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PANÓPTICO – A ATRACÇÃO PELO TOTALITARISMO.

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Blog Obvious – panóptico 1 – 19 Junho de 2007- Sublinhados a negro carregado, meus.

O panóptico de Jeremy Bentham é uma composição arquitetônica de cunho coercitivo e disciplinatório: possui o formato de um anel onde fica a construção à periferia, dividida em celas tendo ao centro uma torre com duas vastas janelas que se abrem ao seu interior e outra única para o exterior permitindo que a luz atravesse a cela de lado a lado.

Na torre central deve-se colocar então um vigia e em cada cela trancafiar um condenado, louco, operário ou estudante: através do jogo de luzes, torna-se impossível ao detento, escolar ou psicótico saber se naquele ponto central está ou não alguém à espreita. Isolados, os condenados ou doentes ou os alunos são hora após hora, dia após dia expostos à observação dos mestres do panóptico, mas sem saber se a vigilância é ininterrupta ou não, quem os vê ou o que vêem. A incerteza da vigilância intermitente adestra.

Diz Michel Foucault em seu Vigiar e Punir de 1975:
Em suma, o princípio da masmorra é invertido; ou antes, de suas três funções – trancar, privar de luz e esconder – só se conserva a primeira e suprimem-se todas as outras duas. A plena luz e o olhar de um vigia captam melhor que a sombra, que finalmente protegia. A visibilidade é uma armadilha.

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O panóptico é uma construção intelectual visando obter o controlo. O (a coisa que controla) que controla “vê” os que são controlados e estes sabem disso – daí o medo dos que sabem disso.

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Blog Obvious – panóptico 2

“…sistema social disciplinar, ao identificar um indivíduo não-coeso, que não infringe nenhum expediente legal, mas que ainda sim precisa ser redisciplinado para voltar ao esquema externo vigente, já tem a quem recorrer (!). “

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O panóptico original de Bentham visava criar controlo “sobre” e apontar alvos; não apenas quem infringia a lei, mas também quem, não a infringindo, não estava conforme os cânones do sistema social disciplinar/repressivo. Na época da criação do panóptico eram os loucos, ou os doentes, que eram considerados como os primeiros candidatos a fugir aos cânones e consequentemente a serem metidos em “sítios de controlo”( em sistemas panópticos).

Nos dias de hoje, quem é o primeiro candidato a fugir aos cânones é quem não é um cidadão padronizado, independentemente, do padrão que se queira pensar ou escolher como ponto de análise e de definição.

Um desempregado estará fora do padrão. Deve ser “contido” e “afastado”*, mas um empregado que use roupa considerada não adequada também estará fora do padrão, sendo que o padrão de roupa não adequada está em constante mutação. Como mero exemplo…

O antigo panóptico manifestava-se na criação de restrições físicas e ideias sociais.

O novo panóptico baseia-se primariamente, na criação de restrições ou vigilâncias electrónicas aplicadas aos cidadãos e ideias conceptuais do que deve ser a vida em sociedade. **

Já não somente um lugar(es) físico(s) “vigiados e controlados”, mas também um lugar virtual de onde todos somos olhados por todos – poucos controlam muitos.

Artigo original POBREZA DESEMPREGO FOME

*…Na outra parte do Portugal democrático temos uma notícia do jornal online Kaminhos de Leiria, no dia 27-05-2008, onde democraticamente foram criados novos pobres, pessoas que trabalham e tem supostamente uma vida estruturada, mas são pobres na mesma.

Atrasam-se a pagar as prestações de vários serviços que a sociedade em que vive, psicologicamente e fisicamente, lhes exige que adquiram, sob pena de exclusão social e desintegração.

Democraticamente são mandadas desta forma para o lixo, para o limbo, para uma zona não existente da sociedade.”

E em “Orgulho de Portugal, certamente que não” temos uma ideia/esboço do que se acha que deve ser o novo panóptico **

uma lógica de exclusão. A existência dessa lógica de exclusão não é questionada; antes existem pessoas em dificuldades mas o dilema da situação é transportado para cima dos intervenientes, enquanto que entidades como o Estado planam fora desta dimensão, como se não existissem.

Se os colocados nesta situação ganharem consciência e ousarem rebelar-se contra, imediatamente surgirá uma “narrativa” de propaganda contra quem é excluído.

… Causou muita impressão a quem lá estava o facto de esta senhora de 60 anos, ter almoçado, uma maça e um sumo.

Nada mais.

Isto é fome.

A pessoa que teve que tomar a decisão de não contratar a pessoa ficou bastante perturbado com isso, em face do que viu e pelo facto de ter efectivamente percebido que aquela senhora de 60 anos estava realmente com problemas sérios, a passar mal e com fome.

Foi colocado num dilema moral terrível.”

