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GESTÃO DE EMPRESAS EM PORTUGAL

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Gestão de empresas no Portugal moderno, desenvolvido e europeu.

Adenda em  de Junho de 2011:  –  Explicação acerca da situação da empresa foi-me dada em Julho de 2007.

Este post foi publicado em Julho de 2007.

A empresa descrita no texto faliu em em 2009.

Ø

Explicaram-me a situação de uma empresa portuguesa. Explicaram-me a mentalidade que existe numa típica empresa portuguesa. Explicaram-me que estamos a falar de um negócio entre 10 a 15 milhões de euros anuais, se não mais. Esta empresa explicada funciona da seguinte maneira. Instala um produto em clientes (poucos, mas com muitos pontos de venda, dada a natureza do produto que oferecem), e faz, posteriormente o acompanhamento e manutenção do serviço e do produto.
Esteve em sistema de monopólio natural até há uns anos atrás; depois em sistema de duopólio, mas em que a quota de mercado que lhe cabia era de 80%;senão mais – mas na pratica um monopólio também. Não é produtora da maquinaria/matéria-prima do negócio, mas produzia com qualidade a manutenção e o serviço que prestava. A matéria-prima / maquinaria era adquirida em Espanha – a um produtor espanhol.
Explicaram-me como funcionava com a força laboral esta empresa portuguesa.

Pagar generalizadamente por baixo, e acima de tudo, pagar aos técnicos especializados que lhe garantiam a qualidade extra da manutenção por baixo. Valores entre os 600 e 700 euros mês.

Existiam ainda pormenores “irritantes” impostos à força laboral. Os técnicos têm que se deslocar aos locais onde fazem a manutenção dos produtos da empresa lá colocados. Em alguns desses locais é necessário ir de carro, passando no sistema de portagens “Via verde”. Se um técnico se enganasse no caminho pré definido administrativamente e não passasse na portagem pré definida para ir ao local do cliente “X” fazer o serviço, a portagem ou o excesso de preço numa portagem, corria por conta do técnico.

As pessoas(a maior parte) não tinham contrato de trabalho efectivo. Tinham contratos de 6 meses renováveis, até fazerem 3 anos. Aí o contrato não era renovado e a pessoa passava para a segunda empresa do grupo; deste grupo económico de duas empresas. Aí recomeçava o “jogo” contratual a fazer-se desta mesma maneira.
Estratégia e bom senso aqui = zero ( 0 ).

É claro que a culpa é dos sindicatos.

É claro que uma vez por ano, o dono da empresa vai até ao Luxemburgo.

A concorrência espanhola quer expandir-se. O mercado natural para a expansão é o português. As empresas espanholas funcionam em modo “pack de lobos”. Começou a observar esta situação e depois de estudar brevemente o mercado, percebeu que esta dinâmica empresa portuguesa quase monopolista no seu sector estava arcaica em funcionamento.

Os sócios da empresa portuguesa não deram um safanão, não decidiram mudar de instalações saindo do centro de Lisboa para os arredores para – por exemplo – criar um novo êlan, não alteraram a política de pagamentos de ordenados, não criaram incentivos à produtividade. O que fez então a empresa portuguesa? Nada. Esperou.

Ate que avistou a visão que um dos principais (o principal) concorrentes espanhóis que tentava há muito entrar no mercado português lhe ofereceu: aceitar uma parceria comercial, uma fusão de esforços – uma aliança proposta pelos espanhóis.

  1. Os responsáveis da empresa portuguesa tiveram após negociações começadas, um movimento poderoso de gestão.

  2. Depois dos preliminares de negociação se terem iniciado, decidiram facultar bases de dados internas ao “parceiro” espanhol – a pedido deste.

  3. Após esta prova de boa fé decidiram também, disponibilizar alguma informação absolutamente valiosa sobre funcionários e seus vencimentos ao “parceiro” espanhol.

  4. Parece que a ideia conceptual seria a de julgarem que com isso, com a aparente disponibilização de informações acerca da fraca “competitividade dos salários” isso seria uma das mais valias que levaria o “parceiro”espanhol a sentir-se mais incentivado para avançar mais rapidamente para a pretensa fusão.

Nota lateral 1: Nem sequer é preciso ser licenciado em economia ou gestão, basta ter bom senso, para se perceber que nada do que está cima descrito se faz alguma vez em negociações de fumo como estas eram – disponibilizar dados internos deste teor, como por exemplo, conhecimentos sobre a base de dados de clientes e/ou conhecimentos sobre os vencimentos.

Nota lateral 2: como é óbvio a culpa da gestão desta empresa ter tomado estas medidas é dos sindicatos. Apesar de a maior parte, ou a quase totalidade dos funcionários nem sequer sindicalizados serem.

O “parceiro” espanhol ainda demorou mais de um ano com esta negociação. Arrastando-a. Perturbado que estava com o facto de não estar a conseguir acreditar que existisse ainda uma empresa cuja “mentalidade anos 40 do século 20” ainda se mantivesse em funcionamento, mas ao mesmo tempo possuído de duas sensações.

  • A sensação de que seria fácil mistificar estes otários;

  • A sensação de armadilha. Se no meio de tantas facilidades não existiria algum ardil de tal forma elaborado destinado precisamente a induzir em erro o “parceiro” espanhol – uma conjura de alto coturno – que o “parceiro espanhol” não estaria a vislumbrar.

Quando finalmente o “ parceiro“ espanhol se convenceu que a gestão da empresa em questão era mesmo e genuinamente imbecil, utilizou duas tácticas absolutamente mortais.

  1. Fundiu-se em Espanha com o fabricante espanhol de maquinaria – o tal que vendia a esta empresa portuguesa. Dessa forma a fonte de maquinaria foi imediatamente fechada à empresa portuguesa deixando esta, de repente, sem fornecimento de matéria-prima.

  2. Convidou os melhores técnicos de manutenção da empresa portuguesa a ingressarem nos quadros da nova empresa espanhola a operar em Portugal resultantes da fusão das duas espanholas, e pagou-lhes ligeiramente mais ordenado, criou-lhes prémios de produtividade que antes não tinham e retirou-lhes uma série de outras restrições a trabalhar.

Teve ainda como bónus o facto de ter feito isto sempre sub-repticiamente e ter beneficiado de um (ou mais) desses técnicos, enquanto estava ainda sob contrato e a trabalhar para a empresa portuguesa ter sido persuadido / convencido / e ter – se oferecido após uma resistência de 5 segundos a ir várias vezes de noite, com funcionários espanhóis, aos escritórios e armazéns da empresa portuguesa. Objectivo: retirar toda a informação que ainda faltava saber acerca dos clientes da empresa portuguesa e demais informação sobre outros aspectos internos.

  • A culpa destas coisas acontecerem é dos sindicatos e do código laboral português que não é suficientemente flexível.

Passados uns meses, os clarividentes gestores da empresa portugueses mudaram as fechaduras da empresa nos escritórios e nos armazéns.

São os prejuízos deste tipo que os sindicatos originam à gestão das empresas portuguesas – a compra de fechaduras novas. É uma vergonha.

No momento a empresa portuguesa está com alguns problemas em conseguir a maquinaria que necessita para fornecer aos seus compradores e procura outros fornecedores. Infelizmente está apenas resumida a fornecer serviços de manutenção, mas não a 100% de capacidade precisamente porque vários dos seus melhores técnicos mudaram para a empresa espanhola.

Ninguém ouviu falar em inteligência económica.

Nem em inteligência.

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Written by dissidentex

16/12/2007 às 19:54

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