porco e apoie a nossa selecção!

Logo após o intervalo publicitário estranhíssimo surgiu outra imagem acerca deste sonho. A visão aérea mais estranha e peculiar.

Morcegos a voar de dia equipados com a camisola da selecção nacional.

Estes morcegos nas sua acrobacias aéreas durante o dia, e por via disso, chocavam uns com os outros, chocavam com postes de iluminação, chocavam com tudo o que estava estático e chocavam com algumas toupeiras do exército de toupeiras equipado com as camisolas da selecção nacional.

Vi algo de extraordinário, um morcego que chocou com uma toupeira e após o choque, começaram ambos a debater animadamente o acidente usando um combate de boxe mutuo para tal, procurando definir qual a razão do choque entre ambos.

Até que… o sol pós-se por instantes tapado por uma nuvem e…

uma sombra caiu momentaneamente sobre ambos. O morcego e a toupeira perceberam que estavam ambos equipados com as camisolas da selecção nacional e rapidamente se tornaram grandes amigos. Começaram muito depressa a partilhar umas entremeadas e umas cervejas Sagres. E começaram a falar das suas experiências na Suíça onde ambos eram imigrantes.

Pode uma selecção nacional que é apoiada por toupeiras e morcegos ganhar?

Deverá eticamente desejar-se que ganhe?

EURO 2008. SELECÇÃO NACIONAL. PORQUE NÃO A APOIO.

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Gosto de futebol. Vejo imenso futebol. Apoiei a selecção nacional em anteriores campanhas. Actualmente não a apoio.

Considero perigoso para este país que esta selecção nacional ganhe este campeonato europeu. Considero perigoso para os portugueses ( embora não todos, que nestas alturas existem sempre os beneficiados…) que esta selecção seja usada como está a ser usada, para disfarçar outras coisas graves que estão a acontecer.

Sinto-me como os pretos da África do Sul antes do Apartheid ter sido derrubado. Cidadãos de um país eram discriminados pelo facto de terem a cor da pele que tinham. Retaliavam em relação à minoria branca, indo ver os jogos da equipas internacionais – de selecções e de clubes que visitavam a África do Sul – apoiando as equipas estrangeiras. Especialmente no Râguebi onde existiam geralmente mais apoiantes da equipa estrangeira nas bancadas a apoiá-la do que apoiantes brancos da equipa de Râguebi da África do sul.

Em Portugal estamos a chegar ao mesmo nível, agora já não a cor da pele, mas sim a chantagem emocional e psicológica cheia de insinuações e quase afirmações de que, quem não apoiar a selecção” não é bom patriota”.

Entre isto e o Salazarismo a diferença é mínima.

De que, quem não comprar produtos de marcas que dedicam o seu apoio comercial à selecção está quase a cometer um crime e deverá ser exemplarmente punido.

campeões totalitários

Isto é um prototipo totalitário de vida em sociedade que deve ser desmascarado, denunciado, contra o qual nos devemos rebelar sem qualquer tipo de intransigência.

Não aceito que um seleccionador nacional de nacionalidade brasileira, querendo ocultar a sua falta de trabalho e de qualidade e querendo prevenir eventuais fracassos derivados da sua falta de trabalho a conduzir esta equipa, esteja permanentemente a apelar à união dos portugueses em torno da selecção, como forma de distrair as atenções.

Estar unidos à volta da selecção como se fosse um imperativo categórico absoluto que varre para baixo do tapete todas as críticas que possam ser feitas ao comportamento do seleccionador e da selecção como se fossemos todos impedidos através desta ordem não escrita de fazer criticas quando achamos que as devemos fazer.

Não temos que aturar este tipo de tácticas inventadas por um seleccionador para se precaver e justificar maus resultados; não é para isto que ele é pago e bem pago. É pago para treinar a equipa e a por a jogar o melhor possível, não para fazer proclamações políticas que servem para seu uso (benefício) pessoal.

Não temos que condescender com o paternalismo e com a invocação de elementos de mística religiosa e apelos ao divino, que justifiquem ou pretendam justificar o apoio à selecção ou a razão pela qual a selecção perde um jogo ou ganha um jogo.

A serem as coisas assim, ninguém precisava de treinar o físico a cabeça, a táctica, para melhorar; bastava invocar Deuses em seu nome e estava tudo resolvido com essa invocação.

Não apoio o totalitarismo mediático que está a rodear esta selecção e que justifica que fiquemos todos reféns de longas horas de transmissões televisivas de irrelevâncias do futebol e de amostragens entusiásticas de estofos de aviões onde os “nossos craques se vão sentar ” e outro tipo de parvoíces semelhantes.

Não aceito o argumento de que “se pode mudar de canal” e ver outra coisa. Não só existem pessoas que não podem porque não tem possibilidades económicas ou culturais de ter TV cabo e ver outros canais, como muitas vezes, se está a ver o mesmo em 5 ou 6 canais de televisão. Isto é uma forma de discriminação aplicada sobre parte da população que, querendo ver na televisão em sinal aberto qualquer outra coisa, é privada de forma totalmente arbitrária e discriminatória, em certos dias, de o fazer.

Não aceito o perigoso conceito de nacionalismo que está a ser praticado.

Não aceito cartões de crédito de marcas especiais a convidarem-me para ser algo que já sou, a patrocinarem a selecção.

CARTÃO DE SÓCIO SCOLARIAcaso esta selecção ganhe este campeonato, ser-no-á dito que é patriótico aceitar alterações às leis laborais ou aumentos de preços de combustíveis ou privatizações da saude ou qualquer outra coisa, porque isso significaria que Portugal é um país de sucesso, dando e usando a selecção nacional como exemplo. Misturando para convencer, pessoas a aceitarem imensas coisas que vão contra os seus interesses.

Sinto-me como um preto da África so Sul e por isso apoio a derrota da selecção. E não admito que me chamem anti patriota. Pátria não é isto. Este banzé alucinado e este barulho idiota usando o nome de Portugal como pretexto não é a pátria.

Isto quando existem inúmeras pessoas desempregadas, quando estamos em crise económica profunda, quando temos problemas económicos e sociais da mais variada ordem, quando o país ameaça desmoronar-se em pequenos pedaços, não é aceitável esta mistificação que está a ser feita usando o futebol e a selecção nacional para servir os interesses de alguns.