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Blog Obvious – No panóptico 3

… Assim, a privacy, a privacidade, tornou-se expressão da liberdade, do indivíduo, e incitou o advento da fotografia, dos diários, das confissões ao pé da sacristia, do estar-se só. A inviolabilidade do domicílio e o direito ao segredo de correspondência são reconhecidos – ainda que pouco praticados, há de se dizer -, o homossexualismo deixa de ser visto como um delito e lentamente os corpos passam a se fechar em seu próprio torno.

Mas, num movimento tanto paradoxal, a imprensa (apoiada por seus consumidores) passa a preocupar-se, a avidamente interessar-se pela vida privada alheia, tornando o vigiar um dever, não concernente apenas às autoridades, mas um direito de todos; o direito ao saber e à satisfação das curiosidades: “o inconveniente do reinado da opinião que busca a liberdade é que esta se intromete onde não deve: na vida privada”, diria Stendhal.

… A obsessão pelo saber e pelo conhecer acaba por provocar um novo fenômeno científico-jurídico onde a busca pelo identificar, caracterizar e controlar transformou-se num medonho espetáculo antropológico cuja intenção era o de livrar a sociedade de toda e qualquer “anomalia” ou “endemia” humana, tentando torna-se uma massa uniforme de seres idênticos, moralizada e sã; fosse através das prisões, dos hospitais, dos internatos ou simplesmente pelo banimento do convívio social com a comunidade numa constante do vigiar e do punir. Uma busca d’uma sociedade ideal que nunca existiu…

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No caso específico da privacidade, esta está em perigo com as novas “técnicas electrónicas” e com a aceitação acrítica das mesmas.( Quem não aceitar perder a privacidade está contra a lógica dominante e vai contra o padrão que se quer definir: o novo panóptico…)

A dimensão do controlo está a aumentar como ideia aceite ( induzida a ser aceite) por todos, gerando um novo panóptico tecnológico disfarçado de cartão electrónico nas escolas , de chip electrónico em automóveis, de panópticos comerciais, Entre muita outras.

E como se induz a ideia por todos? Publicita-se que todos podem ser vigilantes e que está já ao virar da esquina a possibilidade de agir para vigiar através de um sistema de queixa electrónica.

O panóptico moderno está de acordo com os tempos. Convida as suas vítimas a participarem na sua própria vitimização.

O panóptico moderno é empresarial contando, por vezes com a ajuda dos Estados. O panóptico moderno empresarial recolhe informação e faz trabalhar os cidadãos contra si próprios no acto de recolha dessa informação.

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Written by dissidentex

04/10/2008 at 17:36

SATÉLITE ESPANHOL VIGIA A COSTA PORTUGUESA

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Notícia Diário de Notícias de 27- 05 2008 onde nós é explicado que nada mandamos…

Mudando ligeiramente de assunto e falando de Olivença, aquela localidade que é portuguesa – existe um tratado internacional que estabelece que a localidade deve ser entregue a Portugal, há uns 150 anos – nada ainda aconteceu.

Mas há uns 5 anos atrás, o governo espanhol colocou “marcos” na zona que considera ser a fronteira – incluindo Olivença em território espanhol, aquando da construção de uma ponte numa área que ligava os dois países.

O governo português de Durão Barroso, (o fujão) reagiu não colocando nada, nenhum “marco” e ignorando o assunto.

O padrão deste “jogo” é sempre o mesmo.

Agressividade extrema do lado espanhol forçando situações e fingimento do lado português olhando-se para o lado. É a frase ali ao lado ” Madrid dá como certo – mas Lisboa não confirma.

(1) Lisboa não confirma por várias razões. Porque não quer confirmar, dado que ao fazê-lo está a dizer ao mundo que aceita a soberania espanhola, mesmo que tenha feito este acordo.

(2) Também não confirma porque o “acordo” prevê um centro em Lisboa, mas o comando central nas Ilhas Canárias. Uma posição de subalternidade e a política externa portuguesa, mesmo quando é subalterna nunca mostra ao povo português que é isso que se está a passar.

(3) As tropas portuguesas quando em missão internacional, no âmbito da Nato ou de outra qualquer organização nunca são colocadas numa situação em que estejam sob comando directo espanhol. É por isso que são colocadas normalmente com tropas italianas.

Aqui, neste pequeno pormenor, parece abrir-se um precedente, relacionado com satélites de vigilância ( que servirão para uso militar?), mas também demonstra a imensa pressão e o desejo da Espanha de garantir uma posição no território português e um poder de influência que nunca teve em 800 anos.

Como é óbvio, não estou a sugerir que invadamos Espanha, mas sim que tenhamos mais vergonha na cara enquanto país. Isto ainda é um país, não é?

Acresce a isto, o recente investimento em Sines, com direito a megalomania do senhor que é primeiro ministro.

Isto é por acaso, ou representa, de facto, a diminuição da pequena influência que Portugal tem – nem sequer conseguindo impor-se às portas de casa?

Isto é por acaso ou representa de facto “um abraço de urso” que Espanha nos está a dar, perante a complacência das elites? (Elites é uma ironia…)

Written by dissidentex

24/09/2008 at 17:42